Como Ser As Duas Coisas

Como Ser As Duas Coisas Ali Smith




Resenhas - Como Ser As Duas Coisas


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Camila Faria 19/01/2018

De um lado: George, uma adolescente de 16 anos que viaja com a mãe para Ferrara, na Itália, para ver os afrescos do pintor renascentista Francesco del Cossa. Do outro: o próprio Francesco, imaginado pela autora como uma menina, que assume a identidade masculina para desenvolver melhor o seu talento no século XV. Uma história espelhada, de duplos, em que gênero, realidade e ficção se dissovem e se misturam. Difícil explicar o jogo genial que Ali Smith criou, histórias originais permeadas pelo universo da arte e do luto, que se conectam e se completam. O livro pode ser lido de duas formas: metade da tiragem começa com a narrativa OLHOS e a outra metade começa com a narrativa CÂMERA. Os livros foram encadernados intencionalmente das duas formas, para que os leitores tenham aleatoriamente experiências diferentes, lendo o mesmo livro. Gostei muito e pretendo ler outros livros da autora escocesa.

site: http://naomemandeflores.com/os-quatro-ultimos-livros-18/
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Ana Aymoré 24/02/2019

Irredutível
Toda boa história deve ser - parafraseando Alice Munro com uma boa dose de liberdade - pelo menos duas histórias. Sob a superfície do texto sempre há outras narrativas que se insinuam. Como ser as duas coisas - o primeiro livro da Ali Smith que eu li, e que me abriu as portas para seu fascinante puzzle literário - opera essa passagem entre a escritura e seu outro lado de forma difícil de descrever numa resenha de dimensões tão reduzidas. Mas vamos lá:
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O romance é composto de duas partes denominadas "um", encadernadas aleatoriamente, portanto intercambiáveis. Como ser as duas coisas: no presente e no passado, prospectiva ou retrospectivamente, histórias que se conectam através da perenidade da pintura. Mas não é só isso.
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As personagens carregam em si o seu duplo, que se rebate sob o fundo da ambiguidade ou da transição de gênero. Como ser as duas coisas: George/Georgie, a adolescente andrógina e voluntariosa; Francesco del Cossa, o pintor de afrescos do Renascimento que Smith imagina como nascido menina e transmasculinizado-se de modo a realizar, numa sociedade misógina, seu talento artístico. Sendo que ambos/as são também, por sua vez, duplo um/a do/a outro/a. Mas não é só isso.
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Um livro composto como um afresco, tinta que (mal) encobre a cal viva entrevista sob as ranhuras. Como ser as duas coisas: esse livro-afresco é como o corpo do sátiro Mársias, marcado pela transgressão, e cuja sina é justamente a pele esfolada, a carne dolorosamente exposta à crueldade do mundo. Mas não é só isso.
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Olhar com ambos os olhos, ou seja, olhar em perspectiva para realmente ver. Como ser as duas coisas: com os olhos fora da cara, como pétalas que podem, se quisermos, testemunhar uma verdade superior. Como o duplo ramo de Santa Lucia. Mas não é só isso.
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O mistério que reside em cada vida, que nunca se explica ou se desvenda ou (mesmo através do voyeurismo explícito da leitura) se monitora. Ou se minotaura, como diria Georgie.
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Mas não é só isso. É, acima de tudo, incrivelmente belo. E irredutível a um, apenas.
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RafaCarta 04/03/2020

Cansativo e complexo.
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