Pedagogia da Indignação

Pedagogia da Indignação Paulo Freire




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André Lisboa 13/08/2020

Paulo Freire: uma vida pela educação
Paulo Freire tem um gabarito inestimável para a filosofia da educação. Suas obras são agraciadas e estudadas por pessoas de todo o mundo. Um pensador da América Latina, do amor à educação e da indignação ante as injustiças sociais. Como um pensador atuante, Paulo Freire é sinônimo de amor, respeito e dedicação às causas sociais, e fundamentalmente a educação com objeto de conscientização e autonomia das pessoas. Sua concepção de educação é voltada ideia de possibilidade: “O amanhã não está determinado. O amanhã é uma possibilidade.” É contra a ideia histórica determinista que o Paulo freire desenvolve seus pensamentos sobre práticas pedagógicas. É a favor da possibilidade, do caráter transformador da consciência histórica que Paulo Freire enfaticamente discorre e defende nos escritos desse livro.

Uma última coletânea formada por cartas e outros escritos de Paulo Freire, pouco antes de seu falecimento, em maio de 1997, “Pedagogia da Indignação: cartas pedagógicas e outros escritos” foi um livro organizado pela esposa de Paulo Freire, Ana Maria de Araújo Freire e publicado em 2000. Basicamente constituído a partir das cartas manuscritas deixadas por Paulo, este livro se tornou fundamental para quem estuda a obra freireana, por conter as últimas reflexões de um homem que dedicou a sua vida pela valorização da educação. Estes escritos de valor inestimável configuram-se de um compendio de grande importância, na medida em que se articulam como forma de abordagem de vários temas, não só a educação, mas temas que estão conectados ao pensamento educacional. Paulo Freire acreditava que a educação era instrumento humanizador de caráter prático. A transformação através da educação é difícil, mas não impossível. Se sonhar com justiça social, praticas educativas humanizadoras é uma utopia, Paulo abraça essa utopia como força motora, como práxis pedagógica e de vida.

Advertindo sobre do pragmatismo, Paulo Freire mostra que a a educação não uma mera questão de técnica, que estava propensa a transformar a vida educacional e social dos seres humanos em técnicas imediatistas, em operações mecânicas. Ele via na educação como um saber em transformação contínua, como um conjunto de forças que nos levam a compreensão e a autonomia, ao pleno exercício da liberdade individual e a consciência dos homens para agir em prol de uma transformação social.

A ação e a ética que são genuinamente humanas são frutos de sentimentos contraditórios: o amor e a indignação. Se eu amo as pessoas e o mundo, tenho o direito de advertir e apontar os erros, pois é da indignação, da raiva justa ante as desigualdades e crueldades de um sistema liberal que acentua as diferenças sociais, num projeto de Estado que asfixia a liberdade dos mais pobres, que eu tiro as forças para tentar mudar. “Se amo algo, eu não escondo os erros daquilo que amo.” Advirto-os, exercitando o caráter pedagógico porque acredito num mundo diferente, mais justo, mais igualitário, mais respeitoso, mais fraterno e humanitário. O exercício da pedagogia é fruto de trabalho árduo, de dedicação, de amor. Paulo emociona nas suas últimas cartas. Fala para os jovens professores, para os mais humildes, para os pais, os alunos e os educadores. O pensamento de Paulo Freire é eterno, pois continuará ecoando e servindo como exemplo de prática pedagógica mais humana, mais social e de conscientização sobre as injustiças, enfatizando o caráter transformador da educação e a possibilidade de um mundo mais justo.
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