O Ceifador

O Ceifador Neal Shusterman




Resenhas - /////


11 encontrados | exibindo 1 a 11


Tamirez 24/04/2017

O Ceifador - Neal Shusterman
Quanto mais eu lia esse livro, mais impressionada eu ficava. Neal Shusterman consolidou uma admiração que já tinha começado em Fragmentados, outro título dele que saiu no Brasil em 2015. O autor consegue fazer com que a distopia mantenha sua grande essência, que é o mundo distorcido, diferente, enquanto caminhamos por ele com os personagens, sejam eles quem for. O mais importante nas obras dele não são as histórias pessoais, mas o contexto maior, o mundo.

É claro que nos importamos com os personagens, mas a construção ao redor deles é tão mais ampla, que eles perdem o foco em um jogo de engrenagens que nunca para de girar. E são mundos inteligentes, bem pensados, críveis. Sociedades que se consideram evoluídas, mas onde há sempre algo a se questionar, algo que vai ir rachando, se quebrando e assim, trazendo o caos.

A proposta de utopia também é interessantíssima. Será que realmente algum dia ela existirá e conheceremos um mundo perfeito? Acho que não. A natureza do homem, gananciosa, parece sempre vencer, mesmo que nas entrelinhas. Esse futuro que temos em O Ceifador é perfeito. A nuvem ganhou consciência e através de sua vastidão e da forma ilimitada de seu conhecimento, consertou tudo o que havia de errado. As doenças foram curadas, o corpo humano foi melhorado, a fome foi erradicada e com ela as diferenças sociais. Ninguém mais vive na miséria, todos tem trabalho. É possível curar o corpo, rejuvenescer, ressuscitar. Não há mais guerra ou mortes. A única forma de uma pessoa deixar de existir é se um Ceifador bater à sua porta.

“A humanidade é inocente; a humanidade é culpada; ambas as afirmações são inegavelmente verdadeiras.”

Essa ordem é regida por mandamentos, cada Ceifador tem uma cota a ser cumprida e precisa estar dentro dos parâmetros geográficos, de sexo e raciais pré estabelecidos, caso contrário sua liberdade de escolher é retirada. Há conselhos periódicos onde as estatísticas são revisadas e novas posturas são debatidas. É uma organização mundial, a única restante além da Nimbo, poderosa de uma forma estranha e bizarra. Como alguém determina quem morre e quem vive? Qual o peso disso na consciência de um Ceifador? E a população aceita e entende, caso contrário toda a família é punida ao invés de receber a imunidade anual, que os manteria livre de outra colheita na família por 365 dias.

Acho que o que mais me faz pensar quando um mundo utópico é trazido em pauta é o que motivaria as pessoas. Hoje estudamos pra passar no vestibular, estudamos pra ter um bom emprego, corremos atrás de oportunidades para ter uma vida melhor, adquirir o que queremos, viajar, conquistar. Mas e se já tivermos tudo isso, o que vai nos motivar? O que fará com que saiamos da cama toda manhã, que tenhamos disposição de fazer mais e mais? Pelo que se luta em um mundo onde todos os problemas já foram resolvidos?

Achamos que com todos os problemas eliminados, a vida seria perfeita. Mas sem motivações, objetivos, será que não seremos mais tristes? Será que a depressão não será mais nossa amiga do que já é? O tédio, a ansiedade? Neal Shusterman apresenta isso aqui, e responde a pergunta com um simples nano. Será preciso nos medicar para que nossos níveis se mantenham em linha, pra que a proposta de salvação e imortalidade não nos consuma, não nos destrua na imensidão de não precisar mais correr atrás de nada. A Nimbo será responsável por nos deixar feliz, ela será nossa psicóloga, nosso controle.

Não há espaço para dúvidas, toda vez que uma delas surge em nossa cabeça o autor logo a responde algumas páginas a frente, e isso é genial. A confusão de perguntas que vão surgindo: como, o que aconteceu com a religião, não há quem se oponha a Nimbo, aos Ceifadores, e se a pessoa se matar, o que realmente é a Nimbo. Tudo é explanado, tudo é trabalhado. Inclusive o impacto da ceifa, a resistência a ser coletado, as consequências.

“Apesar dos ideais grandiosos e das muitas defesas para proteger a Ceifa da corrupção e perversão, devemos estar sempre atentos, pois o poder vem infectado coma única doença que nos resta: a natureza humana.”

O ano do livro é 2042, não tão longe do ponto em que vivemos. Não é assustador pensar que talvez até lá a consciência cibernética seja uma realidade? Pra mim é. Eu já tinha visto vários filmes que traziam essa proposta, mas a inteligência virtual era sempre apresentada como algo que se corrompia e se tornava mau. Aqui não. A Nimbo é como um Deus, “alguém” que só quer o nosso bem, que olha por nós e faz o que é necessário para que estejamos felizes em um mundo equilibrado. Ela não é o inimigo aqui e quando isso fica claro, voltamos nosso olhos para a Ceifa.

Citra e Rowan são dois jovens muito diferentes, de locais distintos. Sua vida provavelmente nunca teria se cruzado se o Ceifador Faraday não tivesse feito coletas perto de ambos, sendo confrontado e notando algo de especial, uma resiliência, um ardor pela vida. Para os grandes Ceifadores o ato de matar tem que ser algo estritamente profissional. A partir do momento que a pessoa adquire o gosto pela morte ou deseja infringi-la de forma deliberada, algo se rompeu. E, grande parte do treinamento dos jovens vai ser exatamente aprender como lidar com isso.

Os Ceifadores não podem ser ricos, mas há sempre uma ou outra pessoa que está sempre aos seus pés concedendo seus bens ou benefícios em nome da tentativa de imunidade. Eles são os humanos mais poderosos a andar sobre a Terra. A simples presença de um Ceifador em um recinto é capaz de atormentar a todos. Afinal, ele está ali para buscar alguém. Alguém que nunca mais vai voltar. Como é possível se manter correto tendo tanto poder ao seu dispor? E, mesmo sentindo repulsa contra o ato de matar, a promessa desse status e da imunidade até a sua morte para a sua família, não seriam motivos suficiente pra sobrepor a qualquer conflito interno? Os dois protagonistas não querem duelar, não querem ser adversários, não querem aprender a matar. Porém, há algo a mais em jogo. Uma vitória, poder, a vida de seus entes queridos. Matar talvez se torne um preço baixo a pagar por tudo isso, quando a hora chegar.

“A imortalidade nos transformou em personagens de desenho animado.”

Citra e Rowan são adolescentes e estando em sua cabeça, com pontos de vista diferentes, é possível saber o que cada um está pensando e como suas personalidades, desejos e motivações vão mudando ao longo do livro. Eles são diferentes, mas possuem uma inocência e bondade que é muito semelhante e que pode sim ser corrompida pela grandiosidade dos desafios que terão que passar. O treinamento de um Ceifador não é fácil. Haverão testes, provas, desafios. E, no fim, apenas um deles vai realmente alcançar o objetivo que nenhum deles queria pra começar.

Também conheceremos outros Ceifadores mais velhos, membros da Ceifa, sua elite e todo o mundo que certa essa comunidade diferenciada e regida em suas próprias leis. Como falei no começo, a história dos dois é um start para algo muito maior se desenvolver.

A escrita é super fluída e mesmo o livro sendo grande, a leitura não é demorada. Eu devorei o livro, pois a cada capítulo precisava saber o que viria depois e há vários plot twists que mudam a trama de tempos em tempos, concedendo um novo olhar e uma renovação. Não há como começar a ler, prever um fim e ao passar por todas as mudanças não questionar cada passo a frente. Com isso fui me surpreendendo a cada 100 páginas, e isso manteve a trama ativa e interessante.

O Ceifador me deixou empolgada como há muito tempo eu não ficava com um primeiro livro de distopia. Depois da enorme onda que o gênero teve, tudo virou mais do mesmo e houve uma decadência por falta de novidades. Mas aqui leitores, há novidade, além de um mundo incrível, com personagens instigantes e um milhão de perguntas que não vão sair da sua cabeça. O primeiro volume da trilogia Scythe é um livro pra você questionar a sua visão de mundo, de perfeição e de futuro.

site: http://resenhandosonhos.com/o-ceifador-neal-shusterman/
Julia Mores 26/04/2017minha estante
Estou louca por este livro ?




Rafaela B 24/04/2017

O mais perto que chegaremos de uma utopia
Quando recebi o livro para ler a primeira coisa que pensei foi "mais uma distopia adolescente". Eu não poderia estar mais errada. Sim, é um livro que se passa no futuro onde uma revolução mudou drasticamente a sociedade. Mas não para pior, não oprimindo pessoas, na verdade é exatamente o oposto. A internet criou consciência e se tornou a Nimbo-Cúmulo, uma mente inteligente que resolveu todos os problemas da humanidade: pobreza, fome, meio ambiente, doenças, morte, criminalidade e até mesmo os governos, trabalhando muito melhor que os políticos (o que não é um feito muito grande). Isso lembra mais uma utopia do que uma distopia, certo? Mas essa sociedade idílica tem um pequeno problema: se as pessoas param de morrer mas continuam nascendo temos aí um problema de natalidade e nisso a Nimbo-Cúmulo não quis interfirir por acreditar ser um trabalho para os humanos. Assim foi criada a Ceifa, um grupo de pessoas que tem o trabalho de controlar a natalidade de forma criteriosa, sem preconceitos ou motivos pessoais, respeitando etnia, idade e dados de mortes da Era da Mortalidade, época em que as pessoas morriam por vários motivos. Num mundo onde a igualdade impera os Ceifadores são celebridades, com o poder de decidir quem morre e quem vai ganhar imunidade. Com uma responsabilidade tão grande é preciso critério em escolher o próximo Ceifador, um dos requisitos mais importante é não querer ser um!
Faraday é um Ceifador que respeita os 10 Mandamentos da Ceifa:
1. Matarás
2. Matarás sem discriminação, fanatismo ou pensamento premeditado
3. Concederás 1 ano de imunidade aos entes queridos daqueles que o receberem e a todos que considerar dignos
4. Matarás os entes queridos daqueles que resistirem
5. Servirás a humanidade durante todos os dias de tua vida, e a tua família receberá imunidade como recompensa enquanto viveres
6. Levarás uma vida exemplar em palavras e atos, e registrarás todos os teus dias em um diário
7. Não matarás nenhum ceifador além de ti
8. Não reclamarás nenhuma posse material além de teus mantos, teu anel e teu diário
9. Não terás cônjuge nem filhos
10. Não seguirás nenhuma lei além destas
Levando uma vida frugal é um dos mais admirados pelos ceifadores que seguem as regras e mais odiado pelos que querem renovação das leis da Ceifa.
Em seu trabalho acaba tendo tem contato com dois jovens, Rowan, que se mostra uma pessoa que se preocupa com os outros ao ficar ao lado do colega que será coletado (forma que os Ceifadores usam para se referir às pessoas que serão mortas) quando todos só queriam sair da frente do Ceifador e poupar suas vidas e Citra que tem a coragem de ser direta com ele e não ficar com medo nem tentar bajulá-lo. Por isso resolve pegar os dois para serem seus aprendizes sendo que apenas um será escolhido para carregar o anel e o manto de Ceifador após um ano de treinamento. Nunca um Ceifador tutelou dois aprendizes de uma vez, mas como não há precedentes não há proibição. Isso é o que Faraday pensava.
Tudo vai bem até que no primeiro conclave do ano da Ceifa os seus aprendizes são apresentados aos Ceifadores e ao Alto Punhal, o lider máximo do grupo da Midmérica (antiga América do Norte) e ao se ajudarem mutuamente na prova dirigida aos aprendizes um dos ceifadores propõe que para que não exista camaradagem entre eles o que vencer terá de coletar o outro. Essa proposta é feita por uma Ceifadora do grupo de Goddard, um Ceifador que sente prazer em matar, responsável por coletas que no nosso mundo de hoje seriam consideradas chacinas cruéis e que quer novas leis para a Ceifa, leis que permitam que ele mate descarademente e sem restrição, além de poder ostentar toda a riqueza e poder que quiser. Apesar disso a Ceifa aceita a proposta e aí começam os problemas de Citra e Rowan que, além de terem que lidar com o treinamento para se tornarem assassinos perfeitos, a atração que sentem um pelo outro e o futuro incerto, irão descobrir que a Ceifa não é tão digna e honrada como imaginaram e podem ser peça chave para a mudança que é preciso.

É um livro muito bom, que no começo pode parecer parado ou maçante, mas não desista dele logo de cara! É um mundo muito diferente do nosso e o autor nos dá uma visão ampla dessa nova forma de vida, onde não existe dor pois as pessoas carregam no sangue dispositivos que aliviam as dores e curam mais rápido ferimentos, não existe morte pois não importa a forma que você morra acaba sendo ressucitado (a não ser se morrer pelo fogo), não existe mais deuses, o ser humano se tornou um, sendo eternamente jovem e com todas as perguntas respondidas pela Nimbo-Cúmulo (isso não impede de existirem ceitas que são uma sombra do que foram as religiões do passado, que veneram as vibrações sônicas), não existe feicidade ou tristeza extremas, sistemas no corpo das pessoas controlam os sentimentos para um nível aceitável.
Ao ler o livro pensamos: será que fomos feitos para uma sociedade utópica ou só a desejamos porque não podemos alcançá-la. É um livro que nos convida à reflexão com personagens complexos, que nos causam resulsa ou admiração (Faraday e Curie S2) e não conseguimos largar!
Quero logo o segundo livro.
comentários(0)comente



Leitora Viciada 23/04/2017

Resenha para o blog Leitora Viciada www.leitoraviciada.com
Imagine um futuro onde a humanidade, o meio-ambiente e a tecnologia estão perfeitamente em equilíbrio e harmonia. A escassez de alimentos e energia não assombra mais, e as doenças, a fome, os homicídios e a desigualdade social foram eliminados. Em um mundo aparentemente perfeito, alcançamos a imortalidade. Ninguém fica doente e em caso de qualquer acidente, o corpo é revivido sem dificuldades. Além disso, a aparência pode ser constantemente rejuvenescida conforme a vontade do indivíduo. Tudo graças ao inimaginável avanço da tecnologia, responsável por cuidar do funcionamento do planeta e da sociedade. Ela criou consciência e passou a ser a governante perfeita e incorruptível dessa utopia: a Nimbo-Cúmulo. Com ela, vencemos não somente a morte, mas também os governos e a política; a Nimbo-Cúmulo sabe de tudo e calcula sempre as melhores soluções para qualquer problema, cuidando de todos, preservando o planeta e a humanidade, ajudando qualquer um com suas dúvidas. Ela criou o Código Mundial e, desde então, ninguém sofre dos males da Era da Mortalidade.
"2042. É um ano que todo estudante decorou. Foi o ano em que a capacidade computacional se tornou infinita - ou tão perto disso que não podia mais ser medida. Foi o ano em que descobrimos... tudo. A "nuvem" evoluiu para a "Nimbo-Cúmulo"."
Em um mundo onde ninguém mais morre, o crescimento populacional continua e, por mais que tenhamos uma consciência onipresente e poderosa que nos lidera sem jamais errar, o mundo é limitado fisicamente e algumas pessoas precisam morrer. Esse é o único assunto referente à humanidade em que a Nimbo-Cúmulo não interfere e não possui autoridade. A responsabilidade de se retirar uma vida é exclusivamente humana, pois é um ato que envolve moral e ética. Assim surgiu a Ceifa.
Agora imagine a personificação da morte: ela coleta almas vestindo um enorme e suntuoso manto que esconde sua imagem. Por debaixo do tecido, armas mortíferas, ferramentas para matar. Ninguém pode ou deve interferir. É a imagem de um ceifador.
Os ceifadores são humanos encarregados de escolher e executar mortes irreversíveis. Eles obedecem a uma própria hierarquia e leis exclusivas, mas seus métodos de trabalho variam muito e suas consciências enfrentam questões humanas e éticas enormes, acompanhadas por angústia, culpa, responsabilidade e solidão. A Nimbo-Cúmulo é perfeita, mas e a humanidade? E a Ceifa?

Para ler toda a resenha acesse o Leitora Viciada. -> leitoraviciada.com
Faço isso para me proteger de plágios, pois lá o texto não pode ser copiado devido a proteção no script. Obrigada pela compreensão.

site: http://www.leitoraviciada.com/2017/04/ceifador.html
comentários(0)comente



"Ana Paula" 22/04/2017

Se vocês ainda não leram a sinopse deste livro, leiam. Não vou falar muito sobre a trama para não dar spoilers desnecessários, só recomendo que vocês leiam a sinopse para entender sobre o que estou falando.

O Ceifador é um livro complexo e dúbio. Ele está categorizado como distopia, mas, enquanto eu o lia, também pensei na utopia que ele trás: Imagine um mundo onde nosso único problema é o crescimento populacional. Sim, doenças não existe mais. Os governos caíram por terra e quem nos abastece e nos dá todas as informações necessárias é uma Inteligência Artificial chamada Nimbo-Cúmulo.
Nesse futuro, os Ceifadores, que são uma espécie de nata da sociedade, são a única maneira de manter o planeta com o número certo de habitantes, pois vencemos a morte e a idade. Podemos rejuvenescer e viver por mais de 200 anos se assim for desejado. Se você não for escolhido para a Ceifa e, por acaso, sofrer um acidente, a Nimbo-Cúmulo tem a tecnologia para revivê-lo.

"Prevejo o dia em que os novos ceifadores serão escolhidos não por causa de alguma moralidade esotérica, mas porque gostam de tirar vidas. Afinal, este é um mundo perfeito - e, num mundo perfeito, não devemos todos ter o direito de amar o que fazemos?"

Neste contexto, conhecemos Citra e Rowan, dois adolescentes que são escolhidos pelo Ceifador Faraday para serem seus discípulos. Apesar de ambos terem sido escolhidos, somente um será eleito para carregar o anel e a honra de ser um Ceifador.
Citra é uma garota maravilhosa! Cresceu em uma família que a ama, é muito inteligente e sincera. Tem um temperamento um tanto hostil, mas seu coração é bom e suas atitudes, coerentes.
Rowan é um alface, como ele mesmo diz. Vindo de uma família enorme, Rowan nunca teve atenção dos pais. É um bom garoto, inteligente e também tem bom coração.

Os dois são escolhidos por Faraday por serem quem são. Citra e Rowan não querem a principio, mas ambos sabem que são capazes de passar no teste e, o que começa como uma simples competição, pode acabar colocando suas vidas em risco.

"Jogos de poder podiam ser coisa do passado em outros âmbitos, mas ainda estavam muito vivos na Ceifa."

Juro que eu quero contar tantas outras coisas deste livro para vocês, mas não posso! *-*
Eu estou completamente apaixonada por este enredo, pelos personagens, pela trama, pela narrativa do autor, por tudo!
Este é o primeiro livro que leio do autor e tenho que confessar: que ótimo começo! Apesar de possuir personagens adolescentes, o que ultimamente me faz virar os olhos, em momento nenhum a narrativa ficou enfadonha ou arrastada.

A ideia de construir um enredo que nos faça ficar admirados com o quando o mundo evoluiu e ao mesmo tempo dar um tapa na nossa cara e dizer: "acorda! Nada é perfeito!" foi incrível! Durante minha leitura, por diversas vezes parei para pensar sobre o que lia e sempre me surpreendia. Neal sabe escrever uma história e deixar o leitor ávido para saber mais. A cada momento que eu tinha uma pergunta para alguma questão, encontrava-a na página ou capítulo seguinte.
Como este é o primeiro livro de uma série, encontraremos muitas explicações e relatos de alguns Ceifadores explicando como o mundo está.

"Ele me lembra que, apesar dos ideais grandiosos e das muitas defesas para proteger a Ceifa da corrupção e perversão, devemos estar sempre atentos, pois o poder vem infectado com a única doença que nos resta: a natureza humana. Temo por todos nós se os ceifadores começarem a amar o que fazem."

A narrativa é em terceira pessoa e acompanha, principalmente, Rowan e Citra. Também conhecemos alguns outros personagens importantes para a trama, o que nos dá muito o que pensar sobre cada um.
Como sempre, a Seguinte arrasou na edição. Recebi a prova antecipada e depois, no evento da Companhia das Letras, ganhei a versão final, e o livro está lindo! A capa condiz com o enredo, as letras estão em tamanho confortável para a leitura e não encontrei nenhum erro de revisão!

Do mais, só posso dizer para vocês comprarem logo o seu exemplar e aproveitar essa leitura que tem muito a oferecer e ensinar.


site: http://livrosdeelite.blogspot.com.br/2017/04/resenha-o-ceifador-scythe-1-neal.html#.WPtNJGkrLDc
comentários(0)comente



Raffafust 20/04/2017

Pensem em um livro distópico tão maravilhoso que lembrou os tempos auréos quando Jogos Vorazes chegou em minhas mãos... que delícia ler uma história tão bem escrita como essa.
Em um mundo onde a tecnologia dominou de verdade o mundo, uma Nuvem de Dados dá as ordens e resolve que não deve mais existir nada de errado no mundo, aquele lance de todos serem iguais.
Então não existem mais mortes, furtos ou diferenças sociais, todos tem a mesma quantidade de itens. Há algumas coisas bem estranhas, as pessoas não morrem mais porque facilmente são ressucitadas. Mas então com toda essa super população como o mundo se sustenta? É criada a Ceifa, com o intuito de definir aqueles que devem ou não serem mortos por eles. Os Ceifadores são escolhidos e considerados sortudos já que tem essa decisão em mãos, passam a serem cobiçados por outras pessoas e isso comprova que a corrupção não acabou, sempre há um jeito de alguém ter um pouco mais e querem dar mais para os ceifadores já que eles sempre escolhem seus discípulos. Que usarão um anel super poderoso.
É o caso de Citra e Rowan que estão disputando o tal cargo. Dois adolescentes que vão ser muito mais no livro do que meros concorrentes a Ceifadores ( tem que ler para entender porque serão tão importantes na história!).
Outro ponto interessante é que ninguém tem direito de se matar, se o fazem sem autorização são ressucitados, e os escolhidos para morrerem se fugirem dos ceifadores terão suas famílias inteiras mortas por eles...cruel, né?
Aquele livro que chegou para ficar, e ainda vai virar filme, espero qeu seja tão bom quanto!


site: http://www.meninaquecompravalivros.com.br/2017/04/resenha-o-ceifador-1-editoraseguinte.html
comentários(0)comente



Ju - LiteRata 19/04/2017

Temam menos a morte e mais a vida insuficiente.
Quando a Editora Seguinte fez a proposta de provas antecipadas para o livro "O Ceifador" a história me chamou atenção devido ao enredo. A sinopse prometia uma história original apesar de ser uma distopia, gênero que a meu ver já saturou um pouco devido ao rumo "predeterminado" de suas tramas. Mesmo assim confesso que não estava tão empolgada com a obra, era uma leitura que me deixou curiosa mas não a ponto de pular filas. Acredito que de certa forma isso foi essencial para que eu não abandonasse o livro antes de chegar a parte boa, porque sim, demorou demais! Creio que se eu tivesse altas expectativas não teria chegado ao momento em que a história fica sensacional.

"O Ceifador" narra a história de Rowan e Citra, personagens que vivem em um mundo pós moderno "comandado" pela mais perfeita interface de inteligência artificial que já existiu. Um período em que não se há nada de novo para conhecer e aprender, um futuro em que a mortalidade passa a ser exceção, em que o ser humano pode rejuvenescer quando bem entender. Um mundo em que estagnação e tédio levam algumas pessoas a se matarem só para ter o que fazer, visto que a maior consequência é ser restaurado a vida em um centro de revivificação. A única coisa sobre a qual a Nimbu-Cúmulo (IA) não pode interferir é com a ordem dos Ceifadores. Eles são os únicos capazes de tirar definitivamente a vida de um ser humano. E de repente Rowan e Citra se veem aprendizes do Ceifadore Faraday, a melhor escolha é seguir em frente com o treinamento, mesmo que isso munca tenha sido o que imaginavam para si. E por pior que seja descobrir que o poder ainda é capaz de corromper o homem é necessário seguir em frente, mesmo que se sintam apenas marionetes em um jogo muito maior do que inicialmente pensavam.

"Quanto mais vivemos, mais rápido os dias parecem passar. Como é perturbador viver para sempre. Um ano parece durar apenas semanas. Décadas voam sem nenhum acontecimento que as marque. Ficamos acomodados na monotonia sem sentido da vida, até que, de repente, nos encaramos no espelho e vemos um rosto que mal reconhecemos implorando que nos restauremos e sejamos jovens novamente."

Neal Shusterman ter uma particularidade em sua escrita que não me agradou muito, a narrativa em terceira pessoa torna a história muito impessoal, impedindo que o leitor se conecte com os sentimentos dos personagens. Por boa parte da história me senti alheia as vontades e pensamentos dos protagonistas, como se eles mesmo não sentissem o que estava descrito ali. Não dá nem mesmo para dizer que foi algo forçado, por que sinceramente na maior parte da história senti total indiferença por ambos. O curioso é que enquanto eu lia passei a comparar a escrita do autor com a de outro livro que havia lido, alguma coisa ali me remetia a narrativa de "Fragmentados", agora imaginem minha cara de besta quando fui pesquisar e vi que ambos são livros do mesmo autor? Pois é, vergonhoso. E assim como neste outro livro do autor a história passa a ser instigante quase perto do fim, é quando a ação realmente passa a acontecer.

Acredito que o que disse a cima se deva ao fato de este livro ser o primeiro de uma trilogia e sirva principalmente para ambientar esse novo mundo. A questão é que este novo mundo pensado por Shusterman tem tantas particularidades que a narrativa não da conta de explorar tudo, o autor foca intensamente em alguns fatores em detrimento de outros e encontrei certas incoerências no decorrer da narrativas, coisas pequenas que no momento não me recordo direito, mas que pareciam contradizer o que já tinha sido dito. Acontece que ainda assim no fim acabamos por deixar de lado tudo o que incomodou antes para descobrir porque este livro é tão bem cotado no Goodreads.

O fato é que quando tudo começa a parecer enfadonho e passamos a no sentir como os personagens da narrativa, vivendo por viver em um tédio cansativo, algo inesperado acontece e a partir daí o ritmo da história acelera, passamos a sentir o objetivo de tudo e enfim acabamos por viver "junto" com os personagens. A atitude de Rowan, a forma como ele cresce como personagem, como ele encara todo o mal que foi obrigado a participar é sensacional. Citra tem seus próprios problemas para enfrentar, mas sua jornada é ainda mais interessante de que a do amigo. A verdade é que O Ceifador não tem nada de previsível e clichê, quando você espera ter compreendido tudo Shusterman se reinventa e apresenta uma narrativa completamente nova e ao mesmo tempo semelhante.

Enfim, "O Ceifador" é uma narrativa que lida com temas complicados seja em uma distopia ou no mundo real: a morte. Não só pela questão do ser que tem a vida ceifada, mas principalmente em relação aqueles que ficam. Senti muito intensamente a questão do viver por viver, confesso que não me sentiria confortável em habitar um mundo em que não existe mais nada para se conhecer, que todo aprendizado já foi absorvido, em que não sou exatamente necessária.

"A imortalidade nos transformou em personagens de desenho animado."


Este livro traz muito mais do que apenas as questões aparentes na sinopse e o mais interessante é a reação que você certamente terá com relação a essas questões. No mais leia e tire suas próprias conclusões.

OBS: Como li a prova antecipada do livro prefiro não falar sobre a edição, mas pra ser bem sincera não gostei da capa!
comentários(0)comente



Estante Quadrada 19/04/2017

É BOM SER IMORTAL?
Nesse futuro existe a Nimbo-Cúmulo, uma inteligência artificial que controla tudo, e deixa toda a sociedade perfeita. A ciência também já evoluiu em níveis incríveis e não existe mais morte, já que todos os que morrem são ressuscitados.

Após a chamada Era da Mortalidade, o avanço tecnológico desencadeia em superpopulação, que é uma das razões para eles criarem os Ceifadores, que são os responsáveis por coletar pessoas.

Citra e Rowan são dois jovens escolhidos de surpresa para serem os novos aprendizes do Ceifador Faraday. Além de não querem esse cargo, eles ainda vão enfrentar muitos problemas no final, já que só um deles vai ser escolhido como ceifador.

A história que é incrivelmente atraente e cheia de mistérios te prende para querer saber cada vez mais sobre os dois jovens, além também de conhecer todo o universo apresentado por Neal. Intercalando entre os capítulos têm partes de diários dos Ceifadores, e lá são ditas diversas informações sobre o mundo que eles vivem, como regras, histórias do passado, sobre as tecnologias e sobre como tudo começou.

Dentro dos diversos ceifadores existe um grupo que é responsável por fazer chacinas em vez de coletas individuais, eles ficam bastante tempo sem coletar ninguém e em um dia coletam um grupo enorme de pessoas ao mesmo tempo.

LEIA MAIS NO BLOG:

site: http://estantequadrada.blogspot.com/2017/04/o-ceifador-scythe-1-de-neal-shusterman.html
Luiz.Henrique 19/04/2017minha estante
Tuas resenhas são ótimas, Lucas :) sempre conseguindo deixar as pessoas curiosas para saber como é o livro.


Estante Quadrada 19/04/2017minha estante
aaah




Fernanda Yano 19/04/2017

Melhor distopia!
O Ceifador, lançamento da Editora Seguinte desse mês, detonou todo meu alicerce literário. Sei que ainda estamos no começo do ano, mas de longe a melhor leitura que realizei até então.

Esqueça tudo que sabe sobre a humanidade dos tempos atuais e embarque em um mundo governado por uma inteligência artificial denominada Nimbo-Cúmulo.

Estamos na Era da Imortalidade, não há doenças, pobreza, injustiças: todos possuem as mesmas oportunidades, comida e conforto. E mais, ninguém morre, pois a morte também foi vencida.

Pessoas não envelhecem, elas podem rejuvenescer de tempos em tempos para a idade que desejarem e se, por acaso, sofrem ou mesmo se submetem a um acidente fatal, são revividas em centros especializados para isso.


No que concernia à raça humana, não havia mais o que aprender. Nada a decifrar sobre a nossa existência. O que significava que nenhuma pessoa era mais importante do que qualquer outra. Na verdade, no esquema geral das coisas, todos era igualmente inúteis."

Mas, como nem tudo é perfeito, a população começa a crescer cada vez mais, causando os efeitos de uma super lotação. Com o intuito de conter esse problema surgem os Ceifadores, uma organização treinada e com permissão para "coletar" pessoas.

Para ser um ceifador é preciso abdicar de tudo, de sua vida antiga, sua família, bens materiais e se dedicar aos propósitos da Ceifa. É necessário cumprir uma cota de coletas, escolher aleatoriamente "os coletados", sem discriminação, seguir e respeitar os dez mandamentos de um ceifador.

Vamos acompanhar a trajetória de Citra Terranova e Rowan Damisch, ambos escolhidos pelo renomado Ceifador Faraday, como aprendizes de ceifadores.

Apesar dos dois não terem nenhum interesse na função, acabam aceitando o convite e partem para o treinamento.


"O caráter sagrado da lei... e o bom senso de saber quando ela deve ser quebrada."

Mas, novamente, como nem tudo é perfeito, mesmo com tudo organizado e com as leis, a imoralidade permanece até mesmo entre os ceifadores e cabe a cada um deles saber até onde seguir todos os mandamentos da Ceifa, ou mesmo, seguir seus próprios caminhos, sejam qual for.

Ceifadores são respeitosos e devem ter compaixão dentro da sua função, mas será que são todos assim?

O mundo criado pelo autor é fascinante! E quando comecei a leitura não pensei o quanto iria me conectar nela.

É curioso perceber que algumas coisas, mesmo em um mundo tão diferente e quase que perfeito, não mudam. As pessoas não possuem mais o medo da morte natural, mas temem ser coletadas, por isso, tratam os ceifadores como celebridades, ou seja, isso acaba criando certa vaidade em alguns.


"Não era de admirar que as pessoas fizessem de tudo para agradar os ceifadores. A esperança diante do medo é a motivação mais forte do mundo."

A Nimbo-Cúmulo cuida da humanidade como uma mãe; não há nada que ela não saiba, porém, como não pode intervir na Ceifa, intrigas, desonestidade e jogos políticos passam a ocorrer no meio. Semelhanças com nosso mundo atual são bem perceptíveis.

A distopia é muito bem construída e alucinante, com personagens incríveis. Não só Citra e Rowan te conquista, como o próprio ceifador Faraday, a ceifadora Curie e tantos outros, que você vai amar ou odiar.

Narrado em terceira pessoa, temos ainda, ao começo de cada capítulo uma parte dos diários de alguns ceifadores, achei o máximo isso, deu pra sentir um pouco mais do que é ser um ceifador e a diferença entre cada um deles.


"O mais desejo para a humanidade não é a paz, o consolo ou a alegria. É que ainda morramos um pouco por dentro toda vez que testemunhemos a morte de outra pessoa. Pois só a dor da empatia nos manterá humanos. Nenhum Deus vai poder nos ajudar se algum dia perdemos isso."

O autor proporciona uma leitura dinâmica, eletrizante, cheia de reviravoltas e muitos acontecimentos. Eu fiquei viciada!!! Não dá pra chegar ao fim e não pensar no que vem depois.

Recomendo muito para os fãs de distopias, essa vai entrar para as favoritas!! E para aqueles que não curtem muito, também recomendo, aventurem-se, podem acabar fisgados!
comentários(0)comente



MiCandeloro 19/04/2017

A MELHOR distopia do ano!
Era uma vez um mundo perfeito, em que não havia corrupção, violência, desigualdade social e agressão ao meio ambiente e no qual a morte havia sido vencida.

Agora, os humanos eram imortais e, caso falecessem, da causa que fosse, podiam ser revividos e ter a sua aparência rejuvenescida, se fosse de seu interesse. Eles também eram governados pela Nimbo-Cúmulo, uma nuvem virtual que havia adquirido consciência e, ao contrário do que todos previam, havia transformado o mundo em um lugar melhor.

O único porém é que com a imortalidade a população mundial não parava de crescer e simplesmente não havia lugar para todo mundo habitar o planeta. Por isso, a Ceifa foi criada logo após a Era da Mortalidade - como era chamada - acabar.

O trabalho dos ceifadores consistia em simplesmente coletar pessoas - ou matá-las - dependendo do ponto de vista; para manter o equilíbrio populacional da Terra. Os ceifadores eram vistos como senhores supremos e intocáveis, até pela Nimbo-Cúmulo. A maioria dos cidadãos os temia, outros os reverenciavam e os bajulavam, ansiando por receberem imunidade; os demais desejavam ser como eles.

Rowan e Citra não se encaixavam em nenhum desses perfis. Rowan era o garoto alface, aquele que não fedia e nem cheirava e que não fazia diferença alguma onde quer que fosse. Apesar de detestar sua posição, ela até que se tornava confortável por permitir que ele não se destacasse e não atraísse olhares demais para si.

Citra era uma garota exemplar, com ótimas notas e muito empenhada em tudo o que fazia. Nascida em uma pequena família que a amava muito, ela desejava um futuro glorioso para si.

Mas tudo mudou quando o destino de Rowan e de Citra cruzou com o ceifador Faraday, que decidiu treiná-los para serem um ceifador. De início, os jovens se horrorizaram com a ideia, pois nunca se imaginaram tirando vidas. Contudo, eles não podiam declinar da convocação. O máximo que podiam fazer era não darem o melhor de si, pois apenas um dos dois seria ordenado e receberia o anel de ceifador ao final.

Entretanto, Citra e Rowan não podiam imaginar que, mesmo sem querer, seriam enredados em artimanhas e intrigas políticas que poderiam custar as suas vidas e o futuro da nação.

Querem saber o que vai acontecer? Então não deixem de ler A MELHOR DISTOPIA DO ANO!

***

Quando soube que mais um livro de Neal estava sendo lançado no Brasil, nem me prestei a ler a sinopse. Sabia que podia mergulhar sem medo na história pois, depois de Fragmentados e Desintegrados, percebi que Shusterman era simplesmente O CARA e, obviamente que eu não me decepcionei com a minha decisão.

Narrado em terceira pessoa, com capítulos intercalados sob diversos pontos de vista, e com vislumbres de relatos de diários de alguns ceifadores, somos introduzidos ao mundo pós Era da Mortalidade pouco a pouco.

Uma das coisas que mais amei foi a ambientação que o autor nos proporcionou. Por se tratar de um cenário completamente diferente e audacioso, ansiei para descobrir cada minúcia e aprender como tudo funcionava.

Num primeiro momento, desejei morar em um mundo assim, em que o coletivo era priorizado, em que não havia mais desperdício e consumismo desenfreado, em que todos os políticos haviam sido depostos e que a morte deixara de ser um "problema". Entretanto, como tudo o que Neal escreve, ele nos mostra que a perfeição não existe e que, infelizmente, a corrupção e o mau-caratismo são características da raça humana, algo difícil de se refrear.

O Ceifador foi um livro gostoso de se ler, de leitura muito rápida, e que conseguiu alternar momentos de fortes ações, com explicações detalhadas e diversas reflexões e críticas sociopolíticas, marca registrada do escritor.

Dessa vez posso dizer que fui pega de surpresa por diversas vezes no texto, em que Neal deu reviravoltas que fizeram meu queixo cair e pelas quais eu não esperava. Isso fez com que o rumo da trama se tornasse incerto, deixando o desenrolar dos fatos ainda mais tenso.

A única observação que não posso deixar de fazer é que me senti levemente incomodada pela grande semelhança entre Rowan e Citra com o casal protagonista de Fragmentados. A sensação que tive é que Connor e Risa haviam sido apenas repaginados e teletransportados para um novo enredo. Todavia, foi muito interessante acompanhar o amadurecimento dos personagens, suas falhas de caráter, ao mesmo tempo em que se esforçavam para fazer o que era certo.

O Ceifador lida com uma temática muito delicada: a morte. O autor por diversas vezes questiona acerca de quem tem o direito de tirar a vida e de como isso deve ser feito. Ele também nos mostra o quanto os assassinatos podem se tornar banais, quando passam a fazer parte do nosso quotidiano e são chamados de uma maneira mais velada.

Por fazer parte de uma série, o primeiro volume terminou com um final aberto e um grande cliffhanger, nos deixando malucos para saber o que irá acontecer em sua continuação.

Se em 2016 disse que Fragmentados havia sido a melhor distopia que eu havia lido, neste ano a figurinha foi repetida, pois O Ceifador me tirou o fôlego, me provocou fortes emoções e aflorou sentimentos contraditórios. Eu só posso dizer, LEIAM, LEIAM, LEIAM. Vocês não irão se arrepender.

site: http://www.recantodami.com
Monica Calazans 19/04/2017minha estante
fiquei com vontade de ler! rs
adorei a resenha ;)


Lucas 19/04/2017minha estante
Não é fantasia?




Dryh 09/04/2017

Deslumbrante. Surpreendente. Quero a continuação!
Esqueçam tudo o que vocês pensam saber sobre ceifadores. Abandonem suas ideias preconcebidas. Sua educação começa agora, - página 54

Num mundo após a Era da Mortalidade, as pessoas vivem muito. Para sempre, na maioria das vezes. A imortalidade foi descoberta, e, graças a isso, muitas pessoas que morrem são revividas em centros especializados, e podem viver vidas seguras e normais, tendo em mãos tudo o que precisam. Um tipo de inteligência artificial perfeita existe, e é ela, a Nimbo-Cúmulo, quem toma conta de tudo.... Com exceção dos ceifadores.

Com o aumento extremo da população e a falta de mortes, surgiu a necessidade de diminuir o número de pessoas vivendo no mundo. Sendo assim, existe a Ceifa, com seus ceifadores. Ceifadores estes que escolhem pessoas aleatórias para matar, levando em consideração as taxas de morte que existiam na Era da Mortalidade e matando pessoas com características e etnias diferentes. Os Ceifadores não precisam seguir as leis estipuladas pela Nimbo-Cúmulo, mas possuem suas próprias leis, que muitos seguem à risca.

Citra e Rowan eram dois adolescentes aleatórios vivendo vidas comuns, até o momento em que conheceram o Honorável Ceifador Faraday, e se tornaram seus aprendizes. Aprendizes de ceifadores ganhavam imunidade de um ano para todos os membros da família, assim como eles mesmos, o que significa que essas pessoas não poderiam ser ceifadas. Então dá para imaginar que ambas as famílias apoiaram, né? De início, nenhum dos dois queria aprender a arte de matar, ou mesmo viver para matar pessoas, tendo que lidar com suas consciências depois. Mas, ao longo da história, vão aprendendo muito com Faraday, que não só é um mestre incrível, como também um ser humano que sente a dor e o luto de suas vítimas e as famílias dos mesmos.

O que mais incentivava os dois aprendizes era saber que, além de suas famílias e eles mesmos estarem salvos, é que, quando o ano de treinamento acabasse, um deles teria sua vida de volta, enquanto o outro se tornaria um ceifador. Mas mesmo como aprendizes, eles já eram tratados de forma diferente pelas pessoas que antes conheciam, afinal, praticamente carregavam a morta em suas costas, e, logo, a teriam em suas mãos.

Uma coisa que eu achei bem interessante, e perturbadora (de alguma forma) foi que, ao longo dos capítulos, temos depoimentos de ceifadores mais velhos e experientes, que falam sobre o que sentem e sobre o que a ceifa faz com suas vidas. Ceifadores como Marie Curie, Goddard e o próprio Faraday.

Outro ponto bacana que precisa ser destacado, é que o autor não só tratou da coleta (como são chamadas as mortes) pelo ponto de vista de ceifadores que faziam apenas sua obrigação, como também de gente que realmente gostava de matar, e também mostra a corrupção existente entre os próprios ceifadores. Esses ceifadores “apaixonados” pela arte de matar me deram arrepios, mas não foi, nem de longe, a pior parte. O autor soube como me deixar morrendo de medo por um dos personagens, e eu ainda fico imaginando o que vai ser delx. Ainda assim, achei que foi uma jogada de mestre, pois eu, nem de longe, imaginava que isso iria acontecer.

A cada coleta que faço, a cada vida que tiro pelo bem da humanidade, lamento pelo menino que um dia fui, cujo nome às vezes mal consigo lembrar. E sonho com um lugar além da imortalidade, onde eu possa, ainda que em pequena medida, ressuscitar o deslumbramento e ser aquele menino novamente. – Do diário de coleta do ceifador Faraday – página 374

O ceifador é um livro totalmente imprevisível e não-clichê. Eu não sabia o que esperar quando comecei a ler, mas sabe aquele tipo de livro que te prende já na primeira página, pois o autor escreve de forma tão leve e fluída que capta a sua atenção? O ceifador é um destes livros, é tão viciante e cheio de surpresas que eu não conseguia parar de ler, por mais que tentasse ir mais devagar para que não acabasse logo. O final me deixou boba, tonta, de queixo caído. Fiquei sorrindo que nem idiota e morrendo de medo, ao mesmo tempo. Neal sabe como tirar o leitor do sério. Pelo menos me tirou do sério.

Eu adorei os personagens, tanto os secundários (Faraday e Curie) quanto Citra e Rowan, que me conquistaram já no início. Apesar de eu sentir mais por Rowan e pelas situações pelas quais ele passou, senti que ele sofreu bem mais do que Citra, ainda que ela também tenha passado por muita coisa. Estou doida para ler a continuação, e realmente espero que saia logo, pois já estou fazendo conspirações sobre o que vai acontecer a seguir...haha’

O ceifador foi uma das melhores leituras que eu fiz este ano, e foi bem triste finalizá-lo, mesmo ele sendo consideravelmente grande. Já estou com saudades dos humores ácidos de Citra e Rowan, e dos conselhos sábios e da calma de Faraday, além da personalidade de Curie e, ok, dos ceifadores estranhos que tinham pensamentos absurdos e assustadores. Este livro ainda vai impressionar muita gente, e logo estará nas telonas também. Leitura mais do que recomendada, mesmo que você nem mesmo pense em ler distopias ou ficção cientifica.


site: http://shakedepalavras.blogspot.com.br
Swell 16/04/2017minha estante
Droga, depois dessa resenha agora é que eu qero ler esse livro mesmo kkk adorei a ideia. Adorei sua resenha!


Dryh 17/04/2017minha estante
haha' foi mal. Eba, fico feliz que você tenha gostado ? é uma história bem original, né? Espero que você também goste :)


daniel.queirozt 17/04/2017minha estante
Olá, tudo bem? Ótima resenha e fiquei muito interessado no livro :D Quero muito comprá-lo, mas você pode me dizer se o livro fecha a história e pode ser lido como um "one-shot" ou é parte de uma série que continua a saga dos personagens? Grande abraço!


Dryh 23/04/2017minha estante
Então Daniel, o livro deixa algumas pontas soltas e os acontecimentos finais puxam uma continuação, aparenta ser uma série :)




Glaucia 03/04/2017

Uma das melhores distopias que li!
Esqueça tudo o que você sabe sobre a humanidade nos dias atuais e abra a sua mente para embarcar nesse novo mundo governado por uma inteligência artificial denominada Nimbo-Cúmulo.

Nesse mundo encontramos uma humanidade que derrotou a morte, não existem mais doenças, vítimas de fatalidades e nem mesmo grandes desigualdades sociais, todos possuem renda garantida, comida em abundância e conforto. Nem mesmo a velhice é obrigatória, sendo possível rejuvenescer a aparência quando julgar necessário.

“Acredito que as pessoas ainda temem a morte, mas apenas um centésimo do que temiam antigamente. Digo isso porque, com base nas cotas, a chance de uma pessoa ser coletada dentro dos próximos cem anos, é de apenas um por cento.”

Contudo o crescimento populacional é uma grande preocupação e nem mesmo a tecnologia consegue comportar tanta gente na Terra. Por esse motivo foram criados os ceifadores, uma organização treinada e com permissão para matar uma cota diária de pessoas com o intuito de diminuir a superpopulação. Não é um trabalho fácil para aqueles que são ordenados a esse serviço, porém o fardo de ceifador também trás poder aos portadores da morte, que são tratados com regalias pela população que em troca de imunidade oferecem riquezas e tudo o que se possa imaginar.

Ser um ceifador é abdicar de sua antiga vida em tempo integral e se dedicar inteiramente aos propósitos da Ceifa. Um ceifador precisa cumprir suas cotas de coleta sem agir com discriminação, desapegar de bens materiais e respeitar os dez mandamentos do ceifador. Porém embora existam leis, a corrupção e a imoralidade ainda permanecem, mesmo entre os ceifadores. E os mandamentos criados para manter a ordem são distorcidos de acordo com a ideologia de cada ceifador.

“[...] ser um ceifador significa ser um ceifador em todas as horas de todos os dias. Isso define a pessoa até o âmago de seu ser, e apenas nos sonhos se é livre do jugo. Mas, mesmo nos sonhos, me pego coletando...”

Citra e Rowan foram escolhidos como aprendizes pelo renomado ceifador Faraday. Nenhum dos dois deseja carregar esse fardo, mas tornar-se ceifador garante prestígio e imunidade para toda a família. Todavia em regra após um ano de treinamento apenas um poderá adquirir o manto e o anel que o ordenará ceifador, enquanto o outro retornará para casa retomando a vida de onde parou. Mas será possível retomar a antiga vida após conhecer os verdadeiros propósitos da ceifa e participar de um treinamento que os ensinará a tirar tantas vidas? Só lendo para saber...

Quando a Editora Seguinte ofereceu a prova antecipada de O Ceifador para leitura eu já imaginava que iria adorar essa história, mas de longe pensei que iria me conectar tanto.

O livro é narrado em terceira pessoa e nos garante acompanhar com detalhes cada acontecimento dessa trama alucinante. Nessa obra encontramos um mundo em que embora a humanidade não tema mais a morte por doenças e acidentes, eles temem serem coletados pelos ceifadores. No entanto é possível identificar também que essa certeza de não padecer também tirou a essência de vida das pessoas, eles estagnaram, não possuem mais sonhos, necessidades e nem aquele desejo de aproveitar a vida como se fosse o último dia. Aqui encontramos jovens que se jogam de prédios para sair do tédio, sabendo que serão revividos em dois ou três dias em um centro de revivificação, conseguem imaginar algo assim? A grande realidade é que muitas já não vivem, apenas existem.

“A imortalidade nos transformou em personagens de desenho animado.”

O fator interessante aqui é que durante o enredo esbarramos nos mesmos problemas que encontramos em nossa sociedade atual, os detentores de poder são tratados como verdadeiras celebridades, a humanidade embora possua tudo o que necessita permanece insatisfeita, e a distorção da lei, a crueldade e a falta de moral corrompem o sistema que até então parecia perfeito.

A inteligência artificial por sua vez é uma verdadeira mãe para a humanidade e acompanha cada ser existente no planeta Terra. No entanto ela não se envolve nas questões da ceifa, permitindo que a desonestidade se infiltre cada vez mais naquele meio.

“As atividades da Nimbo-Cúmulo não são da minha conta. O objetivo dela é sustentar a humanidade. O meu é moldar a humanidade. A Nimbo-Cúmulo é a raiz, e eu sou a tesoura de poda, moldando os galhos, mantendo a árvore viva.”

Um dos pontos altos do livro é podermos acompanhar as anotações em diário de ceifadores renomados, algo que além de deixar claro a visão e ética de cada ceifador, também nos faz refletir acerca do rumo da humanidade e da interpretação que a ceifa tem para cada um.

“Quanto mais vivemos, mais rápido os dias parecem passar. Como é perturbador viver para sempre. Um ano parece durar apenas semanas. Décadas voam sem nenhum acontecimento que as marque. Ficamos acomodados na monotonia sem sentido da vida, até que, de repente, nos encaramos no espelho e vemos um rosto que mal reconhecemos implorando que nos restauremos e sejamos jovens novamente.”

Enquanto a história se desenvolve com originalidade e fluidez, Neal Shusterman ainda prepara diversas reviravoltas para deixar o leitor de queixo caído, é impossível largar o livro sem ficar imaginando o que nos aguarda nas próximas páginas, haja coração para suportar tudo o que está por vir.

O legal aqui é que não são apenas Citra e Rowan que roubam a cena, esse papel também fica a carga do ceifador Faraday, da ceifadora Curie (conhecida como a Dama da Morte) e do odioso ceifador Goddard e seu grupo de seguidores.

Amantes de distopia e ficção científica preparem-se para uma jornada de tirar o fôlego e abram a mente para esse universo onde matar não é crime, é uma necessidade amparada pela lei.

O Ceifador é aquele tipo de livro que nos tira da zona de conforto, nos faz refletir, angustiar-se e claro, ainda consegue nos arrancar lágrimas.

Eu não estava preparada para tudo o que encontraria aqui e amei essa história com toda a essência do meu ser, então se façam um favor e leiam!

Curiosidades:
Direitos de adaptação comprados pela Universal Studios.
Onze semanas na lista de mais vendidos do New York Times.
Ganhou menção honrosa do Printz Award, a mais importante premiação da literatura juvenil dos EUA.
Escolhido como um dos 10 melhores livros juvenis de 2016 pela American Library Association.

site: http://www.maisquelivros.com/2017/04/resenha-o-ceifador-neal-shusterman.html
Natalia :) 10/04/2017minha estante
undefined




11 encontrados | exibindo 1 a 11