O Quatrilho

O Quatrilho José Clemente Pozenato




Resenhas - O Quatrilho


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Verônica 19/01/2013

É, isso vai soar estranho, eu gosto de rock, bruxas, livros de terror, e vou indicar....literatura romântica sobre imigrantes italianos? Calma, esse livro, por incrível que pareça, passa longe do Terra Nostra e daquelas historinhas manjadas dos italianos que vieram para o Brasil, va bene! Sério. Essa obra do José Clemente Pozzenato, que virou filme em 95 e foi indicado ao Oscar como melhor filme estrangeiro, com Patricia Pillar e Glória Pires me cativou quando li (e eu tinha verdadeiro pavor dessas histórias de italiano, sério, aquelas novelas me deixavam atemorrizada quanto ao futuro da criatividade brasileira). Primeiro porque é uma trama fechada, não temos uma penca de gente que veio ganhar a vida no Brasil e blablabla, com os senhores brasileiros a lhes ditar regras e eles tentando 'conseguir seus direitos' e blablabla.....todo mundo já sabe que isso acontece mesmo, então não há muita enrolação em cima deste tema, somos apresentados a dois casais italianos que vem para o Brasil e que decidem morar na mesma casa, numa cidade do Sul. A inocencia inicial em compartilhar o mesmo teto vai criando um verdadeiro terreno para o adultério, é muito legal ir constatando que o marido de uma é a cara da mulher do outro e de que como se eles simplesmente 'trocassem' de mulheres os pares ficariam perfeitos. É interessante perceber isso acontecendo aos poucos, o que nutre até um sentimento de esperança que a 'troca' realmente aconteça e dê certo (sem nenhum final trágico ou algo do gênero, bem shakespereano e típico de novela), para que os casais possam ser felizes com sua (literalmente) verdadeira cara-metade. Recomendado!
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Ladyce 03/01/2010

Excelente ficção histórica
Só recentemente tive a oportunidade de ler o livro de José Clemente Pozenato, O Quatrilho, Porto Alegre, Mercado Aberto: 1985, romance que em 1994 foi transformado no filme do mesmo nome de Fabio Barreto; indicado ao Oscar em 1995, na categoria de melhor filme estrangeiro. Gostei imensamente da narrativa e também da trama nesta ficção histórica sobre os imigrantes italianos. O romance cobre com distinção a imigração de italianos, oriundos em sua maioria da região de Veneto e estabelecendo-se no Rio Grande do Sul. Esta renovada imigração no início do século XX foi resultado de um acordo feito entre os governos brasileiro e italiano. Na história, que é baseada em fatos verdadeiros, dois casais de imigrantes italianos, amigos e sócios, resolvem dividir uma grande moradia enquanto trabalham muito duro para prosperar. Aos poucos o marido de um e a mulher do outro se apaixonam e fogem, deixando os filhos para trás. O casal que permanece na casa por sua vez, passados alguns meses solidifica como marital um relacionamento que já existia como sociedade de negócios e assumem um casamento que originalmente nenhum dos dois havia contemplado. Esta história, com este enredo, é claro pertence única e exclusivamente aos casais retratados. Mas o tema da imigração e, sobretudo da imigração italiana, apesar de ter sido abordado diversas vezes na televisão brasileira, ainda é pouco assimilado pela cultura brasileira. O assunto não tem a influência que adquiriu na artes e na cultura de outros países do novo continente, como nos Estados Unidos ou Canadá.

Acredito que parte dessa diferença está enraizada na maneira em que nos EUA o imigrante e seus descendentes é continuamente lembrado de sua identidade como um recém-chegado. Expressões específicas são usadas para definir, alinhar, explicar sotaques, comportamentos, hábitos e tudo o mais. Lá, é comum os filhos e os netos de um imigrante se referirem a si próprios como daquela linhagem estrangeira, mesmo tendo nascido em solo americano, de pais nascidos em solo americano. Assim há os americanos-irlandeses, os americanos-italianos, os americanos-judeus. Este hábito torna muito mais difícil a inserção de qualquer cidadão na sociedade em geral. É um hábito que separa as pessoas, que divide cidadãos em pequenos grupos de identidades diversas. Por outro lado, eles em geral conhecem melhor o passado de seus ancestrais, relembram em maior detalhe e com grande freqüência a saga de seus avós, bisavós, porque elas compõem suas personalidades. Elas preenchem os detalhes daquilo que os outros acreditam ser indecifrável. Tudo e qualquer coisa pode ser justificada sob o rótulo de uma identidade estrangeira. É uma faca de dois gumes.

Uma das grandes vantagens que temos no Brasil é esquecermos rapidamente de onde nossos antepassados vieram. Quando comecei a fazer uma árvore genealógica para a família e fui expandindo os dados lateralmente e para trás, fiquei surpresa de ver que muitos dos meus conterrâneos, familiares e amigos, não tinham a menor idéia de onde seus antepassados tinham vindo. É verdade que moro no estado do Rio de Janeiro, um dos primeiros locais de colonização do país e também um dos locais de maior miscigenação. Como a habitação do território brasileiro começou mais cedo do que a população imigrando para os EUA, pelo menos de cem anos, é natural que muitos não saibam nada além de vagas lembranças da história de seus antepassados. Fiéis à tradição latina, [e esta tradição remonta ao Império Romano] somos, no todo, mais abertos a chamar de brasileiros todos aqueles que fazem da nossa terra, sua casa. Acreditamos que todos que estão aqui são como a gente. Casamos com estes imigrantes, casamos com seus filhos, sem lhes perguntar a raça, a religião, a nacionalidade de origem de seus antepassados. Aqui somos todos iguais. Não nos subdividimos em pequenos grupos. Afinal, falamos a mesma língua e estamos cansados de saber, que nossa pátria é nossa língua. Em compensação ignoramos muito da nossa história, não damos valor aos sacrifícios que nossos antepassados fizeram para nos dar uma chance de viver melhor do que eles tinham se ainda estivessem nos seus países de origem. O resultado é que ignoramos aquelas culturas de onde nossos avós e bisavós vieram.

Assim é sempre com curiosidade e alegria que encaro um romance brasileiro com este tema. E o livro de Pozenato não só é fiel à natureza dos imigrantes, às suas vidas, como também narra com clareza e humor a aventura desafia o ajuste de estrangeiros a um novo país. A adaptação deles à nova realidade, a um novo clima, a um novo terreno é tratada com extrema sensibilidade e profunda delicadeza.

Entre os seus melhores e mais sensíveis retratos de uma geração inteira de colonos, da vida dura e sofrida que tiveram, está o retrato que ele faz, logo no início de O Quatrilho, das mudanças que vê nas mulheres jovens, que se casam e se entregam a uma vida difícil na esperança de um futuro melhor. As reflexões do padre que nos apresenta ao Rio Grande do Sul, à sua paisagem, aos costumes da época, logo no início da narrativa, estabelecem o tom, a delicadeza e a verdadeira luta que ele vê estes imigrantes travarem. Abaixo coloco dois parágrafos destas conjecturas para dar um gosto do que se desenrola no texto. Recomendo com grande entusiasmo a leitura deste livro.

“Mais do que fome ou irritação, o que o tocava agora, enquanto a mula trotava firme, era uma vaga tristeza. E sabia muito bem a razão. Em quase trinta anos de padre, dez deles na Itália e o restante na América, onde com certeza deixaria os ossos, teria celebrado mais de mil casamentos. E depois de cada um deles lhe vinha essa tristeza. Não era inveja, ao contrário. O caminho que Deus escolhera para chamá-lo à vida sacerdotal tinha sido, talvez, o medo de enfrentar a mesma miséria e as humilhações do pai, camponês nas terras de um senhor de Bolzano. Entendia muito bem a pobre gente que juntara seus miseráveis pertences e atravessara o mar, numa casca de madeira, para tentar a aventura na América. Era para cá que seu pai teria vindo, se não tivesse morrido ainda jovem. Para cá tinha vindo ele, trazido por impulso, que podia ser talvez virtude ou, mais provavelmente, uma simples compulsão humana, destituída de merecimento.

Não, a tristeza que lhe vinha não tinha nada a ver com inveja. O que lhe causava mal-estar era o brilho de esperança que via nos olhos dos noivos. Uma esperança que ele sabia destinada a durar muito pouco tempo. Tinha pena principalmente das noivas, atraentes, risonhas como uma rosa desabrochada de manhã, que ele voltaria a ver daí a alguns anos, envelhecidas, feias, com o sofrimento e a resignação escondidos no fundo dos olhos tristes, revelados com lágrimas no confessionário. Por isso é que lhe fazia mal celebrar um casamento”. [p. 16-17]

28/08/2008
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Dioneia 14/01/2016

O Quatrilho é uma história baseada em fatos reais e que retrata bem o cotidiano e a realidade da vida dos imigrantes no sul do Brasil: suas dificuldades, seus preconceitos, suas adaptações e nos induz a um questionamento sobre as relações entre casais.Tudo isso fazendo uma analogia ao jogo do quatrilho: jogo de cartas onde os parceiros se trocam ao longo da partida.
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Nanawtf 21/11/2011

O Quartilho
Esse livro não é fácil. 78% do livro é lento, chato e sem manifestações importantes. Ao menos você pensa que é assim. Mas como eu tinha que ler esse livro devido a trabalho de escola, continuei.
Teresa é casado com Ângelo Gardone; Pierina com Massimo. Esses dois casais se tornarão interligados, e não de uma maneira convencional. Quase todo o livro o autor tenta aproximar os personagens, e quando o inevitável acontece, você ''ufa, aconteceu, agora quando esse livro vai acabar?''. Mas é só no final, em um capitulo do Padre Giobbe, que voc~e entende o significado do livro e dos personagens. Não é uma história de traições, e sobre o destino. Destino que nem sempre prevemos para nós. E quando o livro acaba, você percebe como os quatro mudaram, tanto externo como interno, e como evoluíram. Eles mostram seu verdadeiro caráter, sua consciência. Afinal, o que é pecado aos olhos de Deus?
O livro é bom sim, só se você entender a trama completamente. Mesmo assim, a lentidão dele não compensou, então dei 3 estrelas.
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