A Era de Ouro do Pornô

A Era de Ouro do Pornô Zeka Sixx




Resenhas - A Era de Ouro do Pornô


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Poesia na Alma 10/01/2017

Os prazeres do limbo
Em A Era de Ouro do Pornô, de Zeka Sixx, 160 páginas, Editora Multifoco, Max, personagem central, é uma tentativa frustrada de escritor. Por conta de um bloqueio criativo, não consegue escrever, enquanto isso, trabalha como tradutor freelancer. Max vive a vida com os recursos que a sorte lhe oferece. Entre o limbo e a necessidade de continuar vivo para beber e trepar mais, ele come quando vai a festas, dorme durante o dia e é viciado na Era de Ouro do Pornô.

Nas noites, procura por mulheres que estejam dispostas ao sexo sem compromisso e sempre encontra. Seu pau nunca dorme, de modo, a confundirmos se ele é um personagem ou o verdadeiro filme pornô clássico.

O que não se pode negar é que Max é visivelmente o extremo oposto do conservadorismo. Fazendo uma ruptura com o pensamento judaico-cristão, o autor apresenta um personagem mundano, que saboreia os prazeres do limbo. Não há, por exemplo, a ideia de redenção, como nos clichês ‘hots’, em que os personagens são toscamente denominados ‘mocinhos e mocinhas’ e um aguarda o outro em busca da salvação. O corpo é tratado com a máxima que o prazer pode oferecer, não há, nesse caso, limites.

continue lendo http://www.poesianaalma.com.br/2017/01/resenha-era-de-ouro-do-porno.html
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Leitora Cretina 24/05/2016

RESENHA: A Era de Ouro do Pornô
O livro tem como foco a nossa querida Porto Alegre sob o ponto de vista do personagem Max. Ele nasceu na cidade citada, mas acabou morando um tempo na Califórnia. Lá, ele conheceu Danielle, uma também gaúcha, que ele apelidou carinhosamente de "Dani Califórnia" em homenagem ao lugar onde se conheceram e viveram momentos intensos. Nesse momento de sua vida, ele tentou iniciar a sua carreira de escritor ao redigir um livro cujo título era o apelido de sua amada, porém, alguns obstáculos o impediu de continuar escrevendo e o livro ficou incompleto.

Agora, com 29 anos, ele está em Porto Alegre e o bloqueio criativo ainda está presente. Ele descreve ao leitor como está sendo os dias de sua vida até completar 30 anos. Enquanto a inspiração não aparece, ele faz bicos de tradutor, e nas horas vagas (que é maior parte do seu dia), ele se embebeda e busca mulheres pela cidade.
"Quando retornei a Porto Alegre, em dois mil e dez, encontrei um cenário completamente distinto. Uma transformação havia ocorrido, silenciosamente."

O livro é cheio de dramas, tanto os da vida de Max, como os da cidade de Porto Alegre. Sob a ótica do personagem, conhecemos muitos lugares (principalmente casas noturnas) e mulheres que Max usa para conseguir sexo.

Pelo narrador ser um personagem que vive em meio a sexo e bebidas, a linguagem do livro pode ser considerada vulgar, porém, foi o que acabou me chamando atenção. A forma que o autor escolheu para ser a ótica do personagem foi extremamente real.

A vida de Max é uma grande confusão e passa do "paraíso" a um "inferno" em questão de segundos. E a meu ver, ele parece adorar isso!

Cada mulher que faz sexo com Max, independente de sua curta passagem na vida dele, parece marcá-lo de alguma forma. Apesar de, por trás de um homem perdido, ter um amor que nunca foi esquecido, esse não é o principal foco do livro. Enquanto lia, fui percebendo que teve sim coisas que marcaram o nosso personagem, mas o autor se preocupou mais em mostrar COMO ele vê essas situações. O que mais importa são os momentos.
"Sair para a noite passou a ser um passeio pelos campos elísios: bastava chegar ao lugar, encher a cara até os sentidos ficarem alterados e deixar a magia acontecer."

O livro em si não narra nenhuma história com personagens exorbitantes que nos fazem duvidar da veracidade dos fatos. Como se trata de uma linguagem simples, a leitura fica bem fácil e não se torna cansativa apesar de seguir a linha rotineira de alguém.

O final do livro é aberto, e fica a critério de cada leitor decidir o que aconteceu ou o que acontecerá com Max.

site: https://leitoracretina.blogspot.com.br/
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douglaseralldo 02/06/2016

10 Considerações sobre A Era de Ouro do Pornô
1 - A Era de Ouro do Pornô é um livro que me surpreendeu, pois consegue reunir elementos interessantes e de qualidade no campo literário, e ao contrário do que a capa e o selo de publicação podem levar a crer é leitura muito distante dos romances eróticos atuais, pois sua obra vai muito além do erotismo, que aliás, aqui é pornográfico, escatológico, mas acima de tudo apresenta questões relevantes para se pensar e refletir;

2 - Além disso, a obra de narrativa intensa e impactante deve gerar uma série de discussões, uma por se enveredar por um caminho que muitos poderia crer simplesmente como machismo, e que para outros, tenderão a observar o fenômeno de como o sexo influencia e delimita as ações humanas do universo masculino nascido numa sociedade patriarcal e machista da qual, certamente Max Califórnia é um de seus frutos;

3 - Contudo, há de se dizer que o romance não é livre de suas contradições, como o vazio existente no protagonista Max que é compensado através de sua impulsividade sexual e de como isso representa a solidão de sua existência contrapondo com uma busca relativamente romântica e marcada por uma relação rompida que de alguma forma pincela de romantismo uma fuga através da depravação e do consumo contumaz de bebidas;

4 - E justamente por não estar livre de contradições, bem como constituir-se de personagens que fazem merecer avaliações mais complexas e cuidadosas, além do fato de trazer uma ambientação de qualidade e relevante, que a publicação se constitui numa obra a ser observada com maior profundidade;

5 - E tudo isto se traduz no romance que nos apresenta um homem saindo da juventude e fortemente marcado por uma crise existencial, tanto no que tange às relações amorosas e familiares, tanto no sentido de sua vida, numa ausência que é mascarada pelas "aventuras" sexuais de um protagonista fortemente influenciado pela indústria pornográfica clássica a qual ele de certa forma tenta reproduzir em sua existência decadente; aliás, em geral a obra mostra toda a capacidade do autor, especialmente porque esta é uma publicação que claramente foi pensada e planejada, a começar pelo protagonista, cujo codinome Max Califórnia que nada tem a ver com a pornografia, mas que no entanto, é um nome perfeito na sua constituição de identidade;

6 - Outro detalhe interessante da publicação é que ela te passa uma identidade muito forte e característica. É aquele típico trabalho que você diz "esta é uma publicação porto alegrense" pois reconheceremos nela os principais traços da cultura de Porto Alegre, seja na produção visual, na música, ou nos livros. Mais do que a própria ambientação em Porto Alegre, são as referências culturais, as influências, especialmente da música, que nos faz ler o livro e lembrar desta cidade através da reconstituição de suas representações culturais;

7 - Do mesmo modo, e importante no cômputo das virtudes da obra, está o fato de que ela debate uma mudança comportamental na cidade, e ainda que os relatos de Max California possam soar exagerados, sua narrativa mostra como o sexo e a vida noturna mudaram na cidade, e para contar isso ele realiza um circuito que vai das altas rodas aos piores e melhores puteiros da cidade;

8 - Entretanto, são justamente as virtudes da obra que podem trazer mais polêmica e discussão ao trabalho do autor. A forma como sua personagem encara o sexo, às vezes de forma bestializada, bem como os momentos que ele extrapola limites que podem chocar muitos, seja pela ingenuidade seja pela oposição à forma literária que expõe o comportamento machista da personagem, certamente deve provocar uma série de debates acalorados, mas válidos;

9 - Tudo isso, porque a obra tem uma voz própria e forte. Ainda que se discorde do cenário que o autor narra, não se poderá dizer que este não é bem feito e que reúne características suficientes para separá-lo de uma grande media que reúne autores auto publicados. É uma obra, portanto, de voz própria e grossa, cujos personagens e acontecimentos devem ser pesquisados de uma forma mais cuidadosa pois este é um texto que não se resume a camadas superficiais;

10 - Enfim, sempre é bom sermos surpreendidos positivamente por uma obra, efeito que pode influenciar nosso dimensionamento da obra; contudo estou entre os que julga que se permitir conhecer de tudo é justamente o que nos possibilita encontrar trabalhos que merecem ao menos serem observados com mais rigor para que desta observação possa-se ou não realmente distingui-los da mesmice. É o caso do trabalho de Zeka Sixx, que vocês leitores poderão conhecer e tirar suas próprias conclusões, mas que acima de tudo possui elementos suficientes para dizer que este é no mínimo um livro audacioso e que sabe o que é e o que quer.

site: www.listasliterarias.com
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Anni | @dearmasen 16/06/2016

Resenha: A era de ouro do pornô
''Enlaço meus dedos nos dela. Ela sorri. Não há mais volta. A vida é boa demais quando não somos exigentes. Game over.''


Olá, pessoas! Como estão? Trago agora a resenha de um livro que havia me deixado intrigada desde o começo. Certos livros aguçam a nossa curiosidade e nos fazem abri-los sem saber o que esperar deles, foi exatamente o que aconteceu aqui - aquela completa surpresa.

Max mora sozinho e ao auge de seus vinte e nove anos sonha em ser escritor - fato este que está repleto de dificuldade, tendo em vista que o mesmo se encontra com um enorme bloqueio criativo. Deseja escrever, escrever, mas nada sai. Que chato isso, não é?

Max é aquele tipo de personagem desligado com a vida, sabe? Desligado no sentido de não se importar muito com o amanhã. Ele vive da forma que julgar mais conveniente, sem ligar para a imagem que está passando. Aqui não é trabalhado um típico papel de personagem perfeitinho, como estamos acostumados a ver. Pelo contrário, Max é o oposto disso e não vê problema algum com tal fato.


''Essa gigantesca artéria que se conecta aos órgãos genitais da cidade, entupida de carros, de merda, de porra seca, de putas tristes, putas pobres e putas filhas da puta, que agora observo enquanto termino a primeira cerveja do dia.''


Confesso que em certas cenas eu me pegava rindo da situação, me proporcionou uma leitura divertida. A rotina do personagem é trabalhada de uma forma que, embora já tenhamos uma ideia do que irá ocorrer, no sentido de um contexto geral, o leitor ainda sempre se vê surpreendido com o que acontece.

Vejo Max como um viciado em sexo. Sua vida parece girar em torno disso. Como o próprio personagem cita, sexo é sua liberdade e sua prisão ao mesmo tempo. Tive a impressão de que ele acorda e o ''preciso transar'' é tão natural quanto piscar os olhos e respirar. Sexo, sexo e mais sexo. É disso que Max sempre precisa, é isso que ele sempre procura, parece ser disso que ele é feito.


''O que acontece a seguir é previsível; estava escrito nas estrelas, como diz o clichê. Ela conta que trabalha no Dominó há dois anos. Eu bebo. Ela diz que o pai acha que ela trabalha com promoção de eventos. Eu rio. Ela fala que me achou ''um gatinho'' e pergunta se quero ''fazer uma festa''. Eu aceito.


Algo que adorei e acho importante dar ênfase foi a objetividade do autor. Sua escrita é fácil, prática de ser lida. O autor tem o seu foco e trabalha nele com ousadia sem precisar enrolar para desenvolver sua trama. Se tem uma coisa que essa obra não tem é enrolação - o que é ótimo.

É um tipo de obra para quem tem a mente aberta, o vocabulário é seco - tenho certeza que vai espantar muita gente. Não me espantou. Para o tipo de vida que Max escolheu para si, não poderia ter tido uma abordagem diferente para expressá-lo.

Não deixando a desejar, o autor traz um desfecho que nunca seria esperado, fazendo o leitor se indagar o que mais aconteceu na vida daquele personagem. Tem um gosto de quero mais. Max não tem lá a rotina mais agradável do mundo, contudo, você se vê preso na leitura e no dia-a-dia daquele indivíduo que não faz a mínima questão de agradar ninguém. Ele é o que é, quer você goste ou não.

''A tradução que entreguei a Januário não valia mais do que cinquenta reais; por outro lado, sua filha tampouco é uma foda digna de cem reais, de modo que estamos, poeticamente, quites.''


site: http://www.dearmasen.com/2016/06/resenha-era-de-ouro-do-porno.html
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Kris Monneska - Conversas de Alcova 24/06/2016

Um belo de um pornográfico livro <3
A Era de Ouro do Pornô na minha opinião, não é mais um livro erótico e sim um moderno exemplar de literatura pornográfica, com trejeitos capazes de mesclar o estilo de Miller ao de Bukowski Você nesse exato momento deve estar se perguntando (ou não) qual a diferença entre erotismo e pornografia e essa posso dizer que é uma discussão que levaria horas entre as pessoas certas, mas uma vez que a resenha é minha, estarei respondendo essa pergunta de maneira simples com a minha opinião pessoal. Para mim o que difere Erotico de Pornô é a romantização. Enquanto numa obra erótica o sexo é descrito como algo quase que "RITUAL" cheio de liturgias, numa obra pornográfica o sexo é descrito com naturalidade e realismo, de forma crua, tal como um desejo primitivo, o que de fato ele é. E esse realismo, diga-se de passagem, não diminui em nada a qualidade literária da obra, pelo contrário, acrescenta porém nem todos pensam como eu.
E é por esse e outros aspectos que eu afirmo que o livro é do hall das obras 8 ou 80, não há meios termos pra ele, ou você ama, ou não.

A Era de Ouro do Pornô nos apresenta a Max Califórnia, o protagonista e narrador da obra, um alcoólatra, satiríaco, aspirante a autor - em bloqueio criativo - e sagitariano. Ele nos leva ao longo dessas 160 páginas a conhecer as suas mais ousadas (ou talvez triviais) experiencias sexuais, algumas delas inspiradas nos filmes clássicos da real era de ouro do pornô e ouso dizer capazes de fazer a E.L. James corar até a raiz dos cabelos.

Eu particularmente adorei a leitura, pois sou fã de obras que falem de sexo de uma maneira direta, sem tabus e sem floreios, onde os personagens se relacionam pelo simples prazer que possam sentir, sem buscar naquele ato a salvação das suas vidas. E é isso que o livro nos proporciona. É lógico que sem nos negar o deleite de um bom desenvolvimento do personagem. Pois, Max é um personagem psicologicamente muito complexo, ele é um babaca. Mas, há muita história por trás de tudo aquilo que o tornou o babaca que ele é, desde a morte da mãe na infância, uma boa explicação para a compulsão sexual e o alcoolismo do pai, que muito provavelmente influenciou o meu próprio, o livro é cheio de aspectos peculiares, que vale muito a pena descobrir.
Por isso ao fazer essa leitura é válido não problematizar o personagem - é difícil - e tentar entender o humano.

Partindo então para o ônus do autor, eu gostei muito da escrita do Zeka, ela é limpa e direta, cheia de características regionais, o que torna o sotaque gaúcho muito perceptível no texto, o que caracteriza bem a naturalidade do personagem. Gostei da ambientação, da narrativa sexual, do linguajar, da ousadia, mas sobre tudo da musicalidade que permeia toda a obra, me identifiquei bastante, porque eu também sou assim quando escrevo.
Então, se você curte sexo nu e cru, sem dúvidas esse livro é pra você, se não talvez ele não seja, mas você pode se arriscar e quem sabe até descobrir-se entre essas páginas.
Eu posso afirmar que para mim essa leitura foi um imenso prazer!

site: http://www.conversasdealcova.com/2016/06/resenha-era-de-ouro-do-porno-zeka-sixx.html
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Francisco.Antunes 19/05/2016

Não é um “50-tons-genéricos”...
Não se deixe enganar pela capa! Este livro tem o frescor de apresentar um cenário urbano e batido por um ângulo diferente, melancólico – o visível início do fim de uma era. O protagonista nos conduz firme pela narrativa, de início levando a crer que a obra será um looping de seu dia-a-dia até lentamente ir nos despindo de certezas, culminando no final, que é bem diferente do que se espera. Para uma obra que ostenta “pornô” em seu título, esse é um livro que, sem dúvida, consegue algo deveras raro: surpreender o leitor contumaz.

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Mika 25/05/2016

Enfim trago à vocês a resenha sobre o livro de nosso autor parceiro Zeka Sixx. Apesar do livro ter chegado há uma semana aqui em casa, eu não tive tempo para começar, mas assim que embarquei na leitura, terminei muito rápido, visto que o livro contém poucas páginas e uma fonte grande. O que realmente dizer sobre o livro? Eu ainda estava procurando um real objetivo nele. A que ele veio? O que o autor quer mostrar ao leitor em suas páginas? É por meio desses questionamentos que conheci Max, o personagem principal dessa trama.
A história é ambientada em Porto Alegre, no ano de 2012. Prestes a completar 30 anos, Max é um homem sem rumo, que não tem nada a oferecer. Seus dias são passados com várias doses de bebidas, e as noites passadas ao lado de mulheres famintas por uma noite de sexo. Max é um personagem completamente canalha, que usa e abusa de prostitutas a seu bel-prazer, não importa se é feia, bonita, gorda ou magra, ele já não tem mais um "tipo" preferido. Max é um ninfomaníaco viciado em álcool, que a cada momento se afunda mais no poço onde se inseriu há três anos. Cada mulher que ele fica, que por mais insignificante que seja, acaba por marcá-lo de alguma forma. Ao longo dos capítulos, vemos alguns relapsos de memória de Max, que nos explica algumas das perguntas que mais fazemos durante a leitura: por que e como ele ficou neste estado deplorável?

O legal da história é que o autor não se empenhou em criar um príncipe encantado, capaz de nos fazer apaixonar por ele e ansiar por um final feliz. Max não tem nada disso. Ele alimenta sua fama de um cara nada bom, de uma pessoa que não tem mais nada no bolso além de dinheiro para bebidas, de uma pessoa tão frustrada consigo mesmo ao ponto de se jogar na sarjeta sem nem mesmo se questionar o porquê. Max carrega em sua bagagem dramas. O livro tem uma dramaticidade muito forte e uma crítica maior ainda.
O que vemos não é um personagem que quer melhorar ou ver seu crescimento ao longo da trama, mas um personagem que conta em primeira pessoa o seu dia-a-dia, deixando de forma clara e crua a agonia que passa em cada segundo ao continuar vivo. Max não tem um propósito, não tem um objetivo que o faça viver e agradecer por continuar respirando. Ele acredita que é escritor, mas vemos no livro que na verdade, ele apenas "deseja" ser, mas não o é. Eu fiquei muito apegada ao Max pela forma como ele esboça seus sentimentos e suas convicções ao ponto de você não ter pena dele. Ele está nesta situação porque quer e nada mudará isso.

Justamente por este pensamento, o livro não tem um ápice, um momento grande e abalador. O livro é como é: o diário de um homem que não tem mais salvação, que já se entregou às bebidas e ao sexo, fazendo daquilo sua salvação e ao mesmo tempo sua prisão. Assim, em meio a várias trilhas sonoras que são nos apresentada ao longo da narrativa, o final chega de uma forma bastante aberta. É você leitor que tem que definir o que realmente aconteceu com Max, você escolherá seu futuro e por isso, o autor nos deixa em meio a grandes imaginações sobre o caminho que Max irá seguir.

Eu não sei mais o que falar sobre o livro. Pareceu-me o tudo e o nada. Fiquei sem reação alguma assim que o terminei e muito confusa em relação ao que iria escrever nesta resenha, mas posso dizer que o personagem principal acabou me impactando de alguma forma, seja por suas escolhas erradas ou por sua vontade de ser tão politicamente incorreto. O livro tem uma ótima diagramação, sem nenhum errinho de português. A capa é bastante sedutora e mais adentro do livro, descobrimos o porquê do título. Além disso, Zeka nos presenteia no final com uma playlist de todas as músicas citadas ao longo dos capítulos.
A Era de Ouro do Pornô além de falar sobre a vida de um homem que há muito tempo está perdido, faz uma grande alusão a pornografia e ao real prazer que já se existiu, seja no sexo ou em qualquer outra coisa que se faça. O livro é forte, contem palavras atrevidas, chulas e que te farão ficar de boca aberta, mas apesar disso, é uma obra que te deixa impressionada, ansiando pelo final. Eu amei a leitura, foi bastante gratificante para mim e terminei com aquela sensação de que algo enfim estava completo.

site: http://oreinoencantadodeumaleitora.blogspot.com.br/2016/05/resenha-premiada-era-de-ouro-do-porno.html
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Jana Lauxen 30/06/2016

“A Era de Ouro do Pornô”: sexo e história
A Era de Ouro do Pornô é o segundo livro do escritor gaúcho Zeka Sixx, e seu primeiro romance. No entanto, não se deixe enganar pelo título, caro leitor: existem mais coisas entre uma linha e outra desta obra do que nossa vã filosofia pode imaginar.
O primeiro erro é concluir que, por conta do nome do livro, e da moça seminua na capa, o romance é meramente pornográfico. Sexo sem história, e só. Porque navegamos pelas 157 páginas da obra A Era de Ouro do Pornô através de um enredo irresistível e imprevisível, que por vezes é manso e calmo, e na linha seguinte se torna, abruptamente, insurgente e agressivo.
O livro conta a história de Max Califórnia, um pretenso escritor que sofre com um bloqueio criativo que já dura três anos. Morando em Porto Alegre – cidade que o devora e o vomita, constantemente – Max divide seu tempo entre bicos como tradutor, sexo, bebidas, e devaneios acerca de sua própria vida e de suas ambições artísticas.
Interessante observar, no entanto, que a cidade de Porto Alegre emerge na história de A Era de Ouro do Pornô dividindo-se entre o papel de protagonista e antagonista, a ponto de tornar Max Califórnia um personagem secundário, que a cidade manipula e envolve. A capital gaúcha desempenha uma função importante em toda a narrativa de Zeka Sixx, interferindo e se manifestando em cada entrelinha da obra.
Mérito também para a captura de tempo/espaço que o autor alcançou em seu primeiro romance. A Era de Ouro do Pornô apreende um período bem curto e definido, e se passa basicamente em um ano bastante emblemático de nossa história recente: 2012. Um ano em que nós, brasileiros, ainda vivíamos o sonho americano versão tupiniquim, e acreditávamos em um Brasil para o futuro. Uma época que antecedeu os protestos de junho de 2013, a guerra entre “coxinhas” e “petralhas”, a explosão do feminismo moderno, e todas as brigas e os debates gerados por estes eventos. Um último instante de ingenuidade, alienação e otimismo. O fim de uma era, afinal.
Por isso, as peripécias de Max refletem, de certo modo, a transição e a transformação caótica que o nosso país enfrenta, e que nós, enquanto brasileiros, enfrentamos também.
E é aí que acontece o milagre da boa literatura: a identificação entre leitor e obra. Aquele momento em que você se reconhece no livro, no enredo, no personagem, e passa então a ter uma visão mais ampla e completamente inesperada da história. Isso aconteceu comigo enquanto lia A Era de Ouro do Pornô.
Por isso, repito: não cometa o erro de acreditar que o segundo livro de Zeka Sixx é apenas sexo, sem história. Não reduza a obra toda à palavra “pornô”. Até por que, a própria pornografia ali representada é diferente da pornografia que, habitualmente, conhecemos, já que resgata uma época em que filmes eróticos passavam no cinema, e casais iam juntos assistir e comer pipoca – algo entre os anos 70 e início dos anos 80.
A Era de Ouro do Pornô fala de mudanças, de aspirações extravagantes, de ilusões quebradas e ruas sujas. Zeka Sixx, aliás, possui uma habilidade preciosa em chafurdar nosso lixo, separá-lo, reciclá-lo, e transformá-lo em literatura.
Tanto, que conseguiu captar com precisão o retrato de uma era, e de uma geração que ainda não descobriu seu lugar no meio de tanta transformação.
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Andréa Bistafa 12/07/2016

http://www.fundofalso.com
"Em um mundo onde o erótico é a febre do momento, tenho o azar de ser simplesmente pornográfico."

Você sabe o que é a Era de Ouro do Pornô?

Hum, se você curte um pouquinho filmes adultos, deve ter notado que os filmes de hoje em dia são, simplificando, "hardcore". É só sexo e ponto. Mas se você procurar alguns filmes da década de 70/80, vai descobrir que os mesmos tinham uma história, e muitas pessoas assistiam até o final sim, para concluir a trama. Como um livro hot talvez? Rs

Bom, isso tudo que falei ai em cima, é só uma coisinha superficial para sanar a curiosidade. Pois a nossa trama aqui não é exatamente um romance hot, nem um filme pornô. Mas se eu precisasse enquadra-lo em um dos termos, ficaria com o pornô.

O protagonista, Max, é um autentico anti-herói, e está inserido na trama de forma como muitos boemios estão inseridos na vida nos tempos atuais.
Max não chega a ser um fracassado total, mas está longe de ser bem sucedido na área profissional.
Tendo vivido alguns anos na Califórnia (dai seu apelido Max Califórnia, um belo nome de ator pornô não?), pode se aperfeiçoar em um inglês fluente, e hoje de volta a Porto Alegre, ele consegue viver, ainda que em condições péssimas, trabalhando com algumas traduções. É um aspirante a autor que nunca tirou os manuscritos da gaveta, na verdade seus bloqueios dificultam até que eles consigam chegar nela.
Max tem uma grande compulsão na vida: sexo e mulheres.
Com uma vida totalmente desregrada, uma infância com histórico triste, acabaram o levando para o alcoolismo, e com as noitadas, não pode resultar em algo muito inspirador.

Através dos olhos de Max, o autor conduz o leitor a inúmeras experiencias sexuais casuais, por baladas, bordeis, onde quer que seja, já que Max não é nada seletivo, então as possibilidades são muitas.

Não tem como não se divertir lendo esse livro. Mas tenha a mente aberta, pois o livro não trata de romances e sim desventuras. O autor não pretende passar nenhuma lição de moral, fala abertamente de drogas, sexo sem proteção, direção sob influencia de álcool. Fala de forma esdruxula, como falamos no dia a dia, sem eufemismos. Gordas, fedidas, desdentadas. Um vocabulário baixo para um personagem que vive nesse submundo. A interpretação depende exclusivamente do leitor, e é exatamente essa veracidade de fatos e diálogos que torna a obra completa, e para mim, extremamente agradável.

Mas porque me diverti lendo? Pois apesar desses pontos pesados que estão sempre presentes, nosso Max tem o bom humor necessário para transformar o trágico em cômico! Diversas situações que o mesmo se mete é hilariante, cenas de sexo explicito regadas a muitas gargalhadas, algumas cenas chegam a ser constrangedoras (claro que se eu estivesse lá, mas como estou segura do lado de cá das páginas, está tudo ótimo rsrs).

Também legal ressaltar que o autor manteve um carinho com seu leitor, ao nos trazer muitas músicas (de ótimo gosto) nós trás a tradução da mesma, o que facilita para quem não está familiarizado com o inglês.
Tem mais uma coisa que quero ressaltar: sotaque. Alguns autores não sabem como coloca-lo em seus livros, e a forma como foi empregado aqui me deixou feliz, pois aparece somente nos diálogos e não na narrativa do personagem. Só não fica cansativo para quem não está acostumado (a paulista aqui), como também agrada encontra diálogos realistas.

Finalizando a resenha, esse livro me deu até vontade de ir aos cinemas pornôs que ficam ali perto da estação da República (quem é de São Paulo conhece!) Rsrs é mentira em gente!

Se você é mente aberta e gosta de encontrar histórias pouco fantasiosas, com verdades nuas e cruas que trombamos nas ruas e fechamos os olhos, vale a pena você conhecer essa obra. Afinal, sexo também é válvula de escape, e nem sempre é romântico, limpo e bonito, mas se é consensual, é bom e ponto.

"Gostaria de possuir câmeras no lugar dos olhos. Meu objetivo é viver um filme pornô. Mas não qualquer filme pornô, e sim um filme com roteiro impecável, diálogos afiados, atores talentosos, cenas de ação e, é claro, putaria da melhor qualidade."

site: http://www.fundofalso.com/2016/07/resenha-era-de-ouro-do-porno-zeka-sixx.html
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Tony 17/07/2016

Resenha: A Era de Ouro do Pornô - Zeka Sixx
Meio difícil falar sobre "A Era de Ouro do Pornô", de Zeka Sixx. Do mesmo modo em que notei os vários pontos positivos da obra, também percebi o considerável número de pontos negativos presentes nela.

Toda a construção do livro me fazia vê-lo como um bom, polêmico e independente filme. Um Ninfomaníaca da literatura. Mas mesmo com a excelente escrita de Zeka e a ótima trilha sonora como pano de fundo, não consegui ver beleza ou um toque poético na trajetória de Max Califórnia. Talvez essa tenha sido a intenção do autor: mostrar toda a depravação e sujeira presente em seu personagem numa tentativa de torná-lo mais crível e verossímil. Se foi, ele consegui. Muitas vezes esquecia de que Max era um ser fictício.

"Você passa a noite com uma pessoa
Você está apenas vivendo para se divertir
Você quer me usar, me leve pra casa esta noite
Eu vou fazer você querer ser minha"


Mas o excesso de cenas de sexo extremamente explícitas e (algumas) de mal gosto me incomodaram. Não sou puritano ao ponto de me incomodar com qualquer ceninha de sexo, longe disso. O fato é que a maioria das sequências de sexo presentes no livro são nojentas. Não entrarei em detalhes, mas citarei rapidamente alguns elementos presentes em algumas delas: Fezes, urina e até mesmo gargarejo com esperma.

Levando em conta o contexto da trama e a construção do personagem, tais cenas citadas anteriormente são perfeitamente normais e compreensíveis. Mas não sou obrigado a gostar delas, certo? E foi por não gostar da maioria das cenas do livro que minha experiência com "A Era de Ouro do Pornô" foi repleta de altos e baixos.

"Somos de cores diferentes, e de crenças diferentes
E pessoas diferentes tem necessidades diferentes
É óbvio que você me odeia embora eu não tenha feito nada de errado
Eu nunca se quer te encontrei então o que eu poderia ter feito?"


Mas foquemos nos pontos altos. Além da excelente construção do protagonista da história, a escrita de Zeka Sixx brilha. Ela é direta, por vezes melancólica e sarcástica, e extremamente fluída. Acredito que leria rapidamente um livro do Zeka com mais de quinhentas páginas.

"Jovens corações serão livres essa noite, o tempo está ao seu favor
Não deixem eles te derrubarem, não deixem eles empurrarem você por ai
Nem mesmo deixem eles mudarem seu ponto de vista"


E tem Porto Alegre, né? Que está presente o tempo todo na história. Por mais que a cidade seja representada de uma forma não tão amigável, fiquei fascinado por ela e acreditem: até me deu uma vontade de ir visitá-la.

A trilha sonora do livro é maravilhosa. Zeka Sixx tem um excelente gosto musical e escolheu músicas que casam perfeitamente com a história que ele escreveu. Ah, não sei vocês perceberam, mas resolvi fazer diferente e decidi colocar na resenha trechos das músicas que estão presentes na obra.

"E ela está o olhando com aqueles olhos
e ela está o amando com aquele corpo
Eu só sei isso
Sim, e ele está a segurando
nos seus braços
tarde na noite.

Você sabe, Eu queria ter a garota do Jessie
Eu gostaria de ter a garota do Jessie
Onde eu posso achar uma mulher como aquela"

Em suma, "A Era de Ouro do Pornô" é um bom livro. Apesar dos pontos altos e baixos, a experiência final é agradável e prazerosa.

site: http://tonylucasblog.blogspot.com.br/2016/07/resenha-era-de-ouro-do-porno-zeka-sixx.html
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Cabine de Leitura 20/07/2016

Sarcástico e divertido.
Pelo título e arte de capa o caro leitor já pode perceber a premissa do livro "A Era de Ouro do Pornô", então só recomendo o livro e a resenha para quem não carrega preconceito literário e se por acaso tem algum está na hora de deixar de bobeira e se deliciar com a estória de Max.

Max tem 29 anos, é um anti-herói, alcoólatra e com uma compulsão sexual fora de série. O fanfarrão se mantém com o trabalho de tradutor e espera o grande ápice de inspiração para continuar a escrever seu livro.
Um nômade nas noites porto-alegrense, Max é do estilo não se apega não. Cada noite é uma nova aventura que ele torce para terminar com uma "foda". Tudo é narrado de forma
sarcástica e bem humorada. Como seu breve relacionamento com sua vizinha que já passou da meia idade.

O enredo mantém alguns flashback com o passado em que Max viveu na Califórnia, onde se envolveu com Danielle, que é a musa inspirado de seu inacabado livro. Ele traz estas lembranças com carinho e saudosismo, o que demostra que este foi um relacionamento que marcou o personagem.

Algo que me chamou a atenção no livro é a citação de lugares, atores e filmes com contextos eróticos. Como curiosa que sou fui as pesquisas e notei que o autor fez a lição de casa, uma vez que as informações citadas são verídicas. O livro é despretensioso, com muito sexo explícito, regado de bebida e que tem como cenário a velha Porto Alegre, mas diferente das que estamos habituados a ver, ele vai nos mostrar o seu "submundo", o que acontece em suas noites aforas. Um ponto alto do livro é o gosto musical de Max, me identifiquei e como gosto de ler ouvido música procurei alguns dos sons mencionados por ele, minhas preferidas são: There's a Light That Never Goes Out - The Smiths, Modern Love - David Bowie e Somebody Put Something in my Drink - Ramones.

No geral a leitura é fluída, em todo momento estamos diante de um novo cenário, de uma nova situação e o final inesperado nos da a impressão, ou desejo mesmo, que o livro tenha uma continuação.

site: http://cabinedeleitura1.blogspot.com.br/2016/07/a-era-de-ouro-do-porno.html
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Gramatura Alta 11/08/2016

Biblioteca de sexo
Filmes pornográficos existem desde que se inventou a câmera de filmar, ainda na época do cinema mudo. Para o leigo, eles são feitos sem qualquer tipo de preparo, de qualidade e são marginalizados pela sociedade, embora a maioria dessa mesma sociedade já tenha visto, em algum momento, algum desses filmes, na Internet ou na televisão.

Uma informação que a maioria das pessoas não conhece é que os filmes pornô são divididos em categorias, que definem o tipo de sexo que será visto. Por exemplo, se o filme possui sadomasoquismo, se é homossexual feminino ou masculino, se há penetração anal, se acontecem fetiches de fluidos corporais (!), se quem filma é quem realiza o ato, e assim por diante.

Em A ERA DE OURO DO PORNÔ, o autor faz um passeio sexual por todos esses gêneros, sempre com mulheres diferentes e com muitos detalhes e explicações. Não é uma viagem para qualquer leitor, porque não há a supressão de adjetivos quanto ao que está acontecendo com os personagens. O sexo é apresentado de forma direta, sem meias palavras, bruto, independente de qual categoria ele se aplique. E várias dessas relações sexuais podem embrulhar o estômago do leitor mais sensível, ou limitado por suas paredes pré-concebidas.

Vou confessar que até ler a obra de Zeka Sixx, Jim Carbonera era o único autor, que eu conhecia, que conseguia transmitir uma história, sem um enredo definido, de forma interessante, com acontecimentos do cotidiano, com um linguajar rude, mas descolado. Sixx vai a um nível um pouco abaixo, utilizando diálogos mais crus ainda, com situações totalmente livres que qualquer preconceito, transformando a vida do personagem principal em uma sequência de eventos desprovidos de planejamento futuro, onde o que importa é o momento, é o que está acontecendo, é com quem ele está transando.

Os sentimentos de Max, o narrador e personagem principal, são moldados pelos encontros com as diversas mulheres que passam pelo seu dia. Sim, porque seus relacionamentos não costumam durar mais do que algumas horas, apenas o suficiente para conseguir transar. Mas isso não quer dizer que ele abandona a mulher. Suas parceiras são tão efêmeras quanto ele, e sabem perfeitamente o que irão receber e o que irão entregar. Não há subterfúgios para levar alguma delas para a cama. As conversas de conquista são diretas, francas, sinceras, e ambos os lados sabem perfeitamente o que esperar um do outro.

A ERA DE OURO DE PORNÔ não é apenas uma descrição de alguns dias na vida de Max, mas uma explicação minuciosa da quantidade de tipos de sexo que um casal pode praticar, ou assistir numa biblioteca de filmes pornográficos. É uma leitura rápida, que deve ser apreciada sem qualquer tipo de preconceito.

Ah, e um detalhe importante: muito bem escrita, tanto a nível de narrativa, quanto de gramática e ortografia, algo que está ficando raro, mesmo nas publicações de grandes editoras, cada vez mais displicentes na revisão das obras.

site: http://www.gettub.com.br/2016/08/a-era-de-ouro-do-porno.html
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Kétrin 11/08/2016

Max vive em Porto Alegre e está prestes a completar 30 anos. Ele viveu alguns anos na Califórnia, e aproveitando seu inglês fluente, trabalha como tradutor. Porém, Max tem o sonho de escrever seu próprio livro, mas um bloqueio criativo o persegue há algum tempo. Em suas horas vagas, Max curte a vida se embebedando e procurando mulheres pela cidade. Max é o típico homem canalha, ele usa e abusa de prostitutas e mulheres que conhece nas noitadas sedentas pro sexo, ele não se importa com a aparência delas, pois há muito tempo ele já não tem um "tipo" preferido.

Ao longo da narrativa, conhecemos as diversas mulheres que entraram na vida de Max e o marcaram de alguma forma. Além de alguns relapsos de memória do seu passado que irá mostrar o motivo dele ter se tornado o homem que é.

A Era de Ouro do Pornô é um livro que traz a realidade dura de um homem que não se importa com o seu amanhã, o importante é apenas o agora, as bebidas e as mulheres garantidas. É o tipo de obra para quem tem a mente aberta, pois a linguagem utilizada é seca e crua, o que pode espantar os leitores mais conservadores, além de ter muitas cenas explícitas de sexo, sem esconder nada. No meu caso a leitura foi extremamente agradável, foi o primeiro livro que li que fala sobre o sexo de uma forma direta, sem enrolação e floreios.

Max vê que sua vida está perdida mas não consegue fazer nada para sair do fundo do poço, ele apenas se afunda cada vez mais. Ele vive nesse mundo de drogas, bebidas e sexo, e isso basta para ele. Ele não tem um propósito de vida, ele apenas quer escrever um livro, mas isso não é o suficiente para ser uma meta que o faça mudar. Max relata seu dia a dia de uma forma direta e clara como se fosse um diário, mostrando ao leitor suas experiências mais bizarras com o sexo e suas faces.

Achei muito bacana que ao longo dos capítulos, o autor trouxe uma playlist para relatar o cotidiano de Max. As músicas são em inglês, mas também tem a tradução para o leitor se sentir familiarizado. A edição do livro está simples e bonita, com uma capa que chama bastante a atenção de uma forma sutil, uma diagramação sem erros e as páginas brancas não atrapalham a leitura em nenhum momento. A escrita do autor é totalmente fluida, e apesar do livro ser bem curtinho, eu poderia facilmente passar horas lendo mais obras dele.

Se você tem uma mente aberta e gosta de conhecer o lado da vida que nem sempre nos é apresentado, acredito que vale a pena conhecer essa obra. O livro é forte e traz palavras atrevidas, como eu já havia mencionado, mas é uma obra totalmente acessível e nos dá um tapa de realidade. Eu adorei e me encantei com essa trama muito bem desenvolvida, acredito que todos que curtem o gênero, irão gostar tanto quanto eu.

site: http://www.oteoremadaleitura.com/2016/08/a-era-de-ouro-do-porno-de-zeka-sixx.html
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Lilian 19/08/2016

Diferente e instigante!
Este foi um livro diferente de tudo que li, de uma forma boa. Começamos com nosso personagem Max, um tradutor que vive um interminável bloqueio. Seu trabalho, como ele mesmo diz, é torturante. Ele vê as obras dos outros, mas é incapaz de fazer sua própria criação.

"Estou sendo corroído por um torpor difícil de descrever. Não se trata de infelicidade ou depressão, mas de um círculo vicioso, de uma completa ausência de um destino, de um final, de uma finalidade."

Max também tem uma rotina, para não dizer menos, interessante. Ele vive sem destino, sem rumo, são infindáveis rotinas de sexo e bebidas. Foi realmente diferente adentrar nessa vida, no ritmo de Max.

"Quando consigo demarcar meu território, passo à minha tática padrão: copo na mão, sorriso no rosto, observando as mulheres até que alguma delas também olhe para mim."

Como Max foi levado para essa rotina frenética e sem rumo? Talvez um histórico familiar triste e sua frustração em seu trabalho, mas pode ser também apenas uma escolha. Através dos olhos dele, somos levados para suas aventuras sexuais (ou desventuras né), algumas diferentes, outras divertidas.

Admito que, por ser acostumada com a literatura erótica toda romanceada, me assustei logo nas primeiras páginas, mas logo me acostumei e a leitura fluiu de forma incrível. É diferente, vemos a realidade, as coisas como elas são e, realmente, achei notável, nada vulgar.

Nessa obra, não somos levados a julgar Max por seu modo de vida, este é, na realidade, um tipo de diário. O diário contendo a vida de Max. Exatamente por isso não temos um clímax, mas é estranhamento divertido ver o desenrolar do dia a dia desse personagem tão peculiar.

Outro ponto que me ganhou foi a trilha sonora. Músicas lindas e dignas de se ouvirem após a leitura. Para quem se interessar, eis os nomes:

You're In Love - Ratt
Kiss - Prince And The Revolution
Lips Like Sugar - Echo & The Bunnymen
People Are People - Depeche Mode
Charlie Don't Surf - The Clash
Gigantic - Pixies
Somebody Put In My Drink - Ramones
Neon Baby - Baby Doll
Walking on Sunshine - Katrina And The Waves
The Ballad Of Jayne - L.A. Guns
Victim Of Love - Erasure
Young Turks - Rod Stewart
Lick It Up - KISS
Legal Tender - The B-52's
The Times They Are A-Changin - Bob Dylan
Whip It - Devo
(I Just) Died In Your Arms - Cutting Crew
Cities In Dust - Siouxsie And The Banshees
Here I Go Adain '87 - Whitesnake
Wicked Game - Chris Isaak
True Faith - New Order
There's A Light That Never Goes Out - The Smiths
Lil' Devil - The Cult
Flesh For Fantasy - Billy Doll
Modern Love - David Bowie
Jessie's Girl - Rick Springfield
Love Will Tear Us Apart - Joy Division
Don't Never Leave Me - Hanoi Rocks
You Can't Pu Yout Arms Around A Memory - Johnny Thunders
Lonely Planet Boy - New York Dolls

Por fim, eu esperava uma reviravolta no final, a pessoa que finalmente conseguiria tirar Max da sua Era de Ouro Pornô, mas novamente, o autor nos surpreende. O desfecho é inesperado, totalmente.

Quanto a diagramação, o único ponto que deixou a desejar foram nas páginas que são brancas. Todos sabem como eu amo páginas amareladas, mas essa é uma opinião particular minha, não prejudicou em nada a leitura. A fonte e o tamanho da letra estavam em tamanho adequado e sem muitos detalhes nas páginas, realmente uma diagramação simples, mas boa para a leitura. A capa foi o que mais me cativou, achei ela diferente e linda. Ela dá uma leve pista do que encontraremos, mas é suficiente para dar um ar sexy para tudo. Adorei.

Enfim, para quem quiser experimentar algo diferente, uma realidade a parte, essa é a escolha. Preferi me manter com poucas palavras, pois, por ser um livro curto, não quero dar informações demais. É uma ótima leitura, realmente recomendo!

site: http://www.leitorasvorazes.com.br/2016/08/resenha-64-era-de-ouro-do-porno.html
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Eduarda Rozemberg 29/09/2016

O livro tem como protagonista Max Califórnia, um homem que tem o desejo de ser escritor, mas que está passando por um árduo bloqueio criativo, que já dura por volta de três anos. Pelo que eu senti durante a leitura, Max está tentando preencher um vazio que foi criado há muito tempo dentro dele. E de que maneira ele faz isso? Procurando diariamente - ou seria noturno? - por mulheres e passando boa parte de suas horas acordado bêbado.

É um personagem que diz que não quer nada da vida, já não espera mais nada dela. É como se ele só estivesse ali, sentado e esperando a morte o alcançar em algum momento. Pela narração em primeira pessoa, eu consegui sentir uma amargura por parte dele, embora todo o tempo ele tentasse mostrar que não ligava para as coisas que aconteciam a sua volta.

Inicialmente, achei que fosse simplesmente um livro "pornô" e que fazia jus ao título, mas ao passar das páginas, fui reparando alguns detalhes dos anos anteriores que me deixaram curiosa a respeito da vida de Max. Além disso, ele é um grande fã dos anos 80, das músicas, do estilo e do pornô que, de acordo com ele, tinham mais conteúdo. Por causa de algumas partes da narração, o personagem parece se contradizer.

"Gostaria de possuir câmeras no lugar dos olhos. Meu objetivo é viver um filme pornô. Mas não qualquer filme pornô, e sim um filme com roteiro impecável, diálogos afiados, atores talentosos, cenas de ação e, é claro, putaria da melhor qualidade."

Prefiro não revelar muito do enredo, pois por ser um livro relativamente curto, tiraria toda a emoção da trama. É uma narrativa de fácil entendimento, rápida, "nua e crua" por assim dizer. Não é um livro erótico romantizado, o que me agradou bastante, uma vez que esse tipo de literatura tem me deixado bastante receosa. Confesso que estranhei bastante no início, mas acabei me acostumando com a narrativa pesada do protagonista.

Eu senti uma curiosa sensação de familiaridade com a ideia da obra e a série Californication. O que não é uma coisa ruim, até porque eu gostei bastante da série. Porém, diferente dessa série, senti que o livro precisava de um pouco mais aprofundamento no personagem, explicar melhor as suas motivações, além de focar diversas vezes nas cenas de sexo.

Uma leitura rápida, muito bem aproveitada, que terminei em poucos dias. Gostei muito da obra e recomendo para aqueles que querem conhecer algo diferente do que se vê por aí. Espero poder ler mais coisas do autor muito em breve.

site: http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/2016/09/resenha-livro-4-era-de-ouro-do-porno.html
Rodsaint 29/09/2016minha estante
Muito boa sua resenha Eduarda, graças a ela fiquei com vontade de lê-lo também. Se lembra Californication tanto melhor já que tenho saudades dessa série, valeu.


Eduarda Rozemberg 29/09/2016minha estante
Que ótimo que acha isso! Tentei não dar spoilers :D Leia sim, se gostou de Californication é quase certeza de que vai gostar desse livro.


Rodsaint 03/10/2016minha estante
Realmente conseguiu fazer isso sem dar spoilers, obrigado.


Eduarda Rozemberg 03/10/2016minha estante
Eu que agradeço!




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