Cavaleiro Negro

Cavaleiro Negro Davi Paiva




Resenhas - Cavaleiro Negro


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Pinheiro.Oliveira 03/06/2020

Amador
Infelizmente o autor desconhece a norma culta, livro totalmente amador.
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JP 17/04/2017

Resenha: Cavaleiro Negro - Davi Paiva por JP Tarcio Jr.
Cavaleiro Negro nos apresenta mais do que somente a história de Fidler Koogan, a criança que presenciou algo que nenhuma criança deveria presenciar, ele nos apresenta a um novo mundo repleto de magia, hierarquia e corrupção. Mas esse mundo fica em segundo plano e isso foi uma boa sacada da parte do Davi porque ao invés de discorrer morosamente sobre o mundo e sua criação, ele montou as características de seu mundo através – ao menos a maior parte –, de discurso direto dos personagens. Um fato aqui, outro acolá, e pronto, sabemos que Raysh tem uma religião própria, que sua divisão é feita por países, que existe uma organização para manter a paz (tipo ONU) e até mesmo como foi a criação das raças. Tudo de forma rápida e sem floreios.
A crítica social é forte durante todo o livro: quem tem dinheiro, tem privilégios. Quem não tem, que se vire. Uma pessoa rica pode sair impune até mesmo de um assassinato o que não está tão longe da realidade que conhecemos, e isso move todo o desenrolar do livro. O herói – Fidler Koogan –, que na verdade é anti-herói, surge prometendo acabar com essa desigualdade e dar ao povo o que é do povo - quem foi que disse isso mesmo?
Em um primeiro momento eu gostei de Fidler e entendia sua personalidade fechada e hostil, afinal, o que aconteceu em sua infância foi traumatizante. No entanto, ao decorrer do livro ele tem certa transformação e parece que começa a apreciar mais o caminho que percorre do que o ponto em que quer chegar. Em uma análise tosca da minha parte, eu diria que ele coloca seu objetivo acima de tudo e todos, demonstrando até certa psicopatia ou no mínimo uma hipocrisia sem tamanho.
No momento em que Fidler termina de aprender determinada "doutrina" com sua mentora, que só lhe ensinava para que ele fosse para a cama com ela, ele diz que durante todo o tempo que estiveram juntos, ele sentia nojo dela porque ela só sabia usar as pessoas para saciar seus desejos e que ele só ia para a cama com ela pelo poder que ela lhe oferecia.
Foi depois dessa cena que mudei meu olhar para o ainda não proclamado Cavaleiro Negro. O sexo sem nenhuma ligação afetiva, e ainda por cima com alguém que lhe causa repulsa, é um sinal que junto da manipulação, frieza em determinadas situações e ainda o foco obsessivo em concluir seu objetivo é sinal claro de psicopatia. Talvez por eu me enganar e esperar um herói clássico que me decepcionei com essa revelação, mas a verdade é que o narrador vende a imagem de uma pessoa com intenções dignas, quando na verdade o objetivo de Fidler já não é nem vingar sua amiga, nem levar justiça à Ryddle, mas sim concluir um objetivo independente das coisas que tenha de fazer para tanto.
E é então que somos apresentados determinado personagem e eu fiquei muito animado porque agora que descobri que Fidler não é tão legal assim, vai vir alguém para enfrentar ele. E eu li imaginando um oponente formidável que antagonizaria Fidler até o final, mas da forma repentina que este apareceu, também se foi. O personagem que tinha um potencial enorme teve o fim mais tosco possível – e rápido também. Eu teria compreendido o que aconteceu com ele e até acharia melhor se durante toda a história contasse trechos da vida de sua vida em contrapartida à de Fidler, assim eu criaria laços por ele e teria outra visão dos heróis de Raysh, no entanto, apareceu com uma enxurrada de sua história e treinamento, e tchau. Só. Descrever o caminho dele inteiro, a meu ver, acabou se mostrando uma perda de tempo.
Além desse, temos vários personagens marcantes durante a trama, mas de todos Shakerald é o que mais me chamou a atenção. Eu assisti uma séria um tempo atrás chamada Wakfu e no momento que esse cara apareceu, eu me lembrei do Grougaloragran e fiquei fascinado. O mestre de Fidler também, Gallen Gallaway, foi uma pessoa marcante e fundamental para todo o desenrolar da história e sua última aparição foi estarrecedora, mas naquele momento ainda Fidler percorria o caminho do herói e eu não imaginei, como estou imaginando agora, que havia outro motivo para o que se sucedeu. Será que Fidler...? Talvez, mas tudo por enquanto não passaria de mera divagação.
E o final – como posso dizer? –, só confirmou minha suspeita de que Fidler passa longe do herói que eu imaginava. Entretanto, apesar dos pesares, ainda que tenha um caráter duvidoso, o herói que Davi criou se mostra uma pessoa prática que vai além de seus objetivos, ou melhor, conclui um objetivo por vez de forma metódica e fria, mas conclui! E com um ou outro traço humano pra variar, como pra balancear seus lados negativos, ele pode ser alguém digno de admiração.
Sobre o final, mas em respeito à lei do spoiler, digo apenas que bem que poderia acontecer aquilo na vida real né? Eu não acharia ruim um Cavaleiro Negro no Palácio do Planalto por um dia apenas.
Fidler Koogan, a pessoa a que Davi Paiva deu vida, é sem dúvida alguém com problemas psicológicos. E além do medo, eu tenho por ele um misto de pena e ódio. E essa pulga atrás da orelha: ele nasceu assim? Ou o mundo o transformou?
Fica para você, leitor, decidir.

site: http://tarcioescritor.webnode.com/
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Renan.Santos 06/05/2018

Decepcionante
Esse livro acabou me decepcionando em vários aspectos. A história tinha um grande potencial que o autor não soube trabalhar apropriadamente. Mas vamos analisar isso com calma.
Temos uma trama clássica de vingança, com três atos bem claros. No primeiro é estabelecido o motivo da vingança, no segundo vemos a preparação do protagonista, e por fim, no terceiro vemos a execução da vingança. Como estrutura narrativa, o livro está bom. O autor dá uma motivação coerente para o protagonista e desenvolve bem o personagem até chegar no ponto alto da história. A jornada de Fidler Koogan é interessante, até porque ele está mais para anti-herói, o que é algo que eu aprecio.
Nada está na história pro acaso. Todo detalhe, por menor que seja, foi pensado, a fim de construir uma trama coesa. Assim, quando as coisas acontecem, não é nenhum deus ex machina. Se alguma informação é usada para algo importante, essa informação foi dada capítulos atrás. Se algum objeto é utilizado, ele já havia aparecido antes. Isso é legal. Mas um dos problemas é que o autor às vezes é muito óbvio ao apresentar esses elementos narrativos, tornando a trama um tanto quanto previsível. Nesse sentido, a história não chega a ser surpreendente, o que tira um pouco de seu brilho.
O ritmo da história é acelerado, sempre em movimento. Mas nesse caso, não vejo isso como algo bom. Como tudo acontece muito rápido, passa a impressão de que os acontecimentos não foram trabalhados com cuidado, de que a autor estava apressado em contar sua história. Às vezes é bom pisar um pouco no freio e trabalhar a história com mais calma, deixar o leitor contemplar a leitura.
E isso parece afetar diretamente a jornada de Fidler. Algo que me incomodou bastante é a maneira como ele consegue superar suas dificuldades. É tudo muito fácil. Com meia página de diálogo ele consegue fazer qualquer um seu aliado. De repente, uma potencial ameaça se torna um companheiro de jornada, de uma maneira totalmente irreal. Ele praticamente não passa por provações, e quando precisa enfrentar um desafio, ele superar num estalar de dedos.
Falando em diálogos, eu não gostei nem um pouco dos desse livro. Falta alma neles. Todos os personagens têm a mesma voz: eles falam do mesmo jeito, com os mesmos trejeitos. Além de ser meio irritante: todo mundo é muito educado, polido, um tanto formal. Não entra na minha cabeça você conversar com um demônio assassino mercenário se referindo a ele como “senhor Zalan”. Isso para mim é inconcebível. Estou a par da decisão do autor de não usar palavrões em seus textos, mas eu acho que isso tira a graça de um texto como esse. O tom não combina. E nem precisa chegar a esse ponto. Bastava tirar “senhor” da maioria dos vocativos que já melhoraria o texto demais. Enfim, questão de estilo, mas eu detestei.
E mesmo assim, continuaria o problema de que todos os personagens tenham a mesma voz, pois o autor não soube trabalhar suas nuances. O que, por conseguinte, faz com que todos os personagens pareçam a mesma pessoa, com raras exceções. Fidler é o que mais se destaca, talvez por ser o protagonista, e ter sua personalidade e suas motivações bem expostas para o leitor. Outra exceção é a maga Úrsula Wellus. A presença dela difere dos outros personagens que circundam o protagonista. Porém, ela é descrita de uma maneira machista e desnecessária.
Ainda falando em diálogos, grande parte deles tem por objetivo ensinar algo do mundo de Raysh, ou seja, são diálogos expositivos. É claro, numa obra como essa, esse tipo de coisa é inevitável, mas o autor poderia ter dosado melhor o infodumping. Quando não são expositivos, os diálogos são bobos e sem graça.
Vamos falar do worldbuilding. Sobre ele, eu tive alguns sentimentos conflitantes. Achei legal esse fato de haver várias raças cada uma mais distinta que a outra. Por outro lado, senti que essa salada de raças não estava funcionando muito bem, como se só estivessem jogadas lá sem propósito. O sentimento que tive era que o mundo apresentado não era complexo o suficiente para comportar todas essas raças tão distintas convivendo de forma natural. Faltou pensar melhor nos detalhes e nas nuances do worldbuilding, que foi apenas tocado de leve.
Além disso, há alguns conceitos que remetem diretamente à cultura do nosso mundo. Não que haja nada de errado nisso, mas a coisa aqui foi feita de maneira muito específica. Um exemplo que me incomodou muito foi o fato de haver “samurais” e “ronins” em Raysh, pois esse tipo de coisa me tira totalmente da imersão. Samurai e ronin (um samurai sem mestre) são conceitos muito específicos do nosso mundo (mais precisamente da cultura japonesa). No momento em que leio a palavra eu automaticamente me desassocio da leitura e penso em Japão, quando minha mente deveria focar em Raysh, que supostamente é um mundo totalmente não relacionado à Terra. Veja bem, o problema não é o conceito, mas a palavra. É muito válido o autor criar a própria versão de samurais e ronis (ou qualquer conceito) em seu livro. Mas deve fazer isso acrescentando algo, dando um toque de originalidade. Mudar o nome das coisas já é o suficiente.
No resumo, achei um livro com grande potencial não aproveitado. O que poderia ser uma história sombria de vingança, me pareceu uma história bobinha infanto-juvenil. E, pensando bem, muito das minhas impressões ruins talvez sejam fruto de expectativa não correspondida. Com certeza não é a história que eu esperava, muito menos é uma história para mim. Mas se for um livro infanto-juvenil (eu realmente não sei qual o público-alvo que o autor tinha em mente), ele funciona bem.
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Brena 17/09/2018

Um romance direto e reflexivo
Até onde nossa determinação pode nos levar?

O fim justifica os meios?

Existe justiça no mundo em que vivemos?

Confira a resenha completa no site.

site: https://cronicasfantasticas.com/2018/09/17/cavaleiro-negro/
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Anelise 23/02/2019

Resenha: Cavaleiro Negro
Cavaleiro Negro é um livro de alta fantasia, ambientado no mundo de Raysh, e que conta a história de Fidler Koogan, um humano, começando desde a sua infância até a sua ascensão como Rei. Tudo isso com sete arcos muito bem divididos e que contam toda essa história.
O livro já começa com o atentado que matou os pais dele, na cidade de Ryddle. Ele tinha apenas oito anos e foi levado para o orfanato da região. E foi lá que ele cresceu desde então. A cidade tinha uma população bem sofrida por conta dos abusos dos governantes e da nobreza.
As crianças do orfanato eram dividas em grupos para cuidar dos afazeres. Dentro do grupo de Fidler tinha a sua melhor amiga: Mara. Ela a líder dessa equipe!
Passam os anos, Fidler - já com 14 anos - vai ser adotado por Gallen Galaway, que é um espadachim de Krigium. É um dos estilos de luta de Raysh, é "o estilo bonzinho" e tem o Menium que é "malvado". (Uma coisa bem Star Wars com Jedi e Sith.) Já amiga Mara é desposada por Hassum, um mercador nobre da cidade. Porém um acontecimento e uma injustiça após o casamento fazem despertar nele uma fúria e um desejo de vingança e ele prometeu para si que tomaria a província no futuro.
Então, Fidler se muda para Wares com o seu agora mestre e lá ele começa seu treinamento para se tornar espadachim, mas ele nunca esqueceu a promessa feita.
E até o final desse arco que o livro começa a desandar!
Fidler é um anti-herói claramente, mas não é aquele tipo que a gente até simpatiza. Bom, eu ao menos fui perdendo o gosto por ele durante o livro. E depois de que eu fui perceber o problema: Fidler Koogan é um personagem Gary Stu. Ele é excelente em tudo o que ele faz, e ele é assim desde sempre. De primeira ele consegue fazer tudo!
Isso ficou mais claro na ocasião da bola de fogo, mais na frente no livro. A maga ensina-o a lançar a bola, mas com objetivo de acertar uma escrava que seria morta de qualquer forma, mas o Fidler erra, a bola só raspa na pessoa e pega na parede. Depois, ele conta que, na verdade, ele errou de propósito. Ai foi demais para mim!
Confesso que achei interessante o uso da magia no livro e como definiu a afinidade com os elementos, que são seis. Por exemplo, do protagonista são fogo e trevas. Você tem uma palavra para cada elemento e diz a ação depois. E tem o sistema de ser esforço físico, que pode te incapacitar se usar força demais e têm as gemas que aumentam o poder das magias.
O livro é bem corrido e movimentado, porque o protagonista viaja muito e faz muita coisa, mas tem momentos que parece corrido até demais e tem muita informação, tanto da história do mundo quanto dos "sistemas", como o de magia.
Admito que estava lendo meio arrastada, pelo fator de ter pego ranço do Fidler já.
Ai, o autor para a história principal para apresentar um personagem completamente novo: Kai Gon, que é um elfo samurai. Parou um capítulo só para contar como foi a vida dele até então.
Eu, na minha inocência, pensei: Poxa, finalmente um rival para o Fidler, alguém a altura dele para se opor e dar um pouco de trabalho para ele. Foi um engano!
Ele morreu poucos capítulos depois, de uma forma bem ridícula e eu fiquei extremamente revoltada, porque ele pareceu um personagem mais interessante que o Fidler. Se ele tivesse ficado vivo até a parte do clímax teria sido melhor, na minha humilde opinião.

Alias, todos os secundários acabam sendo mais legais que o protagonista. Eu tenho tendência a gostar de protagonista, mas se eu prefiro um secundário pode ter certeza que tem algo errado pra mim. Úrsula, Pesadelo, Shakerald, Zalan. Tão diferentes, mas são personagens interessantes. Uma pena que boa parte desses acaba morrendo pelas mãos do próprio Fidler.
E sabe quando você já lê um livro sabendo o final dele? Pois é!
Na metade do livro, eu já tinha ideia do que ia acontecer no final: Fidler ia cumprir sua vingança.
Tem livro que a gente lê e mesmo sabendo qual vai ser o final, queremos lê-lo para saber como é até lá. Com esse livro não é assim! Fidler é tão obstinado e a obstinação dele acaba irritando em certo momento. Nada nem ninguém o para!
Um outro ponto positivo é que nada nesse livro acontece por acaso. Nada acontece convenientemente para a história andar. Não tem Deus Ex-machina aqui. Mas, creio que o Davi fugiu tanto de uma coisa, que acabou acertando em outra, que é num protagonista que é simplesmente invencível e implacável.
E outra coisa, eu achei o último arco do livro completamente descartável. São 90 páginas que acontecem depois que o Fidler finalmente se torna Rei e mostra a administração dele. Não tem nada realmente muito relevante nessa parte, tirando o fato que ele se casa, tem filhos e cria um estilo de luta "cinzento". Esse arco podia ser um epílogo de umas dez páginas com apenas as cenas mais importantes.
Cavaleiro Negro tem uma premissa até interessante, mas que acaba se perdendo no meio do caminho. O mundo de Raysh é muito bem construído e até explorado um pouco durante o livro, o que é bom. Gostei do fato de ter um lado ocidental e outro oriental no livro. Adorei a construção dos continentes, da mitologia, das raças. O universo fantástico estava sim bem feito!
Mas, infelizmente, esse livro quebra aquela regra de "Todo livro bom tem um mapa". Esse livro não foi nem de longe bom para mim, eu quase o larguei no meio várias vezes, foi por isso que demorei tanto para ler, eram momentos pensando se valia a pena.
Eu terminei por questão de honra e para poder lhes trazer essa resenha.
Admito, foi a resenha mais difícil que eu já escrevi pro blog.

site: https://zodiacane.blogspot.com/2019/02/resenha-46-cavaleiro-negro.html
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Gabriele Tenshi 02/03/2019

Infelizmente, a resenha não será muito positiva, pelo menos não na maior parte.

Cavaleiro Negro, de Davi Paiva, conta a jornada de Fidler Koogan, desde o momento que seus pais foram mortos por saqueadores na estrada e a infância num orfanato, até suas conquistas após conseguir vingança pela melhor amiga do orfanato, passando pelos locais mais sombrios para isso.

A ideia geral da história é muito boa, e realmente a jornada de Fidler é legal e tinha muito potencial, mas três elementos principais, devido a como foram trabalhados, tornaram a leitura, pelo menos pra mim, entediante e desinteressante ao final, à ponto de em determinado ponto do livro literalmente falar “Mas ainda não acabou?!”, e não de forma boa. Admito também que chegou um ponto que eu estava lendo mais por obrigação, por realmente querer fazer uma resenha de um livro lido e não apenas quase-lido, e um pouquinho com esperança de que acontecesse algo que me surpreendesse (Spoiler: não fui surpreendida).

O primeiro, que foi o que mais me incomodou e demorou para eu notar o que exatamente estava me incomodando, foi o desenvolvimento dos personagens, especialmente do Fidler. Todos são... De certa forma, unidimensionais. Não há real evolução, não há dilemas morais, nada, pelo menos não dos personagens que a história se foca: se um personagem foi tachado de criminoso no início, ele vai continuar. Se foi tachado de exemplo da virtude, também. Corrupto? Totalmente continua corrupto. Fidler muda um pouquinho, de mais inocente para menos inocente e para cada vez mais sem escrúpulos, mas só, e feito de tal forma que realmente tanto fazia como tanto fez pra mim, porque a narrativa não tentava mostrar realmente que havia mais do que os olhos podiam ver.

Isso, aliado aos vários personagens que aparecem, contribuem pra algo muito ruim num livro cujo objetivo é justamente trabalhar no final com a questão de justiça, vingança, corrupção pelos locais sombrios onde se passa em busca dessas coisas: a gente não consegue se conectar com os personagens, sentir empatia por eles, se preocupar e torcer por eles.

Quem mais sofre com isso é justamente Fidler, porque o fato de que eu não conseguia sentir empatia por ele, apesar de seu objetivo nobre, e o fato de que no final ele não enfrenta nenhuma dificuldade real para alcançar esses objetivos (apenas na infância ele tem alguma dificuldade), literalmente me faziam torcer pra ele falhar e alguém matar ele ou coisa do tipo. Só pra acontecer algum plot twist interessante! (em certos momentos eu quase gritava “Gary Stu” e “Pelo menos o Seiya quase morria antes do poder do protagonismo o salvar”)

Vejam, não tenho problema com o fato dele estar mais para anti-herói que herói ou meio que moralmente dúbio (nem tanto), eu amo anti-heróis e personagens moralmente dúbios e até personagens que podem ser vilões de fato como protagonistas, mas se o autor não trabalha bem com esses personagens, não usa a narrativa a seu favor, fica difícil.

Isso me leva ao meu segundo ponto, a narrativa. Ela é... Confusa de descrever? A voz do narrador é morta, na falta de uma palavra melhor, e isso ajudou muito na dificuldade de se conectar com os personagens, não há real tentativa de descrição de emoções dos personagens, ou de criar certo suspense e expectativa, não há nada nos faça prender a respiração em preocupação, ela é muito direto ao ponto de uma forma ruim. Cliffhangers fazem isso, e a história tem muitos e cliffhangers bons de fato, mas a ausência de uma narrativa que acompanhe faz com que os cliffhangers sirvam mais para separar cenas que para criar tensão.

Aliado ao ritmo ao mesmo tempo frenético e corrido de acontecimentos, mas com muitos eventos que eu particularmente acho que poderiam ter saído da versão fina, como diálogos longos, a narrativa consegue ser corrida nos acontecimentos contados, mas arrastada no geral, sem nenhum suspense, um clímax de nos deixar de cabelo em pé ou qualquer envolvimento emocional. Por conta disso, como eu falei, acabei lendo por obrigação, porque em certa altura do livro eu já sabia que Fidler ia conquistar seus objetivos sem nenhuma dificuldade ou real antagonista que se colocasse em seu caminho.

O autor, tive a impressão, até tentou construir um certo suspense ao descrever brevemente a vida e jornada de um samurai da NUR (Nações Unidas de Raysh) que Fidler enfrenta, mas o jeito como foi feito esse e outros momentos falham e a história continuaria funcionando perfeitamente sem essas páginas. De fato, a mesma breve descrição feita dos governantes e nobres do reino onde Fidler cresceu mais ao final do livro parece uma tentativa de se ajudar a criar empatia pelo protagonista praticamente esfregando na cara do leitor “ELES SÃO CORRUPTOS, ELES SÃO MAUS, ELES MERECEM O QUE VEM VINDO”, mas considerando o que se mostrou no início do livro e os discursos e falas de Fidler, achei uma parte bem... Inútil. Eram dois momentos que teriam sido ótimas para ajudar a criar conflito moral, mas não conseguiram e apenas servem como infodump, assim como algumas outras cenas.

E o terceiro ponto. O que mais me fez arrancar cabelos. Clichês mal trabalhados no worldbuilding e nas descrições de algumas lutas e afins que deixaram eu, como praticante de Krav Maga e entusiasta por estudar história e afins relacionados a batalhas e estudante de Relações Internacionais que gosta muito de estudar e admirar diferentes culturas, com vontade de arrancar os cabelos.

Eu entendo que o autor não quis descrever muito fisicamente os personagens, especialmente em questão de etnia, pros leitores imaginarem o que quisessem, entretanto, a forma como outras coisas foram construídas e abordadas no universo com outros clichês fazem esse ponto falhar por conta do próprio background dos leitores: quando se fala em Tzu, Watanabe, Oriental e Samurai, tudo junto ou não, imaginamos um asiático genérico. Uma cidade chamada Churchill? Cheia de ingleses genéricos. Sabbak, formado praticamente só por deserto? Hm, tem uma sonoridade meio africana e deserto, então provavelmente o povo deve ser negros e gente meio que árabe. E ai em Sabbak tem uma província chamada Tirangitres, que pratica canibalismo.

Percebem o problema? Ao não se pronunciar mais firmemente sobre descrições físicas, mas colocando esses elementos em conjunto, o autor acidentalmente coloca todos esses personagens em diversos estereótipos étnicos porque nós ainda associamos muito identidade linguística a identidade étnica; globalização como a conhecemos é algo recente e, com exceções, ainda é bem fácil de você deduzir com boas chances de acertos a região geral onde alguém ou seus antepassados nasceram pelos seus nomes devido à como idiomas funcionam.

Queria abordar melhor também a questão das raças que aparecem, como ogros, elfos, goblins, demônios e anjos, mas vou me limitar a falar que eles apenas estão lá, foram criados pelos deuses e apenas reforçam estereótipos já presentes nessas raças em como são trabalhados. Depois de jogos e livros que distorcem maravilhosamente bem essas questões das raças e as tornam tão cinzas quanto a humanidade em si, foi bem triste ver o típico elfos e anjos perfeitos, demônios maléficos e criminosos, goblins com certas habilidades mas no geral com pouca inteligência e assim sucessivamente.

As lutas... Bem. Houveram alguns problemas que estão muito relacionados realmente à como jogos e Hollywood acabam moldando nossas mentes e que é necessário prestar atenção e pesquisar pra luta ficar crível e verossímil; pra mim, que conheço um pouco, foi bem difícil de mergulhar nas batalhas (e de fato tem ficado cada vez mais difícil em qualquer meio porque eu tenho realmente ficado "ISSO NÃO DÁ CERTO!").

Primeiro: machados e similares não são armas cortantes, são armas contundentes; cortam? Sim. Mas o maior dano que essas armas causam é em quebrar ossos e afundar armaduras por conta do peso. Segundo: decepar membros não é fácil se você não estiver mirando exatamente nas articulações; ossos são duros pra caramba e é muito mais fácil uma lâmina ficar presa do que cortá-lo fluidamente, além de que danifica a lâmina (explodir um crânio com as mãos também não é fácil). Terceiro: armaduras servem muito mais contra cortes e perfurações, mas ainda assim é melhor sempre desviar e não se deixar ser atingido, ou então redirecionar o golpe, simplesmente bloquear ainda dói PRA CARAMBA, mesmo com armadura (especialmente porque dependendo do golpe a armadura pode afundar, e aí né...). É sério gente, é física, o melhor é desviar o golpe do agressor pra ele não te atingir porque apenas bloquear machuca e dependendo da força do oponente pode te quebrar alguma coisa. E eu to falando isso porque, embora eu não tenha marcado a página, eu lembro de uma luta no livro onde fala que o Fidler deixa o inimigo atingi-lo muito por causa da presença da armadura, e eu só conseguia pensar "Mano, não, isso não é bom, armadura tem limites, caramba".

Por último, fazendo um pouco mais de spoiler, mas Fidler teve muito pouco problema a nível internacional após conquistar Ryddle. Simplesmente uma questão de estilo de luta que é resolvida com um duelo oficial contra dois lutadores de renome. Mano... Mano... Na verdade eu imaginava muito facilmente algum outro reino ou província se aproveitando da transição de governo pra atacar. Ou alegando que o poder vigente era ilegítimo e também atacando. Represálias econômicas e similares que iriam muito além de aumento nos preços. De certa forma, o autor focando apenas nos problemas internos da província que Fidler tem a resolver após conquistar é algo bem... Inocente, de certa forma.

Encerrando, quero fazer uma breve comparação: pensem em Death Note sem L ou Near e Melo caçando e contrapondo Kira e criando dilema mortal. É essa a sensação em Cavaleiro Negro: um Kira um pouquinho melhor moralmente, que passou alguns sérios problemas na infância e adolescência e que estudou mais ao invés de gênio desde o nascimento, mas sem nenhum desafio de fato ou quem o enfrente de igual pra igual enquanto tenta impor sua ordem. Ainda é uma história boa, mas entediante, porque nada realmente desafia o leitor em quanto a que lado escolher em uma história que procura ser moralmente dúbia em vários aspectos.

site: https://entredimensoesbooks.blogspot.com/2019/03/resenha-cavaleiro-negro.html
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