Reflexões Autobiográficas

Reflexões Autobiográficas Eric Voegelin




Resenhas - Reflexões Autobiográficas


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pedrocipoli 09/12/2018

Intelectual de verdade
Minha motivação para ler este livro foi bastante simples: diversos autores altamente gabaritados usam Voegelin como base para criar seus raciocínios. Li alguns textos dispersos do autor e achei inacreditável a forma como ele trata os assuntos. Há uma lucidez e clareza nos seus escritos que está em falta atualmente, além de uma capacidade formular conceitos de enorme importância sem jamais tirar o pé da realidade concreta.
O primeiro ponto que me chamou a atenção é que Voegelin não “cria” uma teoria e força a realidade a se encaixar nela. Vai aos poucos, analisando minuciosamente a própria realidade e criando conceitos para abarcar casos reais. Entre eles o conceito de “Segunda Realidade”, uma espécie de mundo paralelo descolado da realidade. Conceito que explica os ideólogos de qualquer vertente: pessoas que acreditam estão apenas preocupadas com suas teorias, ainda que elas nada expliquem e que não façam sentido no mundo real. Isso reforçado, claro, pela “proibição de perguntar”, já que são teorias que não resistem a exames minimamente honestos (assim como a “recusa de perceber”).
“Reflexões autobiográficas” conta o desenvolvimento de um dos maiores pensadores da humanidade, alguém que é desconhecido por nossa “elite intelectual” exatamente por ter uma obra dedicada a mostrar que a grande maioria dessa elite só fala e escreve bobagens. É a história de um homem que aprendeu um idioma atrás do outro para ler obras consagradas no original e extrair seu significado como os autores realmente disseram. Alguém que coloca Karl Marx no chinelo, expondo a completa estupidez proposta por ele.
O que me chamou a atenção é que Eric Voegelin possui uma humildade ímpar para descrever sua trajetória. Viveu os “tempos áureos” da Áustria, do final do século XIX até os anos 30 do século XX, sendo contemporâneo de Ludwig von Mises, Hayek, Schumpeter, Wittgenstein, Max Weber, Hans Kelsen, entre outros. Uma época de “intelectuais” de verdade, pessoas que lemos até hoje pela originalidade e brilhantismo da obra que produziram.
Outro ponto é que Voegelin não se preocupada em ser apenas um intelectual, preso em uma “torre de Marfim”, mas tinha contato com a realidade concreta (atuava na Bolsa de Valores). O que explica o poder de sua obra, diferentemente dos intelectuais atuais, que ficam presos em seus escritórios sem o menos contato com o mundo real, mas que juram saber como tudo funciona, como funcionou e como deve funcionar.
Além disso, passou por problemas reais, como a ascensão do Nazismo, que identificou como problema já nos primeiros anos, e acabou tendo que fugir da Áustria para salvar a própria vida. Como diria Nassim Taleb, Voegelin “arriscou a própria pele”, o que explica o enorme contato dos seus escritos com a realidade concreta.
Fico triste que hoje temos como “intelectuais” Leandro Karnal, Cortella e a "filósofa" petista Márcia Tiburi (que dizer, são intelectuais na acepção do termo de “trabalhar com ideias”, ainda que sejam ideias imbecis, quando não criminosas), autores sem uma bagagem intelectual para serem alunos do primeiro semestre de uma aula de Voegelin. Internacionais também, em especial quando pessoas como Noam Chomsky ou Thomas Piketty são tão badalados (quando não estão apenas errados, mentem em favor da própria causa).
Este livro é um saudável lembrete de que existem intelectuais que honram o termo, com ideias belíssimas e contato firme com a realidade. Recomendo brutalmente a leitura como ponto de partida para obras posteriores do autor, além da curiosidade em si pelo livro e pelas teorias abordadas an passant.
Lucas.Miguel 09/12/2018minha estante
Muito massa o que você escreveu. Estava querendo ler o Voegelin, iria começar pelo Ordem e História - Volume 1: Israel e a revelação mas vou começar com por esse. Parabéns pela resenha!




Dissensão e Tréplica 12/11/2017

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site: https://dissensaoetreplica.wordpress.com/2016/09/15/conheca-reflexoes-autobiograficas/
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