Sombras

Sombras Jana P. Bianchi




Resenhas - Sombras


9 encontrados | exibindo 1 a 9


Rodrigo.Assis 15/05/2016

Instigante
Janayna, com Sombras, dá mais um passo para se consolidar como uma grande autora da nova safra de ficção especulativa nacional. O conto narra a despedida do lobisomem mais velho do mundo, entremeada por flashbacks da sua juventude, e conta com a participação de Tito, da novela "Lobo de Rua". A prosa é rica, os diálogos são bons e as descrições são ótimas. Senti-me parte da alcateia.
Os lobisomens do universo da Galeria Creta são certamente um dos melhores da literatura. Recomendadíssimo.

site: www.grifonegro.com.br
comentários(0)comente



Vinícius 16/05/2016

Ao melhor estilo "causo mineiro"
"Sombras" é mais um belo texto da autora Jana P. Bianchi, que nos mostrou um universo bem original da Galeria Creta inicialmente por meio de "Lobo de Rua" (que eu também recomendo).
Em "Sombras" temos uma história singela, despretensiosa e muito cativante de um lobisomem milenar que está para morrer. Domenico é o seu nome, e a história que ele nos conta de um momento especial em sua vida é singela e agradável, ao melhor estilo dos causos mineiros, fazendo jus à ambientação da história.
Os demais personagens na história, como Tito, visto em "Lobo de Rua", são também muito vivos e individuais, a autora conseguiu criar vozes e características diferentes em uma história tão curta que não poderia carregar muitos detalhes.

Recomendo a leitura, que poderá ser feita em uma hora ou duas, haja vista a simplicidade da narrativa, o tamanho e, principalmente, a qualidade.
comentários(0)comente



Jefferson Alberto Ferreira 31/05/2016

Sobre memórias e despedidas...
Ler esse conto é, antes de tudo, poder viajar pela serra de Minas Gerais, bebericar um doce vinho de jabuticaba, sentir o cheiro de mato, sentar num móvel de ferro ou nos degraus de uma escada para ouvir uma prosa, e até mesmo avistar os desengonçados pássaros jacus ciscando no quintal. Nessas pequenas coisas já se consegue perceber o esmero de Janayna Pin em mais essa obra ambientada no universo da Galeria Creta.

“Sombras”, um conto curto de 50 páginas, relata os últimos momentos de Domenico Trovatelli, o lobisomem mais velho do mundo. Nico reúne alguns de seus amigos mais chegados para relembrar alguns “causos” de sua longa história, enquanto espera por sua derradeira transformação.

"— Esta maldição é realmente terrível. Ah é, é sim. — Riu, amargo, dando tapinhas no braço de Bolinha para acalmá-lo. — No entanto, quem consegue aguentá-la por uma vida inteira é agraciado com este maravilhoso poder de saber exatamente quando vai partir. Não vejo mal em falar sobre a morte. Antever sua chegada faz sumir todo o medo, capisce? Como se a morte fosse uma velha amiga. — Fez um silêncio pensativo e murmurou para si mesmo: — Alguém já disse isso, não?" (Singela homenagem à JK Rowling e seu “Conto dos Três Irmãos”?)

A maior parte do conto é ocupada pelas reminiscências de Nico, abrangendo desde seus amores e sua “contaminação” com a licantropia, até (e principalmente) sua atuação como sombra e consciência de um lendário rei e herói medieval!

Para os já saudosos de Lobo de Rua há o bônus da presença de Tito, o alfa da alcateia de São Paulo.

(Atenção, aqui talvez alguém ache que tenha um leve spoiler sobre Lobo de Rua)

[E, como se já não tivéssemos chorado bastante em “Lobo”, sobra para o leitor uma lembrança amarga, ainda que indireta, a um jovem lobo de rua, membro da efêmera 13ª alcateia de Tito. :~(

"— Essa foi só a sua primeira alcateia. Eu mesmo, que me transformei há pouco, já passei por doze. — Ele franziu as sobrancelhas, como se pensasse melhor. — Ou melhor, treze.
— Treze? — questionou Cândido, curioso.
— É que a última fechou cedo demais — murmurou Tito. — Muito cedo."]

Os diálogos são tocantes e críveis (dentro do universo fantástico criado), nos fazendo sentir parte desse bate-papo entre antigos amigos. E são esses diálogos que nos fazem conhecer um pouco de cada personagem, e algumas frases soltas são verdadeiros ganchos para futuras histórias (assim espero).

O grupo reunido por Nico, além de Tito, abarca personagens diversos e interessantes. Embora não tenha sido a intenção da autora aprofundá-los, consegui imaginar diversos outros contos protagonizados pelos lobisomens Bolinha, Florian, Cândido e Fairburn. Além de ter ficado bastante curioso para conhecer mais do relacionamento de uma humana (Zilda) e um lobisomem (Fairburn). Ah, sem esquecer da somente mencionada Convenção de Plovdiv, assinada pelas alcateias de todo o mundo, que também merece um conto à parte.

A narração é para mim praticamente um personagem do conto. A narrativa da Janayna é poética, mesmo quando mostra de maneira cru a selvageria incontrolável pós-transformação. E essa mesma narrativa, que já vi ser criticada por ser “limpa e certinha demais para uma fantasia urbana”, para mim é completamente cativante.

Sim, eu senti falta de conhecer mais a respeito de Nico e de cada um dos outros personagens. Senti falta de memórias do velho lobo em outras fases de sua vida. Mas o conto cumpre perfeitamente o que se propõe, que é ser um conto sobre memórias e despedidas, e deixa um “gostinho de quero mais”. Esse “sentir falta” vem mais da vontade de ver esse conto transformado em uma novela ou romance do que de uma falha da obra. Cada vez mais nos sentimos familiares ao universo criado pela Janayna. Parece mesmo que #SomosTodosLobosDeRua. E que venha a Galeria Creta!

Nota: 4,5/5,0
comentários(0)comente



Tamires 09/05/2017

Sombras, de Jana P. Bianchi
A Jana é uma autora nacional que eu admiro muito! É o tipo de escritora generosa, que gosta de compartilhar o que sabe, além de ser uma feiticeira com as palavras. Não, não é exagero: duvido muito que você consiga iniciar a leitura de Sombras, ou de Lobo de Rua, e deixar de lado para fazer qualquer outra coisa antes de terminar a história. Além disso, ela escreve sobre lobisomens tendo como pano de fundo o nosso país, sem que a história fique inverossímil. Pelo contrário, a leitura fica ainda mais instigante quando próxima de nós, leitores. Estando eu me aventurando na escrita de contos, tenho a Jana como uma das autoras que me inspira neste trabalho árduo que é escrever algo interessante usando poucas palavras.

Em Sombras acompanhamos os últimos momentos de Domenico Trovatelli, o lobisomem mais velho do mundo (que também é um Padre). Ele é simplesmente apaixonante! Preparando-se para morrer, conta sua história aos participantes de seu peculiar funeral e nós, meros humanos leitores, sentimo-nos como expectadores privilegiados, pois o que se conversou em Minas Gerais antes da cerimônia derradeira foi esplêndido: o velho Nico teria sido um personagem importantíssimo na história de outro personagem também muito importante na história mundial, o Rei Arthur.

Não vou contar muitos detalhes, além dos que já dei acima, sobre a história, pois recomendo enormemente que você a leia assim que possível. Pode parecer estranho, tratando-se de uma história de lobisomens, mas achei a narrativa de Sombras bastante delicada, sobretudo o final.

“Ah… Se soubesse que aquela noite com Flora me causaria tanto mal… Bem, teria feito amor com ela naquele leito mesmo assim, porque eu tinha quatorze anos e Flora era linda, tinha cheiro de flores frescas e seus lábios tinham gosto de maçã. Ela ria porque desafiávamos seu pai, ria abraçada ao meu corpo porque achava graça do feno emaranhado em seu cabelo… Ela ria por qualquer coisa e seu riso enchia meu coração de amor. E o amor é a única coisa pela qual vale contrair qualquer maldição.”

site: http://www.tamiresdecarvalho.com/resenha-sombras-de-jana-p-bianchi/
comentários(0)comente



Laís Helena 02/08/2016

Resenha do blog Sonhos, Imaginação & Fantasia
Sombras é um conto não muito longo, mas bem marcante. Como a sinopse já resume bem, trata de uma reunião entre lobisomens, incluindo o já conhecido Tito Agnelli, para a despedida de Domenico Trovatelli, o lobisomem mais antigo do mundo, que pressente sua última transformação. A história é ambientada em Minas Gerais, mas o foco é no passado de Domenico, que ele revela aos amigos ao longo do dia. Dessa forma, a história se divide entre a reunião no convento em Minas e os acontecimentos passados da vida de Domenico.

E esse passado é muito interessante, tendo início em sua transformação e passando por alguns momentos históricos — o que inclui a releitura de uma das lendas mais famosas da literatura fantástica, que foi feita de forma criativa e completamente inesperada. É muito interessante ir virando as páginas digitais e aos poucos ir reconhecendo os elementos, e aqui o conto ganha muitos pontos.

Em relação aos personagens, o foco é em Domenico, embora boa parte da história seja contada sob o ponto de vista de Tito. E ambos foram bem explorados, considerando a extensão do conto. Quanto aos demais, não foram dados muitos detalhes, mas todos pareceram reais, convincentes e interessantes; mesmo com poucas palavras, a autora conseguiu dar características distintas e marcantes a cada um deles.

A escrita e a revisão, como eu já esperava, são impecáveis. Quanto à narrativa, entretanto, senti falta do uso de um pouco mais de pistas olfativas, uma vez que se trata de lobisomens. Mas isso não prejudicou o restante do conjunto: no geral, a narrativa foi bastante envolvente, daquelas que fazem você se sentir dentro da história.

O final, apesar de um pouquinho apressado em relação ao restante do conto, foi muito satisfatório. Não é do tipo que traz grandes reviravoltas, mas, mesmo assim, foi um excelente final, que se encaixou muito bem com toda a história e trouxe uma revelação muito legal, arrematando tanto os acontecimentos do presente quanto os flashbacks.

A única relação com Lobo de Rua são os lobisomens e Tito (e uma pequena menção a um acontecimento da novela que só quem leu vai entender), então é perfeitamente possível ler este conto sem ter lido Lobo de Rua. Mas qualquer uma das duas histórias é um bom lugar para começar a se aventurar pelo universo de Jana P. Bianchi, então o conto está mais do que recomendado!

site: http://contosdemisterioeterror.blogspot.com.br/2016/07/resenha93.html
comentários(0)comente



Sario Ferreira 14/08/2016

Ideia boa, escrita boa, mas narrativa curta para o argumento da trama.
Apesar da escrita ser boa, a trama não me conquistou muito e tive dificuldade para encontrar algum propósito crível na relataria do Nico. Ainda que fosse algo como celebrar/rememorar a história do ancião, acho que uma parte muito curta da enorme vida dele foi coberta.

Pontos que me foram muito interessantes: o cenário da Serra do Caraça; e o link com as histórias arthureanas.

Talvez se esta história fosse mais longa, como um romance ou uma novela de mesmo modelo narrativo, a proposta teria um maior potencial de desenvolvida.

site: sagraerya.blogspot.com
comentários(0)comente



Paulo 11/06/2017

Sombras é um conto que se passa no universo da Galeria Creta, uma reimaginação do nosso mundo só que com algumas criaturas sobrenaturais. As histórias da Jana se passam nesse mundo e aos poucos ela vai expandindo o seu universo literário. Nessa história ela usa a celabração da vida de um lobisomem milenar para nos contar alguns detalhes extras sobre o seu mundo. Para aqueles que curtiram Lobo de Rua, este é um prato cheio.

Nosso conhecido personagem Tito vai visitar uma alcateia no interior de Minas Gerais. O líder da alcateia está prestes a morrer e é um velho conhecido de Tito, Domenico. Esse reencontro vai ser repleto de sentimentos de várias partes principalmente entre Bolinha, o beta de Domenico e outros seres interessantes como Fairburn, Zilda e Cândido. Prestes a morrer, o alfa conta uma história de um momento de sua vida em que ele ajudou um grande rei da Antiguidade. Veremos como a sua influência ajudou a temperar a personalidade desse grande personagem e como o fim de tudo lhe fez fazer uma promessa que ele nunca foi capaz de pagar.

Este é um conto para aqueles que gostaram das histórias de Lobo de Rua. Serve como um excelente material de expansão para aquilo que a autora está construindo. Não sei se ela imaginou vender Sombras de forma separada porque eu acho que não funciona. É um excelente conto, mas o leitor precisa da base que a autora criou na Galeria Creta. O funcionamento do mundo sobrenatural, como os lobisomens se encaixam nesse mundo e como ele se organiza. Após a leitura de Lobo de Rua, o leitor pode passar tranquilamente para Sombras. Até achei inteligente da autora usar o Tito como uma ponte entre os dois romances. Mas, não recomendaria ler Sombras antes de Lobo de Rua. Não é um bom ponto de partida.

A escrita da Jana claramente evoluiu bastante em relação ao primeiro romance. Dá para perceber como ela escolhe melhor as palavras, como elas encadeiam formando sentenças fluidas. As páginas passam muito tranquilas e o leitor não se esforça tanto para compreender o que a autora pretende a cada página. De forma alguma isso representa previsibilidade; nada disso. Significa que os objetivos estipulados pela autora no começo da escrita da história foram todos cumpridos com o passar da narrativa. Ponto a ponto, ela se propõe a apresentar o último dia de Domenico, e ela não desvirtua disso. Não apresenta histórias paralelas ou qualquer coisa que desvie do objetivo inicial. Isso é perfeito para a história porque ela não perde a harmonia. Não vou comentar muito sobre a temática da história porque ela está intrinsecamente ligada à mensagem que a autora quer passar.

O conto serve à criação de mundo (ou como alguns gostam de chamar, world building) da Galeria Creta. Aos poucos a autora vai colocando novos elementos para a construção do mundo. Todos os contos que a autora vai escrevendo acabam contribuindo para a composição do universo literário. Nesse sentido, tudo aquilo que a autora está criando desperta o interesse do leitor. Pelo menos no meu caso funcionou bem. E eu estou curioso com aonde a autora quer chegar com essa construção de mundo. A narrativa é em terceira pessoa e contém alguns flashbacks. As duas narrativas servem para construir o objetivo final proposto pela autora.

Sombras mostra a evolução da autora e sua pena. Serve para elencar novos elementos para compor o seu universo. Não recomendo a leitura para aqueles que ainda não estão familiarizados com Lobo de Rua, o seu romance mais conhecido. Entretanto, a história passa de uma forma muito gostosa. Jana Bianchi consegue fazer com que o leitor se interesse pelo que vem a seguir.

site: www.ficcoeshumanas.com
comentários(0)comente



mouemily 07/11/2017

Eu amo a escrita da Jana - e amo mais ainda (se isso é possível) a forma como ela lida com a licantropia. Apesar de Sombras não se aprofundar nos específicos assim como Lobo de Rua, adorei como a despedida do lobisomem mais velho do mundo (onde o amor de todo mundo pelo mesmo é LINDO DE VER) acaba se tornando, também, uma visão da vida de ninguém menos que REI ARTHUR.
comentários(0)comente



Vagner 26/05/2016

Desbravando Sombras
Quem leu Lobo de Rua, também escrito pela Janayna, certamente ficou com aquela vontade de saber um pouquinho mais sobre o universo que ela criou e o que está por trás da Galeria Creta. Sombras chega em uma boa hora, pronto para saciar (rapidamente) a sede dos leitores brasileiros.

Curtinho, com apenas 50 páginas, o livro nos joga em uma região de Minas Gerais prestes a receber uma reunião de lobisomens. Um deles, Domenico Trovatelli, apenas aguardando a próxima lua cheia para dar adeus aos seus amigos de longa data e encerrar uma vida repleta (!) de histórias.

E que histórias, desbravadores! Você achava que o famoso rei Artur já havia nascido com o dom para liderar? Pois enganou-se totalmente! É sobre ele e seus encontros que Domenico conta enquanto a narrativa avança e nem vejo as páginas passarem. Ao final, queria saber mais e mais, já que lobisomens durante a Idade Média é um tema que me faria ler por muitas horas sem parar.

Entre os membros da reunião, temos a presença do inigualável Tito, um italiano já bem conhecido dos leitores da série e um personagem sempre ímpar quando aparece. Lembro até hoje de uma das atitudes que ele teve que tomar no conto anterior. Leiam o quanto antes e descobrirão.

Acompanhar os momentos finais do lobisomem mais velho do mundo também deixará os leitores com água na boca, já que os relatos das refeições tipicamente mineiras são sublimes. Não leia antes do almoço! Um dia visitarei Minas Gerais, é claro, só para provar a tal de leitoa à pururuca.

Fica aí mais uma recomendação de fantasia nacional para você desbravar. Tá bem aprovado!

site: desbravandolivros.blogspot.com.br/2016/05/resenha-sombras-jana-p-bianchi.html
comentários(0)comente



9 encontrados | exibindo 1 a 9