Filoctetes

Filoctetes Sófocles




Resenhas - Filoctetes


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Kenny 28/06/2020

Confesso que me desapontei um pouco com essa história. Achei bastante monótona e os personagens não conseguiram me cativar o suficiente.
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Mario Miranda 20/02/2020

Homem versus Mundo
Sófocles foi o mais prolífico dos escritores de tragédias gregas: 123 peças, das quais apenas 07 chegaram até nós. Tendo falecido com 91 anos, foi o maior vencedor das Dionisíacas, com 24 concursos vencidos. Filoctetes é sua penúltima tragédia escrita, quando já contava com mais de 85 anos.

Filoctetes é uma Tragédia distinta da concepção tradicional da palavra: não há um fato trágico em si. A obra, que em muito mais se assemelharia a um Drama no sentido contemporâneo, narra a história do personagem-título que, indo à Guerra de Tróia, compunha o exército de Odisseu, Agamenon e Menelau. Durante a viagem a Tróia, ele é abandonado sozinho em uma ilha após ter sido picada por uma cobra enquanto os Gregos tencionavam prestar homenagens a uma deusa local.

Tendo habitado a ilha por 10 anos, Odisseu retorna para salvá-lo para que este os auxilie na guerra de Tróia, após a morte de Aquiles. A importância de Filoctetes se dá pelo seu Arco, legado por Hércules instantes antes de sua morte. O ardil de Odisseu para recuperar Filoctetes consta em usar o filho de Aquiles, Neoptólemo, que deveria aliciar Filoctetes para que este se junte ao exército grego contra os Troianos.

Filoctetes é um exemplo – nos moldes gregos – de pessoa: reto, íntegro, que não abandona os seus ideias independente das promessas realizadas. É um Robinson Crusoé da antiguidade, que viveu de maneira autônoma ao longo de anos. Filoctetes representa o conceito do Realismo contemporâneo, do Homem versus Sociedade, daquele que confronta tudo e a todos por sua crença (aqui se assemelhando muito a “Um inimigo do Povo”, de Henrik Ibsen).

Ao contrário de algumas críticas, achei este texto menos complexo que demais obras traduzidas por Trajano Oliveira. Apesar de ser uma Tragédia relativamente menos conhecida que as demais escritas pelo autor, serve como conexão para melhor compreensão da Guerra de Tróia e do universo Homérico.


site: https://www.instagram.com/marioacmiranda/?hl=pt-br
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Ale 12/03/2017

A cura grega
A história retrata a tragédia de Filoctetes, arqueiro deixado em uma ilha deserta por seus companheiros em razão de ter adquirido uma "doença", uma perna fétida e pustulenta acompanhada de gritos lacerantes. O livro em si trata desde a chegada de Odisseu e Neoptólemo na lha até a partida.

O arqueiro deixado por sua condição, Filoctetes, dispensado pelos atridas, jogado em uma ilha por não ser suportável acaba sendo indispensável. O feio, o sujo, a doença acaba sendo indispensável. Brilhante, se me perguntarem. Ora, é natural que despojemos aquilo que nos é nauseante, insuportável, que não vemos utilidade, mas e se isto fizer parte da equação final? Após nossos protestos e nossa aceitação, como fazer o rejeitado ajudar? Fazê-lo passar por processo semelhante? Se for Filoctetes, só alguém que consiga ver nele um homem e não o respingo de um vaticínio.

Ao reprimir uma ideia, esta não deixa de existir, como Filoctetes, mas aumenta e aumenta e torna-se perigosa. A repressão já é evidência que ela é perigosa, mas ao trancá-la ela não fica melhor. Para acessá-la, pode-se utilizar os ardis, mas só olhando-a de frente e aceitando-a como parte de si é que ela se mostrará à luz, inofensiva. Até podemos tentar, como Odisseu o fez, tomar o arco e deixar aquele que o carrega: pegar só aquilo que é bom e deixar o podre para trás, mas isso não é possível, porque o bom e o podre andam juntos e são indissociáveis, como Filoctetes e seu arco. Só Neoptólemo, tratando-o como igual, que pode entrar na alma tão protegida de impassividade de Filoctetes.

Ele, claro, é extremamente inflexível. É diametralmente contrário a Odisseu, que se molda a cada situação. Filoctetes prefere morrer de fome numa ilha deserta, mitigado por uma doença terrível, recusando a cura e a vida heroica, para defender suas convicções. São assim as ideias reprimidas, tão difíceis de trazer à luz, farão de tudo para ficar lá, pois assim é mais confortável. Assim o é para Filoctetes, pois teria que se deparar novamente com Agamenon e os aqueus e enfrentar essa situação de frente. Muito difícil. Acredito sim que haja o ponto do conforto em não renunciar à mágoa, pois para isso é preciso muita coragem. Aquiles viveu algo parecido, e só algo muito forte foi capaz de lhe convencer, assim como a Filoctetes.

Falando nisso, a mudança do Aquileu é surpreendente. No começo, obedecia a, como se fosse, uma obrigação civil, uma obrigação de obediência a Odisseu, que é uma força oposta a Filoctetes. Este, em contato com o filho de Aquiles, aplica-lhe força contrária, obrigando-o a tomar uma decisão moral, uma decisão que representa qual caminho moral ele tomará dali para frente. Tomando partido de ambos, diria eu, tomou Filoctetes como herói e homem como os demais, sem olvidar o vaticínio troiano, convencendo-lhe a ir combater e saquear Ílion, mas ouvindo sua tragédia e dando-lhe créditos. Um verdadeiro magistrado.

Trata-se de livro em forma de teatro, podendo incomodar aqueles que não se identificam com essa forma. Não é uma leitura das mais fáceis (pelo menos nesta edição), mas é bastante curta, contabilizando 1470 versos. Para os apaixonados pela guerra de Troia, livro mais que recomendado.
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Aguinaldo 30/01/2012

Filoctetes
Filoctetes (Φιλοkτήτης) é uma peça que tem 2.500 anos e ainda é capaz de impressionar um sujeito. Este livro publicado recentemente pela editora 34 é verdadeiramente completo. Além da peça de Sófocles (em edição bilíngue) encontramos caudalosas notas, sugestões bibliográficas e um generoso posfácio assinado pelo tradutor, Trajano Vieira. Além disto encontramos a reprodução de um poderoso ensaio de Edmundo Wilson, um crítico norte-americano (de quem me lembro ter lido com prazer "Memórias do condado Hecate", mas esta é outra história). Lendo o livro aprendi que os três grandes poetas trágicos da literatura grega clássica (Ésquilo, Eurípides e Sófocles) produziram versões da história de Filoctetes. As versões de Ésquilo e Eurípides se perderam na poeira do tempo. Já a versão de Sófocles sobreviveu aos perigos e chegou até nós (curiosamente uma das solitárias 7 dentre as 123 peças que ele teria escrito). Aqueles familiarizados com os mitos gregos hão de lembrar da menção ao herói grego que fora picado por uma cobra e abandonado pelos colegas em uma ilha deserta. Após dez anos de infrutífero cerco, a queda de Tróia necessariamente depende da volta deste sujeito à frente de batalha, empunhando a arma (um arco invencível) que um dia pertenceu ao poderoso Hércules. A peça se inicia com as instruções que Odisseu (Ulysses) dá a Neoptólemo (filho de Aquiles), com o intuito de resgatar as armas invencíveis de Filoctetes. Odisseu fora um dos responsáveis pelo abandono deste e na prática pretende enganá-lo uma vez mais e apoderar-se das armas. Ele convence Neoptólemo da necessidade deste subterfúgio, fazendo-o mentir, dizendo-se perseguido pelos irmãos Agamemnon e Menelau que, conjuntamente com Odisseu, aprisionaram Filoctetes na ilha. Aliviado, inicialmente Filoctetes fica feliz em poder voltar a sua cidade, mas quando descobre que o plano é levá-lo à força até Tróia ele se revolta e não aceita mais sair da ilha, resignando-se a continuar ali em seu imerecido sofrimento. Odisseu ainda tenta convencer Neoptólemo a ficar apenas com as armas de Filoctetes e rumarem para Tróia, mas este - mostrando-se valoroso e digno - tenta uma vez mais convencer Filoctetes da necessidade de sua volta ao convívio dos aqueus, apesar da traição e dos sofrimentos que padeceu. A peça se resolve através daquele procedimento conhecido como "deus ex machina", muito utilizado no teatro grego, no qual, de forma deliberadamente artificial, um personagem (no caso o próprio deus Hércules, dono original das armas invencíveis de Filoctetes) é introduzido na trama para resolver a situação. Hércules convence Filoctetes a voltar a guerra e ajudar os gregos a derrotar os troianos. No início a leitura é penosa, mas aos poucos nos acostumamos com o ritmo. É um texto bastante interessante. Gostaria de ter a chance de vê-lo representado um dia. [início 11/12/2009 - fim 22/12/2009]
"Filoctetes", Sófocles, tradução de Trajano Vieira, editora 34, 1a. edição (2009), brochura 14x21 cm, 216 págs. ISBN: 978-85-7326-417-3
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