Ninguém Nasce Herói

Ninguém Nasce Herói Eric Novello




Resenhas - //////


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Cah 10/11/2017

RESENHA: Ninguém Nasce Herói (Eric Novello) | por Carol Sant
Boa tarde, tudo belezinha com vocês?
Hoje trago a resenha de um livro que recebi de cortesia da Editora Seguinte, do autor nacional Eric Novello,intitulado "Ninguém Nasce Herói".Alguém ai já ouviu falar?
O livro é uma distopia que se passa no Brasil, o que de cara já me chamou a atenção, colocando em questão em como anda a nossa política nos dias atuais, mas vamos lá conhecer um pouquinho mais qual é a história que o livro nos conta!
Aqui vamos conhecer o Chuvisco que é o nosso protagonista principal e quem narra a história para o leitor. Ele junto com seus amigos lutam contra o novo governo e principalmente contra "O Escolhido" que é um fanático religioso que conseguiu dominar o congresso através de manobras políticas, o que acabou gerando uma série de grupos de ódio que perseguem negros, homossexuais, transexuais, praticantes de outras religiões, entre outros. Agora, o governo anunciou um "Pacto de Convivência", que dá fim a perseguição (ou finge dar fim) contra as minorias e as oposições, porém, poucos são aqueles que acreditam nesse tal pacto!
Chuvisco é uma das pessoas que não conseguem acreditar nas "boas intenções do Escolhido", quando percebe que continuam a reprimir as minorias ao ponto de presenciar o espancamento gratuito de um jovem trans. Ele então decide ajuda-lo, e logo depois cada um segue seu caminho, porém, Chuvisco não consegue tirar o garota da cabeça e é quando ele começa uma busca a procura do garoto, chamado Júnior.
Sem contar que Chuvisco tem que lidar com suas catarses criativas: que são momentos em que o garoto sai da realidade e deixa sua imaginação tomar conta e o controlar, o que pode coloca-lo em situações extremamente perigosas. Com a ajuda de um psicanalista, ele aprendeu a controlar suas catarses quando ainda era jovem, mas agora, alguns anos depois, a situação em que o país se encontra desencadeia no garoto um série de novas crises que ele não consegue controlar.
A narrativa é totalmente fluída, o que faz com que você leia o livro bem rápido. Alguns capítulos instigam o leitor a curiosidade de saber o que vai acontecer no próximo, o que é um dos pontos mais positivos do livro. Eu gostei bastante da história, apesar de achar que o autor enrolou um pouco para realmente dar início de fato a história em si. Acabei me apegando muito ao Chuvisco, que é o típico personagem que te faz querer ser amiga dele, sabe?!
Porém, preciso dizer que acabei me decepcionando com o final da história, achei o fim muito raso para uma história tão intensa, com momentos políticos, que levanta a bandeira LGBT e nos faz pensar em como a religião está inserida na nossa sociedade e em como isso pode ser bom, mas também pode ser um tanto ruim, que é quando deixa de ser religião e passa a ser um fanatismo religioso.
Posso dizer que estava esperando mais em relação a finalização da trama, ainda mais por saber que o autor tinha a capacidade, porém, preferiu finalizar o livro do jeito que encerrou. Sem dizer que estava torcendo para esse ser o primeiro livro de uma trilogia, mas apesar de tudo é um livro super legal, com uma pegada jovem e que faz o tempo gasto lendo valer a pena!
No geral, é um bom livro e eu gostei bastante de fazer a leitura. Recebeu a classificação de 3 estrelas no Skoob, leitura recomendada.
Beijos da Cah ♥

site: http://garotabibliotecaria.blogspot.com.br/2017/11/resenha-ninguem-nasce-heroi-eric.html
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Greice Negrini 10/11/2017

Perfeitamente Contagiante!
É uma nova era no Brasil. Um novo governo com o chamado O Escolhido está comandando o país em um estilo de ditadura militar com uma apologia totalmente religiosa que prega nada mais nada menos que tudo o que Deus descreve é o que é correto a ser seguido, o que foge disto deve ser julgado e banido. Algo gerado totalmente ao fundamentalismo. O problema é que as pessoas não podem mais ler livros quaisquer, ver programas televisivos diversos e vivem com medo do que enfrentam.

Se não bastasse este governo, pessoas que acreditam não estarem sendo afortunadas corretamente com o governo, montou a Guarda Branca, que prega que todas as pessoas que não sigam corretamente a religião, sejam negros, tenham outros princípios sexuais ou afins, sejam perseguidos e torturados.

Chuvisco é um homem que tem catarses criativas. Há muitos anos ele começou a perceber que mesmo estando em um momento normal, de repente ele estava vendo coisas diferentes que ninguém mais via, porém percebiam que ele estava agindo de forma estranha. O mais diferente é que ele se sentia um herói, que lutava contra os inimigos.

Para os que não fazem parte deste estilo de vida, existe a Santa Muerte, que é um grupo escondido que tenta lutar contra a proliferação desta ditadura e mostra para as pessoas que o importante é continuar, mesmo que sofrendo com a violência de alguns, lutando para destruir o novo governo.

E é desta forma que Chuvisco e seus amigos Gabi, Cael, Amanda, Pedro e os demais que eles vão descobrir uma forma de se envolver em ações para ajudar outras pessoas que fogem desta ditadura e fazer um papel melhor na sociedade.

O que falo sobre o livro?

Quando recebi este livro da Seguinte não imaginava o que poderia ter nas páginas do livro. Pela sinopse não dá para ter muita noção daquilo que vai ser narrado. Na verdade a sinopse explica muita pouca coisa do que vai acontecer e nem sequer passa o sentido da adrenalina que o leitor vai sentir.

O conhecimento do autor também não me era de conhecimento, mesmo que ele já tenha lançado outros livros, mas como eu conhecia outros livros da editora fiquei curiosa com a obra. Já nas primeiras páginas consegui me identificar totalmente com a escrita. Sabe quando o autor consegue colocar um modo de escrita bem intelectual e nada cansativo? É bem assim que Eric escreve. Ele tem um jeito tão fluído de narrar as cenas que eu ia virando página após página sem ao menos me importar do cenário se passar em uma cidade nacional, o que às vezes me deixa um pouco consternada em outras obras pelo fato de parecer monótono.

Outro fator importante é o personagem principal que apresenta a questão de um distúrbio psicológico que faz com que a história tenha uma tensão de adrenalina pela questão de que ele em momentos estava lúcido e em outros estava com as catarses criativas, agindo como se fosse um herói em ação.

É a imposição de um governo muito atual que também faz refletir. Podemos hoje ter um governo livre, mas saber que a qualquer momento o tipo de governo argumentado no livro pode se tornar real faz perceber o quanto o preconceito e como as pessoas desejam fazer justiça com as próprias mãos é cruel e nada justo para com todas as pessoas. Grupos que tentam fazer justiça é como relembrar ditadura e a caça a grupos que alguns consideram diferentes.

A amizade é o que cria o ambiente. Cada uma das pessoas tem seus segredos e suas necessidades, mas a união de todos eles é tão bonita, a descrição de toda a proteção uns dos outros em meio a cenas de ação e ataques constantes ou então em meio à necessidade de ficar escondidos. Acredito que a história contada por Eric Novello foi bastante realista e coerente com ideais sociais da nossa atual geração e me coloco no lugar de diversos personagens e com certeza faria exatamente o que eles mesmo fazem no livro.

Quando cheguei às páginas finais fiquei imaginando que seria uma história com mais continuações, mas infelizmente o autor termina neste único volume e o mais legal é que mostra o destino de todos os personagens sem deixar peças soltas.

Uma obra que precisa ser lida por que gosta de fantasia e por que gosta de política. Uma obra a ser discutida e absorvida como exemplo. Vida longa à Eric Novello.

site: www.blogandolivros.com
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Desireé 28/10/2017

Quando o ódio é a lei. (@UpLiterario)
Embalado pela cena política atual e, principalmente, pelas divergências de opinião que levam amigos à inimigos, textões no facebook, brigas em família e discórdia geral, Eric Novello traz uma bela distopia contemporânea nacional, enraizada nas ruas e becos de São Paulo.
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Após o colapso da situação política nacional, o Escolhido assume a presidência do país, com mãos de ferro e uma guarda fortemente armada, espalhando o caos e o ódio às minorias e dissidentes. Os divergentes são presos ou "desaparecem" da noite para o dia e o medo é uma sombra constante que se perpetua pela cidade e por todo o país.
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Chuvisco é jovem recém-formado, que trabalha como tradutor, e nas horas vagas distribui livros proibidos pelo governo nas ruas de São Paulo. Como se não bastasse o caos e a opressão política armada, o garoto tem uma imaginação mais fértil do que o normal e sofre do que chama de "catarses criativas", espasmos entre o real e o imaginado, que distorcem a realidade e o fazem ver, sentir e vivenciar coisas que estão apenas em sua cabeça. Podem ser borboletas coloridas, origamis com vida ou, ainda, personagens de HQ de carne e osso. É a sua forma de fugir da realidade sombria, que embelezam a história, mas a deixam com um ar mais juvenil do que o esperado.
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A escrita de Eric é poética, leve e descreve com maestria situações cotidianas - e outras nem tão cotidianas assim, com um certo brilho, dando toques de ironia e curiosidade à voz de Chuvisco e tornando o mais crível possível as suas catarses criativas.
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Classifico Ninguém Nasce Herói como distopia, pois aqui temos um governo autoritário e opressor, mudanças de paradigmas, medo e violência, elementos base de uma boa distopia.
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Sem expressar qualquer opinião política pessoal, destaco apenas que gostei da forma como o autor abordou e extrapolou a situação política do Brasil, destacando a violência, o preconceito, o racismo e a homofobia.
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"Ser feliz também é uma forma de protesto".
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Recomendo!

site: www.instagram.com/upliterario
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Vanessa Vieira 22/10/2017

Ninguém Nasce Herói - Eric Novello
O livro Ninguém Nasce Herói, do carioca Eric Novello, nos traz uma história bem articulada e original, tecida com um toque de crítica social um tanto quanto interessante e válida. Com personagens bem estereotipados e que lutam com cada fibra do seu ser por aquilo que acreditam e desejam, o romance de Eric Novello se mostrou uma leitura incrivelmente inteligente e edificante, além de ser repleta de analogias.

A história se passa em meio a uma sociedade marcada pela violência e governada pelos punhos de ferro do Escolhido, um fanático religioso que chegou à presidência e dominou o congresso através de diversas manobras políticas. Estimulando uma série de grupos de ódio aos negros, homossexuais, transsexuais, praticantes de seitas e religiões afro-descendentes, dentre outros estereótipos distintos, o mundo se tornou um verdadeiro cenário de caos e destruição. Depois de meses de uma verdadeira massificação do terror, o presidente decide assinar o Pacto de Convivência, que decreta o fim da perseguição às minorias e defende o direito à liberdade de expressão dos opositores. Por meio de seu porta-voz, o presidente alega que o pacto é um ato de boa fé, que pretende restabelecer a paz e dar voz ao time oposto.

Entretanto, o documento é assinado em meio a um clima de descontentamento entre os brasileiros, que estão indignados e recuados pelos grupos extremistas devido às ameaças constantes de violência física e verbal. O que ninguém consegue ainda supor é se o Pacto de Convivência realmente se trata de uma mudança de postura do governo ou apenas de uma manobra de marketing obscura do Escolhido, com um propósito ainda mais sombrio...

É é neste cenário pavimentado de fanatismo e terror que conhecemos Chuvisco, um jovem recém-formado que mora em São Paulo e trabalha como tradutor. O que poucos sabem sobre Chuvisco é que ele sofre de catarses criativas que o levam a imaginar coisas e fatos que não existem de verdade e o fazem mergulhar a fundo dentro de sua própria imaginação. Com a ajuda de um psicanalista chamado Dr. Charles, o jovem consegue contornar suas catarses o máximo possível, entretanto com o declínio da situação política do país, suas crises surgem com força total e cada vez mais vorazes.

Tal como uma pequena minoria, Chuvisco não acredita nas tais ideias pacificadoras do Escolhido e assiste cada dia mais a repressão aumentar, a ponto de presenciar um garoto transsexual ser espancado violentamente na rua. Ele o ajuda e depois disso, o destino dos dois nunca mais se cruza. Chuvisco não consegue tirar o garoto da cabeça e faz de tudo para reencontrá-lo e acaba descobrindo o seu nome, Júnior. Em meio às suas procuras por Júnior, ele acaba conhecendo um grupo de mídia opositor ao Escolhido, o Santa Muerte, que grava vídeos denunciando a violência policial e a corrupção do governo. O jovem tradutor sente o desejo de participar, mas hesita ao suspeitar que eles estão se preparando para um confronto armado.

Enquanto Chuvisco e seus amigos tentam seguir com suas vidas, ao mesmo tempo em que lidam com as complicações e dramas da juventude, acabam se vendo frente a frente com um cenário extremista e violento e decidem assumir seus próprios papéis frente ao caos instaurado e tentar modificar o país na medida do possível. Nem a fantasia e o poder da imaginação são capazes de proporcionar um escape da dura e cruel realidade e os heróis podem estar em qualquer lugar, onde menos suspeitamos...

Ninguém Nasce Herói foi uma leitura que me ganhou do começo ao fim graças ao seu teor realista e repleto de analogias. É impossível não ler o livro e não comparar a história criada por Eric Novello com o que presenciamos nos tabloides e veículos de comunicação e, muitas vezes, até mesmo ao vivo e à cores. A violência caminha entre a humanidade com unhas e dentes e mostra a sua face a cada esquina, a cada instante. Infelizmente, muitas religiões que deveriam pregar o maior mandamento ensinado por Jesus, "Amai-vos uns aos outros como Eu Vos tenho amado", pregam o ódio e discursos inflamados contra aqueles que se diferem da massa e rotulam de pecado tudo aquilo que é diferente e em sua mente estreita não podem compreender. Narrado em primeira pessoa por Chuvisco, somos absorvidos para o seu mundo sórdido e presenciamos todos os sentimentos do personagem em meio ao caos instaurado em seu mundo, bem como os seus devaneios e pensamentos sobre o que lhe acontece.

Conhecer Chuvisco me remeteu não só aos tempos atuais como a também aos jovens de outrora que lutaram avidamente pelo direito à democracia brasileira durante a época da ditadura militar. Ele é inteligente, perspicaz, guerreiro, justo e tem uma sensibilidade ímpar, o que o tornou um personagem humano e quase que palpável. Entretanto, confesso que suas catarses criativas acabaram me deixando um pouco confusa, visto que em muitas vezes, soaram extravagantes e fantasiosas demais.

"Ninguém quer sentir medo ao andar na rua. Ninguém quer ser escorraçado, agredido. Ninguém quer sair de casa sem ter a certeza de que vai voltar só porque pensa ou age diferente. Mas, se gigantes de aço descem dos céus dispostos a te esmagar, a única maneira de sobreviver é reagir, empurrá-los de volta. A verdade é que ninguém nasce herói. Mas isso não nos impede de salvar o mundo de vez em quando."

O círculo de amigos de Chuvisco, formado por Gabriela, Cael, Amanda e Pedro tem personalidades bem semelhantes ao protagonista. Eles batalham e lutam por aquilo que acreditam ser o certo e não hesitam em proteger os oprimidos. Gabriela, inclusive, participa ativamente de uma ONG que acolhe jovens homossexuais e transgêneros e realiza um trabalho voluntário muito bonito. Eles contrastam com o protagonista em um pequeno aspecto: enquanto mergulham de corpo e alma em tudo o que fazem, sem contabilizar os riscos, Chuvisco se retrai um pouco mais e mesmo sendo incrivelmente corajoso e defensor, pondera bastante antes de iniciar algo.

Em síntese, Ninguém Nasce Herói é um livro inteligente e incrivelmente original, que por meio do véu da ficção, retrata a nossa crua e nua realidade, bem como a violência desenfreada que a assola. A trama de Eric Novello também serve de alerta de que as coisas infelizmente, ainda podem ficar piores, caso a sociedade não exercite sua opinião própria e se deixe influenciar ainda mais pela massificação e por conceitos religiosos manipuladores, esdrúxulos e intrinsecamente arcaicos. A capa do livro é bem chamativa e em cores bem atraentes e na contracapa nos deparamos com a ilustração da Estátua dos Bandeirantes - um dos pontos do pano de fundo da trama, que se situa em São Paulo - e a diagramação está ótima, com fonte em bom tamanho e revisão de qualidade. Recomendo ☺

site: http://www.newsnessa.com/2017/10/resenha-ninguem-nasce-heroi-eric-novello.html
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Miguel 02/10/2017

Um livro sobre o futuro, para o futuro, que precisa ser entendido agora.
“Ninguém Nasce Herói” vai trazer ao leitor uma experiência sobre preconceitos, discriminação, minorias, opressão, intolerância, ódio, amor ao próximo, coragem e força de vontade. Através da história de Chuvisco, um jovem que possui catarses criativas que vão permeando e ajudando a construir o universo da narrativa de maneira excelente!
Mas o que mais me chamou a atenção e me fez gostar mesmo do livro, foi o cenário. Baseado no nosso Brasil, um pouco futurista. Que a princípio pode parecer distópico, mas que na verdade está muito mais próximo de uma realidade possível no nosso mundo atual, do que do surrealismo que normalmente vemos em títulos desse gênero. Se pararmos para analisar os itens que montam a história, todos eles poderão ser construídos em nossa própria Pátria Amada. O que pode ser assustador, de verdade.

O ritmo de leitura em “Ninguém Nasce Herói” é excelente, nada de enrolação desnecessária. Pelo contrário, provavelmente você vai querer saber mais a fundo sobre algumas coisas. Recheado de diálogos — que são muito realistas — e reflexões, mas também cheio de climas tensos que instigam a atenção do leitor em um ótimo andamento de aventura, o livro se faz impossível de não transmitir a ansiedade e a emoção dos personagens em algumas cenas. O leitor se insere no cenário várias vezes, durante as páginas. Para melhorar isso tudo, as catarses de Chuvisco quebram o clima de maneira essencialmente dosada, em momentos ideais.

"— Para vencer o vilão que se esconde no caminho entre a porta de casa e a lixeira, leve uma pistola de raios sônicos no bolso. Sempre funciona."

Do pouco que conheço Eric Novello, não pude deixar de identificar muito dele no próprio protagonista. Não sei se foi intencional ou se foi apenas o tanto que o escritor se doou nesta obra, que gerou um trabalho magnífico.
Os personagens secundários também são muito bem desenvolvidos e definidos — e eu fico me perguntando se eles não são realmente baseados em amigos do próprio Novello.

Um livro sobre o futuro, para o futuro, que precisa ser entendido agora. Que mostra o impacto da decisão de fazer diferença e sair da zona de conforto justificada pelo politicamente correto. Afinal, ninguém nasce herói, mas podemos nos tornar. Infanto-juvenil, mas que não falha em nada ao ser lido por um adulto que no mínimo esteja desconfortável com o estado atual do nosso país, sociedade, mundo, e seus possíveis rumos.

Logo no início do livro, os personagens se encontram em um largo, distribuindo alguns exemplares de um livro para que todos pudessem ler, refletir e repensar suas opiniões acerca da massa ideológica que afoga as pessoas todos os dias. Quando eu terminei a leitura, não pude deixar de desejar que “Ninguém Nasce Herói” fosse esse livro, distribuído também aqui na nossa realidade.

Resenha completa, com mais comentários, em Eu, Astronauta.

site: http://www.euastronauta.com.br/2017/10/resenha-ninguem-nasce-heroi.html
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Alika 02/10/2017

https://goo.gl/U3arNm

“ ‘Futuro’ é uma palavra engraçada. Nela cabem todas as nossas ansiedades e expectativas.”
Tenho um amigo que fala super bem da escrita do Eric Novello. Eu confesso que sempre quis ler algo dele, mas eu deixava naquela lista de ‘um dia vou ler’. Até que apareceu Ninguém Nasce Herói e eu sabia que tinha que ler. Eu adoro distopias, adoro fantasia, adoro descobrir autores novos — principalmente nacionais. Juntou tudo isso e eu só consigo pensar: pq demorei pra conhecer Novello? :)
Esse livro me deixou com uma sensação parecida de quando li O Conto da Aia: é um futuro que tá tão próximo do pode acontecer que dá um medinho de ele se tornar uma profecia.
Nós acompanhamos a história pelo ponto de vista de Chuvisco. Ele tem uns episódios chamados Catarses Criativas — confundindo sua imaginação com a realidade, criando super heróis, uma tiara de borboletas, seres sombrios que atacam a todos… e essa é a magia dessa história.
“A gente já acorda na pressa, com caminhão buzinando, cachorro do vizinho latindo, radialista contando a extensão do engarrafamento como se fosse final de novela. Mais uma estranheza à qual a gente se acostuma, mas que não precisava estar aqui.”
Sabe as outras distopias mais conhecidas? Que focam na opressão do líder e em como o personagem principal é revolucionário e poderoso? Então…esqueça isso. Ninguém Nasce Herói traz uma normalidade imensa pra opressão, pois as coisas foram acontecendo aos poucos: o líder foi tomando poder aos poucos, os direitos foram perdidos aos poucos. E aí o medo da mudança tornou-se maior que o medo da realidade.
Temos momentos intercalados de um grupo de amigos super legal, passeando normalmente pela cidade… e protestos, gente morrendo, coisas horríveis acontecendo. Juntamente com as catarses criativas de Chuvisco, é claro. 
Preciso destacar aqui como eu amei o desenvolvimento dos personagens. O foco não fica só em Chuvisco, temos vários outros personagens tão bons quanto ele, e também acompanhamos sua evolução! E a representatividade merece outro destaque: temos todo tipo de pessoa. T O D O T I P O. Fico muito feliz quando leio um livro assim, pois o mundo é assim e a gente quer ver isso na literatura, né? Aliás, outra coisa que ajudou a ver o livro como uma profecia. hahaha
“As pessoas entram e saem da nossa vida de maneira que não podemos prever. Às vezes nem elas mesmas podem.”
Enfim… um pouco sobre a história: Chuvisco e seus amigos vivem nesse Brasil em que ser diferente é um crime, e se unem para, aos poucos, tentar mudar isso. Começam entregando livros numa praça (sim, livros que foram proibidos, pois, né, distopia.), depois participam de protestos… e a bola de neve vai aumentando.
Existem dois grandes grupos que lutam aqui: o Santa Muerte, contra o governo…e a Guarda Branca, que são simplesmente os justiceiros. Aquelas pessoas que, por exemplo, batem em casais gays só por serem gays, sabe? Certo dia, Chuvisco passa por uma situação péssima: ele vê ‘agentes’ da Guarda Branca espancando um menino trans. E ele entra na briga.
Eu realmente não consegui largar o livro desde o início. Mas, depois dessa cena, realmente não dava pra largar mesmo. Você fica muito ligado aos personagens e os considera seus amigos também, então quer saber como eles estão. 
O que dizer mais? Quero ler outros livros do autor! E, por favor, leiam essa maravilha: é uma profecia que a gente pode quebrar —  se é que vocês me entendem.
“A verdade é que ninguém nasce herói. Mas isso não nos impede de salvar o mundo de vez em quando.”

site: https://goo.gl/U3arNm
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Fernanda 30/09/2017

Ninguém nasce herói
Resenha no blog:

http://www.segredosemlivros.com/2017/09/resenha-ninguem-nasce-heroi-eric.html

site: http://www.segredosemlivros.com/2017/09/resenha-ninguem-nasce-heroi-eric.html
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Ane. 28/09/2017

Não é de hoje que venho tendo a triste sensação que ao invés de evoluirmos estamos regredindo. E digo isso não somente a nível Brasil, mas são tanto absurdos que vejo todos os dias nos jornais que passei a sentir um pouco de “medo” do que o amanhã nos reserva. Por esse motivo, logo que li a sinopse de Ninguém Nasce Herói, do autor Eric Novello fiquei bastante curiosa para conhecer a história. Até porque, a ficção e a realidade nunca me pareceram tão próximas.

Ninguém Nasce Herói se mostrou uma leitura interessante e envolvente, mas ao mesmo tempo um tanto confusa em especial no começo. Eric Novello construiu um personagem complexo, que em muitas situações busca em sua imaginação uma forma de enfrentar a realidade. É justamente nos momentos mais importantes da narrativa que o Chuvisco permite que sua Catarse Criativa assuma o controle, o que faz com que o personagem se veja como um super-herói de verdade.

Confesso que no começo essa mistura entre fantasia e realidade me confundiu e incomodou um pouco. Porém depois que entendi como essas crises funcionavam e principalmente a importância que esses episódios tem no desenvolvimento do enredo, a minha leitura passou a fluir melhor. Gostei do fato do autor não ter criado uma distopia "caricata", e sim ter usado como base para sua história o fanatismo religioso e o ódio cada vez mais crescente pelas minorias e o “diferente”. Além disso, como é uma história que se passa no Brasil a identificação com os personagens e lugares é praticamente instantânea.

Resenha completa no blog:

site: http://mydearlibrary.com
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Kari 17/09/2017

A história gira em torno de Chuvisco, um jovem que vive em um Brasil futurístico, onde o governo é liderado pelo Escolhido, um indivíduo que governa o país de forma repressora. Para ele, os indivíduos aceitos são tradicionais e qualquer um que não se encaixa nesse padrão não é bem visto. Na verdade, é até caçado, por milícias, como a Guarda Branca. A Guarda Branca é uma milícia que percorre as ruas atrás de gays, ateus, negros e qualquer um que não se encaixe na definição de aceito pelo governante. Ou seja, o país é um local aterrorizante, onde ser diferente significa ser caçado, levado ao ostracismo ou pior.

“As propagandas nas paredes anunciam os supostos benefícios da nova onda de privatizações do governo. HOSPITAIS E ESCOLAS DE MAIS QUALIDADE PARA TODOS, dizem as letras amarelas. Só não dizem que “todos” seria esse.”

Chuvisco é um jovem que junto com alguns amigos realiza alguns protestos, principalmente relacionados à distribuição de livros considerados proibidos pelo governo. Como é um grupo relativamente jovem, os amigos estão embalados nos problemas da juventude: amores, desamores, desencontros e encontros, além de estarem começando a moldar a própria identidade.

“Conforme a situação do país degringolava, nos tornamos mais afetuosos, uma forma de equilibrar a balança da cultura de ódio. É inegável que no Brasil o culto à ignorância nos levou a um fanatismo comparável apenas ao dos radicais islâmicos. O ódio, contudo, se fortaleceu inclusive nos países ditos desenvolvidos. Nos Estados Unidos, o número de atentados em escolas aumentou e chacinas da população negra foram televisionadas sem que qualquer policial fosse condenado. Na Europa, surgiram histórias sobre paramilitares contratados pelos governos para afundar barcos de refugiados de guerra, colocando a culpa em atravessadores e piratas, e de empresas que lucravam incitando a instabilidade e a guerra.”

Um dia, Chuvisco se depara com uma cena que infelizmente é cotidiana: a Guarda Branca está espancando um jovem. E o rapaz decide que é hora de fazer mais do que distribuir livros e intervém. É nesse momento que Chuvisco começa a avaliar as próprias ações e a necessidade de fazer e ser mais.

O interessante do livro é que ele se aplica perfeitamente ao mundo de hoje. A cada dia observamos mais e mais injustiças acontecerem, chacinas movidas pelo preconceito e a impunidade rolando solta.

Sem dúvida, “Ninguém nasce herói” é um livro forte que discute em uma linguagem simples, inúmeros problemas sociais. Os personagens são jovens, mas também são questionadores e repletos de vontade de mudar o mundo.

“Será que existe um tradutor especializado em sentimentos? Um que tire das sintaxes outro tipo de ligação, que consiga interpretar palavras além de seus significados? Alguém capaz de realinhar pensamentos que, de outra forma, pareceriam desconexos?”

site: http://www.livrosechocolatequente.com.br/
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Gisele @abducaoliteraria 07/09/2017

Precisamos falar sobre Ninguém Nasce Herói
Num Brasil futurístico, o país vive uma ditadura fundamentalista, governada por um fanático religioso denominado como O Escolhido, que rege com o discurso de elevar os valores da família tradicional. A liderança do Escolhido incitou o ódio de grupos extremistas, que procuram fazer justiça com as próprias mãos àqueles que ameaçam à conduta imposta pelo presidente.

Com isso, quem sofre são as classes de minorias sociais, que não perdem só a liberdade de expressão, mas também o direito de viver.

Nessa história, acompanhamos o cotidiano de um grupo de amigos que, aos trancos e barrancos, se refugiam uns nos outros para tomar fôlego diante de uma realidade caótica, encontrando forças para resistir, lutar, e por que não, se divertir. Afinal, "viver bem é a melhor vingança".

Chuvisco, a quem somos agraciados pelo seu ponto de vista, é um tradutor que vive na cidade de São Paulo, e ao seu modo, junto com alguns outros amigos, tenta fazer a diferença através de pequenos atos de manifestação e ousadia, distribuindo livros que foram banidos pelo governo em espaço público, para incentivar a leitura, e talvez, despertar em outras pessoas o sentimento de fazer a diferença também. Esse ato na hora me lembrou da famosa frase de Castro Alves, "Bendito aquele que semeia livros e faz o povo pensar".

Uma das coisas mais interessantes da história foi o desenvolvimento dos personagens. A diversidade dos protagonistas e a forma como ela foi abordada foi plausível. Nada forçado, mas sim natural, como as coisas realmente são.

O meu favorito foi o Pedro, acho que porque me identifiquei bastante com ele em diversos momentos.

Por outro lado, não poderíamos ter acompanhado melhor a história do que através do ponto de vista de Chuvisco, que é um personagem extremamente interessante. Ele tem um transtorno que é denominado como catarse criativa, que diante de uma situação difícil, cria uma realidade paralela, uma dimensão as vezes pior e mais cruel, fazendo com que a realidade não pareça tão ruim assim.

Não é uma característica exclusivamente negativa. Quando necessário, é através das catarses que Chuvisco se fortalece, veste sua armadura e encontra coragem para enfrentar os seus inimigos.

Os surtos de Chuviscos absolutamente constantes na história dão uma característica diferente pra ela, você vê os acontecimentos aos olhos de Chuviscos, cheios de imaginação - hora assustadoras, com gigantes de aço que chegam para te esmagar, hora lindas e delicadas, com borboletas coloridas e cintilantes. Porém, ele precisa ser forte para lutar contra os surtos e não perder a noção do que é ou não real. Os momentos de maior tensão que Chuvisco mescla a realidade com as catarses são espetaculares, um jeito extremamente peculiar de se ver e interpretar as coisas. Particularmente, foram minhas partes favoritas do livro.

Voltando a falar dos outros personagens, eu me apeguei tanto a eles que me vi desejando fazer parte daquele grupinho de amigos, abraça-los, incentivá-los com mensagens de esperança, lutar ao lado deles e prometer que tudo ficaria bem.

A história nos mostra o cotidiano difícil de pessoas comuns como nós enfrentam. Sempre lutando, acrescentando pequenas vitórias, adquirindo ainda menos de esperança, mas o suficiente para tomar fôlego e continuar. São essas lutas e vitórias que fazem deles heróis do dia a dia.

"A verdade é que ninguém nasce herói. Mas isso não nos impede de salvar o mundo de vez em quando".

Em alguns momentos, o livro foi assustador. É incrível a relação de alguns acontecimentos terríveis com a realidade em que a gente vive. A princípio, parece que estamos vivenciando uma grande regressão, mas os temas e as dificuldade são absolutamente atuais. E infelizmente, no decorrer da história, você nota que ela não se trata de um futuro tão distópico assim.

Esta é a primeira história que leio do Eric Novello. Eu me empolguei bastante com a premissa, obviamente por causa da situação que vivemos no nosso país. Mas eu não imaginava nada do que estava por vir e a avalanche de sentimentos que ela me trouxe me pegou totalmente desprevenida. É uma história com uma carga emocional gigante. Fiquei com a garganta apertada em diversos momentos, olhos encharcados, e no final, depois de me segurar muito, não deu outra, me acabei em lágrimas.

Ninguém nasce herói apresenta nuances sobre amizade, empatia e esperança. A minha opinião é que todo mundo deveria ler esse livro. Ele te toca lá no fundo, te passa mensagens sutis e também brutas, mas que são fundamentais.

Me encantei com a escrita do autor. Quase acabei com um bloquinho de marcador fazendo um montão de marcações. Quando cheguei até a última página, depois dos agradecimentos (viu, Eric?), eu queria mais! Até então conhecia o trabalho do Eric Novello apenas através de suas traduções, mas agora, necessito conhecer mais histórias dele.

Um adendo muito importante sobre a capa desse livro. E L A É S E N S A C I O N A L! Além de ser linda, retrata a ideia do livro de forma brilhante. Amei e amei!

site: https://abducaoliteraria.wordpress.com
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Leticia 06/09/2017

Ninguém Nasce Herói - Eric Novello
Sobre o livro

O Brasil é um pais fundamentalista, comandado por um presidente conhecido como O Escolhido. Ele promete transformar o pais em um lugar “melhor” para a família brasileira. Mas o que realmente está acontecendo é que o pais está vivendo um clima de ditadura, pois até alguns livros foram tirados de circulação por conter conteúdo "imoral" de acordo com o presidente.

Mas o problema maior está na perseguição que diversas minorias estão vivendo. A Guarda Branca, uma milícia urbana, que é motivada pelo discurso retrogrado do governo, persegue e espanca gays, negros, trans, ateus e qualquer pessoa que não concorde com os conceitos religiosos do Escolhido.

Sair na rua pode ser algo perigoso e ir contra o governo é assinar o atestado de óbito. Mas mesmo com todo esse clima de tensão, Chuvisco e seus amigos, jovens começando a vida adulta e tentando achar seus lugares no meio dessa confusão em que o pais está vivendo, decidem distribuir, como forma de protesto, em praças da cidade, livros que foram censurados. Mesmo após o Pacto de Conveniência ser decretado no país, a liberdade de expressão pode ser somente uma farsa.

Um dia, ao voltar de uma festa pela manhã, Chuvisco vê membros da Guarda Branca espancando um garoto. Imediatamente, ele tenta ajudá-lo, porém também sai muito machucado. Depois do ocorrido, Junior, some sem deixar rastros, e agora Chuvisco não vai sossegar enquanto não encontrá-lo.

Entre busca por noticias, atos de protesto e a tentativa de de viver tranquilamente em um Brasil completamente em caos, Chuvisco e seus amigos vão descobrir que terão que ir além da distribuição de livros para lutar por um país melhor e mais justo.

Minha opinião

Acompanhamos a narrativa pela visão de Chuvisco. É nesse personagem que o autor inseriu uma espécie de esquizofrenia, durante a história há vários episódios do que o protagonista chama de Catarse Criativa. Esses momentos são inseridos em acontecimentos-chave da história, em que Chuvisco encontra-se vulnerável e/ou precisa encontrar forças para enfrentar algum problema, então ele imagina-se como um super-herói. Essa mistura de real e imaginário pode ser um pouco confusa no início da leitura, mas flui naturalmente depois que passamos a compreender o modo que essas crises funcionam.

O autor inseriu dois recursos que ajudam a compreender o que se passa na cabeça de Chuvisco, os e-mails que ele enviou para seu ex-psicanalista, dr. Charles, e alguns dos vídeos do canal que ele tem no YouTube, o Tempestade Criativa. Apesar de toda a história ser um pouco lenta, sem acontecimentos cheios de ação, a escrita do Eric é simples e fluida. Eu li o livro super rápido.

Além de Chuvisco, os personagens secundários foram muito bem desenvolvimentos, todos têm uma luta pessoal para contar. Um grupo muito unido, que encara a sexualidade de uma maneira bem aberta, formado por pessoas bem diferentes umas das outras. Acompanhamos o dia a dia dos amigos e a dedicação deles para ajudar e melhorar o país com os recursos que estão disponíveis a eles. Foi nesse núcleo da história que Eric tentou dar um tom mais tranquilo enquanto abordada um assunto tão pesado como a política.

Mesmo com a intenção do autor em escrever um livro para o público mais adolescente, trazendo personagens jovens, que estão em uma época da vida de incertezas e decisões, tentando descobrir seu papel em um país em guerra, Eric não conseguiu deixar o livro muito leve, porque quando falamos em política e em religião, o assunto naturalmente fica mais pesado. Acredito que foi o que aconteceu com o livro, pois mesmo com cenas mais descontraídas, o "problema" do Brasil estava sempre no ar em clima de tensão.

Em um país onde as notícias chegam em segundos, alimentam o ódio e são rapidamente esquecidas, Eric faz uma crítica que ultrapassa problemas políticos, alcançando também àquelas pessoas que lutam por seus ideais com agressividade, influenciadas por conceitos conservadores, que não pertencem a realidade do mundo no qual vivemos.

Esse livro pode não ser cheio de ação ou de acontecimentos chocantes, mas aborda um assunto muito atual e mostra uma realidade que pode não estar tão distante assim. Uma história que choca pela semelhança com uma época em que nossos pais e avós viveram e que assusta por "profetizar" um futuro que pode não estar a nosso favor.

Ninguém nasce herói é um livro surpreendente, que confirma a teoria de que independente de quem esteja no poder, suas ideias sempre terão adeptos. E isso pode ser muito perigoso. Por isso, leia e distribua este livro na rua!

site: http://www.lelendolido.com.br/2017/07/resenha-97-ninguem-nasce-heroi-eric.html
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gabiberries 28/08/2017

Literatura brasileira jovem e de qualidade
Esse é um livro que se passa em um futuro distópico, mas é incrivelmente atual. Tanto nas questões de racismo, preconceito, justiceiros que se põem acima da lei e etc, quanto nas referências à cultura pop e ao próprio estilo de vida dos personagens, que curtem ficar em casa assistindo série e fazem vídeos pra internet.
Os personagens são um show de diversidade, é realmente prendem a atenção. Tenho ansiedade então me identifiquei muito com o protagonista, e acredito que os momentos confusos do livro (tipo ele está alucinando? imaginando? vivendo?) são propositais, pois há uma confusão muito forte dentro dele e, como ele é o narrador, nada mais justo que ficarmos confusos junto com ele. Uma passagem em que ele sente pânico no chuveiro me deixou emocionada de tanto que me identifiquei.
Eu gostei do ritmo como as coisas acontecem. Não é super rápido, que fica irreal, nem super lento, que fica chato. É bastante realista, consigo ler o que se passa pela cabeça do Chuvisco e me identificar com sua linha de pensamento.
Recomendo muito este livro pois é um tipo de literatura brasileira que não é tão comum ainda, mas merece espaço para crescer. Parabéns ao autor :)!
Sofi 03/09/2017minha estante
oi, adorei sua resenha, e tambem achei o livro incrível.Voce se importa de dar uma olhada na postagem que fiz sobre ele no meu blog?
desde ja agradeço https://meianoiteestrelada.blogspot.com.br/




Dryh 13/08/2017

Adorei!
Numa sociedade sã, a loucura é a única liberdade. – página 115

Chuvisco faz o que pode para manter a chama da esperança acesa num Brasil dominado pelo fundamentalismo religioso. Junto com seus amigos, ele distribui livros censurados pela cidade de São Paulo, sempre tendo rotas de fuga caso algo de ruim aconteça. Ele queria fazer mais, mas o medo tanto da realidade quanto de ser tomado pelas suas catarses criativas (fugas da realidade) o impediam. Até o momento em que testemunha e é vítima de violência, e passa a procurar tanto o garoto que defendera quanto outra maneira de mudar o país onde vive. A partir daí, Chuvisco não cansa de surpreender.

Uma das coisas que mais me chamaram a atenção neste livro foi o fato de ser uma história abordasse uma ditadura religiosa, e eu nunca tinha lido uma distopia que seguisse para esse “lado”, então estava muito curiosa para ver como o autor abordaria esse assunto. Eric Novello me surpreendeu não só nesse quesito, como também no quesito personagens e narração. Gente, que livro!

Me irrita pensar que eu seja somente um sonhador [...] talvez eu possa fazer algo além de distribuir livros. – página 132

Eu ficava pasma toda vez que lia e não via a hora passando, e quando fui chegando nas últimas cinquenta páginas, foi batendo aquela vontade de terminar, e, ao mesmo tempo, de deixar o livro de lado porque não queria que acabasse. Eu adorei os personagens, em especial Chuvisco, Júnior e Pedro, meu trio apaixonante! E o melhor de tudo é que Ninguém nasce herói é narrado pelo próprio Chuvisco, então sempre quando ele dá suas escapadas da realidade, leva o leitor junto. E quase me matava do coração em algumas delas...haha’

O autor conseguiu acertar a dose de romance, ação e drama que colocou na obra, além de ter explicado muito bem o que levou o país a chegar na situação em que estava no livro, sem ser detalhista ao extremo, e deixando o leitor ligar uns pontos aqui e ali. Sem contar que eu fiquei mega feliz quando terminei de ler e pude, enfim, entender a capa...hehe’

Gostei muito deste livro, tanto que quase nem sei o que falar aqui, fiquei martelando a cabeça e nenhuma ideia. Acho que Ninguém nasce herói é um daqueles livros em que a gente só sabe o que vai sentir, e o que esperar da história, quando a lê, e o mesmo digo sobre a escrita do autor. É uma escrita sem igual, um pouco difícil de encontrar; aborda temas um pouco tensos sem ficar pesada, é divertida, irônica, consegue prender o leitor e nos fazer mergulhar na história e torcer pelos personagens. E, confesso, temer o final...hehe’ não é uma história previsível ou parecida com qualquer coisa que eu já tenha lido, então tiro o chapéu para o autor. Só senti falta de um maior aprofundamento em relação a um “grupo” chamado Santa Muerte, mas, de resto, tudo foi incrível!

Também não poupo elogios para a editora Seguinte, que fez um trabalho lindo na diagramação do livro (já contei que entendi a capa?!haha’), e que me mandou o livro autografado

site: http://shakedepalavras.blogspot.com.br
Sofi 03/09/2017minha estante
adorei seu blog, consegui muitas indicações de livros com ele, voce se importa de dar uma olhada no meu?T o começando agora e minha primeira resenha foi desse livro
https://meianoiteestrelada.blogspot.com.br/ eu ia adorar saber sua opiniao :)




Franklin 08/08/2017

Num Brasil onde minorias sofrem agressões sancionadas, Chuvisco enfrenta como pode as injustiças perpetuadas por uma sociedade incapaz de aceitar aqueles que são diferentes.

Ninguém Nasce Herói se passa em um cenário fictício, mas que é desconfortavelmente próximo da realidade. Repressão policial e milícias urbanas guiadas por preconceito e fervor religioso são lugar comum, fruto da subida ao poder de um presidente fundamentalista.

Trata-se, para todos os efeitos, de uma distopia. Entretanto, Novello não cai na armadilha comum das histórias do tipo: a de focar apenas na opressão, a um ponto quase inverossímil. Há um balanço de normalidade com despotismo que deixa tudo vivo e marcante. Interpondo momentos de tensão com a rotina de um grupo de amigos que acima de tudo busca manter um mínimo de normalidade num ambiente de violência arbitrária, o texto desenvolve com facilidade os personagens em relacionamentos de credibilidade considerável. De personalidades bem definidas e anseios compatíveis com a realidade em que vivem, Chuvisco, Cael, Amanda, Gabi, Pedro, Dudu, Júnior, entre outros, são indivíduos com uma luta em comum com a qual é fácil de encontrar identificação. O autor anuncia que o grupo é próximo, e prova a afirmação mostrando a relação deles durante todo o livro com uma naturalidade honesta.

Apesar de alguns trechos com metáforas em excesso, a prosa possui uma qualidade que é tão contida quanto abrangente. Os capítulos não entram em detalhes sobre o governo fundamentalista, mas existem pistas o suficiente para que o leitor possa extrapolar os andamentos que levaram a tal quadro. Ao deixar de se aprofundar nos pormenores governamentais, o autor alcança um efeito particular: em alguns momentos, não parece que os personagens vivem numa realidade diferente da nossa. E isso é parte do ponto que é apresentado – o de que é fácil esquecer que cada absurdo político pode ser um novo degrau para o extremismo, onde nossos direitos desaparecem pouco a pouco bem na frente dos nossos olhos.

Os elementos mais proeminentes do texto são a busca e a preservação da liberdade dentro de um cenário esterilizado e intolerante. Este esforço se dá de diversas maneiras, seja pela distribuição de livros, passeatas, ou até mesmo a produção de origamis, espalhados pela cidade como uma forma de despertar a beleza sufocada. Além dos capítulos bem pautados com balanço entre agressividade e candura, eventuais referências também são feitas com bom-gosto, sem gratuidade.

Outro fator relevante nessa dicotomia entre brutalidade e delicadeza é o estado mental de Chuvisco durante o livro. O protagonista precisa lidar com as Catarses Criativas, uma condição que o leva a ter surtos com visões que funcionam como uma ampliação de sua realidade, que possuem características agradáveis, assustadoras, ou, não raro, ambas ao mesmo tempo. A intensidade das circunstâncias força Chuvisco a passar por transformações tanto psicológicas como físicas. O uso integrado dessas alucinações leva o leitor a, junto de Chuvisco, ficar incerto do que é real, pois o horror da realidade às vezes ultrapassa até a linguagem do imaginário. As questões psicológicas são parte integral do personagem, nunca funcionando como uma muleta narrativa. Tensas, divertidas e envolventes, as Catarses acentuam a experiência de forma orgânica do começo ao fim, e leitores de mentes criativas podem absorver com facilidade a ideia de expansão da realidade, mesmo que não ao nível quase literal de Chuvisco.

Devido a essa condição, Chuvisco busca manter um alto grau de controle sobre vários fatores – as catarses, seu pacifismo diante da necessidade de lutar, os limites de sua intimidade com os amigos, sua sexualidade. O desenrolar da narrativa o joga em situações onde ele é obrigado a rever conceitos e posições, e Novello leva o leitor por uma jornada que é, acima de tudo, pessoal. Os momentos de amor são sinceros e nunca fica a sensação de que estão ocorrendo para estabelecer uma possível desgraça posterior. Por conta disso, quando a angústia ocorre, ela acerta com muito mais força.

Ninguém Nasce Herói é um livro que serve como uma história de prevenção, mas que nunca deixa de mostrar aquilo pelo que vale a pena lutar.

site: https://franklinteixeira.com
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Queria Estar Lendo 13/07/2017

Resenha: Ninguém Nasce Herói
Em um cenário civilizado que mistura o caos da intolerância com a opressão de um governo tirano, Ninguém Nasce Herói é uma obra assustadoramente realista. Lançamento da Editora Seguinte, estreia do autor Eric Novello no selo da Cia das Letras, esse é um livro necessário na estante de todos os leitores.

Chuvisco vive em um Brasil governado pela intolerância. Através de um golpe, um governante extremamente tradicionalista assumiu o comando do país e instituiu leis rígidas e tolerância zero. O preconceito é uma palavra não mais combatida, mas espalhada através da polícia e das guardas especiais. Existe repressão, militarização e um controle ideológico sobre o que vem a público. É um cenário assustador e muito, mas muito real.

O que mais me ganhou nessa obra foi a maneira com que o autor conduziu toda a trama. Temos a visão de Chuvisco, nosso protagonista, e através dela conhecemos um Brasil dominado pela opressão. Um país onde a diversidade agora é tratada como problemática, um lugar onde as diferenças não têm mais espaço. Pessoas de cor, de religiões diferentes do cristianismo, de sexualidades que diferem da heterossexualidade, todas essas mínimas diversidades são tratadas como lixo. Livros são proibidos, ideias são censuradas. Mesmo com um Pacto recém-assinado, vê-se o pouco caso do governo em tratar todos como iguais; igualdade não existe mais. O que os personagens encontram nas ruas é o medo do mais puro, a ideia de que por causa da cor de pele, do seu jeito de agir, das suas escolhas, isso pode significar repressão da mais violenta.

"Numa época em que preconceitos antes velados são gritados com orgulho, não me espanta que tenha sido ele o eleito."

Chuvisco é um personagem cativante. Ele é revolucionário, mas contido por causa do medo. É o garoto que distribui livros em praça pública porque quer dar a chance das pessoas conhecerem o que foi censurado por um governo tirano. É o personagem disposto a se arriscar, mas não arriscar a vida dos amigos em uma incursão corajosa como essa - e o interessante da obra é como a juventude é retratada. Temos ideais revolucionários e esperançosos representados das mais diversas maneiras através de Chuvisco e seus amigos. São pessoas das mais diversas etnias, orientações sexuais e vivências que se uniram e se entenderam em tempos de horror.

"Do jeito que o país vai, um livro de terror é um amigo mais sincero que um de auto ajuda."

Outro fato interessante reside nos surtos de imaginação que nosso protagonista tem. Chuvisco sofre de catarse criativa, que é uma espécie de explosão de imaginação que mistura fantasia e realidade e o confunde sobre o que é real e o que é falso. Esses surtos estão muito ligados às suas emoções, e vemos os mais abrangentes deles chegarem em momentos em que Chuvisco vivencia a maior tempestade de sentimentos. É genial como a narrativa mistura a fantasia com a realidade e torna tudo muito crível, mesmo que você saiba que tudo faz parte da mente do Chuvisco.

"Viver numa realidade que se desfragmenta faz você encarar o mundo de modo diferente."

Além dele, temos personagens coadjuvantes maravilhosos e bem construídos. Amanda, Gabi, Pedro e Cael são os principais e mais presentes. Cada um com suas lutas, com seus medos e bravuras. Mesmo secundários, eles têm espaço para contar suas histórias, mostrar suas personalidades e ganhar vida conforme a trama avança. A amizade é o ponto principal da história, o alicerce para a força e a coragem do protagonista - e também dos seus amigos. É um ponto muito bem trabalhado e desenvolvido, o tipo de amizade que salta das páginas e te conquista logo de cara.

A representatividade também é tão maravilhosa e bem feita que ah! Temos muitos personagens negros, gordos, de várias orientações sexuais, tudo isso muito natural e como deve ser. Ao mesmo tempo em que a sociedade e o governo oprimem o diferente, a narrativa te entrega como não existe nada de diferente em nenhum deles. Como cada pessoa é parte do mundo, do cotidiano.

"Bastaria alguém e força de vontade. Bastaria dizer chega. O problema é que o 'basta' abre as portas para o desconhecido. E, hoje, o desconhecido causa medo."

O mais impactante de Ninguém Nasce Herói, pelo menos para mim, foi o desenvolvimento das lutas internas de cada personagem. Até onde vai a coragem, a vontade de gritar seus direitos e lutar por eles. Até quando alguém consegue aguentar a violência e a opressão até alcançar o ponto máximo e explodir? Mesmo com um grupo rebelde crescendo nas ruas, intitulado de Santa Muerte, são esses jovens a ditar uma possível revolução, afinal, e revoluções começam silenciosas para se tornarem um estouro incontrolável. O terreno para isso é bem trabalhado na história, e cada receio, hesitação e recuo dos personagens é crível para o cenário em que eles vivem.

"A verdade é que ninguém nasce herói. Mas isso não nos impede de salvar o mundo de vez em quando."

Afinal de contas, estamos falando de um país governado pelo medo. De um cenário onde as ruas não são seguras, onde falar pode colocar sua vida em risco. Onde ser diferente é um crime, com milícias especializadas perseguindo quem ousar destruir a "ordem" instaurada pelo governo do Escolhido.

A Editora Seguinte cedeu a prova do livro para a Eduarda, mas ele não chegou a tempo de ela ler. Com sorte, estive presente na Flipop e consegui adquirir o livro com exclusividade lá! Ele ainda está em pré-venda, mas já garanto que a edição ficou um arraso. Diagramação bem simples, mas bem feita, e uma capa de encher os olhos.

Ninguém Nasce Herói é uma história sobre coragem e juventude, sobre dar um passo à frente contra a opressão e lutar pela liberdade, pelo direito de ser quem você é. É uma história real e atual e importante para todo mundo; ler a tirania pode abrir seus olhos para as pequenas coisas escondidas no nosso mundo, pequenas opressões que avistamos no dia a dia.
Estante X 15/07/2017minha estante
distopia? Parece ser


Sofi 03/09/2017minha estante
pode dar uma olhada na resenha que fiz no meu blog?
https://meianoiteestrelada.blogspot.com.br/




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