Um amor feliz

Um amor feliz Wislawa Szymborska




Resenhas - Um amor feliz


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Matheus de Paula 11/04/2021

As possibilidades do não saber
Em fevereiro de 2012 abri o jornal no caderno de cultura e me deparei com o obituário de Wis?awa Szymborska. O final da página continha 2 de seus poemas, e falava de sua primeira coletânea publicada no Brasil um ano antes. Esperei até a próxima Bienal do Livro da minha cidade, e com o nome dela anotado num papel, consegui meu exemplar de Poemas [2011, Companhia das Letras]. 

Em 2013, numa viagem a Lisboa, comprei uma edição portuguesa de Paisagem com grão de areia [1998, Relógio D?água], livro que adorei ter em mãos, mas com uma tradução menos cuidadosa. Durante esses anos de encontro com esta poeta polonesa, revisitei esses 2 livros sempre que o coração apertava e que precisava de um novo fôlego.  

Um amor feliz, é a segunda coletânea de Wis?awa publicada no Brasil em 2016, com tradução rigorosa de Regina Przybycien. Levou 5 anos para eu colocar minhas mãos nessa edição, e é com uma alegria voluntária que indico este livro para todas mentes inquietas e curiosas. 

A seleção é primorosa e contempla toda extensão da obra de Szymborska. A edição ainda conta com o seu discurso de aceitação do Prêmio Nobel de Literatura em 1996, intitulado O poeta e o mundo. Um texto belíssimo sobre o lugar do poeta e a infindável possibilidade por trás das palavras ?não sei?. Leitura essencial, faz um bem danado.
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Adriana Scarpin 05/11/2016

ABC
"Jamais vou descobrir
o que A. pensava de mim.
Se B. até o fim não meperdoou.
Porque C. fingia que estava tudo bem.
Que papel teve D. no silêncio de E.
O que F. esperava, se é que esperava.
Porque G. fingia, já que sabia muito bem.
O que H. tinha a esconder.
O que I. queria acrescentar.
Se o fato de eu estar ali ao lado
teve qualquer importância
para J., para K. e para o resto do alfabeto."
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Monique 21/03/2021

Não entendi esse livro muito bem, talvez porque metade dele estivesse em polonês. Mas o que eu entendi era legal.
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Everton 30/04/2021

Não sou dos mais amantes da poesia, mas no ano passado conheci esta escritora polonesa, e fiquei encantado com seus poemas.
Talvez alguém possa ler e dizer: “mas não há nada de extraordinário em seus temas!”, e é justamente aqui que está sua maestria. Ela trata coisas tão cotidianas de uma maneira tão maravilhosa, profunda e simples. A beleza do cotidiano, a reflexão que brota das coisas simples e dá sentido à vida. As questões que nunca serão respondidas, mas nem por isso deixam de ser significativas.
Neste volume, optou-se por anexar a tradução do seu discurso ao receber o Prêmio Nobel.
Chama a atenção o valor que ela dá ao termo “não sei”. Destas pequenas palavras dependem todas as inovações e até mesmo o futuro da tecnologia. O “saber de mais” nos fecha numa zona de conforto que não produz mais nada, apenas reproduz o que já foi criado. Chama a atenção também o destaque que ela dá aos desafios de ser um poeta e as incompreensões que estes sofrem.
Diante do momento que estamos vivendo em meio à pandemia, me chamou a atenção um poema dedicado ao microcosmo, onde ela reflete sobre a vida a partir do uso do microscópio, abrindo um novo horizonte para a humanidade. Em um momento ela se pergunta, como pode elementos invisíveis ao olho nu determinarem nossa vida e nossa morte. De fato, podemos refletir como um vírus em meio a toda a tecnologia e avanços que temos hoje desmascarou nossa fragilidade humana e nos abriu a meditar sobre a brevidade da vida e a importância das relações e do contato físico.
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Blog Aquela Epifania 27/02/2020

Uma delícia de livro.
"(...) Só o que é humano pode ser verdadeiramente estrangeiro.
O resto é bosque misto, trabalho de toupeira e vento." - Salmo, pág.153

Wislawa Szymborska foi uma poeta polonesa, falecida em 2012, que lançou, ao longo dos seus 89 anos, 12 coletâneas de poemas.

Em 1996, foi uma das poucas mulheres a receber o prêmio Nobel de Literatura.

Em "[um amor feliz]", Regina Przybycien assume, não só a tradução dos poemas, como a seleção dos mesmos e, ainda, assina um prefácio que serve como um ótimo apoio para o que vamos encontrar no conteúdo desta obra linda, editada pela Companhia das Letras.

A seleção de Regina se deu a partir de toda a obra da poeta e traz, ao final, o discurso de Wislawa no recebimento de seu Nobel. Discurso este que é uma verdadeira lição de humildade e pés no chão.

Percorrendo os poemas, que foram organizados de forma cronológica, podemos perceber a forma como Szymborska via e percebia o mundo.

Sua escrita é bastante acessível, mas nem de longe superficial. Pelo contrário, li e reli alguns poemas e, ainda assim, saí da leitura com a impressão de não ter alcançado tudo o que ela quis expressar.

Mas poesia é exatamente isso!

Este não é um livro para se ler de uma sentada só. Embora suas 327 páginas, de uma edição bilíngue, permita que isso seja feito com tranquilidade, fique certo que fará melhor proveito ao apreciá-lo aos poucos.

site: @aquelaepifania
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Naty 06/02/2017

Surpreendente!
Regina Przybycien fez uma seleção de poemas de Wislawa Szymborska. A escolha foi feita a partir de toda a obra da autora, mas, em especial, os poemas da fase inicial (dos livros de 1957, 1962 e 1967) e da final (publicados já no século XXI), além de incluir o póstumo Wystarczy (lançado em 2012) e o discurso proferido pela autora quando recebeu o prêmio Nobel.

A distribuição foi feita por ordem cronológica para dar uma ideia dos temas que a autora abordou ao longo de meio século de atividade literária. Em sua maioria, os temas são sombrios, além de usar um tom irônico para as tragédias do século, a fragilidade da vida, indiferença do universo, a incomunicabilidade entre os homens e as outras formas de vida.

Wislawa sabe ser sutil, mas, ao mesmo tempo, intensa; sabe nos fazer refletir sobre pontos que muitas vezes sequer damos credibilidade. Um exemplo claro disso é retratado em seu discurso, ela afirma que valoriza as palavras “não sei”, pois são elas que possibilitam a abertura para outros modos de ver e ser.

“[...] Pequenas, mas de asas poderosas que expandem nossa vida por espaços contidos em nós mesmos e espaços nos quais está suspensa nossa minúscula Terra. Se Isaac Newton nunca tivesse dito a si mesmo ‘não sei’, as maçãs do pomar poderiam ter caído como granizo diante de seus olhos e ele, na melhor das hipóteses, teria se abaixado para apanhar uma e comido com apetite.” (p. 325)

Fica evidente que a autora tinha interesse por ciências. Astronomia, matemática e biologia forneciam inspiração para suas criações, além de fazer o leitor refletir sobre a fantasia e os fatos da natureza, ou seja, a evolução – conforme observado por Przybycien.

Przybycien deixa claro que traduzir Szymborska é uma atividade lúdica, porém, muitas vezes um pouco sofrida e isso ocorre porque sua linguagem clara e aparentemente acessível pode ser enganosa. Para a tradutora, a dificuldade está em existir jogos de palavras tirados de expressões correntes da língua portuguesa e que poderia perder o sentido se traduzido para o nosso idioma oficial, sem contar as rimas que se perderiam.

Esse foi meu primeiro contato com Szymborska, passo inicial para que eu tenha acesso a outras obras dela. Um jeito encantador de mostrar poesia, de escrever poemas e de falar coisas tão pequenas, talvez insignificantes, mas de forma intensa e marcante. É uma autora que merece ser lida, conhecida, ainda que a pessoa não seja leitora do gênero. Não podemos nos prender ao que estamos habituados, é necessário sair da zona de conforto para conhecer outros mundos, ampliar nosso conhecimento, nosso vocabulário e divagar em dimensões que outrora não fazíamos.

Quotes:
“Nem um dia se repete,
não há duas noites iguais,
dois beijos não são idênticos,
nem dois olhares tais quais.” (p. 31)

“Jamais vou descobrir
o que A. pensava de mim.
Se B. até o fim não me perdoou.
Porque C. fingia que estava tudo bem.
Que papel teve D. no silêncio de E.
O que F. esperava, se é que esperava.
Porque G. fingia, já que sabia muito bem.
O que H. tinha a esconder.
O que I. queria acrescentar.
Se o fato de eu estar ali ao lado
teve qualquer importância
para J., para K. e para o resto do alfabeto.” (p. 237)

site: http://www.revelandosentimentos.com.br/2017/02/resenha-um-amor-feliz.html#.WJjyxjsrLIU
Marta 07/02/2017minha estante
Mesmo não lendo muito livros de poema gostei muito desse livro!!
Bjoo


Lana Wesley 07/02/2017minha estante

Tenho me interessado cada vez mais por livros de poesias, e por isso sempre que vejo algum já quero logo adquirir, e esse não foi diferente. Ainda não conhecia a obra dessa autora, e fiquei bastante cativada pelo fato de aborda a revolução da época retratada, de forma irônica para as tragedias da época, além de nos fazer refletir sobre coisas ou assuntos que não damos credibilidade.


Maria 11/02/2017minha estante
Não sou fã de poesias, dificilmente leio, devido algumas que não compreende, não sei o que o autor queria passar, mas gostei dos quotes desse, principalmente do alfabeto.


Marlene C. 04/03/2017minha estante
Oi.
Sinceramente ja vou dizendo que não curto poesias, não entra na minha cabeça frases poéticas ou complicadas, não me interessei pela obra, mas fiquei muito interessada em conferir, espero gostra.
Bjs.


Isabela | @sentencaliteraria 21/06/2017minha estante
Oi Naty ;)
Apesar de não ser acostumada a ler livros de poesia, estou me acostumando fazer mais isso.
Adorei o último poema, acho que o estilo de poesia Szymborska irá me agradar bastante, com esse jeito dela de falar sobre assuntos "pequenos", mas fazendo isso de forma intensa e marcante, como você disse.
Bjos




Rosa Santana 14/01/2018

A quem gosta de poesia (e a quem não gosta também!)
Alguns gostam de poesia

Alguns ?
quer dizer que nem todos.
Nem sequer a maior parte mas sim uma minoria.
Não contando as escolas onde se tem que,
e quanto a poetas,
dessas pessoas, em mil, haverá duas.

Gostam ?
mas gosta-se também de sopa de espaguete,
dos galanteios e da cor azul,
do velho cachecol,
brindar à nossa gente,
fazer festas ao cão.

De poesia ?
mas que é isso a poesia?
Muitas e vacilantes respostas
já foram dadas à questão.
Por mim não sei e insisto que não sei
e esta insistência é corrimão que me salva.
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Mariana Dal Chico 08/10/2019

[um amor feliz] de Wislawa Szymborska é meu segundo livro da autora, [poemas] entrou para minha lista de favoritos da vida e foi a primeira coletânea em que todos os poemas me agradaram.

O prefácio “O número Pi e a poesia” foi escrito por Regina Przybycien introduz brevemente a origem da autora, fala sobre a forma como Szymborska se interessava pelo mundo de forma ampla e não apenas antropocêntrica, a escolha dos poemas que estão no livro, a experiência de tradução e dificuldade com o jogo de palavras de expressões típicas polonesas.

A leitura me acompanhou por alguns meses, o tempo todo lutei com a ânsia de querer devorar suas palavras e a necessidade de ler com calma para degustar as poesias por mais tempo.

No final há o discurso que a poeta proferiu ao receber o Prêmio Nobel em 1996.
“E todo conhecimento que não gera em si novas perguntas logo se torna morto, perde a temperatura que sustém a vida.”

A experiência de leitura de [um amor feliz] foi maravilhosa, mas [poemas] é meu preferido.

Ainda não estou pronta para me distanciar desse livro, preciso reler mais algumas vezes meus poemas preferidos antes de colocá-lo na estante.

Merecem destaque: Riso, Monólogo para Cassandra, Decapitação, Um amor feliz, Sorrisos, O ódio (meu preferido), Poça d`água, A cortesia dos cegos, Pensamentos que me visitam nas ruas movimentadas, Divórcio, Correntes e Para meu próprio poema.


site: https://www.instagram.com/p/B3Xey6ujbaK/
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Aguinaldo 25/10/2016

um amor feliz
Da Wislawa Szymborska já li duas boas antologias de poesia, o "Poemas", lançado em 2011 pela Companhia das Letras, e o "Paisagem com grão de areia", da portuguesa Relógio D'Água. Recentemente a tradutora Regina Przybycien produziu uma seleção de poemas, desta vez reunindo cousas desde o primeiro livro publicado pela Wislawa (Wolanie do Yeti, de 1957) até o último (o póstumo Wystarczy, de 2012). São 85 poemas, retirados de onze livros (Wolanie do Yeti, 1957; Sól, 1962; Sto Pociech,1967; Wszelki Wypadek, 1972; Wielka Liczba, 1976; Ludzie na Moscie, 1986; Koniec i Poczatek, 1993; Chwila, 2002; Dwukropek, 2006; Tutaj, 2009; Wystarczy, 2012). Os temas são bastante variados. A tradutora chama a atenção pelo interesse da poeta por temas científicos, pela astronomia, matemática e biologia, mas também encontramos investigações curiosas sobre o mundo das coisas inanimadas (pedras, areia, água, terreno) e dos conceitos puros (beleza, consciência, ausência, risos, cores). E há também as relações humanas, as coisas boas e más que fazemos todos, nós homo sapiens sapiens. Não é o tipo de livro para se ler de capa a capa. Folheamos vagabundos o livro e encontramos prováveis verdades, enigmas sem solução, perguntas que se esquivam de respostas, vestígios de memórias sepultadas pelo tempo, que se metamorfosearam em algo mais puro (será isso a poesia?). A poeta se orgulha de ser mulher, num mundo misógino e duro; controla a ironia que verte em gotas nos olhos do leitor. O livro inclui também o curto discurso de aceitação do prêmio Nobel de literatura de 1996, onde ela louva a potência infinita que guardam duas palavras que todos deveríamos prezar: "não sei". Grande poeta. Evoé Szymborska, evoé.
[início: 23/09/2016 - fim: 18/10/2016]
"Um amor feliz", Wislawa Szymborska, tradução de Regina Przybycien, São Paulo: editora Companhia das Letras (1a. edição) 2016, brochura 14x21, 327 págs. ISBN: 978-85-359-2788-7 [edição original: The Wislawa Szymborska Foundation]

site: http://guinamedici.blogspot.com.br/2016/10/um-amor-feliz.html
Daniel 15/12/2016minha estante
Se eu tivesse que indicar, gostei mais do livro "Poemas", o primeiro dela que foi lançado aqui no Brasil. Mas este também tem coisas tão lindas... Só "A Cortesia dos cegos" já vale o volume




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Julyana 03/10/2016

Achei o primeiro volume melhor, mas que bom que temos mais poemas dela traduzidos por aqui.

:)
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Priscila (@priafonsinha) 20/03/2017

Belíssimo livro!
"Nada acontece duas vezes
nem acontecerá. Eis nossa sina.
Nascemos sem prática
e morremos sem rotina.
(...)
Nem um dia se repete,
não há duas noites iguais,
dois beijos não são idênticos,
nem dois olhares tais quais."

Poemas que enchem o coração, nos sentimos abraçados por suas palavras. Uma coletânea sobre diversos assuntos escritos entre 1957 e 2012. Wislawa, quando ganhou o Nobel de literatura, ficou conhecida como a "Mozart da poesia".
Ao ler parece que estamos conversando com uma amiga íntima. Para quem gosta de poesia é um deleite.

"Um amor feliz. Isso é normal,
isso é sério, isso é útil?
O que o mundo ganha com dois seres
que não veem o mundo?"
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Mari 26/12/2017

O mundo precisa ler essa mulher
Com a Wislawa, eu me lembrei o porquê de escrever. Em vez dela se jogar em um pedestal ao ganhar o prêmio Nobel, ela magnificamente nos conta que as incertezas nunca vão embora. Que não somos melhores do que o leão, antílope ou até os seres microscópicos. A maravilha que Wislawa via nunca foi a gente, foi a vida em si. Foi saber que todos os dias vão ser novos, a combinação de cada partícula podia ser transformada em poesia. Nenhum escritor tem uma total certeza e é isso que torna cada nova página um desafio. Ela não é prepotente, porque sabe que se fosse, seria o seu fim. Todos os poemas dessa mulher foram deliciosos por essa visão incrível de estrutura. Uma inspiração e um prazer ler este livro.
Leonardo 25/12/2018minha estante
Foi uma agradável surpresa conhecer os poemas da Wislawa. Realmente uma poeta incrível!




Isotilia 29/07/2019

Amei!
Amei. Confira alguns trechinhos no blog.

site: https://600livros.blogspot.com/2019/07/o-odio-wislawa-szymborska.html
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Vorspier 29/02/2020

Não sou de ler obras de poesia, sou mais prosa mesmo. Mas depois de ter lido várias opiniões favoráveis a este livro, decidi comprá-lo e colocá-lo na meta de leitura. Amei várias poesias da Szymborska, como Riso, Um Amor Feliz, Salmos, Visto do Alto, Sobre a morte sem exagero, Cálculo Elegíaco, o Silêncio das plantas, Fotografia de 11 de setembro, Bagagem de volta, Divórcio e Consolação.
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