O Xará

O Xará Jhumpa Lahiri




Resenhas - O Xará


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Matheus 18/08/2019

Vale o trabalho todo que dá
Acabei de terminar a leitura e desceu uma lágrima que eu nem sabia que estava lá assim que li a última frase. A sequência de acontecimentos na vida do Gogol/Nilhil, que na maior parte são trágicos, vão moldando sua personalidade confusa.
Não consegui dar 5 estrelas pois em certos momentos eu fiquei realmente entediado com a escrita da autora, não tem nem uma "farofa" no meio tipo um diálogo pra dinamizar a leitura. Fica sempre na mesma nota do narrador onisciente. E fiquei entendiado por volta de 2/3 do livro, mas chegando na última parte eu não conseguia parar, mais pelos acontecimentos do que pela escrita em si.
Voltando pro protagonista, é muito interessante ver como ele se comporta sobre as origens dele, em maior parte do tempo renegando à elas mas chegando no último capítulo ele já está aceitando e vi um certo arrependimento da parte dele por algumas atitudes que teve. E tem muitos outros pontos que são interessantes, como os relacionamentos que ele tem durante a vida, especialmente a última, que tem um papel crucial na vida dele.
É um livro incrível e carregado de muitos pontos de discussão que se eu escrevesse tudo aqui ficaria gigante, mas, por hora é isso.
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Jacqueline 22/07/2019

Dos imigrantes de segunda geração e dos sentidos dos nomes próprios
A vivência da imigração na segunda geração é potencialmente mais intensa do que na primeira geração, pois o processo inicial da construção da identidade se dá em meio a essas contraposições (por vezes, choque) culturais.
Mas talvez a prova mais cabal de que somos constituídos pelos outros, pelas relações que vamos estabelecendo e pelos sentidos que vamos construindo é nosso nome:
como algo que nos singulariza tanto e que, de um jeito ou de outro, nos acompanha durante a vida toda, pode nos ser dado por outros?
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Carol | @carolreads 11/07/2019

O Xará
Sempre escutei falar muito bem desse livro mas não esperava curtir tanto! Achei a escrita da Jhumpa Lahiri muito gostosinha... já coloquei outras obras dela na listinha de desejos.

Em O Xará vamos acompanhar um período da vida de Gógol Ganguli, um americano filho de imigrantes indianos que ganhou esse nome graças a duas coisas: a conexão que seu pai sentia com o escritor russo Nikolai Gógol e a total falta de conhecimento de sua família dos costumes americanos.

Achei o livro muito envolvente... ao longo da narrativa, Gógol terá de lidar com o choque de culturas e com o constante sentimento de não pertencimento, afinal, apesar de americano foi criado nos costumes indianos. Além disso, estava tão presa na escrita da Jhumpa que fiquei com raiva do protagonista diversas vezes pela maneira como ele agia e fiquei super feliz quando ele finalmente passou a entender - e admirar a coragem - de seus pais.

Como já tinha comentado anteriormente não assino a Tag Livros regularmente, pego esporadicamente alguns livros que eu tenho certeza que vou gostar e que vão sair um pouco da minha zona de conforto. Além de ser superado as expectativas, essa edição de O Xará está MARAVILHOSA! Parabéns para a TAG!
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E aí... quem já leu algum livro da Jhumpa Lahiri? Qual deles deveria ser minha próxima leitura?

site: https://www.instagram.com/carolreads
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Vaninha 24/06/2019

Dois dedos de prosa sobre O Xará, de Jhumpa Lahiri.
O xará conta a história de Gógol Ganguli, um jovem em busca de sua própria identidade. Nascido nos Estados Unidos mas filho de pais indianos, Gógol fica dividido entre seguir a cultura do país onde nasceu ou a cultura de seus pais.

À medida que cresce, Gógol, querendo se distanciar da cultura tradicional indiana, se afasta da família de todas as formas que consegue, enquanto busca se inserir cada vez mais no modo de vida americano, até que um determinado evento (que, é claro, eu não vou contar) faz com que Gógol comece a repensar suas relações, seu modo de vida, seus sentimentos em relação a tudo com que sempre esteve em conflito desde a infância.

A temática do livro é super interessante embora a leitura tenha empacado um pouco, principalmente na primeira metade, mas depois melhorou. Apesar disso, é um livro que vale muito à pena ler.
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Natália | @tracandolivros 01/06/2019

O xará
Gógol Ganguli tem um nome russo, e um sobrenome indiano e é naturalmente americano. Seus pais são naturais da Índia, e logo após o casamento se mudaram para os Estados Unidos. O costume indiano é que a pessoa mais velha nomeei os filhos novos da família, e quando sua mãe estava grávida, mandou uma carta a sua avó pedindo nomes para a criança, porém essa carta nunca chegou. Assim na saída do hospital o pai dele o nomeia Gógol, seu autor favorito, sendo apenas seu nome temporário, até que chegue seu “nome bom”. O problema acontece na diferença das culturas, onde na indiana, eles registram seus filhos quando eles vão entrar na escola, já na americana a criança não sai do hospital sem dar parte no registro. Então para a surpresa dos pais, o nome de criação do seu filho acaba sendo o seu nome de registro, e essa não era a ideia deles.

Depois de todo esse problema, Gógol acaba passando por vergonhas conforme cresce, porque todo mundo pergunta o porquê daquele nome russo se ele é indiano, e quando mais velho perguntam se é daquele autor de “O Capote”. Assim, Gógol cresce odiando seu nome e sem sentir que ele pertence a ele, já que é o nome de outro.

Durante o livro vemos a vida de Gógol desde o seu nascimento até o seu amadurecimento. Neste livro encontra-se muito sobre a cultura indiana, isso foi o que me deixou mais encantada, porque é uma forma leve e fácil de aprender, e me permitiu viajar apenas estando sentada lendo. Também tem muito do medo de ser imigrante, e não conhecer a cultura, não saber como se portar e nem se vai conseguir se adaptar à ela. A saudade da família, que mesmo em visitas longas não é suprimida. Um livro sobre crescimento, sobre superar as dificuldades e procurar sua própria identidade.

site: https://www.instagram.com/p/Bf0zIo5gB3k/
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Ricardo 16/04/2019

Sensação estranha
Li essa estória porque no ano passado enquanto ingressei no clube de livros da TAG experiências literárias sempre observei críticas favoráveis, sendo um dos mais indicados dentre todos os livros recomendados pelos curadores. Eu não fazia parte da TAG quando o livro foi lançado, e ele estava esgotado no site do clube, procurei na estante virtual e encontrei em um sebo, por um valor bastante inferior ao cobrado pela TAG, sem a caixinha, a revista e o presente, mas em perfeito estado de conservação. Praticamente novo.
Não sou indiano, a cultura desse país e o idioma (os vários idiomas muito além do inglês oficial) são estranhos, mas me fascinam. O livro da Thrity Umrigar "A distância entre nós'' foi uma grata surpresa, e este "O Xará'' não foi diferente. Porque é um romance doce, discute um tema caro a literatura e a cultura atual, o feminismo (que não é o contrário do machismo, como muita gente apregoa), o multiculturalismo e o choque de gerações, culturas e países diferentes, temas também discutidos nos livros de Chimamanda Ngozi Adichie (o livro me recordou Americanah). Ok, o personagem é um homem, nascido nos EUA de pais bengalis indianos que saíram da Índia por motivos profissionais e pessoais (matrimônio). Esse protagonista chamado Gogol é cercado por mulheres, seja a mãe, a irmã, namoradas, esposa, e a autora dá voz a essas personagens. O drama pessoal por vezes curioso, por vezes trágico de Gogol tem esse tom familiar, carinhoso, que, muitas vezes estranhamos a forma como o protagonista enxerga o mundo, ele é um homem, tem suas preferências e sua vida particular não tão diferente de outros homens, mas ele é concebido sob o ponto de vista feminino. Se por um lado, não vemos o comportamento característico de um homem, não vemos o que somos habituados a ler sempre que deparamos com um escritor contando a vida de um personagem masculino da adolescência ao mundo adulto, isto é, clichês, e isso é um grande ponto para Jhumpa Lahiri. A literatura está saturada de autores homens contando em via de regra as mesmas coisas sobre a vida contemporânea sem a criatividade necessária para motivar a leitura. Não se trata de uma generalização, Mia Couto, por exemplo, tem o dom de contar belamente estórias de mulheres negras, sendo branco e homem. Gogol não gosta do nome que o seu pai lhe deu em homenagem ao escritor Nikolai Gogol e passa a usar outro nome para tentar fugir de um destino similar ao autor russo-ucraniano. Livro muito bem escrito, ótima estória, boas: tradução revisão e edição da TAG, Biblioteca azul. Recomendo.
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Alexandre Kovacs / Mundo de K 25/02/2019

Jhumpa Lahiri - O Xará
Editora Globo, Biblioteca Azul - 344 Páginas - Tradução de Rafael Mantovani - Capa: Adriana Bertolla Silveira (Female Infanticide, de Rani Jha) - Lançamento: 01/06/2014.

Jhumpa Lahiri nasceu em Londres, filha de indianos, contudo sua família se mudou para os Estados Unidos quando ela tinha apenas dois anos. O seu livro de estreia, uma coletânea de contos lançada originalmente em 1999 com o título de Interpreter of Maladies (publicado no Brasil como Intérprete de Males), foi vencedor do Pulitzer Prize de ficção e do Ernest Hemingway / PEN Award, duas premiações concedidas em 2000. Em 2003 lançou seu primeiro romance, The Namesake (traduzido no Brasil como O Xará). Dez anos depois, em 2013, foi finalista dos prêmios Man Booker Prize e do National Book Award com o romance The Lowland (lançado no Brasil como Aguapés). Atualmente, Jhumpa Lahiri mora na Itália com o marido e os dois filhos e passou a escrever e publicar apenas na língua italiana. Toda a sua obra trata da adaptação cultural de imigrantes indianos vivendo no exterior, tendo, portanto, muito de autobiográfico.

Gógol Ganguli é o protagonista de O Xará, filho de pais imigrantes bengalis que se mudaram de Calcutá para os Estados Unidos nos anos sessenta em busca de melhores oportunidades de trabalho. Depois de um casamento arranjado pelas famílias, o casal jovem e inexperiente encontra muitas dificuldades para se estabelecer longe de seu país natal, Ashoke é professor universitário de Cambridge e Ashima uma dona de casa que sente mais os efeitos da solidão, eles buscam conviver com outras famílias de imigrantes e manter os costumes religiosos e culturais de seus antepassados. Um desses costumes é o procedimento para escolha do nome dos filhos, segundo a tradição todos têm o direito a um nome "bom" (geralmente escolhido pela pessoa mais velha da família) e um nome de "criação" bengali, conforme o trecho abaixo:

"Além disso, sempre existem os nomes de criação como solução provisória: uma prática da nomenclatura que atribui dois nomes para toda e qualquer pessoa. Em bengali esse nome de criação é o 'daknam', que significa literalmente o nome pelo qual se é chamado por amigos, parentes e outras pessoas íntimas, em casa e em outros momentos de descontração. Os nomes de criação são um resquício persistente da infância, um lembrete de que a vida nem sempre é tão séria, tão formal, tão complicada. Também são um lembrete de que uma pessoa não é a mesma para todas as outras. Todos eles têm nomes de criação. O de Ashima é Monu, o de Ashoke é Mithu, e mesmo quando adultos, esses são os nomes pelos quais são conhecidos em suas respectivas famílias, os nomes que os outros usam quando os adoram, quando os repreendem, quando os amam e sentem sua falta. [...] Todo nome de criação é acompanhado de um nome bom, um 'bhalonam', usado como identificação no mundo externo. Consequentemente, os nomes bons aparecem nos envelopes, nos diplomas, nas listas telefônicas e em todos os outros lugares públicos." (Pág. 37)

O parto de Ashima acaba sendo antecipado e surpreende o casal ainda sem ter escolhido o nome do filho, como o bebê precisa ser registrado antes da saída do hospital, Ashoke, o pai, decide registrá-lo com um nome de "criação" inspirado no escritor russo Nikolai Gógol, uma fixação literária de sua juventude que se tornou ainda mais forte quando ele foi resgatado milagrosamente de um violento acidente ferroviário devido ao fato de ter acenado para o grupo de resgate com o resto das páginas do livro que estava lendo no momento do choque repentino. Como se não bastassem os conflitos de identidade vivenciados por um filho de pais imigrantes, o nosso protagonista ainda terá que lidar com este "pequeno" problema adicional, um nome que não encontra nenhuma semelhança na terra de seus antepassados, assim como no país em que nasceu, um sobrenome russo que se torna o seu nome nos registros oficiais de nascimento, para eventualmente ser modificado quando houver uma decisão quanto ao seu nome "bom". No entanto, o tempo passa, a carta da avó de Ashima se perde com a sugestão do nome e o protagonista permanece como Gógol Ganguli por toda a infância e adolescência.

"Pois a essa altura, ele passou a odiar perguntas relacionadas a seu nome, odeia ter que explicar o tempo todo. Odeia ter que dizer às pessoas que não significa nada 'em indiano'. Odeia ter que usar um crachá preso ao suéter no dia das Nações Unidas na escola. Odeia inclusive assinar seu nome embaixo de seus desenhos na aula de artes. Odeia que seu nome seja tanto absurdo quanto desconhecido, que não tenha nada a ver com quem ele é, que não seja nem indiano nem americano, mas justamente russo. Odeia ter que conviver com isso, com um nome de criação transformado em nome bom, dia após dia, segundo após segundo. Odeia ver esse nome no envelope de papel pardo da assinatura da 'National Geographic' que os pais lhe deram de aniversário no ano anterior e eternamente presente na lista de estudantes de destaque impressa no jornal da cidade. Às vezes seu nome, uma entidade sem forma e sem peso, consegue mesmo assim incomodá-lo fisicamente, como a etiqueta áspera de uma camisa que ele foi obrigado a usar para sempre." (Pág. 95)

O casal Ganguli tem mais uma filha, Sonia, que assim como Gógol não se interessa pelas questões de tradição e cultura familiares. Muito a contragosto eles são levados pelos pais para passar temporadas em Calcutá onde se sentem inadequados entre os familiares como se fossem meninos americanos. Esta negação da história familiar — e do próprio nome — permanece por toda a juventude de Gógol que tentará oficializar a mudança de seus registros oficiais para Nikhil Ganguli (um procedimento relativamente simples nos Estados Unidos). Com o amadurecimento, Gógol (ou Nikhil como ele passa a ser conhecido a partir da faculdade) entenderá melhor os sentimentos dos pais, fazendo as pazes com sua origem bengali.

Um romance sensível e muito bem escrito sobre uma história de vida comum, como tantas outras que, ao descrever os conflitos de identidade e inadequação dos personagens, certamente irá mexer muito com o lado emocional de filhos de imigrantes de qualquer nacionalidade que reconhecerão muitas das questões e dificuldades vivenciadas por suas famílias para conseguir se inserir em uma nova cultura, sem esquecer de suas raízes.
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Paulo Sousa 19/02/2019

O xará, de Jhumpa Lahiri
Lista #1001livrosparalerantesdemorrer
Livro lido 2°/Fev//8°/2019
Título: O xará
Título original: The Namesake
Autor: Jhumpa Lahiri (GBR)
Tradução: José Rubens Siqueira
Editora: Companhia das Letras
Ano de lançamento: 2003
Ano desta edição: 2004
Páginas: 336
Classificação: ???????
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"Isso não existe. Não existe um nome perfeito. Acho que deveria ser permitido aos seres humanos escolherem o próprio nome quando completam dezoito anos. Antes disso, pronomes" (pág 252).
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Em "O xará" acompanhamos a trajetória de mais de 30 anos de Gógol Ganguli, filho de pais indianos, ora egressos aos Estados Unidos. Sendo o primeiro filho do casal, Gógol, apesar de americano de nascimento, é, desde pequeno ensinado no doutrinamento, nos costumes e na língua do país de origem de seus genitores.
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O romance tem uma temática interessante, onde a escritora britânica Jhumpa Lahiri tece com maestria os resultados do choque cultural e identitário vivido por Gógol. A todo momento ele tenta se desvencilhar de suas raízes, procura assumir uma identidade americana, inclusive abolindo de seu círculo social o nome pelo qual o seu pai, Ashoke, o batizou, uma referência ao seu escritor predileto, o russo Nikolai Gógol. Para Gógol não é fácil sair da sombra de sua origem indiana, ele constrói uma nova imagem de si próprio, mas, ao perder o pai, ver seu casamento desmoronar e viver uma crise existencial, Gógol percebe que é inevitável acabar se apoiando no seio familiar, esse alicerce sempre presente e de onde buscou fugir sempre. O livro é uma ode de amor àquilo que somos. Vale!
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Te 30/01/2019

Cativante
Que livro lindo! Uma narrativa cativante que mostra o sujeito sem lugar no mundo, pois enquanto não der conta da sua história, das suas resistências, não conseguirá fazer laços duradouros e que o conectem consigo mesmo! E também porque a ideia de um lugar para retornar, um lugar para chamar de seu é subjetivo e não diz de nenhum limite geográfico
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Raquel 20/01/2019

Uma bela reflexão sobre identidade cultural
Depois do casamento arranjando entre as famílias, Ashima e Ashoke Ganguli se mudam para os Estados Unidos. Divididos entre a cultura americana e a bengali, Ashima luta diariamente para manter seus costumes como forma de manter laços com a Índia. Com o nascimento de seus filhos, Gogol (em homenagem ao escritor russo predileto do marido e íntima relação com sua vida americana), e Sonia, criados na América surge os conflitos entre os costumes e tradições.

Enquanto os pais lutam para preservar seus hábitos antigos, os filhos constroem seus caminhos divididos pela aceitação de uma nova cultura ocidentalizada e a marginalização na sociedade onde vivem. Existe uma nítida ilustração em "O xará" de como pode ocorrer embates culturais entre diferentes gerações de uma mesma família, e a importância do lar e da familia, já que esta muitas vezes pode se tornar o microcosmo do indivíduo.

Que escrita linda e sensível, a Jhumpa Lahiri. Nunca tinha lido nada da autora e, talvez por isso não tinha grandes expectativas. Desde o início, ela compõe a saga do seu personagem de forma que o leitor seja imerso no universo cultural, bem como se torne empático com os sentimentos de exclusão e a constante busca pelo tal "pertencimento de lugar" tão almejado por Gólgol, que na procura pelo "encontrar-se" em tantos mundos nos quais é apresentado, aprende a conviver com a solidão, a estranheza do seu nome russo, os costumes bengalis da família, a sociedade americana, a frustração e as perdas dos vários ciclos vividos no caminho para a aceitação.
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Uma grata surpresa em 2018, que entrou na listinha das melhores leituras do ano. .
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"Lembre que você e eu fizemos essa jornada, que fomos juntos a um lugar de onde não havia mais lugar algum para ir." (p. 218)
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Laryssa Rosendo 14/01/2019

O xará conta a vida de um casal de imigrantes bengalis, que tem seus filhos nos EUA. E tentam repassar a estes, habitos da sua cultura indiana. Preponderantemente pela visão do filho, Gógol, o livro descreve a dificuldade de se enxergar como parte do meio, considerando a sua falta de reconhecimento tanto com a Cultura dos seus pais, quanto a própria que ele vive.

Em muitos momentos do livro da vontade de sacudir Gógol, pra ele deixar de ser tão mimado e não enxergar o esforço que seus pais fazem. No entanto, esses momentos servem pra nós fazer reconhecer os nossos próprios erros de ingratidão que podemos não enxergar durante a nossa vida.

Os capítulos que mostram a visão da Ashima, pra mim, são os mais emocionantes, por descrever a necessidade de se reinventar quando tudo o que você acredita ficou pra traz em uma realidade distante da que se tem.

Um livro incrível, que não cai no lugar comum e que deixa a gente órfão quando termina, querendo saber o que será que os personagens estão fazendo agora.
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Déh 26/08/2018

Gostaria de conhecer mais livros assim
Este foi para mim, o livro mais difícil de ler até hoje.

Sofri muito ao longo das páginas de "O Xará" onde cada pensamento de Gógol me chateava enormemente. Tive com este, a primeira experiência de me sentir extremamente amargurada durante uma leitura. A minha afetação era tal, que me doía até fisicamente, chegando, inclusive, a procrastinar a leitura e a abandoná-la por alguns dias.

O fato é que "O Xará" é um livro bonito demais! Jhumpa Lahiri tem uma sensibilidade para escrever que me comoveu muito e eu não conseguia passar por mais do que três ou quatro páginas sem me emocionar.

Este livro é um romance de formação onde acompanhamos a história de Gógol desde antes do seu nascimento até a fase adulta. Com isso, tive a oportunidade de me aproximar tanto dos personagens ao ponto de sentir muita empatia pelos mesmos. Gógol não teve uma vida difícil, não passou por sofrimentos além do que nós todos podemos passar, porém, o que me cativou foi o quanto ele era humano: tinha suas dúvidas, seus anseios, seus pensamentos quase sempre nada nobres. Ele não era propriamente estadunidense, mas menos ainda, indiano; faltava-lhe um lugar para se encaixar o máximo possível. Ao longo do livro, creio que ele descobre este lugar e repensa todos seus pontos de vista. Acho que isso é amadurecer.

Se fosse possível, gostaria de "desler" este livro, só pelo prazer de poder lê-lo novamente como se fosse a primeira vez, e talvez, de novo e de novo...
Jefferson Abreu 26/08/2018minha estante
Adorei o comentário, muito bem escrito e de bom gosto.




Teacher Jorge 12/05/2018

Minha opinião sobre o livro “O Xará”
Hello Folks, aqui vai a minha opinião sobre o livro “O Xará”
Simplesmente sensacional! Acho que um dos melhores livros que já li! Enredo, construção e desenvolvimento das personagens impecável. Basicamente a estória gira em torno de uma família indiana que se muda para os Estados Unidos em busca de melhores oportunidades para si e seus futuros filhos. Com o nascimento do primeiro filho, protagonista da estória, já acontece um envolvimento de “cara” por conta da escolha de seu nome, pois era tradição dar aos filhos um “pet name” utilizado pelos mais íntimos e um “good name” utilizado pela sociedade em geral, porém neste momento começam a acontecer diversos infortúnios nesta família até o final da obra, ou seja, o pobre primogênito é o primeiro a sofrer nesta trama, e seu sofrimento por conta deste nome nos leva a momentos bem engraçados e dramáticos. A autora é realmente surpreendente pois de um tema tão simples consegue desenvolver tantos momentos incríveis ao longo do livro, como por exemplo: a grande influência do meio dentro de tradições culturais e religiosas tão fortes, interferindo tão consideravelmente nestas; a visão estrangeira de que tudo poderá ser diferente em um outro local; conflitos entre pais e filhos, dentre outros. Resumindo, a estória me prendeu a atenção do começo ao fim, e com certeza, super indico!
Mauricio Junior 12/05/2018minha estante
É o tipo de livro que pelo título e até pela capa a gente não espera muita coisa, mas pelo que escreveu parece ser bem legal!




Nem Tudo é Ficção 13/03/2018

Adorei!
Sabe quando você perde o hábito da leitura e por mais que queira ler algo, por mais que saiba que aquele livro é bom, não consegue reunir forças para somente sentar e ler? Foi o que aconteceu comigo e esse livro. Recebi ele em Fevereiro desse ano e, por duas vezes, peguei ele pra ler e acabei não conseguindo. E depois, quando terminei de ler, fiquei me perguntando porque demorei tanto.

O Xará foi escrito por Jhumpa Lahiri, filha de indianos e nascida em Londres, mas que se considera americana. A história do livro tem um pouco da história da própria Jhumpa: o protagonista, Gógol, é filho de indianos, mas nasceu nos Estados Unidos e carrega um nome Russo, homenagem ao autor favorito do pai.

O livro mostra a história da família Ganguli ao longo de mais de 30 anos, desde antes do nascimento de Gógol. Vemos como, durante toda sua vida, Gógol se sente incomodado com suas origens e rejeita o nome Russo, sem saber o real motivo do pai ter escolhido esse nome para ele.

Seu desconforto consigo mesmo e sua “mistura” de nacionalidades era tão grande, que ele passou não só a rejeitar o nome, mas também a cultura e tradição da sua família indiana. Ele não queria aquilo para si e tentava se reinventar, criar um outro de si. Alguém que, para ele, se encaixasse e de quem gostasse mais.

O livro é muito bem escrito e os detalhes muitas vezes me fizeram sentir parte daquela história também. Ao conhecer a história da família, acabamos por conhecer também um pouco da história das pessoas indianas. A família Ganguli faz viagens periódicas para lá e também têm reuniões com outros indianos vivendo nos Estados Unidos, assim podemos conhecer um pouco dos seus costumes e ver como era para eles viver em um país muito diferente do seu.

(Texto completo no blog)

site: https://nemtudoeficcao.com.br/2017/12/04/o-xara-de-jhumpa-lahiri/
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