Swimming Lessons

Swimming Lessons Claire Fuller




Resenhas - Swimming Lessons


1 encontrados | exibindo 1 a 1


Carous 31/03/2020

Abandonado - 38%
Eu gostaria que as editoras avisassem de antemão quando a história é sobre o relacionamento entre uma aluna e seu professor. Assim eu me poupava de ler o livro porque não é uma trama que me agrada.

Aos 20 anos, Ingrid se envolve com Gil, seu professor de 40 anos. Ele é escritor (de um livro só), adúltero, galinha, tem fama de dormir com suas alunas, prepotente, misógino e egoísta. Sua melhor amiga a alerta sobre isso - inclusive sugere que denuncie os flertes deles - e Jonathan, melhor amigo de Gil, a alerta sobre isso. Mas Ingrid, do alto da sua própria prepotência típica de jovens, acredita que com ela será diferente e embarca nessa furada - terminando surpresa por não dar certo.

Anos depois, Ingrid, agora casada com o cuzão do Gil, mãe de duas meninas, equilibra os chifres na cabeça enquanto escreve cartas ao marido recontando toda a história dos dois durante as madrugadas demonstrando toda sua infelicidade por ter sido pega na órbita dele - em que só Gil pôde brilhar - e pelos sonhos que não realizou.

As cartas são, nitidamente, um recurso bem pobre que Claire Fuller usa para expor para o leitor sobre a relação de Ingrid e Gil. Simplesmente não faz sentido a esposa escrever para o marido sobre o início do namoro deles como se ele não estivesse vivenciado tudo com ela.

Ingrid desaparece um dia após seus habituais mergulhos matinais no mar. Deixando uma dúvida que permeia todo o livro se ela morreu afogada ou abandonou a família.

Outros anos depois, Flora, retorna à sua cidade natal após o telefonema da irmã; o pai delas precisa de cuidados. Ela é filha caçula de Ingrid e Gil e bem filha do pai mesmo: egoísta como ele, sem nenhum semancol, galinha e irresponsável. A idolatria que tem pelo pai é certamente preocupante, mas a psicanálise explica.
Já Nan, a filha mais velha, é prestativa e a única por quem senti simpatia. Inclusive, senti pena dela. Tanto a autora quando a família a deixam de lado o livro inteiro. A mãe mal a menciona nas cartas - tudo é sobre Flora -; e para a autora também.

Gil está velho, mas vivo - pois vaso ruim não quebra - e jura para as filhas que viu a mãe delas na rua. Nan descarta essa ideia, mas Flora, na falta do que fazer - poderia cuidar do pai senil - acredita no papaizinho querido.

O livro é lento e monótono. Claire Fuller usa muito mais palavras do que necessário. Eu só consegui ler 38% do livro porque fiz leitura dinâmica após um tempo de vários nada acontecendo.
Mas isso não seria problema caso o resto fosse interessante, e não é. Além de uma história sem graça, os personagens são completamente rasos e unidimensionais. Junte nesse bolo a transa de uma noite que Flora tem e que, por alguma razão, a segue até sua casa de infância. Não era intenção de Claire Fuller abordar um stalker e ela nem faz isso. Aliás, esse cara é mais obcecado pelo grande mito do escritor Gil Coleman do que pela filha dele e eu achei tudo muito bizarro.

Flora, a quem recai parte do protagonismo da história, simplesmente não funciona. Seu complexo de Electra irrita mais do que agrada o leitor. Ela simplesmente não enxerga que talvez o casamento de seus pais não fosse feliz, que as memórias que ela tem da infância não estão tão corretas como ela acha, que seu pai, como todo ser humano, tem qualidades E defeitos e que ignorar os defeitos do pai não ajuda em nada.
Trocando miúdos: ela é chata pacas e colocar o pai num pedestal não a ajudou em nada para me conquistar.
Claire Fuller tenta retratar Gil como um cara charmoso, divertido e maravilhoso. Não funciona. De todos os ângulos que se vê o personagem, percebe-se o quanto ele é detestável.

Eu queria ter sentido empatia pela Ingrid. Eram aos anos 1970. Ela tinha apenas 20 anos. Namorar caras mais velhos não era incomum.
Mas a culpa não é minha se ela é burra e ignorou os avisos.
Do Gil é impossível de gostar. Após o sumiço da esposa ele parece arrasado, mas algo me diz que são por duas razões: orgulho ferido dela tê-lo deixado e não o contrário, e porque com o desaparecimento/morte de Ingrid ele teve que cuidar das filhas em tempo integral, sobrando pouco espaço para as escapadas sexuais.

Me sinto profundamente arrependida de ter pegado esse livro pra ler.
Nunca curti e jamais vou curtir livros com essa temática, nem com filhas que idolatram o pai cafajeste.
Fernanda @bookloverbrasil 31/03/2020minha estante
Eu dificilmente leio resenhas de livros que não quero ler, mas adorei a sua. Fiquei até com raiva junto com você hahahha




1 encontrados | exibindo 1 a 1