Um Amor Incômodo

Um Amor Incômodo Elena Ferrante




Resenhas - Um Amor Incômodo


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Tati 14/07/2017

Reli para participar de um grupo de leitura e é, definitivamente, meu livro favorito da Ferrante fora da tetralogia. Acho que só agora consegui entender boa parte da estranheza que ela propõe e como é difícil montar o quebra-cabeça criado pelo enredo. E é um livro ótimo para discutir, aliás, é bonito como os livros de Ferrante provocam esse sentimento para fora, como se fizesse parte da experiência de leitura falar à exaustão a respeito deles. F-errante, parece que o movimento dos livros dela é o (de) vagar.

A relação mãe-filha é o assunto principal de Um amor incômodo e é o livro em que ele é mais explorado. Penso muito no que Contardo Calligaris diz sobre isso: nem toda relação entre mãe e filha é horrível, mas as que são, são muito horrorosas. Entre Delia e Amalia é horrorosa porque não houve uma separação. A grande questão em jogo, a meu ver, é a simbiose entre os corpos das duas. Delia não sabe o que é ser uma mulher separada do corpo da mãe, tanto que as identidades das duas se confundem quando a mãe morre. Sabe-se pouco sobre quem é Delia antes dessa morte, basicamente só que ela seguiu uma profissão relacionada a quadrinhos. O processo de luto vai envolver lidar com a perda mas principalmente saber o que fica nela que foi da mãe.

Ao mesmo tempo, Delia não sabe quem foi Amalia. Esse duplo aparece o tempo todo no enredo e fica muito claro quando se fala nas roupas. Delia convive com a culpa por ter fantasiado que entregou a mãe à violência do pai quando era criança e isso a impediu de saber um pouco mais sobre Amalia. O tom de suspense que o livro adquire é mais pela tentativa de Delia agora explorar quem era a mãe do que a descoberta dos acontecimentos em si. Mas, aí vem novamente a dicotomia, ela sabe, desde a saída, que é impossível saber quem era a mãe porque suas memórias de infância são traiçoeiras.

A forma como Ferrante vai construir sua obra já se encontra presente em Um amor incômodo e é impressionante como esses temas sempre surgem de forma circular mas nunca repetitiva. Algo que é próprio desse livro é a forma onírica como ele é contado. Eu sou uma pessoa normalmente distraída e muitas vezes me perdia durante a leitura porque é como se Delia realmente estivesse em um movimento de ser levada pelos acontecimentos e as únicas formas de autonomia que visualizamos é em relação às suas memórias. Só que elas não dão nem sinal de quando vão aparecer e a releitura foi muito proveitosa nesse sentido, perceber como um fato do presente levava a outro do passado que sempre tinha a ver com violência.

E é evidente que Ferrante estava muito influenciada pela teoria da sedução e o conceito de fantasia em Freud. O livro é um prato cheio para quem quiser se debruçar sobre esses temas.
alineaimee 18/09/2017minha estante
Amei sua resenha, Tati! Vi um monte de gente dizendo que não gostou, que achou o mais fraco, e eu WHAT???? Você explicou muito melhor o que tentei esboçar na minha resenha. Eu sabia que você teria muito a dizer sobre esse pequeno gigante! :)


Vera.Marcia 02/02/2018minha estante
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Vera.Marcia 02/02/2018minha estante
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meriam lazaro 14/04/2018minha estante
Amei o livro e a tua resenha é formidável. "Um amor incômodo" é daqueles livros que ficam com a gente, depois de lidos, soprando letrinhas ao pé do ouvido. Fiquei surpresa com a quantidade de pessoas que não gostaram!? Acontece. Boas leituras




Glétsia 12/05/2017

Quem se depara com essa capa logo pensa:"romance bobo, açucarado". Esse é o quarto livro que leio do/a autor/a (Elena Ferrante é pseudônimo) e afirmo, com certeza, que ela não é nada doce e romântica. Suas histórias são pungentes, trata com crueza acontecimentos pra lá de sérios. Penso que a escolha por pseudônimo não foi em vão. Parece autobiográfico pela maneira que escreve. Ela trata de assuntos como questões sociais, relacionamentos com a mãe, questões pouco expostas e até mesmo escondidas relacionadas ao gênero feminino, dentre outros.
Deparei-me com esse livro ao procurar o quarto da tetralogia dela, mas ainda não havia chegado no Brasil naquele momento. Este já foi considerado leitura difícil por algumas leitoras blogueiras que acompanho. Acho que devido precisar de atenção mais aguçada, pois a personagem que narra fica entre idas e vindas sobre passado, presente, realidade, pensamentos e imaginações. Este livro também teve momentos difíceis de digerir, como os outros que li, pois provoca emoções fortes. Enfim, Elena Ferrante me conquistou!
Felicity 15/05/2017minha estante
Ela me ganhou no primeiro livro da tetralogia e agora sou completamente fã, faz tempo que não me deparava com uma autora tão autêntica, sem máscara , nua e crua , perfeita .


Ana Paula 01/06/2017minha estante
Perfeita descrição! Conquistou a mim tb, já li a tetralogia, o Dias de abandono, A filha perdida e agora vou ler esse.




Giovanna 28/05/2020

Estranho? Curioso? Incômodo?!
Eu sinceramente não sei o que esperava quando me interessei pelo livro nem quando comecei a lê-lo. Em uma parte, eu me senti extremamente curiosa para descobrir quem era Amália e o que havia acontecido com ela; os relatos da infância de Delia são tensos e importantes, ao mesmo passo que são confusos e perturbadores. Essa história de ela se achar a mãe dela o tempo inteiro de fato me incomodou, mas eu não curti o modo que a narrativa se dá: com falas no meio dos pensamentos e com flashbacks no meio de diálogos/descrições ?atuais?.
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Erika 10/05/2017

Uma busca desenfreada em busca de si mesma
Não tem como ficar sem notar a forma como Elena Ferrante escreve. Ninguém vai conseguir passar incólume aos impactos que ela causa com seu modo de escrever e expor sentimentos, pessoas e ambientes de forma crua e pesada.

Dessa vez ela criou uma personagem atormentada por enxergar em si mesma, sua mãe na juventude, quando a olhava com seus olhos de menina. Mais uma vez Ferrante nos traz conexões problemáticas entre mãe e filha. Délia recebe a notícia que sua mãe, Amália, se suicidou. Foi encontrada morta em uma praia trajando nada mais, nada menos do que um sutiã rendado de uma grife de lingeries. Logo Amália, que sempre ostentara calcinhas rasgadas, furadas, beges e desbeiçadas!

Ao ser confrontada com o estranho da situação, começa a procurar motivos e relembrar os traumas de uma infância nebulosa que ela julgava ter deixado para trás. Ao percorrer Nápoles, cidade natal, onde acabou de enterrar sua mãe, Delia se vê numa busca alucinada por respostas. Tentando desesperadamente saber quem ela é, ao tentar entender quem foi sua mãe.

Aos poucos os quebra cabeças propostos vão se completando, e passamos a desconfiar - depois, ter certeza-, dos traumas e da repugnância que cobre não só o passado, como também o presente. Confesso que me senti mal ao longo de algumas passagens do livro, pois a escrita dessa autora quase foge ao abstrato. É literalmente incômodo. Como areia nos olhos, como pedra no sapato. São 173 páginas que parecem 500.

Me perguntei durante a leitura porque estava lendo isso. Qual era a necessidade de me incomodar tanto com algo que deveria ser prazeroso. A resposta que achei foi simples: Porque não aceitar o desafio proposto por Ferrante? Vamos sim, adentrar a mente humana nos seus recônditos mais escuros, nos seus traumas mais complexos e assustadores, aproveitando que são pessoas fictícias, aproveitando que nada é real, é só um livro. Mas no entanto, quando você o fechar, não vai ter acabado. Os sentimentos tão bem descritos te acompanharão por um bom tempo. Isso é ou não é uma experiência interessante de leitura?

site: https://literaturativa.wixsite.com/blogfolheando/
Felicity 15/05/2017minha estante
Você descreveu muito bem , parabéns


Erika 29/05/2017minha estante
Obrigada!!!




Thay 09/05/2020

sobre um amor incômodo
me caiu bem essa primeira leitura da Elena Ferrante por falar de uma relação entre mãe e filha que, por muitos momentos, me lembrou aspectos daquilo que entendo ser o encontro da minha vida com a da minha própria mãe. os sentimentos de rejeição e assimilação andando juntos, próximos de criar uma realidade avulsa para alimentar ideias e sentidos construídos e vividos ao longo da vida me pareceu certeira.

e é estranho falar de vidas que se moldam porque é a morte que determina a história. a busca por uma Amália e por uma Delia que teriam permanecido exatamente da maneira que se encontravam se o afogamento não tivesse acontecido. o clímax é exatamente a primeira página do livro que descreve com exatidão a morte. o resto de qualquer ação e reação encadeada é só um pretexto para se voltar rapidamente para o começo da história, para o ponto alto, para a vida interrompida dessa mulher.

e por falar em mulher... o que é essa percepção e narração do cotidiano de uma qualquer que pega ônibus, dirige um carro, se casa, é filha, é mãe, é trabalhadora, é amante, é cigana, é velha, é criança, é carne, objeto, pretexto, mistério, ciúmes, tensão, tesão, sexo, abuso, desculpa, erro, morte? o que é descrever os pormenores do olhar e do assobio? o que é escrever se lembrando e revivendo os momentos? Delia e Amália representam muito essa vida silenciosa de palavras gritadas no volume baixo ao pé do ouvido (tanto assim o é, que o nome dessa filha só nos é apresentado na viségima terceira pagina). todos os outros personagens, em sua maioria homens, são adereços que encorparam a solidão, o medo, a angústia e a dor. não há o que relacionar se não isso. não há redenção ou perdão para nenhum deles.

assim, Delia só tentou encontrar na mãe elementos que pudessem ser de uma mulher que ela não conhecia. uma pessoa diferente daquela submissa, retraída, infeliz. seria quase que um alívio descobrir uma segunda face da mulher que se resignou a miséria. pois ela se recusava a se parecer com alguém tão ínfimo. se recusava a lembrar da mãe ao olhar para si mesma. não queria fazer parte de ninguém e não queria que ninguém fizesse parte dela. toda violência deveria apenas ser encontrada fora do íntimo, externamente. reconhecer qualquer aspecto de uma vida miserável em seu presente era conceder espaço para aquelas feridas se abrirem novamente. feridas abertas por esses homens.

e quando, finalmente, se vê diante de uma ideia que contempla a figura da mãe como alguém não tão passivo, ela começa a fazer as pazes consigo mesma e com essa mulher de quem saiu. pensar que sua mãe tivesse inscrito em linhas invisíveis sua não permissividade a alegra, a diverte, a intretem. se vê de repente em paz com a morte de Amália, mesmo que tudo ainda seja um compilado de hipóteses que nunca serao comprovadas ou rejeitadas. esse grande ponto de interrogação remexe, revira e retém respostas que ela encontra, na verdade, para si mesma. se entender com sua história e se apropriar do que a acometeu durante sua infância e adolescência da a força necessária para ressignificar o que sobrou.

se ver, afinal, na figura da mãe, na foto da identidade, traz sossego. ela desiste de encontrar perdão para pecados que não são seus no corpo e nas palavras dos pecadores. Amália morreu condenada por medos e frustrações que não sofreu. ela se afoga em tormentas que a foram atribuídas, mas não porque eram suas próprias. não é essa a mãe que Delia procurava ou percebeu ser, e, por isso, se recusa a continuar dentro desse espaço de culpa.
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Kelly Oliveira 06/04/2019

Não gostei
No ano passado (2018), um dos nomes mais citados nos blogs e vlogs literários que acompanho foi da Elena Ferrante. A autora tem uma legião de fãs, talvez, muito inspirada pela áurea de mistério que a cerca, pois esse nome é um pseudônimo (um ótimo pseudônimo inclusive).

Pois bem, em fevereiro agora, não resisti a curiosidade e fui conferir o que era a obra dessa mulher (ou homem, pois não se tem certeza quanto a isso também). Pensei “vou começar pelo primeiro livro publicado por ela”. Olha, que decepção! Achei o livro ruim, péssimo, horrível.

Convenhamos, que a ideia da história é até boa: Delia (a protagonista), uma mulher madura, retorna à sua cidade natal, Nápoles/Itália, para enterrar sua mãe, Amália, que foi encontrada morta, semi-nua, numa praia – tudo levando a crer (isso não é spoiler, já está nas primeiras páginas) que se trata de um suicídio. O enredo é sobre o luto dessa filha e a descoberta sobre o que realmente aconteceu com Amália. Duas tensões presentes em cada capítulo, quando aos poucos é revelado o passado sombrio do cotidiano dessa família.

Interessante né? Sim. Mas, o livro é confuso, tem um tom esquisito, desagradável, repugnante… Não aguentava as descrições dos personagens, essencialmente do tio, pela repetição do quão rudi ele era – eu lia conversando com a E. Ferrante “Ta.Ta. Já entendi” :D

Na metade do livro, tudo estava tão chato, que eu já tinha perdido o total interesse de saber como e porque a mulher morreu. Só continuei até o final porque o livro era curto e porque queria escrever essa opinião hahaha.

E a grande revelação do final, é bem verossímil, faz-nos parar para pensar – uma triste realidade -, masss, nem isso salvou o livro.

Enfim, não recomendo a leitura. Se, eu conseguir esquecer dessa péssima experiência, ainda vou arriscar ler “Amiga Genial” um dos mais elogiados da autora, isso é, SE eu conseguir esquecer.

site: http://cafeebonslivros.blog/2019/04/07/eu-li-um-amor-incomodo-da-elena-ferrante/
EXPLOD 07/04/2019minha estante
kkkkkkk ;D
Nem preciso dizer que adoro uma resenha feita dessa forma - bem sincera e sem medo de ser feliz! Eu também demoro pra ler um livro da "modinha", porque raramente concordo com o motivo da fama, se é que tem motivo... Bom, no fim das contas é uma experiência, e pelo menos podemos defender com propriedade nosso ponto de vista.


Luana 07/04/2019minha estante
Li dois da autora e não gostei tbm. Desisti dela totalmente, peguei ranço kkkkkkk


Kelly Oliveira 08/04/2019minha estante
À Explod: Hahaha escrever essa resenha foi a melhor parte da experiência com esse livro.


Kelly Oliveira 08/04/2019minha estante
À Luana: Eu acho que eu já peguei ranço lendo só esse kkkkk. Vamos ver.


Yasmim 26/04/2019minha estante
Insista nos demais livros! Já li quase todos dela é esse é realmente bem chatinho! A amiga genial e sua sequência é bem envolvente!


Kelly Oliveira 29/04/2019minha estante
Obrigada pelo incentivo Yasmin. Vou precisar de um tempo, mas pretendo dar uma chance para serie sim!


Dani 02/07/2019minha estante
Por indicação de uma amiga li A amiga genial e sua sequência. Nunca tinha ouvido falar de Elena Ferrante mas me apaixonei pela tetralogia napolitana. Quero esgotar os livros dela!! Um na sequência do outro. Dê outra chance! A tetralogia foi um dos livros q mais me empolgaram nos últimos tempos... principalmente a partir do 2º da série.


Kelly Oliveira 02/07/2019minha estante
Luana, você me entende!


Kelly Oliveira 02/07/2019minha estante
Yasmim e Dani, em respeito as várias mensagens que recebi por causa do meu blog, vou dar outra chance, só não sei quando.


Kelly Oliveira 02/07/2019minha estante
Yasmim e Dani, em respeito as várias mensagens que recebi por causa do meu blog, vou dar outra chance, só não sei quando. Obrigada pelo incentivo!


Luana 02/07/2019minha estante
Kelly, uma amiga já me incentivou a ler a tetralogia, disse que é diferente e tal. Mas, sinceramente, acredito que existem muitos autores que me agradam para ficar insistindo em alguém que não curti, nem lendo o primeiro e nem tentando o segundo hahahaha e quando vi uma pessoa falando que tem uma parte sobre sapatos que é bem chata no livro, já fiquei com o pé atrás.


Luana 02/07/2019minha estante
olha o trocadinho com sapatos e pé foi sem querer kkkkkkkk


Luana 02/07/2019minha estante
Um dia conversando com outra amiga, expus meus pontos e ela concordou totalmente. Mas te desejo boa sorte na próxima tentativa. Beijos!


Kelly Oliveira 03/07/2019minha estante
Hahaha Sapatos Luana, ixiiii


Dani 15/07/2019minha estante
Oi Kelly, li seu ponto de vista e me achei uma chata em insistir pra q vc leia a tetralogia. Vc tem toda a razão , por que insistir em uma autora q vc não gostou? Melhor gastar seu tempo com autores alinhados ao seu estilo. Lembrei de quando li ?A cabana? . Achei o livro chato pra ca.... só terminei porque não desisto de um livro mas confesso q não entendi como alguém pode gostar daquilo. Leitura é gosto pessoal e ponto. Cada um tem o seu é cada livro tem seu momento....


Kelly Oliveira 16/07/2019minha estante
Verdade Dani! Parabéns por ser uma leitora compreensiva, muitas pessoas não sabem lidar com uma opinião negativa sobre um autor que gostam.




Ariana Pereira 06/06/2020

É mesmo incômodo...
Helena Ferrante joga a realidade na nossa cara de maneira cruel. Incômoda é a leitura, mas tb quando engrena a gte não consegue parar. Gostei bastante
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Lua Goulart 09/05/2020

quanto mais leio Elena Ferrante mais me apaixono por suas obras. demorei pra conseguir lidar com os sentimentos que essa leitura traz, pq um livro bem escrito é assim mesmo, nos faz sentir
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Pedro 29/05/2017

Um amor incômodo
Delia, aos quarenta e cinco anos, recebe a notícia de que sua mãe se afogou numa uma praia em circunstancias estranhas. A notícia faz com que a mulher volte a sua terra natal, Nápoles, na Itália, para enterrar a mãe e revisitar memórias de um passado que insiste em atormentá-la. Sua mãe (Amalia), costureira divorciada de seu pai, sempre fora uma mulher pouco vaidosa. No casamento, teve um caso com um fetichista que causava rebuliços em sua residência, onde o marido a espancava e a tratava mal. Era daqueles homens que não admitia que nenhum homem a visse, por outro lado, fazia pinturas de mulheres nuas para venda inspiradas na esposa. Assim, na companha da Delia, com sua visão turva dos acontecimentos, tentando compreender o que acontecera, vamos sendo apresentados a uma história intensa e ao mesmo tempo cheia de tensão, onde telefonemas e encontros vão revelando os meandros acerca dos últimos dias de vida de Amalia.

Publicado originalmente em 1999, 'Um amor incômodo' é o primeiro romance da autora italiana Elenna Ferrante. As problemáticas abordadas por ela neste seu livro são precursoras e fundamentais para os romances futuros, que de certo modo acabam trabalhando os mesmo temas: mulheres, maternidade, casamento, violência domestica etc. Porém, em um contexto diferente; de mãe e filha perante a morte. Por meio desta obra, ela nos apresenta a sua visão, mas de uma maneira crua e pouco moldada, num romance curto, pouco polido e enxuto.

Com Delia, narradora do romance, conhecemos uma história carregada de emoção psicológica, cheia de passagens alucinógenas e desconexas sob olhar de uma filha que perdeu a mãe em uma noite de maio afogada na praia. Mas não é uma tristeza que cai sobre ela, mas uma condição que nos lembra o sentimento apático do personagem Meursault (do livro O Estrangeiro, de Albert Camus). O estado psicológico em que Delia se encontra é extremamente refletido em seu olhar turvo do mundo a sua volta; carregada de estresse e em busca de explicações para a morte de sua mãe, sem contar o trauma da infância que carrega e a experiência dentro de um lar onde o pai e a mãe viviam em conflitos por causa de um fetichista.

A infância tem um papel grande no entendimento da obra, Delia se sentia diferente das outras crianças que berravam e faziam birra. "A infância é uma fábrica de mentiras que perduram no imperfeito: a minha, pelo menos, havia sido assim." (p. 161), da mesma forma que sentia uma repulsa por sua mãe e um temor de se tornar ela, mesmo quando os trejeitos, aparência e sua personalidade remetessem a Amalia; de certo modo uma fuga sem saída. Essa relação conturbada de mãe e filha é tema recorrente na escrita da autora, como é possível enxergar em A Filha Perdida (resenha aqui).

Não é um romance divertido, nem fácil de leitura. Ferrante não trabalha com entretenimento, por outro lado, ela traz papeis sociais, com foco na mulher e sua posição no mundo assim como as limitações inerente ao gênero. Duas mulheres, livres, mas que tinham dois homens violentos, machistas, tentando a todo custo controlar as formas que elas deviam ou não seguir as suas vidas, controlar seus desejos e vivencias, mas que no fim, não chegaram a fazer tanto enfeito quanto achavam.

'Um amor incômodo' Não é Elena Ferrante é sua melhor forma, entrementes, não deixa de ser Ferrante.

site: http://decaranasletras.blogspot.com.br/2017/05/resenha-309-um-amor-incomodo-elena.html#more
Jossi 08/07/2017minha estante
Um livro feminista! Por favor, só sai romances desse tipo hoje em dia?! Ou é ideologia de gênero, ou é 'LGBTs' - tudo em torno disso! Desisto dessas tralhas modernistas. Nada como um bom clássico. Vou procurar os bons e velhos romances de Jane Austen, Daphne Du Maurier, Emily Brontë, Dostoievsky, Carolina Nabuco, Rachel de Queiroz...




Luana 18/03/2020

Para conhecer Ferrante
Elena Ferrante é sempre uma autora que merece ser lida. Este livro traz, em versão reduzida, um pouco do estilo de escrita e de narrativa da autora na tetralogia napolitana, os quatro principais livros de Ferrante. Vale se aventurar por essa intrínseca história de mãe e filha envolvidas em uma relação das mais complexas.
Ricardo 19/03/2020minha estante
Vou ler.




Vianna 25/05/2020

Livro sobre relação entre mãe e filha
Primeiro livro que li de Elena Ferrante e primeiro livro que a autora publicou ?

Achei a história muito boa, intrigante e forte. O tópico principal é o amor entre uma mãe e uma filha, um amor que foi soterrado pelas memórias de um passado difícil, e que protagonista vai ter que reecontrar. É um romance curto porém denso, com uma linguagem bastante fácil.

Enredo: Delia retorna á sua cidade natal (Nápoles) aos 45 anos de idade para enterrar sua mãe Amalia. A mãe foi encontrada morta em uma praia, e não usava nada alem de um sutiã. A filha suspeita que possa ter sido suicidio então começa a investigar a morte de sua mãe. Delia vai se deparar com memorias e pessoas de seu passado que podem esclarecer a morte da mãe. E aos poucos revelações assustadoras à respeito dos ultimos dias de Amalia induzem Delia a descobrir a verdade por tras do tragico acontecimento. Assim, Delia avança pelas ruas caóticas de sua infância, e segue nessa viajem de aceitação. Ela vai ter que se confrontar com seu passado, e reviver momentos marcantes de sua vida para conhecer sua própria historia e a de sua mãe.
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Erica 02/06/2020

Livro estranho... Ele é bom, mas não consigo dizer porque. Não tem personagens com os quais se identificar, não é uma boa história, a forma de contar é confusa, mas mesmo assim a leitura transcorreu muito rápido e fluida
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Priscila (@priafonsinha) 14/08/2017

Não recomendo conhecer essa autora por esse livro
Primeiro livro escrito por Ferrante, ainda bem que não foi o primeiro que li, pois achei tão fraco e confuso.
A estória gira em torno da relação entre mãe (Amalia) e filha (Delia). Depois que a mãe morre em circunstâncias estranhas, a filha vai atrás de informações dos últimos dias de vida de Amália e se depara com revelações obscuras.
Quem ainda não leu Ferrante, não considero esse um livro apropriado pra começar, e quem já leu algo dela, desculpamos ela por esse começo de carreira não tão bom rs
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Maitê 11/05/2020

O titulo desse livro para mim resume vários tipos de amores "obrigatórios", aqueles esperados e glorificados pela sociedade, que nos obrigam a viver experiencias que não precisariam acontecer.
É um livro difícil de falar sobre sem dar spoilers. Posso dizer que a personagem principal tem a sua mãe quase como um duplo, funcionando como proteção, como algo estranho; que só entendemos no final, após uma viagem de volta as lembranças e locais do passado, uma viagem incômoda.
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Lucas.Marques 09/05/2020

Entediante
Não gostei! Nem parece a mesma Ferrante que me fez me apaixonar por ?Dias de abandono?. Chato e insosso, assim como Delia. Decepção total.
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