A Guerra Não Tem Rosto De Mulher

A Guerra Não Tem Rosto De Mulher Svetlana Aleksiévitch




Resenhas - A Guerra Não Tem Rosto De Mulher


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Mih 28/03/2020

Na Guerra Tudo é Negro, Só o Sangue Tem Outra Cor

Nome: A Guerra não tem rosto de Mulher
Autora: Svetlana Aleksiévitch

"Tenho pena de quem vai ler este livro, e também de quem não vai ler"

Conhecia através de um amigo, esse me emprestou o livro e de cara quando li a
sinopse achei a ideia de relatar a Segunda Guerra pela narrativa das mulheres que lutou
intrigante.

Não foi uma leitura fácil, muitas vezes tive que parar para conter e secar as lágrimas, os relatos não são fáceis muito menos agradáveis, são de cortar o coração. Foi uma leitura pesada, normalmente leio um ou dois livros por semana, esse eu demorei quase uma quinzena. A maneira que Svetlana Aleksiévitch narra e copila os depoimentos das veteranas de guerra é incrível.

O livro se desenvolve com uma coletânea de relatos de mulheres soviéticas que
lutaram na guerra, relatos colhidos de maneira intimista. Se você assim como eu também não pensar nas mulheres que lutaram na guerra, Leia esse livro, pois é impossível sair dessa leitura sem que sua visão sobre a guerra seja modificada diante dos relatos dessas mulheres.

"Eu me lembro dos sons da guerra. Ao seu redor tudo troveja, retine e treme por causa do fogo… A alma de uma pessoa envelhece durante a guerra. Depois da guerra, nunca mais fui jovem…"

Outro fato que assusta é a idade das jovens, algumas entre 16/17 anos, muitas enfrentavam suas famílias, fugiam de suas casas e imploravam nos centros de alistamentos para combater, pois não conseguiam ficar de braços cruzados sem defender a sua pátria. Sem ao menos imaginar o que as aguardavam, chegavam com seus violões, em seus vestidos com seus cabelos compridos.

"Bem, então chegamos ao front… O comandante, me lembro como se fosse agora, era o coronel Boródkin, ele nos viu e ficou irritado: me impuseram umas mocinhas. Que ciranda feminina é essa? É um corpo de baile! Isso aqui é guerra, não é um bailezinho. Uma guerra terrível… Claro que nos ofendemos: quem ele acha que éramos? Tínhamos vindo para combater. E ele não nos via como soldados, e sim como mocinhas."

Ao chegar ao front eram despidas de seus atributos femininos, cortavam suas longas tranças, recebiam roupas masculinas inclusive as roupas de baixo, roupas muito maior que seu manequim. Botas que as impossibilitavam de marchar normalmente devido ao tamanho, e que causavam vários ferimentos em seus pés. E o que elas perderam foi sua juventude e inocência.

"Naquele dia continuei tirando os feriados e as armas do campo de batalha. Me arrastei até o último, ele estava com o braço destroçado. Pendurado por uns pedacinhos… pelas veia... coberto de sangue… precisava amputar o braço com urgência para fazer o curativo. Não havia outra maneira. Mas eu não tinha nem faca, nem tesoura. A bolsa chacoalhava tanto que elas tinham caído. O que fazer? Cortei aquela carne com os dentes."

Essas mulheres exerciam a mais variadas funções, franco-atiradora, sapadora,
tanquista, enfermeiras, telefonistas, cozinheiras, lavadeiras.

As mulheres lavadeiras e cozinheiras... que não estavam diretamente no campo
de batalha, mas era tão brutal quanto, cozinhavam e lavavam até a exaustão. Muitos
eram os casos de lavadeiras que perdiam unhas de tanto lavar. Mulheres que manuseavam panelas tão pesadas que no fim se tornavam estérea.

As mulheres que agora relatando já se encontra na casa dos 60/70 anos e relembram o que passou, muitas tem dificuldades já que a maioria não tem o costume de contar, ou ate são inibidas de fazer relatos sobre esse período e outras são contra o relato nu e cru que tira a fachada heroica que muitos pintam da guerra.

Svetlana Aleksiévitch sofreu com a censura imposta sobre a sua obra, por ela relatar o período sem o olhar heroico e romantizado que pintam sobre a guerra e a participação de mulheres na guerra, muito pode se observar em filmes que trazem enfermeiras impecáveis que sempre surgia um romance com algum soldado, totalmente distante da realidade.



"O combate terminou à noite. E de manhã caiu uma neve fresca. Sob ela, os mortos… muitos traziam as mãos erguidas para o alto… para o céu… Pergunte para mim: o que é a felicidade? Eu responderei… talvez seja encontrar, entre os mortos, uma pessoa viva…"

Ao fim da guerra para muitas foi tão doloroso quanto a guerra, pois na guerra elas eram chamadas de irmãzinhas pelos seus colegas, eles as defendiam, algumas até viveram histórias de amor. Porem o fim da guerra as reduzido a nada, elas eram xingadas, era vistas como promiscuas ao andar nas ruas. Os homens preferiam mulheres que não havia passado pelo tormento da guerra, alguém que não os lembravam desse período além do mais as mulheres que lutaram era tidas como antinaturais.

"No começo nos escondíamos, não usávamos nem as medalhas. Os homens usavam, as mulheres não. Os homens eram vencedores, heróis, noivos, a guerra era deles; já para nós, olhavam com outros olhos. Era completamente diferente…vou lhe dizer, tomaram a vitória de nós."

Assim como na guerra o regresso não foi gentil com as mulheres que tiveram que aprender a viver com a solidão pós-guerra. Elas foram caladas, muitas não contavam que foram a guerra pelo preconceito que sofriam, sendo assim a guerra foi contada apenas pelo ponto de vista dos homens, os heróis de guerra, enquanto elas mesmo tendo sido condecoradas escondiam suas medalha por sofrem preconceito, e muitas vezes serem humilhadas.

“Eu ainda penso em uma coisa… Escute só. Quanto tempo durou a guerra? Quatro anos. É muito tempo… não me lembro nem dos pássaros, nem das cores. Claro, isso tudo existia, mas não me lembro. É, pois é. Estranho, não? Nela, tudo é negro. Só o sangue tem outra cor, o sangue é vermelho.”

site: comquallivroeuvou.wixsite.com/website
Daiane.Ramos 05/06/2020minha estante
Incrível e emocionante leitura!


Daniela.Flores 09/06/2020minha estante
Adoreiii, tua descrição foi muito boa, e como a desigualdade entre gêneros é discrepante em relação a quem fez o que, as mulheres lutaram tanto quanto eles e jamais foram reconhecidas como mereciam!


Juliana 02/08/2020minha estante
Eu estou lendo e estou tendo as mesmas sensações que você, descobri a autora pela série Chernobyl e gostei muito do modo como ela escreve e junta os relatos, escreve com o coração, sentimentos e alma. A cada página paro um pouco e respiro, não é uma leitura fácil porque é tudo real, sem aquela glória contada nos livros e documentarios. Oque mais gosto desse app é isso, poder compartilhar nossas impressoes e leituras como um clube do livro online


Lya 30/01/2021minha estante
desculpa a pergunta... mas o que te fez pensar que mulheres não lutaram na guerra antes da leitura do livro?


Tais 17/07/2021minha estante
TUDO É NEGRO ??????
????




Alê | @alexandrejjr 30/06/2020

O mosaico das sensações

Os leitores de Svetlana Aleksiévitch estão acostumados à polifonia de vozes, à memória coletiva dos soviéticos por ela extraída. Entretanto, a ganhadora do Nobel de 2015 faz neste trabalho muito mais do que literatura: faz um serviço humanitário.

Em "A guerra não tem rosto de mulher" Svetlana mostra aos leitores o perigo da ignorância. Permito-me aqui fazer um paralelo com o recente e importante discurso da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie e seu "O perigo da história única". A história precisa ser revisitada, esmiuçada sempre que possível. E isto essa ucraniana faz com dedicação incomparável.

Os livros de história geral rotulam a guerra com a bravura e a virilidade masculinas. Uma bobagem sem tamanho. Esses livros esquecem a coragem dos sentimentos. Mas há algo mais grave: os livros ignoram, em sua maioria, as mulheres. Graças aos árduos trabalhos como o de Svetlana, uma rebelde por natureza, nós, homens, podemos aprender com essa ignorância.

A guerra vai muito além de armas, tanques, mortes e intrigas políticas. A guerra que Svetlana busca é a guerra das emoções, dos conflitos internos e humanos. Do que não se mostra visível de cara. Através dos relatos das mulheres soviéticas aqui coletados, conhecemos a raiva, o desejo, o desespero, a descrença, o amor, a redenção. Conhecemos o que importa.

Este é o segundo livro que leio da autora. Senti, não posso mentir, maior dificuldade com seu estilo fragmentado, mas creio que o tema tenha contribuído para o consumo em doses homeopáticas. Livro importantíssimo, uma recomendação sem erro e necessária.
Luana 17/05/2021minha estante
Esse está na minha lista! É o próximo que vou ler!! Espero gostar hahaha


Alê | @alexandrejjr 17/05/2021minha estante
Primeira experiência com a Svetlana, Luana?


Luana 17/05/2021minha estante
Sim! Ganhei esse e mais um monte de livros em uma corrente e tô experimentando novos gêneros ???


Alê | @alexandrejjr 17/05/2021minha estante
Massa, Luana! Espero que goste. É um livro muito particular, contém histórias incríveis, além de ensinar sobre um povo e um período histórico. Uma obra digna de Nobel mesmo. Eu achei esse um pouco mais cansativo que "Vozes de Tchernóbil", mas é um livro de cabeceira, com certeza.


July 25/06/2021minha estante
Dessa autora, li o "Vozes de Tchernóbil" e estou com o "As últimas testemunhas" baixado, mas ainda na fila para ler. Concordo contigo sobre o consumo em doses homeopáticas. É um estilo muito particular de escrita, acaba demandando um jeito peculiar de ler tbm. Apesar das dificuldades, vale muito cada minuto dedicado.




Thaís | @analiseliteraria 21/05/2020

A guerra não tem rosto de mulher, mas deveria...
Svetlana Aleksiévitch fez um ótimo trabalho na produção desse livro, ela tem uma escrita impecável, sensível e poética. Colocar essa obra em primeira pessoa fez com que ela fosse ainda mais potente. ⁣
⁣Muito se fala somente dos homens na guerra, principalmente dos americanos, mas os EUA não venceram a guerra sozinhos, 20 milhões de soviéticos morreram lutando contra os nazistas. No Exército Vermelho da União Soviética lutaram cerca de 1 milhão de mulheres, que foram a guerra por patriotismo, muitas vezes indo contra a vontade da família e dos comandos da resistência. Milhares delas fugiram as escondidas para lutarem como franco-atiradoras, snipers, no front, na artilharia antiaérea e em diversos outros postos.⁣
⁣No entanto, esse não é um livro sobre táticas de guerra ou sobre a grande Vitória que os homens costumam (e gostam) de contar. Esse é um livro sobre os custos da guerra: dores, mortes, sangue, amor, abandono, ingratidão e abnegação. Qual o custo de ter vencido? Será que realmente existiu vitoriosos? As mulheres, depois de anos de silenciamento, colocam o dedo na feria e expõem o horror que vivenciaram.⁣
⁣As vivências são singulares, apreendidas da forma que cada pessoa experiencia uma situação, por isso, não espere um consenso entre essas mulheres. Existem aquelas que acham impossível esquecer tudo que viveram e existem aquelas que não conseguem se lembrar. Mas uma coisa é comum à todas elas, todas essas mulheres precisavam mostrar mesmo na guerra, que não eram piores que os homens. Ninguém as queriam no campo de batalha, e depois da guerra, não as queriam em suas vidas. As comunidades aplaudiram os homens, mas repudiaram as mulheres que escolheram defender a pátria. Ninguém queria conviver ou casar com elas. Como elas puderam ir à guerra? ⁣
⁣Eu sempre li livros ou da perspectiva do holocausto, ou da perspectiva da Vitória, com glória. Esse livro não é só mais um, é sobre as dificuldades do início do conflito, as dores durante o período de batalha e, na vitória, a solidão e ingratidão. Totalmente ESSENCIAL, pois a guerra não tem rosto de mulher, mas deveria.

site: @analiseliteraria
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Book.ster por Pedro Pacifico 08/10/2018

A guerra não tem rosto de mulher, Svetlana Aleksiévitch - Nota 9/10
Vencedora do Prêmio Nobel de literatura de 2015, Svetlana expõe nesta obra uma visão completamente esquecida da guerra: o sofrimento vivido pelas milhares de mulheres que já lutaram pelo seu país. É inegável que os livros e filmes retratam a guerra como um evento masculino, deixando para a mulher um papel secundário, de quem fica em casa aguardando o retorno - ou não! - dos homens da família. Mas Svetlana quebra esse silêncio e, por meio de diversas entrevistas com mulheres soviéticas que lutaram na 2 Guerra Mundial, traz para o público essa tão necessária versão da guerra.

São, em sua maioria, histórias de jovens que tinham vontade de defender e ser útil ao seu país. Entraram com uma imagem idealizada da guerra, mas saíram - se saíam - com marcas profundas e eternas, não só no corpo, mas nas memórias que não podem ser apagadas. Os relatos mostram as mais diversas dificuldades enfrentadas por essas mulheres que, independente do papel que desempenharam na guerra, deixaram suas famílias e cidades e foram para o campo de batalha. E o chocante é que os problemas não foram vivenciados apenas no período da guerra, como o machismo no ambiente do exército, a ausência de estrutura e equipamentos próprios para uma soldada mulher, a intensa presença da morte e a perda da própria feminilidade. Na verdade, o sofrimento foi agravado quando, apesar de vitoriosas ao final da guerra, encontraram uma sociedade repleta de preconceitos. "Quem iria se casar com uma dessas mulheres? O que elas faziam no meio de tantos homens no campo de batalhas?” Essa mentalidade passou a ser o novo inimigo dessas corajosas mulheres.
Ou seja, a obra de Svetlana é uma leitura essencial e perturbadora, com a inegável capacidade de mudar a visão do leitor sobre a guerra. Não há como terminar a leitura sem se solidarizar por esses relatos que por tanto tempo foram reprimidos.

Uma dica: recomendo que essa leitura seja feita aos poucos e em paralelo com algum romance mais linear. Isso porque o livro traz um grande número de relatos, todos com uma mesma temática e que, ao final, podem cansar o leitor.

site: https://www.instagram.com/book.ster
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Eloisa Goronci 21/09/2020

"Em algum lugar do mundo nosso grito deve ser guardado"
A coletânea de relatos é preciosa, os detalhes são minuciosos, mas não sei se só eu senti que eles não têm bem uma coesão em sua organização, alguns são meio soltos e parece que os capítulos não tem um nexo. Talvez eu possa ter me enganado sobre isso, não sei.
A leitura acaba sendo muito cansativa por ser um livro relativamente grande, mas, como disse no título, é necessário e respeitoso às mulheres que nenhum recorte seja feito.
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Adi 02/09/2020

?Não pode existir um coração para odiar e outro para amar. O ser humano só tem um, e eu sempre pensava em como salvar meu coração??
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Gabriela.Pimenta 17/06/2021

5 motivos para ler "A Guerra Não Tem Rosto de Mulher"
1. Este livro fala sobre a Segunda Guerra Mundial de forma totalmente diferente dos livros de história tradicionais, onde a versão masculina é privilegiada. Aqui temos mulheres que testemunharam e participaram ativamente dos combates puxando pela memória qual foi a sua vivência na época.
2. Há uma guerra diferente para cada mulher de acordo com a função que ela desempenhava no front. A autora passou anos entrevistando francoatiradoras, cozinheiras, enfermeiras, médicas, pilotos, soldadas... tecendo uma colcha de retalhos em forma de relatos íntimos que vão muito além da carnificina da guerra. São relatos de amor à pátria, compaixão e muita resistência.
3. Originalmente o livro foi lançado na década de 1980, porém sofreu censura. Este fato também é relatado pelas heroínas de guerra que na volta do front foram silenciadas, incentivadas a omitir essa parte de suas vidas. Isso porque os homens da época não queriam se envolver com mulheres que estiveram no front, enfim a misoginia em seu mais puro estado.
4. Me impressionou muito nos relatos o que a guerra é capaz de fazer fisiologicamente no corpo das mulheres. São comuns os casos de interrupção de menstruação, cabelos precocemente brancos, mudanças na fisionomia a tal ponto que uma mãe não reconheceu a filha quando esta retornou à casa e até infartos que passaram desapercebidos na época por uma atiradora.
5. Svetlana Aleksiévitch é uma hábil escritora e uma sábia ouvinte. É preciso muita sensibilidade para compilar todos esses relatos, formando um panorama claro do que foi a guerra para as mulheres soviéticas. Entremeados aos relatos temos as impressões da própria autora sobre o tema, sobre o processo de escrita do livro e suas próprias memórias de histórias de guerra que cresceu ouvindo na vila onde morava quando criança.
Humberto Junior 17/06/2021minha estante
Esse foi/é um dos livros mais duros e impactantes que já li em toda minha vida.




Ana.Clemente 30/09/2020

Que leitura surpreendente!!! Com certeza um livro favoritado. Svetlana nos oferece vários relatos de mulheres do exército soviético que lutaram na 2° Guerra Mundial, aqui somos apresentados a tanquistas, franco-atiradoras, soldados de linha de frente, enfermeiras, médicas, costureiras, cozinheiras, lavadoras, mulheres que foram capturadas pela Gestapo, torturadas, etc. Conhecemos a guerra através da perspectiva das mulheres.

" Já aconteceram milhares de guerras -pequenas e grandes, famosas e desconhecidas. E o que se escreveu sobre elas é ainda mais numeroso. Mas... Foi escrito por homens. Tudo o que sabemos da guerra conhecemos por uma "voz masculina". Somos todos prisioneiros de representações e sensações "masculinas" de guerra" (p.12).

Não foi uma leitura fácil, os relatos são dolorosos, somos colocados a frente dos horrores da guerra, a violência, a fome, o medo, a angústia e a morte.

"Pergunte para mim: o que é felicidade? Eu responderei.... Talvez seja encontrar, entre os mortos, uma pessoa viva..."
Uma leitura que tem ser feita em doses homeopáticas, mas extremamente necessária. Aqui não vemos o lado heróico da guerra, mas sim a face degradante, o que a guerra faz com as pessoas, mata a vida, mães, pais, filhos e mata sobretudo a dignidade e a humanidade.
Off: excelente livro pra jogar na cara de macho que fala que mulher não vai para guerra, não tem força, não carrega um saco de cimento, pipipopopo......
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Yasmine Maluf | @jornadaliteraria__ 02/02/2021

Um livro necessário pra qualquer um. Eu realmente favoritei, já que gostei muito da escrita da autora.
Ela junta vários relatos de verdadeiras guerreiras.
Eu me envergonho de assumir que desconhecia o papel das mulheres nas guerras. E na Segunda Guerra Mundial, elas não apenas eram voluntarias pra serem enfermeiras e sim lutavam na linha de frente, como atiradoras, pilotas, médicas, sapadoras. E inclusive muitas que foram enfermeiras também estavam no front, elas literalmente se arrastavam pra resgatar os feridos sozinhas.
Eu fico indignada como isso não é mostrado em livros e filmes sobre guerras.
Nós temos uma percepção que guerra é algo que afeta mais os homens, que as mulheres ficavam apenas aguardando seus maridos e filhos voltarem. No máximo ajudavam na enfermaria. E isso não é verdade.
E o pior, a maioria delas nem tinha 20 anos. 16,17 anos e já estavam lá na linha de frente como soldados.
E o machismo que sofriam quando voltavam vivas é de um absurdo sem igual, fiquei indignada lendo que muitas delas não se casaram pq eram ?mulheres que foram pra guerra?, eram chamadas POR OUTRAS MULHERES de putas da guerra e outros absurdos. Fiquei muito triste em ler como elas sofreram duplamente.
Os homens voltavam como heróis, as mulheres sofriam ouvindo absurdos e eram julgadas por terem defendido sua pátria.
Horrível.
Essas mulheres deveriam ser exaltadas, lembradas por todos, mostradas em filmes e livros. Verdadeiras guerreiras.
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Nirley 29/12/2020

Eu estou chorando até agora...
Esse livro é PERFEITO, e eu acredito que todos os seres humanos deveriam ler e reler esse livro!
Essa preciosidade, passou a ser meu livro de cabeceira.
_Tá_no_livro_ 30/12/2020minha estante
Esse livro já estava na minha lista de desejos. Mas depois de ver suas palavras, fiquei com mais vontade de ler, acho até que ele vai subir para o topo da lista. ??????????


Nirley 30/12/2020minha estante
Leia, você não vai se arrepender...


_Tá_no_livro_ 30/12/2020minha estante
??




Alê Ferreira 24/05/2021

A Guerra não tem rosto de mulher... Embora tenha seu sangue.
A literatura de testemunho, da jornalista Svetlana, trata-se do fruto da escuta da autora dos relatos resgatados na memória de mulheres soldado, mulheres que tiveram que insistir, travar uma luta, antes mesmo de entrarem para guerra, tiveram que lutar por aceitação, que desmistificar o senso comum de que mulheres são frágeis, fracas, de que lhes falta habilidade, coragem e firmeza.

Todos os horrores da guerra, a atrocidade e dor que elas enfrentaram no front são descrito em memórias que ficaram por mais de 40 anos apagadas. Elas foram condecoradas, mas, mesmo assim, ficaram estigmatizadas, em vez da honra e homenagens como as que foram prestadas aos homens, a elas, o fato de terem lutado em defesa da pátria, representou a imputação de vergonha.

O livro me tocou de várias maneiras: alguns relatos me deixaram impactada, outros me deixaram com um embrulho no estômago, nos choca o terror da guerra, cujos ideias por que lutam os soldados, não são o verdadeiro propósito dos que comandam a carnificina.
Porém o que mais esse livro revela é que à mulher sempre é reservado um lugar inferior na sociedade, ainda que ela desempenhe o mesmo papel.
Elas foram, francoatiradoras, tanquistas, tratoristas, piloto de esquadrão antiaéreo, sapadoras (desarmando bombas), comandantes, soldados, tal e qual os homens, mas não tiveram o mesmo respeito, nem a memória dos seus feitos foram honradas.

Esse livro me falou demais da dor da injustiça do machismo.
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Katherine.Branco 06/09/2016

Um soco na cara
Sabe aquele livro que arranca seu coração, pisoteia ele e depois coloca de volta ? É esse livro. Relatos de um lado da guerra que não costuma ser contado. Te faz questionar a humanidade e a sociedade. Você lê coisas e uma pergunta fica em sua cabeça- será que mudamos ? Ou será a história corre risco de se repetir? Livro que ao mesmo tempo faz você querer desistir do mundo machista em que vivemos. Mas ao mesmo tempo te faz pensar - se essas mulheres sobreviveram aos horrores que lhes foram impostos, tenho que honrá-las e sobreviver às advertências atuais também.
Ti 05/03/2017minha estante
Entristeceu-me muito o fato das mulheres terem vergonha de sua própria heroica história, da censura comunista impedir a publicação deste livro por quase duas décadas e de eu desconhecer a história delas também, logo eu que amo a História da Segunda Guerra.




Maíra 12/09/2020

Eu esperava mais
Sem dúvida é um progresso o fato de o livro trazer a um lugar de destaque a atuação das inúmeras mulheres nas mais diversas funções durante a 2ª Guerra Mundial. Quanto a isso vale a pena a leitura. Também vale a pena pelo fato de haver detalhes da rotina de diversos estilos de pessoas nessa circunstância de guerra (não só dessas mulheres, mas também dos familiares que não foram à guerra e ainda das mulheres que ficaram em casa à espera dos maridos que foram à guerra).

Acontece que me interessam as narrativas envolventes e infelizmente não é o caso dessa. As histórias são contadas de forma picotada. É como se fosse uma degravação quase literal dos depoimentos das pessoas que eu descrevi anteriormente. Interessante do ponto de vista antropológico e histórico. Completamente entediante do ponto de vista literário, do sentir poético mesmo.

Acho que pra quem não espera ler algo mais artístico, e sim essencialmente histórico, pra quem está disposto a ler depoimentos em sua literalidade (mesmo quando o depoente se perde em meio ao depoimento e isso se torna de certa forma confuso), vá em frente. Só não diga que não avisei.
Drika 12/09/2020minha estante
Aparecer de parecer um texto jornalístico eu gostei do livro. Achei os depoimentos fortes e dramáticos, mas concordo com sua resenha.


Maíra 12/09/2020minha estante
Ah, sim.. os depoimentos são em si muito marcantes! Inclusive lendo a resenha da Mih, que é muito muito boa (aqui na página do Skoob mesmo), eu consegui sentir de novo e de uma forma mais encadeada do que no próprio livro as emoções dos depoimentos.




Talita 18/10/2020

Essa leitura foi diferente de tudo que já li. Eu não tinha muito contato com leitura documental, mas me apaixonei por este livro desde as primeiras páginas.

Já li e estudei muito sobre a Segunda Guerra Mundial, mas infelizmente nunca tinha lido relatos russos sobre o período, tampouco sobre as mulheres que lutaram na guerra.

Eu amei muito a leitura, chorei e sofri muito no livro, algumas histórias me causaram angústia.

Acho que todo mundo devia ler, nem que fosse algumas páginas, pra prestigiar essas meninas que fizeram parte dessa vitória.
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