O Ceifador

O Ceifador Neal Shusterman




Resenhas - /////


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Kelly 24/06/2017

Mortalmente Intligente

Olá
pessoal, como andam as leituras por aí? Por aqui andam uma maravilha só, e hoje vou apresentar uma das melhores para vocês.
Assim que soube da pré venda de O Ceifador, já fiquei mega ansiosa, a leitura parecia impactante e bem pesada, ou seja, assim que ele chegou nem pensei muito e me aventurei nesse mundo futurístico, e eis que fui surpreendida, o livro é muito bom!!!


Em um futuro onde os humanos venceram as doenças e as mortes acidentais, os humanos se tornaram imortais, mas visando que o planeta não ultrapasse o número sustentável de humanos na terra, a população vê a necessidade de controlar a morte, assim nascem os ceifadores, uma horda de homens e mulheres treinados para matar, ou melhor...colher seres humanos impedindo que o mundo ultrapasse o número saudável de habitantes.

"A natureza humana é ao mesmo tempo previsível e misteriosa ; propensa a avanços grandiosos, mas ainda sim mergulhada em egoísmos abjetos."

Citra e Rowan apesar de terem a mesma idade são completamente diferentes, mas uma coisa os uniu, em momentos diferentes os dois foram ousados o suficiente para enfrentar e desrespeitar um Ceifador, e essa atitude será a responsável por unir o destino dos dois.Quando a proposta acontece, cada um possui seus receios e motivos para ser um Ceifador, o fato da família do Ceifador ser poupada da colheita faz com que a família de Citra ache uma boa opção, em contra partida, o fato de ser sozinho e excluído já faz parte da vida de Rowan porque não unir o útil ao agradável? Ser excluído com vantagens.

E é com essa ideia em mente que Citra e Rowan aceitam a proposta do Ceifador Faraday e se tornam seus aprendizes. Mas ao iniciarem seus treinamentos eles vão perceber que nem todo Ceifador realmente é mau, Faraday possui uma postura respeitosa e caridosa com relação à morte, e por mais que seja irônico um ceifador ter pena de suas vítimas, ele apenas vê seu serviço como algo essencial para a manutenção do planeta.

Mas nem todos os Ceifadores pensam da mesma forma, alguns sentem prazer em matar e acabam disseminando esse ódio e repudiando os antigos ceifadores, aqueles que fazem seu serviço com respeito. Em meio ao treinamento algum de ruim acontece, e agora Citra e Rowan estão sendo treinados por Ceifadores diferentes, e se isso já não fosse o suficiente, segundo o conselho por terem sido iniciados pelo mesmo Ceifador, apenas aquele que receber a pedra poderá permanecer vivo. Só que os garotos se aproximaram de uma forma que não esperavam, e isso vai apenas prejudicar o que já esta bem difícil.

O livro possui uma crítica ferrenha a morte, governo e outros pontos cotidianos, mas já deu pra perceber que morte sem dúvida é o ponto x na escrita do autor. Ele também passa uma reflexão de o que seria dos seres humanos se tudo lhes fosse garantido e a vida fosse infinita? Sem as lutas e objetivos a estagnação nos engoliria.

"Quando não se precisa de nada, o que mais a vida pode ser além de agradável?"

E como em todo bom livro, precisamos de um inimigo, alguém para ser vencido e o felizes para sempre chegar, e apesar de parecer que nada pior pode acontecer nesse livro, Neal nos deu um Ceifador do mau, um Ceifador que sente prazer em fazer suas colheitas e matar em bandos, e acredite, aqui nesse mundo o ato de matar não deve ser apreciado, deve ser um gesto de benevolência, e o coletado deve sofrer o mínimo possível.

Apesar de ser meio irônico e sarcástico, em muitos momentos, com a devida atenção a leitura, é impossível deixar passar o real objetivo do autor com suas críticas e seu mundo evoluído, o ceifador Faraday é um exemplo de personalidade forte e marcante, com sua postura correta e caridosa, ele mostra como é possível exercer tal função e manter o respeito e a dignidade pelo próximo.

O livro é narrado em terceira pessoa, e os capítulos vão sendo revezados entre os personagens, o que nos dá uma visão do que cada um esta sentindo e pensando, além disso os capítulos são iniciados com trechos dos diários dos ceifadores mais importantes, e são nesses trechos onde as críticas a sociedade foram expostas da forma mais clara possível.


"O que mais desejo para a humanidade não é a paz, o consolo ou a alegria. É que ainda morramos um pouco por dentro toda vez que testemunhemos a morte de outra pessoa. Pois só a dor da empatia nos manterá humanos. Nenhum Deus vai poder nos ajudar se algum dia perdermos isso."

O final foi astuto e surpreendente, nada do que eu imaginava no contexto... apesar de acabar como eu esperava! Esse é aquele tipo de livro que te faz repensar todas as notas que já deu na vida!! Um livro que vale muito ler, se não pelo contexto pelas lições, há muito tempo não deixava um livro tão cheio de post its!!!

A edição da seguinte esta linda, como uma diagramação impecável e revisão excelente, o livro além de ótimo é também um lindo exemplar.

O livro é realmente incrível, tem suspense e terror na medida certa, com momentos que talvez atinja alguns estômagos sensíveis, mas nada que seja visto com tanto terror quando o texto é compreendido e a crítica subentendida fica clara na leitura. Com um enredo forte e bem atual apesar de futurístico, Neal entrou para minha lista de favoritos... Mal posso esperar pela continuação. Se você gosta de livros com temáticas futurísticas, sangue e muita crítica social, esse livro foi feito para você.


site: http://paraisodasideas.blogspot.com.br/
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Kaio Cesar 24/06/2017

Vamos brincar de morrer!
A morte é constante e obrigatória mesmo em um futuro distópico onde tudo é perfeito, u quase tudo, a superlotação ainda é um problema, ainda mais sendo todas as pessoas imortais, a solução vem através dos ceifadores, pessoas escolhidas para coletar vidas com compaixão e sabedoria.
As páginas voam tão rápido, história cheia de clichês mas ao mesmo tempo original e extremamente criativa, personagens carismáticos e estratégicos, a escrita é simples e cativante, o desfecho não surpreende porém talvez fosse este o jeito que deveria terminar, com aquele gosto de querer mais, e eu quero, por que o livro é fantástico.
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Desireé 24/06/2017

Imortalidade: Benção ou Maldição? (@UpLiterario)
Imagine um mundo em que a humanidade alcançou o seu ápice. Não há mais guerras, conflitos, desigualdades, crimes, doenças. Não há mais mortes. A Nimbus Cúmulo, evolução da nossa conhecida Nuvem, cuida da raça humana, a protege, garante a eficiência das colheitas, da produção, dos transportes, a segurança, a comodidade e, acima de tudo, a imortalidade. As pessoas podem ser revividas indefinidamente e para sempre.
Como forma de controlar a superpopulação, criou-se, então, a Ceifa, indivíduos treinados a "coletar" outras pessoas, pondo fim à suas vidas.
E tornar-se um Ceifador pode ser, ao mesmo tempo, uma benção e uma maldição. ☠️
.
Você seria capaz de matar outro ser humano, todos os dias, para o resto da eternidade?
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O Ceifador é uma excelente leitura, principalmente, porque foca na sociedade distópica, suas vantagens, seus problemas, os questionamentos éticos e morais dos personagens, tudo isso intercalado com fragmentos de diários de famosos Ceifadores, trazendo à tona seus pensamentos mais obscuros sobre o desenvolvimento da humanidade.
Além disso, o autor soube questionar e exemplificar bem como a presença da morte impacta nosso modo de pensar e entender a vida, nossa fé, nossos atos e o próprio rumo da humanidade. Haveria medo sem morte? Haveria propósito em conquistar novos desafios, em aprender, e até em viver, se todos nós soubéssemos que não teremos fim?
Eu acredito que o instinto de sobrevivência é o que move todos os seres vivos. Retirado esse instinto, há longo prazo e em grande escala, sobraria algo a ser celebrado e vivido?
.
Ainda, a escrita, a agilidade da narrativa, o carisma dos personagens são ótimos e te fazem querer chegar ao final da leitura o mais rápido possível, e, ao mesmo tempo, torcer para que o livro não acabe nunca. Dá uma dorzinha no coração se despedir desse mundo, mas você vai enxergar a vida e a morte de outro modo depois de se aventurar por ali.
.
Leitura mais que recomendada!

site: www.instagram.com/upliterario
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Paraíso das Ideias 24/06/2017

Mortalmente Intligente @seguinte

Olá
pessoal, como andam as leituras por aí? Por aqui andam uma maravilha só, e hoje vou apresentar uma das melhores para vocês.
Assim que soube da pré venda de O Ceifador, já fiquei mega ansiosa, a leitura parecia impactante e bem pesada, ou seja, assim que ele chegou nem pensei muito e me aventurei nesse mundo futurístico, e eis que fui surpreendida, o livro é muito bom!!!


Em um futuro onde os humanos venceram as doenças e as mortes acidentais, os humanos se tornaram imortais, mas visando que o planeta não ultrapasse o número sustentável de humanos na terra, a população vê a necessidade de controlar a morte, assim nascem os ceifadores, uma horda de homens e mulheres treinados para matar, ou melhor...colher seres humanos impedindo que o mundo ultrapasse o número saudável de habitantes.

"A natureza humana é ao mesmo tempo previsível e misteriosa ; propensa a avanços grandiosos, mas ainda sim mergulhada em egoísmos abjetos."

Citra e Rowan apesar de terem a mesma idade são completamente diferentes, mas uma coisa os uniu, em momentos diferentes os dois foram ousados o suficiente para enfrentar e desrespeitar um Ceifador, e essa atitude será a responsável por unir o destino dos dois.Quando a proposta acontece, cada um possui seus receios e motivos para ser um Ceifador, o fato da família do Ceifador ser poupada da colheita faz com que a família de Citra ache uma boa opção, em contra partida, o fato de ser sozinho e excluído já faz parte da vida de Rowan porque não unir o útil ao agradável? Ser excluído com vantagens.

E é com essa ideia em mente que Citra e Rowan aceitam a proposta do Ceifador Faraday e se tornam seus aprendizes. Mas ao iniciarem seus treinamentos eles vão perceber que nem todo Ceifador realmente é mau, Faraday possui uma postura respeitosa e caridosa com relação à morte, e por mais que seja irônico um ceifador ter pena de suas vítimas, ele apenas vê seu serviço como algo essencial para a manutenção do planeta.

Mas nem todos os Ceifadores pensam da mesma forma, alguns sentem prazer em matar e acabam disseminando esse ódio e repudiando os antigos ceifadores, aqueles que fazem seu serviço com respeito. Em meio ao treinamento algum de ruim acontece, e agora Citra e Rowan estão sendo treinados por Ceifadores diferentes, e se isso já não fosse o suficiente, segundo o conselho por terem sido iniciados pelo mesmo Ceifador, apenas aquele que receber a pedra poderá permanecer vivo. Só que os garotos se aproximaram de uma forma que não esperavam, e isso vai apenas prejudicar o que já esta bem difícil.

O livro possui uma crítica ferrenha a morte, governo e outros pontos cotidianos, mas já deu pra perceber que morte sem dúvida é o ponto x na escrita do autor. Ele também passa uma reflexão de o que seria dos seres humanos se tudo lhes fosse garantido e a vida fosse infinita? Sem as lutas e objetivos a estagnação nos engoliria.

"Quando não se precisa de nada, o que mais a vida pode ser além de agradável?"

E como em todo bom livro, precisamos de um inimigo, alguém para ser vencido e o felizes para sempre chegar, e apesar de parecer que nada pior pode acontecer nesse livro, Neal nos deu um Ceifador do mau, um Ceifador que sente prazer em fazer suas colheitas e matar em bandos, e acredite, aqui nesse mundo o ato de matar não deve ser apreciado, deve ser um gesto de benevolência, e o coletado deve sofrer o mínimo possível.

Apesar de ser meio irônico e sarcástico, em muitos momentos, com a devida atenção a leitura, é impossível deixar passar o real objetivo do autor com suas críticas e seu mundo evoluído, o ceifador Faraday é um exemplo de personalidade forte e marcante, com sua postura correta e caridosa, ele mostra como é possível exercer tal função e manter o respeito e a dignidade pelo próximo.

O livro é narrado em terceira pessoa, e os capítulos vão sendo revezados entre os personagens, o que nos dá uma visão do que cada um esta sentindo e pensando, além disso os capítulos são iniciados com trechos dos diários dos ceifadores mais importantes, e são nesses trechos onde as críticas a sociedade foram expostas da forma mais clara possível.


"O que mais desejo para a humanidade não é a paz, o consolo ou a alegria. É que ainda morramos um pouco por dentro toda vez que testemunhemos a morte de outra pessoa. Pois só a dor da empatia nos manterá humanos. Nenhum Deus vai poder nos ajudar se algum dia perdermos isso."

O final foi astuto e surpreendente, nada do que eu imaginava no contexto... apesar de acabar como eu esperava! Esse é aquele tipo de livro que te faz repensar todas as notas que já deu na vida!! Um livro que vale muito ler, se não pelo contexto pelas lições, há muito tempo não deixava um livro tão cheio de post its!!!

A edição da seguinte esta linda, como uma diagramação impecável e revisão excelente, o livro além de ótimo é também um lindo exemplar.

O livro é realmente incrível, tem suspense e terror na medida certa, com momentos que talvez atinja alguns estômagos sensíveis, mas nada que seja visto com tanto terror quando o texto é compreendido e a crítica subentendida fica clara na leitura. Com um enredo forte e bem atual apesar de futurístico, Neal entrou para minha lista de favoritos... Mal posso esperar pela continuação. Se você gosta de livros com temáticas futurísticas, sangue e muita crítica social, esse livro foi feito para você.

site: http://paraisodasideas.blogspot.com.br/
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Nath @_illuminath 21/06/2017

"Prefiro ter uma consciência livre a ter uma consciência sã".
Eu sinceramente não esperava gostar tanto assim desse livro.

O Ceifador é um livro diferente dos livros para jovens adultos de ficção-científica atuais pois não se passa numa distopia, mas sim numa utopia: no futuro não existem mais doenças ou mortes, todas as pessoas são imunes a todas as doenças e, mesmo se alguém for atropelado ou cair de um prédio, essa pessoa logo é revivida. O único jeito de realmente matar alguém nesse mundo é incendiá-la, fazendo com que seu corpo se desintegre a ponto de não poder mais se regenerar – mas basta dizer que isso literalmente nunca acontece nesse mundo perfeito.

A população mundial agora vive de forma sustentável, o clima é controlado, não há corrupção e todas as pessoas vivem de forma confortável. A Nimbo-Cúmulo, uma Inteligência Artificial perfeita, administra tudo e ajuda todos que precisam dela. Não é como os vilões robóticos que vemos em Asimov: é realmente uma AI benevolente. Acontece que ela não tem jurisdição sobre absolutamente tudo no mundo: os ceifadores são intocáveis. Mas quem são eles?

Os Ceifadores fazem parte de uma organização, a Ceifa, que tem como objetivo selecionar de forma humana e compassiva pessoas reais para serem mortas de forma definitiva para fins de controle populacional. Há várias regras a serem seguidas e os ceifadores levam seu trabalho a sério – pelo menos a maioria deles. Mesmo sendo necessários, os ceifadores são temidos pelas pessoas. Compreensivelmente, uma vez que suas vítimas são supostamente aleatórias e qualquer um pode ser coletado a qualquer momento.

A história começa quando dois jovens, Citra Terranova e Rowan Damisch, são escolhidos pelo ceifador Faraday para se tornarem aprendizes de ceifador. Isso não é usual, pois um ceifador frequentemente escolhe apenas um aprendiz, isso quando decide ensinar alguém. É claro que apenas um dos protagonistas irá se tornar ceifador ao final do treinamento e, ao mesmo tempo em que nenhum dos dois quer ter que carregar o fardo de matar pessoas, nenhum está disposto a perder essa competição e voltar para casa com a estigma dos ceifadores.

Sinceramente, eu odiei o começo do livro. Ele é dividido em 5 partes e a primeira parte (primeiras 70 páginas) foi tão tediosa e mal explicada que eu estava à beira de abandonar a leitura. Se você estiver passando pela mesma coisa, te digo: NÃO FAÇA ISSO. O livro fica melhor a partir da segunda parte, e não fica só um pouquinho melhor, mas MUITO MAIS MELHOR DE BOM.

Esse livro tem quase 500 páginas mas eu me peguei lendo mais da metade dele em um único dia, de tanto que eu estava envolvida na trama. Eu simplesmente não conseguia largar o livro: eu precisava saber o que aconteceria. Do meio para o final do livro várias coisas dobre o universo são reveladas e muitos plot twists acontecem, te deixando de boca aberta. Mesmo nas últimas dez páginas do livro, quando você pensa que tudo se resolveu, BLAM, mais plot twists! Ah, sem contar que eu adorei os vilões. Mesmo eles sendo bem cruéis eu achei a reivindicação deles válida e gostei de como o autor explorou a dualidade de ideias dos ceifadores em seus protagonistas.

O livro tem vários momentos filosóficos nos quais o autor debate sobre vida e morte, imortalidade e sobre nosso desejo de utopia. O livro não é uma distopia disfarçada de utopia (como Divergente, por exemplo), mas uma verdadeira utopia na qual um conflito tem início. O livro me fez pensar bastante sobre esse futuro utópico e me encontrei questionando vários dos apontamentos do autor e até “melhorando-os” em minha cabeça.
A partir daqui podem haver alguns spoilers até a metade do livro. NÃO vou dar spoilers a partir da parte três, então fique tranquilo que nada muito revelador será dito. Mas você está avisado.

Alguns questionamentos:

01) Os ceifadores tiram a vida das pessoas baseando-se em estatísticas da era mortal. Então (chutando números) se 3% de todas as pessoas que nadam 5 vezes por semana morriam afogadas, os ceifadores matavam 3% das pessoas que atualmente nadam 5 vezes por semana. Okay. Mas se a gente transfere essa estatística para outras coisas ela se torna bastante cruel. Por exemplo, a média de vida de uma pessoa transexual no Brasil é de 34 anos. Chutando números, imagina se 30% dos transexuais são assassinados antes dos 40. Os ceifadores iriam atrás de transexuais por causa disso? A mesma coisa vale para homens, que são assassinados mais violentamente que mulheres, ou motoristas de carro que simplesmente tem mais chances de morrer em acidente de trânsito. Sei que há pessoas que atualmente não dirigem por medo de sofrer acidentes... Parece que nem nesse futuro em que ninguém morre elas estariam a salvo.

02) Eu realmente não gostei do romance que surgiu entre os protagonistas. Apesar de ter sido pouco explorado – ainda bem que o livro não perdeu foco na ação para dar atenção a romance! – eu acredito que ele será explorado no segundo livro. Eu espero que, se o autor quiser mesmo seguir esse caminho, ele no mínimo desenvolva uma relação entre os protagonistas que não seja de rivalidade, como nesse primeiro livro.

03) Achei a maior parte das personagens pouco desenvolvidas. O vilão ficou caricato demais – o que foi bom até certo ponto, mas mesmo assim... – e os protagonistas Citra e Rowan só foram mostrar a personalidade na metade do livro, e quando finalmente começamos a conhecê-los o livro acabou. Espero que o autor os desenvolva mais na continuação.

04) Não achei sentido nos ceifadores poderem matar pessoas da forma que quiserem, fora o fato de que era conveniente para a narrativa. Entendo morte por veneno ou por eletrocutamento, que são mortes rápidas e indolores, mas cadê o sentido nos ceifadores poderem usar arco e flecha, espadas, artes marciais e lança chamas? Acho que tinha que ser uma morte padrão e indolor para todos... Pelo menos é assim que eu faria. Aliás, quanto custa um lança chamas? De onde vem os fundos dos ceifadores?

05) Houveram poucas personagens femininas por que o autor teve uma brilhante ideia na qual não pensou aprofundadamente: fazer com que os Ceifadores tivessem nomes de cientistas e pensadores históricos. A gente tem apenas a Ceifadora Curie (Marie Curie, cientista que trabalhava com radioatividade) e a ceifadora Rand (Ayn Rand, fundadora do objetivismo, uma das correntes filosóficas mais ignoradas da história). É difícil procurar nomes femininos numa época em que mulheres não tinham permissão para estudar ou fazer qualquer coisa “masculina”. Acho que teria sido melhor se os ceifadores atendessem só pelo sobrenome, pois assim qualquer nome seria neutro. Eu queria ser a ceifadora Bakhtin, mas não posso por que tenho uma vagina...

Apesar desses questionamentos, eu amei o livro e só espero que o autor possa cobrir os buracos narrativos que citei nas continuações. Aliás, parece que o livro já está sendo adaptado para o cinema, então vamos ficar no aguardo!

E que venha o segundo livro, Thuderhead!


site: www.nathlambert.blogspot.com
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Micha 18/06/2017

Uma surpresa com resalvas.
Achei a história bem interessante mas há pontos que tenho que dizer que me incomodaram. O universo da distopia é mal construído, tem falhas e falta muita explicação para tanta tecnologia e avanço científico. Outro ponto é o excesso de trechos dos diários dos ceifadores, a cada respiro na história surge um trecho do diário o que com o andar da leitura vai se tornando indesejável visto que chega a atralhar alguns pontos da narrativa. Não precis ter tantas interrupções com esses trechos de diários. No mais o que realmente incomoda é a escrita ruim do autor, além da repetição exagerada dos trechos de diários há um excesso de palavras repetidas o que vejo como falta de criatividade e segurança do autor na criaçao do texto. A história em si é boa, criativa e tem sustentação mas precisava ser reescrita novamente por alguém com mais experiencia . Quero ler a continuaçao e ver se o autor conseguirá dar um novo gás na história já que elementos surpresas se revelaram no final fechando a história no seu ápice. Estou curiosa. Mas recomendo a leitura sem preconceito até porque como disse a história é boa e criativa, se o autor caprichar e melhorar seu texto o próximo livro tem futuro.
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Yuki 17/06/2017

A morte... agora... não significa nada. A vida... menos ainda.
A humanidade superou tudo - guerras, doenças, fome... E a morte. Conhecimentos que pareciam impossíveis de se existir, hoje são considerados normais. O medo de máquinas dominarem o mundo... é real, embora nem um pouco assustador.
Nimbo-Cúmulo, um computador superavançado, dirige tudo. E tudo o que a humanidade sonhava em alcançar alcançou, todas as descobertas foram feitas, todos os avanços realizados, tudo está sobre seu domínio... Ou quase tudo.

"Descobri que os seres humanos aprendem com seus erros tanto quanto aprendem com suas boas ações. Sinto inveja disso, pois sou incapaz de cometer erros. Se não fosse, meu crescimento seria exponencial."

Num mundo imortal, humanos precisam morrer, porque, embora a Terra seja bem gerenciada e as riquezas bem distribuídas, ainda existe um limite para o que ela possa aguentar, todavia esse não é um assunto da Nimbo-Cúmulo por mais que ela seja quase onisciente, pois, uma máquina, por mais inteligente que seja, não pode escolher quem vive e quem morre, só um humano pode; por isso os Ceifadores, a Ceifa, foi criada.
Ceifadores conhecem os segredos da morte, a arte da coleta, e é uma organização separada da Nimbo-Cúmulo. No que se refere a morte, em quem deve morrer, em que foi escolhido para isso, ela não deve se envolver.

"Entendo o porquê de existirem ceifadores e como esse trabalho é importante e necessário… mas às vezes me pergunto por que tive que ser escolhida, se existe algum mundo eterno após este, que destino aguarda um ceifador de vidas?"

Assim, algo único acontece quando o Honorável Ceifador Faraday escolhe dois jovens para batalharam pela posição de Ceifador: Citra e Rowan.
Citra conheceu Faraday quando ele apareceu na sua casa, convidando-se para o jantar e depois saindo para "coletar" sua vizinha... Logo depois dela ter se enfurecido, dizendo que se ele fosse coletar alguém ali fosse logo, que parasse com tudo aquilo, com aquele tortura.
Já Rowan estava na escola, indo a diretoria pegar um passe por ter chegado atrasado quando encontra o Honorável Ceifador perdido. Voluntariando-se para mostrar o caminho, Rowan só percebe o que aquilo significava quando um dos seus colegas é chamado para ser coletado. Não querendo deixá-lo sozinho, mesmo não sendo seu amigo, Rowan continua na sala.
Vendo algo naqueles dois jovens, Faraday decide tê-los como seus pupilos. Principalmente quando ambos se recusam a ser um Ceifador. Afinal, esse é o primeiro requisito para ser um bom Ceifador: não querer.

"Se não eu, quem?
Será que o ceifador que me substituir será igualmente justo e compassivo?
Consigo aceitar um mundo sem mim… mas não consigo suportar a ideia de outros
ceifadores coletando na minha ausência."

Meu Deus. Minha nossa. É tipo... uau. U-A-U. Cara, sério, eu amei esse livro, foi o melhor livro que li desse ano. (Até agora ao menos.)
É tanto acontecimentos surpreendentes, reviravoltas impressionantes e não esperadas, que nem parece um livro, mas uma série completa compilada em pouco mais de 450 páginas. As revelações não foram do tipo que realmente te surpreendem, é meio que esperado dado aos acontecimentos, mas ainda sim me deixou com vontade de ter mais.

"-Para vocês, nada mudou.
-Tudo mudou, senhor.
Então Faraday disse algo enigmático que eles só entenderiam mais tarde.
-Talvez tudo venha a mudar novamente.
E saiu."

E acontece tanta coisa que dá para ver que o autor não poupou nada para ter algo para escrever nos próximos livros. É um livro completo. E tem continuação! E, o melhor de tudo, isso não dá um sentimento que o autor vai ser perder, apenas se aprofundar mais e melhor no que já fez. Mal posso esperar pelo próximo ano. Sai próximo ano, certo? Eu não sei se posso esperar muito tempo!
(Um momento para esperar e respirar, se acalmar, diminuir o ritmo cardíaco... Tudo isso é muito para o meu coraçãozinho.)

"Eram parceiros; eram adversários - e Rowan achava cada vez mais difícil entender o que sentia por Citra. Tudo o que sabia era que gostava de vê-la escrevendo."

O foco do livro não é o romance, embora ainda tenha suas pitadas e um belo futuro pela frente... eu espero que sim. É simplesmente revoltante todos aqueles hormônios em ebulição que os escritos insistem em colocar quando os protagonistas são dois jovens, por que... Sem sentido. Generalizando (não é o caso dessa história já que não existe morte), quem liga para romance quando o mundo está acabando?
Quem liga para a morte agora que ela é... controlável? É visível que ninguém. As pessoas não se importam mais, e não se importam com nada, porque, com a morte, muita coisa se foi também.

"Sem a ameaça do sofrimento, não temos como sentir a verdadeira alegria."

Sem a perspectiva de fim, de encontrar algo, de descobrir alguma resposta que não existia, os humanos perderam um propósito de vida, o propósito da vida. E eles procuram isso de outra forma, pulando de alturas e morrendo para ser revivendo depois somente pelo prazer, pela emoção do momento ou pelo sorvete que ganham depois que revivem; eles matam uns aos outros por frustração, por raiva momentânea; eles matam e isso não significa mais morte.
A morte... agora... não significa nada.
A vida... menos ainda.

"Devemos, por lei, manter um registro de todos os inocentes que matamos. E, a meu ver, todos são inocentes. Mesmo os culpados. Todo mundo é culpado de alguma coisa e todo mundo ainda guarda uma memória da inocência da infância, não importa quantas camadas de vida a cubram. A humanidade é inocente; a humanidade é culpada; ambas as afirmações são inegavelmente verdadeiras."

Bem, não tenho mais nada a dizer. Eu amei a história, os personagens, a evolução deles, as mentiras e as surpresas. Eu amei as partes dos diários dos Ceifadores entre os capítulos, que foi... que me fez pensar, refletir. Eu amei tudo e não houve nada que eu não gostei.

site: https://sougeeksim.blogspot.com.br/2017/06/resenha-o-ceifador-scythe-1.html
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Sallezze 13/06/2017

Simplesmente fantástico.
Odeio livros que só nos prendem quando boas páginas se foram. O Ceifador não é um deles. A leitura é super agradável, excelente escolha de tipografia. O livro tem a sacada de nos surpreender até mesmo nos pequenos detalhes, como nos testemunhos ao decorrer da história. Uma outra coisa bacana é que durante a história ele responde a perguntas que você nem mesmo havia se feito.

Vale cada segundo investido :)
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Anne 12/06/2017

Incrível!
O Ceifador é um livro narrado em terceira pessoa e nos conta a história de um mundo distópico na perspectiva dos pontos de vista de Citra e Rowan, que logo no início acabam tendo uma experiência um tanto diferente com o Ceifador Faraday. Também temos em todo final de capítulo um breve relato em primeira pessoa dos diários de Ceifadores muito conhecidos.

O começo do livro é um pouco devagar porque o autor vai nos mostrando um mundo totalmente diferente de tudo que já vimos. Então é claro que vai demorar um pouco para nos mostrar como é viver em um novo mundo e como ele funciona.

Esse novo mundo é o mundo que conhecemos só que perfeito, onde a morte não existe mais, ou seja, os seres humanos são imortais. A fome, as doenças e o desespero há muito foram eliminados. Todos têm direito à igualdade. O mundo não é mais gerido e vigiado por altas patentes governamentais, mas sim pelo Nimbo-Cúmulo, que é uma inteligência artificial. Mas para que o crescimento populacional seja equilibrado existe a Ceifa, que é uma entidade independente da Nimbo-Cúmulo onde os Ceifadores são responsáveis pela Coleta, que é a morte definitiva.

"As atividades da Nimbo-Cúmulo não são da minha conta. O objetivo dela é sustentar a humanidade. O meu é moldar a humanidade. A Nimbo-Cúmulo é a raiz, e eu sou a tesoura de poda, moldando os galhos, mantendo a árvore viva."

As pessoas que "morrem" não pela mão de um Ceifador vão para a revivificação, onde ficam alguns dias e voltam novinhos em folha. Também há a questão de que o envelhecimento é contínuo, e para continuar jovens, as pessoas se submetem à restauração, que é um procedimento o qual as pessoas se renovam e ficam com a idade que querem, mas não menos que 20 e poucos anos, porque afinal, quem quer ser adolescente novamente?

"Acredito que as pessoas ainda temem a morte, mas apenas um centésimo do que temiam antigamente. Digo isso porque, com base nas cotas, a chance de uma pessoa ser coletada dentro dos próximos cem anos, é de apenas um por cento."

Citra e Rowan acabam em uma encruzilhada quando o Ceifador Faraday os chama para serem aprendizes de ceifadores. O que pode ser pra muitos algo terrível, mas vem com algumas regalias. Durante o ano em que são aprendizes, eles possuem imunidade à coleta, assim como seus parentes. Quando os aprendizes se tornam Ceifadores, toda sua família automaticamente fica imune, o mesmo acontece com o próprio Ceifador, que não pode sofrer coleta de ninguém, a não ser dele próprio: a auto-coleta.

Então os dois acabam aceitando e depois entendem que ser um Ceifador tem muito a ver com moral e dignidade. Seria estranho se um Ceifador gostasse de coletar. É uma obrigação que tem que ser feita por alguém com a consciência inocente e alma intacta. Quem coletar e a forma como coletar está nas mãos dos Ceifadores, porque a morte agora se tornou a exceção, e não a regra.

"[...] ser um ceifador significa ser um ceifador em todas as horas de todos os dias. Isso define a pessoa até o âmago de seu ser, e apenas nos sonhos se é livre do jugo. Mas, mesmo nos sonhos, me pego coletando..."

Porém, há Ceifadores que possuem pouca ética e matam pelo prazer de matar. Aqui encontramos alguns Ceifadores que fazem coleta em massa e que tentam manipular os 10 mandamentos de um ceifador. Começa então a acontecer algumas reviravoltas que deixa o leitor ávido para saber mais.

O livro é muito bem escrito e coeso com as situações que são expostas. Tentei ao máximo não desvendar as particularidades que a história possui sem interferir no entendimento da minha resenha. Então eu paro aqui para lhes dar o prazer de embarcar em uma leitura fluida e original, cheio de altos e baixos na vida de personagens que odiamos e amamos.

Com certeza entrou na lista dos melhores livros lidos esse ano e espero que depois que você leia essa resenha, sinta a vontade de conhecer essa história maravilhosa que embora fale de um mundo a centenas de anos à nossa frente, nos mostra como a natureza humana pode ser perversa e prega que a morte jamais seja vista como algo banal.

"O que mais desejo para a humanidade não é a paz, o consolo ou a alegria. É que ainda morramos um pouco por dentro toda vez que testemunhemos a morte de outra pessoa. Pois só a dor da empatia nos manterá humanos. Nenhum Deus vai poder nos ajudar se algum dia perdermos isso."

site: http://literaturaestrangeira2.blogspot.com.br/2017/05/resenha-o-ceifador-por-neal-shusterman.html
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Leh 08/06/2017

Fascinante!
O Ceifador, é um livro baseado em uma utopia, onde as doenças, a miséria, as guerras, a corrupção e, principalmente, a morte foram vencidos. O governo é comando pela nimbo-cúmulo, uma esfera computacional (se assim posso dizer) incorruptível, que foi criada pelos últimos mortais para manter a ordem e a paz no mundo.

Mas em um mundo tão perfeito assim, onde a morte, um meio natural para controlar a população mundial não existe mais, quem ou o quê faz isso?
Essa é a função dos ceifadores: Manter o equilíbrio da população mundial para evitar as crises que o excesso de pessoas poderiam causar.

A Ceifa é a única esfera que a Nimbo- Cúmulo não tem o poder de interferir, por isso os ceifadores seguem 10 mandamentos para evitar que hajam corrompidos nesse meio... Mas é difícil controlar algo que é inerente a raça humana...

"Citra e Rowan foram escolhidos para serem aprendizes de um Ceifador no período de um ano. Onde, no final, só um deles ganhará o título de Ceifador e outro retornará para a sua vida de antes. Claro que há relutância de ambos para aceitar esse cargo, matar pessoas não é um cargo simples, mas o fato de seus familiares serem poupados da coleta durante um ano, fazem ambos aceitarem o desafio..." Se quiserem saber o resto, leiam o livro! rs

Este é um livro muito bem escrito e de leitura fácil e fluída. Os personagens são interessantes e cativantes. A estória conta com várias reviravoltas que me prederam até o fim!
Não costumo perder noites de sono por causa de um livro, mas este foi a exceção.
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Luan 07/06/2017

Disfarçado de aventura e ação, O ceifador traz uma importante reflexão sobre a morte e é uma grata surpresa
A melhor decisão que um leitor pode tomar é ler um livro sem saber tantos detalhes que uma sinopse costuma oferecer e, em seguida, sem expectativas. Esses dois fatores sempre costumam ser certeiros para uma experiência de leitura proveitosa. E foi isso o que aconteceu comigo em O ceifador, de Neal Shusterman. Ele, apesar de um Young Adult com clichês, se mostrou promissor e ainda conseguiu promover uma reflexão interessante sobre um assunto que ainda é tabu: a morte.

Adepto do quanto menos, melhor, e para tentar contribuir com uma experiência parecida com a minha, vou procurar ser o mais sucinto possível na sinopse do livro. Uma espécie de distopia, ele se passa anos a frente do que vivemos hoje, onde a humanidade conquistou importantes avanços. Um, e certamente o principal, é a imortalidade. Como ninguém mais more ou tem doenças, a população cresce desordenadamente. Para evitar isso, se criou a Ceifa, um grupo de pessoas responsáveis por matar as pessoas, equilibrando número de habitantes no mundo.

Os dois protagonistas da história são Citra e Rowan, que, de alguma forma, acabam tendo alguma ligação com a Ceifa depois de alguns acontecimentos. Além deles, o Ceifador Faraday é outro protagonista. Inicialmente, pensei que o livro apenas retrataria como seria a sociedade a partir desses avanços conquistados. Mas a história, apesar de mostrar isso, também entrega uma aventura muito semelhante a famosas distopias, mas que, ao mesmo tempo, são diferentes. Ou seja, ao pegar algo já batido, o autor ainda assim conseguiu alcançar certa originalidade, não só pela história em si falar de morte, como pelos demais acontecimentos.

Como disse, eu pouco sabia da sinopse quando comecei a ler a obra. Descobrir aquele universo enquanto lia e ser surpreendido por uma história de qualidade foi muito gratificante. O ceifador tem, sim, suas ressalvas, que em seguida detalharei. Mas quero começar falando do quão bom ele é. O primeiro e mais simples fator é trazer a tona, especialmente para um público mais jovem, a discussão da morte. A principal lição que é possível levar a partir desta abordagem é que o tempo que temos é curto e por isso não devemos esperar o tempo passar.

O desenvolvimento de mundo que o autor criou é outro fator de extrema qualidade. Basicamente tudo se encaixou sem furos. Quais os caminhos que a sociedade tomou para chegar até aquele estágio faz sentido e são explicados. O autor ter essa preocupação em relação ao leitor precisa ser destacado, uma vez que muitos escritores não tem o cuidado. Vamos levar em conta ainda a construção dos personagens, que talvez não seja o maior destaque, mas ainda assim supera a de muitos livros comemorados. Isso de forma geral, porque os protagonistas e personagens mais centrais tem um cuidado especial. Citra e Rowan, por serem dois protagonistas adolescentes/jovens, e, de certa forma, em algum momento, heróis, como em toda a distopia, não ficam forçados e o leitor consegue simpatizar e torcer por eles.

Ao longo do livro, o autor ainda cria uma série de acontecimentos que pegam o leitor de surpresa. São reviravoltas interessantes e que somam muito à história, para não deixa-la monótona, mas, ao mesmo tempo que poderia tornar a história confusa pela velocidade que tem, elas não deixam o livro sem coesão. A escrita do autor é muito fácil de se ler mas ao mesmo tempo ela é cuidada e posso dizer que gostei bastante disso e também dos diálogos - dois fatores que preso muito durante a leitura.

Agora vamos aos poucos pontos que me incomodaram, mas que não chegaram a estragar minha experiência com a história. Primeiro, por se tratar de um YA, teremos adolescentes às vezes cometendo burradas. Com isso, existem alguns clichês de livros deste gênero. São momentos que incomodam um pouco, mas que, devido ao talento do autor, conseguem se justificar lá na frente. Até a famosa competição sempre existente em distopias desta vez foi tratada de uma forma diferente e que não atrapalhou. Outro fator que me incomodou um pouco foi o número de acontecimentos, que tornou o livro corrido e sem aprofundamento no desenvolvimento de alguns fatos. O autor poderia facilmente ou ter aumentado umas 150 páginas neste livro ou ter dividido ele em dois, que teria história suficiente para explorar.

Enfim, cheguei ao fim do livro, como vocês já podem perceber, muito satisfeito com a obra que foi entregue. Bons personagens, bom desenvolvimento de mundo, boa escrita, bons acontecimentos. Tudo na medida certa, com poucos erros, tudo que um leitor mais espera ao começar um livro. Mesmo esperando uma história adulta, não me senti frustrado com um young adult justamente pela grande qualidade e por nos fazer refletir de forma divertida e diferente sobre um tabu como a morte. Com um final bastante satisfatório, mas sem grandes surpresas, o autor finalizou bem a história do primeiro livro, sem um grande cliffhanger, mas deixando o leitor cheio de vontade de continuar neste universo, que, ainda bem, terá mais livros e ainda um filme vindo por aí.
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Michelle Trevisani 06/06/2017

Que livro mais emocionante!
Bom - primeiramente - estou morta and enterrada com esse livro!!!!!!!! eitaaa que livro mais doido de bom gente! Fiquei tipo - P-A-S-S-A-D-A! Pois é, pois é, pois é! Logo eu, que não dava nadica pra essa capa. Juro gente, eu achava que esse livro iria ser tipo blá, mas foi tipo Óóooooo! Sérião, essa capa não me chamou a atenção não. Mas nossa, que viagem, adorei demais essa leitura! Tudo de bom! O Ceifador, de Neal Shusterman é lançamento da editora Seguinte e corre grande risco de ser um dos livros de distopia que melhor vou ler este ano. Porque eu gosto muito desse gênero, mas não é fácil me convencer fácil não hahaha.

Vamos ao que interessa: a história. Capítulos curtos e dinâmicos, em terceira pessoa. Passeiam ora na visão de Citra, ora na visão de Rowan, os dois jovens protagonistas deste livro. Citra e Rowan vivem uma época muito doida da nossa humanidade: os seres humanos alcançaram o ápice da mortalidade. Sim, agora somos imortais. Há nanitos que correm em nossas veias que não deixam mais que tenhamos dor, que resguarda nosso corpo até chegar a um centro de recuperação quando caímos de um prédio ou de uma ponte, por exemplo, para que possamos nos regenerar antes da morte. Resumindo: ninguém mais sabe o que é suicídio, homicídio, latrocínio e as demais formas de morte por aí afora, termos que já ficaram no passado e que já não fazem parte do dia a dia de Citra e Rowan.

Mas o mundo continua limitado. E com tanta gente nascendo e nenhuma gente morrendo (hahah), é preciso que se faça alguma coisa. Do contrário, não vai haver espaço pra tanta gente sendo eterna na terra. Eis que surgem então os Ceifadores. Os Ceifadores são os designados para a tarefa da coleta. Porque ninguém usa mais a palavra morrer ou matar, ou partir desta para a melhor. Aliás o que é religião? Nada disso existe mais. O ser humano agora é quem controla o destino, e os Ceifadores são responsáveis por colocar fim a eternidade de algumas pessoas. Somente o ceifador pode tirar a vida de alguém. Eles são responsáveis por manter em equilíbrio a existência da raça humana. Para eles há regras: não podem fazer discriminações nas coletas; eles tem número mínimo e máximo para coletar durante o ano; não podem se casar e são os únicos permitidos a tirarem a própria vida. Somente os Ceifadores podem se matar, mais ninguém. E todo esse cenário é regido de perto pela Nimbo Cumulo, um tipo de inteligência artificial que rege o planeta e está atenta a tudo. A Nimbo Cumulo é a responsável pela ordem e tudo registra em seu imenso banco de dados.

Leiam o restante da resenha lá no blog> LIVRO DOCE LIVRO.

site: http://meulivrodocelivro.blogspot.com.br/2017/06/resenha-o-ceifador-de-neal-shusterman.html
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Luiza Helena (@balaiodebabados) 05/06/2017

Originalmente postada em http://www.oquetemnanossaestante.com.br/
Em O Ceifador, vemos que a humanidade atingiu o status de quase-perfeição: sem mortes, sem doenças, você pode rejuvenescer quantas vezes quiser. Ou seja, a sociedade é imortal. Para se tornar a sociedade perfeita, só faltava todo mundo ter a mesma condição financeira, mas isso não aconteceu justamente por conta de um equilíbrio.

Nessa sociedade, existe uma inteligência artificial chamada Nimbo-Cúmulo que sabe e comanda tudo. Quer dizer, quase tudo. A única organização que a Nimbo-Cúmulo não pode interferir é com a Ceifa que foi criada para coletar pessoas e manter o nível populacional um tanto estável. Ela tem seus próprios mandamentos e os ceifadores escolhem seus coletados da maneira que quiserem.

Durante a história, vamos acompanhando Citra e Rowan em seu treinamento para se tornar um ceifador. Por conta de determinado acontecimento, os dois começam a treinar separados e é aí que vemos que nem todos os ceifadores tem a mesma opinião sobre a coleta.

Aviso aos navegantes: se você está esperando um livro que, ao espremer, jorre sangue para tudo quanto é lado, acho bom ir tirando o “jegue da chuva”. Apesar do foco do livro ser morte, esse assunto é abordado de uma forma, digamos, filosófica.

Justamente essa filosofia sobre a morte é um ponto surpreendente no enredo. Querendo ou não, os ceifadores ao fazerem suas coletas estão brincando de Deus, já que eles escolhem quem irá morrer. Em vários momentos da história, o autor nos propõe a reflexão sobre o fato da necessidade das pessoas morrerem e sobre esse poder de coleta que os ceifadores têm. Afinal, até que ponto essas coletas podem subir à cabeça do ceifador e ele passar a sentir prazer nesse trabalho?

O livro é narrado em terceira pessoa, o que te dá uma visão bem ampla daquele mundo. Entre um capítulo e outro, temos entradas de diários de alguns ceifadores que, de alguma forma, complementam o capítulo que se inicia. Eu gostei muito desse artifício porque vamos conhecendo opiniões sobre esse cargo bastante importante.

Citra e Rowan são protagonistas que tem um grande crescimento durante a história. Já gostei do fato deles serem bem centrados e maduros, no seu próprio jeito de ser. O treinamento e o conhecimento que vão adquirindo sobre coletas, sobre ser ceifador e a Ceifa tem bastante influência no caráter dos personagens. Os personagens secundários também me agradaram bastante. Neal conseguiu trabalhar na medida certa esses personagens, mas o destaque vai para Faraday, Curie e Goddard. É a partir desses três que temos uma visão melhor das opiniões dos ceifadores.

O Ceifador é o primeiro de uma série e possui um ar bem introdutório, mas nem por isso a leitura segue jorrando informações de uma vez. Ao longo do treinamento de Citra e Rowan, vamos descobrindo um pouco mais sobre essa sociedade perfeita e, principalmente, sobre a Ceifa.

Apesar de não ocorrer muita ação, o livro tem um ritmo constante e bem fluído. Esse foi meu primeiro contato com Neal Shusterman e, pelo menos aqui, gostei muito da escrita dele. O autor consegue te prender na trama e você não quer parar até chegar ao final. E que final, senhores! Vi algumas resenhas dizendo que ele foi fechado, mas para mim deixou um super gancho para o próximo.

O segundo livro se chamará Thunderhead (termo original da Nimbo-Cúmulo) e tem lançamento internacional previsto para março do ano que vem. Os direitos de adaptação foram adquiridos pela Universal Pictures.

Logo nas primeiras páginas do livro já sabia que O Ceifador seria completamente diferente do que eu imaginava. Com esse detalhe, se tornou uma leitura que com certeza vou me lembrar por muito e muito tempo.

Leia mais resenhas em http://www.oquetemnanossaestante.com.br/

site: http://www.oquetemnanossaestante.com.br/2017/06/o-ceifador-resenha-literaria.html
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Fernanda 05/06/2017

O ceifador
Resenha no blog:

http://www.segredosemlivros.com/2017/06/resenha-o-ceifador-neal-shusterman.html

site: http://www.segredosemlivros.com/2017/06/resenha-o-ceifador-neal-shusterman.html
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Ingrid 04/06/2017

Na verdade é 3,5. Nao sei. O começo tava legal, só que depois de tal acontecimento ficou meio ZzzZZz nada andava, perdi a vontafe de ler. Os aprendizes só diziam que tavam treinando e estudando mas não mostrava eles fazendo nada. Aí vem outro acontecimento e eu fico WTF, aí depois se resolve muito rápido. Acho que o maior crescimento foi o Rowan, na verdade só aprimorou aquilo que ela ja era, mas a menina lá (que esqueci o nome) mudou muito, e isso foi muito estranho. No geral foram altos e baixos, senti falta de descrição de ambiente e aparência das pessoas. O livro tem seus picos que te deixam vidrados na história, no início, meio e fim, mas as pontes entre esses picos é muito ZZzzZz vários nada. Os protagonistas brilharam muito no final, e confesso que só não larguei o livro por curiosidade do que iria acontecer e que bom que não larguei. Talvez eu continue a ler as continuações. No geral foi legal, final maravilhoso, porém senti falta de algumas coisas.
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