Ultra Carnem

Ultra Carnem Cesar Bravo




Resenhas - Ultra Carnem


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Raquel Moritz 12/11/2016

Um banquete completo
Este livro contém: criança chamado a mãe do outro de puta, freira se benzendo pq ficou bolada com arte cigana, gente questionando fé, diálogos maravilhosos entre padres e pessoas descrentes, corpos carbonizados, tragédias, capeta assombrando o povo, Lúcifer se passando por humano e muito mais.

O curioso é que, ainda que tenha suas partes mais ~porrada, Ultra Carnem é um livro cheio de sutileza nos diálogos, nas ações e nas escolhas. Principalmente nas escolhas - César Bravo soube temperar esse prato muito bem. O banquete está servido.
Benny Carvalho 12/11/2016minha estante
Gente curiosidade à mil aqui já


Raquel Moritz 12/11/2016minha estante
=DDD


Alex.Fernandes 14/11/2016minha estante
bacana... Parece um "Hellblazer versão livro". São quantos contos?


Cesar Bravo 25/11/2016minha estante
Ei, Rachel! Muito obrigado por sua opinião sobre Ultra Carnem. Adorei cada linha. Realmente o livro é uma porrada (cheia de sutilezas nas entrelinhas). Abração!


Ayslan.Melo 14/02/2017minha estante
Caramba, deu muita vontade de ler!! Vi no Pipoca e Nanquim no Youtube e essa descrição, deu ainda mais vontade!!




Weslley Machado 01/12/2016

O petardo que faltava para a literatura de terror nacional
Cá estou eu novamente, dessa vez com a responsabilidade de escrever algo que faça jus a experiência que tive ao ler Ultra Carnem, de Cesar Bravo. Como falar sobre uma obra-prima? Como acrescentar alguma coisa a algo que fala por si só? Essas são algumas das dificuldades que encontro nesse exato momento por tentar escrever a respeito de um grande livro, mas é com enorme prazer que eu me proponho a encontrar um caminho para transportar as sensações que carrego comigo. A partir de agora, escrevo e torço para que minhas palavras sejam claras o suficiente. Espero traduzir aqui todo o meu carinho e admiração pela obra em questão e, quem sabe assim, incentivar mais alguém a ter essa experiência única.

Sinto que devo começar citando outro livro que ocupa uma posição de destaque entre os meus favoritos para que assim eu consiga explicar sobre o que se trata Ultra Carnem um pouco melhor. Coisa rápida. Além da Carne – livro que vocês já me viram comentar mais de uma vez por aqui – é uma peça fundamental para que hoje eu esteja comentando sobre Ultra Carnem, pois foi através dele que eu conheci o Cesar Bravo e também foi a partir dele que o autor teve o ponto de partida para seu novo livro. Ultra Carnem é uma espécie de expansão da mitologia sinistra de Além da Carne, um avanço daquilo que era até então a obra mais conhecida do mestre do terror nacional. Com isso, chego a uma pergunta que é feita pela maioria dos leitores que estão começando a ter contato com a obra do Cesar Bravo agora: posso ler Ultra Carnem sem ter lido Além da Carne? A resposta é sim, dá para ler tranquilamente. Embora existam ligações entre os livros, Ultra Carnem se garante sozinho. Agora, se você quer ampliar a sua experiência, leia ambos (mas não tenha receio de começar pelo Ultra Carnem).

Agora eu chego ao momento mais importante, aquele em que posso falar sobre um livro que esperei durante tanto tempo e que me conquistou em questão de segundos. E acredite que, quando digo segundos, não estou exagerando. Ultra Carnem foi capaz de me conquistar logo na primeira página, quando uma história envolvendo um menino cigano chamado Wladimir Lester começa a se insinuar. Não vou contar sobre essa ou outra história – no total, o livro é dividido em quatro partes –, mas quero deixar um aviso para quem está prestes a se arriscar por essas páginas: todas as histórias, sem exceção, são perturbadoras; cada uma com suas peculiaridades, mas todas completamente insanas. Sendo assim, esteja preparado para lidar com um livro extremamente forte. Ultra Carnem não trabalha com o meio termo, suas páginas são densas e carregadas de um conteúdo para pessoas de estômago forte, pessoas dispostas a conhecer e sentir o que histórias pesadas podem oferecer. O que me fez gostar tão facilmente do livro foi justamente essa questão do 8 ou 80, pois assim como em outras obras do autor, Ultra Carnem funciona para quem quer ter uma experiência completa. Nada de moderação, Cesar Bravo conhece seu público e sabe o que o mesmo espera quando o assunto é terror. Mas eu estou me apressando, ainda não é o momento de falar sobre esse tal Cesar Bravo…

Destaco também o futuro promissor – tanto para o próprio livro e autor quanto para a literatura de terror nacional em geral – que eu pude enxergar através dessa leitura. Ultra Carnem é definitivamente o petardo que faltava para o gênero, um livro que traz consigo uma série de mudanças para o que até então não era devidamente valorizado. Se a literatura de terror nacional era tida como algo inferior, algo sem público, Ultra Carnem veio para provar o contrário de uma vez por todas. Tenho a confiança reforçada para afirmar algo do tipo devido à qualidade do livro que é, sem sombra de dúvidas, indiscutível. O título é tudo aquilo que um fã de terror pode querer – pesado, direto, visceral, assustador… Insanamente bom. É exatamente o que precisávamos para uma mudança de cenário, algo para agitar as coisas e mostrar que existe terror de muita qualidade sendo produzido por aqui, terror que não fica devendo em nada para o que vem de fora. A mitologia desenvolvida por Cesar Bravo é original e muito bem amarrada, fruto de uma mente com a capacidade de imaginar o inimaginável. E já que estou falando de Cesar Bravo…

Cesar Bravo não decepciona em seu novo livro, fato esse que já era esperado por quem acompanha sua carreira. O autor, conhecido desde as mais antigas publicações como mestre do terror nacional, nos entrega uma pérola em forma de livro. Há um bom tempo não é possível falar sobre literatura de terror nacional sem citar seu nome, coisa que daqui para frente será cada vez mais constante. Ultra Carnem é Cesar Bravo ao dobro, um tiro certeiro, uma expansão de suas maiores insanidades. Sua escrita continua visceral, como não poderia deixar de ser. Surpreende-me cada vez mais a capacidade do autor em transformar suas palavras em diversos sentimentos, dos mais sutis aos mais pesados. Não é à toa que o tenho como meu autor nacional favorito – seu talento com a escrita é inegável; seu terror, inconfundível. Cesar Bravo é a maior revelação do gênero, um autor completo e indispensável para quem gosta de terror absoluto.

São muitas as sensações que carrego ao fim de Ultra Carnem, como citei anteriormente, porém, uma delas se destaca: a sensação de realização. Sinto-me realizado pela experiência insana de leitura – toda a minha expectativa com relação ao livro foi correspondida – e, acima de tudo, realizado em ver um dos meus autores favoritos sendo cada vez mais reconhecido. Peço a você, caro leitor, que valorize e aproveite ao máximo esse momento especial para o terror nacional. Ultra Carnem é o primeiro de muitos petardos do mestre Cesar Bravo pela DarkSide Books e eu espero que ele possa receber a devida atenção. Daqui a alguns anos, caro leitor, terei o prazer de comentar sobre este mesmo livro me referindo a ele como um clássico. No mais, espero ter conseguido expressar tudo o que penso de maneira clara e ter despertado um pouco da sua curiosidade. Se sim, fico satisfeito e encerro por aqui.

site: http://bit.ly/UltraCarnem
Cesar Bravo 01/12/2016minha estante
Grande Sr. Machado. Não preciso comentar quão espantosamente incrível ficou essa resenha, mas mesmo assim, muito obrigado pelas palavras.
Já sinto os dedos coçando para escrever mais um, mas por hora vou degustar de novo essa resenha. Abração!!!




Vinny Britto 05/09/2017

Nunca faça barganha com o diabo!!!
Essa primeira história ( da cigana e do garoto abandonado) começou de forma fascinante. Chegou a me dar arrepios em algumas partes e me empolgou bastante. Do jeito que começou, esperava outro tipo de desfecho mas de toda forma foi muito bom.

Já não consigo dizer o mesmo das 3 seguintes, foi cada vez mais tomando rumos diferentes entre si. Legal é que vai amarrando as pontas, mas no fim acabou deixando um gostinho amargo de decepção, por ter começado de forma tão empolgante e foi caindo um pouco.

Achei que seria na pegada ''Exorcista'', de possessão, essas coisas.

O que me prendeu bastante foi a escrita, gostei muito e certamente procurarei outros trabalhos do Cesar.
Cesar Bravo 08/09/2017minha estante
Obrigado pela resenha sincera, Vinny;
as possessões virão, não se preocupe rsrrs


Vinny Britto 13/09/2017minha estante
Escritor que responde os leitores tem ponto extra!!!
Fico feliz de ler coisas bacanas feitas por brasileiros.
Parabéns!!


Fernando.Rodrigues 11/10/2017minha estante
Eu apenas não curti a última história que, além de apresentar um ínfimo erro de revisão, destoou com o resto das outras.
Essa resenha aqui traz um olhar diferente em relação a obra.
http://www.momentumsaga.com/2017/01/resenha-ultra-carnem-de-cesar-bravo.html




Anna Costa 28/01/2017

O TERROR NACIONAL COMO DISPUTA ENTRE CÉU E INFERNO
Ultra Carnem é o universo expandido do livro de contos Além da Carne (2013), que foi publicado de forma independente pelo autor. Ele é um romance dividido em 4 contos (“O abandono”, “Gênesis”, “O pagamento” e “O inferno”) que possuem ambientação, épocas e personagens diferentes, mas que se ligam de forma discreta até se conectarem completamente no quarto conto.

Os personagens deste livro são movidos por ambição, luxúria e desejos egoístas, e a escolha narrativa nos faz ter dificuldades em sentir empatia por eles. O narrador-observador nos conta as mais sujas motivações e esfrega na cara do leitor o quanto o homem pode ser intrinsecamente atraído pelo mal, dada a oportunidade. Para os personagens de Ultra Carnem, as oportunidades aparecem e a partir daí uma cadeia de acontecimentos os leva a conhecer uma antiga maldição cigana e o próprio Lúcifer (um personagem estereotipado, mas simpático).

Infelizmente a maioria das personagens femininas desempenha papéis secundários e lugar-comum, com exceção de Lucrécia. No entanto, considero a vivência de um trauma uma alternativa fácil para justificar suas motivações. Apesar disso, o livro segue prendendo o leitor que decide não se incomodar por isso.

Fiquei um pouco incomodada com a ausência de elementos para contrapor toda a negatividade, o lado “satânico” da narrativa. Acho essa dualidade necessária para dar mais força à intenção do autor de que o céu e o inferno brigam por mais almas. Em “Ultra Carnem”, no entanto, o inferno ganha por larga vantagem, e a gente acha bom.

César Bravo arrisca em escrever sua própria “hierarquia do inferno”, que remete aos círculos de sofrimento do inferno, de Dante, em “A Divina Comédia”. Talvez por não ter medo de errar, ele acerta. Uma narrativa tão rápida e envolvente como a de Stephen King encontrando a visceralidade poética de Clive Barker, esta é a escrita de César Bravo. Que venha mais!


site: http://www.annacstt.com/2017/01/resenha-ultra-carnem.html
Cesar Bravo 29/01/2017minha estante
Obrigado, Anna! Fiquei muito feliz que tenha gostado, avaliado e resenhado meu livro.
Compreendo seus incômodos, suas observações serão levadas em consideração em um próximo trabalho.
E sobre a comparação com dois de meus mestres, só posso agradecê-la mais uma vez.
Abração


Anna Costa 29/01/2017minha estante
Fico sempre impressionada com sua humildade e carisma em ler e comentar todas as resenhas do seu livro, César! Isso não se vê sempre, e só me faz admirá-lo mais ainda! Obrigada!


Cesar Bravo 31/01/2017minha estante
Imagina, o mínimo que posso fazer é retribuir o carinho e a atenção que recebo. Abração




D.A. Potens 07/12/2016

RESENHA DE ULTRA CARNEM, DE CESAR BRAVO, UMA REVELAÇÃO DA DARKSIDE BOOKS — UMA SERENA LUZ NA ESCURIDÃO
Por Danilo de Almeida da Silva

Nota: 4,5/5 — 9/10.

— UMA LUZ NO TÚNEL —

Antes de contar sobre a maravilhosa oportunidade de ler o primeiro livro de terror nacional lançado pela Darkside Books, gostaria de falar sobre a minha percepção sobre o trabalho desta editora em acreditar no oculto, no obscuro e, acima de tudo, no nacional.

Sempre a considerei uma empresa revolucionária; primeiro, por causa de sua qualidade editorial e gráfica; segundo, pela capacidade de focar o terror e a fantasia em seu arsenal literário, ao passo que outras editoras — diga-se a maioria — seguem outras vertentes baseadas no tradicionalismo. Por estas características, sinto que a mesma está à disposição de mudanças significativas no mercado editorial, e é isto o que dissecarei na mais pura sinceridade como leitor e autor iniciante.

Antes de tudo, posso dizer que a literatura está sendo reduzida à banalização das obras e no desprezo para com a criatividade e capacidade de absorção cultural dos indivíduos, quando predizemos que somente livros com alto teor de aceitação internacional são lançados em nosso solo com garantia de sucesso de acordo com o que a mídia impõe. Nesta hora, a Darkside vem para provar que um bom marketing e um esplêndido trabalho editorial podem quebrar esses paradigmas, alcançando a emancipação do capitalismo puro — para e pelo lucro — ao tratar a literatura como ARTE DIGNA DE LOUVOR em meio à cultura artística, podendo lançar qualquer obra na qual a qualidade esteja presente, pouco se importando com a popularidade do autor.

Para comprovar isto, eis que o lançamento do autor nacional Cesar Bravo com o livro Ultra Carnem surge em uma surpresa e um alento para leitores e escritores de primeira viagem como eu, demonstrando que é possível lançar um escritor pela sua qualidade e não somente pela exigência de que o mesmo tenha um panteão de seguidores, como youtubers, bloggers, vloggers e tantos outros "oggers", uma vez que, a fim de que um livro faça sucesso, sobretudo, a capacidade técnica, inovadora e revolucionária de um enredo com coerência e coesão dos conteúdos, além da presença de plots de tirar o fôlego dos leitores, sejam de vital importância para as vendas, lucro e divulgação dos envolvidos.

Assim, além do que os olhos podem ver, e a capacidade de ler pode exercer sobre a vida de cada um, a habilidade de interpretar surgirá com este tipo de trabalho para captar cada pedaço de alma deixado pelo autor em sua obra. Por isso a Darkside opta pela escuridão, pois mesmo nas trevas, homens e mulheres podem acender um mero feixe de luz para encontrar os tesouros no interior da arte, da vida, dos significados e, por conseguinte, de si mesmos.

Neste ápice artístico de uma esperança inigualável, Ultra Carnem vem para estapear a cara do mundo literário atual, reviver o a esperança no futuro a partir da qualidade e do esforço, assim como deixar um legado para a literatura nacional. Aqui, nunca a lei de Newton fez mais sentido: para a ação de Cesar Bravo e da Darkside Books, uma reação foi causada para abrir os nossos olhos. Olhos que verão a capacidade do nacional, em questionar o velho e abrir os olhos para o novo.

No meio desta dialética louca, pessoal, eu vos abro as cortinas para o inferno; à mitologia, à qualidade literária e ao sentimento agudo e crônico deixado por Cesar Bravo em cada página de Ultra Carnem. Muito além da carne, eu diria; sobretudo, em nossa alma...

— O LIVRO E SUAS ENTRANHAS —

Em Ultra Carnem, conhecemos a história de Wladimir Lestes, um garoto cigano abandonado em uma igreja antiga por sua suposta irmã aos cuidados de padre Giordano, o responsável pelo orfanato em funcionamento dentro da própria instituição católica. Com este singelo contato, Wladimir acaba por viver algum tempo no local, revelando aos poucos seu dom inigualável de pintar, e sentindo na pele a maldade que provém da língua e das atitudes das crianças abandonadas. Quando li esta parte, tive a certeza de que a frase “aqueles que possuírem o coração de uma criança entrarão no reino dos céus” seria facilmente mudada para o seu oposto: um convite direto ao inferno de fogo sem misericórdia. E por isto continuei a leitura, pois senti que Cesar Bravo desejava remexer cada ponta pútrida do ser humano que nos negamos a enxergar, ou melhor, que conhecemos, embora optemos por nos fazer de cegos...

Neste começo, a apresentação é gradual e, junto ao feeling deixado pela arte gráfica satânica do livro, sua pele e seu corpo começarão a sentir a pressão do que o aguarda até o final da história. Uma sensação fechada de medo do garoto pintor — e daquilo que o rodeia —, o protagonista da primeira de quatro novelas contidas na trama geral.
Não irei me aprofundar no conteúdo de cada uma, pois acredito que o leitor deva descobrir o que o aguarda para que a obra entre na carne da maneira que o autor deseja. Mas adianto que Wladimir Lester é a ovelha que possibilita a influência dos outros personagens que surgirão nas novelas seguintes: Nôa, o pintor falido; Marcos, um técnico de informática fracassado e Lucrécia, uma garçonete vazia e traumatizada.

Após a primeira novela, onde o tópico principal é apresentado, as próximas novelas são mais fortes, encorpadas e adornadas das mais puras descrições sanguinárias e aterrorizantes, como se você tivesse presenciado aqueles fatos ao vivo. Neste quesito, digo que uma dessas quase me fez vomitar no ônibus, além de me estimular a fazer caretas, e isto eu considero um elogio, pois o talento do autor, além de dominar qualquer técnica literária, está na capacidade de fazer os indivíduos sentirem a trama na pele, principalmente quando se falam de terror com GORE e NOIR — as características tão bem dominadas pelo Sr. Bravo.

Todavia, não pense que Ultra Carnem resume-se a isso. Esta obra é diferente da maioria e, semelhantemente aos livros publicados pela Darkside Books, requer uma leitura minuciosa, lenta e atenta, para que não perca os detalhes contidos da maneira que ocorre com O DEMONOLOGISTA e OS CONDENADOS de Andrew Pyper. Oriento-lhe a não se apegar a nada, deixando a história rolar e atentando-se a um fato que me chamou a atenção do começo ao fim: até que ponto os seres humanos são vitimas sem que tenham feito algo para merecer o mal encarnado em suas entranhas?

No jogo da ação e reação, ala George R.R. Martin, Cesar Bravo mostra que o bem e o mal andam em uma linha tênue capaz de se romper a todo o momento. Por isso eu deixo minhas congratulações a este lançamento e a todos os autores que por virtude vierem a ser lançados pela Darkside. E peço que ofereçam uma, duas, mil chances ao nacional; que abram os olhos e estimulem os amigos a lerem Cesar Bravo e as obras de outros autores para que, de migalha em migalha, alcancemos algo maior e mais vívido; algo que outros tentam nos tirar todos os dias: a capacidade de sonhar e acreditar...
Cesar Bravo 10/12/2016minha estante
Resenha sensacional, Danilo. Muito obrigado por postá-la nesse espaço. Fico feliz em saber que considerou esse livro tão especial. Aliás, além de uma resenha, você fez uma análise crítica muito interessante.
Abração!!!




pereira_renata 11/12/2016

Uma escrita simples, mas cheia de significado
Eu confesso que não sabia nada do autor até ver que ele seria publicado pela Darkside. Oba, mais autor nacional na caveirinha??? Felicidade define!
O livro nos é apresentado em 4 partes mais um epílogo. De cara quando abrimos a capa já ficamos meio ressabiados com o o que virá, pois é uma cena meio do mal (para ser boazinha hihihih), parecendo criaturas sofrendo (ou não, né?) em algum lugar...
Na Parte I, O abandono, somos apresentados a Wladimir Lester, um menino cigano que foi abandonado pelos seus em um orfanato católico, sob a tutela do Padre Giordano. Esse episódio é o pontapé inicial das demais histórias que se desenvolverão no livro. O menino é bem estranho e carrega consigo tanto o dom da pintura, quanto um vidrinho misterioso com uma estranha tinta vermelha.

Conforme avançava na leitura ia ficando mais e mais grudada nela, querendo saber mais coisas sobre o menino e sobre todo o mistério que o envolvia, que não vou contar para não estragar a "surpresa"....Daí percebi que o leitura era em forma desses 4 contos. Novas histórias foram surgindo e com elas, novos personagens...porém todos entrelaçados com a história do menino cigano.

Na Parte II, Gênesis, conhecemos Nôa e sua busca insana pelo legado de Wladimir Lester, apesar de ter se passado muitos e muitos anos. Nem todos querem se lembrar das histórias. Na minha cabeça a história do menino tinha tido um fim ....ledo engano, né?
Aí vem a Parte III, O Pagamento. Aqui eu fiquei realmente impressionada em como o autor Cesar Bravo tem uma facilidade incrível de nos mostrar novos personagens e de novo entrelaçar no que já sabíamos anteriormente! Não estou brincando!!!!! Acho que essa história foi a que mais gostei! Porque me pareceu tão real, tão verdadeira....o autor bem sabe como ir fundo na podridão da mente humana...

A Parte IV, como não poderia deixar de ser, se intitula O inferno. Aqui algumas interrogações se fecharam na minha cabeça ahahahahah...E eu pude perceber como a escrita do autor é realmente única. Simples, mas cheia de significado. Não gosto de sangue espirrando na minha cara, gosto de um terror mais sutil, como o que foi apresentado aqui. Afinal, creio mesmo que o Diabo seja de certa forma elegante....

Gosto desses livros que você não querer largar até terminar de ler e foi isso que aconteceu com Ultra Carnem. Tem um epílogo, que considerei um bônus ehehehe....e tudo que falarei dele é que o tempo corre diferente no inferno.

A edição é estilo Darkside de ser, capa dura, toda preta, com detalhes em vermelho e com esses desenhos meio bizarros que nos remetem a anjos e demônios. Se você é um leitor destemido pode ler sem medo!

site: http://www.umaleituraamais.com/2016/12/resenha-161-ultra-carnem-terror.html
Cesar Bravo 11/12/2016minha estante
Renata, muito obrigado por seus comentários. É sempre incrível quando um autor percebe que um leitor, mais do que apreciou, compreendeu sua obra. Forte abraço e bem-vinda ao pedaço mais quente da literatura!




Gabi 18/01/2017

O que falar desse autor que mal conheço e já quero ler mais?
Estava carente por uma boa história com o clássico embate entre céu e inferno e uma boa dose de sangue. Ultra Carnem ultrapassou minhas expectativas.
O livro é divido em quatro partes que se interligam no final.
Primeiro somos apresentados a Wladimir Lester,o menino cigano e sua tinta quase mágica.
Nôa,o segundo protagonista é um artista frustrado que vê em Lester a chance de mudar de vida e sai atrás de informações sobre o cigano.
A terceira parte fica com Marcos Cantão,um técnico de informática frustrado com um casamento em ruínas e um filho deficiente,sua motivação para continuar nessa vida terrível. Num desses dias ele entra em contato com uma obra de Lester e também com o sobrenatural.
Por fim,conhecemos Lucrécia,a garçonete com o passado obscuro que dá de cara com Lúcifer e seus companheiros no próprio local de trabalho.
Todo o uso de elementos do cristianismo foram maravilhosos e a representação de Lúcifer é digna de uma menção honrosa.
A obra é um prato principal maravilhoso.
E que venha mais César Bravo!
Cesar Bravo 19/01/2017minha estante
Obrigado, Gabi!!! Também te considero horrores! Adorei saber o que você achou do livro.
Abração




Samuel Simões 24/11/2016

Ultra Carnem em palavras,crueldade e violência. FODA! Recomendo!
Eu já tinha lido um livro do Cesar Bravo pelo Kindle e não tinha curtido muito. Mas meus amigos,dei uma segunda chance quando soube que a melhor editora do Brasil iria publicar a obra dele. E achei simplesmente genial. A escrita do César é muito ácida,crua e visceral ao mesmo tempo. O livro é composto por 04 contos e todos se interligam e cara, que conexão FODA que ele consegue fazer. Recomendo a leitura e MUITO! Mas.. tenham estômago porque o autor não mede palavras pra descrever cenas nojentas e frases horripilantes.. Vale a pena! Recomendo!
Cesar Bravo 24/11/2016minha estante
Ei you! Grande Samuel, muito obrigado por comentar suas impressões. Costumo dizer que a sinceridade é ouro, você efetuou um grande depósito. Abração!!!


Samuel Simões 01/12/2016minha estante
hahaha que honra você ter respondido um simples comentário que fiz do seu livro! E gostei muito mesmo!! Esperamos por mais !! manda mais Darkside!!! hauhauhauha obrigado!!!




Key 28/11/2016

Sensacional
O que falar de "Ultra Carnem" além de que é um puta livro sensacional? Eu já conhecia o trabalho do Bravo por "Além da carne" e "Calafrios da noite",mas ultra é a expansão do universo de Além. E é genial! O livro é dividido em 4 partes que são à princípio independentes,mas que se interligam para contar uma história muito maior e melhor. Você termina cada parte com uma aflição e sedento por mais. Maravilhoso. Bravo com certeza é um puta autor. Ele eleva o terror nacional a um patamar novo. O gore reacende das chamas do inferno e seduz aqueles que se deliciam com uma escrita tão primorosa. Recomendo demais!
Cesar Bravo 28/11/2016minha estante
Key, minha querida. Muito obrigado pelas palavras. E que o Gore acenda cada vez mais a chama literária dos melhores leitores. Abração!!!




Rafael Alves 12/12/2016

“Na disputa entre o céu e o inferno, nós somos o prato principal.” E O BANQUETE ESTÁ SERVIDO.
A arte é motivo de inspiração para muitos, obras de arte possuem traços tão únicos que podem oscilar de meticulosos a alvoroçados, enquanto as cores contrastam em tons que despertam inúmeros sentimentos e não há nada como a experiência de estar diante de um quadro pela primeira vez. Há quem alegue que a arte é uma dádiva de Deus para nós expressarmos o que há de mais profundo em nosso interior, dádiva essa que foi usada por séculos em seu nome para ilustrar toda a sua glória. Mas a arte cativou até mesmo Hitler quando esse visitou a França e, o que muitos não dizem, é que a arte pode igualmente expurgar nossos piores demônios e, ainda não bastasse isso, a arte é a principal chave para também pincelar o inferno como o conhecemos. Ou pensávamos conhecer.

Wladimir Lester vivia com sua tribo cigana até que sua irmã foi aconselhada a abandoná-lo em algum lugar e sair da cidade com o restante de sua tribo. Por ter pena do garoto, ela preferiu deixá-lo em um mosteiro sob a custódia do padre Giordano. Lester de inicio fica recluso, não se mistura com os outros garotos, é introvertido, cético quanto a doutrina religiosa, só se relaciona com o padre ou a madre Suzana, preferindo ficar com suas obras e esculturas em seu quarto privado e tem um forte sentimento de protecionismo para com a sua tinta especial que carrega sempre em seu bolso e com a estatueta da santa Ciganinha, que ele vê como a uma mãe. O problema é que em meio a toda essa bagagem, Wladimir também trouxe o mal consigo para o lar em que agora vive. Mal esse que se estenderá por séculos e culminará em outras três novelas que estão amarradas à essa história. Um mal que fará o próprio Diabo caçá-lo por gerações.

Anos mais tarde, já no segundo conto, Nôa, um pintor fracassado, encontra-se em total decadência dentro de seu quarto, fixado em um diário que furtou de uma loja de livros do centro. O diário pertence a uma parente distante de Wladimir Lester e nele há relatos do tempo em que o garoto havia ficado na tribo. Essa fixação dele pelo diário deve-se ao mito que se alastrou após os fatos corriqueiros do primeiro conto e Nôa procura pelas obras e pela tinta especial que tornou o nome Lester uma lenda, fazendo o homem abandonar a esposa e seguir as pistas que encontrou no diário sobre o paradeiro do garoto. Nessa busca por fama, dinheiro e poder, somos introduzidos ao ego do ser humano em sua melhor representação. O que Nôa não sabia, é que sua ambição desencadearia um mal que jamais deveria ser despertado. Acelerando ainda mais os planos do Diabo para rechear o inferno.

"SONHOS SÃO MILAGRES QUE ESCAPARAM DO CÉU. VOU DIZER UMA COISA, MEU AMIGO, ALGUÉM QUE NÃO SONHA, QUE NÃO ABUSA DA SORTE E NÃO SE ARRISCA, NÃO DEVERIA ESTAR VIVO. EU MESMO JÁ ARRUMEI TODO TIPO DE CONFUSÃO POR CAUSA DE UM SONHO. MAS NÃO VOU DIZER QUAL FOI, TAMBÉM TENHO MEUS SEGREDOS. SÓ QUE QUANDO EU REALIZÁ-LO, MEU MAIOR SONHO, AH, NÔA… EU VOU VIRAR O MUNDO DO AVESSO."

Marcos, um técnico de informatica e protagonista do terceiro conto, leva uma vida frustrada e infeliz. Sua esposa, Odeta, que, segundo Marcos, há muito se definhou e seu filho, Randy, que possui necessidades especiais, são os únicos motivos pelos quais ele continua trabalhando arduamente para garantir o sustento de todos. Marcos é um pai amoroso, embora seja um péssimo marido, um tradicional pai de família que luta em busca de uma vida mais digna a cada dia. Seu destino muda quando Marcos atende um serviço na casa de uma cigana. Sem ter como devidamente pagar ao homem, a cigana o paga com a permissão de que faça um pedido à estatueta da ciganinha. E seus mais profundos pensamentos fazem com que toda a sua vida leve uma reviravolta. A esposa de Marcos passa a se cuidar, seu filho se torna um garoto prodígio e de QI elevado, Marcos também consegue um emprego melhor e ainda conquista uma amante, Catarina, filha de um ex-cliente. Só que palavras tem poder e nem tudo vem de graça, logo Marcos se depara envolvido com uma série de assassinatos em sua cidade e, pior, o próprio assassino, também conhecido como Açougueiro, por sua habilidade em fatiar e estripar pessoas, o tem perseguido.

Os três primeiros contos se entrelaçam e rumam ao quarto conto. Lucrécia é uma garçonete de um bar e presencia uma reunião de Lúcifer com os seus servos, onde acaba ouvindo os planos do Diabo, unindo-se a ele e se comprometendo com uma missão de extrema importância para, finalmente, equilibrar a vantagem do Demônio na batalha contra os céus. Lucrécia levou uma vida que a tornou amarga e não muito simpatizante do cara lá de cima justamente por sentir-se abandonada por ele. A expansão de toda a mitologia criada pelo Bravo acontece mesmo quando Lucrécia visita o Inferno e lá descobre como realmente funciona as seções, o que cada alma merece e pra qual canto elas vão, a hierarquia e os planos de Lúcifer dos quais a mulher passa a compactuar.Personagens que conhecemos anteriormente voltam desempenhando papéis fundamentais para o desfecho do livro. Lucrécia representa muitos de nossos sentimentos que tanto tememos em sequer pensar por conta de nosso Deus onipresente. Os diálogos, os pensamentos, as reflexões e as atitudes dela são simplesmente sentimentos sinceros que o autor soube aproveitar bem ao escrever a obra, afinal, temos essa mesma voz ecoando em nossas mentes. Fazendo-nos simpatizar com uma personagem que é um belo exemplo de blasfêmia e testando a nossa própria fé, Cesar Bravo traz a realidade à tona e as verdades na cara. E com isso, é hora de o Diabo contra-atacar.

"Eu tive uma discussão com um cara uma vez. E ele me disse que eu não poderia vencê-lo em uma disputa justa. Bom… Tudo se resume a isso. Ele sequestra pelo amor e eu pelo favor; a dor, nós dois usamos. E olha que eu vinha ganhando fácil há muito tempo, mas essa porcaria de internet… Mulher, isso acabou comigo. Agora todo mundo conhece tudo, lê tudo e desacredita em tudo. Nem eu ou Ele – apontou para cima – valemos muita coisa se não acreditarem em nós. Talvez precisamos rever todo esse nosso negócio, mas quer saber? Eu ainda pretendo ganhar essa aposta… E quando ganhar, vou provar quem é quem no mundo."

O universo do autor é rico em detalhes, enredo e personagens. A construção da narrativa em histórias que se cruzam é um feito que poucos conseguem realizar com tamanha maestria. Quando Nôa se definha cada vez mais em nome de sua ascensão como artista, a história me lembrou o conto O Retrato Oval, de Edgar Allan Poe, que junto a H. P. Lovecraft serviu de inspiração para o autor e trouxe um clima mais assombroso para a segunda trama. Enquanto que passagens mais sangrentas na história do Marcos são reflexos do amor incondicional de Cesar pelas obras do Clive Barker, aliás, vou confessar e dizer que a minha novela favorita é justamente essa.

O intrigante é saber que o mundo em que Lester, Nôa, Marcos e Lucrécia vivem é a nossa realidade. Diariamente vivemos entre o céu e o inferno e a todo momento lidamos com ambos. Noite após noite, o inferno se expande sob os nossos pés. Cada vez mais o ceticismo da humanidade faz os dois lados perderem fiéis e a ciência contribui para o pensamento lógico. A fé esta abalada. Cesar Bravo nos coloca em seu universo não só pra enfrentar as forças do bem e do mal, mas também para enfrentar nossas próprias crenças. Aproveitando que o autor fez uma referência à Harry Potter no livro, vou parafrasear uma frase que define bem a mensagem que o livro traz e que acho bem assustadora se colocada sob um certo ponto de vista:

"O MUNDO NÃO É DIVIDO ENTRE O BEM E O MAL. HÁ LUZ E TREVAS DENTRO DE TODOS NÓS."

A edição da Darkside faz jus a uma obra de arte. Na capa, há uma cruz envolta em neon vermelho e um garfo estampado em cima da cruz. A folha de guarda é digna de ser comparada as obras de Bosch, em especial à Jardim das Delicias, pois vários demônios são representados em meio a humanos em delírio, tudo pintado com a tinta vermelha especial de Lester, é claro. O livro acompanha uma fita de cetim vermelha e várias artes obscuras ao longo das páginas que são de arrepiar qualquer um.

A Caveirinha apostou no terror nacional e acertou certeiramente ao publicar o mestre Bravo. É de tamanha qualidade a sua escrita, seu universo literário e seu talento que digo que o autor tem potencial e mérito de ser citado junto a grandes nomes do terror. A literatura brasileira está muito bem representada e fico feliz que Cesar Bravo seja nosso porta-voz. É garantido que com o maior prazer colocarei suas obras em minha estante e contarei suas histórias aos ouvidos audaciosos que quiserem saber um pouco mais do inferno que nos rodeia.

Resenha que fiz para o Pela Toca do Coelho: http://www.pelatocadocoelho.com.br/resenha/resenha-ultra-carnem-de-cesar-bravo/

site: http://www.pelatocadocoelho.com.br/resenha/resenha-ultra-carnem-de-cesar-bravo/
Cesar Bravo 12/12/2016minha estante
Rafael, sua resenha ficou incrível, uma verdadeira obra de arte. Agradeço pelas palavras sobre o livro, sobre o incentivo ao meu trabalho, e, mais ainda, por acreditar na literatura nacional de forma tão especial. Muito obrigado por dedicar seu tempo e esforço ao produzir essa resenha. Um forte abraço!




spoiler visualizar
Cesar Bravo 09/01/2017minha estante
Confesso que você escreveu tudo o que eu queria ler. Joa, meu caro, muito obrigado por ler e resenhar Ultra Carnem.
Forte abraço!!!


Reemilk 05/02/2017minha estante
Isso é exatamente o que pensei sobre o livros as histórias são fantásticas.. na minha opinião a 3° história foi a melhor, muito realista.. estava empolgadissima para terminar o livro quando chegou a história da Garçonete achei uma viagem total um inferno por dentro das tecnologias haha.. Mas não deixa de ser um ótimo livro!!




Tauami 24/01/2017

Sangue do meu sangue, carne da minha carne
Vivemos tempos turbulentos. Cada vez mais, acontecimentos na esfera política nacional tem nos deixado cabisbaixos e com poucos motivos para celebrar nossa “brasilidade”. Entretanto, vez ou outra, algo surge algo para nos deixar orgulhoso de ter em nossas veias esse sangue duro e inventivo. Hoje falarei sobre um desses orgulhos: Ultra Carnem do autor brasileiro César Bravo.

A primeira parte do livro nos contará sobre aquele que se tornará o pivô de todos os acontecimentos malditos que irão percorrer a narrativa: Dom Giordano, padre responsável pelo orfanato de Três Rios, uma pequena cidade do interior, confrontado por uma cigana que deseja deixar em suas mãos a responsabilidade por uma criança que ela diz ser maldita. Um embate interno faz com que ele se questione até o último segundo se deve ou não aceitar aquela proposta, mas a resolução é iminente, uma vez que a cigana que trouxe o menino lhe mostra lustrosas moedas de ouro para comprar sua cooperação.

Giordano aceita abrigar aquela pobre alma que atende pelo nome de Wladimir Lester, que em pouco tempo no orfanato se mostra um exímio pintor. Sua arte, por mais que seja um tanto macabra em algumas obras, também tem potencial gigantesco para mostrar a sacralidade que as palavras do Senhor devem conter e Giordano não pode deixar que dom tão belo seja desperdiçado. Entretanto, os meios pelos quais Lester obteve sua notória habilidade com as tintas será o motivo de grande arrependimento para o padre e a desgraça de todo o orfanato.

Na parte seguinte, as lendas a respeito de antigas obras pintadas por um tal de Wladimir Lester assombram os sonhos de um jovem artista chamado Nôa. Encontrar as obras malditas do tal pintor se torna a obsessão do rapaz e tudo piora assim que ele acha um diário que pertenceu a uma mulher diretamente ligada ao menino-cigano. Por meio deste artefato, Nôa começa a juntar pistas que o leva mais próximo as singulares obras de Lester e a tinta que ele usava para pintá-las. A medida que vai se aproximando de seu objetivo, também vai deixando sua antiga vida para trás e um desconhecido que cruza seu caminho, de modo supostamente acidental, sela o seu destino.

Com a terceira parte, Bravo nos mergulha na mediocridade existencial que é a vida de Marcos Cantão. Técnico de informática em uma cidade minúscula, Cantão divide o seu tempo em fugas diárias das investidas sexuais da esposa obesa e lidar com clientes que pouco podem pagar pelos seus serviços. Mas tudo isso vale a pena, uma vez que assim pode continuar sustentando seu filho, Randy, um menino portador de deficiência cognitiva. Os dias passam lentos e seus problemas tomam proporções as quais não sabe mais como lidar. Até ter de atender uma chamada em uma misteriosa loja de raridades. Após o conserto do computador defeituoso que lá estava, a dona do estabelecimento diz que não pode pagar o valor que lhe fora cobrado, mas que algo muito melhor será oferecido: um pedido. Um único pedido! Descrente da situação em que foi se enfiar, percebe que não tem mais nada a perder e decide aceitar o que foi proposto. Mal sabia ele que tudo mudaria em sua vida após tal pedido.

Por fim, a quarta parte termina de costurar o excelente enredo que se compunha aos poucos nas histórias que a precede. Aqui, a garçonete Lucrécia tem a oportunidade de cuspir de volta na cara da vida todo o mal que a torturou constantemente durante sua existência. Em um dia aparentemente comum no restaurante desprezível onde trabalha, dois clientes costumeiros se reúnem mais uma vez para tratar de assuntos escusos. Lucrécia, tomada por uma curiosidade absurda, acaba encontrando meios para escutar tudo o que está sendo discutido entre aqueles estranhos familiares. Uma revolução seguirá e toda a sua história mudará a partir daquele momento. Ela escolherá um lado em uma disputa mais antiga que o próprio homem.

Como um prego que vai sendo lentamente enterrado dentro de uma chaga pútrida, somos levados por uma crescente que, em seu início, já se anuncia sangrenta de formas pouco óbvias. Na medida em que vamos atingindo a proximidade do final, os limites daquilo que Bravo nos permite ver se alargam, ao ponto em que o escatológico e o visceral se tornam parte permanente do cenário da história. Mesmo assim, esses elementos constantes de forte apelo não nos acomoda na leitura da narrativa, uma vez que a inventividade do autor em destruir os corpos de suas personagens se supera a cada virar de página.

Pelas palavras de César, avistamos o Inferno e o seu governante, Lúcifer. O que parece ser uma exposição dos campos infernais, criações auspiciosas da engenhosidade luciferiana, na verdade são um meticuloso mapeamento da condição vivente dos macacos favoritos da criação: detalhistas, brilhantes, ambiciosos e desesperados. Assim é cada inferno já criado por nossas mitologias e assim é nossa natureza. Uma salva de aplausos à César por tornar isso tão claro.

Situações aparentemente caóticas compõe o final da obra de modo organizado e significativo. Mais que isso, demonstra o próprio funcionamento da mente de Lúcifer. Diante de uma situação que fugiu de seu controle, O Caído se vê incapaz e recruta meios para fazer com que sua vontade seja superior à de seu antagonista mor. Ora, essa não é a maior das qualidades humanas? Se sobressair diante das adversidades que a Providência coloca? Lúcifer, como caracterizado em Ultra Carnem, é mais próximo do homem do que qualquer santo jamais será. Suas reações são intrinsecamente mortais.

Sendo um livro que precipita uma investida para dentro da alma humana, Ultra Carnem surpreende pela qualidade de sua escrita e pelo modo excepcional com que as histórias que o compõem estão bem amarradas umas nas outras. A leitura dessa obra vai além da necessidade de se incentivar autores nacionais. Ela deve ser feita para que o próprio gênero cresça como um todo.

Ficha técnica:
Ultra Carnem
César Bravo
2016
Editora DarkSide Books

site: http://101horrormovies.com/
Cesar Bravo 25/01/2017minha estante
Resenha incrível, Tauami. Espero proporcionar mais horrores pra você, se possível, ainda melhores. Forte abraço e muito obrigado!!!




Ben Oliveira 07/12/2016

Um livro infernal delicioso de ler
Quando a editora DarkSide Books abriu as portas no Brasil, muitos leitores ficaram felizes, já que se tratava da primeira casa editorial voltada para a publicação de livros de terror e fantasia. Porém, mesmo com títulos instigantes, grande parte do seu catálogo ainda era composto por obras de autores internacionais e faltava alguma coisa... Neste ano, a caveira anunciou que publicaria livros de horror de escritores nacionais, e entre eles está Ultra Carnem, do Cesar Bravo. A obra, de 384 páginas, além de não deixar a desejar com o seu projeto gráfico lindíssimo que combina muito bem com a essência das narrativas, não decepciona ao presentear o leitor com novelas que se passam no mesmo universo ficcional e se complementam.

Na primeira novela do livro, o leitor é levado a conhecer Wladimir Lester, um garoto cigano que é enviado a um orfanato aos cuidados de um padre. Com dificuldades para encaixar entre as outras crianças, ele logo se torna vítima das brincadeiras de valentões e acaba se metendo em confusões. Porém, Lester guarda seus próprios mistérios. Aficionado pela pintura, a arte corre em suas veias, literalmente, e todo dom também carrega traços que para alguns pode ser considerado uma maldição. Com Lester as coisas não são diferentes.

O passado do garoto vem à tona, especialmente, com os contínuos maus-tratos que ele aguenta das outras crianças. Quando o mal chega até o orfanato, ninguém tem ideia do perigo que está correndo. A história de Lester acaba sendo um dos pontos que une todas as narrativas de Ultra Carnem. Do abandono infantil e do preconceito contra a cultura cigana – tão desconhecida pelos moradores do orfanato –, o leitor vivencia o horror que descortina diante de um ambiente supostamente sagrado, que esconde suas próprias sujeiras embaixo do tapete.

“Ah, mas Lester estava consumido… Suas mãos curiosas, o movimento rápido dos olhos, o medo de que o padre danificasse alguma das peças em uma manobra descuidada. Sua herança não era somente gesso, papel e tinta, aquelas coisas eram parte de sua alma, como eles logo descobririam” – trecho de O Abandono, a primeira parte do livro Ultra Carnem, do escritor Cesar Bravo

A segunda novela do livro traz a história de Nôa, um artista que está interessado em algo deixado por Lester, após encontrar um livro contando a história do cigano. De todas as narrativas, esta foi uma das minhas favoritas, já que como escritor, sei muito bem como é aquela sensação incapacitante diante do bloqueio criativo e também da dificuldade de sobreviver de arte no Brasil. Não foi tão difícil entrar na pele da personagem e como o horror é subjetivo, fiquei inquieto até chegar até a última linha da história.

O processo de criação artística pode ser mágico, mas também pode ser destruidor. A ambição do artista pelo dinheiro e pelo sucesso acabam levando-o em uma jornada cheia de altos e baixos. Com Nôa, quanto mais ele se aproxima da verdade que tanto busca, mais ele trilha o lado obscuro da existência. Quando o desespero bate à porta, é melhor tomar cuidado com as palavras, pensamentos e ações. Nôa é capaz de tudo para mudar de vida, mas será que ele está preparado para pagar o preço?

“Você nunca encontra o que procura. O tempo come tudo, Nôa. Roupas, valores, devora inclusive a esperança de nos entendermos com o passado. O que aconteceu com o tal menino e com as outras pessoas desse livro é algo que não pertence a nós. E você não precisa me dizer o que o trouxe aqui. Chamo isso de ganância, também de ilusão e de irresponsabilidade. Estamos na era das luzes, filho. Não existe mais espaço no mundo para o obscurantismo” – trecho de Gênesis, segunda parte do livro Ultra Carnem, do escritor Cesar Bravo

A miséria e a cobiça andam lado a lado. Na terceira novela do livro, conhecemos Marcos Cantão, um técnico de informática que está cansado de sua vidinha. Ele tem um filho com necessidades especiais e um casamento frustrante com uma esposa descuidada. A força dos desejos de Marcos é o que movimenta a narrativa, quando seu caminho se cruza com o de Sofia, uma senhora dona de uma loja chamada O Estranho e o Mágico: Produtos Raros, tudo muda.

A fome por riqueza material e pelos prazeres do corpo sem limites acabam despertando demônios adormecidos do personagem. Quando a esmola é demais, o santo desconfia? Marcos não parece se dar conta de onde está se metendo, até que seja tarde. Quando assassinatos misteriosos começam a acontecer pela cidade, Marcos se sente acuado e preocupado com as pessoas ao seu redor. O clímax desta novela é arrepiante.

“Fazia frio e tudo cheirava a sangue. Todas as cores eram o vermelho aos olhos de Marcos. Chão, paredes, lençóis. Ele estava feliz. Parecia um sonho, mas o gosto do sangue que ele bebia em um copo vagabundo era salgado e quente, como nenhum sonho poderia proporcionar” – trecho de O Pagamento, terceira parte do livro Ultra Carnem, do escritor Cesar Bravo

Uma viagem ao inferno é a premissa da última novela do livro. Para quem gosta de fantasia sombria e uma dose de demonologia, difícil não querer mais e mais desta narrativa que explora um pouco dessas criaturas demoníacas, suas missões e hierarquias. Quantos infernos cabem dentro do inferno? O que essas bestas estão tramando?

Lucrécia é uma garçonete com um passado marcado pela violência. Sua alma cheia de cicatrizes, tragédias pessoais e escolhas erradas endureceram o seu coração e, acidentalmente, sua jornada se cruza com a de demônios perigosos. Entre a salvação e a condenação, Lucrécia descobre que a vida é mesmo um círculo, quando se vê diante das repetições infernais.

“O Inferno, queridinha, é como o que seus olhos mostram. Você precisa ver para acreditar que existe. Às vezes é como um espelho, você se move e ele move de volta. Quando alguém não crê no Inferno, vai para outro lugar. Nem o patrão de cima ou o Lu aqui embaixo fazem questão dessas almas. Elas ficam no limbo, apodrecendo para todo o sempre, esperando a porcaria do Juízo Final que nunca vai chegar” – trecho de O Inferno, quarta parte do livro Ultra Carnem, do escritor Cesar Bravo

O epílogo de Ultra Carnem, Os Três Reinos, amarra muito bem a obra. O livro do Cesar Bravo foi uma surpresa positiva. Apesar de o autor já ter publicado outros livros em sua carreira como autor independente, foi só com a publicação pela DarkSide Books que entrei em contato com sua escrita. É tão gostoso quando bate aquela sintonia entre leitor e obra – me senti tão conectado com o universo de Ultra Carnem, que fiquei desejando mais histórias. A caveira não só escolheu muito bem, como jogou luz sobre um escritor que capta bem a essência sombria, além de dar aquela força para a literatura nacional de terror.

site: http://www.benoliveira.com/
Cesar Bravo 08/12/2016minha estante
Olá, Ben! Obrigado por acreditar em meu trabalho e compartilhar suas impressões. Espero surpreendê-no novamente em breve. Abração ?




Caio.Frias 05/12/2016

Assustadoramente realístico!
Qualquer um que compre uma edição da Darkside sabe: Terá um espetáculo de design nas mãos, mas eles conseguiram se superar em Ultra Carnem. O livro está satanicamente lindo! (percebi isso,também, quando uma senhora fez o sinal da cruz ao meu lado no ônibus hehehe)

Agora, muitas vezes compramos livros pela capa e o recheio não faz jus a cobertura, não é o caso aqui. Cesar Bravo surpreende ao fazer um terror assustador, visceral, brutal, com pitadas de humor extremamente sagazes. Porém, o que realmente me assustou (e encantou) foi a capacidade de criar personagens tão reais em uma historia como essa. São seres humanos desprezíveis, nojentos, repugnantes, mas, inegavelmente realísticos. Seus problemas, suas dores, conflitos internos e externos são os nossos, fazendo com que nos apeguemos a eles de tal forma que chega a assustar (por exemplo: "nossa, acho que eu teria que tomar a mesma decisão que ele").

A história de Wladimir Lester, o menino pintor, me pegou de uma forma que há tempos não pegava. Devorei o livro em um dia e meio (levaria menos tempo se não tivesse que trabalhar haha). Espero que esse pacto entre Cesar Bravo e Darkside perdure pela eternidade para que nos deleitemos com o terror mais sensacional que já li em terras brasileiras...

Posso, com tranquilidade, afirmar: Cesar Bravo é o mestre do terror nacional contemporâneo!
Cesar Bravo 05/12/2016minha estante
Olá, Caio. Fiquei muito feliz com sua resposta. Muito obrigado por ler e comentar por aqui. Sua resenha fez justiça ao livro: satanicamente linda. Abração!!!




LidianeReader 25/12/2016

Barganhando com Deus e o Diabo.
Eu não conhecia César Bravo e sua forma de escrever, muito menos procurei resenhas ou li sinopse. Então o livro foi uma surpresa para mim. O livro está muito lindo, com 6 personagens incríveis. O autor ambienta tão bem que realmente consegui imaginar todas as cenas como em um filme. (E seria realmente um filme com lugares e personagens incríveis). Na última parte eu pude reviver um pouco do filme Constantine. O inferno realmente está bem interessante nesse contexto.
Bravo, fala sobre pactos, sobre demônios, mas esse não é um livro satanista. É um relato super interessante, que nos mostra o que pode acontecer(para quem acredita) com quem se mete com o que não entende, ou faz coisas só pensando em grandeza ou por ganancia. E em como podemos fazer escolhas sem pensamos adiante, ou o que isso pode acarretar a quem nos cerca. Estamos acostumados a fazer votos, promessas e não cumpri-los. Pensando em mais para frente dar um jeitinho. E se por fim alguém vier cobrar todas as nossas dívidas? Estaríamos, nós, preparados? Até onde o que acreditamos determina quem somos e o que vivenciaremos.
O ser humano se acostumou a viver de barganhas com Deus e culpando o Diabo...
Augusto.Castro 26/12/2016minha estante
Uma bela resenha, me deixou com mais vontade de ler. sou um cagão de medo pra ler terror, mas estou começando. Parabéns


LidianeReader 26/12/2016minha estante
Pode ler tranquilo. Ele não dá medo não. São poucos relatos. O demônio é bem humano e de certa forma bem justo nesse livro RS.


Augusto.Castro 26/12/2016minha estante
Kkkk massas então. Em breve vou comprar


Cesar Bravo 26/12/2016minha estante
Muito obrigado por ler e comentar, Lidiane. Palavras como as suas são uma injeção de ânimo. Abraçãooooooo
Adorei a resenha ?


LidianeReader 26/12/2016minha estante
Ânimo é ler um livro como o seu. Tão bem feito!




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