Dias de abandono

Dias de abandono Elena Ferrante




Resenhas - Dias de Abandono


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Book.ster por Pedro Pacifico 26/02/2020

Dias de abandono, Elena Ferrante – Nota 8/10
Elena Ferrante é uma das autoras mais vendidas atualmente e é conhecida pelos seus romances que cativam e prendem o leitor. Não comecei por sua obra mais famosa, a Tetralogia Napolitana (série com 4 livros), porque queria uma obra que estivesse menos no “hype”! A escolha de “Dias de abandono” também foi influenciada por outra obra que li esse ano: “Laços”, de Domenico Starnone (já tem resenha aqui). Isso porque há um inegável diálogo entre os dois livros. Na verdade, como Elena Ferrante é um pseudônimo e sua identidade verdadeira nunca foi confirmada, há suspeitas de que a autora seja esposa de Starnone ou, até mesmo, o próprio autor de “Laços”. Independente disso, fato é que o meu primeiro contato com a autora italiana começou muito bem, mas não terminou da forma que esperava. O enredo gira em torno de Olga, uma mulher que depois de 15 anos casada com Mario, recebe a notícia de que está sendo abandonada. Olga perde o chão. A partir daí têm início os seus dias de abandono, ou melhor, de sofrimento, em um apartamento onde vive com seus dois filhos e um cão. Com uma narrativa em primeira pessoa, o leitor passa a acompanhar os pensamentos de Olga, que a paralisam e são encobertos pelo desespero, medo e angústia. Sim, é um livro perturbador (!!) e, no começo, a personagem de Olga descrita e desenvolvida como alguém que perde o suporte emocional é extremamente interessante. É o retrato da dificuldade de aceitação de uma perda, misturada com o sentimento de tentar se reconstruir e conviver com essa nova realidade. Em algumas passagens, tive a sensação de que a personagem estava delirando e que os seus pensamentos não condiziam com a realidade.

Apesar da inegável qualidade de escrita da autora, que se vale de uma linguagem fluída, crua e econômica, ao final da leitura senti que Ferrante se perdeu um pouco e passou a recorrer a lugares-comuns, terminando com uma personagem exagerada e de certa forma previsível. É um livro curto, mas que traz reflexões sobre relações humanas e sofrimento.

“Tornara-me uma esposa obsoleta, um corpo negligenciado, minha doença é só a vida feminina que ficou fora de uso.”

site: https://www.instagram.com/book.ster/
Carlos Nunes 27/02/2020minha estante
Não gostei desse livro. Minha pior leitura de 2019...


Becca 29/09/2020minha estante
Nossa, eu amei esse livro! Inclusive foi uma aflição! Consegui ver muitas das histórias que me cercam nela. E a intensidade da perda de sentido e de vida vai muito além do fim de uma relação, entrando no campo do que se define para a existência. De fato o fim achei rápido, como uma resolução de calmaria diante do caos. Mas mesmo assim muito bom!


Carlos Nunes 29/09/2020minha estante
Leitura tem muito isso. Nossas vivências e sensibilidade fazem toda a diferença em "sentirmos " o livro. Gostei da escrita, mas sei lá, algo não rolou comigo.


Becca 29/09/2020minha estante
Sim! Super entendo! Tem vários livros que apesar das indicações e de um grande número de pessoas ter gostado, não me tocou. É assim mesmo (ainda bem :)


Ferreira.Souza 14/10/2020minha estante
muito bom , Eliana é autora do momento


Ferreira.Souza 14/10/2020minha estante
muito bom , Eliana é autora do momento




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Caroline 25/01/2021

Incômodo
No decorrer da leitura, cogitei diversas vezes abandonar o livro. Mas ainda bem que não o fiz. Os primeiros capítulos são muito intensos, verdadeiros, cruéis, tudo parece cinza e pesado demais. Tive que me esforçar pra ler esse livro como espectadora, pq me colocar no lugar da Olga era doloroso demais. Não abandonei, também, pq tive a impressão que abandonaria a Olga em meio aquele desespero todo e ela merecia sair disso. Apesar de ser um livro curto, a leitura é intensa, extremamente psicológico. O desespero da principal chega a ser palpável. Não sei se é um bom livro para começar a ler Elena Ferrante, mas não sou nenhuma especialista e nem li tantos livros dela assim. Mas eu não começaria por esse. Por fim, concluo que é um ótimo livro, muito bem escrito e desenvolvido, mas que eu não leria de novo pq chega a incomodar.

PS: Mario se provou ainda mais ridículo no antepenúltimo ou penúltimo capítulo. Meu deus q ódio desse homem
Débora 26/01/2021minha estante
Adorei, Carol! Me deu ainda mais vontade de ler esse livro!!!




Aylana Almeida 30/05/2021

Angustiante e avassalador!
Que experiência incrível foi conhecer esta obra e adentrar na história de Olga. Com uma narrativa angustiante que prende o leitor até a última página, Ferrante mostra o quanto o abandono pode levar a mente humana ao caos, oscilando entre a lucidez e a insanidade. Uma escrita visceral, que incomoda, causa estranheza e agonia a cada página.

Nesta obra, Ferrante faz jus à fama e a genialidade com a qual descrita!
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Maria 22/10/2020

Uma mulher desiludida vivenciando um obsceno abandono
Coincidentemente, há alguns anos escrevi um conto -autobiográfico- com a mesma temática e, assim como no livro da Ferrante, a alusão à obra “A mulher desiludida”, de Beauvoir, não poderia deixar de acontecer :P Embora eu aprecie bastante a escrita da Simone (especialmente em suas memórias), não posso negar que “Dias de abandono” é bem mais “palatável” do que “A mulher desiludida”. Como Ferrante descreve bem os pensamentos/sensações/emoções femininos. Confesso que, embora o livro seja bem curto e, normalmente, o tempo que eu levaria seria de um dia, a autora foi tão poderosa em sua narrativa que as dores da mulher abandonada tornaram-se minhas (hoho). Sendo assim, foram vários dias lendo e “descansando” após alguns capítulos, pois a sensação de claustrofobia perseguiu-me do início ao fim. E, caso o tema tenha realmente agradado, leiam, também, Obsceno Abandono, da Marilene Felinto que, ao contrário da Ferrante e da Beauvoir, aborda a perspectiva da amante abandonada, não da esposa.
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André 22/03/2020

Quando a primeira pessoa que se abandona é a si mesmo
Dias de abandono é um livro que traz como tema central o término de um casamento de 15 anos sem motivo aparente. Em mais um dia comum na vida da personagem-narradora, o marido dela comunica a vontade de se divorciar.
O livro traz muitas situações que, para quem olha de fora, seriam absurdas, mas a autora trabalha tão bem os pensamentos da personagem e tudo o que acontece ao redor desta que você passa a pensar como a personagem, passa a ter empatia e compreender algumas das ações mais extremas dela. Ela mostra toda a fragilidade das pessoas frente a mudanças inesperadas. É uma vida toda construída ao redor de um relacionamento, o conhecimento que o casal tem um do outro, a relação com os filhos, as funções dentro do ambiente familiar que acabam sendo divididas / definidas sem uma ordem escrita ou falada, pelo simples consenso mudo entre o casal, que acaba sendo mais um dos exemplos de como a vida a dois pode colocar as pessoas em sintonia. E então, um dia a pessoa percebe que essa sintonia estava desfeita há muito tempo, percebe que o mundo que ela estava enxergando já não é mais o mesmo que o seu parceiro(a) enxerga, e não há nem o tempo para procurar entender ou reavaliar essa situação, pois o pedido de divórcio já está em andamento, e, mesmo que isso fosse revogado, como reconstruir essa ponte entre duas pessoas que descobrem que já não se conhecem mais?

O que tornou esse livro tão especial pra mim foi a forma como a autora descreveu todo o processo de desconstrução da personagem com essa situação, já que, frente a essa atitude inesperada, tem como primeira reação o pensamento de que a culpa desse distanciamento, desse rompimento, seja dela, como se ela estivesse cega para erros que ela nem fizesse ideia que estivesse cometendo. Isso não provoca uma mudança apenas na mente dela, essas mudanças passam a ser perceptíveis externamente, transformando até mesmo a forma de falar, o vocabulário que ela utiliza, e essas mudanças vão se acumulando umas sobre as outras até o momento que caracteriza o ápice (ou seria o fundo do poço?), quando ela já não consegue mais manter o foco no presente, não enxerga mais os problemas que acontecem ao redor dela, passa a divagar e se abstrai de todos os problemas envolvendo a sua família (agora reduzida a seus filhos).

A impressão que esse livro me trouxe foi de um texto nos moldes das grandes obras da Clarice Lispector só que estabelecendo um limite de aprofundamento nos pensamentos da personagem, de forma a trabalhar até um nível suficiente para incutir no leitor o fluxo de pensamentos da personagem e conseguir manter o foco do leitor no que acontece externamente à personagem.
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Cristinacob 19/09/2020

Após 15 anos de casamento, Olga é largada pelo seu marido. Olga, que representa tantas esposas que se dedicaram inteiramente à construção de um lar abrindo mão do seu crescimento profissional, confiante que seu marido nunca a abandonaria, se viu totalmente sozinha, inclusive, afastada dos amigos . No início, ela tenta manter a calma diante da atual situação mas, o tempo vai passando e a paciência de Olga vai se transformando numa obcecada tentativa de trazer seu marido de volta ou arruinar com a nova vida dele. Passa a viver quase o tempo todo desconectada da realidade, enquanto a relação com seus filhos tá perigosamente ligada no piloto automático levando às situações que nós leitores quase perdemos o fôlego.
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djoni moraes 02/01/2021

Abandonada por você!!!!!!
Uma oportunidade para revisitar a única obra da Ferrante que tinha lido até hoje. A motivação para tal foi que, pensando nas minhas melhores leituras do ano, lembrei-me de Laços, do Domenico Starnone, e de como esse livro é comparado a este aqui, da Ferrante, estabelecendo uma suposta relação de identidade que poria fim ao mistério identitario da autora (afinal, quem é Elena Ferrante?)

A comparação com Laços é realmente muito válida. Parece que estamos vivendo a mesma história, só que contada pela mulher abandonada. A essência do livro, no entanto, não está no abandono do marido em si, mas a percepção do abandono e as consequências nefastas na vida de Olga, a protagonista. Na sua solidão, Olga se entrega completamente a um redemoinho de ansiedade e turvação sensorial que, em alguns momentos, transpira para fora das páginas, exala medo, tensão, desespero ?algo que já daria pra perceber pelas cartas que a esposa escreve em Laços, mas numa intensidade e discrição absurdas, em contrapartida.

Nesta obra, Ferrante coloca-nos de frente ao sofrimento do ser humano abandonado. Olga sente-se traída e enganada, mas não apenas pelo caso do marido com uma mulher muito mais jovem que ela, e sim (principalmente) com o desconhecimento que ela tem do homem com quem foi casada por mais de dez anos.

No meio desse turbilhão de coisas, temos uma espécie de novelão com bastante ação, sem perder o equilíbrio proporcionando pela introspecção das reflexões e anseios de Olga. A vida desta família se retorce, convulsiona, metaforicamente vemos um lar que se desmorona (e aqui pontos pra Ferrante: as coisas alegoricamente parecem corroer através das palavras).

Até o fim das páginas deste livro, cheguei à conclusão de que o verdadeiro abandono da Olga foi durante os anos de casada com Mario, a quem entregou-se cega e completamente, abandonando-se paulatinamente até esquecer-se de si.
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Eliza.Beth 26/05/2021

Tem quem goste
Infelizmente, não curti esse livro.
Não é de todo ruim. Nos 30% (talvez) finais, a história toma um rumo aceitável.

Mas e os outros 70%? A personagem principal passa por um abandono conjugal e por um momento, isso a dá uma prerrogativa para ser escrota com todos ao seu redor, negligenciar seres dependentes dela (sejam humanos e/ou animais), e muitas outras atitudes.

Algumas atitudes dela eu ainda consigo entender, e se não concordar, pelo menos respeitar.
Mas ela ultrapassa os limites da ?passada de pano?. Eu tenho meus limites de compreensão e ela ultrapassou todos. Não a defenderei. Por isso, nota 3.
Edu Santtos 26/05/2021minha estante
Concordo com tudo q vc disse


Eliza.Beth 26/05/2021minha estante
Bom saber que não estou sozinha, Edu. Hahaha
Muita gente ama esse livro.


Carolina.Gomes 27/05/2021minha estante
Nem li nem lerei ?


Eliza.Beth 29/05/2021minha estante
Kkkkkkk Carol ??


Carolina.Gomes 29/05/2021minha estante
???




Marcos Wlrich 26/05/2021

Angustiante do começo ao fim
Elena Ferrante descreve a dor de um abandono de uma forma que fará você muitas vezes sentir. Ler esse livro trás uma angústia em vários momentos. Teste de empatia e raiva da personagem para tentar entender cada situação, escolhas, as consequências, não é fácil lê-lo.
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Tais.Batista 17/01/2021

Dias de abandono
Meu primeiro contato com a escrita da autora. É um livro denso, pesado. Tão rico em detalhes que em algumas cenas eu senti um incômodo real.
Um livro curto, mas que eu demorei pra ler porque me causou um misto de sensações.
Vale a leitura. Faz pensar no amor próprio, mas pelas coisas que senti durante a leitura, eu não releria.
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jota 03/02/2020

Seduzida e abandonada...

Dias de Abandono pode ser o retrato perfeito do que acontece a uma mulher como Olga, dedicada ao lar, aos filhos, ao marido etc., quando se vê trocada, depois de quinze anos de casamento, por uma jovem que frequentava sua casa tempos atrás, quando ainda era uma garotinha: agora Carla é a companheira de Mario. A Olga sobrou a casa para cuidar, seus filhos pequenos Gianni e Illaria e um cão, Otto. E muitas preocupações pela frente.

Para quem está de fora, somente observando, quer dizer, lendo, parece que Olga apesar de ter razão nos seus lamentos perdeu a razão que poderia ajudá-la a atravessar menos dolorosamente esse episódio de sua vida. Desprezada pelo marido aos trinta e oito anos, entrega-se completamente ao abandono físico e mental. Parece que enlouqueceu porque faz coisas – ou deixa de fazê-las, torna-se esquisita, esquecida, desleixada, diz palavrões com frequência – que jamais faria se ainda estivesse com Mario. E faz tudo isso repetidas vezes, exageradamente, o que torna muitas páginas do livro um tanto difíceis de digerir. Não de abandonar o livro, mas de pular vários parágrafos.

É o caso de quando Gianni fica doente e Otto parece ter sido envenenado num de seus passeios pela praça perto do apartamento de Olga. Portanto, nunca atire o celular contra a parede ou o chão num momento de raiva ou ódio de Mario porque você pode precisar do aparelho se o telefone fixo estiver com problema. Aprenda a abrir e a fechar corretamente sua porta blindada porque você pode ficar presa dentro de casa e vai precisar de ajuda externa para sair dali etc. Achei tudo isso repetitivo e cansativo de ler e o volume já não tão grosso poderia ficar melhor com várias páginas a menos.

Por outro lado, o martírio repetitivo de Olga imposto pela autora ao leitor reflete bem o mundo entrevado que a personagem vive com a separação, o abandono do marido. Se tais trechos são meio duros de atravessar, a coisa é bem diferente quando Olga nos conta o início de seus tormentos, quando um dia o marido deixa de voltar para casa, e o final de sua história até ali, porque nada dura para sempre mesmo, somente o tempo. Nessas passagens Dias de Abandono prende bastante nossa atenção e lembra a grande escritora de A Amiga Genial em seus melhores dias. Coisa que penso não termos o tempo todo neste volume.

Lido entre 21/01 e 01/02/2020. Minha avaliação: 3,3.
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bruna 15/11/2020

Sabe quando um livro te faz sentir um misto de sentimentos?Pois é.. ?Dias de abandono? foi esse livro pra mim. A autora faz com sintamos na pele a dor do abandono, a dor do ? vazio de sentido?. Uma leitura importante, porém cheias de gatilhos emocionais.
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