A Trégua

A Trégua
4.31482 702




Resenhas - A Trégua


68 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5


Henrique 14/03/2016

Belo
Esse é um livro que trata da vida. Da vida em sua perspectiva mais cotidiana, em seus aspectos mais elementares. Porém engana-se quem pensa que pelo fato de o objeto da narrativa ser corriqueiro ele não é rico e belo. Ora, o autor nos brinda com o diário de Martín Santomé, um homem de meia idade, prestes a se aposentar, viúvo, três filhos. Que será que esse homem tem a nos dizer? Por que "trégua"? Foram essas perguntas que me fiz antes de ser levado a ler o diário de Santomé. Um relato delicioso a respeito de uma forma de lidar com a vida - família, trabalho, amigos, colegas, amores. Um relato comovente a respeito da importância de nos conceder e permitir viver a trégua.
Edu 14/03/2016minha estante
bela resenha. também fui muito tocado por este belo livro ^^


Fernando 10/04/2016minha estante
Estou com esse aqui e deverá ser um dos próximos. Que bom que vc gostou! Me anima mais ainda!!!! Abraço


Fernando 04/05/2016minha estante
Sensacional né?




Edu 28/01/2016

uma trégua no inverno da alma de martín santomé

martín santomé é funcionário de um enfadonho escritório de contabilidade. na aurora dos 50 anos e prestes a se aposentar, ele é, à primeira vista, o próprio clichê do homem de meia idade insípido e opaco (e meio preconceituoso!), de rotina sem maiores relevos. "a trégua" é o diário de santomé durante o ano que antecede sua aposentadoria. já nas páginas iniciais fica claro que, a despeito das aparências, santomé é uma figura interessantíssima, muito mordaz, em cujo interior borbulha um ferino senso crítico, mas sobreposto a um fundo melancólico.

pai de 3 filhos e viúvo desde os 28 anos, ele escreve que "(...) todo o mecanismo dos meus sentimentos ficou retido há vinte anos, quando isabel morreu. primeiro foi a dor, depois indiferença, mais tarde liberdade, ultimamente tédio. longo, deserto, invariável tédio (...)". mas ele teve o mérito de conseguir tocar o barco, pois "(...) seguir adiante com meus filhos era uma obrigação, o único escape para que a sociedade não me encarasse e me dedicasse o olhar inexorável que se reserva aos pais desalmados. não havia outra solução, e eu segui adiante. mas tudo foi sempre por demais obrigatório para que pudesse me sentir feliz (...)".

é nesse cenário sentimental árido que aparece laura avellaneda, funcionária nova do escritório, na casa dos 20 anos, e faz soar o sino no coração de santomé. a chegada de avellaneda traz-lhe uma trégua dessa vida cinzenta, fazendo-o redescobrir, não sem estranheza, o amor. em paralelo, santomé nos expõe sua dúvida oscilante entre se aposentar de vez ou postergar o "Ócio Infinito", suas auto-avaliações terrivelmente sinceras acerca do envelhecimento de seu próprio corpo, além de sua relação agridoce com os filhos. são ainda impagáveis as reflexões que ele faz sobre aspectos diversos da vida -- amizades, religião, honestidade.

na relação de martín com os colegas, por exemplo, o distanciamento é evidente:
"(...) nos escritórios não existem amigos; existem sujeitos que a gente vê todos os dias, que se enfurecem juntos ou separados, fazem piadas e se divertem com elas, que trocam suas queixas e transmitem seus rancores, que reclamam da diretoria em geral e adulam os diretores em particular. isso se chama convivência, mas só por miragem a convivência pode chegar a parecer-se com amizade (...)".

suas elucubrações religiosas são, no mínimo, provocantes:
"(...) francamente não sei se creio em deus. às vezes, imagino que, no caso de existir deus, esta dúvida não o desgostaria. na verdade, os elementos que ele (ou Ele?) mesmo nos deu (raciocínio, sensibilidade, intuição) não são em absoluto suficientes para nos garantir nem sua existência nem sua não-existência (...)"

e muitas de suas colocações sobre corrupção são absolutamente atemporais (e transfronteiriças, diga-se de passagem):
"(...) na realidade, o suborno sempre existiu, a acomodação também, os corruptos também. o que está pior então? depois de muito espremer, cheguei à convicção de que o que está pior é a resignação. (...) mas a resignação não é toda a verdade. no princípio foi a resignação; depois, o abandono do escrúpulo; mais tarde, a conivência. Foi um ex-resignado que pronunciou a célebre frase: 'se os de cima roubam, eu também quero'(...)"

... em "a trégua", o uruguaio mario benedetti consegue esboçar com sutileza e clareza, nas entrelinhas, o íntimo de um homem tão comum, tão HUMANO, tão acostumado com a ausência da felicidade, que não sabe direito o que fazer com ela quando ela enfim se insinua. não é difícil se reconhecer um pouco no protagonista -- meio ranzinza, meio carente, meio desastrado, mas de coração fundamentalmente bom. acho que essa ressonância contribui muito para tornar esse pequeno livro tão gostoso, um dos mais tocantes que eu li nesses últimos tempos.

Fernando 23/04/2016minha estante
Resenha excelente Edu! Eu acabo de ler o livro ( por sua indicação) e quero lhe agradecer muito! Estou chocado com a sutileza do livro, pelas inúmeras questões de vida com as quais o autor nos instiga a pensar,e com a beleza do amor! Acho que vou demorar a me desvencilhar deste livro. Estou em choque! Obrigado!




José Eduardo 09/01/2016

COISAS DA VIDA
Um homem de quase 50 anos, viúvo desde os 30 anos, cria seus três filhos e vai se preparando para se aposentar. Um novo amor surge na sua vida, porém surpresas atravessam seu caminho.
comentários(0)comente



Dayse 08/01/2016

Impactante!
A leitura deste livro de Benedetti, escrito no final da década de 1950, deixou comigo uma questão fundamental ainda nos dias de hoje: para que nos serve o ócio? A história, contada por meio das anotações diárias de seu narrador, Martín S, nos dá a ilusão de ser tecida em torno do romance que se estabelece entre ele - um viúvo, pai de três filhos adultos, às vésperas dos 50 anos e da aposentadoria - e sua colega de trabalho - no setor de contabilidade de uma empresa -, Laura Avellaneda, muitos anos mais jovem.

A trama, no entanto, é apenas um pretexto para reflexão sobre a passagem do tempo e como ela conduz nossos sonhos, expectativas e necessidades. Texto magistral.
comentários(0)comente



Erika 02/01/2016

Solidão em grau máximo
Eu fiquei sem palavras ao terminar esse livro; o coração num aperto dolorido.
Acredito que envelhecer e ser só (não necessariamente nessa ordem) são dois dos mais fortes receios humanos e Benedetti, na simplicidade de um diário escrito por um homem às vésperas de completar 50 anos e se aposentar, nos bombardeia de emoções.
É inacreditável a sutileza e destreza com que o autor cria um Santomé tão complexo em uma rotina tão sem "vida".
É triste, poético e lindíssimo.
comentários(0)comente



Amâncio Siqueir 23/12/2015

Memórias sentimentais de Martín Santomé
Em A Trégua Mario Benedetti nos permite acesso ao diário de Martín Santomé, funcionário do setor de contabilidade de uma empresa de peças, viúvo, solitário pai de três filhos cuja maior ambição é aposentar-se agora que chega aos cinquenta.
Através da ótica do mais comum dos homens, em meio ao Uruguai de meados do século vinte, o leitor percebe como a vida de cada passante pode ser prenhe de fatos fascinantes em meio ao aparente despropósito e tédio da vida.
Tédio esse que será abalado pela chegada da funcionária Avellaneda, que passa a mexer em sentimentos que Santomé imaginava enterrados com sua esposa falecida há vinte anos.
Às preocupações de cunho existencial somam-se outras mais práticas, como o medo de ser chifrado por uma mulher muito mais jovem e a busca por uma reaproximação com os filhos. E, é claro, a pergunta que permeia toda a narrativa: o que fazer com o ócio?
comentários(0)comente



Marquesca 23/11/2015

Recomendo. Sem erro.
Amamos aquilo que amamos.
Um livro que mostra que mesmo aos 50, 60 anos, ainda é tempo de mudar, de ser feliz (ou tentar), de arriscar, de se arrepender, de se perdoar, de amar - sobretudo de amar.
A Trégua é declaradamente uma história de amor. Mas ao mesmo tempo, é muito mais que isso. É uma busca, uma redenção, uma dor, é um entendimento sob si próprio sob a luz da ironia. A angústia de Martin nos angustia, a sua felicidade nos faz felizes, tal a capacidade de Mario Benedetti explorar os sentimentos da gente.
Não conheci as obras do Benedetti, mas simplesmente fiquei encanta com esse livro.
comentários(0)comente



ENAVARRO 17/09/2015

A trégua
Além de ser uma bela história, o livro é capaz de nos levar a certas reflexões. Muitas vezes o autor deixa a trama pessoal de Martín Santomé de lado para que, através dos olhos dessa personagem, possa divagar sobre particularidades do comportamento humano, muitas vezes inconsequente, cruel, hipócrita e acima de tudo, complexo.
comentários(0)comente



Lilian 07/09/2015

Merece ser lido e re-lido
A história é contada na forma de diário, sob o ponto de vista de Martín Santomé, um senhor há muitos anos viúvo, com três filhos (com os quais não se relaciona bem) e que está prestes a se aposentar. A impressão que se tem é que Martin é um senhor de bom coração, mas bastante melancólico e frustrado por não ter ousado nas escolhas que realizou pela vida. Na primeira metade do livro, Martín conta sobre sua rotina no escritório e com os filhos e compartilha suas opiniões sobre diversos assuntos (amor, morte, luto, solidão) enquanto tenta planejar o que fará após a aposentadoria. Em um determinado momento, Martín se pergunta se estará 'ressequido' para o amor... e na segundo metade do livro descobriremos a resposta para esta dúvida. A narrativa é deliciosa, irônica e muitas vezes ácida. Vale a pena ler duas vezes, pois na segunda leitura, já sabendo da história, podemos saborear lentamente cada parágrafo deste texto genial.
comentários(0)comente



Gui 19/04/2015

"A sordidez do conteúdo desses dias maquinais" Sergio Sampaio
O livro me olhou com olhinhos de mendigo. Creio que quem lê entenderá essa metáfora. Resolvi dar uma chance e valorizar-lhe a coragem, já que ele se colocava à prova tão destemidamente.

Fiquei encantado com Matín Santomé, personagem central e narrador do romance, que é feito em forma de diário escrito pelo próprio Martín. Creio que todo leitor gosta de imaginar que os personagens mais queridos realmente existem em algum plano. Eu sou assim. Achei Martín muito simpático e bastante sofrido (sempre tenho um carinho especial pelos sofridos). Espero que ele esteja por aí em algum lugar.

O diário nos dá a dimensão do peso da rotina vivida por esse homem de "meia idade", perto dos 50 que está prestes a se aposentar e sente um misto de expectativa e desespero ante a possibilidade do ócio. O que fazer com o tempo que ele finalmente possuirá para si?

Ele fala com muita sinceridade no diário, como poucas pessoas ousam falar para si mesmas. A família aparece aos poucos, vai sendo pintada devagar. Ele possui três filhos mas não sabe lidar com a distância deles. Sente a ânsia de comunicação, mas percebe que o tempo para fazê-lo já se foi. Sua oportunidade passou há muito. Teve de criá-los a maior parte do tempo sozinho, porque a esposa morre logo quando o terceiro filho nasce.

A esposa ocupa um lugar especial porque ele luta para reter consigo uma lembrança dela que não pertença a mais ninguém. Parece que tudo o que lembra dela é pastiche de lembranças dos outros, como se ele fosse um artista ladrão de obras alheias. A única memória que lhe resta é a tátil. Lembra do que toque em sua pele, em suas coxas, mas não é capaz de lembrar seu rosto. Os filhos parecem lutar igualmente com as lembranças. Em uma passagem muito bonita, Blanca, a filha, diz à mesa de jantar: "às vezes me sinto infeliz, só por não saber do que tenho saudade". Sofre por não se lembrar.

A rotina já pesa muito quando aparece no escritório uma mulher que vai mudar a vida de Martín. Uma mulher muito comum, que aos poucos vai se destacando dos demais comuns à volta, como sempre acontece quando gostamos de alguém, pois o sentimento é sempre construído. Essa mulher vai aos poucos dando cor ao cotidiano que estava cada vez mais cinza. Ele começa a repensar suas idéias em relação à família e a deus, com quem sempre teve uma relação conflituosa.

site: http://cronicasentrelinhas.blogspot.com.br/2015/03/a-tregua-mario-benedetti.html
comentários(0)comente



Taís 14/04/2015

Ruim
Que livro tedioso. Li correndo com as palavras, um velho besta falando de suas taras com uma novinha, meu cu que isso fascina.
comentários(0)comente



Geovanna Ferreira 01/08/2014

Elegante sutileza.
A trégua é uma obra breve, enxuta e acima de tudo, sutil. Com poucas palavras, diz muito. Envolve o leitor com a mais bela ternura que brota da narrativa sólida, longe de pieguismo e ainda assim, dócil. A partir da sutileza, o autor também nos leva a um abismo,abismo da dor, do envelhecimento, das incertezas da vida, das angústias do amor. Livrinho despretensioso de uma profundidade heróica.
comentários(0)comente



Bia 30/07/2014

amor não tem idade
uma linda história de amor entre um coroa e uma linda jovem,para quebrar essa barreira de preconceito,e acreditar que o amor não tem idade e que a vida nos reserva muitas surpresas e que nem tudo termina com um final feliz.
comentários(0)comente



Gláucia 11/06/2014

A Trégua - Mario Benedetti
Martín Santomé nos conta sua história sob a forma de um diário, cuja ação se passa em Montevidéu nos anos 50. A alguns meses de sua aposentadoria, repassa sua vida desde a viuvez precoce, a criação de seus filhos e o relacionamento que mantem com os três e, principalmente, a preocupação sobre o que fará com seu tempo livre.
O livro tem um ótimo ritmo e o protagonista possui um peculiar senso de humor amargo e pessimista que me fez lembrar em alguns trechos os famosos personagens machadianos.
Gostei sobretudo da primeira metade do livro; após isso há uma mudança no tom e no espírito do personagem por conta de algo novo que surge em sua vida. O desfecho ocorre repentinamente e me pegou totalmente de surpresa, não imaginei aquele final.
Até quase o final não sabia o motivo do livro se chamar A Trégua e esse é o grande diferencial dessa história, simples porém com esse toque de "maldade" que me emocionou profundamente.

site: https://www.youtube.com/watch?v=Q3LHxUR-6_E
Gláucia 15/06/2014minha estante
Obrigada Camila. Essa sacada foi genial!




Stinson 11/06/2014

Indico a quem precisa encontrar respostas sobre si. Livro encantador.
comentários(0)comente



68 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5