Ninguém Nasce Herói

Ninguém Nasce Herói Eric Novello




Resenhas - //////


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Lids 26/01/2018

Novello mescla política com temas de amadurecimento, da maneira mais natural possível
Ninguém Nasce Herói se passa em uma cenário distópico, não tão distante, em que um governo fundamentalista religioso assumiu o Brasil. Claramente, inspirado pelos protestos dos últimos anos no Brasil e por discursos de ódio de extrema direita ao que é exposto diariamente, Eric Novello fala sobre violência policial, censura à arte e à liberdade de expressão.

Todos os temas pesados envolvendo violência policial, como racismo, homofobia, transfobia, intolerância religiosa, são extremamente pesados. Em momentos são discutidos por meio de diálogos, que soam quase como depoimentos de pessoas que passam por esses preconceitos, e em outros momentos, como se para mostrar a realidade nua a crua são evidenciados por meio da interação dos protagonistas com as autoridades.

No mundo de Ninguém Nasce Herói, não apenas a sociedade e o governo totalitário lançam estratégias para reprimir a sociedade, mas também têm a ajuda de uma Guarda Branca, que faz o papel de um grupo de pessoas vigilantes da “ordem” e dos “bons costumes”. Também existe um grupo oposto, que tem como objetivo resistir, dar voz às pessoas e espalhar cultura pela cidade.

O protagonista Chuvisco é o ponto de vista do leitor. Ele tem uma doença inventada que o autor chama de catarse criativa, basicamente ele tem alguns momentos em que vê coisas que não estão presentes no mundo real. Por exemplo, ele está conversando com uma amiga e vê saindo borboletas da boca dela.

Esses momentos de catarse criativa foram uma das minhas coisas favoritas no livro. O modo como Chuvisco lida com a realidade, tornando-a suportável e dando coragem para que ele faça o que acha certo. É genial e algo que eu realmente nunca tinha visto descrito dessa maneira *-*-*

E tem toda uma história sobre como ele viveu com essa doença em sua adolescência, que ele teve apoio de um psiquiatra, o quanto que fazer vídeos para a internet o ajudou também a lidar com todos os sintomas da doença. Tudo sobre isso, está de parabéns, me impressionou e muitas vezes me emocionou muito *-*-*

A interação entre os personagens só podem ser descritas como realistas, todas as palavras parecem que foram retiradas do mundo real, de pessoas como nós, que pensam e consomem arte, que podem ser nossos amigos ou que podem nos encontrar um fóruns online.

De um modo geral, o livro é extremamente cuidadoso e ao mesmo tempo corajoso demais de falar de tantos temas delicados e controversos. Tem, sim, cenas pesadas de violência policial, de discussão sobre o que é certo ou errado, sobre amarecimento, enfim, o livro tem tantos temas e é tão rico e complexo, que para mim só pode ser considerado uma obra prima *-*-*

Recomendo para quem gostou de Jogos Vorazes (Suzanne Collins), Divergente (Veronica Roth) e Rani e o Sino da Divisão (Jim Anotsu).

Trilha Sonora: Hope (Scream It Out Loud), do The Blackout.

site: https://cacadorasdespoiler.wordpress.com/2018/01/26/ninguem-nasce-heroi-eric-novello/
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Ana Luiza 06/01/2018

Impactante e necessário
A HISTÓRIA
Todo mundo sabe exatamente como aconteceu, acompanharam pela televisão e até brincaram sobre nas redes sociais. Ninguém levava o político que se intitula “O Escolhido” a sério. Achavam que era só mais um fanático religioso fazendo barulho por nada, e que logo seria esquecido. Mas, o Escolhido trilhou seu caminho até a presidência e agora tem o Congresso e o país em suas mãos. O que permitiu que as minorias fossem perseguidas não só pelo próprio governo e a violenta polícia, mas também pela Guarda Branca, fiéis que fazem justiça com as próprias mãos, massacrando todos que não seguem a “moral e bons costumes” cristãos.

Chuvisco, como muitos outros, se sente culpado por ter deixado O Escolhido chegar ao poder. Um tradutor recém-formado e pacifista, ele manifesta sua insatisfação distribuindo livros, que foram banidos e passaram a ser temidos no novo Estado teocrático. Teoricamente, Chuvisco não está quebrando lei alguma: o governo acaba de anunciar a assinatura do Pacto de Conveniência, proibindo a perseguição a minorias e reinstalando o direito à liberdade de expressão. Mas, nem sempre o que está na lei é o que reina nas ruas. Chuvisco vê de perto a violência ainda acontecendo, com seus amigos artistas, negros, homossexuais e de outras religiões sendo perseguidos, ameaçados e apanhando em plena luz do dia.

E não há quem recorrer. A polícia e o governo não querem ajudar ninguém, e a Guarda Branca parece cada vez maior e mais sangrenta. E as únicas pessoas que têm coragem de combatê-los são os membros misteriosos da Santa Muerte que, usando máscaras de caveiras mexicanas, registram e divulgam na internet cenas de violência e opressão do Estado. Mas, há boatos de que os membros da Santa Muerte estão lutando de forma menos pacífica contra O Escolhido, agindo nas sombras e combatendo sangue com sangue.

Chuvisco odeia O Escolhido, odeia o que o país se tornou, mas não sabe bem o que fazer. O medo e a ansiedade constante despertam novamente o que ele chama de catarses criativas, momentos de crise e terror em que sua imaginação toma conta e ele vai perdendo a noção do que é real. Chuvisco tenta entrar em contato com seu antigo terapeuta, mas o doutor parece ter desaparecido – será mais um a sucumbir por causa do Escolhido? Entretanto, tudo muda quando Chuvisco salva um garoto chamado Júnior de um grupo violento da Guarda Branca. Chuvisco ficou bastante ferido com o conflito, mas Júnior ficou em estado pior ainda e o tradutor não sabe onde ele foi parar. Assim, Chuvisco começa a buscá-lo, entrando em um submundo de conversas secretas e resistência, que faz o seu caminho cruzar com o da Santa Muerte, que parece querer recrutá-lo. Mas será que Chuvisco está preparado para resistir e lutar? Ou suas crises cada vez mais fortes irão incapacitá-lo antes que tome uma decisão?

(...)

CONCLUSÕES FINAIS
Ninguém Nasce Herói não é um livro fácil de ler. Eu demorei quase duas semanas para terminar a obra porque alguns momentos de ansiedade e medo pelo qual o personagem passa são tão bem descritos que não me fizeram sentir tão bem (por isso atento que a obra pode acabar sendo gatilho por falar tanto de opressão e violência). Apesar de ter frustrado as minhas expectativas por não ser uma distopia com muitas cenas de ação, a obra tem lá seus momentos de tensão e reviravolta que fazem nosso coração bater um pouco mais forte.

Ninguém Nasce Herói é uma história crítica e intensa sobre fanatismo religioso, ódio, violência e opressão, mas também sobre luta e amizade. Nos forçando a refletir sobre como um ambiente político que persegue minorias e dissemina a desigualdade social pode fragilizar a saúde mental da população, a obra também questiona sobre as diversas formas de resistir e combater um sistema assim. Com personagens cativantes (e bastante representativos, já que são de sexualidade e etnias diversas) e uma narrativa intimista e quase poética, Ninguém Nasce Herói pode não ser uma leitura fácil, mas é necessária.

Apesar de a leitura ter sido arrastada em vários momentos, ela provocou tantas reflexões interessantes e assustadoras relações com a realidade (principalmente quanto a certos políticos fanáticos e disseminadores de ódio presentes em nosso governo), que fiquei contente de ter lido o livro, mesmo ele tendo me causado certo mal estar em determinados pontos. Ninguém Nasce Herói está mais que recomendado para todos, mas peço cautela para o livro não virar gatilho. Agora estou bastante curiosa para ler mais obras do Eric Novello.

LEIA A RESENHA COMPLETA E VEJA FOTOS DO LIVRO NO BLOG:

site: http://www.mademoisellelovesbooks.com/2018/01/resenha-ninguem-nasce-heroi-eric-novello.html
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Julia G 04/01/2018

Ninguém nasce herói
A realidade de Ninguém nasce herói é absurdamente assustadora, mas, infelizmente, parece cada vez mais possível. Afinal, o que impede o nascimento de um governo totalitário baseado em um fundamentalismo religioso no país quando os extremos estão tão exacerbados? O ódio, afinal, está por toda a parte, gratuito e irracional, contra todo aquele que não se enquadra num "padrão" aceitável. Foi essa a razão que me levou a escolher o livro para leitura e Eric Novello conseguiu criar um enredo bem amarrado e rico, cuja realidade, embora não esteja concretizada, poderia ser real um dia.

O protagonista da trama, Chuvisco, sente que está fazendo sua parte para mudar o mundo ao distribuir livros banidos pelo governo. Quando ele encontra um garoto atacado por uma das milícias urbanas incentivadas pelo governo, sabe que a única coisa certa a fazer é salvá-lo. Chuvisco percebe, então, que distribuir livros pode não ser suficiente para mudar o país, mas qual será o preço disso? Colocar seus amigos e a si mesmo em risco pode resolver as coisas?

"A verdade é que ninguém nasce herói.
Mas isso não nos impede de salvar o mundo de vez em quando."

Narrado em primeira pessoa, o livro traz questionamentos importantes sobre aderir a um sistema em que não se acredita por medo e a coragem de enfrentar as injustiças, ainda que seja por pequenos gestos. A forma como o autor construiu a aura de medo que os personagens enfrentam foi meticulosa, tanto que consegui sentir a tensão como se estivesse naquele momento político, e a crítica velada sobre as pessoas que fingem não ver as atrocidades para se protegerem se assemelhou bastante às demais ditaduras que já vivenciamos no país.

Em minha opinião, o aspecto político do livro foi seu ponto alto, pois trouxe reflexões relevantes sobre opressão, violência, preconceito e a inversão do papel do Estado, que ao invés de defender e proteger, agride seus cidadãos. Aliás, a realidade do livro não difere tanto assim do que o país vivencia hoje, mas mostra quão pior pode ser se deixarmos intolerantes ocuparem papéis tão importantes no poder.

Outro ponto interessante da leitura e que foi bem trabalhado pelo autor foi a diversidade de seus personagens. Gays, negros, transexuais, todos estavam representados no livro e o mais fascinante sobre isso é que o autor conseguiu inseri-los sem pender para um lado preconceituoso nem caricato. Eram pessoas comuns, pessoas incríveis, e, na verdade, o que menos importava neles era como aparentavam ou suas opções sexuais.

Meu único problema durante a leitura foram as catarses criativas de Chuvisco. O personagem sofre de algum tipo de distúrbio em que confunde fantasia com realidade e, nos momentos mais tensos da trama, a catarse tomava grandes proporções, a ponto de o garoto narrar os acontecimentos como se fosse um super-herói com armadura e tudo o mais. O fato de essas fantasias acontecerem somente na mente de Chuvisco torna a trama confusa, pois ele descreve situações que não acontecem de verdade. Em alguns pontos, é difícil distinguir o que é realidade ou não - e eu entendo que essa confusão aconteça também na mente do personagem -, mas isso tornou a leitura cansativa para mim a ponto de eu levar dias para concluir um único capítulo. Sei que essa característica do personagem teve relevância para sua construção e para o enredo, mas, no meu caso, foi o grande problema do livro, e sinto que teria gostado muito mais sem esses momentos fantasiosos.

Ninguém nasce herói, apesar de confuso em alguns momentos, foi uma boa leitura, que mostrou a importância de lutar por aquilo em que se acredita e que não é preciso ter grandes poderes para ser herói na vida de alguém.

site: http://conjuntodaobra.blogspot.com.br/2017/12/ninguem-nasce-heroi-eric-novello.html
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criscat 10/12/2017

Extrapolando os acontecimentos dos últimos anos aqui no Brasil, a história se passa em um futuro em que o fundamentalismo religioso subiu ao poder, lembrando um pouco Michel Houellebecq, em Submissão. Mas, diferente de Houellebecq, que foca mais nas consequências sócio-política de um evento assim, Novello se concentra nas pessoas. Suas ações e reações, seus pensamentos, seus ideais e objetivos, suas esperanças. E é pelos olhos de Chuvisco, o narrador-protagonista, que acompanhamos tudo.

site: http://www.cafeinaliteraria.com.br/2017/07/18/ninguem-nasce-heroi/
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Cristiane 05/12/2017

“A verdade é que ninguém nasce herói.
Mas isso não nos impede de salvar o mundo de vez em quando.”

Eu ainda não conhecia o livro e nem o autor, e fiquei bem surpresa e impressionada com a qualidade da escrita dele. A principio, não sabia muito o que esperar da leitura, pois, mais uma vez não li a sinopse, porém o título do livro me deixou bem curiosa, e já adianto, o nome do livro não é por um acaso, vai ter um grande significado em certo momento.
Vamos conhecer o Chuvisco, ele é um garoto que mora sozinho em São Paulo, trabalha com tradução de textos e se formou recentemente em Letras. O garoto tem quatro grandes amigos e são eles Pedro, Cael, Amanda e Gabi.

Chuvisco e seus amigos estão vivendo em um momento bem difícil no país, onde a liberdade tem sido controlada, discutida e combatida a todo o momento e o ódio impera em todo o lugar. O Brasil está sendo governado pelo “Escolhido”, e digamos que ele entrou no governo da mesma forma que prevejo que possa acontecer daqui há alguns anos em nosso país. O “Escolhido” tem a força da classe fanática religiosa e dos fanáticos que zelam pela moral e bons costumes, então o que podemos esperar dessa combinação, infelizmente, é a repressão, preconceito e intolerância.

O começo do livro eu achei incrível, me conquistou. Chuvisco, Cael e Amanda se encontram na Praça Roosvelt, no centro de São Paulo para distribuir livros para as pessoas que vão passando pelas ruas, rumo aos seus trabalhos ou até mesmo voltando para casa. Mas, como seu disse, o momento não é muito favorável e logo os três são surpreendidos por dois policiais que pedem para que eles parem de fazer aquilo. Sim, distribuir livros, significava uma afronta ao governo, portanto, passível de prisão ou até mesmo de uma bela surra por parte da polícia.

Depois do acontecido, eles combinam de se encontrar no Vitrine, um bar onde eles sempre costumam ir, mas essa ida até o local, faria com que Chuvisco passasse por algo que ele não esperava. Depois de uma noite agradável, apesar da presença de Dudu, que Chuvisco tinha uma antipatia antiga pelo garoto, ele decide ir para casa, ao subir a Rua Augusta, um local bem conhecido aqui em São Paulo, por ter várias baladas, bares, restaurantes e pessoas de todos os tipos, Chuvisco retrata o local também dessa mesma forma mas não há tantos locais abertos, muitos foram fechados, mas para a sua infelicidade ele se depara com a Guarda Branca agredindo uma pessoa e o garoto consegue intervir, enfrentar e salvar a vítima. Nessa aventura, Chuvisco tem uma catarse criativa, que se trata de misturar a realidade e a imaginação bem criativa do garoto, fazendo ele ver e imaginar que estão acontecendo coisas que não são possíveis, mas ele acaba acreditando que aquilo é verdade. A pessoa que Chuvisco salva é um garoto chamado Junior que desaparece depois dos dois já estarem em um lugar seguro.

A partir disso, vamos conhecer Chuvisco ainda melhor e como foi que ele descobriu que ele tinha catarses criativas. Quando ele começa a se entender melhor, controlar suas crises começou a se tornar mais fácil, mas como fazia anos que ele não tinha nada do tipo, ele fica preocupado e percebe que precisa de ajuda novamente.

Chuvisco tem um canal de vídeos chamado Tempestade Criativa onde posta vídeos sobre suas experiências de vida e suas crises de catarse criativa. Gravar os vídeos ajudou e muito ele a superar e aprender a se controlar nos momentos de crise. O garoto tinha muitos problemas com os pais, por isso mora sozinho, mesmo que para isso tenha que passar algumas dificuldades financeiras.

“- Você precisa reaprender a se divertir, Chuvisco – Letícia fala, notando minha cara de derrota – Ser feliz também é uma forma de protesto.”

O livro é recheado de críticas políticas e encontramos vários personagens que assim como Chuvisco não aceitam como a sociedade lida com as diferenças. O garoto começa a ficar bem interessado em um grupo rebelde chamado de Santa Muerte que luta para tentar derrubar o governo. A guarda branca que eu citei anteriormente se trata de pessoas que se juntaram para fazer justiça com as próprias mãos, mas ao contrário do Santa Muerte, eles atacam pessoas comuns que não seguem a moral e os bons costumes. A pior parte é que a guarda branca tem apoio de uma boa parte da população que estão do lado do “Escolhido”.

“Um grupo de encapuzados passou a agir “em nome da justiça divina”. Da mesma forma que os justiceiros de outrora a Guarda Branca julgava, condenava e punia de acordo com seus próprios critérios.”


Eu recomendo muito a leitura, para quem como eu gosta de livros que tratam de política, vai gostar e muito. Principalmente por conta da história se passar no Brasil especificamente em São Paulo, o que me deixou ainda mais empolgada, pois o livro cita lugares que eu consigo imaginar claramente, pois eu moro em São Paulo.


site: http://www.sugestoesdelivros.com/2017/11/resenha-ninguem-nasce-heroi.html#.Wic_-VWnHIU
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Fabio Pedreira 28/11/2017

Ninguem Nasce Heroi
Fala galera, hoje vim trazer para vocês a resenha do livro Ninguém nasce herói, mas vou deixar um pequeno recado antes que é o seguinte... Talvez ela seja um pouco polêmica e contenha um pequeno spoiler (não considero mas tenho que avisar kkkk).

“Mas por que polêmica, Fabio?” vocês me perguntam, e eu já explicarei, mas antes vamos à sinopse para ajudar a entender o porquê.

“Num futuro em que o Brasil é liderado por um fundamentalista religioso, o Escolhido, o simples ato de distribuir livros na rua é visto como rebeldia. Esse foi o jeito que Chuvisco encontrou para resistir e tentar mudar a sua realidade, um pouquinho que seja: ele e os amigos entregam exemplares proibidos pelo governo a quem passa pela praça Roosevelt, no centro de São Paulo, sempre atentos para o caso de algum policial aparecer. Outro perigo que precisam enfrentar enquanto tentam viver sua juventude são as milícias urbanas, como a Guarda Branca: seus integrantes perseguem diversas minorias, incentivados pelo governo. É esse grupo que Chuvisco encontra espancando um garoto nos arredores da rua Augusta. A situação obriga o jovem a agir como um verdadeiro super-herói para tentar ajudá-lo — e esse é só o começo. Aos poucos, Chuvisco percebe que terá de fazer mais do que apenas distribuir livros se quiser mudar seu futuro e o do país."

Essa é apenas uma pequena parte da sinopse que vem dentro do livro, mas ela continua no mesmo ritmo, levando você leitor desavisado a pensar que esse é um livro onde teríamos uma distopia no país e caberia ao jovem Chuvisco conseguir acabar ou pelo menos dar início a revolução para dar fim nesse estado em que o país se encontra.

Pois não se iluda porque pelo menos para mim esse livro te vende uma coisa que não é. Ele consta de 30 capítulos mas ele só mostra aquilo que vende em no máximo 5 ou 6 deles. O primeiro começa de forma excelente com Chuvisco e seus amigos distribuindo livros (um que foi proibido de ser vendido por ter palavras que iam contra os gostos do governo) na praça, até que se depara com dois policiais e um deles resolve parar Cael (o amigo de Chuvisco) para questionar o que estão fazendo, e isso está ligado ao fato de que Cael é negro e o policial racista.

Então você fica naquela tensão do que vai acontecer ali: será que vão se dar mal, será que vão escapar? Mas, pronto, terminado esse capítulo o livro só vai focar de verdade nessa luta e as questões contra o governo lá para o capítulo 20. Antes disso tem uma citação ou outra esporádica, e o encontro de Chuvisco com Júnior (o garoto que ele salva).

Do capítulo 2 em diante o livro passa a focar em Chuvisco e suas amizades e entra em um grande problema. Para quem leu a resenha de Darkham que fiz aqui viu que ele caiu em um erro de ficar descrevendo itens caros que o personagem usava, pois bem, nesse livro tem o mesmo erro, só que mais irritante. Isso porque nesse livro ocorre com muito mais frequência.

Aqui o autor não fala sobre itens caros repetidamente, mas sim como seus amigos já se pegaram entre sim, como sexo é bom, quando não sei quem fez sexo a três com outro amigo, como não sei quem beijou não sei quem. Ou como não sei quem já pegou aquele outro, mas agora está pegando aquele outro e fica nisso o livro inteiro, parecendo mais um livro hot do que um livro de distopia.

Depois tem o encontro de Chuvisco com Júnior, em que Chuvisco salva Júnior de ser morto pela Guarda Branca, até aí beleza, interessante. Porém, depois cada um vai para um lado e Chuvisco fica fissurado em encontrar esse menino para, quando se encontrarem lá para depois da metade do livro, os dois trocarem meia palavra, se pegarem sem mais nem menos como se fosse um livro de romance e que o foco todo do livro fosse o encontro dos dois.


Então chegamos no capítulo 20, depois de muita enrolação e conversas fora do foco, e aí sim o livro começa a nos entregar o que passou na sinopse. E passa a mostrar as consequências que um governo opressor pode trazer e as lutas reais para os personagens, faltando 10 capítulos para o final. MAS, antes, uma pausa em 2 capítulos para fugir do foco falando coisas desnecessárias e retomar depois.

Nesses 10 últimos capítulos (tirando os dois de pausa) o livro melhora muito, dá um salto de qualidade tremendo, você começa a se empolgar com o livro finalmente, Chuvisco vai fazer um grande discurso em uma passeata e você quer ver esse discurso acontecendo, estamos no penúltimo capitulo, o discurso vai acontecer no último e vai salvar o livro, chegamos no último capítulo e... Salto no tempo para avisar que ele está no hospital com apendicite e dar um resumo básico e corrido do que aconteceu com ele e os amigos e acabar o livro. SÉRIO? SÉRIO!!

Cara, foi o final de livro mais (desculpe a palavra) brochante que já vi na minha vida. Então desculpem, mas não tem quem faça eu gostar desse livro. Achei ruim de verdade. Mas nem tudo é de se jogar fora. Por mais que a história seja ruim (NO MEU PONTO DE VISTA) a escrita do autor é muito boa, é dinâmica, fácil e leve. E o livro é muito bom também em questão técnica (tamanho da letra, a capa que é muito bonita e etc). Mas é só isso. Ainda tem questões que nem quero falar aqui para não falar mais coisas ruins, como o fato do grupo chamado Santa Muerte ter um desenvolvimento péssimo ou das catarses criativas de Chuvisco.

Eu andei vendo outras resenhas e fui o único a não gostar desse livro, então não desistam dele. E é por isso que eu disse que a resenha poderia ser polêmica. Vai ter muita gente me odiando depois dela, provavelmente, mas é minha opinião, queria poder dizer que o livro é ótimo, maravilho e tudo mais, mas infelizmente é só 1 estrela e meia para ele, pois isso não acontece. =/

Até a próxima e me perdoem =*
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Cah 10/11/2017

RESENHA: Ninguém Nasce Herói (Eric Novello) | por Carol Sant
Boa tarde, tudo belezinha com vocês?
Hoje trago a resenha de um livro que recebi de cortesia da Editora Seguinte, do autor nacional Eric Novello,intitulado "Ninguém Nasce Herói".Alguém ai já ouviu falar?
O livro é uma distopia que se passa no Brasil, o que de cara já me chamou a atenção, colocando em questão em como anda a nossa política nos dias atuais, mas vamos lá conhecer um pouquinho mais qual é a história que o livro nos conta!
Aqui vamos conhecer o Chuvisco que é o nosso protagonista principal e quem narra a história para o leitor. Ele junto com seus amigos lutam contra o novo governo e principalmente contra "O Escolhido" que é um fanático religioso que conseguiu dominar o congresso através de manobras políticas, o que acabou gerando uma série de grupos de ódio que perseguem negros, homossexuais, transexuais, praticantes de outras religiões, entre outros. Agora, o governo anunciou um "Pacto de Convivência", que dá fim a perseguição (ou finge dar fim) contra as minorias e as oposições, porém, poucos são aqueles que acreditam nesse tal pacto!
Chuvisco é uma das pessoas que não conseguem acreditar nas "boas intenções do Escolhido", quando percebe que continuam a reprimir as minorias ao ponto de presenciar o espancamento gratuito de um jovem trans. Ele então decide ajuda-lo, e logo depois cada um segue seu caminho, porém, Chuvisco não consegue tirar o garota da cabeça e é quando ele começa uma busca a procura do garoto, chamado Júnior.
Sem contar que Chuvisco tem que lidar com suas catarses criativas: que são momentos em que o garoto sai da realidade e deixa sua imaginação tomar conta e o controlar, o que pode coloca-lo em situações extremamente perigosas. Com a ajuda de um psicanalista, ele aprendeu a controlar suas catarses quando ainda era jovem, mas agora, alguns anos depois, a situação em que o país se encontra desencadeia no garoto um série de novas crises que ele não consegue controlar.
A narrativa é totalmente fluída, o que faz com que você leia o livro bem rápido. Alguns capítulos instigam o leitor a curiosidade de saber o que vai acontecer no próximo, o que é um dos pontos mais positivos do livro. Eu gostei bastante da história, apesar de achar que o autor enrolou um pouco para realmente dar início de fato a história em si. Acabei me apegando muito ao Chuvisco, que é o típico personagem que te faz querer ser amiga dele, sabe?!
Porém, preciso dizer que acabei me decepcionando com o final da história, achei o fim muito raso para uma história tão intensa, com momentos políticos, que levanta a bandeira LGBT e nos faz pensar em como a religião está inserida na nossa sociedade e em como isso pode ser bom, mas também pode ser um tanto ruim, que é quando deixa de ser religião e passa a ser um fanatismo religioso.
Posso dizer que estava esperando mais em relação a finalização da trama, ainda mais por saber que o autor tinha a capacidade, porém, preferiu finalizar o livro do jeito que encerrou. Sem dizer que estava torcendo para esse ser o primeiro livro de uma trilogia, mas apesar de tudo é um livro super legal, com uma pegada jovem e que faz o tempo gasto lendo valer a pena!
No geral, é um bom livro e eu gostei bastante de fazer a leitura. Recebeu a classificação de 3 estrelas no Skoob, leitura recomendada.
Beijos da Cah ♥

site: http://garotabibliotecaria.blogspot.com.br/2017/11/resenha-ninguem-nasce-heroi-eric.html
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Greice Negrini 10/11/2017

Perfeitamente Contagiante!
É uma nova era no Brasil. Um novo governo com o chamado O Escolhido está comandando o país em um estilo de ditadura militar com uma apologia totalmente religiosa que prega nada mais nada menos que tudo o que Deus descreve é o que é correto a ser seguido, o que foge disto deve ser julgado e banido. Algo gerado totalmente ao fundamentalismo. O problema é que as pessoas não podem mais ler livros quaisquer, ver programas televisivos diversos e vivem com medo do que enfrentam.

Se não bastasse este governo, pessoas que acreditam não estarem sendo afortunadas corretamente com o governo, montou a Guarda Branca, que prega que todas as pessoas que não sigam corretamente a religião, sejam negros, tenham outros princípios sexuais ou afins, sejam perseguidos e torturados.

Chuvisco é um homem que tem catarses criativas. Há muitos anos ele começou a perceber que mesmo estando em um momento normal, de repente ele estava vendo coisas diferentes que ninguém mais via, porém percebiam que ele estava agindo de forma estranha. O mais diferente é que ele se sentia um herói, que lutava contra os inimigos.

Para os que não fazem parte deste estilo de vida, existe a Santa Muerte, que é um grupo escondido que tenta lutar contra a proliferação desta ditadura e mostra para as pessoas que o importante é continuar, mesmo que sofrendo com a violência de alguns, lutando para destruir o novo governo.

E é desta forma que Chuvisco e seus amigos Gabi, Cael, Amanda, Pedro e os demais que eles vão descobrir uma forma de se envolver em ações para ajudar outras pessoas que fogem desta ditadura e fazer um papel melhor na sociedade.

O que falo sobre o livro?

Quando recebi este livro da Seguinte não imaginava o que poderia ter nas páginas do livro. Pela sinopse não dá para ter muita noção daquilo que vai ser narrado. Na verdade a sinopse explica muita pouca coisa do que vai acontecer e nem sequer passa o sentido da adrenalina que o leitor vai sentir.

O conhecimento do autor também não me era de conhecimento, mesmo que ele já tenha lançado outros livros, mas como eu conhecia outros livros da editora fiquei curiosa com a obra. Já nas primeiras páginas consegui me identificar totalmente com a escrita. Sabe quando o autor consegue colocar um modo de escrita bem intelectual e nada cansativo? É bem assim que Eric escreve. Ele tem um jeito tão fluído de narrar as cenas que eu ia virando página após página sem ao menos me importar do cenário se passar em uma cidade nacional, o que às vezes me deixa um pouco consternada em outras obras pelo fato de parecer monótono.

Outro fator importante é o personagem principal que apresenta a questão de um distúrbio psicológico que faz com que a história tenha uma tensão de adrenalina pela questão de que ele em momentos estava lúcido e em outros estava com as catarses criativas, agindo como se fosse um herói em ação.

É a imposição de um governo muito atual que também faz refletir. Podemos hoje ter um governo livre, mas saber que a qualquer momento o tipo de governo argumentado no livro pode se tornar real faz perceber o quanto o preconceito e como as pessoas desejam fazer justiça com as próprias mãos é cruel e nada justo para com todas as pessoas. Grupos que tentam fazer justiça é como relembrar ditadura e a caça a grupos que alguns consideram diferentes.

A amizade é o que cria o ambiente. Cada uma das pessoas tem seus segredos e suas necessidades, mas a união de todos eles é tão bonita, a descrição de toda a proteção uns dos outros em meio a cenas de ação e ataques constantes ou então em meio à necessidade de ficar escondidos. Acredito que a história contada por Eric Novello foi bastante realista e coerente com ideais sociais da nossa atual geração e me coloco no lugar de diversos personagens e com certeza faria exatamente o que eles mesmo fazem no livro.

Quando cheguei às páginas finais fiquei imaginando que seria uma história com mais continuações, mas infelizmente o autor termina neste único volume e o mais legal é que mostra o destino de todos os personagens sem deixar peças soltas.

Uma obra que precisa ser lida por que gosta de fantasia e por que gosta de política. Uma obra a ser discutida e absorvida como exemplo. Vida longa à Eric Novello.

site: www.blogandolivros.com
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Desireé 28/10/2017

Quando o ódio é a lei. (@UpLiterario)
Embalado pela cena política atual e, principalmente, pelas divergências de opinião que levam amigos à inimigos, textões no facebook, brigas em família e discórdia geral, Eric Novello traz uma bela distopia contemporânea nacional, enraizada nas ruas e becos de São Paulo.
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Após o colapso da situação política nacional, o Escolhido assume a presidência do país, com mãos de ferro e uma guarda fortemente armada, espalhando o caos e o ódio às minorias e dissidentes. Os divergentes são presos ou "desaparecem" da noite para o dia e o medo é uma sombra constante que se perpetua pela cidade e por todo o país.
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Chuvisco é jovem recém-formado, que trabalha como tradutor, e nas horas vagas distribui livros proibidos pelo governo nas ruas de São Paulo. Como se não bastasse o caos e a opressão política armada, o garoto tem uma imaginação mais fértil do que o normal e sofre do que chama de "catarses criativas", espasmos entre o real e o imaginado, que distorcem a realidade e o fazem ver, sentir e vivenciar coisas que estão apenas em sua cabeça. Podem ser borboletas coloridas, origamis com vida ou, ainda, personagens de HQ de carne e osso. É a sua forma de fugir da realidade sombria, que embelezam a história, mas a deixam com um ar mais juvenil do que o esperado.
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A escrita de Eric é poética, leve e descreve com maestria situações cotidianas - e outras nem tão cotidianas assim, com um certo brilho, dando toques de ironia e curiosidade à voz de Chuvisco e tornando o mais crível possível as suas catarses criativas.
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Classifico Ninguém Nasce Herói como distopia, pois aqui temos um governo autoritário e opressor, mudanças de paradigmas, medo e violência, elementos base de uma boa distopia.
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Sem expressar qualquer opinião política pessoal, destaco apenas que gostei da forma como o autor abordou e extrapolou a situação política do Brasil, destacando a violência, o preconceito, o racismo e a homofobia.
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"Ser feliz também é uma forma de protesto".
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Recomendo!

site: www.instagram.com/upliterario
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Vanessa Vieira 22/10/2017

Ninguém Nasce Herói - Eric Novello
O livro Ninguém Nasce Herói, do carioca Eric Novello, nos traz uma história bem articulada e original, tecida com um toque de crítica social um tanto quanto interessante e válida. Com personagens bem estereotipados e que lutam com cada fibra do seu ser por aquilo que acreditam e desejam, o romance de Eric Novello se mostrou uma leitura incrivelmente inteligente e edificante, além de ser repleta de analogias.

A história se passa em meio a uma sociedade marcada pela violência e governada pelos punhos de ferro do Escolhido, um fanático religioso que chegou à presidência e dominou o congresso através de diversas manobras políticas. Estimulando uma série de grupos de ódio aos negros, homossexuais, transsexuais, praticantes de seitas e religiões afro-descendentes, dentre outros estereótipos distintos, o mundo se tornou um verdadeiro cenário de caos e destruição. Depois de meses de uma verdadeira massificação do terror, o presidente decide assinar o Pacto de Convivência, que decreta o fim da perseguição às minorias e defende o direito à liberdade de expressão dos opositores. Por meio de seu porta-voz, o presidente alega que o pacto é um ato de boa fé, que pretende restabelecer a paz e dar voz ao time oposto.

Entretanto, o documento é assinado em meio a um clima de descontentamento entre os brasileiros, que estão indignados e recuados pelos grupos extremistas devido às ameaças constantes de violência física e verbal. O que ninguém consegue ainda supor é se o Pacto de Convivência realmente se trata de uma mudança de postura do governo ou apenas de uma manobra de marketing obscura do Escolhido, com um propósito ainda mais sombrio...

É é neste cenário pavimentado de fanatismo e terror que conhecemos Chuvisco, um jovem recém-formado que mora em São Paulo e trabalha como tradutor. O que poucos sabem sobre Chuvisco é que ele sofre de catarses criativas que o levam a imaginar coisas e fatos que não existem de verdade e o fazem mergulhar a fundo dentro de sua própria imaginação. Com a ajuda de um psicanalista chamado Dr. Charles, o jovem consegue contornar suas catarses o máximo possível, entretanto com o declínio da situação política do país, suas crises surgem com força total e cada vez mais vorazes.

Tal como uma pequena minoria, Chuvisco não acredita nas tais ideias pacificadoras do Escolhido e assiste cada dia mais a repressão aumentar, a ponto de presenciar um garoto transsexual ser espancado violentamente na rua. Ele o ajuda e depois disso, o destino dos dois nunca mais se cruza. Chuvisco não consegue tirar o garoto da cabeça e faz de tudo para reencontrá-lo e acaba descobrindo o seu nome, Júnior. Em meio às suas procuras por Júnior, ele acaba conhecendo um grupo de mídia opositor ao Escolhido, o Santa Muerte, que grava vídeos denunciando a violência policial e a corrupção do governo. O jovem tradutor sente o desejo de participar, mas hesita ao suspeitar que eles estão se preparando para um confronto armado.

Enquanto Chuvisco e seus amigos tentam seguir com suas vidas, ao mesmo tempo em que lidam com as complicações e dramas da juventude, acabam se vendo frente a frente com um cenário extremista e violento e decidem assumir seus próprios papéis frente ao caos instaurado e tentar modificar o país na medida do possível. Nem a fantasia e o poder da imaginação são capazes de proporcionar um escape da dura e cruel realidade e os heróis podem estar em qualquer lugar, onde menos suspeitamos...

Ninguém Nasce Herói foi uma leitura que me ganhou do começo ao fim graças ao seu teor realista e repleto de analogias. É impossível não ler o livro e não comparar a história criada por Eric Novello com o que presenciamos nos tabloides e veículos de comunicação e, muitas vezes, até mesmo ao vivo e à cores. A violência caminha entre a humanidade com unhas e dentes e mostra a sua face a cada esquina, a cada instante. Infelizmente, muitas religiões que deveriam pregar o maior mandamento ensinado por Jesus, "Amai-vos uns aos outros como Eu Vos tenho amado", pregam o ódio e discursos inflamados contra aqueles que se diferem da massa e rotulam de pecado tudo aquilo que é diferente e em sua mente estreita não podem compreender. Narrado em primeira pessoa por Chuvisco, somos absorvidos para o seu mundo sórdido e presenciamos todos os sentimentos do personagem em meio ao caos instaurado em seu mundo, bem como os seus devaneios e pensamentos sobre o que lhe acontece.

Conhecer Chuvisco me remeteu não só aos tempos atuais como a também aos jovens de outrora que lutaram avidamente pelo direito à democracia brasileira durante a época da ditadura militar. Ele é inteligente, perspicaz, guerreiro, justo e tem uma sensibilidade ímpar, o que o tornou um personagem humano e quase que palpável. Entretanto, confesso que suas catarses criativas acabaram me deixando um pouco confusa, visto que em muitas vezes, soaram extravagantes e fantasiosas demais.

"Ninguém quer sentir medo ao andar na rua. Ninguém quer ser escorraçado, agredido. Ninguém quer sair de casa sem ter a certeza de que vai voltar só porque pensa ou age diferente. Mas, se gigantes de aço descem dos céus dispostos a te esmagar, a única maneira de sobreviver é reagir, empurrá-los de volta. A verdade é que ninguém nasce herói. Mas isso não nos impede de salvar o mundo de vez em quando."

O círculo de amigos de Chuvisco, formado por Gabriela, Cael, Amanda e Pedro tem personalidades bem semelhantes ao protagonista. Eles batalham e lutam por aquilo que acreditam ser o certo e não hesitam em proteger os oprimidos. Gabriela, inclusive, participa ativamente de uma ONG que acolhe jovens homossexuais e transgêneros e realiza um trabalho voluntário muito bonito. Eles contrastam com o protagonista em um pequeno aspecto: enquanto mergulham de corpo e alma em tudo o que fazem, sem contabilizar os riscos, Chuvisco se retrai um pouco mais e mesmo sendo incrivelmente corajoso e defensor, pondera bastante antes de iniciar algo.

Em síntese, Ninguém Nasce Herói é um livro inteligente e incrivelmente original, que por meio do véu da ficção, retrata a nossa crua e nua realidade, bem como a violência desenfreada que a assola. A trama de Eric Novello também serve de alerta de que as coisas infelizmente, ainda podem ficar piores, caso a sociedade não exercite sua opinião própria e se deixe influenciar ainda mais pela massificação e por conceitos religiosos manipuladores, esdrúxulos e intrinsecamente arcaicos. A capa do livro é bem chamativa e em cores bem atraentes e na contracapa nos deparamos com a ilustração da Estátua dos Bandeirantes - um dos pontos do pano de fundo da trama, que se situa em São Paulo - e a diagramação está ótima, com fonte em bom tamanho e revisão de qualidade. Recomendo ☺

site: http://www.newsnessa.com/2017/10/resenha-ninguem-nasce-heroi-eric-novello.html
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Miguel 02/10/2017

Um livro sobre o futuro, para o futuro, que precisa ser entendido agora.
“Ninguém Nasce Herói” vai trazer ao leitor uma experiência sobre preconceitos, discriminação, minorias, opressão, intolerância, ódio, amor ao próximo, coragem e força de vontade. Através da história de Chuvisco, um jovem que possui catarses criativas que vão permeando e ajudando a construir o universo da narrativa de maneira excelente!
Mas o que mais me chamou a atenção e me fez gostar mesmo do livro, foi o cenário. Baseado no nosso Brasil, um pouco futurista. Que a princípio pode parecer distópico, mas que na verdade está muito mais próximo de uma realidade possível no nosso mundo atual, do que do surrealismo que normalmente vemos em títulos desse gênero. Se pararmos para analisar os itens que montam a história, todos eles poderão ser construídos em nossa própria Pátria Amada. O que pode ser assustador, de verdade.

O ritmo de leitura em “Ninguém Nasce Herói” é excelente, nada de enrolação desnecessária. Pelo contrário, provavelmente você vai querer saber mais a fundo sobre algumas coisas. Recheado de diálogos — que são muito realistas — e reflexões, mas também cheio de climas tensos que instigam a atenção do leitor em um ótimo andamento de aventura, o livro se faz impossível de não transmitir a ansiedade e a emoção dos personagens em algumas cenas. O leitor se insere no cenário várias vezes, durante as páginas. Para melhorar isso tudo, as catarses de Chuvisco quebram o clima de maneira essencialmente dosada, em momentos ideais.

"— Para vencer o vilão que se esconde no caminho entre a porta de casa e a lixeira, leve uma pistola de raios sônicos no bolso. Sempre funciona."

Do pouco que conheço Eric Novello, não pude deixar de identificar muito dele no próprio protagonista. Não sei se foi intencional ou se foi apenas o tanto que o escritor se doou nesta obra, que gerou um trabalho magnífico.
Os personagens secundários também são muito bem desenvolvidos e definidos — e eu fico me perguntando se eles não são realmente baseados em amigos do próprio Novello.

Um livro sobre o futuro, para o futuro, que precisa ser entendido agora. Que mostra o impacto da decisão de fazer diferença e sair da zona de conforto justificada pelo politicamente correto. Afinal, ninguém nasce herói, mas podemos nos tornar. Infanto-juvenil, mas que não falha em nada ao ser lido por um adulto que no mínimo esteja desconfortável com o estado atual do nosso país, sociedade, mundo, e seus possíveis rumos.

Logo no início do livro, os personagens se encontram em um largo, distribuindo alguns exemplares de um livro para que todos pudessem ler, refletir e repensar suas opiniões acerca da massa ideológica que afoga as pessoas todos os dias. Quando eu terminei a leitura, não pude deixar de desejar que “Ninguém Nasce Herói” fosse esse livro, distribuído também aqui na nossa realidade.

Resenha completa, com mais comentários, em Eu, Astronauta.

site: http://www.euastronauta.com.br/2017/10/resenha-ninguem-nasce-heroi.html
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Alika 02/10/2017

https://goo.gl/U3arNm

“ ‘Futuro’ é uma palavra engraçada. Nela cabem todas as nossas ansiedades e expectativas.”
Tenho um amigo que fala super bem da escrita do Eric Novello. Eu confesso que sempre quis ler algo dele, mas eu deixava naquela lista de ‘um dia vou ler’. Até que apareceu Ninguém Nasce Herói e eu sabia que tinha que ler. Eu adoro distopias, adoro fantasia, adoro descobrir autores novos — principalmente nacionais. Juntou tudo isso e eu só consigo pensar: pq demorei pra conhecer Novello? :)
Esse livro me deixou com uma sensação parecida de quando li O Conto da Aia: é um futuro que tá tão próximo do pode acontecer que dá um medinho de ele se tornar uma profecia.
Nós acompanhamos a história pelo ponto de vista de Chuvisco. Ele tem uns episódios chamados Catarses Criativas — confundindo sua imaginação com a realidade, criando super heróis, uma tiara de borboletas, seres sombrios que atacam a todos… e essa é a magia dessa história.
“A gente já acorda na pressa, com caminhão buzinando, cachorro do vizinho latindo, radialista contando a extensão do engarrafamento como se fosse final de novela. Mais uma estranheza à qual a gente se acostuma, mas que não precisava estar aqui.”
Sabe as outras distopias mais conhecidas? Que focam na opressão do líder e em como o personagem principal é revolucionário e poderoso? Então…esqueça isso. Ninguém Nasce Herói traz uma normalidade imensa pra opressão, pois as coisas foram acontecendo aos poucos: o líder foi tomando poder aos poucos, os direitos foram perdidos aos poucos. E aí o medo da mudança tornou-se maior que o medo da realidade.
Temos momentos intercalados de um grupo de amigos super legal, passeando normalmente pela cidade… e protestos, gente morrendo, coisas horríveis acontecendo. Juntamente com as catarses criativas de Chuvisco, é claro. 
Preciso destacar aqui como eu amei o desenvolvimento dos personagens. O foco não fica só em Chuvisco, temos vários outros personagens tão bons quanto ele, e também acompanhamos sua evolução! E a representatividade merece outro destaque: temos todo tipo de pessoa. T O D O T I P O. Fico muito feliz quando leio um livro assim, pois o mundo é assim e a gente quer ver isso na literatura, né? Aliás, outra coisa que ajudou a ver o livro como uma profecia. hahaha
“As pessoas entram e saem da nossa vida de maneira que não podemos prever. Às vezes nem elas mesmas podem.”
Enfim… um pouco sobre a história: Chuvisco e seus amigos vivem nesse Brasil em que ser diferente é um crime, e se unem para, aos poucos, tentar mudar isso. Começam entregando livros numa praça (sim, livros que foram proibidos, pois, né, distopia.), depois participam de protestos… e a bola de neve vai aumentando.
Existem dois grandes grupos que lutam aqui: o Santa Muerte, contra o governo…e a Guarda Branca, que são simplesmente os justiceiros. Aquelas pessoas que, por exemplo, batem em casais gays só por serem gays, sabe? Certo dia, Chuvisco passa por uma situação péssima: ele vê ‘agentes’ da Guarda Branca espancando um menino trans. E ele entra na briga.
Eu realmente não consegui largar o livro desde o início. Mas, depois dessa cena, realmente não dava pra largar mesmo. Você fica muito ligado aos personagens e os considera seus amigos também, então quer saber como eles estão. 
O que dizer mais? Quero ler outros livros do autor! E, por favor, leiam essa maravilha: é uma profecia que a gente pode quebrar —  se é que vocês me entendem.
“A verdade é que ninguém nasce herói. Mas isso não nos impede de salvar o mundo de vez em quando.”

site: https://goo.gl/U3arNm
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Fernanda 30/09/2017

Ninguém nasce herói
Resenha no blog:

http://www.segredosemlivros.com/2017/09/resenha-ninguem-nasce-heroi-eric.html

site: http://www.segredosemlivros.com/2017/09/resenha-ninguem-nasce-heroi-eric.html
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Ane. 28/09/2017

Não é de hoje que venho tendo a triste sensação que ao invés de evoluirmos estamos regredindo. E digo isso não somente a nível Brasil, mas são tanto absurdos que vejo todos os dias nos jornais que passei a sentir um pouco de “medo” do que o amanhã nos reserva. Por esse motivo, logo que li a sinopse de Ninguém Nasce Herói, do autor Eric Novello fiquei bastante curiosa para conhecer a história. Até porque, a ficção e a realidade nunca me pareceram tão próximas.

Ninguém Nasce Herói se mostrou uma leitura interessante e envolvente, mas ao mesmo tempo um tanto confusa em especial no começo. Eric Novello construiu um personagem complexo, que em muitas situações busca em sua imaginação uma forma de enfrentar a realidade. É justamente nos momentos mais importantes da narrativa que o Chuvisco permite que sua Catarse Criativa assuma o controle, o que faz com que o personagem se veja como um super-herói de verdade.

Confesso que no começo essa mistura entre fantasia e realidade me confundiu e incomodou um pouco. Porém depois que entendi como essas crises funcionavam e principalmente a importância que esses episódios tem no desenvolvimento do enredo, a minha leitura passou a fluir melhor. Gostei do fato do autor não ter criado uma distopia "caricata", e sim ter usado como base para sua história o fanatismo religioso e o ódio cada vez mais crescente pelas minorias e o “diferente”. Além disso, como é uma história que se passa no Brasil a identificação com os personagens e lugares é praticamente instantânea.

Resenha completa no blog:

site: http://mydearlibrary.com
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Kari 17/09/2017

A história gira em torno de Chuvisco, um jovem que vive em um Brasil futurístico, onde o governo é liderado pelo Escolhido, um indivíduo que governa o país de forma repressora. Para ele, os indivíduos aceitos são tradicionais e qualquer um que não se encaixa nesse padrão não é bem visto. Na verdade, é até caçado, por milícias, como a Guarda Branca. A Guarda Branca é uma milícia que percorre as ruas atrás de gays, ateus, negros e qualquer um que não se encaixe na definição de aceito pelo governante. Ou seja, o país é um local aterrorizante, onde ser diferente significa ser caçado, levado ao ostracismo ou pior.

“As propagandas nas paredes anunciam os supostos benefícios da nova onda de privatizações do governo. HOSPITAIS E ESCOLAS DE MAIS QUALIDADE PARA TODOS, dizem as letras amarelas. Só não dizem que “todos” seria esse.”

Chuvisco é um jovem que junto com alguns amigos realiza alguns protestos, principalmente relacionados à distribuição de livros considerados proibidos pelo governo. Como é um grupo relativamente jovem, os amigos estão embalados nos problemas da juventude: amores, desamores, desencontros e encontros, além de estarem começando a moldar a própria identidade.

“Conforme a situação do país degringolava, nos tornamos mais afetuosos, uma forma de equilibrar a balança da cultura de ódio. É inegável que no Brasil o culto à ignorância nos levou a um fanatismo comparável apenas ao dos radicais islâmicos. O ódio, contudo, se fortaleceu inclusive nos países ditos desenvolvidos. Nos Estados Unidos, o número de atentados em escolas aumentou e chacinas da população negra foram televisionadas sem que qualquer policial fosse condenado. Na Europa, surgiram histórias sobre paramilitares contratados pelos governos para afundar barcos de refugiados de guerra, colocando a culpa em atravessadores e piratas, e de empresas que lucravam incitando a instabilidade e a guerra.”

Um dia, Chuvisco se depara com uma cena que infelizmente é cotidiana: a Guarda Branca está espancando um jovem. E o rapaz decide que é hora de fazer mais do que distribuir livros e intervém. É nesse momento que Chuvisco começa a avaliar as próprias ações e a necessidade de fazer e ser mais.

O interessante do livro é que ele se aplica perfeitamente ao mundo de hoje. A cada dia observamos mais e mais injustiças acontecerem, chacinas movidas pelo preconceito e a impunidade rolando solta.

Sem dúvida, “Ninguém nasce herói” é um livro forte que discute em uma linguagem simples, inúmeros problemas sociais. Os personagens são jovens, mas também são questionadores e repletos de vontade de mudar o mundo.

“Será que existe um tradutor especializado em sentimentos? Um que tire das sintaxes outro tipo de ligação, que consiga interpretar palavras além de seus significados? Alguém capaz de realinhar pensamentos que, de outra forma, pareceriam desconexos?”

site: http://www.livrosechocolatequente.com.br/
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