Réquiem para Lavine

Réquiem para Lavine Helton Timoteo




Resenhas - Réquiem para Lavine


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Krishnamurti 18/06/2016

Réquiem para a vida!
Réquiem para a vida!

Na Literatura há em realidade, uma rotina de temas, que se repetem de escritor para escritor, retomados, reabertos e redimensionados, segundo a sensibilidade e visão-de-mundo de quem os aborda. Ah essa nossa condição humana... o amor, a inutilidade da vida, a solidão, a vingança e tantas outras indagações, perplexidades e desesperos humanos estão sempre a convocar e atualizar na pena dos escritores, os temas básicos do enfrentamento da vida.
Há, porém, outro tema que se oculta no imponderável e nos escapa aos sentidos, aos nossos parcos meios de observação. Como é possível aquela singular evaporação de consciência pela qual nosso organismo passa, num átimo, do movimento à imobilidade, da sensibilidade à passividade inerte? Sempre, em todas as eras, se nos afigurou absurda esta contínua construção e desintegração de nossa personalidade, essa passagem do ser ao não-ser, ao que temerosamente afinal, damos o nome de “morte”. E, entretanto, face ao sentimento de absurdo que isto nos causa, ignoramos sua existência no que tange a um profundo refletir sobre. Fazemos de conta que ela inexiste e guardamos um silêncio mortal sobre a morte. Este final de ciclo de nossas vidas que tem como fio condutor, o tempo.
Muito bem, a palavra tempo me faz refletir que já vou em um terceiro parágrafo para falar sobre Réquiem para Lavine do escritor fluminense Helton Timoteo – Editora Penalux, Guaratinguetá, 2015, 168p. E toda essa preleção, se faz necessária, porque em boa parte dos poemas reunidos na obra, o autor investiga, reflete e afinal alarga nossa percepção para esta crucial questão humana. Dentre os poemas merece especial atenção, ‘O filho Pródigo’. Sensível registro das fases da vida – imersas neste brutal contexto social da atualidade -, até chegar à morte. Digno de nota. Realmente.
Mas não é somente sobre a indesejada das gentes que o autor escreve. Sua poesia reflete outros temas com igual profundidade de forma a comunicar, ou melhor, fazer-nos refletir sobre o sentido da vida humana. E nessa busca para encontrar o significado da existência, está intimamente relacionado o sentido da morte. A nosso ver, o sujeito lírico da poesia deste autor acredita que a efemeridade e a permanência são polos de uma realidade mais abrangente, que vida e morte são dois contrários que se compensam, dois impulsos que resultam em equilíbrio, duas fases complementares de um mesmo ciclo. Muito embora a maioria de nós não esteja disto plenamente convencida. E mais, se depura deste fazer poético que apesar das contínuas mortes, a vida segue impassivelmente triunfante. É o que meu coração me fez sentir ao ler esta obra. Por isso o título: Réquiem para a vida!
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