Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi

Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi Joachim Meyerhoff




Resenhas - Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi


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Helena 30/07/2016

Um livro leve e com emoções na medida
Quando finalmente voltará a ser como nunca foi (Ufa!) é narrado pelo filho mais novo do diretor de um hospital psiquiátrico para crianças e jovens. Por morar dentro do hospital com a sua família, o pequeno não conhece outra realidade e, por isso, narra cada momento de sua vida dentro daquela instituição, cada passo que tomou enquanto crescia em meio a pessoas com deficiências físicas e mentais. Um livro que se passa dentro de um hospital psiquiátrico já é por si só bem interessante. Mas quando ele é narrado através dos olhos de uma criança e sua inocência, é ainda melhor. Este foi o principal motivo que me fez solicitar o livro à editora assim que foi lançado.

A narração começa de uma forma bem inusitada e diferente. Acredito que a principal intenção do autor era mostrar de uma forma impactante - e ao mesmo tempo imediata - suas características de escrita e sua intenção com a história. O brilho do primeiro capítulo não é apenas a forma leve e natural com a qual o autor escreve, mas também a curiosidade e o gostinho de quero mais que o mesmo desperta no leitor. Entretanto, logo no próximo capítulo somos tomados por algo completamente oposto. Não que tenha ficado ruim, mas foi apenas uma introdução para como seria o ritmo da história dali por diante: cheia de altos e baixos. A necessidade de mostrar cada detalhe acerca do protagonista acabou deixando muitos capítulos tediosos e sem o brilho das primeiras páginas. Consequentemente, não tem como saber quando um capítulo vai ser ótimo ou não. Como a história nada mais é que um relato do cotidiano de uma criança e sua família, e como uma família normal, eles têm dias de grandes emoções e dias completamente sem graça. Ao contrário de muitos, não achei isso chato. Na verdade, gostei como é mais realista, mais próximo do cotidiano de qualquer família.

A escrita carregada de uma essência infantil foi excepcionalmente bem captada pelo autor, conseguindo mostrar algumas situações que, apesar de sem tempero, são muito importantes para o crescimento do personagem, o que só vamos perceber com o avançar da leitura. Ainda assim, achei que alguns capítulos não serviram nem para isso e poderiam ser descartados sem afetar em nada na história.

A importância de todo o desenvolvimento fica claro desde o seu início, mas onde o autor quer chegar com essa trama é uma incerteza. Opa, temos um problema, não é mesmo?! O livro não tem uma reviravolta, não tem um grande conflito para ser resolvido, e isso alimenta a expectativa de que algo muito importante vai acontecer a qualquer momento. Até aí, ok. Acho legal quando um livro consegue manter essa sensação. O problema é que a constante espera acaba, na maioria das vezes, sendo um banho de água fria. Porque a sequência de coisas realmente marcantes só vai acontecer lá pelo final do livro, quando você já desistiu de esperar por algo. Tudo bem que quando acontece, vira uma surpresa e a vontade de largar a história é nula. Mas como a trama já está nas últimas páginas, tudo acaba acontecendo muito rápido, deixando a sensação de que os acontecimentos foram se embolando uns nos outros. Não fica confuso, é possível entender tudo, é como aquela pilha de roupas em cima da cama: você entende a bagunça, mas ela ainda é uma bagunça. Entendem?

O desenvolvimento dos personagens, todavia, foi o ponto alto desse livro para mim. O autor conseguiu criar pessoas complexas e conflituosas. E não ache que estou falando dos pacientes do hospital. O verdadeiro problema está dentro da família do pequeno narrador. Um pai excelente quando se trata de teoria, mas terrível na prática. A mãe que resolve tudo dentro de seu lar, organiza cada detalhe, mas não está satisfeita com seu papel. Dois irmãos mais velhos que possuem talentos, se dedicam a eles, mas só fazem maldades com o caçula. E, claro, o nosso protagonista que possui problemas de aprendizado e tem diversos ataques de fúria por isso. Mas que, mesmo assim, tenta lidar com tudo.

Diferente da história pesada que eu esperava, é uma obra leve e cheia de emoções. O autor consegue abordar bem a profundidade de cada personagem; pegar suas perdas e saudades, e transformá-las em lembranças. Além disso, através da vontade em compreender as coisas ao seu redor e encarar a lenta desconstrução de sua família, conseguimos perceber o adulto maduro que o protagonista se torna aos poucos.

Claro que a história está longe de ser perfeita, mas isso não a impede de ser agradável e muito menos, de que você se apegue a cada detalhe dela. E, principalmente, não impede que você se sinta parte da família.

site: http://www.cafecomlivroo.com/2016/07/quando-finalmente-voltara-ser-como.html
Mariane.Aquino 20/08/2016minha estante
Nossa! Perfeito, tirou as palavras da minha boca!
Parece que vc foi a única que leu o mesmo livro que eu estou lendo.
Não sou do tipo que abandona livros pela metade, mas dessa vez estou me "arrastando" pelas páginas, passando direto por algumas descrições - ao meu ver - desnecessárias, e não cheguei nem na metade do livro. Vou TENTAR terminar pq quero acreditar que essa leitura vai valer a pena. Eu adicionaria mais alguns elementos negativos, mas de modo geral achei sua resenha muito fiel à obra.




Dryh 03/11/2017

Intrigante
Joachim é um garoto um tanto peculiar. Filho mais novo do diretor de um hospital psiquiátrico, ele mora nas redondezas do hospital desde que se lembra, e já está acostumado com os pacientes que por ali perambulam. Ele inclusive tem alguns amigos de lá! Mas não é só isso o que faz dele um menino um tanto diferente. Quando tinha sete anos, Joachim encontrara um corpo (de um aposentado) enquanto ia para a escola, e à medida em que crescia, seus ataques de fúria (e birra) só aumentavam.

Joachim é muito ligado à cadela de estimação da família, mas até mesmo com ela ele se irrita de vez em quando. Seu pai está sempre com o nariz enfiado em algum livro, e raramente dá alguma atenção aos filhos (quando o faz, os meninos vibram de alegria), a mãe não gosta de viver no norte da Alemanha (e deixa isso bem claro ao reclamar do frio), e tudo o que os irmãos mais velhos fazem parece ser com o objetivo de serem maldosos com Joachim.

Hoje penso que, talvez, também a nossa família tenha sido sempre apenas um conceito para ele. A vida como diretor de um hospital psiquiátrico, a vida como capitão de um navio, a vida como horticultor autossuficiente no campo, a vida como pai e marido na família – nós também éramos uma teoria que ele só suportava sentado na sua poltrona, mergulhado em livros ou distante de nós. – página 213

Ao longo do livro, somos apresentados a vários acontecimentos da vida de Joachim (ou Josse), desde sua infância até seus vinte e poucos anos. Não são acontecimentos muito marcantes ou que nos fazem devorar as páginas, mas são interessantes, principalmente quando envolvem pacientes do hospital ou quando Josse deixa transparecer sua raiva sobre qualquer coisa. Eu estava doida para chegar logo no final e descobrir os motivos de ele sentir raiva por motivos tão bobos e insignificantes. Teria isso algo a ver com o fato de o garoto praticamente morar no hospital?

[...] Depois veio a raiva. Uma onda quente que subia dos pés e uma torrente de pensamentos vingativos. Vi punhos e sangue, levantei a cabeça e, de repente, estava diante da minha imagem refletida no espelho. Eu não tinha noção de que podia assumir uma aparência tão feroz. – página 89

Eu estava bastante animada para ler este livro, apesar de ter passado pelo Skoob antes mesmo de iniciar a leitura e ter visto que a história não havia agradado muita gente. Mas estava curiosa. Infelizmente, esperei demais da história, e acabei me decepcionando um pouco.
A narrativa é um pouco lenta e requer atenção, e muitos pontos são cansativos. Ainda assim, é uma obra interessante de se ler, e eu, no geral, gostei de acompanhar Josse em diversos anos de sua vida.

Claro, o livro não me fez rir, chorar ou demonstrar qualquer outra emoção a não ser raiva em alguns momentos (os personagens sabiam ser chatinhos quando queriam), e não é uma história com muitos altos e baixos, intrigas, cenas tensas nem nada do tipo. Quando finalmente voltará a ser como nunca foi é um livro morno, possui uma história intrigante (que promete um final um pouco mais elaborado; contudo, até que gostei do desfecho dado pelo autor) e um protagonista que não é muito difícil de se gostar.

Apesar de não ter me conquistado totalmente, Quando finalmente voltará a ser como nunca foi é uma história que conseguiu me prender do início ao fim, e eu fiquei surpresa quando descobri que o livro é, na verdade, uma autobiografia do próprio autor. Para quem busca um livro diferente (tanto em sua nacionalidade quanto em conteúdo) esta é uma boa dica. Mas antes, uma pergunta: a loucura está do lado de dentro ou de fora?

O silêncio me deprimia. Eu odiava ouvir meu sangue murmurar no travesseiro e ficar deitado no escuro como uma múmia preparada para a eternidade. Sentia saudades dos gritos, da gritaria tranquilizadora dos doentes. – página 96


site: http://shakedepalavras.blogspot.com.br
Thaisa 07/02/2018minha estante
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Tamirez | @resenhandosonhos 19/08/2018

Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi
O que me atraiu nesse livro foi a capa, instigante e misteriosa, além de muito bonita; e também o título, grande, sugestivo e misterioso. Quando o lançamento foi anunciado eu fiquei super empolgada e doida pra ler, mas a leitura demorou um pouco para acontecer. E, infelizmente, quando aconteceu, não foi tudo aquilo que eu esperava.

O sentimento que eu tenho é que não era o momento certo para eu ter lido essa história agora. Sabe quando a gente sente que há algo errado entre a nossa vibe e a do livro? Então. Sei que muita gente adorou esse livro e me senti frustrada e triste por ter tido uma experiência ruim. Eu patinei, me deu ressaca literária, e eu ansiei por cada minuto até o fim. Desculpa livro, tenho quase certeza que o problema fui eu e não você, porque eu realmente costumo curtir essas tramas. É estranho se desculpar né? Mas é o sentimento que eu fiquei.

“O silêncio me deprimia. Eu odiava ouvir meu sangue murmurar no travesseiro e ficar deitado no escuro como uma múmia preparada para a eternidade. Sentia saudade dos gritos, da gritaria tranquilizadora dos doentes.”

Joachim, que gosta de ser chamado de Jocki, é o nosso protagonista e também narrador. É através de seus olhos que vamos conhecer o seu mundo e toda essa estranheza que lhe é comum. Ele vive em meio a pacientes de todos os tipos, interage com alguns e nos conta suas histórias, bem como suas impressões e anseios sobre eles.

A apresentação da “situação” é feita de forma natural, pois para o garoto não há nada de errado na forma como a vida dele se conduz ou sobre sua moradia. Opinião que não é exatamente compartilhada pelas pessoas de fora. Logo no começo, temos o seu primeiro dia indo para a escola, e é ai que já vemos o quanto esse menininho é diferente. Ele encontra um homem morto e sua reação é de euforia. Ele sai correndo e gritando para avisar a todos. Não há choque ou trauma, apenas entusiasmo.

Outro fato que vale a pena mencionar é que ele gostava de dormir com os gritos dos pacientes. Conforme ele nos conta, não haviam momentos de verdadeiro silêncio pelo terreno da instituição. E, após um tempo, quando ele sai de lá para fazer outras coisas, ouvimos sua reclamação de como é difícil adormecer sem os sons que ele estava tão familiarizado.

Mas, não é só o ambiente que é inusitado, Jocki também tem uma personalidade problemática e uma família que prefere não enxergar certas coisas. O garoto tem ataques de raiva sem motivo aparente e a qualquer momento. Porém, isso nunca é tratado ou levado a sério pela família. Eu confesso pra vocês que esse descaso de um pai que é médico me fez pensar em teorias sobre o fato.

Achei que ele nem era verdadeiramente membro da família, mas sim um paciente que estava sendo induzido naquela situação de proximidade. Mas, conforme a trama se desenvolveu e vamos conhecendo as histórias, o personagem cresce, e até vai viver sua vida adulta, nada disso se relaciona, apontando que realmente ele era exatamente quem parecia ser, e que o fato de não receber atenção ao tratamento para o seu problema psicológico foi uma negligencia familiar.

Ele também sofria constantemente bullying dos irmãos e tinha várias atitudes estranhas, como por exemplo uma cena que doeu em mim e na qual mais uma vez eu duvidei da sanidade do menino: eles tem uma cachorra, e um belo dia ele decide fazer um pacto de sangue com ela; para tal ele a corta de forma profunda para trazer o sangue e depois a si próprio. Quando a mãe e o pai veem o que aconteceu há apenas um silêncio e o contorno da situação. Nenhuma providencia.

Com essas coisas, fiquei a todo momento esperando alguma revelação ou desenvolvimento mais profundo, e simplesmente não veio. O livro é apenas Joachim contando duas história, suas memórias e nos conduzindo através de sua vida, da infância à idade adulta.

Frente a essa proposta, o subtítulo do livro faz bastante sentido: a loucura está do lado de dentro ou de fora?. Dai o leitor precisa se perguntar dentro ou fora de onde. Do hospital, da casa, da família, ou da cabeça do menino?

Cada capítulo conta uma história e elas não necessariamente se conectam. Algumas envolvem o pai, outras um paciente, e outras apenas o garoto e suas ideias. O livro teve um andamento bem lento pra mim e me demorou um tempo considerável até que eu finalizasse a leitura. O autor intercala momentos de seriedade, como a questão do cachorro ou uma conversa que Joachim tem com uma menina que estava lá por tentar cometer suicídio onde ela não sabe explicar o porquê, com cenas cômicas, feitas para a diversão. Há também aqueles momentos em que o leitor não tem certeza se é pra achar engraçado ou incrivelmente de mau gosto.

Esse é um livro para pararmos e pensarmos: o que é normal? Como sabemos o que é normal? O normal é ser um anormal?. É realmente difícil julgar as conotações que essa leitura traduz e implica. Porém, como já mencionei, não foi pra mim algo marcante. Eu apenas me senti incomodada e à espera a todo momento de que algo acontecesse. Qualquer coisa. Mas não, a história era realmente só aquilo.

Quando Tudo Voltará a Ser Como Nunca Foi é uma leitura delicada e indicada àqueles que gostam de ler coisas sobre crianças e dramas psicológicos. É uma leitura para imergir e absorver. E, talvez o mais importante, pode precisar que você esteja em um momento certo pra isso, se não pode soar bem monótono.

site: http://resenhandosonhos.com/quando-finalmente-voltara-ser-como-nunca-foi-joachim-meyerhoff/
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Maravilhosas Descobertas 20/12/2016

RESENHANDO UM NACIONAL: Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi, de Joachim Meyerhoff

Isso é normal? Crescer entre centenas de pessoas com deficiência física e mental, como o filho mais novo do diretor de um hospital psiquiátrico para crianças e jovens? Nosso pequeno herói não conhece outra realidade - e até gosta muito da que conhece. O pai dirige uma instituição com mais de 1.200 pacientes, ausenta-se dentro da própria casa quando se senta em sua poltrona para ler. A mãe organiza o dia a dia, mas se queixa de seu papel. Os irmãos se dedicam com afinco a seus hobbies, mas para ele só reservam maldades. E ele próprio tem dificuldade com as letras e sempre é tomado por uma grande ira. Sente-se feliz quando cavalga pelo terreno da instituição sobre os ombros de um interno gigantesco, tocador de sinos.

Quando Voltará a Ser Como Nunca Foi, de Joachim Meyerhoff é um livro onde são narrados os relatos da vida de um outro Joachim, que na época em que o livro se passa, é apenas uma criança de sete anos. Ao ir sozinho para a escola, sempre passa por um campo onde até mesmo já encontrou um corpo de um homem morto. É claro que Joachim explanou o ocorrido, mas ninguém lhe deu a devida atenção.

Joachim é filho de um diretor geral de um hospital psiquiátrico para crianças, que se localiza próximo à sua casa. Sendo assim, Joachim sempre está perambulando pelas redondezas do hospital, estando presente a alguns acontecimentos e ataques de loucura, e até mesmo brincando com os pacientes. Isso tudo, faz com que o pequeno Joachim tenha o gosto peculiar de gostar de dormir ouvindo os gritos que vem do manicômio.

O livro segue com Joachim narrando como era sua vida, como ele lidava com as implicâncias dos irmãos, como ele lidava com seus ataques de histeria, como era a amizade dele com Ferdinando, como foi quando o homem dos sinos sumiu, entre outros.

Com uma escrita monótona e carregada, Joachim descreve lentamente os acontecimentos. É um livro que te prende e desprende, prende e desprende. Trás uma leitura arrastada, mas que vem com alguns pontos de vista interessantes.

Enfim, se não leu esse livro ainda, leia, se já leu, compartilhe conosco o que achou e não se esqueça de compartilhar com os amiguinhos. E recomendo a leitura, pode ser que sua opinião seja diferente, ou eu tenha lido errado. Então um beijo, e até a próxima postagem!

site: http://www.maravilhosasdescobertas.com.br/2016/12/resenhando-um-nacional-quando.html
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Queria Estar Lendo 07/05/2017

Resenha: Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi
Quando Finalmente Voltará a ser Como Nunca Foi é um livro narrado como se fosse um memoir, pelos olhos do pequeno Josse, que cresceu em uma casa cercada nos arredores do hospital psiquiátrico onde seu pai trabalha, e nos foi cedido para resenha pela editora Valentina.

A história começa com o dia em que o narrador, então com sete anos, encontrou seu primeiro morto: um aposentado caído no meio da horta comunitária por onde ele está cortando caminho para a escola -- mesmo que tenha sido alertado pela mãe para não fazer isso. A partir daí, a história se desenvolve entre as memórias do garoto sobre viver em uma casa dentro de um hospício, com um pai psiquiatra, uma mãe fisioterapeuta e dois irmãos mais velhos, seguindo até a sua vida adulta.

A primeira coisa que me chamou atenção no livro foi a sua capa, é como realmente olhar dentro da mente de uma criança, como olhar Onde Vivem os Monstros. Depois vem o título, longo e subjetivo que, num primeiro momento pode não fazer sentimento, mas que fica bem claro depois das primeiras páginas. Para mim, foi um pacote completo.

"Gosto muito de como elas são, tão selvagens e cheia de vida. Quando se alegram, se alegram para valer, e quando gritam, então gritam mesmo."

O início do livro me lembrou um pouco O Menino do Pijama Listrado. Embora a narrativa de Quando Finalmente Voltará a ser Como Nunca Foi não seja tão inocente quanto o livro de John Boyne, a construção inicial do personagem é bem ingênua, como podemos ver na narrativa sobre o enterro que Josse e seus irmãos dão para um pássaro que morreu ao bater contra a janela de sua casa e na forma como ele enxergava as letras, por causa dos nomes dados aos blocos do hospital.

Isso, de certa forma, é algo que sempre gosto muito, a forma como os autores conseguem montar uma descrição infantil que fica tão fiel, que você é capaz de dizer "eu totalmente vejo uma criança de sete anos fazendo isso" ao mesmo tempo em que revela pensamentos e reflexões mais profundas sobre a vida e a morte e loucura e as expectativas que criamos em volta das pessoas que amamos. Foi definitivamente a minha parte preferida do livro.

"Para mim, foi um reconhecimento incrivelmente libertador: inventar significa recordar."

Quando Finalmente Voltará a ser Como Nunca Foi é um romance tragicômigo que fala de uma família "normal" vivendo em meio aos "loucos" e que usa desse artifício para falar do relacionamento disfuncional dos personagens entre si, que nada mais é do que o retrato de uma família que poderia ser a sua ou, no mínimo, a de alguém muito próximo a você.

Outro ponto que eu julgo um dos meus favoritos é que Joachim usa a excentricidade e peculiaridade do ser humano em situação comum e cotidianas para contar uma história instigante, capaz de prender a sua atenção e despertar você para a singularidade de cada pessoa. É como uma viagem que nos faz questionar o que é normal e o que é loucura, e por que achamos que os dois não andam lado a lado.
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Dani 23/01/2019

Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi, Joachim Meyerhoff
Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi é um belo título, e assim que o vi fiquei com o sentimento de precisar ler esse livro. Precisava conhecer a estória com um nome tão lindo assim! Esse livro é contado por Joachim, um menino que cresceu em um ambiente um pouco excêntrico. Seu pai é o diretor de um hospital psiquiátrico, e mantem uma casa ao lado do mesmo, de forma que conviver com doentes mentais e deficientes fez parte de toda a infância e adolescência de Joachim. Assim, ele vai narrando as mais diversas aventuras sobre a única realidade que conheceu nessa época, assim como as de sua família, que é formada por personalidades fortes.
Dessa forma, o livro vai conquistando aos poucos, com sua narrativa leve e estórias divertidas. Por ser uma leitura mais cotidiana, não estimula tanto a leitura de muitas páginas por dia (o li, então, alternando com outro), e também porque não traz um conflito único que denota pressa para concluir.

''– Você não ficou morrendo de medo? – perguntou-lhe meu irmão do meio. Meu pai refletiu por um breve momento e, em seguida, disse com uma sinceridade completa, quase alegre – uma sinceridade da qual, mais tarde, eu sempre sentiria falta. – Fiquei, sim, com muito medo, mas ele não me atrapalhou nem um pouco.''

Enquanto narra suas memórias, o personagem acaba também por implantar várias reflexões, seguindo a linha do subtítulo do livro: "A loucura está do lado de dentro ou de fora?". A leitura levanta muitos questionamentos sobre o que é ser normal, além de focar também no relacionamento familiar. Isso se deve, em especial, pelo grande destaque que o pai de Joachim recebe.
Os personagens realmente conquistam, pois são todos muito bem construídos, e talvez seja por isso que posso dizer que Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi partiu meu coração várias vezes. O que começou como um livro tão descontraído e diferente vai ganhando contornos mais dramáticos. Isso não o tornou menos bom, eu apenas não estava preparada para os acontecimentos que vieram após a metade final do livro.
E fiquei curiosa sobre uma coisa; se trata de uma biografia? O autor possui o mesmo nome e morou no mesmo lugar que o Joachim do livro. De qualquer forma, é uma leitura extraordinária em vários aspectos.
Uma coisa que achei engraçado, sobre essa leitura, é que nunca consegui pegá-la à noite. Só funcionava para mim ler esse livro de manhã, então à noite eu pegava As Perfeccionistas (que, por sua vez, nunca conseguia me prender de manhã ou de tarde).

site: https://blueunendlichkeit.blogspot.com/2019/01/quando-finalmente-voltara-ser-como.html
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Gêmeas Sperandi 04/06/2016

Adorei!
Quando finalmente voltará a ser como nunca foi, de Joachim Meyerhoff, foi publicado no Brasil pela editora Valentina. A primeira coisa que me chamou a atenção foi essa capa maravilhosa! De verdade, entrou para as capas de livros mais lindas que já vi. Outro fato foi o título, muito original e chamativo.

O livro conta a história de Joachim (sim, o personagem tem o mesmo nome do autor do livro), um menino que vive com a sua família ao lado de um hospital psiquiátrico. Seu pai é diretor do hospital, e durante toda a narrativa conhecemos como é viver no meio da "loucura".

Acontece que nem Joachim e nem sua família são "normais". Cada um com sua loucura, com seu surto de vez em quando. Achei isso muito legal, pois torna os personagens mais reais. Imagino que ver tanta gente do hospital psiquiátrico e conviver diariamente com eles faz com que a linha do padrão da sociedade borre um pouco.

Os capítulos de Quando finalmente voltará a ser como nunca foi não seguem uma ordem cronológica. Às vezes, o personagem conta a história de um paciente do hospital, às vezes relata fatos de sua infância. Meu paciente preferido foi O tocador de sinos.

A narrativa do autor simplesmente flui. Você fica imersa nesse mundo, na casa do personagem e nos pacientes do hospital. É um livro bem diferente do que eu estou acostumada a ler, mas gostei muito dessa experiência. É como um relato especial de quem ouviu muitas histórias e sentiu a necessidade de repassá-las. Joachim Meyerhoff costurou o livro muito bem, não senti falta de respostas. À medida que o final do livro se aproxima, muuitas coisas acontecem. O leitor descobre segredos, se depara com tragédias, amores, etc. Deu aquela empurrada na leitura, sabem?

Quando finalmente voltará a ser como nunca foi, de Joachim Meyerhoff, é um livro diferente, daqueles que você precisa ler de vez em quando para explorar novas narrativas e conhecer outros mundos. É o primeiro livro que li do autor e com certeza lerei os próximos!

site: http://www.gemeasescritoras.com/2016/06/resenha-quando-finalmente-voltara-ser.html
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Pedro 27/08/2016

Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi
Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi não é apenas um livro com título enorme e capa chamativa, na verdade trata-se de um romance de formação (Bildungsroman) onde acompanhamos o desenvolvimento de Joachim, o personagem principal. Ele é o caçula de três irmãos e vive no hospital psiquiátrico Hesterberg com sua mãe e pai (o qual é diretor do hospital) no extremo norte da Alemanha.

Ao desenrolar vamos sendo apresentados as loucuras e peculiaridades de alguns dos mais de 1.500 pacientes que são tratados no local e seu envolvimento com eles. Além disso, como é o relacionamento da família em um todo. Um pai que é ágil na teoria, mas falha na prática [um exemplo é seu desejo de tomar outro rumo na vida após completar 40 anos, porém, bastam alguns anos para deixar essas metas de lado]. A mãe que detesta o frio da Alemanha e sente saudades da Itália, e os dois irmãos de Joachim, os quais o perturba, mas que no fundo é só amor de irmão. Ah, não podemos esquecer da cadela que é uma personagem fundamental no enredo.

É de admirar como o autor consegue navegar do choro ao riso, enquanto enxugamos uma lágrima estamos rindo alto, e quando estamos rindo, começam a escorrer lágrimas de nossos olhos. Isso porque o livro tem momentos muito cômicos, principalmente por conta da inocência que o Joachim tem enquanto criança e adolescente. Portanto ele não tem uma noção do quão triste é a morte, e ao encontrar um corpo de um senhor morto no início do livro, sai comemorando o achado.
"Nunca vou esquecer esse momento. Eu tinha inventado uma coisa que, de fato, era verdade. [...] Como um instrumento arqueológico, a mentira havia trazido à tona um detalhe oculto das profundezas da memoria. Para mim, foi um reconhecimento incrivelmente libertador: inventar significa recordar". - Pág. 21

A morte em si é vista de uma outra forma pelo autor, como se fosse uma oportunidade de recomeço para quem vive e uma busca para a felicidade, algo estranho, mas que tem sentido se vermos todas as lembranças e momentos lindos que tivemos come um ente querido.

As descrições dos pacientes da instituição é melancólica e causa uma certa invalidez de nossa parte por não termos a oportunidade de fazer nada para mudar a condição da qual receberam desde seu nascimento. São transtornos mentais variados. Mas o relato mais chocante dentre todos é o de uma jovem que não sente mais sentido na vida e tentou suicídio várias vezes. O que deixa mais abalado é o fato de que ela existe e não sabe porque quer acabar com sua vida. Isso aperta o coração e é tão desolador que as lágrimas chegam a correr.

Esse livro faz parte de uma série, e é o segundo volume, porém, apesar disso, não senti dificuldades ou necessidade de ter lido o primeiro livro. Mas adoraria ter outras obras do Joachim Meuerhoff traduzidas para o português. A Valentina está de parabéns, não só por trazer um autor de um nacionalidade que foge dos Estados Unidos (Somos bombardeados de autores norte-americanos), mas também por uma história tão envolvente.

A diagramação do livro ficou perfeita. Na folha de guarda vemos um gato que ilustra uma das teorias de um dos pacientes da instituição, as folhas são amareladas e possui uma boa fonte. Durante a leitura não encontrei nenhum erro de revisão, além do mais, creio que a tradução conseguiu manter o clima que o autor queria propor para essa história, com uma escrita graciosa.

Recomendo a obra para quem quer fugir um pouco do habitual, com um cenário novo, personagens profundos e complexos, onde o romance consegue ter várias nuances e conduzi como a um passeio de montanha russa.

Para mim, somos seres distintos e as diferenças acabam gerando estranhezas, a partir do momento que vamos criando laços de afeto (ou nem tanto) vamos quebrando paradigmas e vendo o outro como alguém normal, com suas diferenças claro, mas que comparadas com as nossas estão nas mesmas medidas. É aquela história de que tudo tem um peso diferente, dependendo de quem o suporta.

E para você, a loucura está do lado de dentro ou de fora?

site: http://decaranasletras.blogspot.com.br/2016/08/resenha-201-quando-finalmente-voltara.html
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Felipe Miranda 01/07/2016

Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi - Joachim Meyerhoff por Oh My Dog estol com Bigods
Se tivéssemos um dom acima da média para a escrita e uma percepção aguçada para decifrar as entrelinhas de algumas atitudes de quem a gente ama, é possível que cada um de nós fosse capaz de escrever um livro igual a esse. Se não igual, bem parecido. Porque é isso que Joachim Meyerhoff faz, ele descreve com um olhar extremamente delicado e doloroso a rotina de uma família que poderia ser a nossa, mas não é por incontáveis pequenos grandes detalhes.

Por mais assustador que pareça, enxerguei a mim e a minha família em diversas situações apresentadas no livro. Tive uma certa dificuldade no começo da leitura por buscar a grande problemática que guiaria a narrativa, mas ela simplesmente não existe. A vida do protagonista é o grande problema e ela nos leva junto. O ambiente em que ele cresce é que parece ser o eixo: um hospital psiquiátrico.

Imagine que seu pai é um médico competente, apaixonado pelo que faz e que resolveu fincar raízes no centro de um manicômio para poder cuidar de perto de todos os seus pacientes. Imagine que você, seus irmãos e sua mãe possuem uma vida totalmente moldada a atmosfera que um local como esse tem. Ao invés de ouvir o farfalhar das folhas das árvores ou a cantoria dos grilos na calada da noite, o único som que você escuta são gritos. Gritos vindos de todas as alas e prédios ao redor de onde você dorme. Gritos de dor e sofrimento. Sua canção de ninar particular. Imagine que seus vizinhos são loucos, possuem os mais variados distúrbios e você aprende a gostar de cada um deles. A maioria dos seus relacionamentos são assim: com pessoas que já não sabem distinguir o certo do errado. Mas que possuem histórias. E elas fazem desse livro algo delicioso de ler.

A situação é essa e quem a narra é Joachim, o filho caçula. Ele passeia pelo tempo destrinchando memórias e revivendo sentimentos. Joachim nos apresenta a loucura. A loucura presente em cada um de nós. E durante cada capítulo que vi ele e todos ao seu redor perdendo o controle e a razão, pude perceber que é pouco o que nos mantém sãos. Porque eu sei o quanto a vida às vezes pesa e tudo o que precisamos é extravasar. Nessa família, o lar não me pareceu ser o lugar mais seguro ou confortável para nenhum dos membros. E mesmo assim, com todos os surtos externos e internos, o que sempre os uniu foi o amor. O amor por fazer parte de algo. O tipo de conexão que não se encontra facilmente na rua. Ah, mas a rua também esconde segredos de uma família.

O pai de Joachim é todo teoria. Já a mãe prática. Para o velho, viajar era mais interessante nas páginas de um livro. Para ela, a mão na massa, o vento no rosto e a Itália. Sempre. Os irmãos de Joachim não fugiram muito da realidade. Sempre prontos para uma encrenca, uma disputa. Cada um com sua personalidade, todos contribuem de alguma forma para o clima perturbador que a história tem. Eu me vi rindo e com os olhos cheios de lágrimas. É comovente. Nem de longe é uma escrita fácil ou leve. Não sei se faz algum sentido, mas o fato do autor ser alemão foi a explicação que me dei para a narrativa tão densa. Foi uma experiência diferente.

Acredito que a grande pergunta e reflexão que fica é se tudo que eles vivem é motivado pela inserção nesse ambiente de loucos ou se já é algo intrínseco ao ser humano. Não resta dúvida de que somos todos meio birutas. A loucura está do lado dentro. Da gente.

site: http://ohmydogestolcombigods.blogspot.com.br/2016/06/resenha-quando-finalmente-voltara-ser.html
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Thuanne Hannah 18/01/2017

Esta, mais uma vez, foi uma leitura bem diferente das que estou acostumada a ler. Quando finalmente voltará a ser como nunca foi nos traz uma bela história, vista através dos olhos de uma criança.

Joachim é uma criança muito esperta e curiosa, logo nas primeiras páginas do livro, ele se depara com um morto num jardim. Sua reação é um tanto diferente do que podia se esperar de uma criança, pois ele vai correndo até sua escola e conta para todo mundo o que descobriu. Neste momento, já podemos perceber que o mundo gira de uma forma diferente para o garoto, de uma forma bem peculiar e que conheceremos através desta obra.

"MEU PRIMEIRO MORTO FOI UM APOSENTADO.
Bem antes que um acidente, uma doença e a senilidade levassem as pessoas queridas e mais próximas da minha família; bem antes que eu fosse obrigado a aceitar que meu próprio irmão, meu pai jovem demais, meus avós e até mesmo minha cadela, companheira de infância, não eram imortais; e bem antes de eu manter um diálogo constante - tão alegre, tão desesperado - com meus mortos, certa manhã, encontrei um aposentado morto."

O garoto vive com sua família e sua cadela de estimação em um local um tanto inusitado. Um hospital psiquiátrico. É isso mesmo que você acabou de ler! Seu pai é psiquiatra e diretor do hospital, então a família vive lá, pois é um local muito grande e tem uma casa especial para o diretor.

Joachim gosta de dormir ao som dos gritos dos pacientes, o que é muito estranho, mas para ele tudo era normal, já estava habituado a tudo isso. Também era amigo de alguns pacientes e não tinha medo ou receio de alguns deles. Claro, no hospital viviam alguns "perigosos", porém, se mantinha afastado da maioria. Já alguns, apenas não eram bem compreendidos pelas pessoas, não eram em nada perigosos, mas Joachim os entendia muito bem, ou pelo menos tentava.

O livro é dividido em memórias, então em cada capítulo podemos acompanhar fases e acontecimentos da vida de Joachim e sua família. No começo, estranhei um pouco esta divisão, mas depois consegui captar a jogada do escritor.

A família se diverte com jogos, onde cada um tem sua especialidade e é questionado sobre ela. Cada um tem direito a uma assinatura de revista sobre um determinado assunto, achei isso um máximo, gente! Esses jogos traziam muita união à família, assim como os filmes que todos assistiam em algumas noites.

Ele e seus dois irmãos vivem em pé de guerra, naquela eterna provocação fraterna. Mas ainda assim, são muito amigos entre si. Quando alguém está doente, sempre tem alguém para ajudar!
Só não gostei muito das parte em que Joachim tinha algumas crises de fúria, o garoto começava a gritar loucamente do nada e era muito difícil contê-lo. Que garoto difícil, mas mesmo com esses momentos, gostei muito dele.

Ao decorrer do livro, os anos vão passando e muitas coisas vão mudando, a relação entre a família principalmente. As coisas ficaram um pouco turbulentas em certos momentos e torci muito para que tudo voltasse ao normal.

Enfim, foi um livro muito agradável de se ler. As memórias de Joachim ora são engraçadas, ora são tristes. Vemos que no fundo, esta é uma família normal, sujeita as fases ruim e surpresas da vida. O autor soube mesclar os acontecimentos e despertar a curiosidade de uma forma excepcional. Mesmo sem ter havido um "clímax" no livro, ocorrendo sempre de forma bem suave, foi muito tocante, em alguns momentos senti aquele aperto no coração... E as surpresas foram inevitáveis!

Bom, espero que tenham a oportunidade de ler esta obra e gostem tanto quanto eu. Com certeza, ela ficará guardada em um cantinho muito especial de minha memória.


site: http://www.everylittlebook.com.br/2017/01/resenhaquando-finalmente-voltara-ser.html
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Carolina Durães 28/06/2016

A história é narrada em primeira pessoa por Joachim, um garotinho de apenas sete anos de idade. Ele é filho do diretor de um hospital psiquiátrico para crianças e jovens e a casa deles fica bem no centro dessa instituição.
"Na época, e ainda hoje, o hospital psiquiátrico regional para crianças e adolescentes no qual cresci se chamava "Hesterberg". É o maior do gênero em Scheleswig-Holstein. Meu pai era psiquiatra de crianças e adolescentes, e, quando se tornou diretor do hospital, havia lá mais de 1.500 pacientes." (p. 22)
Através de uma narrativa inocente e esperançosa, o leitor é levado a conhecer a loucura, mas de uma forma ainda mais peculiar. Enquanto é de se esperar que os pacientes apresentem seus distúrbios, o que temos na verdade é uma dinâmica familiar um tanto quanto perturbadora.
Claro que não é assim que Joachim vê o seu mundo. Tudo é extraordinário e incrivelmente sedutor e ele consegue através de seus olhos, passar uma visão diferente e ao mesmo tempo, esclarecedora.
Intercalando com a história familiar temos as histórias de alguns dos pacientes. Essa alternância e o fato de que não há uma ordem cronológica no enredo dá a leitura um tom mais dinâmico e ao mesmo tempo arrebatador.
"Andei pela casa e encontrei meus pais dormindo juntos em uma cama. Meu pai tinha colocado o braço ao redor da minha mãe. A cabeça dela estava deitada em seu peito. Nunca os tinha visto tão juntos, tão próximos." (p. 335)
O livro tem um enredo rico e um cenário completamente diferente do qual estamos acostumados a ler.
Joachim Meyerhoff conseguiu trazer em "Quando finalmente voltará a ser como nunca foi" todos os elementos para uma obra inesquecível: personagens complexos e profundos, um cenário diferenciado e marcante e uma trama cheia de nuances e muito bem desenvolvidas.
Em relação à revisão, diagramação e layout a Editora Valentina realizou um trabalho excepcional. Na parte interna do livro existem detalhes que auxiliam a enriquecer ainda mais a obra.
"Cada vez mais tenho a impressão de que o passado é um lugar ainda mais inseguro e instável que o futuro. O que deixei para trás deveria ser algo seguro, concluído, que já fora e só esperava para ser narrado, e o que tenho pela frente não deve ser o chamado futuro a ser moldado?" (p. 345)


site: http://www.viajenaleitura.com.br/
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Débora 03/08/2016

Voltando a ter uma vida que nunca se teve.
Dizem por aí que famílias são todas iguais; Sejam grandes ou pequenas, unidas ou distantes, liberais ou tradicionais, todas possuem os mesmos problemas e contradições – o que as diferencia é o modo como escondem das outras pessoas suas próprias loucuras. Se você ainda não está completamente convencido e gostaria de ter mais uma prova a respeito dessa afirmação, está mais do que recomendada a leitura do livro que estrela a resenha de hoje, Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi, que lhe dará um panorama único a respeito de quantos fatos surpreendentes podem estar vivendo por trás das paredes de um lar perfeito. Esse título grande esconde uma dolorosa verdade da vida do próprio protagonista, que conta de modo sincero a história incomum de toda sua vida familiar, resumida em 352 páginas de muita emoção e sensatez.

Já na capa do livro somos surpreendidos por um questionamento um tanto que intrigante: a loucura está do lado de dentro ou de fora? Isso tudo porque Joachim, quem nos acompanha por todo o livro narrando sua curiosa história, mora com os pais e os irmãos numa casa que ocupa o mesmo terreno de um hospital psiquiátrico para crianças e adolescentes. Hermann, pai de Joachim, é diretor desse hospital e responsável por manter tudo em ordem do lado de lá – nem que para isso precise levar um pouco da loucura de seus pacientes para dentro de sua casa. Com isso, o narrador mostra-se extremamente acostumado em conviver com pessoas portadoras das mais diversas deficiências intelectuais e transtornos psicológicos, podendo até mesmo citá-los como as maiores amizades que já tivera em sua vida. Dia a dia, Joachim passa por alguma experiência diferente que faz questão de nos contar, mostrando o quanto a loucura pode ser uma questão de ponto de vista, ou então, pode estar presente em nós de uma maneira muito intensa do que conseguimos sentir. Certamente esse não é um cenário dos mais habituais, mas conforme vamos lendo a história, acabamos nós mesmos caindo nesse universo e incluindo-nos como mais um membro da família – ou até mesmo como mais um paciente do hospital. Quem é capaz de nos dizer em qual ala nos encaixaríamos melhor, não é mesmo? O fato é que, de modo natural, somos inseridos numa história que cativará pela sua sinceridade e remanescerá em nossa memória por muito, muito tempo.

[...]

Leia a resenha completa com fotos e opiniões no blog Amor Livrônico ^-^

site: http://amorlivronico.blogspot.com.br/2016/07/resenha-quando-finalmente-voltara-ser.html
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Nicoly Mafra - @nickmafra 28/11/2016

Resenha - Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi
Quando Finalmente Voltará a ser Como Nunca Foi foi um livro que me surpreendeu muito; eu adorei a escrita do autor, Joachim Meyerhoff, adorei o jeito que a história é narrada e fiquei realmente encantada com o desenvolvimento do livro.

Este livro é narrado em primeira pessoa, e conta a história de Joachim, o caçula de três irmãos que vivem com seu pai e sua mãe em um hospital psiquiátrico na Alemanha, onde o pai de Joachim é o diretor da instituição. A história é escrita em forma de pequenos contos onde podemos observar o desenvolvimento de Joachim, da sua infância até a sua vida adulta, e acompanhar a sua rotina neste hospital onde os pacientes são um tanto peculiares.

Adorei a simplicidade dos textos, onde temos momentos engraçados e outros muito tristes, mas tudo desenvolvido de uma forma bem delicada e tocante. A descrição do hospital e dos pacientes parecem ser bem reais, o que poderia tornar a leitura deprimente e massante, porém essa mistura de escrita cômica e melancólica, torna a leitura mais leve e cativante.

Confesso que este é um livro que não faz muito o meu gênero de leitura, mas estou muito feliz que tive a oportunidade de lê-lo. Foi algo bem diferente das leituras que estou acostumada a fazer, o que tornou a leitura ainda mais impactante. Leitura super recomendada!

Gostei muito da iniciativa da Editora Valentina de publicar aqui no Brasil um livro alemão, nesse mar de livros norte americanos foi muito bom ler algo de outra nacionalidade. A diagramação do livro está perfeita e estou completamente apaixonada por essa capa.
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Larissa 29/08/2016

"E se eu tiver que moldar meu futuro."
"Para muitos, tanto o caminho para entrar no hospital psiquiátrico quanto para dele sair era puro horror"
E ai galerinha, tudo na boa?
Hoje estou aqui trazendo para vocês a resenha do livro “Quando finalmente voltará a ser como nunca foi”. Livro publicado pela Editora Valentina, que é parceira do blog.
Assim que recebi o livro eu me apaixonei logo de cara pela capa. Só pelo título ser grande já me chamou muita atenção, a fonte utilizada e o modo como foi espalhada pela imagem da capa ficou maravilhoso. Junta com o desenho do menino fantasiado em alto relevo em verniz e o desfoque das árvores atrás e saiu esse resultado maravilhoso.
Todo o trabalho da diagramação também ficou perfeito, na folha de guarda existe um desenho que você só irá entender quando ler a obra. As páginas são amareladas e os capítulos são bem divididos. A leitura flui muito bem e não é cansativo.
Mas vamos falar sobre a história:
O livro se passa em um Hospital Psiquiátrico em uma pequena cidade da Alemanha. A família do diretor do hospital mora dentro dos terrenos da instituição. Uma casinha que abriga pai, mãe e os três filhos homens.

[CONTINUE LENDO NO BLOG]

site: http://www.quatrosentidos.com.br/2016/08/resenha-quando-finalmente-voltara-ser.html
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Kris Monneska - Conversas de Alcova 15/08/2016

De louco todo mundo tem um pouco
Quando Finalmente Voltará A Ser Como Nunca Foi - A loucura está do lado de dentro ou de fora? É uma obra grande, assim como o seu título, não falo no sentido de longo, ou de ter muitas páginas e sim no de profundidade e conteúdo. Assim que comecei a fazer a leitura postei uma foto da capa do livro e disse que me identificava com esse título e várias pessoas confessaram que sentiam o mesmo e eu não me surpreendi. Acho que é inerente do ser humano almejar por uma mudança, ou está mergulhado em nostalgia, sempre em busca de uma realidade fantasiosa, pela realidade de outrem, "a grama do vizinho sempre é mais verde" mas, no fundo a gente sabe...
Vocês devem estar pensando: "essa resenha tá começando estranha..." desculpem é que o livro me fez refletir muito e consequentemente tô aqui filosofando. Hauhauhauahua

Enfim, a obra nos narra a história de Joachin, sim o protagonista do livro tem o mesmo nome do autor, o que acabou não me permitindo desvincular um do outro, mas não o livro é uma ficção e não uma biografia, porém eu acredito que quando o autor empresta o seu nome para um personagem tem muito dele ali e vice-versa. Um alter-ego, talvez? Quem sabe, mas que fique claro que essa parte é uma especulação minha. Continuando o menino Joachin é, digamos, que uma criança no minimo peculiar na primeira história nos contada, percebemos nele uma imensa fascinação pela morte, assim como um modo de agir diferente do habitual quando diante dela. E esse é um encontro que presenciaremos diversas vezes ao longo da trama, mas, não é só isso o que faz de Joachin um menino diferente, o lugar que ele mora também é muito interessante. Ele é filho de um médico psiquiatra e mora dentro de um hospital psiquiátrico. Por isso boa parte das histórias contadas no livro, nos relatam o dia-a-dia não só de sua família, mas também dos pacientes do sanatório.

A história é narrada em primeira pessoa por Joachin e não segue uma ordem cronológica, o personagem passeia por suas memórias e assim vai dividindo conosco acontecimentos, sentimentos e questionamentos. É comum durante a leitura identificar semelhanças entre a família de Joachin e as nossas, alguns hábitos familiares, estereótipos e padrões parece que são recorrentes independente de origem, credo, raça ou posição social. Um pai acomodado, uma mãe com excesso de funções e que cansada reclama, uma hierarquia no bullying fraternal onde o mais novo geralmente se ferra, a banalização dos problemas alheios, entre outras coisas. Muitas vezes o comportamento dessa família nos faz questionar o que define o limite entre sanidade e loucura. O convívio com essas duas realidades tão de perto, entre as páginas da história nos permite ver o nítido contraste, entre uma e a outra e isso faz com que aquela frase de que "De louco todo mundo tem um pouco." ecoe na nossa mente.

A Escrita do Joachin é leve e a leitura flui facilmente, ao mesmo tempo o autor tem uma pegada que vou chamar de "mais filosófica" que acrescenta uma grande profundidade a sua estória, algo que percebi ser bem comum na escrita alemã. Os personagens são bem desenvolvidos, uns mais do que outros, mas sem dúvidas o nosso protagonista, mais que todos.
O trabalho editorial da Editora Valentina está maravilhoso, desde a diagramação a revisão. A capa do livro pra mim é fascinante e remete exatamente ao conceito do que a história quer passar, questiona, faz pensar, leva o leitor para o cerne do mundo de Joachin.

Enfim, a leitura do livro foi maravilhosa, diferente de todos os livros que eu já li, me levou a pensar sobre assuntos sobre os quais eu normalmente não me questiono e com certeza me deu conteúdo que eu levarei para o resto da vida. Recomendo a leitura, para quem gosta de obras mais profundas e densas. Eu com certeza quero ler mais obras escritas pelo autor.

site: http://www.conversasdealcova.com/2016/08/resenha-quando-finalmente-voltara-ser.html
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