Ninguém Nasce Herói

Ninguém Nasce Herói Eric Novello


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Queria Estar Lendo 13/07/2017

Resenha: Ninguém Nasce Herói
Em um cenário civilizado que mistura o caos da intolerância com a opressão de um governo tirano, Ninguém Nasce Herói é uma obra assustadoramente realista. Lançamento da Editora Seguinte, estreia do autor Eric Novello no selo da Cia das Letras, esse é um livro necessário na estante de todos os leitores.

Chuvisco vive em um Brasil governado pela intolerância. Através de um golpe, um governante extremamente tradicionalista assumiu o comando do país e instituiu leis rígidas e tolerância zero. O preconceito é uma palavra não mais combatida, mas espalhada através da polícia e das guardas especiais. Existe repressão, militarização e um controle ideológico sobre o que vem a público. É um cenário assustador e muito, mas muito real.

O que mais me ganhou nessa obra foi a maneira com que o autor conduziu toda a trama. Temos a visão de Chuvisco, nosso protagonista, e através dela conhecemos um Brasil dominado pela opressão. Um país onde a diversidade agora é tratada como problemática, um lugar onde as diferenças não têm mais espaço. Pessoas de cor, de religiões diferentes do cristianismo, de sexualidades que diferem da heterossexualidade, todas essas mínimas diversidades são tratadas como lixo. Livros são proibidos, ideias são censuradas. Mesmo com um Pacto recém-assinado, vê-se o pouco caso do governo em tratar todos como iguais; igualdade não existe mais. O que os personagens encontram nas ruas é o medo do mais puro, a ideia de que por causa da cor de pele, do seu jeito de agir, das suas escolhas, isso pode significar repressão da mais violenta.

"Numa época em que preconceitos antes velados são gritados com orgulho, não me espanta que tenha sido ele o eleito."

Chuvisco é um personagem cativante. Ele é revolucionário, mas contido por causa do medo. É o garoto que distribui livros em praça pública porque quer dar a chance das pessoas conhecerem o que foi censurado por um governo tirano. É o personagem disposto a se arriscar, mas não arriscar a vida dos amigos em uma incursão corajosa como essa - e o interessante da obra é como a juventude é retratada. Temos ideais revolucionários e esperançosos representados das mais diversas maneiras através de Chuvisco e seus amigos. São pessoas das mais diversas etnias, orientações sexuais e vivências que se uniram e se entenderam em tempos de horror.

"Do jeito que o país vai, um livro de terror é um amigo mais sincero que um de auto ajuda."

Outro fato interessante reside nos surtos de imaginação que nosso protagonista tem. Chuvisco sofre de catarse criativa, que é uma espécie de explosão de imaginação que mistura fantasia e realidade e o confunde sobre o que é real e o que é falso. Esses surtos estão muito ligados às suas emoções, e vemos os mais abrangentes deles chegarem em momentos em que Chuvisco vivencia a maior tempestade de sentimentos. É genial como a narrativa mistura a fantasia com a realidade e torna tudo muito crível, mesmo que você saiba que tudo faz parte da mente do Chuvisco.

"Viver numa realidade que se desfragmenta faz você encarar o mundo de modo diferente."

Além dele, temos personagens coadjuvantes maravilhosos e bem construídos. Amanda, Gabi, Pedro e Cael são os principais e mais presentes. Cada um com suas lutas, com seus medos e bravuras. Mesmo secundários, eles têm espaço para contar suas histórias, mostrar suas personalidades e ganhar vida conforme a trama avança. A amizade é o ponto principal da história, o alicerce para a força e a coragem do protagonista - e também dos seus amigos. É um ponto muito bem trabalhado e desenvolvido, o tipo de amizade que salta das páginas e te conquista logo de cara.

A representatividade também é tão maravilhosa e bem feita que ah! Temos muitos personagens negros, gordos, de várias orientações sexuais, tudo isso muito natural e como deve ser. Ao mesmo tempo em que a sociedade e o governo oprimem o diferente, a narrativa te entrega como não existe nada de diferente em nenhum deles. Como cada pessoa é parte do mundo, do cotidiano.

"Bastaria alguém e força de vontade. Bastaria dizer chega. O problema é que o 'basta' abre as portas para o desconhecido. E, hoje, o desconhecido causa medo."

O mais impactante de Ninguém Nasce Herói, pelo menos para mim, foi o desenvolvimento das lutas internas de cada personagem. Até onde vai a coragem, a vontade de gritar seus direitos e lutar por eles. Até quando alguém consegue aguentar a violência e a opressão até alcançar o ponto máximo e explodir? Mesmo com um grupo rebelde crescendo nas ruas, intitulado de Santa Muerte, são esses jovens a ditar uma possível revolução, afinal, e revoluções começam silenciosas para se tornarem um estouro incontrolável. O terreno para isso é bem trabalhado na história, e cada receio, hesitação e recuo dos personagens é crível para o cenário em que eles vivem.

"A verdade é que ninguém nasce herói. Mas isso não nos impede de salvar o mundo de vez em quando."

Afinal de contas, estamos falando de um país governado pelo medo. De um cenário onde as ruas não são seguras, onde falar pode colocar sua vida em risco. Onde ser diferente é um crime, com milícias especializadas perseguindo quem ousar destruir a "ordem" instaurada pelo governo do Escolhido.

A Editora Seguinte cedeu a prova do livro para a Eduarda, mas ele não chegou a tempo de ela ler. Com sorte, estive presente na Flipop e consegui adquirir o livro com exclusividade lá! Ele ainda está em pré-venda, mas já garanto que a edição ficou um arraso. Diagramação bem simples, mas bem feita, e uma capa de encher os olhos.

Ninguém Nasce Herói é uma história sobre coragem e juventude, sobre dar um passo à frente contra a opressão e lutar pela liberdade, pelo direito de ser quem você é. É uma história real e atual e importante para todo mundo; ler a tirania pode abrir seus olhos para as pequenas coisas escondidas no nosso mundo, pequenas opressões que avistamos no dia a dia.
Reinaldo (Estante X - @reeiih) 15/07/2017minha estante
distopia? Parece ser


Sofi 03/09/2017minha estante
pode dar uma olhada na resenha que fiz no meu blog?
https://meianoiteestrelada.blogspot.com.br/




Fabio Pedreira 28/11/2017

Ninguem Nasce Heroi
Fala galera, hoje vim trazer para vocês a resenha do livro Ninguém nasce herói, mas vou deixar um pequeno recado antes que é o seguinte... Talvez ela seja um pouco polêmica e contenha um pequeno spoiler (não considero mas tenho que avisar kkkk).

“Mas por que polêmica, Fabio?” vocês me perguntam, e eu já explicarei, mas antes vamos à sinopse para ajudar a entender o porquê.

“Num futuro em que o Brasil é liderado por um fundamentalista religioso, o Escolhido, o simples ato de distribuir livros na rua é visto como rebeldia. Esse foi o jeito que Chuvisco encontrou para resistir e tentar mudar a sua realidade, um pouquinho que seja: ele e os amigos entregam exemplares proibidos pelo governo a quem passa pela praça Roosevelt, no centro de São Paulo, sempre atentos para o caso de algum policial aparecer. Outro perigo que precisam enfrentar enquanto tentam viver sua juventude são as milícias urbanas, como a Guarda Branca: seus integrantes perseguem diversas minorias, incentivados pelo governo. É esse grupo que Chuvisco encontra espancando um garoto nos arredores da rua Augusta. A situação obriga o jovem a agir como um verdadeiro super-herói para tentar ajudá-lo — e esse é só o começo. Aos poucos, Chuvisco percebe que terá de fazer mais do que apenas distribuir livros se quiser mudar seu futuro e o do país."

Essa é apenas uma pequena parte da sinopse que vem dentro do livro, mas ela continua no mesmo ritmo, levando você leitor desavisado a pensar que esse é um livro onde teríamos uma distopia no país e caberia ao jovem Chuvisco conseguir acabar ou pelo menos dar início a revolução para dar fim nesse estado em que o país se encontra.

Pois não se iluda porque pelo menos para mim esse livro te vende uma coisa que não é. Ele consta de 30 capítulos mas ele só mostra aquilo que vende em no máximo 5 ou 6 deles. O primeiro começa de forma excelente com Chuvisco e seus amigos distribuindo livros (um que foi proibido de ser vendido por ter palavras que iam contra os gostos do governo) na praça, até que se depara com dois policiais e um deles resolve parar Cael (o amigo de Chuvisco) para questionar o que estão fazendo, e isso está ligado ao fato de que Cael é negro e o policial racista.

Então você fica naquela tensão do que vai acontecer ali: será que vão se dar mal, será que vão escapar? Mas, pronto, terminado esse capítulo o livro só vai focar de verdade nessa luta e as questões contra o governo lá para o capítulo 20. Antes disso tem uma citação ou outra esporádica, e o encontro de Chuvisco com Júnior (o garoto que ele salva).

Do capítulo 2 em diante o livro passa a focar em Chuvisco e suas amizades e entra em um grande problema. Para quem leu a resenha de Darkham que fiz aqui viu que ele caiu em um erro de ficar descrevendo itens caros que o personagem usava, pois bem, nesse livro tem o mesmo erro, só que mais irritante. Isso porque nesse livro ocorre com muito mais frequência.

Aqui o autor não fala sobre itens caros repetidamente, mas sim como seus amigos já se pegaram entre sim, como sexo é bom, quando não sei quem fez sexo a três com outro amigo, como não sei quem beijou não sei quem. Ou como não sei quem já pegou aquele outro, mas agora está pegando aquele outro e fica nisso o livro inteiro, parecendo mais um livro hot do que um livro de distopia.

Depois tem o encontro de Chuvisco com Júnior, em que Chuvisco salva Júnior de ser morto pela Guarda Branca, até aí beleza, interessante. Porém, depois cada um vai para um lado e Chuvisco fica fissurado em encontrar esse menino para, quando se encontrarem lá para depois da metade do livro, os dois trocarem meia palavra, se pegarem sem mais nem menos como se fosse um livro de romance e que o foco todo do livro fosse o encontro dos dois.


Então chegamos no capítulo 20, depois de muita enrolação e conversas fora do foco, e aí sim o livro começa a nos entregar o que passou na sinopse. E passa a mostrar as consequências que um governo opressor pode trazer e as lutas reais para os personagens, faltando 10 capítulos para o final. MAS, antes, uma pausa em 2 capítulos para fugir do foco falando coisas desnecessárias e retomar depois.

Nesses 10 últimos capítulos (tirando os dois de pausa) o livro melhora muito, dá um salto de qualidade tremendo, você começa a se empolgar com o livro finalmente, Chuvisco vai fazer um grande discurso em uma passeata e você quer ver esse discurso acontecendo, estamos no penúltimo capitulo, o discurso vai acontecer no último e vai salvar o livro, chegamos no último capítulo e... Salto no tempo para avisar que ele está no hospital com apendicite e dar um resumo básico e corrido do que aconteceu com ele e os amigos e acabar o livro. SÉRIO? SÉRIO!!

Cara, foi o final de livro mais (desculpe a palavra) brochante que já vi na minha vida. Então desculpem, mas não tem quem faça eu gostar desse livro. Achei ruim de verdade. Mas nem tudo é de se jogar fora. Por mais que a história seja ruim (NO MEU PONTO DE VISTA) a escrita do autor é muito boa, é dinâmica, fácil e leve. E o livro é muito bom também em questão técnica (tamanho da letra, a capa que é muito bonita e etc). Mas é só isso. Ainda tem questões que nem quero falar aqui para não falar mais coisas ruins, como o fato do grupo chamado Santa Muerte ter um desenvolvimento péssimo ou das catarses criativas de Chuvisco.

Eu andei vendo outras resenhas e fui o único a não gostar desse livro, então não desistam dele. E é por isso que eu disse que a resenha poderia ser polêmica. Vai ter muita gente me odiando depois dela, provavelmente, mas é minha opinião, queria poder dizer que o livro é ótimo, maravilho e tudo mais, mas infelizmente é só 1 estrela e meia para ele, pois isso não acontece. =/

Até a próxima e me perdoem =*
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Francisco 30/06/2017

No contexto de um Brasil fundamentalista, a história de Eric Novello dá a esperança que todos precisam para continuar vivos
A partir de hoje, depois de um golpe articulado pelas classes conservadoras brasileira, o novo presidente do país será o deputado Silas Malafaia.

A espinha gelou, não foi? Mas calma, apesar da gente estar vivendo em uma época delicada em nosso país, os fundamentalistas não tomaram o poder, pelo menos não ainda.

Porém, Eric Novello criou um futuro que nós esperamos muito que seja distópico, onde os fundamentalistas tomaram o poder e instauraram uma ditadura. Nessa história, conhecemos Chuvisco e seus amigos, jovens que procuram fazer sua parte para lutar frente a essa ditadura, iniciando de maneira simples: Entregando livros ao redor da Praça Roosevelt em São Paulo.

Porém, aos poucos eles vão percebendo que precisam ter mais do que apenas uma participação em todo esse processo, devem se tornar protagonistas da resistência se quiserem ver o Brasil livre dessa ditadura. Eles terão que ser tornar heróis para salvar a pátria verde e amarela. Nem que seja de vez em quando. Assim é "Ninguém Nasce Herói".

Mas como seria esse país fundamentalista?

Primeiro é importante considerar de onde veio a ideia de Novello. De acordo com o autor, em uma carta que veio acompanhada com a prova de livro, a história surgiu a partir dos momentos intensos que estávamos vivendo nesses últimos dois anos, um clima de ódio que tem se instaurado. Basta ver, comentários em páginas de portais de noticias no facebook, onde pessoas em prol de "manifestar sua opinião", colocam para fora todo o ódio sentido por determinada minoria.

Enfim, esse ódio congregou para que um fundamentalista assumisse o poder, e logo criasse um estado de repressão com todos aqueles que não estavam de acordo com as ideias do ditador. A cada inicio de capitulo, Novello faz uma reflexão, que mais parece com a nossa realidade, e não com a ficção criada por ele. É como se o Brasil estivesse entrando em uma distopia, assim como a história de "Submissão" escrita pelo francês Michel Houellebecq

O Brasil começou a se tornar um país fundamentalista muito antes do Escolhido se candidatar a presidente. Quando ele era apenas um deputado bagunçando a Comissão de Direitos Humanos: "Uma hora esse cara desaparece". Quando ele assumiu a presidência da Câmara dos Deputados, todo mundo falou: "Exposto dessa maneira, logo ele é investigado e desaparece". (...) E assim, servindo aos propósitos daqueles que financiavam, ele se tornou presidente" (p. 336 - Prova do livro, passível de mudança).


Nesse estado fundamentalista, livros foram proibidos, grupos de extermínios, como a Guarda Branca, foram criados e o ódio se perpetuou, a tal ponto que crimes contra as minorias eram logo esquecidos.

E nesse Brasil, Chuvisco e seus amigos tentavam fazer a diferença. Esse grupo é uma espécie de "Friends" revolucionários. Divertidos, alegres, diversos. Não existe outra definição para eles. É possível ver personagem gay, bissexual, heterossexual, trans, negra e também religiosa. Eles se completavam, eram mais que amigos, eles se tratavam como irmãos em uma grande família.

Ao longo do livro a situação começa a se complicar, especialmente quando Chuvisco subindo pela Augusta em um dia qualquer, se depara com uma cena que chocaria qualquer pessoa (ou não). Uma pessoa estava apanhando muito dos milicianos da Guarda Branca. Ele, vendo aquela situação cruel e apesar de ser bem safo, sofre danos, e vai parar no hospital todo quebrado. Vale ressaltar, que No momento que ele tenta defender o jovem que estava apanhando ele teve um surto, no qual ele se achava um super-herói. O seu analista denominou isso de "Catarse Criativa". Isso porque, toda vez que Chuvisco se sente vulnerável, ele tem essas alucinações.

A partir da saída de Chuvisco do Hospital, vemos ele e seus amigos cada vez mais próximos. Alguns se pegam, outros trocam farpas, saem juntos, enfim, é um "grupão de amigos da porra". E se desentendimentos acontecem, e vai acontecer, eles dão sempre um jeito de conversarem, colocando tudo em pratos limpos e a amizade se fortalece.

Em meio a tanto ódio, o Governo do "Escolhido" (palavra propriamente escolhida) criou um pacto de convivência, para que as "minorias" calem a boca por uns tempos, porém, existe muita desconfiança sobre essa regra. Primeiro porque a Guarda Branca continua atacando e segundo que fundamentalistas tem objetivos bem traçados no sentido de querer acabar com as minorias. Porém, nesse processo, os grupos sociais marginalizados começaram a se agrupar, pronts para fazer um grande protesto. Aí, Ninguém sabe o que pode acontecer.

Eric Novello conseguiu trazer muito bem elementos de nossa realidade para essa história, de criar um clima que deixa em dúvida o que é real e ficção. Até porque muitos relatos apresentados conseguimos rapidamente buscar em nossas referências sobre determinadas situações. Claro, por vezes exacerbada, tipico de uma distopia, porém sem deixar o seu aspecto de verosimilhança.

Além disso, o autor conseguiu, por meio do grupo de amigos dá um tom um pouco menos cruel a história, criando situações de extrema empatia com vários personagens. Alias, confesso a vocês que vi um pouco de Pedro em mim (sem a parte da beleza, hehehe), mas a sua forma decidida e de articular as situações e sempre colocar os amigos em primeiro plano (no meu caso, namorado também). Enfim, é difícil você sair dessa história sem se apegar com um dos amigos de Chuvisco (ou o próprio).

Passando da página 200, quando os alicerces da história já foram criados é difícil você não querer ler numa tacada só. Os acontecimentos vão se tornando cada vez mais grandiosos até o grande clímax da história. Alias, uma coisa que eu gostei bastante aqui, foi o final, no qual o autor poderia facilmente ter terminado antes e feito outros livros. Mas graças a alguém superior, ele não entrou na síndrome da trilogia e encerrou na medida, onde 2/3 do copo é bonito, e 1/3 é dolorido. O que seria óbvio já que estamos falando de uma ditadura fundamentalista.

Jovens e adultos esse livro é especialmente para vocês, para as reflexões sobre o Brasil, sobre os caminhos que estamos seguindo e o cuidados que devemos ter para não instaurar uma outra ditadura em nosso país.

Ninguém Nasce Herói deixa uma semente em nossos corações sobre como combater o ódio. as escolhas? Quem irá fazer somos nós. Aí vai de cada um, se juntar a "estupidez humana" ou a "resistência" de um país que está a um passo de seguir esse caminho. Fundamentalista e retrogrado.



site: https://sobreosolhosdaalma.blogspot.com.br/2017/06/resenha-ninguem-nasce-heroi-eric-novello.html
Sofi 03/09/2017minha estante
Comecei meu blog agora, se importa de dar uma olhada e postar seu opiniao?
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Julia G 04/01/2018

Ninguém nasce herói
A realidade de Ninguém nasce herói é absurdamente assustadora, mas, infelizmente, parece cada vez mais possível. Afinal, o que impede o nascimento de um governo totalitário baseado em um fundamentalismo religioso no país quando os extremos estão tão exacerbados? O ódio, afinal, está por toda a parte, gratuito e irracional, contra todo aquele que não se enquadra num "padrão" aceitável. Foi essa a razão que me levou a escolher o livro para leitura e Eric Novello conseguiu criar um enredo bem amarrado e rico, cuja realidade, embora não esteja concretizada, poderia ser real um dia.

O protagonista da trama, Chuvisco, sente que está fazendo sua parte para mudar o mundo ao distribuir livros banidos pelo governo. Quando ele encontra um garoto atacado por uma das milícias urbanas incentivadas pelo governo, sabe que a única coisa certa a fazer é salvá-lo. Chuvisco percebe, então, que distribuir livros pode não ser suficiente para mudar o país, mas qual será o preço disso? Colocar seus amigos e a si mesmo em risco pode resolver as coisas?

"A verdade é que ninguém nasce herói.
Mas isso não nos impede de salvar o mundo de vez em quando."

Narrado em primeira pessoa, o livro traz questionamentos importantes sobre aderir a um sistema em que não se acredita por medo e a coragem de enfrentar as injustiças, ainda que seja por pequenos gestos. A forma como o autor construiu a aura de medo que os personagens enfrentam foi meticulosa, tanto que consegui sentir a tensão como se estivesse naquele momento político, e a crítica velada sobre as pessoas que fingem não ver as atrocidades para se protegerem se assemelhou bastante às demais ditaduras que já vivenciamos no país.

Em minha opinião, o aspecto político do livro foi seu ponto alto, pois trouxe reflexões relevantes sobre opressão, violência, preconceito e a inversão do papel do Estado, que ao invés de defender e proteger, agride seus cidadãos. Aliás, a realidade do livro não difere tanto assim do que o país vivencia hoje, mas mostra quão pior pode ser se deixarmos intolerantes ocuparem papéis tão importantes no poder.

Outro ponto interessante da leitura e que foi bem trabalhado pelo autor foi a diversidade de seus personagens. Gays, negros, transexuais, todos estavam representados no livro e o mais fascinante sobre isso é que o autor conseguiu inseri-los sem pender para um lado preconceituoso nem caricato. Eram pessoas comuns, pessoas incríveis, e, na verdade, o que menos importava neles era como aparentavam ou suas opções sexuais.

Meu único problema durante a leitura foram as catarses criativas de Chuvisco. O personagem sofre de algum tipo de distúrbio em que confunde fantasia com realidade e, nos momentos mais tensos da trama, a catarse tomava grandes proporções, a ponto de o garoto narrar os acontecimentos como se fosse um super-herói com armadura e tudo o mais. O fato de essas fantasias acontecerem somente na mente de Chuvisco torna a trama confusa, pois ele descreve situações que não acontecem de verdade. Em alguns pontos, é difícil distinguir o que é realidade ou não - e eu entendo que essa confusão aconteça também na mente do personagem -, mas isso tornou a leitura cansativa para mim a ponto de eu levar dias para concluir um único capítulo. Sei que essa característica do personagem teve relevância para sua construção e para o enredo, mas, no meu caso, foi o grande problema do livro, e sinto que teria gostado muito mais sem esses momentos fantasiosos.

Ninguém nasce herói, apesar de confuso em alguns momentos, foi uma boa leitura, que mostrou a importância de lutar por aquilo em que se acredita e que não é preciso ter grandes poderes para ser herói na vida de alguém.

site: http://conjuntodaobra.blogspot.com.br/2017/12/ninguem-nasce-heroi-eric-novello.html
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gabiberries 28/08/2017

Literatura brasileira jovem e de qualidade
Esse é um livro que se passa em um futuro distópico, mas é incrivelmente atual. Tanto nas questões de racismo, preconceito, justiceiros que se põem acima da lei e etc, quanto nas referências à cultura pop e ao próprio estilo de vida dos personagens, que curtem ficar em casa assistindo série e fazem vídeos pra internet.
Os personagens são um show de diversidade, é realmente prendem a atenção. Tenho ansiedade então me identifiquei muito com o protagonista, e acredito que os momentos confusos do livro (tipo ele está alucinando? imaginando? vivendo?) são propositais, pois há uma confusão muito forte dentro dele e, como ele é o narrador, nada mais justo que ficarmos confusos junto com ele. Uma passagem em que ele sente pânico no chuveiro me deixou emocionada de tanto que me identifiquei.
Eu gostei do ritmo como as coisas acontecem. Não é super rápido, que fica irreal, nem super lento, que fica chato. É bastante realista, consigo ler o que se passa pela cabeça do Chuvisco e me identificar com sua linha de pensamento.
Recomendo muito este livro pois é um tipo de literatura brasileira que não é tão comum ainda, mas merece espaço para crescer. Parabéns ao autor :)!
Sofi 03/09/2017minha estante
oi, adorei sua resenha, e tambem achei o livro incrível.Voce se importa de dar uma olhada na postagem que fiz sobre ele no meu blog?
desde ja agradeço https://meianoiteestrelada.blogspot.com.br/




criscat 10/12/2017

Extrapolando os acontecimentos dos últimos anos aqui no Brasil, a história se passa em um futuro em que o fundamentalismo religioso subiu ao poder, lembrando um pouco Michel Houellebecq, em Submissão. Mas, diferente de Houellebecq, que foca mais nas consequências sócio-política de um evento assim, Novello se concentra nas pessoas. Suas ações e reações, seus pensamentos, seus ideais e objetivos, suas esperanças. E é pelos olhos de Chuvisco, o narrador-protagonista, que acompanhamos tudo.

site: http://www.cafeinaliteraria.com.br/2017/07/18/ninguem-nasce-heroi/
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@livrosmundofantastico 07/05/2018

Uma Distopia do mundo Real
O Presidente anuncia pacto de Convivência hahaha ..... Quando O Escolhido ganha a Presidência o Brasil vira um caos, pessoas de culturas, gêneros, cor, raça... Acabam sendo perseguidos, quando são encontrados estão machucados ou mesmo desaparecem sem deixar vestígios. ONGs que acolhem pessoas que são contra o governo e LGBT também são alvos.

Mas Chuvisco junto com seus amigos Amanda, Cael, Gabi, Pedro e Dudu não vão ficar de braços cruzados e ver o país desmoronar.

Uma distopia que fala do mundo real, no momento da leitura pude refletir que não vivemos diferente estamos de mãos atadas para o que está acontecendo. Sai da zona de conforto lendo esse livro e super indicado a leitura mas precisam estar preparados. Daria uma ótima adaptação!
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06/09/2017

Ninguém Nasce Herói - Eric Novello
Sobre o livro

O Brasil é um pais fundamentalista, comandado por um presidente conhecido como O Escolhido. Ele promete transformar o pais em um lugar “melhor” para a família brasileira. Mas o que realmente está acontecendo é que o pais está vivendo um clima de ditadura, pois até alguns livros foram tirados de circulação por conter conteúdo "imoral" de acordo com o presidente.

Mas o problema maior está na perseguição que diversas minorias estão vivendo. A Guarda Branca, uma milícia urbana, que é motivada pelo discurso retrogrado do governo, persegue e espanca gays, negros, trans, ateus e qualquer pessoa que não concorde com os conceitos religiosos do Escolhido.

Sair na rua pode ser algo perigoso e ir contra o governo é assinar o atestado de óbito. Mas mesmo com todo esse clima de tensão, Chuvisco e seus amigos, jovens começando a vida adulta e tentando achar seus lugares no meio dessa confusão em que o pais está vivendo, decidem distribuir, como forma de protesto, em praças da cidade, livros que foram censurados. Mesmo após o Pacto de Conveniência ser decretado no país, a liberdade de expressão pode ser somente uma farsa.

Um dia, ao voltar de uma festa pela manhã, Chuvisco vê membros da Guarda Branca espancando um garoto. Imediatamente, ele tenta ajudá-lo, porém também sai muito machucado. Depois do ocorrido, Junior, some sem deixar rastros, e agora Chuvisco não vai sossegar enquanto não encontrá-lo.

Entre busca por noticias, atos de protesto e a tentativa de de viver tranquilamente em um Brasil completamente em caos, Chuvisco e seus amigos vão descobrir que terão que ir além da distribuição de livros para lutar por um país melhor e mais justo.

Minha opinião

Acompanhamos a narrativa pela visão de Chuvisco. É nesse personagem que o autor inseriu uma espécie de esquizofrenia, durante a história há vários episódios do que o protagonista chama de Catarse Criativa. Esses momentos são inseridos em acontecimentos-chave da história, em que Chuvisco encontra-se vulnerável e/ou precisa encontrar forças para enfrentar algum problema, então ele imagina-se como um super-herói. Essa mistura de real e imaginário pode ser um pouco confusa no início da leitura, mas flui naturalmente depois que passamos a compreender o modo que essas crises funcionam.

O autor inseriu dois recursos que ajudam a compreender o que se passa na cabeça de Chuvisco, os e-mails que ele enviou para seu ex-psicanalista, dr. Charles, e alguns dos vídeos do canal que ele tem no YouTube, o Tempestade Criativa. Apesar de toda a história ser um pouco lenta, sem acontecimentos cheios de ação, a escrita do Eric é simples e fluida. Eu li o livro super rápido.

Além de Chuvisco, os personagens secundários foram muito bem desenvolvimentos, todos têm uma luta pessoal para contar. Um grupo muito unido, que encara a sexualidade de uma maneira bem aberta, formado por pessoas bem diferentes umas das outras. Acompanhamos o dia a dia dos amigos e a dedicação deles para ajudar e melhorar o país com os recursos que estão disponíveis a eles. Foi nesse núcleo da história que Eric tentou dar um tom mais tranquilo enquanto abordada um assunto tão pesado como a política.

Mesmo com a intenção do autor em escrever um livro para o público mais adolescente, trazendo personagens jovens, que estão em uma época da vida de incertezas e decisões, tentando descobrir seu papel em um país em guerra, Eric não conseguiu deixar o livro muito leve, porque quando falamos em política e em religião, o assunto naturalmente fica mais pesado. Acredito que foi o que aconteceu com o livro, pois mesmo com cenas mais descontraídas, o "problema" do Brasil estava sempre no ar em clima de tensão.

Em um país onde as notícias chegam em segundos, alimentam o ódio e são rapidamente esquecidas, Eric faz uma crítica que ultrapassa problemas políticos, alcançando também àquelas pessoas que lutam por seus ideais com agressividade, influenciadas por conceitos conservadores, que não pertencem a realidade do mundo no qual vivemos.

Esse livro pode não ser cheio de ação ou de acontecimentos chocantes, mas aborda um assunto muito atual e mostra uma realidade que pode não estar tão distante assim. Uma história que choca pela semelhança com uma época em que nossos pais e avós viveram e que assusta por "profetizar" um futuro que pode não estar a nosso favor.

Ninguém nasce herói é um livro surpreendente, que confirma a teoria de que independente de quem esteja no poder, suas ideias sempre terão adeptos. E isso pode ser muito perigoso. Por isso, leia e distribua este livro na rua!

site: http://www.lelendolido.com.br/2017/07/resenha-97-ninguem-nasce-heroi-eric.html
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Cristiane 05/12/2017

“A verdade é que ninguém nasce herói.
Mas isso não nos impede de salvar o mundo de vez em quando.”

Eu ainda não conhecia o livro e nem o autor, e fiquei bem surpresa e impressionada com a qualidade da escrita dele. A principio, não sabia muito o que esperar da leitura, pois, mais uma vez não li a sinopse, porém o título do livro me deixou bem curiosa, e já adianto, o nome do livro não é por um acaso, vai ter um grande significado em certo momento.
Vamos conhecer o Chuvisco, ele é um garoto que mora sozinho em São Paulo, trabalha com tradução de textos e se formou recentemente em Letras. O garoto tem quatro grandes amigos e são eles Pedro, Cael, Amanda e Gabi.

Chuvisco e seus amigos estão vivendo em um momento bem difícil no país, onde a liberdade tem sido controlada, discutida e combatida a todo o momento e o ódio impera em todo o lugar. O Brasil está sendo governado pelo “Escolhido”, e digamos que ele entrou no governo da mesma forma que prevejo que possa acontecer daqui há alguns anos em nosso país. O “Escolhido” tem a força da classe fanática religiosa e dos fanáticos que zelam pela moral e bons costumes, então o que podemos esperar dessa combinação, infelizmente, é a repressão, preconceito e intolerância.

O começo do livro eu achei incrível, me conquistou. Chuvisco, Cael e Amanda se encontram na Praça Roosvelt, no centro de São Paulo para distribuir livros para as pessoas que vão passando pelas ruas, rumo aos seus trabalhos ou até mesmo voltando para casa. Mas, como seu disse, o momento não é muito favorável e logo os três são surpreendidos por dois policiais que pedem para que eles parem de fazer aquilo. Sim, distribuir livros, significava uma afronta ao governo, portanto, passível de prisão ou até mesmo de uma bela surra por parte da polícia.

Depois do acontecido, eles combinam de se encontrar no Vitrine, um bar onde eles sempre costumam ir, mas essa ida até o local, faria com que Chuvisco passasse por algo que ele não esperava. Depois de uma noite agradável, apesar da presença de Dudu, que Chuvisco tinha uma antipatia antiga pelo garoto, ele decide ir para casa, ao subir a Rua Augusta, um local bem conhecido aqui em São Paulo, por ter várias baladas, bares, restaurantes e pessoas de todos os tipos, Chuvisco retrata o local também dessa mesma forma mas não há tantos locais abertos, muitos foram fechados, mas para a sua infelicidade ele se depara com a Guarda Branca agredindo uma pessoa e o garoto consegue intervir, enfrentar e salvar a vítima. Nessa aventura, Chuvisco tem uma catarse criativa, que se trata de misturar a realidade e a imaginação bem criativa do garoto, fazendo ele ver e imaginar que estão acontecendo coisas que não são possíveis, mas ele acaba acreditando que aquilo é verdade. A pessoa que Chuvisco salva é um garoto chamado Junior que desaparece depois dos dois já estarem em um lugar seguro.

A partir disso, vamos conhecer Chuvisco ainda melhor e como foi que ele descobriu que ele tinha catarses criativas. Quando ele começa a se entender melhor, controlar suas crises começou a se tornar mais fácil, mas como fazia anos que ele não tinha nada do tipo, ele fica preocupado e percebe que precisa de ajuda novamente.

Chuvisco tem um canal de vídeos chamado Tempestade Criativa onde posta vídeos sobre suas experiências de vida e suas crises de catarse criativa. Gravar os vídeos ajudou e muito ele a superar e aprender a se controlar nos momentos de crise. O garoto tinha muitos problemas com os pais, por isso mora sozinho, mesmo que para isso tenha que passar algumas dificuldades financeiras.

“- Você precisa reaprender a se divertir, Chuvisco – Letícia fala, notando minha cara de derrota – Ser feliz também é uma forma de protesto.”

O livro é recheado de críticas políticas e encontramos vários personagens que assim como Chuvisco não aceitam como a sociedade lida com as diferenças. O garoto começa a ficar bem interessado em um grupo rebelde chamado de Santa Muerte que luta para tentar derrubar o governo. A guarda branca que eu citei anteriormente se trata de pessoas que se juntaram para fazer justiça com as próprias mãos, mas ao contrário do Santa Muerte, eles atacam pessoas comuns que não seguem a moral e os bons costumes. A pior parte é que a guarda branca tem apoio de uma boa parte da população que estão do lado do “Escolhido”.

“Um grupo de encapuzados passou a agir “em nome da justiça divina”. Da mesma forma que os justiceiros de outrora a Guarda Branca julgava, condenava e punia de acordo com seus próprios critérios.”


Eu recomendo muito a leitura, para quem como eu gosta de livros que tratam de política, vai gostar e muito. Principalmente por conta da história se passar no Brasil especificamente em São Paulo, o que me deixou ainda mais empolgada, pois o livro cita lugares que eu consigo imaginar claramente, pois eu moro em São Paulo.


site: http://www.sugestoesdelivros.com/2017/11/resenha-ninguem-nasce-heroi.html#.Wic_-VWnHIU
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Desireé (@UpLiterario) 28/10/2017

Quando o ódio é a lei. (@UpLiterario)
Embalado pela cena política atual e, principalmente, pelas divergências de opinião que levam amigos à inimigos, textões no facebook, brigas em família e discórdia geral, Eric Novello traz uma bela distopia contemporânea nacional, enraizada nas ruas e becos de São Paulo.
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Após o colapso da situação política nacional, o Escolhido assume a presidência do país, com mãos de ferro e uma guarda fortemente armada, espalhando o caos e o ódio às minorias e dissidentes. Os divergentes são presos ou "desaparecem" da noite para o dia e o medo é uma sombra constante que se perpetua pela cidade e por todo o país.
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Chuvisco é jovem recém-formado, que trabalha como tradutor, e nas horas vagas distribui livros proibidos pelo governo nas ruas de São Paulo. Como se não bastasse o caos e a opressão política armada, o garoto tem uma imaginação mais fértil do que o normal e sofre do que chama de "catarses criativas", espasmos entre o real e o imaginado, que distorcem a realidade e o fazem ver, sentir e vivenciar coisas que estão apenas em sua cabeça. Podem ser borboletas coloridas, origamis com vida ou, ainda, personagens de HQ de carne e osso. É a sua forma de fugir da realidade sombria, que embelezam a história, mas a deixam com um ar mais juvenil do que o esperado.
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A escrita de Eric é poética, leve e descreve com maestria situações cotidianas - e outras nem tão cotidianas assim, com um certo brilho, dando toques de ironia e curiosidade à voz de Chuvisco e tornando o mais crível possível as suas catarses criativas.
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Classifico Ninguém Nasce Herói como distopia, pois aqui temos um governo autoritário e opressor, mudanças de paradigmas, medo e violência, elementos base de uma boa distopia.
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Sem expressar qualquer opinião política pessoal, destaco apenas que gostei da forma como o autor abordou e extrapolou a situação política do Brasil, destacando a violência, o preconceito, o racismo e a homofobia.
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"Ser feliz também é uma forma de protesto".
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Recomendo!

site: www.instagram.com/upliterario
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Gisele @abducaoliteraria 07/09/2017

Precisamos falar sobre Ninguém Nasce Herói
Num Brasil futurístico, o país vive uma ditadura fundamentalista, governada por um fanático religioso denominado como O Escolhido, que rege com o discurso de elevar os valores da família tradicional. A liderança do Escolhido incitou o ódio de grupos extremistas, que procuram fazer justiça com as próprias mãos àqueles que ameaçam à conduta imposta pelo presidente.

Com isso, quem sofre são as classes de minorias sociais, que não perdem só a liberdade de expressão, mas também o direito de viver.

Nessa história, acompanhamos o cotidiano de um grupo de amigos que, aos trancos e barrancos, se refugiam uns nos outros para tomar fôlego diante de uma realidade caótica, encontrando forças para resistir, lutar, e por que não, se divertir. Afinal, "viver bem é a melhor vingança".

Chuvisco, a quem somos agraciados pelo seu ponto de vista, é um tradutor que vive na cidade de São Paulo, e ao seu modo, junto com alguns outros amigos, tenta fazer a diferença através de pequenos atos de manifestação e ousadia, distribuindo livros que foram banidos pelo governo em espaço público, para incentivar a leitura, e talvez, despertar em outras pessoas o sentimento de fazer a diferença também. Esse ato na hora me lembrou da famosa frase de Castro Alves, "Bendito aquele que semeia livros e faz o povo pensar".

Uma das coisas mais interessantes da história foi o desenvolvimento dos personagens. A diversidade dos protagonistas e a forma como ela foi abordada foi plausível. Nada forçado, mas sim natural, como as coisas realmente são.

O meu favorito foi o Pedro, acho que porque me identifiquei bastante com ele em diversos momentos.

Por outro lado, não poderíamos ter acompanhado melhor a história do que através do ponto de vista de Chuvisco, que é um personagem extremamente interessante. Ele tem um transtorno que é denominado como catarse criativa, que diante de uma situação difícil, cria uma realidade paralela, uma dimensão as vezes pior e mais cruel, fazendo com que a realidade não pareça tão ruim assim.

Não é uma característica exclusivamente negativa. Quando necessário, é através das catarses que Chuvisco se fortalece, veste sua armadura e encontra coragem para enfrentar os seus inimigos.

Os surtos de Chuviscos absolutamente constantes na história dão uma característica diferente pra ela, você vê os acontecimentos aos olhos de Chuviscos, cheios de imaginação - hora assustadoras, com gigantes de aço que chegam para te esmagar, hora lindas e delicadas, com borboletas coloridas e cintilantes. Porém, ele precisa ser forte para lutar contra os surtos e não perder a noção do que é ou não real. Os momentos de maior tensão que Chuvisco mescla a realidade com as catarses são espetaculares, um jeito extremamente peculiar de se ver e interpretar as coisas. Particularmente, foram minhas partes favoritas do livro.

Voltando a falar dos outros personagens, eu me apeguei tanto a eles que me vi desejando fazer parte daquele grupinho de amigos, abraça-los, incentivá-los com mensagens de esperança, lutar ao lado deles e prometer que tudo ficaria bem.

A história nos mostra o cotidiano difícil de pessoas comuns como nós enfrentam. Sempre lutando, acrescentando pequenas vitórias, adquirindo ainda menos de esperança, mas o suficiente para tomar fôlego e continuar. São essas lutas e vitórias que fazem deles heróis do dia a dia.

"A verdade é que ninguém nasce herói. Mas isso não nos impede de salvar o mundo de vez em quando".

Em alguns momentos, o livro foi assustador. É incrível a relação de alguns acontecimentos terríveis com a realidade em que a gente vive. A princípio, parece que estamos vivenciando uma grande regressão, mas os temas e as dificuldade são absolutamente atuais. E infelizmente, no decorrer da história, você nota que ela não se trata de um futuro tão distópico assim.

Esta é a primeira história que leio do Eric Novello. Eu me empolguei bastante com a premissa, obviamente por causa da situação que vivemos no nosso país. Mas eu não imaginava nada do que estava por vir e a avalanche de sentimentos que ela me trouxe me pegou totalmente desprevenida. É uma história com uma carga emocional gigante. Fiquei com a garganta apertada em diversos momentos, olhos encharcados, e no final, depois de me segurar muito, não deu outra, me acabei em lágrimas.

Ninguém nasce herói apresenta nuances sobre amizade, empatia e esperança. A minha opinião é que todo mundo deveria ler esse livro. Ele te toca lá no fundo, te passa mensagens sutis e também brutas, mas que são fundamentais.

Me encantei com a escrita do autor. Quase acabei com um bloquinho de marcador fazendo um montão de marcações. Quando cheguei até a última página, depois dos agradecimentos (viu, Eric?), eu queria mais! Até então conhecia o trabalho do Eric Novello apenas através de suas traduções, mas agora, necessito conhecer mais histórias dele.

Um adendo muito importante sobre a capa desse livro. E L A É S E N S A C I O N A L! Além de ser linda, retrata a ideia do livro de forma brilhante. Amei e amei!

site: http://abducaoliteraria.com.br/
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Tamy 21/03/2018

O timing desse livro é impressionante. Num momento político tão complicado, é até um pouco chocante ver tantos dos nossos medos impressos no papel.

O livro não é tanto uma distopia quanto é um cautionary tale (conto de advertência, em tradução livre), uma expressão usada para classificar histórias em que coisas ruins acontecem e que podem ser usadas como advertência para o futuro. Um dos contos de advertência distópicos mais famosos é O conto da aia, de Margaret Atwood (que toda mulher deveria ler). Em Ninguém nasce herói, Eric Novello nos avisa dos perigos de misturar religião e política e de como a ascensão de certos grupos religiosos ao poder é nociva para a sobrevivência de pessoas que fazem parte de grupos minoritários.

Imagine que um político que passava despercebido consegue chegar à presidência e implantar uma série de medidas que agradam grupos de fanáticos religiosos mas que dificultam a vida de mulheres, negros e LGBTs. Imagine que é implantada uma ditadura não-oficial e que pessoas são sequestradas, espancadas e mortas por uma milícia que tem o aval do governo. Imagine que certos livros são proibidos e o simples ato de distribuí-los pode te levar para a cadeia. É nesse cenário de medo e incerteza que somos jogados logo nos primeiros capítulos.

Chuvisco e seus amigos compõem um grupo étnica e sexualmente diverso que, apesar de pequenos atos de rebeldia (como distribuir livros proibidos), tenta passar despercebido pelos agentes do governo. O que fica muito mais difícil quando Chuvisco vê um grupo espancando um rapaz e intervém, o que já seria encrenca o suficiente se ele não tivesse catarses criativas. As catarses são episódios em que ele se desconecta da realidade e sua imaginaão se sobrepõe, fazendo com que ele tenha alucinações extremamente realistas. A busca pelo rapaz depois do incidente vai fazer com que ele repense seu papel nesse cenário político ao mesmo tempo em que tenta ter um controle maior sobre as catarses.

A procura pelo rapaz que ele conheceu num momento de horror esbarra tanto na existência de um grupo de oposição (a Santa Muerte) quanto nas personalidades de seus amigos, que tentam protegê-lo e ajudá-lo, cada um à sua maneira. É interessante ver como os temperamentos distintos fazem eles reagirem de forma conflitante, apesar de verossívil, ao que acontece com o protagonista. Meu personagem favorito é o Pedro, tanto pelo carisma quanto pela paixão com que ele reage aos acontecimentos (suspeito que ele seja do mesmo signo que eu).

A leitura do livro é rápida e interessante, apesar de algumas passagens não serem exatamente agradáveis. O sentimento que fica é de que a gente precisa se mobilizar pra não deixar o livro acontecer, de que essa história existe pra que a gente aprenda a combater o que ela representa.




site: disponível em detudoumpouquinho.com
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Vanessa Vieira 22/10/2017

Ninguém Nasce Herói - Eric Novello
O livro Ninguém Nasce Herói, do carioca Eric Novello, nos traz uma história bem articulada e original, tecida com um toque de crítica social um tanto quanto interessante e válida. Com personagens bem estereotipados e que lutam com cada fibra do seu ser por aquilo que acreditam e desejam, o romance de Eric Novello se mostrou uma leitura incrivelmente inteligente e edificante, além de ser repleta de analogias.

A história se passa em meio a uma sociedade marcada pela violência e governada pelos punhos de ferro do Escolhido, um fanático religioso que chegou à presidência e dominou o congresso através de diversas manobras políticas. Estimulando uma série de grupos de ódio aos negros, homossexuais, transsexuais, praticantes de seitas e religiões afro-descendentes, dentre outros estereótipos distintos, o mundo se tornou um verdadeiro cenário de caos e destruição. Depois de meses de uma verdadeira massificação do terror, o presidente decide assinar o Pacto de Convivência, que decreta o fim da perseguição às minorias e defende o direito à liberdade de expressão dos opositores. Por meio de seu porta-voz, o presidente alega que o pacto é um ato de boa fé, que pretende restabelecer a paz e dar voz ao time oposto.

Entretanto, o documento é assinado em meio a um clima de descontentamento entre os brasileiros, que estão indignados e recuados pelos grupos extremistas devido às ameaças constantes de violência física e verbal. O que ninguém consegue ainda supor é se o Pacto de Convivência realmente se trata de uma mudança de postura do governo ou apenas de uma manobra de marketing obscura do Escolhido, com um propósito ainda mais sombrio...

É é neste cenário pavimentado de fanatismo e terror que conhecemos Chuvisco, um jovem recém-formado que mora em São Paulo e trabalha como tradutor. O que poucos sabem sobre Chuvisco é que ele sofre de catarses criativas que o levam a imaginar coisas e fatos que não existem de verdade e o fazem mergulhar a fundo dentro de sua própria imaginação. Com a ajuda de um psicanalista chamado Dr. Charles, o jovem consegue contornar suas catarses o máximo possível, entretanto com o declínio da situação política do país, suas crises surgem com força total e cada vez mais vorazes.

Tal como uma pequena minoria, Chuvisco não acredita nas tais ideias pacificadoras do Escolhido e assiste cada dia mais a repressão aumentar, a ponto de presenciar um garoto transsexual ser espancado violentamente na rua. Ele o ajuda e depois disso, o destino dos dois nunca mais se cruza. Chuvisco não consegue tirar o garoto da cabeça e faz de tudo para reencontrá-lo e acaba descobrindo o seu nome, Júnior. Em meio às suas procuras por Júnior, ele acaba conhecendo um grupo de mídia opositor ao Escolhido, o Santa Muerte, que grava vídeos denunciando a violência policial e a corrupção do governo. O jovem tradutor sente o desejo de participar, mas hesita ao suspeitar que eles estão se preparando para um confronto armado.

Enquanto Chuvisco e seus amigos tentam seguir com suas vidas, ao mesmo tempo em que lidam com as complicações e dramas da juventude, acabam se vendo frente a frente com um cenário extremista e violento e decidem assumir seus próprios papéis frente ao caos instaurado e tentar modificar o país na medida do possível. Nem a fantasia e o poder da imaginação são capazes de proporcionar um escape da dura e cruel realidade e os heróis podem estar em qualquer lugar, onde menos suspeitamos...

Ninguém Nasce Herói foi uma leitura que me ganhou do começo ao fim graças ao seu teor realista e repleto de analogias. É impossível não ler o livro e não comparar a história criada por Eric Novello com o que presenciamos nos tabloides e veículos de comunicação e, muitas vezes, até mesmo ao vivo e à cores. A violência caminha entre a humanidade com unhas e dentes e mostra a sua face a cada esquina, a cada instante. Infelizmente, muitas religiões que deveriam pregar o maior mandamento ensinado por Jesus, "Amai-vos uns aos outros como Eu Vos tenho amado", pregam o ódio e discursos inflamados contra aqueles que se diferem da massa e rotulam de pecado tudo aquilo que é diferente e em sua mente estreita não podem compreender. Narrado em primeira pessoa por Chuvisco, somos absorvidos para o seu mundo sórdido e presenciamos todos os sentimentos do personagem em meio ao caos instaurado em seu mundo, bem como os seus devaneios e pensamentos sobre o que lhe acontece.

Conhecer Chuvisco me remeteu não só aos tempos atuais como a também aos jovens de outrora que lutaram avidamente pelo direito à democracia brasileira durante a época da ditadura militar. Ele é inteligente, perspicaz, guerreiro, justo e tem uma sensibilidade ímpar, o que o tornou um personagem humano e quase que palpável. Entretanto, confesso que suas catarses criativas acabaram me deixando um pouco confusa, visto que em muitas vezes, soaram extravagantes e fantasiosas demais.

"Ninguém quer sentir medo ao andar na rua. Ninguém quer ser escorraçado, agredido. Ninguém quer sair de casa sem ter a certeza de que vai voltar só porque pensa ou age diferente. Mas, se gigantes de aço descem dos céus dispostos a te esmagar, a única maneira de sobreviver é reagir, empurrá-los de volta. A verdade é que ninguém nasce herói. Mas isso não nos impede de salvar o mundo de vez em quando."

O círculo de amigos de Chuvisco, formado por Gabriela, Cael, Amanda e Pedro tem personalidades bem semelhantes ao protagonista. Eles batalham e lutam por aquilo que acreditam ser o certo e não hesitam em proteger os oprimidos. Gabriela, inclusive, participa ativamente de uma ONG que acolhe jovens homossexuais e transgêneros e realiza um trabalho voluntário muito bonito. Eles contrastam com o protagonista em um pequeno aspecto: enquanto mergulham de corpo e alma em tudo o que fazem, sem contabilizar os riscos, Chuvisco se retrai um pouco mais e mesmo sendo incrivelmente corajoso e defensor, pondera bastante antes de iniciar algo.

Em síntese, Ninguém Nasce Herói é um livro inteligente e incrivelmente original, que por meio do véu da ficção, retrata a nossa crua e nua realidade, bem como a violência desenfreada que a assola. A trama de Eric Novello também serve de alerta de que as coisas infelizmente, ainda podem ficar piores, caso a sociedade não exercite sua opinião própria e se deixe influenciar ainda mais pela massificação e por conceitos religiosos manipuladores, esdrúxulos e intrinsecamente arcaicos. A capa do livro é bem chamativa e em cores bem atraentes e na contracapa nos deparamos com a ilustração da Estátua dos Bandeirantes - um dos pontos do pano de fundo da trama, que se situa em São Paulo - e a diagramação está ótima, com fonte em bom tamanho e revisão de qualidade. Recomendo ☺

site: http://www.newsnessa.com/2017/10/resenha-ninguem-nasce-heroi-eric-novello.html
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Franklin 08/08/2017

Num Brasil onde minorias sofrem agressões sancionadas, Chuvisco enfrenta como pode as injustiças perpetuadas por uma sociedade incapaz de aceitar aqueles que são diferentes.

Ninguém Nasce Herói se passa em um cenário fictício, mas que é desconfortavelmente próximo da realidade. Repressão policial e milícias urbanas guiadas por preconceito e fervor religioso são lugar comum, fruto da subida ao poder de um presidente fundamentalista.

Trata-se, para todos os efeitos, de uma distopia. Entretanto, Novello não cai na armadilha comum das histórias do tipo: a de focar apenas na opressão, a um ponto quase inverossímil. Há um balanço de normalidade com despotismo que deixa tudo vivo e marcante. Interpondo momentos de tensão com a rotina de um grupo de amigos que acima de tudo busca manter um mínimo de normalidade num ambiente de violência arbitrária, o texto desenvolve com facilidade os personagens em relacionamentos de credibilidade considerável. De personalidades bem definidas e anseios compatíveis com a realidade em que vivem, Chuvisco, Cael, Amanda, Gabi, Pedro, Dudu, Júnior, entre outros, são indivíduos com uma luta em comum com a qual é fácil de encontrar identificação. O autor anuncia que o grupo é próximo, e prova a afirmação mostrando a relação deles durante todo o livro com uma naturalidade honesta.

Apesar de alguns trechos com metáforas em excesso, a prosa possui uma qualidade que é tão contida quanto abrangente. Os capítulos não entram em detalhes sobre o governo fundamentalista, mas existem pistas o suficiente para que o leitor possa extrapolar os andamentos que levaram a tal quadro. Ao deixar de se aprofundar nos pormenores governamentais, o autor alcança um efeito particular: em alguns momentos, não parece que os personagens vivem numa realidade diferente da nossa. E isso é parte do ponto que é apresentado – o de que é fácil esquecer que cada absurdo político pode ser um novo degrau para o extremismo, onde nossos direitos desaparecem pouco a pouco bem na frente dos nossos olhos.

Os elementos mais proeminentes do texto são a busca e a preservação da liberdade dentro de um cenário esterilizado e intolerante. Este esforço se dá de diversas maneiras, seja pela distribuição de livros, passeatas, ou até mesmo a produção de origamis, espalhados pela cidade como uma forma de despertar a beleza sufocada. Além dos capítulos bem pautados com balanço entre agressividade e candura, eventuais referências também são feitas com bom-gosto, sem gratuidade.

Outro fator relevante nessa dicotomia entre brutalidade e delicadeza é o estado mental de Chuvisco durante o livro. O protagonista precisa lidar com as Catarses Criativas, uma condição que o leva a ter surtos com visões que funcionam como uma ampliação de sua realidade, que possuem características agradáveis, assustadoras, ou, não raro, ambas ao mesmo tempo. A intensidade das circunstâncias força Chuvisco a passar por transformações tanto psicológicas como físicas. O uso integrado dessas alucinações leva o leitor a, junto de Chuvisco, ficar incerto do que é real, pois o horror da realidade às vezes ultrapassa até a linguagem do imaginário. As questões psicológicas são parte integral do personagem, nunca funcionando como uma muleta narrativa. Tensas, divertidas e envolventes, as Catarses acentuam a experiência de forma orgânica do começo ao fim, e leitores de mentes criativas podem absorver com facilidade a ideia de expansão da realidade, mesmo que não ao nível quase literal de Chuvisco.

Devido a essa condição, Chuvisco busca manter um alto grau de controle sobre vários fatores – as catarses, seu pacifismo diante da necessidade de lutar, os limites de sua intimidade com os amigos, sua sexualidade. O desenrolar da narrativa o joga em situações onde ele é obrigado a rever conceitos e posições, e Novello leva o leitor por uma jornada que é, acima de tudo, pessoal. Os momentos de amor são sinceros e nunca fica a sensação de que estão ocorrendo para estabelecer uma possível desgraça posterior. Por conta disso, quando a angústia ocorre, ela acerta com muito mais força.

Ninguém Nasce Herói é um livro que serve como uma história de prevenção, mas que nunca deixa de mostrar aquilo pelo que vale a pena lutar.

site: franklinteixeira.com.br
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Além das Páginas 18/04/2018

"Ninguém nasce herói" é um livro composto de 30 capítulos e narrado em primeira pessoa por Chuvisco, o protagonista da história. O livro é uma distopia que se passa em um Brasil liderado por um extremista, conhecido como o Escolhido, que incita o medo e prega os valores familiares "tradicionais", incitando o ódio, o preconceito e a violência.

Com tanta repressão, surge um grupo de amigos que formam uma Resistência, determinados a viver, se divertir e não deixar que o Escolhido e seus seguidores ditem suas vidas.

"HOJE É O DIA D, o ponto G, uma letra à sua escolha em nossa luta diária contra o ódio que se instaurou no país. É triste ver o quanto as pessoas se acomodam, como a tudo se habituam, um dedo que aponto para mim também. Se tivéssemos um pouco mais de atitude e inteligência, o pior teria sido evitado."

Chuvisco faz parte desse grupo. Ele vive em São Paulo e realiza pequenos atos com o intuito de fazer as pessoas pensarem, como distribuir livros banidos. Chuvisco é um personagem complexo, que em sua narrativa deixa claro sua perspicácia e também suas peculiaridades.

Conforme a sinopse explica, Chuvisco acaba se deparando com a Guarda Branca espancando um garoto e decide intervir. A Guarda Branca é uma milícia que caça todos os indivíduos que são diferentes daqueles decretados pelo Escolhido: por exemplo, ateus e gays. Ao tentar salvar o jovem, Chuvisco se machuca e a partir desse momento, fica claro para ele que suas pequenas rebeldias são insuficientes.

A partir desse ponto ocorre uma discussão pessoal na mente do protagonista, que tem que lidar com a realidade e sua imaginação fértil e também com o dilema de se envolver mais para lutar contra a sociedade ou permanecer inerte diante dos acontecimentos.

"Ninguém nasce herói" é uma obra atemporal, apesar de se passar em um futuro distante. A trama discute assuntos como preconceito e violência, algo que observamos desde o início da humanidade e instiga ao leitor a se tornar mais pró-ativo na sociedade e não deixar que as injustiças passem despercebidas. É um livro complexo, inteligente e repleto de personagens fortes e carismáticos.

"Não devia ser tão assustador passear no parque, digo a mim mesmo. O que pode haver de ameaçador em sentar para comer e papear em frente a um lago, sob as sombras das paineiras? No fundo da cabeça, entretanto, a voz de André sussurra seu receio. O Escolhido e a Guarda Branca estão se preparando para atacar."


Carolina Durães
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