Jardins da Lua

Jardins da Lua Steven Erikson




Resenhas - Os Jardins da Lua


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Gisele @abducaoliteraria 30/03/2017

The HYPE is real!
De cara, me deparei com um dos prefácios mais legais que já li, no qual Esteven Erikson conta um pouquinho da sua jornada até conseguir publicar os livros e te alerta sobre o que está por vir, que o livro dele não sofre meio termo, é 8 ou 80, você ama ou você odeia.

"Jardins da lua é, por tanto, um convite. Segure-se e embarque na viagem. Tudo o que posso prometer é que dei o melhor de mim para entreter a todos. Maldições e aplausos, risos e lágrimas, está tudo lá".

Fui alertada que o primeiro volume é o mais complicado da série, que eu seria jogada dentro de uma história no qual o autor não iria se preocupar em ficar explicando tudo e, nas palavras dele, não iria subestimar os seus leitores.

Muito bem, challenge accepted! Até por volta dos 17% (entendedores entenderão), eu não estava entendendo bulhufas. Eu simplesmente fui ingerindo, fazendo marcações e anotações, relendo algumas partes quando necessário. Conforme a leitura ia passando, percebi que as coisas não eram tão difíceis assim, você é, inserido dentro de um mundo desconhecido e com inúmeros acontecimentos e é natural ficar confuso, mas aos poucos as peças vão se encaixando, você vai conhecendo os personagens, compreendendo suas motivações. Quando você menos espera, você se vê mergulhado na história, envolvido com os personagens - maravilhosos, diga-se de passagem - torcendo para as coisas darem certo.

Um ponto que achei interessante é que a razão dos personagens serem tão cativantes, é que eles são como nós: erram, acertam, possuem razões e motivações, independentemente de onde estão. Não existe bem e mal, e isso deixa ainda mais difícil você escolher os personagens favoritos ou para quais dos lados torcer. E, assim como o Erikson disse a princípio, esse livro realmente é um convite. Você se sente extremamente agradecido pela série ser grande e existirem outras séries dentro deste mundo, porque a história inicial só não desperta o seu interesse em continuar acompanhando a jornada dos personagens, você quer conhecer mais sobre o mundo, as raças, o sistema de magia, o passado.

Uma coisa que facilita bastante a leitura também, são os glossários no início e final da leitura. Fica a dica: eles esclarecem MUITA coisa.

Enfim, faço parte dos 80, dos que amaram o livro. Ele é bom. Excepcionalmente bom! A escrita, os personagens (ah, Anomander Rake...), o enredo, o mundo. Eu não tenho críticas para fazer. É com esse tipo de livro que você agradece por gostar tanto de ler.

É um livro no qual você, leitor de fantasia, irá se deleitar. Eu me vi lendo bem devagar, ingerindo a história e torcendo para não acabar, de tão boa que é. Estou muuuito ansiosa para ler a continuação e a boa notícia é que ela sai ainda esse ano!
Dani 30/03/2017minha estante
Ótima resenha. Deu pra sentir bem o quanto vc amou o livro. Fiquei bem ansiosa pra ler graças à seus comentários : )


Rogério Augusto | rogerioaugusto_ 30/03/2017minha estante
17% ???


Gisele @abducaoliteraria 30/03/2017minha estante
Que bom Dani, fico feliz! Gostei bastante mesmo, já está entre as minhas séries queridinhas. Espero que você também goste.


Milico 31/03/2017minha estante
eu preciso desse livro. Gi, otima a resenha, parabéns


Fernando 08/04/2017minha estante
Que bom que gostou, Gi. Só te digo uma coisa: O próximo livro é extremamente melhor do que o primeiro. Tipo, sem comparação. Fora que as coisas, ainda que confusas tb, começam a ficar mais corriqueiras, vc começa a se acostumar com os conceitos.


Gisele @abducaoliteraria 13/04/2017minha estante
Fernando, o segundo é Deadhouse Gates, certo?
Até agora só ouvi coisas positivas sobre o próximo livro e por já ter gostado bastante do primeiro, minha ansiedade e expectativa só aumenta. Não vejo a hora! rs


Paulo 17/04/2017minha estante
"Até por volta dos 17% (entendedores entenderão), eu não estava entendendo bulhufas."

Eu ri MUITO alto dessa parte. Melhor grupo que existe no Facebook! Hahaha

No mais, excelente crítica. Terminei de ler esse livro ontem e concordo com cada letra e vírgula que você escreveu e ainda assino embaixo!


Leonardo 16/03/2018minha estante
concordo com tudo que você disse, e qualquer crítica abaixo de 5 estrelas, pra esse livro, está errada.




Naty 13/05/2017

Que história!
Este é o livro para aqueles que estão preparados. Não é um tipo de preparo comum, habitual, algo ligado ao nosso dia a dia e ao gênero literário que nos deixa sentados na cadeira divagando sem necessidade de concentração. Este livro é para os fortes, os fortes de emoção, de sentimentos, os fortes de paciência e preparo físico também, oras, por que não? Explicar-me-ei!

Antes de adentrar no enredo, aviso que o autor deixa claro que esta série não é fácil – e isso fica evidente em seu prólogo, quando Erikson afirma que não tinha intenção em escrever um livro fácil de ser lido. Ele ainda declara que quem lê a série terá uma experiência 8 ou 80, ou seja, não existe meio termo. Ou você vai amar a obra ou vai odiá-la.

Em Jardins da Lua vamos conhecer um mundo habitado por magos, bruxas, feiticeiros, dragões e, claro, assassinos – daqueles bem cruéis. Malazano é o principal reino neste universo, comandado pela Imperatriz Laseen, que conquistou o poder traindo e assassinando o antigo imperador, Kellanved. Com essa ânsia por conquistar o poder, Malazano acaba entrando em guerra.

Ganoes Paran sempre preferiu trocar os privilégios da nobreza mazalana por uma vida a serviço do exército imperial. Longe do que imaginava, o seu destino acaba se entrelaçando aos desígnios dos deuses e, por consequência, ele adentrará num dos maiores conflitos que o Império Malazano passou a ter. Disposto ou não, Paran é enviado a Darujhistan, a última entre as Cidades Livres de Genabackis, onde deve assumir o comando dos Queimadores de Pontes, um lendário esquadrão de elite.

Eu gosto de fantasias, mas confesso que esse estilo do autor foi uma experiência para mim e que me tirou, de forma abrupta, daquela zona de conforto. Erikson não está muito preocupado em saber se você está entendendo a história nas primeiras páginas – e não estamos mesmo. Conhecemos tantos personagens e em tão poucas páginas, fica difícil assimilar tantas informações de forma rápida e precisa. Um ponto positivo para o autor (e assustador para nós) é o Glossário criado por ele para conhecermos cada personagem; confesso que as 04 páginas de informações assustam-nos (e muito), mas serve como uma “cola” para quem não está familiarizado com cada um.

O trabalho é rico em informações, os detalhes são bem criados, a geografia existente é uma verdadeira aula, sem contar as pesquisas realizadas pelo autor para criar um cenário tão fora do comum foram incríveis. Além disso, mostra-se uma história inteligente e que nos coloca para pensar a todo instante. Entramos na história perdidos, ficamos perdidos e saímos dela com algumas perguntas, afinal, por se tratar de uma série, nem todas as respostas são encontradas.

Ao concluir a leitura, a gente percebe que todo o cansaço valeu à pena. Ah! E o preparo físico que falei logo no início é por conta do sono e do cansaço no corpo. A leitura quando é muito densa proporciona um maior desgaste físico e mental. Para aqueles que gostam do gênero, certamente vão adorar. Sugiro que quem não goste de fantasia procure um livro mais leve para embarcar nesse estilo literário, já que começar com este não será fácil e pode não ser uma experiência agradável aos iniciantes. Mas, mesmo sendo iniciante, se estiver disposto a um desafio dos bons, sugiro que seja este.

Quote:
“Histórias não fazem ninguém sangrar. Histórias não deixam ninguém com fome nem machucam os pés. Quando se é jovem, cheirando a merda de porco, e se está convencido de que não há uma arma em toda a porcaria do mundo que seja capaz de matá-lo, tudo o que as histórias conseguem é fazer você querer se tornar parte delas.”


site: http://www.revelandosentimentos.com.br/2017/05/resenha-jardins-da-lua.html
Lana Wesley 13/05/2017minha estante
Realmente são poucos os livros de fantasia que me chama a atenção, por isso sou bem leiga no assunto, por isso talvez essa estória não seja uma leitura no momento que ira me agradar. Até porque a trama e densa e gera um cansaço no leitor, pelo fato de a todo momento ter de refletir, e repensar tudo que está acontecendo no desenvolvimento dessa trama. No entanto para quem gosta do gênero, e já esta mais acostumado deveria dar uma chance a essa leitura.


Yves 03/06/2017minha estante
Pelo visto, o livro parece ter sido feito para quem já é acostumado com livros de fantasia. Eu gosto muito do gênero, mas dele li poucas obras. Acho que vou esperar estar mais adentrado a esse tipo de universo para poder arriscar essa leitura.
Abraços.


Isabela | @sentencaliteraria 04/06/2017minha estante
Olá Naty ;)
Nunca li o livro, mas já vi tantas resenhas positivas que estou ansiosa para começar a série!
Adoro livros de fantasia, mas nunca tinha visto um que mistura bruxas, dragões e... assasinos kkk você me despertou a curiosidade! E estou sempre disposta a um desafio *-*
Já coloquei na lista de leitura, muito obrigada pela indicação!
Bjos


Marlene C. 07/06/2017minha estante
Oi Nat.
Eu amei a premissa desse livro, o autor realmente apostou alto e o fato de que o autor não se preocupa exatamente se o leitor esta entendendo é demais, eu não sei se leria mas confesso que a história me intrigou.
Bjs.


Gabi 08/07/2017minha estante
Oi! Sou apaixonada por fantasia e to super curiosa para ler a obra. Claro que tem aquele receio já que a leitura vai ser difícil e é muita informação para assimilar de uma vez só, mas eu aceito o desafio hahaha quero saber se vou odiar ou amar a obra hahaha Beijoss


Micheli 21/07/2017minha estante
Oi Naty,
Esse livro é um baita de um desafio hein? Mas como amo fantasia vou topar essa leitura ousada e difícil. Pelo jeito é um livro bem complexo e que exige completamente a atenção mesmo, afinal são tantos personagens e informações para serem assimiladas logo no inicio. Mas garanto que todo o esforço e cansaço valem à pena.
Está na lista, quando surgir a oportunidade vou ler.
Beijos




Musashi 10/04/2017

Impactante...
Livro espetacular que inicia uma obra a muito comentada no nosso país, mas que só recentemente começou a ser publicada.
Não é uma leitura fácil. Temos que nos ater aos mínimos detalhes. Entretanto, se o leitor se dispuser a chegar ao fim será muito bem recompensado. Ao fim, ficamos no aguardo dos próximos livros que irão elucidar vários mistérios que ficaram pendentes em Jardins da Lua.
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Amiga Leitora 15/04/2017

"Jardins da Lua", é o primeiro livro da série "O livro Malazano dos Caídos", nele vamos conhecer o Império Malazano ou melhor o que restou dele, bem como a luta da atual Imperatriz para conquistar a última das cidades livres, Darujhistan, que mesmo depois de várias investidas, ainda resite a ocupação.

A história é bem interessante e nos apresenta uma disputa por controle e poder, o nosso protagonista o comandante Ganoes Paran, luta para sobreviver em meio ao caos, Laseen a imperatriz tem uma sede de poder incontrolável e para conseguir a última cidade livre ela é capaz de tudo. Assim em meio a essa confusão Paran verá que o Império não é tão justo quanto ele pensava, e vai descobrir que nessa batalha existem Deuses e feiticeiros com poder que ele não poderia se quer imaginar existir.

Um jogo de xadrez definiria bem as estrategias que existem nessa batalha, tudo é pensado e meticulosamente articulado antes da próxima jogada, um banho de sangue, traições, segredos e mentiras envolvem os personagens, e algo que é necessário comentar é fato de que todos os personagens tem suas razões para agir como agem, nada é por acaso, o que deixa as vezes o leitor indeciso sobre qual lado apoiar.

A princípio devo dizer que a leitura não foi muito fácil, as primeiras 100 páginas fiquei um pouco perdida e fui lendo e relendo alguns trechos para me encontrar, mas no final deu tudo certo. Acredito que por trazer muita informação de uma vez o livro faz isso com o leitor. Os nomes dos personagens e das cidades são um pouco complexos, isso também dificultou um pouco minha memorização.

Depois que você se entregar a leitura, o livro simplesmente te prende e você entra no mundo criado pelo autor de uma forma que cada vez você quer mais. Posso dizer que me lembrou um pouco "As crônicas de gelo e fogo", não a história em si, mas os jogos pelo poder e grande quantidade de nomes para decorar dos personagens (rsrsrs). Mas vou dar uma dica: leiam com atenção o índice de personagens no início do livro, isso certamente vai facilitar a compreensão.

Eu com certeza indico 'Jardim da Lua' para todos os leitores que gostam de fantasia e amam uma aventura repleta de batalhas e estratégias.

* Escrito por Janaina Leal do BLOG AMIGA DA LEITORA.

site: http://www.amigadaleitora.com/2017/04/resenhajardins-da-lua-editoraarqueiro.html
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Vagner 27/04/2017

Desbravando Jardins da Lua
Jardins da Lua, do autor Steven Erikson, era um dos lançamentos de fantasia mais aguardados no Brasil para esse ano de 2017. E isso que a finada Saída de Emergência havia adquirido os seus direitos um bom tempo atrás, mas acabou não lançando e faliu antes disso, então a obra caiu no colo da editora Arqueiro, que parece ser a mais indicada para tocar a série até o seu final, já que o Steven Erikson escreveu míseros 10 volumes para O Livro Malazano dos Caídos. O histórico da Arqueiro em não abandonar séries é muito bom, então vejo Malazan sendo finalizada em um período de 5 anos, até 2021, aproximadamente, com 1 livro sendo lançado a cada semestre.

Dois anos atrás, eu bem que tentei ler Gardens of The Moon (vulgo Jardins da Lua) em inglês mesmo, mas estava sem foco para ler fantasia na época e acabei largando depois de umas 200 páginas. Não tinha gostado muito, estava bem perdido na leitura, mas na 2ª vez foi mais tranquilo.

O estilo do autor é diferente dos que eu estava mais acostumado a ler, o que acaba tornando a experiência inicial com a série meio... estranha. Ele vai jogando personagens novos na nossa frente a cada 5-10 páginas, muitos vezes sem mencionar exatamente quem eles são, fazendo a ida ao Glossário uma busca constante pela luz no fim do túnel. Que porra é essa que tá acontecendo aqui? Não faço a mínima ideia, jureg. A sensação de "tô bem perdido" é comum nos primeiros capítulos.

Acompanhamos o avanço do Império Malazano no continente de Genabackis, onde boa parte dele já foi conquistada pelos invasores, mas duas das Cidades Livres ainda resistem, Pale e Darujhistan. Essa "ânsia" por conquistar vem da política de guerra da nova imperatriz, Laseen, que assassinou o antigo imperador Kellanved e seu principal conselheiro, Dançarino. Esse golpe é mencionado algumas vezes no livro, mas quero mais detalhes em breve. Pelo que soube, o livro A Noite das Facas, lançamento da editora Cavaleiro Negro, trata bastante dessas mudanças em Malaz.

Logo nas primeiras partes já podemos ter uma noção de como a feitiçaria será tratada na série. Ela está ali, E MUITO PRESENTE, diga-se de passagem. Em meio aos massacres da primeira parte do livro, somos apresentados a personagens que nos acompanharão por muitas páginas de Jardins da Lua, como a conselheira Lorn, braço direito da imperatriz, e Ganoes Paran, atualmente tenente do Império Malazano e enviado a Genabackis para comandar o cerco a Darujhistan, joia do continente.

"Histórias não fazem ninguém sangrar. Histórias não deixam ninguém com fome nem machucam os pés. Quando se é jovem, cheirando a merda de porco, e se está convencido de que não há uma arma em toda a porcaria do mundo que seja capaz de matá-lo, tudo o que as histórias conseguem é fazer você querer se tornar parte delas."

À frente do esquadrão dos Queimadores de Pontes, que Paran assumirá, está o sargento Whiskeyjack. Antes uma unidade de elite do imperador Kellanved, agora os Queimadores foram relegados a tarefas ordinárias e frequentemente suicidas, uma mera amostra do desprezo que Laseen tem por eles. Quem pensa diferente disso é o Alto Punho Dujek Umbraço, o que pode/deve gerar conflitos.

Voltando a falar um pouco da magia em si, o sistema aqui é bem confuso, mas interessante ao mesmo tempo. Os tais Labirintos são legítimos quebra-cabeças para entendê-los, e creio que nesse 1º volume mal vimos do que eles são capaz. Segundo o próprio livro: "Os Labirintos habitavam o além. Encontre o portal e abra uma fenda. O que vazar é seu para modelar. Com essas palavras, uma jovem iniciou o caminho para a feitiçaria. Abra-se para o Labirinto que vem até você – que encontra você. Absorva seu poder, mas lembre-se: quando seu corpo fracassa, o portal se fecha". Espero ter mais para falar nas próximas resenhas, por enquanto vou ficar só nas especulações.

Focando mais em Darujhistan, percebemos claramente que MUITA coisa está em jogo no momento que o Império Malazano bate às suas portas. E é aí que a "escala" de Malazan começa a crescer. Depois de nos acostumarmos com as dezenas de personagens, o negócio começa a fluir de verdade.

Para não sucumbir aos ataques, as forças defensoras d'A Cidade do Fogo Azul, como é mais conhecida Darujhistan, por causa da sua iluminação à base de gás, forjam alianças com forças misteriosas. Uma delas é Anomander Rake, tiste andii,o Senhor da Cria da Lua, poderosa fortaleza voadora (WTF?!? hahaha). Com uma espada como Dragnipur nas costas, capaz de enviar as almas de deuses e mortais para serem aprisionadas em uma carroça monstruosa com correntes gigantescas, a balança da guerra pode mudar a qualquer momento. Pode depender de quem tiver mais sorte.

Darujhistan também é palco de diálogos interessantes, principalmente quando o personagem Kruppe estiver presente. Fiquem de olho nele e seus amigos. Envolvidos em uma conspiração junto à Sociedade dos Assassinos, assim como as manobras dos magos locais, os acontecimentos do grupo "principal" nessa parte do livro fazem a leitura fluir num ritmo bem melhor do que no começo.

"Por toda a nossa vida nós lutamos por controle, por um meio de moldar o mundo à nossa volta, uma caçada eterna e inútil pelo privilégio de sermos capazes de prever a forma de nossas vidas."

Quando alguns segredos do passado começam a ser desvendados e fatos milenares tendem a ser desenterrados, percebemos o quanto o worldbuilding (a famosa construção do mundo) faz o seu papel nessa série. Acho que é talvez o grande motivo por eu querer muito ler as sequências e descobrir o que vai acontecer e o que aconteceu. Saber mais sobre as Raças Fundadoras, sobre as guerras que antecederam o reinado de Laseen, entre tantas outras coisas que são pinceladas aqui.

Eu confesso até que não curto tanto essa parada de ter TANTA magia assim envolvida em uma obra de fantasia, onde ela parece não ter tantas limitações num primeiro momento, mas às vezes é bom sair da zona de conforto "espada + escudo" que leio sempre e partir para coisas diferentes. Investir junto com a Arqueiro n'O Livro Malazano dos Caídos é uma de minhas metas para os próximos anos.

Enfim, Jardins da Lua tem praticamente tudo que um leitor de fantasia épica pode desejar: worldbuilding massa, sistema de magia meio louco, mas que te deixa curioso, guerras para todo lado, várias raças, e mais, como as manobras dos deuses entre os mortais. Um mundo que não faz diferenciação entre homens e mulheres, divindades e discípulos. Todos têm um papel a cumprir.

Com tradução de Carol Chiovatto, a série deve ter sua continuidade no 2º semestre de 2017, com o lançamento de Deadhouse Gates, talvez "Portões da Casa Morta". É praticamente unanimidade entre os fãs da série que esse é o livro que arrebata todos os leitores para o mundo malazano. Veremos!

site: http://desbravandolivros.blogspot.com.br/2017/04/resenha-jardins-da-lua-steven-erikson.html
Fernando Lafaiete 29/04/2017minha estante
Meio difícil (eu acredito que seja impossível) ler este livro e não se sentir perdido. O livro é bom, mas que narrativa consfusa. Como você disse Vagner... eu consultei o glossário desesperadamente diversas vezes (rsrs).


@hialee 13/05/2017minha estante
Me senti perdida em vários trechos tbm. O glossário é extremamente importante pra esse livro.
Ainda não sei se darei continuidade, pq apesar de gostar da ambientação, basicamente não me apeguei a quase nenhum personagem.


Vagner 15/08/2017minha estante
Fernando, é bem isso, no começo a sensação de "estou perdido" é bem constante, mas aos poucos as coisas vão melhorando. Acredito que nos próximos a gente já vá se acostumando com os personagens e, em relação aos novos que aparecerem, já teremos uma base mais forte para lembrar de lugares, fatos, etc.


Vagner 15/08/2017minha estante
Hialle, esse glossário merece uma medalha de ouro! hahaha

Também não me apeguei muito aos personagens (pelo menos por enquanto), mas lerei com certeza o 2º para ter uma opinião melhor. Deve ser lançado agora em novembro, só ficar de olho!


Machado 17/05/2018minha estante
Apenas uma ressalva; a patente que que Wiskeyjack ocupava era a de sargento. No mais, excelente resenha.


Vagner 18/05/2018minha estante
Opa, já arrumei ali, Machado. Acabou passando mesmo, valeu por avisar!

Abraços


Carlos 29/05/2018minha estante
Vagner, confesso que quando li diversas criticas positivas a respeito desse livro fiquei empolgado para começar a leitura, o começo do livro realmente é super complexo e são jogados diversos personagens no leitor sem a minima previa explicação, mas até ai tranquilo se adaptar a esse tipo de leitura, o que realmente me fez desgostar do livro foram 3 fatores, (que por sinal ninguém citou em nenhuma critica que li), o primeiro de todos foi a precária descrição das batalhas em si, na primeira que aconteça na invasão de Pale tive de reler o capitulo para entender o que tinha realmente acontecido, relevei essa fato até chegar próximo ao final do livro, da luta que aconteceu com o tirano, foi tão mal descrita que simplesmente não consegui imaginar o que estava acontecendo, segundo foi a falta de desenvolvimento dos personagens, a motivação de cada um deles é muito vaga e acaba fazendo você não se apegar a nenhum. (pra você ter ideia o melhor personagem para mim foi o imass), e terceiro que pra mim fechou com "chave de ouro" foi a facilidade extrema com que derrotaram o tirano, sério cara, eu quando comecei a ler, achei que iam libertar esse ser superpoderoso e até imaginei essa trama se arrastando até o décimo livro da série, pensei que muito personagem ia morrer nas mãos dele, e ai um mago que de repente se revela ser superpoderoso (além de ter a habilidade de enganar deuses), derrota o tirano abrindo 7 labirintos (o que também foi mal explorado da parte do autor, onde em momento nenhum ninguém consegue abrir sequer 2 labirintos ao mesmo tempo, e com um deus ex-machina ele abre 7). emfim ... só queria compartilhar aqui minha frustração com esse livro o qual o hype me fez ler.




Hoje é dia de Livro 12/04/2017

Resenha - Hoje é dia de Livro
Publicada originalmente em 1999, a série de Erikson é conhecida por ser um tanto quanto complexa e não destinada à leitores preguiçosos, como o próprio autor comenta e deixa bem claro no prefácio de Jardins da Lua — o primeiro de dez livros do arco "O livro Malazano dos caídos" — e quanto a isso, não tiro sua razão. Confesso que após ler suas considerações, fiquei um pouco apreensiva com toda essa complexidade, mas veja, se não fosse por esse toque, considerado por mim um desafio pessoal, eu nunca teria conhecido e tirado tanto aproveito de uma leitura e de todo o seu universo.

Em Jardins da Lua acompanhamos o início da expansão e da busca pelo poder do Império Malazano, que se intensifica após a morte do Imperador Kellanved, realizada pelas mãos de Laseen — comandante de uma organização secreta do Império —, ocasionando uma traição que dá a ela o cargo de Imperatriz do continente de Malaz. Em sua busca desenfreada pelo poder, ela domina algumas das Cidades Livres de Genabackis — um conjunto de cidades com ricos recursos a serem explorados —, restando-a apenas uma, a resistente Darujhistan. Em sua campanha, ela travará lutas com e entre várias espécies, entre elas os Tiste Andii, seres ancestrais governados por Anomander Rake, que lutará bravamente para conter a sede de poder de Laseen. No meio de tantos conflitos, o comandante malazano Ganoes Paran lutará para sobreviver no meio de um jogo orquestrado por deuses e outras criaturas, que almejam também um poder maior, e perceberá que o Império não é tão justo quanto ele pensava. Nessa procura pelo controle, muitas coisas acontecerão e caberá ao leitor ter a vontade e curiosidade de descobrir e apreciar em seguida a genialidade do autor.

Acompanhamos o desenrolar dessa história junto aos mais variados tipos de personagens, desde um simples ladrão até um deus ancestral. Alianças são formadas e quebradas, perigos estão presentes a cada virar de páginas e grandes reviravoltas e surpresas são consequências dessa narrativa épica, que acontece em terceira pessoa e é alternada entre os personagens, que são em suma, marcantes e muito bem desenvolvidos.

Erikson possui uma escrita inteligente, utilizando com fulgor sua imaginação e criatividade para nos presentear com esse universo tão singular. Jardins da Lua é um prato cheio para quem admira e exige uma boa história fantástica, onde deuses ancestrais, raças não humanas, magos, assassinos e até mesmo dragões, são nossas companhias constantes.

A diagramação do livro é notável. Encontramos informações de grande importância para qualquer leitor, como o significado de muitas coisas presentes na história e ainda as ilustrações dos personagens principais na segunda e quarta capa da obra, o que facilita a compreensão e o usufruir da história e de seus personagens.

O universo Malazano, foi inicialmente projetado para uma campanha de RPG GURPS, Generic and Universal Role Playing System (Sistema Genérico e Universal de Interpretação de Papéis em tradução livre). Com a vastidão do universo, ocorreu até a criação de um roteiro para um possível filme, coisa que infelizmente não aconteceu, por falta de interesse de produtores. O universo Malazano, possui vários prequels e contos, mas isso é assunto para uma outra postagem.

site: http://hojeediadelivro.com.br
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Acervo do Leitor 02/02/2018

RESENHA: Jardins da Lua – O Livro Malazano dos Caídos #1
Jardins da Lua é sem dúvidas um dos lançamentos mais aguardados dos últimos tempos para os leitores de Fantasia. Desde que a “finada” editora Saída de Emergência adquiriu os direitos e começou o trabalho de tradução os fãs ficaram alvoroçados. Malazan trata-se de universo riquíssimo e de alta complexidade, histórias que ultrapassam milhares de anos, personagens memoráveis e criaturas únicas, distribuídos ao longo de dezenas de livros.
Saiba mais sobre a série aqui: https://goo.gl/c02W3F

Enfim, chega março e com ela a promessa (cumprida) da Editora Arqueiro de trazer à luz do dia esta esperada obra. Jardins da lua vale toda essa expectativa? É assim tão “intragável” pelo ponto da complexidade, deixando o leitor completamente perdido neste primeiro romance?

“Por toda a vida nós lutamos por controle, por um meio de moldar o mundo à nossa volta, uma caçada eterna e inútil pelo privilégio de sermos capazes de prever a forma de nossas vidas.”

Antes de tudo, SIM! Jardins da Lua é tudo isso que se esperava e ainda mais. Prepare-se para entrar em um ambiente hostil, árido e sombrio. Com personagens “overpower” caminhando além do famigerado bem vs mal. Olhando de maneira perspectiva, não há vilões, não há heróis, tudo e todos são passíveis de qualidades e defeitos. Acertos e erros. Outro ponto muito interessante é a variedade cultural figuradas nas personagens de Steven Erikson, independente de raça, cor, gênero ou qualquer outro “rótulo”, todos formam um mosaico grandioso, onde não há espaço para preconceito em um lugar onde a sobrevivência é o seu delimitador.

A história gira em torno de diversos personagens que nos são apresentados já em ação. Todos estão fazendo algo por alguém ou por si mesmo. Não há uma pausa para se explicar o que está acontecendo, você sente que pegou carona numa carruagem já há muito em movimento. Talvez este seja o ponto difícil para alguém que está começando agora no universo Malazan, talvez não. Erikson não nos dá um instante de fôlego, todas as histórias, personagens e mitologia formam um quebra-cabeças gigantesco, com detalhes que beiram a perfeição. Acredite quando falo em riqueza em todos os detalhes: Deuses, raças, heróis lendários, uma cadeia de magia criada que transcende o espaço e tempo, um mundo com dezenas de cidades, distribuídos ao longo de diversos continentes. Veja mais no mapa abaixo:

Do ponto de vista geral, o plot principal neste primeiro livro gira em torno do Império Malazano na busca de conquistar a última das Cidades Livres de Genabackis, Darujhistan – maior cidade do continente. Entretanto, como era de esperar, há muito por trás das cortinas. A Imperatriz Laseem está na iminência de um conflito interno com seu Alto Punho mais implacável e parte de seu exército, os Queimadores de Pontes, que acreditam estarem na lista de dispensáveis da governante, fazendo com que sua conselheira Lorn, tenha a responsabilidade de representar seus desejos. Lorn conta com o auxílio de seu comandado Paran nesta tarefa, um capitão que está envolto de um joguete dos Deuses. Neste meio tempo um lendário guerreiro – Anomander Rake – portador de uma espada – Dragnipur – capaz de aprisionar deuses e mortais num mundo de escravidão e governante da mítica Cria da Lua, se volta aos seus interesses e os de sua raça – os tiste andii. Em Darujhistan, uma comitiva liderada pelo enigmático Kruppe tentará defender sua cidade dos avanços do Império, ao mesmo tempo em que tenta sobreviver a um conflito com a Sociedade local de assassinos liderada pela misteriosa Vorcan. Acha que isso é tudo? Não, ainda está longe de ser. Trono Sombrio, regente do Reino das Sombras ao lado de seu fiel e implacável comandante Cotillion – conhecido como a Corda -, se unirá a esta guerra com seus Cães infernais e suas possessões beirando o demoníaco.

“- Uma convergência de poder sempre produz esse resultado (…) Os ventos negros se reúnem, alquimista. Cuidado com seu sopro cortante.”

A escrita de Erikson é fantástica. Por mais que você sinta dificuldades em se situar dentro da história, principalmente na primeira parte, Jardins da Lua é concebido como um poema sombrio em um universo caótico. Seus personagens são o ponto alto do livro ao lado do intrigante sistema de magia e construção do mundo. O final do livro encerra muito bem a primeira parte, deixando pontas soltas que irremediavelmente serão tratadas nos próximos volumes.

SENTENÇA

Jardins da Lua é de fato complexo. É necessário atentar-se a cada detalhe. De uma maneira geral, aconselharia ao leitor ler de maneira tranquila, não se force tanto, não leia com tanta voracidade, absorva as nuances, sem pressa. A partir do momento que você deixar o rio fluir de maneira natural, sua imersão neste universo será completa. E neste momento, você irá concordar comigo. Jardins da Lua é uma verdadeira OBRA-PRIMA da Literatura Fantástica mundial. E merece MUITO alcançar seu sucesso em nosso país.

site: http://acervodoleitor.com.br/resenha-jardins-da-lua-steven-erikson/
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Lit.em Pauta 24/02/2017

Literatura em Pauta: seu primeiro portal para críticas e notícias literárias!

"Em Jardins da Lua, o autor constrói uma narrativa complexa, torna a exposição do universo gratificante, cria uma gama gigantesca de personagens únicos, discute assuntos importantes e conta diversas histórias que empolgam pelo modo com que se conectam e concluem. Apesar disso, o que mais salta aos olhos durante a leitura é o fato de que o livro, indo na contramão da indústria, tem plena fé na capacidade do leitor e, além de não subestimar sua inteligência, ainda estimula seu raciocínio."

Participe da discussão, lendo a crítica completa em:


site: http://literaturaempauta.com.br/Livro-detail/gardens-of-the-moon-jardins-da-lua-critica/
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Gabriel 04/04/2018

Star Wars sem as letrinhas amarelas.
Imagine começar Guerra nas Estrelas sem aquele textinho em letras amarelas sempre presente no início de cada episódio da série para lhe situar sobre a situação da galáxia. Retire todo o maniqueísmo envolvendo a Rebelião e o Império, deixando dúbios os diversos interesses pelo poder que estão em jogo, e acrescente bem mais protagonistas e tramas do que as da saga de George Lucas. Pronto… Jardins da Lua é isso e ainda mais um pouco! Um livro que tinha um aspecto quase místico antes de sua chegada ao Brasil devido à complexidade que os leitores da obra diziam ter e que segue dividindo opiniões até hoje.

Sou totalmente contra aquela idéia de que literatura é como uma escadinha, tem que começar com Harry Potter antes de chegar nas obras de “alto nível” de Machado de Assis e Doistoiévski, mas no primeiro volume de O Livro Malazano dos Caídos farei uma pequena “exceção” ao sugerir que o leitor que decida encarar essa obra tenha certa experiência no gênero de Fantasia. Eu particularmente tive a sorte de ler esse livro após Duna, que curiosamente o autor diz no prefácio que “se existe um romance que me serviu de inspiração direta em termos de estrutura, foi esse”. Ambos os livros são pouco expositivos no início, jogando termos na cara do leitor que só descobrirá seu significado lá pra frente. Mas a Ficção Científica do Frank Herbert ainda assim é mais fácil de digerir do que a Fantasia de Steven Erikson.

Os pilares da história, nos quais o leitor tenta se sustentar para entendê-la, são, na maior parte do tempo, frouxos. Prepare-se para formar uma nova história do livro a cada capítulo. Sabe-se que tem um império, chamado malazano, que atualmente é comandado por uma mulher chamada Laseen, cuja ascensão após a morte de seu antigo monarca é bastante obscura. Seu domínio está se expandindo através de campanhas bélicas para outros continentes, como Genebackis, o centro geográfico da história de Jardins da Lua, mas acompanhadas das defesas das cidades sitiadas pelo Império alguns descontentamentos internos nas antigas forças militares do primeiro imperador devido aos interesses dúbios da nova imperatriz para com seus soldados começam a aparecer para atrapalhar a expansão. Isso é bem o resumo do resumo do resumo. Ainda não citei a parte em que os deuses parecem estar interferindo no meio desse caos político-bélico por causas desconhecidas, ou que um pedaço de terra flutuante comandado por um ser alto cinza com uma espada gigante aparece no meio do caminho para tentar parar a ampliação malazana fazendo alianças com as cidades sitiadas, por exemplo.

Essas informações, que pegamos aos poucos, são apresentadas por diversos pontos de vista que acompanhamos no livro. Na realidade, não há aqui sequer um personagem principal, um herói, embora a sinopse da edição da Arqueiro sugira que esse papel seja do Ganoes Paran. O protagonista é o próprio império malazano, sua expansão. Quem já leu O Cortiço, obra Naturalista de Aluísio Azevedo, vai entender essa ideia de personificar algo abstrato e inanimado. Uma hora estamos acompanhando os soldados malazanos e seus planos para quebrar as barreiras do inimigo e conquistar mais uma cidade, outra hora vamos para outra cidade que está na lista de planos do império e vemos as maquinações de sociedades de assassinos, nobreza e feiticeiros, para reprimir ou facilitar a entrada do império que está chegando. Numa hora temos lampejos dos líderes do império e sabemos um pouquinho mais dos seus interesses, depois adentramos na esfera divina e vemos os deuses maquinando sabe-se-lá-o-quê. Mas o nome do império, sua expansão, está sempre no centro de todos esses eixos.

Isso gera duas consequências, uma positiva e outra negativa (pelo menos pra mim). Por um lado, mesmo com o excesso de informações, é inegável que a construção desse universo consegue encher os olhos e instigar o leitor a descobrir mais. O autor criou diversas raças para sua obra, como os Tiste Andii, seres altos de cor preta e cabelos cinza, os T’lan Imass, que são basicamente esqueletos vivos, ou os Jaghut, criaturas com duas presas pra fora da boca, entre um bocado de outros seres. Não suficiente isso, a realidade em que a expansão do império se dá não é a única existente. Há outras dimensões, ou reinos, acessíveis por portais criados por feiticeiros, pelos quais se pode encurtar a distância até outras regiões do mundo convencional, ou retirar poderes dessa outra dimensão para realizar ataques, e elas ainda são a moradia dos deuses. Além disso, temos as divisões dos exércitos, dos magos, os grupos nas cidades. Sem sombras de dúvidas, aliás tem uma dimensão das sombras, há uma genialidade na mente criadora desse(s) mundo(s), para juntar esse amontoado de ideias de forma bem caprichada, sem que ele se tornasse desinteressante pela sua escala, pelo contrário.

No entanto, os personagens de certa maneira acabam ficando em segundo plano. Sabe em Dunkirk, do Christopher Nolan, em que a situação de evacuação das tropas da praia de Dunquerque está mais em evidência do que a vida dos soldados que nem chegamos a saber os seus nomes? Então, aqui acontece mais ou menos o mesmo. Os conflitos criados, as tensões e maquinações, parecem ser mais importantes do que os personagens que fazem as novas jogadas. Dos quinze ou mais pontos de vista que a história segue, você acaba criando empatia apenas com alguns, enquanto outros tornam-se enfadonhos por serem arcos “menores”, apenas elementos superficiais para se pescar uma nova informação da história “maior”.

Mas das figuras que o Erikson cria e chamam atenção, há de se dizer que ele o faz com classe. Anomander Rake, o Senhor da Cria da Lua, cuja rápida e eficiente imposição faz com que qualquer um tema ficar de frente com ele, mesmo que não em combate, apenas para discutir acordos. Destaques também para Ben Ligeiro, um dos magos do império malazano, Piedade, uma assassina que está gerando certa desconfiança entre os soldados, Whiskeyjack, líder dos Queimadores de Pontes, um dos núcleos que mais acompanhamos no livro, Kruppe, com suas maluquices e sonhos, e a própria Laseen, que mal aparece, mas que tem uma áurea misteriosa deixando o leitor maluco para saber mais.

O que fica mesmo são os entrelaçamentos entre eles. Sabe-se que certa pessoa tem um passado com outra, que uma delas está desconfiando de outra, e que essa por sua vez tem um plano para com outro personagem que pode ajudar ou não essa primeira pessoa, e vai se criando uma bola de neve gigante, embaixo da qual o leitor está sendo esmagado tentando entender a situação, e a bola vai rolando, rolando, descendo a montanha, até que cai de um penhasco e BUM…! Termina fazendo um estrago no chão! Se bem que, particularmente, achei o final um pouco anti-climático. Meio deus ex-machina, inferior se comparado ao início bem engajante pra mim (não caí na maldição do 17%). Mas ainda assim satisfatório, deixando o leitor ávido para conhecer mais desse universo.

Jardins da Lua é, portanto, um livro desafiador. Por começar no meio de uma mega-situação e não se preocupar em explicar muito ao público leitor como se deu cada etapa até cada grupo da história chegar onde está, com muitos personagens que podem confundi-lo pelo excesso de nomes (obrigado, glossário!), e que têm bastante segredos e tons cinza. Desafiador também por comprimir bastante informação em seiscentas páginas. Mas com a devida paciência, a obra consegue se tornar instigante à medida que cada peça desse quebra-cabeça é montada. Uma obra diferente e necessária para a Fantasia. Resta agora aguardar a sua continuação. Dizem que só melhora, hein…

site: https://leitoresvigaristas.wordpress.com/2018/04/03/resenha-jardins-da-lua-steven-erikson/
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Tamirez | @resenhandosonhos 07/08/2018

Jardins da Lua
Esse foi o meu primeiro contato com Steven Erikson e não foi fácil, portanto logo de cara já quero dar um conselho pra você que se interessou por esse livro: a não ser que você seja um leitor de fantasia frequente e que não se importe de se confrontar com um mundo completamente novo, criaturas estranhas e sem grandes explicações dentro da trama, talvez esse não seja um bom livro pra você se iniciar no gênero.

A sinopse não chega nem perto de traduzir a complexidade da história e a imersão que é necessária para compreender o que se passa aqui. A lógica da trama não é difícil, o que tumultua o caminho é a quantidade de novas raças, criaturas, tipos de magia e categorias de coisas que são atiradas ao leitor dentro da história sem uma explicação dentro da narrativa. O livro vem com um considerável glossário no final, mas nem ele é capaz de transmitir tudo o que precisamos saber, além é claro de a definição por vezes não ser profunda ou entendível o suficiente.

“Em uma guerra de paciência, o mortal está sempre em desvantagem.”

Ficar indo e voltando entre definições não ajuda o fluxo que já é bem lento. Isso pra mim foi o mais difícil, já que não tenho problema com mundos confusos ou alta fantasia, entretanto a falta de cadência na narrativa cobrou o seu preço, demandando um tempo enorme de leitura que eu certamente teria matado muito rapidamente se houvesse mais ritmo. Como por vezes a definição das coisas não vinha verdadeiramente a agregar eu abstrai de ficar toda a hora consultando o glossário e levei a história a frente. Isso foi bom em vários aspectos e o que vale a pena citar é que às vezes algo que ele mencionou, mesmo com a definição, só vai fazer sentido 200 páginas a frente e ir consultar o significado de forma repetitiva não vai resolver se o autor optou por esconder aquela informação.

Como uma vez me disseram para Laranja Mecânica, essa é uma obra que eu acho funcionar melhor se você primeiro a compreender e depois for em busca de definições mais exatas, pois elas farão um sentido mais completo se você já tiver um contexto onde aquilo está inserido ou um histórico do que aconteceu. Então, quanto a isso, é preciso sim ter paciência e consideração. E ai ser um leitor acostumado com isso faz a diferença.

“Se quiser viver livre, garoto, viva sem fazer muito barulho.”

E não se engane, Ganoes Paran pode ser o nome mencionado na sinopse, mas está longe de ser o protagonista solo dessa história. Ele se posiciona como uma peça importante, mas Jardins da Lua tem vários narradores e personagens que vão muito além do papel de Paran no meio de tudo isso. Às vezes ele fica por muitas páginas sem dar as caras, dando espaço para as dezenas de outros terem também sua voz. Podemos tirar pelo menos outros cinco que tem tanto valor ou mais presença do que ele. Já ouvi dizer que em casa livro, mesmo que mantendo a história, o autor apresentará alguém para carregar a trama, mas mesclando sempre as visões.

Teremos pontos de vista variados e muitos narradores. Também há uma troca na forma como o tempo é contado quando mudamos de localidade, o que pode vir a confundir o leitor. Dentre as coisas que mais se destacam está certamente a variedade de raças e a complexidade da magia, mais bem explorada aqui no âmbito dos “labirintos”. Esses “portais” mágicos controlado pelos feiticeiros – e não só por eles – abrem um novo mundo de possibilidades e funções para o seu uso.

“Os labirintos de Magia habitavam o além. Encontre o portal e abra uma fenda.”

A estrutura do mundo, enquanto complexidade é muito ampla e certamente Steve Erikson tem uma grande história pra contar, e escolheu fazer de forma a deixar a carga de buscar entendimento para o leitor. A escrita do autor não é nada fluída, como já mencionei, e isso aliado ao estranhamento do livro pode causar problemas para alguns leitores. É preciso calma para avançar pelas páginas e aos poucos compreender o que cada ser está fazendo na história. Todos os personagens, sejam eles humanos ou não, tem algo a esconder e algum twist para acrescentar à história. Não se engane, ninguém é raso ou está ali apenas por estar.

Anomander Rake é sem dúvida meu personagem favorito aqui. Ele não fica tanto tempo em cena, mas quando aparece rouba completamente e atenção e quero ver bem mais dele nos próximos livros. Ele é apresentando como um inimigo no começo da história, mas certamente tem mais a dar de valor do que apenas só essa faceta e é fácil ver isso já nesse primeiro volume.

Esse é também um livro com bastante representatividade, há todo “tipo de gente” aqui, e as mulheres tem um peso forte na história também. Como o próprio autor menciona, há tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo e tanto caos nesse mundo que os questionamentos de papel do homem, papel da mulher, homossexualidade, tudo é deixado de lado, afinal, faz parte do contexto normal do livro, desse universo, que esse tipo de coisa não precisa ser discutido, apenas pertence ali.

A edição da Arqueiro esta bem bacana e ajudou super ter a ilustração dos personagens estampada nas partes internas da capa e contra capa, pois podemos visualizar melhor as diferenças entre cada um. E, mesmo tendo lido o livro com paciência, tenho certeza que ainda falta muito pra mim pegar desse universo. Acredito ainda que vamos andar por pelo menos mais um ou dois livros antes de ter o completo domínio sobre como as coisas funcionam ou qual a verdadeira ordem que rege esse mundo. Não há um bê-á-bá para decifrar esse livro e por mais que pela resenha não tenha parecido, o que o leitor encontrará aqui é confuso e amplo e deve ser digerido página a página mesmo sem compreensão total.

Vi várias pessoas comparando com As Crônicas de Gelo e Fogo ou Trilogia do Anel, mas acho que não é bem por ai. Esses autores apesar de apresentarem mundos ricos, explicavam suas construções dentro da narrativa, o que Erikson não faz. Achei a forma da disposição bem mais parecida com o S. L. Farrell em seu Ciclo Nessantico, por mais que o mundo seja mais restrito. De qualquer forma, é uma boa pedida.

O Livro Malazano dos Caídos apresenta um mundo complexo, vasto e voraz. Ninguém é o que parece ser e toda nova raça inserida acrescenta-se uma pitada a mais de amplitude e mistério. Há muito o que ser explorado e não parece haver limites para o que pode acontecer. É sim um livro difícil, mas acho que vale o investimento se você é realmente um fã do gênero e como eu mencionei, está acostumado a pegar histórias de fantasia que realmente investem em construção de mundo e complexidade narrativa.

site: http://resenhandosonhos.com/jardins-da-lua-steven-erikson/
Matheus 15/12/2018minha estante
Fantástica resenha. Sei que não é um bom caminho para trilhar, mas por demasiadas vezes encontro-me com a síndrome do protagonismo. Poderias me responder se há um protagonista? Até mesmo em 'As crônicas do gelo e do fogo' nós conseguimos perceber um direcionamento apesar de uma organizada e proposital bagunça que R.R Martin utiliza desde o primeiro livro.




Paulo 11/06/2017

Admito ser um cara meio chato na hora de montar as resenhas para o blog. Mesmo com livros que o público gosta bastante, sempre tem algum elemento que acaba não passando. Isso não significa que eu gostei menos ou que eu detestei um livro. Significa apenas que eu procuro ao máximo respeitar os meus leitores, buscando ressaltar os pontos fortes e apontar algumas fraquezas na leitura. Ah, sim, antes de mais nada, o fato de eu ter me envolvido em um esforço coletivo para ajudar a divulgar o lançamento do livro não significa que a minha resenha foi alterada positivamente por conta disto. Outro ponto que eu gostaria de comentar é que eu não gosto de ler livros durante um momento de hype. Nunca é positivo. Expectativa é uma faca de dois gumes: tanto pode ser positiva como pode redundar em algo negativo.

Tendo feito todo este disclaimer, queria dizer que esta foi disparado a melhor leitura do ano. Okay, eu já havia dito isto sobre Atlas de Nuvens. E eu acredito que ainda vou dizer sobre outros livros porque eu me comprometi com um desafio de livros muito elogiados. Mas, aqui em Jardins da Lua eu poucas vezes vi algo tão redondinho e bem escrito. Eu estou até agora tentando encontrar algo para criticar. Um personagem mal trabalhado, uma ponta solta, um erro de escrita. Eu simplesmente não consigo encontrar. Me deparo aqui com um autor que é um mestre na estrutura e composição da narrativa. Nada do que aparece no livro é sem propósito; tudo lhe fornece alguma informação vital que vai ser explorada depois.

Uma das grandes reclamações dos leitores de Jardins da Lua é a dificuldade deste primeiro volume. E eu parti para a leitura sem conhecer quase nada do universo Malazan. Vocês vão me chamar de maluco já que fui eu quem traduziu o Guia para Malazan. Sim, fui eu mesmo. Porém, eu pouco me lembrava do que eu traduzi. O meu processo de tradução é meio insano. Geralmente eu não guardo informações quando estou na tradução; apenas depois quando eu leio o texto. Então minha mente era uma página em branco quando abri o livro pela primeira vez. E quão gratificante foi o fato de o autor me tratar como um adulto. Eu já usei a expressão Síndrome do Primeiro Volume uma série de vezes para comentar a respeito do problema que muitas séries de sci-fi ou de fantasia tem no começo. Existe uma forte necessidade do autor de situar quem está lendo no seu universo, apresentando personagens, características do mundo, sistema de magia (ou tecnologia) e até assentando o leitor em seu modo de escrita. E o Erikson não faz isso. Ele te joga no meio da narrativa e manda você se virar para entender a história. Nada de glossários, nada de excesso de informações, nada de diálogos expositivos. E aí, como é que entendemos o universo e o mundo? Bem, você vai pegando pequenos pedaços de informação que ele vai te jogando e montando um imenso quebra-cabeças. Estamos acostumados com autores que pegam na nossa mão, mandam a gente se sentar no banquinho e começam a explicar a história para a gente. Muito semelhante à famosa cena do Conselho de Elrond em O Senhor dos Anéis que muitos leitores detestam. Mas que este tipo de exposição de informações acabou sendo adaptada pelos autores nos livros contemporâneos. Claro que, este "info dump" é feito de uma maneira mais diluída, mas mesmo assim é responsável por aquela gordurinha a mais que vemos em algumas séries que tanto gostamos. Eu mesmo já comentei o quanto o primeiro volume de O Ciclo das Trevas, de Peter V. Brett, poderia ser um livro estupidamente melhor sem o info dump. Mas o autor precisou apresentar o mundo de acordo com o seu modo de escrita.

Minha dica nesse momento é: não se preocupem. Erikson vai explicar a vocês eventualmente o que ele está falando. Mesmo que isso aconteça quinhentas ou seiscentas páginas depois e seja em um parágrafo. Sério. Confiem. Eu não senti essa dificuldade que muitos leitores sentiram. Talvez por eu ter lido Atlas de Nuvens um mês antes, que é um livro com informações narrativas difusas, a principal dificuldade de Jardins da Lua não me afetou. Claro, o leitor demora para se acostumar com os personagens e com a narrativa, mas tão logo nos assentamos na história, é uma viagem maravilhosa. Da metade para a frente eu não queria parar de ler. Consegui terminar minha leitura em 9 dias e estamos falando de um livro volumoso e que não é tão simples assim de ler.

A escrita do Erikson é bem precisa. Não vemos muitos preciosismos ou firulas literárias ao longo de Jardins da Lua. Para quem procura algo ritmado e muito poético, este não é o seu cara. Nas linhas do livro o que eu pude sentir é que os capítulos transbordavam majestade. Tudo é muito grandioso e urgente. Não estou vendo uma jornada do Herói. Jardins da Lua não é a história de como Ganoes Paran realiza sua jornada, atravessando por dificuldades, treinando com um mestre e derrotando um vilão. Nada disso. Também não é a história de Piedade e de seu martírio. Nesse sentido, vou traçar uma comparação bem absurda, mas tentem imaginar comigo. Jardins da Lua se assemelha bastante à maneira como Asimov compôs o primeiro volume da série Fundação. Ali a história não é sobre Seldon ou Hardin, mas sobre a própria Fundação. Vemos como a Fundação começa como uma ideia na mente de Hari Seldon até o momento em que a Fundação se torna um mundo desenvolvido com um sistema monetário e até uma religião. Os personagens orbitam em torno da Fundação e vemos como as suas ações interferem na evolução do planeta. Aqui é o mesmo. A história é sobre o Império Malazano e sua ofensiva no continente de Genabackis. Por isso não temos necessariamente um protagonista. Vemos vários pontos de vista que vão nos mostrar acontecimentos diferentes da história. Todos possuem algum envolvimento: a conselheira Lorn, Ganoes Paran, Whiskeyjack e os Queimadores de Pontes, Kruppe e até mesmo o jovem Crokus. Sempre tem algum elemento importante da narrativa a ser contado por eles. E, no entanto, no centro da história sempre vai estar o Império Malazano.

Os personagens são muito bem concebidos. Não consigo encontrar um único personagem que não tenha tido alguma coisa a acrescentar à história. De nada adianta criar um personagem aleatório se os seus momentos são apenas supérfluos. Alguns de vocês vão argumentar que determinados personagens não são tão bem trabalhados. Então, o que eu senti foi que o autor deixou algumas coisas em aberto para trabalhar em livros futuros. Ele não abandona simplesmente os personagens; ele os envia a outras situações a serem trabalhadas posteriormente como com Tattersail. Não vou me alongar nessa explicação ou acabarei dando spoilers, mas o que me agradou muito foi esta noção do autor de que ele precisa de certos personagens para continuar linhas narrativas futuramente. Outro elemento que eu gostei bastante foi o fato de que não existe um maniqueísmo evidente na história. Não temos bons e maus. Temos pessoas com interessantes. Todos possuem algo a alcançar na história e nem sempre seus objetivos passam por meios considerados nobres. A enganação, a traição, o roubo e o assassinato estão evidentes ali. O mundo de Erikson é um mundo como o nosso: cruel em determinados momentos.

Como é bom ver quando um autor é capaz de traçar uma personagem feminina com tanta naturalidade. Todas elas são distintas entre si e temos duas personagens em posição de poder na história: Laseen e Lorn. Nenhuma delas é uma badass, chutadora de bundas a la Rambo. No caso, podemos falar mais de Lorn que possui uma aura carismática ao mesmo tempo em que possui suas fragilidades. Ela não é um robô que segue cegamente as ordens da imperatriz. Existem momentos de questionamentos, mas ela compreende que as necessidades do império estão acima das suas. E Tattersail que possui um caráter extremamente interessante. Busca redenção por alguns erros que ela cometeu no passado. Mas, nem por isso ela chora litros de lágrimas por causa disso. O que aconteceu, aconteceu. Temos mulheres poderosas, feiticeiras incríveis, nobres mulheres que usam sua sedução para conquistar seu espaço e sábias. Todas muito distintas entre si. Podemos dizer que elas estão empoderadas? Sim, podemos. Mas, o leitor sente que a construção delas foi muito natural na mente do autor. Ele não planejou uma cota de mulheres para a sua história. Elas estão ali porque sim.

Outra coisa que muito me agradou é que mesmo os personagens secundários possuem alguma trama paralela que se une à história central. E quando você lê o livro pela segunda vez percebe a teia de histórias que se entrelaçam criada pelo autor. Até mesmo a trama de Crokus e Challice estoura no final em algum momento de importância para o leitor. Ou a beberagem de Coll, ou as falas sem nexo de Kruppe. Posso imaginar a dificuldade que deve ter sido entrelaçar toda essa gama de personagens em uma história coerente e que não pesasse na mente do leitor. Aplausos para o autor.

Quanto aos temas, temos muita variedade dos mesmos. Por exemplo, a vingança é muito bem trabalhada pelo autor. Temos um personagem que busca vingança por algo que lhe acontece durante a narrativa. E isso o leva a tomar escolhas erradas e a se arrepender posteriormente. Mas, o que mais se destaca é o livre-arbítrio. A capacidade dos indivíduos de escolher aquilo que eles vão fazer de suas próprias vidas e como os deuses podem ou não interferir em nossas decisões. Em algumas ocasiões vemos que os personagens se sentem peões em um jogo maior. Vemos alguns personagens sendo influenciados de maneira direta enquanto outros tendo suas escolhas reduzidas e sendo "guiados" por aquilo que os deuses querem. Chega a ser interessante que no epílogo da história voltamos a esse tema.

Me recordo de que li em algum blog uma observação muito interessante sobre a narrativa: a magia não é um instrumento da história, mas sim uma parte essencial da mesma. E isso é totalmente verdade. Entender o funcionamento dos Labirintos e de como os personagens são capazes de utilizá-los a seu bel prazer também é essencial para o andamento da narrativa. Quando chegamos no confronto final lá nos capítulos finais, o autor pega aquilo que ele trabalhou ao longo da narrativa e dá o seu twist ao nos apresentar complicadores. Ao mesmo tempo o autor deixa transparecer que existem outros elementos mágicos espalhados pelo mundo. Ou seja, existe um lastro para desenvolver outras ideias em futuros volumes. Ao mesmo tempo que eu digo que entendi o elemento mágico da história, algumas coisas ainda me fogem. Novamente me parece que o autor planejou trabalhar isso em futuras histórias.

A cidade de Darujhistan é um grande coração pulsante da história. E o autor faz esta passagem muito bem. Apesar de nem toda a história se passar na cidade, mas uma boa parte dela acontece dentro de seus muros. E a própria cidade respira. Os personagens são bem detalhados e as localidades também. Você fica com vontade de ver mais eventos acontecendo ali dentro e parece que o passado da cidade também é muito interessante. Vale lembrar que as séries de Malazan acontecem em momentos diferentes da história do mundo. Noite das Facas, publicado por Ian C. Esslemont se passa muitos anos antes dos eventos de Jardins da Lua e não interferem de maneira direta com este último.

Enfim, considero o livro excepcional. O livro não é apenas hype; ele é realmente uma leitura muito boa. Porém, se trata de uma leitura desafiadora. Existe um momento de estranhamento natural porque o autor trata o seu leitor como um adulto. Ele quer que você, leitor, monte as informações a partir daquilo que ele te apresenta na narrativa. Os personagens são um elemento essencial também. Todos eles tem um propósito, uma razão para existirem. Mesmo os mais secundários contribuem de alguma maneira para a narrativa de Jardins da Lua. Ou seja, não existem personagens jogados apenas para cumprir espaço. As personagens femininas também são apresentadas de forma muito natural. Na minha opinião, eu estou diante de uma das melhores leituras de fantasia da minha vida. Então, corram e comprem o de vocês.

site: www.ficcoeshumanas.com
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Luke.807 14/01/2018

"Ambição não é uma palavra proibida. Que se dane a moderação. Vão direto na jugular. "
Ler Jardins da Lua, primeiro livro da série O Livro Malazano dos Caídos é uma experiência única. Muito se diz sobre sua “complexidade”. Uma narrativa feita para poucos e “distintos” leitores de alta fantasia. Discordo completamente dessa afirmação. Jardins da Lua possui uma narrativa diferente, que foge as estéticas de livros convencionais de fantasia. Ter uma narrativa diferente não significa que ela seja complexa ou feita para um público “distinto”. Isso me soa mais uma forma de afastar leitores, do que contribuir diretamente com o entendimento da obra. Jardins da Lua é uma obra diferente de tudo que você já leu. Esteticamente é um expoente único na literatura fantástica.

Lendo os primeiros capítulos e observando seus personagens, a obra não parece fazer muito sentido. Todavia, na medida em que o processo narrativo avança, que os personagens se aprofundam; as histórias individuais passam a convergir num grandioso evento comum. Dessa forma, o antropólogo Steven Erikson introduz os leitores ao seu universo, buscando elementos da constituição de processos históricos grandiosos dentro daquele universo. Os processos históricos, segundo Norbert Elias, são construções de longa duração. Ou seja, dentro da narrativa, somos literalmente jogados dentro de um processo histórico, que a princípio não faz sentido, mas que tem a pretensão de alterar as bases fundamentais do Império Malazano.

Destacam-se, dentro da obra, a grande variedade de personagens e raças. A profundidade que o autor consegue incumbir aos “sujeitos” da história. Os personagens que mais me cativaram foram Ganoes Paran, oficial do Império Malazano, Kruppe, “homem de falsa modéstia”, Piedade, assassina mortífera, Lorn, conselheira da Imperatriz Laseen e Anomander Rake, senhor da Cria da Lua (Está na capa do livro). A Cria da Lua, governada por Rake, merece uma especial atenção. Trata-se de uma fortaleza lendária voadora. Um dos elementos mais interessantes da história. A princípio, achei que não funcionaria, mas em certo ponto, me encontrei vislumbrado com a descrição da fortaleza de Rake.

Outro ponto bastante interessante é o sistema de magia por portais. É certamente um dos sistemas de magia mais elaborados que já li, tendo dois princípios básicos: Labirintos e Portais. Os Labirintos são dimensões mágicas (ou não) dotadas de existência própria, com plantas, animais e magias próprias. Já os Portais, são as formas pelas quais os magos acessam essas dimensões, canalizando sua magia e conjurando seus animais (ou monstros rs). Um mago “normal” pode tornar-se mestre, maximizar seu conhecimento, de apenas um labirinto. Mas, altos magos, magos realmente poderosos, podem canalizar e conjurar energias e animais de vários labirintos.

Por fim, vale concluir que se trata de uma obra/série fundamental para quem gosta de fantasia. Poucas obras conseguem se aproximar da grandeza épica de Jardins da Lua e da série O Livro Malazano dos Caídos. Não se deixem enganar com “é muito difícil”, “fique atentos ao glossário”. Jardins da Lua foge aos estereótipos narrativos de fantasia, as convenções, é uma narrativa grandiosa e ambiciosa. Parafraseando o recado de Steven Erikson no prefácio destinado aos jovens escritores: Uma palavra a quem pretende ler a série O Livro Malazano dos Caídos: ambição não é uma palavra proibida. Que se dane a moderação. Vão direto na jugular.

Não poderia deixar o trabalho maravilhoso feito pela editora Arqueiro. Da qualidade do material do livro à capa fantástica (sic). 5 Estrelas!
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douglaseralldo 09/04/2017

10 Considerações sobre Jardins da Lua, de Steven Erikson ou como acessar os labirintos
1 – Jardins da Lua é uma narrativa ambiciosa que procura construir um universo complexo habitado por diferentes raças e seres em meio a uma guerra que recebe o leitor em pleno movimento dos combates por quais perpassam seus personagens com diferentes interesses e conflitos enquanto precisamos através destes movimentos ir aos poucos tentando compreender o contexto global daquela ação de intensa atividade e recheada de magia, golpes e lutas;

2 – É portanto um universo fantástico bastante rico e complexo no qual os leitores são jogados sem qualquer amaciamento, e diga-se aqui, algo proposital confirmado pelo próprio autor no prefácio da obra. Isso significa então que somos “atirados” no centro da ação, ou seja, onde menos se busca compreender as artimanhas políticas e do poder e mais se tenta sobreviver a cada combate, que é o que precisam fazer os personagens que acompanhamos, envoltos por uma guerra que às vezes lhes soa incompreensível e que em vários momentos se dificulta saber quem são os inimigos;

3 – Além da opção do autor e da complexidade narrativa que se dá por essa escolha, tudo embrenha-se de sombras e perigos porque no meio de todo este confuso movimento de peças, tanto leitores quanto os personagens terão de lidar com a dissimulação e das distintas intenções presentes em diferentes personagens e muito como, nas diferentes intenções constantes num único personagem que às vezes carrega mais de uma bandeira em suas batalhas

resenha completa no blog

site: http://www.listasliterarias.com/2017/04/10-consideracoes-sobre-jardins-da-lua.html
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Fernando Lafaiete 29/04/2017

Fascinante e confuso na mesma proporção.

Como uma pessoa apaixonada por fantasia e leitor assíduo deste gênero, posso afirmar que "Jardins da Lua" foi um dos livros de fantasia adulta mais difíceis que eu já li. Pois a narrativa do autor é extremamente confusa do início ao fim.

No prólogo, Steven Erikson já deixa bem claro que ele não tinha intenção alguma de escrever um livro fácil de ser lido e de ser assimilado. E nas palavras do próprio autor, a experência de ler esta obra é 8 ou 80. Ou o leitor se apaixona complemente pela estória ou a detesta na mesma proporção. E vou ser bem sincero... no começo eu estava detestanto.

Jardins da Lua é o primeiro livro de uma série composta (até onde eu verifiquei) por 10 livros. Neste primeiro volume conhecemos um mundo habitado por diversos tipos de criaturas. Deuses, criaturas imortais feitas de terra ou algo do tipo, feiticeiros (as), bruxas, magos, seres que vivem em uma lua que se move por todo o reino, um grupo de assasinos, dragões, espadas lendárias e muito mais. Malazano é o principal reino deste universo e o mesmo está em guerra. Ele é comandado pela Imperatriz Laseen que traiu e assasinou o imperador anterior. Não tenho como explicar exatamente o plot deste livro; por ele ser muito confuso e repleto de acontecimentos frenéticos o tempo inteiro.

O problema de embarcar nesta leitura, é que o autor não se preocupa em contextualizar o leitor sobre o que está acontecendo. Ele simplesmente nos joga no meio de uma guerra a qual não faz nenhum sentido durante no mínimo umas 200/300 páginas. Eu quando comecei a ler este livro, comecei achando que estava faltando páginas e que o meu e-book tinha vindo com problemas. Pois eu me vi no meio de vários personagens que estavam em uma guerra e eu nem sabia o porquê. Além de não fazer ideia de com quem eles estavam guerreando.

E além de me sentir complemente perdido no começo da leitura (e durante vários momentos mesmo depois de estar quase finalizando), o aparecimento constante de personagens também dificulta e muito o "virar" das páginas. São milhões de personagens. Eles aparecem e o autor mais uma vez não demonstra nenhum interesse em explicar quem eles são. Eles simplemente vão aparecendo sem parar. A cada página aparece uma pancada de personagens que nos obriga a interromper a leitura e voltar para o glossário no começo do livro. Portanto, eu já aviso, ler este livro sem consultar constantemente o glossário e os mapas é praticamente impossível.

A mitologia e os sistemas de magia também sao bem complicados e demorei muito pra entender como tudo funcionava. Pelo que eu entendi e acredito que estou correto; os feitceiros, magos e criaturas anscentrais acessam dimensões e extraem das mesmas seus poderes. Estas dimensões são chamadas de labirintos. Cada labirinto dá um tipo de poder para quem o acessa, desde controles elementais até controles de cura, luz e escuridão. Existe um glossário no final do livro que também explica cada labirinto.

Este livro tem mais cara de continuação do que o primeiro livro de uma série. Eu não sei se esta foi uma escolha acertiva por parte do autor. Esta confusão não é somente no começo do livro, ela permaneceu comigo durante toda a leitura. Muitas vezes eu achei a escrita maçante e prolixa. E não acho que pra não subestimar os leitores é necessário escrever um livro dominado pela confusão. Pra quem pretende ler "Jardins da Lua", dou mais um aviso... o livro é muito bom, mas vocês precisarão ter MUITA paciência.

Stevem Erikson acerta em cheio em vários aspectos que me saltaram aos olhos. As cenas de ação são muito boas e muito bem escritas. Ele também nos agracia com uma narratita polifônica (a estória sendo narrada por diversos personagens) que nos dá a possibilidade de saber o que se passa em várias partes do reino. Ele também acerta e muito nos apresentando diversas intrigas, mistérios, mentiras e reviravoltas. Pra quem assim como eu é apaixonado pela aclamada série "As crônicas de gelo e fogo", provavelmente gostará bastante deste livro.

Esta fantasia está acima da maioria dos livros do gênero não só pela escrita do autor, mas também pela complexidade de tudo que nos é apresentado. Eu curti muito, mas não sei se o indico. Ele é o tipo de livro que é complicado de indicar até pra quem é fã do gênero. Eu talvez o indique pra quem é muito fã de "Senhor dos anéis" e da série do George Martin, como citei no parágrafo anterior. Pois a dificuldade de ler este livro talvez se assemelhe com a dificuldade que muitas pessoas encontram em ler as séries supra citadas.

E como definir quem são os vilões e os mocinhos deste mundo? Todos são complexos e tomam atitudes muito questionáveis. É cada um por si... um querendo puxar o tapete do outro. Manipulações rolam o tempo inteiro e eu não consegui esteriotipar os personagens como bons ou ruins. Mais um ponto para o autor!

Jardins da Lua é um livro que deve ser encarado como um desafio. No final, analisando a obra como um todo, eu achei que valeu muito a pena a leitura. Mas também acho que esta maneira de contar a estória, fazendo o leitor se perder o tempo inteiro é um pouco maçante e o autor não soube dosar. Ele passou do ponto... e eu não sei até aonde a minha paciência irá se a narrativa dos próximos volumes for a mesma deste primeiro livro.

O final eu achei morno. Mas como gostei muito do universo; estou bem a fim de ler o próximo. Lerei com expectativas moderadas!
Andresa 19/05/2017minha estante
Maravilhosa sua resenha! Comecei a lê-lo agora, pois vou apresentar em um evento. Adivinha como? Tbm não sei, hahaha. O autor me jogou em Malaz e eu não tô sabendo nem pra onde olhar, rs. Obrigada por ter me ajudado a atender - pelo menos um pouquinho, o enredo. Abraços!


Fernando Lafaiete 21/05/2017minha estante
Que bom que você gostou da minha resenha Andressa e que bom que ela te ajudou a entender um pouquinho melhor este enredo complexo. Te desejo uma ótima leitura e que dê tudo certo na sua palestra. E muito obrigado pelo seu comentário! :)




LOHS 30/05/2017

#Camis - Uma leitora corajosa
Olá leitores e leitoras! Hoje trouxe pra vocês a resenha de uma fantasia marcante. Um dos melhores livros do gênero que já li, sem dúvidas, mas com toques peculiares que não tornam esse livro fácil de ser lido e digerido por qualquer leitor. Até para mim, foi bastante difícil finalizar a leitura, e demorei muito mais que o normal perdida em suas páginas e na história narrada pelo autor canadense Steven Erikson. De qualquer forma, será que a leitura complexa vale a pena? Vamos lá.

"Jardins da lua é, por tanto, um convite. Segure-se e embarque na viagem. Tudo o que posso prometer é que dei o melhor de mim para entreter a todos. Maldições e aplausos, risos e lágrimas, está tudo lá".

No prólogo de Jardins da Lua, o próprio autor destaca que a leitura será complicada, complexa e nada fácil. Que vai entender e levar a história da melhor forma possível ou desistir logo no início. Escolha do leitor, e é bem interessante o próprio autor destacar isso. Também devo avisar, como uma blogueira sincera (risos), que este é apenas o primeiro de uma série de DEZ livros já publicados, por enquanto. É um mundo rico e cheio de histórias pronto para ser explorado pelos corajosos.

Somos apresentados, então, a um novo universo. É um mundo fantástico, habitado por grandes reinos, magos, feiticeiros, bruxas, bravos guerreiros, assassinos cruéis, criaturas distintas que habitam uma das luas deste mundo (exótico!) e até mesmo dragões. Malazano é um de seus reinos, e logo no início lhes somos apresentados, e podemos acompanhar o quão complicada está a situação política do local. Agora, a imperatriz Laseen conquistou seu trono assassinando o Imperador anterior e o tomando para si. Por isso, têm de enfrentar uma guerra.

Em contraponto, conhecemos também Ganoes Param. Um jovem sem pretensões além de entrar para o exército Malazano. Trocando os privilégios que possuía na nobreza, ele de fato prefere a honra e os desafios de entrar no exército em meio a uma de muitas guerras que estariam por vir. Com o passar do tempo, o guerreiro é enviado a um novo local, Darujhistan, a última entre as Cidades Livres de Genabackis. Seu objetivo será comandar os "Queimadores de Pontes", um dos trunfos da Imperatriz Malazano.

"Por toda a nossa vida nós lutamos por controle, por um meio de moldar o mundo à nossa volta, uma caçada eterna e inútil pelo privilégio de sermos capazes de prever a forma de nossas vidas."

Este primeiro volume é sobre o início de o que parece ser uma longa história, acompanhando diversas vidas, personagens, reinos, guerras e suas peculiaridades, como a magia. A magia que habita este mundo, é muito complexa e diferente. Mas nada impossível de ser compreendida. Inclusive, conta com uma vantagem única, que é ser completamente diferente do que eu já havia lido. Também não há um plot exato do que irá acontecer no livro, do objetivo real de todos, do futuro de Malazano. A dificuldade real da leitura está no fato de que: o autor não está preocupado em explicar detalhadamente nada. Somos "jogados" neste universo, do qual já admiro muito (!), mas forçados a nos virarmos para tentar compreender tudo o que está acontecendo. E acreditem, as coisas não param de acontecer. Temos dezenas de personagens aparecendo o tempo todo, o misticismo, o desenvolvimento da magia e um glossário no final do livro tentando nos guiar pelo básico. Não imagino o que irá acontecer, as dificuldades, lutas, amores e tudo o que acompanhará os personagens, afinal, são dez livros!

Como a amante de fantasia que sou, não posso deixar de dizer que mesmo com todas as diferenças, fiquei fascinada com essa leitura. Valeu cada página, cada dia de leitura cansativo, porque cansa mesmo. Foi inspirador. Eu indico Jardins da Lua aos leitores corajosos, que adoram um desafio, uma leitura diferente, um mundo diferente, personagens diferentes e acima de tudo, uma narrativa única. Steven Erikson tem um estilo de peculiar e só dele e achei também muito interessante partilhar dessa nova escrita.

Vale a pena? Vale. Mas eu espero que nos próximos volumes, um pouco da confusão inicial tenha passado. Adoraria já começar o próximo livro imersa nesse mundo, sem estar tão perdida em alguns momentos. Mas não digo que toda a parte crítica que citei seja um empecilho para quem quer mesmo ler esta saga. Quem já leu O Nome do Vento, as obras de Tolkien e até mesmo Guerra dos Tronos vai tirar de letra Jardins da Lua, é só se dedicar um pouco a ele.

Pra finalizar, só tenho elogios para a edição do livro. A Editora Arqueiro produziu um livro lindo. Que capa bonita, bem como os mapas, os desenhos dos personagens (que acompanham um pôster com o mapa), o glossário, e tudo o mais. Um excelente trabalho.

Adorei este livro, de forma geral. Espero que o segundo livro seja lançado ainda este ano, gosto muito de um desafio. E vocês? :)

site: http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br
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