Clarice na Cabeceira

Clarice na Cabeceira Clarice Lispector




Resenhas - Clarice na cabeceira


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Marinélia 17/02/2010

Cada conto foi cuidadosamente escolhido para nos encantar!
A cada conto você vai se deparar com personagens encantadores que ficam passeando pelo seu imaginário. Não vou comentar cada conto porque tiraria o prazer da leitura, mas deixo abaixo um trecho de um conto que retrata um bebê que olha ao lado e não vê a mãe.

"E para o seu terror vê apenas isto: o vazio quente e claro do ar,sem mãe. O que ele pensa estoura em choro pela casa toda. Enquanto chora, vai se reconhecendo, transformando-se naquele que a mãe reconhecerá. Quase desfalece em soluços, com urgência ele tem que se transformar numa coisa que pode ser vista e ouvida senão ele ficará só, tem que se transformar em compreensível senão ninguém o compreenderá, senão ninguém irá para o seu silêncio ninguém o conhece se ele não disser e contar, farei tudo o que for necessário para que eu seja dos outros e os outros sejam meus, pularei por cima de minha felicidade real que só me traria abandono, e serei popular, faço a barganha de ser amado, é inteiramente mágico chorar para ter em troca: mãe.Até que o ruído familiar entra pela porta e o menino, mudo de interesse pelo que o poder de um menino provoca, para de chorar: mãe. Mãe é: não morrer..."



Graça Pires 26/02/2013minha estante
até agora é o meu preferido, este conto se chama Menino a bico de pena, é simplesmente PERFEITO.




Vinicius 02/03/2019

Clara, Clarice.
Não é possível ler Clarice Lispector, Clarice Lispector nunca é leitura mas sim experiência.
Bebety 12/08/2020minha estante
Ensinamentos para a vida.




Carol dos Anjos 14/05/2020

Clarice na Cabeceira por Carol dos Anjos
Como lidar com um ser que diz aquilo que é indizível? Que transforma as nuvens da rotina descamando-nos os olhos (quase sem querer), a ponto de roubar-lhe de si para si? Convidando-o a ver o bonito do jeito simples que se apresenta, que às vezes é inacabado. Assim como a vida inacabada é. Dureza e docilidade se mesclam em sua tessitura. Sim eu durmo com ela; Clarice na Cabeceira! Durmo ao lado de Clarice... Clarice, a Lispector. São 20 textos escolhidos e apresentados por ilustres figuras como Luis Fernando Veríssimo, Beth Goulart, Benjamim Moser e Maria Bethania. Não obedeço à regra sugerida pelo título levo o livro na mochila. E não importa onde ao folhear Clarice [na Cabeceira] sinto os derrames semânticos, os delírios léxicos, sinto-me a barata de Paixão Segundo GH, já tive inclusive um trauma ucraniano.
Bebety 12/08/2020minha estante
Uma leitura para deleite.




Katita 18/02/2010

Doce
Os contos da Clarice são sempre doces, mesmo quando tristes e engraçados. Ela consegue enfeitar todos os seus contos, dando vida e carisma a seus personagens tão comuns.
O primeiro conto - Ruído de passos - que conta a estória da Senhora Cândido Raposo, que mesmo aos 81 anos ainda sofria vertigem de viver. O conto fala sobre a morte de uma maneira doce e engraçada. Fala da sexualidade de uma maneira muito sútil. Em poucas palavras ela consegue dizer e se fazer compreender em tudo o que se lê nas linhas e o que não lê, mas que estão nas entrelinhas. Gostei especialmente desse livro. Recomendo para quem gosta de viajar e de ler contos de qualidade, recheados de sentimentos a flor da pele.
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Raquel 10/01/2011

Quando vi pra vender "Clarice na cabeceira-cronicas" comprei logo. Tinha vontade de ler os livros desta escritora tão aclamada e vi que esta era a oportunidade de um primeiro contato.

No geral, eu gostei do livro. Algumas das cronicas escolhidas eu achei bem chatas e até que ela estivesse "viajando na maionese", escrevendo coisas sem sentido (a cronica sobre Brasilia é a pior delas!) mas as demais me agradaram muito. As duas primeiras já me fizeram adorar o jeito que ela escreve, bem humorado, com uma visão bem sensivel das situações/ da realidade.

Como amostra do trabalho dela, eu recomendo a leitura deste pequeno livro. Eu,com certeza, vou manter os livros dela na minha lista de leituras futuras!
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Cíntia 12/06/2011

Um livro encantador para quem ainda não conhece as obras da Clarice, mas gosta do pouco que já leu, ou ouviu falar. Eu era apaixonada por frases da autora que lia em alguns sites que tinham sido extraídas de seus livros. Como não sabia por onde começar comprei esse livro para ver quais era suas obras que mais me despertavam interesse. Foi ótimo. Descobri que tudo que vem dela é fantástico. TEREI DE LER TODOS OS LIVROS QUE ELA PUBLICOU! Inclusive sua bibliografia! =)
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Bruno.Pacelly 08/02/2019

O título faz jus
O título dessa coleção organizada por Teresa Montero faz jus à obra. É um livro para deixar na cabeceira e degustar-se aos poucos e sempre e muito.
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Lucas Quinamo 29/09/2011

Clarice...
Ler um conto (devo chamar de Crônica), uma crônica de Clarice é afundar no cotidiano, no cotidiano que é tão particular e ao mesmo tempo tão impessoal. Sua forma de escrever fascina, mas ao mesmo tempo é também maçante em alguns pontos, devo citar o conto Brasília, que de amordaça numa chatice sem fim, descrevendo o que Brasília é ou não, se ela seguisse o simplismo punk, ela poderia simplesmente dizer que Brasília é tudo e acabar em uma linha, ao invés de dizer tudo que Brasília é ou não é.

Bom, tirando esse conto em especial, os outros são bastante interessantes, mas o melhor é ler as introduções dos contos, escritas por amigos ou conhecidos de Clarice.

Vale a pena ler se você já tiver lido tudo que há de perfeito no mundo, caso contrário, vá correndo comprar Morro dos Ventos Uivantes, que eu digo, é melhor.
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Thamires Souza 10/04/2018

"Felicidade clandestina"
"Os desastres de Sofia"
"Evolução de uma miopia".
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Carol 29/11/2011

Conhecendo Clarice
Existem escritores que são fechados, ou pelo menos tão fechados quanto a profissão permite. Contam histórias que não se ligam diretamente às suas vidas, e eu arriscaria dizer que esses são maioria. Mas Clarice Lispector, não. Clarice é amiga de longa data do leitor. Seu intimismo chega a tal ponto que não se sabe o que é romance, o que é conto e o que é crônica. Em sua crônica Amor Imorredouro, publicado no Jornal do Brasil ainda como cronista iniciante, apenas sua quarta semana na nova profissão, ela admite que suas crônicas fogem ao gênero. “Ainda continuo um pouco sem jeito na minha nova função daquilo que não se pode chamar propriamente de crônica”, disse ela. E claro, é unânime que Clarice transcende gêneros. Mas, se por um lado suas publicações no jornal diferenciam-se expressivamente da forma, ordem cronológica e disposição dos fatos empregadas por seus colegas cronistas, por outro lado podemos considerar que crônica é um relato íntimo e pessoal sobre a vida do escritor, e aí Clarice é rainha. Se levarmos em conta tal definição, a maioria de seus contos seriam também crônicas e seus romances todos teriam tempero de crônica. Clarice é tão verdadeira que, na verdade, a crônica é apenas um caminho natural para o qual sua escrita flui.

Se basta um romance para o leitor se sentir amigo de Clarice, com a coletânea de crônicas Clarice na Cabeceira, é como se estivesse em uma longa conversa íntima com a amiga. Sua vida – e ah, como essa mulher sabia viver – se explicita conforme as páginas vão ficando para trás. Nessa coletânea, publicada pela Rocco, vinte pessoas, entre jornalistas, escritores e outros artistas, foram selecionados, por diversos motivos, para escolher sua crônica clariceana favorita. E também, antes de cada crônica, vem um apresentação escrita por aquele que a escolheu. Algumas apresentações são mais simplórias, mas algumas são muito interessantes para esta nossa missão de conhecer Clarice. Destaque para a de Lygia Fagundes Telles, muito significativa.

A contracapa do livro diz e não poderia estar mais correta: "Crônica é um relato? É uma conversa? É um resumo de um estado de espírito? Não sei, escreveu certa vez a autora. Clarice na Cabeceira é um convite para descobrirmos juntos."

(Mais em http://apesardalinguagem.wordpress.com/)
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Roberto 13/12/2016

Clarice, minha linda! Vem, ni mim!
Clarice Lispector em estado puro, sendo ela mesma, dando-se com gratuidade, desistindo de sua animalidade, sendo um anjo e nos fazendo a caridade do prazer de penetrar na alma humana-animal.
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Gi 14/11/2019

Para amar Clarice.. S2
Sem dúvidas fiquei com dificuldade pra eleger uma crônica preferida nessa coletânea, mas "Brasília : o esplendor" é uma delas. Nela Brasília ganhou status de eternidade construída, de Egito brasileiro possível. Clarice é penetrante, grande olhadeira, curiosa indomável.
Leiam amigos leiam! :)
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Frankcimarks 12/09/2020

Uma pílula diária de Lispector
Gostei desse livrinho. Cada crônica tem uma apresentação de algum admirador da escritora. Minhas crônicas favoritas foram: Banho de mar, as três experiências e Brasília.

Quote:

"E nasci para escrever. A palavra é o meu domínio sobre o mundo. Eu tive desde a infância várias vocações que me chamavam ardentemente. Uma das vocações era escrever. E não sei por quê, foi esta que eu segui. Talvez porque para as outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é mesmo escrever."
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Su 28/01/2016

Clarice na cabeceira é uma coletânea de vinte e dois contos escolhidos e comentados por leitores/escritores, atores, dramaturgos, cantores, jornalistas, entre outros.
Esse livro contem dois contos, que eu ainda não havia tido a oportunidade de ler. Falarei um pouco sobre eles.
“O relatório da coisa” é um conto sobre o tempo e também sobre um relógio Sveglia que conseguiu tirar o sono da autora.
“Você é todo magro. E nada lhe acontece. Mas é você que faz acontecerem as coisas. Me aconteça, Sveglia, me aconteça. Estou precisando de um determinado acontecimento sobre o qual não posso falar. E dá-me de volta o desejo, que é a mola da vida animal. Eu não te quero para mim. Não gosto de ser vigiada. E você é o olho único aberto sempre como olho solto no espaço. Você não me quer mal, mas também não me quer bem. Será que também eu estou ficando assim, sem sentimento de amor? Sou uma coisa? Sei que estou com pouca capacidade de amar. Minha capacidade de amar foi pisada demais, meu Deus. Só me resta um tio de desejo. Eu preciso que este se fortifique. Porque não é como você pensa, que só a morte importa. Viver, coisa que você não conhece porque é apodrecível — viver apodrecendo importa muito. Um viver seco: um viver o essencial.”
O conto “É pra lá que eu vou” nos fala um pouco sobre a extremidade do pensamento.
“Na ponta da palavra está a palavra. Quero usar a palavra "tertúlia" e não sei onde e quando. À beira da tertúlia está a família. À beira da família estou eu. À beira de eu estou mim.
É para mim que vou. E de mim saio para ver. Ver o quê? Ver o que existe. Depois de morta é para a realidade que vou. Por enquanto é sonho. Sonho fatídico. Mas depois — depois tudo é real. E a alma livre procura um canto para se acomodar. Mim é um eu que anuncio. Não sei sobre o que estou falando. Estou falando do nada. Eu sou nada. Depois de morta engrandecerei e me espalharei, e alguém dirá com amor meu nome.
É para o meu pobre nome que vou.”
Das introduções escritas para os contos da Clarice, a que mais me tocou foi a de Carlos Maudez de Souza.
“Clarice era ainda muito pouco conhecida em Portugal. Atraído pelo nome da escritora e pelo título do livro, requisitei A maçã no escuro. Que obra extraordinária! Tão diferente e difícil e desafiadora. Veio-me, então, de imediato, o desejo de ler tudo o que a autora escrevera.
Não consigo precisar por que ordem fui devorando os livros de Clarice, mas sei que entre os primeiros que li, numa iniciática fase de deslumbramento, se encontrava justamente Laços de família, um dos mais belos volumes de contos da língua portuguesa.
...
Os seres são confrontados consigo mesmos no meio de circunstâncias tão insignificantes, que as consequências, por contraste, revelam um lugar espantoso: a boca de um cego ("Amor"), boca escura a abrir e a fechar, avoluma-se e devem imagem obsessiva e perturbante; e esse cão desconhecido de "O crime do professor de matemática" torna-se, no enterro, o símbolo da própria irresolução agigantada — "algo realmente impune e para sempre". Mansa e obscuramente ronda a ameaça: a todo o momento pode chegar a "crise". Contudo, o perigo de dissolução a que se veem expostas as personagens claricianas é, paradoxalmente, a mais funda energia desses seres. E não há apaziguamento possível porque não mais se poderá segurar a vida, mesmo no interior das células protetoras do núcleo familiar. A este respeito é bem expressivo o desfecho dado ao professor de matemática: "E como se não bastasse ainda, começou a descer as escarpas em direção ao seio de sua família.”

Esse livro nos mostra que Clarice Lispector mesmo depois de vários anos continua sendo a autora dos livros de cabeceira de várias pessoas. Afinal, como disse Guimarães Rosa “Clarice, eu não leio você para a literatura, mas para a vida.”.

site: http://detudoumpouquino.blogspot.com
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