We

We Ievguêni Zamiátin




Resenhas - We


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Filhos de Ogma 12/11/2014

Resenha: We de Yevgeny Zamyatin
Acesse a resenha no meu canal do youtube

site: http://youtu.be/lOwyu87UTEw
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mila antares 28/09/2013

Leia antes de Admirável mundo novo (Aldous Huxley) e 1984 (George Orwell), que são de leitura obrigatória e sofreram influência desta obra de 1920.
A história é narrada pelo protagonista e passa-se no século XXX. Intrigante e interessante. Aliás, para complementar, assista o filme: Equilibrium, tem tudo a ver com a leitura e é maravilhoso.
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Anica 30/07/2011

We (Yevgeny Zamyatin)
We, romance do russo Yevgeny Zamyatin tem uma história por trás da história. Os manuscritos mais antigos da obra datam de 1919, mas ela só foi concluída em 1921. Por conta do tema tratado, foi a primeira obra censurada pelo Goskomizdat, na época o novo bureau de censura da União Soviética. A primeira vez que o livro foi publicado foi em inglês, três anos após ter sido terminado. Em russo, só em 1988 ele foi impresso, revelando-se assim um dos casos raros em que a tradução foi publicada muito tempo antes do original.

E mesmo com tantas dificuldades para ser publicada, ainda assim We serviu de inspiração para várias das distopias da literatura moderna, incluindo aí a citadíssima obra de George Orwell, 1984. Nesse caso é importante ressaltar a questão que um inspirou outro, porque levando-se em conta que a obra do russo ganhou ares cult no Brasil (não há traduções disponíveis nem no Estante Virtual), o inglês parece mais conhecido e então há uma inversão na distribuição dos méritos: ao ler o romance russo, não esqueçam, foi Orwell que se inspirou, e não o contrário.

Porque sim, é bastante complicado deixar de trazer para a leitura de We todas as outras anteriores que usavam a distopia como parte de uma alegoria para o Totalistarismo. Há elementos que se repetem, como por exemplo a presença do Benfeitor (o Grande Irmão?) ou mesmo o controle dos sentimentos e pensamentos das persongens. Mas vale vencer a sensação de já conheço essa história, porque o charme do romance russo é acima de tudo como a história é contada. Narrada como registros diários do protagonista D-503 (as pessoas não possuem mais nomes, apenas uma combinação de letra e números para diferenciá-las), a obra conta com capítulos curtos que aos poucos vão introduzindo o leitor no ambiente estranho em que vive a personagem, um lugar protegido por uma redoma de vidro onde tudo é transparente, a noção de identidade praticamente não existe e a liberdade é vista como um mal.

D-503 assume que seu leitor desconhece o funcionamento de sua sociedade, e gradualmente oferece explicações sobre seu modo de vida, explicações que em alguns momentos chocam o leitor moderno, primeiro por conta da atualidade da crítica que se constrói, segundo por desconstruir a noção que temos da sociedade atual, ao descreve-la como uma civilização antiga da qual pouco se sabe, cuja história é reconstruída a partir de quase nada que sobrou após a Guerra dos Duzentos Anos (um exemplo: as crianças leem a tabela de horários de trem, como se essa tabela fosse a literatura infantil da época anterior a narrada).

O narrador então conhece uma mulher misteriosa, I-330, por quem se apaixona. A natureza do amor é algo tão desconhecido nessa sociedade (na qual homens e mulheres tem tickets de encontros completamente impessoais) que ele sequer se reconhece apaixonado. Essa união provoca mudanças na personagem, que do lógico matemático passa a uma figura de pensamento caótico, que pensa estar doente por agora ter uma alma. I-330 atrai D-503, apresentando-o para um grupo que é contra o Estado Único, que planeja uma rebelião.

Dentro desses acontecimentos, vamos sendo apresentados à ideias do autor, suas críticas não só à Rússia pós-revolução de 1917, mas no final das contas a humanidade em si. Do que nos tornamos quando perdemos a liberdade, e mais do que isso, a vontade de mantê-la. De como o imprevisível nos muda, e pode ser em partes um dos causadores da nossa felicidade. São pensamentos tão geniais que você passa a querer grifar trechos e mais trechos do livro. E para os amantes da ficção cientifícia ainda ficam as n previsões de Zamyatin, passagens que falam de coisas que na época do autor ainda nem existiam, mas que hoje em dia são normais para nós. Essa visão do autor ganha destaque ao longo da narrativa, e ao mesmo tempo que espanta, também conquista.

O desfecho é bastante melancólico, a imagem criada é extremamente forte se pensarmos o que I-330 passa a significar para o protagonista. Mas mesmo assim, conclui brilhantemente uma viagem alucinante para um futuro que para nós leitores, já é em partes o presente. Crítico e inteligente, é realmente uma pena que no momento seja tão difícil encontrar traduções no Brasil para esta obra que ainda é tão atual, e tem tanto a dizer.
claudio.louzd 25/01/2015minha estante
Não é inacreditável que uma obra dessa relevância não tenha sido publicada em português? É claro, somos dominados pela esquerda nos círculos intelectuais (?) e à mesma não convém expor certas obras. Basta ver que apenas na queda da antiga União Soviética (1988) o livro recebeu a publicação russa. É assim o pensamento de certa (e imensa) parte da esquerda radical.


Ronaldo 25/05/2016minha estante
O livro existe sim em português e em duas versões diferentes, uma com o titulo de A MURALHA VERDE publicada pela finada editora GRD, muito rara de achar mesmo na Estante Virtual, se achar com certeza estará com preço $algado...E tem outra com o titulo de Nós, publicada por outras três editoras diferentes, todas cadastradas no Skoob: https://www.skoob.com.br/livro/edicoes/7208/edicao:53971


Anica 05/11/2016minha estante
Oi, Ronaldo, não tenho usado o skoob há tempos, só vi sua mensagem hoje.

Com meu comentário sobre não encontrar traduções no estante virtual não queria dizer "não há traduções" - só apontei a dificuldade de encontrá-las. Escrevi o post em 2011 e na época da pesquisa não tive retorno algum. E se você observar as edições cadastradas no skoob, entenderá a dificuldade para localizá-las: todas têm mais de 20 anos.

A boa notícia é que a Aleph (sempre a boa Aleph




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