Bartleby, o Escrivão

Bartleby, o Escrivão Herman Melville




Resenhas -


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Poesia na Alma 17/05/2017

literatura absurdista
Escrito originalmente em 1853, Bartleby, o escrivão, de Herman Melville, Editora José Olympio, 96 páginas, é um conto que nos mostra a história de uma figura misteriosa pelo ponto de vista do narrador, seu empregador num escritório de advocacia. Segundo sua concepção, Bartleby foi uma das pessoas mais curiosas e intrigantes que já conheceu. Ele o contrata a fim de ajudar no escritório conferindo cópias de documentos. Possui outros assistentes de personalidades peculiares, mas, nenhum deles se equipara ao jovem rapaz, que com o passar dos dias revela-se como um 'peso' que 'prefere não fazer' o que lhe foi solicitado...

Resenha por Maria Valéria, saiba mais aqui - http://www.poesianaalma.com.br/2017/05/resenha-bartleby-o-escrivao.html
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Our Brave New Blog 15/05/2017

RESENHA BARTLEBY, O ESCRIVÃO - OUR BRAVE NEW BLOG
O problema de falar sobre clássicos super clássicos é que a minha vontade é escrever um monte de besteira tentando criar novas teorias malucas sobre o porquê de cada coisa estar ali, e livros como Bartleby me dão ainda mais chance de fazer isso. Mas no final das contas, o povo mal conhece as obras em si (talvez tenha gente que nem saiba quem é Melville), então o meu trabalho tem que ser o de apresentar bonitinho para vocês saberem que a) este livro é um clássico e b) tentar explicar por que ele é um clássico. Não tem problema, o tio Victor conta para vocês.

Vamos começar pelo autor: Herman Melville, para quem não ligou o nome à obra, é nada mais nada menos que o autor de Moby Dick, provavelmente o maior livro estadunidense de todos os tempos. Melville era um cara bem louco. Jornalista e escritor, passou a vida por aí viajando de navio e aproveitou para escrever tanto sobre os lugares que visitou quanto sobre os marinheiros em si. E, por esse motivo, ele foi considerado um escritor menor (todo mundo que escrevia sobre aventuras no mar era considerado um escritor menor, isso inclui também gente como Joseph Conrad) até o povo dos anos 30/40 se ligar que Moby Dick era um livro muito louco.

Agora a sinopse do conto/novela em questão: um advogado narra a história, querendo falar sobre o mais bizarro dos empregados que ele já teve, um jovem calado que geralmente se recusava a fazer quase tudo que lhe pediam, mas realizava seu trabalho de escrivão com grande competência reescrevendo páginas e mais páginas por dia com aparente perfeição. Um dia, porém, ele para de fazer isso também, e passamos a observar os problemas que um ser humano pode causar dizendo apenas uma simples frase: Preferia não fazê-lo.

A primeira coisa que chama a atenção é como Bartleby se diferencia muito das outras obras de Melville, todas realistas, quando não também jornalísticas. E aí temos essa pequena joia literária que parece antecipar muito dos grandes escritores do século XX, como Robert Walser, Franz Kafka e Beckett, embora os dois primeiros, muito provavelmente, não tenham lido essa novela, justamente porque Melville era descreditado pela academia americana. Talvez esse fato deixe tudo ainda mais curioso, porque se tem uma coisa que encaixa com o gênero fantástico é essa "influência fantasma” que Melville teve em Kafka, o que deve dar um tema muito interessante tanto de tese de pesquisa quanto de ficção (acho que O Livro Negro, do Pamuk, já falou disso na verdade).

Porém uma coisa, talvez o essencial, que a obra carrega em comum com o grande clássico Moby Dick é a obsessão que os personagens observados sofrem. Bartleby faz um esforço tremendo para não fazer nada. E esse comprometimento com a inutilidade faz vários pensadores do século XX terem as mais diferentes visões sobre o que esse Niilismo extremado representa. A princípio parece uma depressão das mais absurdas, depois se interpreta como revolta contra o sistema político e social do ocidente, e a partir daí foi gerando visões cada vez mais interessantes e malucas, como por exemplo a do falecido Ricardo Piglia, que via em Bartleby uma espécie de leitor perfeito (afinal seu trabalho é copiar coisas exigindo extrema atenção na leitura para não errar) que primeiramente é totalmente dedicado a literatura, mas depois rejeita essa arte, e sua recusa à leitura é representada pela recusa de todo o mundo ficcional criado por Melville.

RESENHA COMPLETA NO BLOG: http://ourbravenewblog.weebly.com/home/resenha-bartleby-o-escrivao-herman-melville


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Luiza 22/04/2017

Bartleby, o Escrivão
Herman Melville (1819 - 1891) é considerado um dos grandes autores americanos do século XIX. Morto no esquecimento, Moby Dick e seu autor alcançaram a merecida fama no século XX, fama esta que ainda mantém o livro entre as grandes obras literárias já publicadas.

Mas não estou aqui para falar da grande Baleia Branca (ao menos não ainda). Bartleby, o escrivão, foi publicado em 1856 em um livro de contos chamado The Piazza Tales. O escritor argentino Jorge Luis Borges, que fez o prefácio deste livro, comenta que, neste conto, Melville define um gênero que Franz Kafka aprofundaria a partir de 1919, com suas fantasias que dissecam o comportamento e o sentimento humano.

O narrador deste conto é um advogado aposentado, que nos apresenta um episódio ocorrido com ele na época em que possuía um escritório na Wall Street. Chefe de dois escrivães e um aprendiz, e vendo-se cada vez mais sobrecarregado com suas atribuições, ele decide colocar um anúncio procurando por mais um escrevente.

Quem responde é Bartleby, um rapaz "palidamente delicado, lamentavelmente respeitável e irremediavelmente desamparado". Trabalhador voraz e de personalidade discreta, ele "escrevia em silêncio, apaticamente, mecanicamente", sendo, constantemente, o primeiro a chegar ao escritório e o ultimo a sair dele.

Até que em uma tarde, quando uma série de cópias precisam ser revistas com urgência, o advogado pede que Bartleby se junte aos outros escrivães para a revisão e , após uma longa espera, tem como resposta "prefiro não fazê-lo". Tal frase não foi dita de maneira rude, nem continha nenhum traço de agitação, e sim com uma calma tal que o advogado não consegue reagir.

E assim acontece sucessivamente. A cada nova tarefa pedida a ele, a mesma resposta, "prefiro não fazê-lo", dita de maneira tranquila, porém taxativa, e assim, aos poucos, ele deixa de fazer as coisas, e mesmo as tarefas mais básicas de sua função são abandonadas.

Bartleby desperta sentimentos opostos: ao mesmo tempo em que sua sua previsibilidade, sobriedade e afabilidade de comportamento inspiram "confiança e certo instinto protetor" e fazem dele uma "valiosa aquisição" ao escritório, as mesmas características, somadas à apatia ferrenha diante de tudo "gere súbitos acessos de ira contra ele".

É um tanto agoniante. Como se justifica agir contra alguém que não fez nada contra você? Que escolhe (usando o verbo favorito de Bartleby, que prefere" não fazer nada? Demite? Sim, é uma boa, só que ele "prefere continuar onde está" e não vai sair porque "prefere ali a outro lugar" ou "prefiro não me mover".

Ao perceber que alguns dos maneirismos de Bartleby estão se infiltrando no restante do escritório, o advogado recorre a uma solução mais drástica. Se ele não sai, saí o escritório. E advinha quem o novo dono encontra lá? Sim, ele mesmo, Bartleby, o escrivão.

A história é bem curtinha. Coisa de setenta páginas, mas não dá pra deixar de se sentir dividido tal como o advogado em relação a Bartleby.

A José Olympio está, mais uma vez, de parabéns pelo excelente trabalho feito com esta edição.

site: http://www.oslivrosdebela.com/2017/04/bartleby-o-escrivao-herman-melville.html
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Gaby 21/04/2017

Neste livro acompanhamos a narrativa em primeira pessoa de um advogado cujo nome não nos é revelado. Como ele mesmo gosta de ressaltar, é um homem sem ambição, prudente e metódico. Em seu escritório de advocacia em Wall Street, Nova York, há dois amanuenses a seu serviço e um aprendiz de 12 anos. Todos com personalidades distintas, até excêntricas, e o narrador faz questão de nos apresentar cada um deles, e como lida com os mesmos no dia a dia.

Um aumento no trabalho faz com que coloque um anúncio no jornal a procura de um novo escrivão para ajudá-lo. Chega então ao seu escritório um jovem imóvel, de aparência frágil e olhar desamparado. E aí que entra nessa história o personagem que dá título ao livro, Bartleby. O narrador resolve contratá-lo, ao mesmo tempo encantado e intrigado com o rapaz.

No começo, é tudo uma maravilha. O novo funcionário escreve em uma velocidade impressionante, é sereno e calmo, tudo o que o advogado precisava ali. Mas então as coisas desandam inesperadamente quando nosso narrador resolve dar algumas ordens a Bartleby e o mesmo responde firme e calmamente da seguinte forma: Preferia não fazê-lo.

O primeiro sentimento a se abater sobre o narrador é o estranhamento. Como um empregado se recusa a cumprir com as próprias obrigações? E de forma tão incisiva! Como o episódio se repete muitas vezes e Bartleby deixa de fazer até o básico ali, o incomodado advogado tem que encontrar uma forma de tirá-lo dali, mas até a se retirar Bartleby se recusa, e a situação vai ficando mais e mais complicada.

"Com qualquer outro homem, eu me teria lançado prontamente a um acesso de raiva, desdenhando explicações e o expulsando ignominiosamente da minha presença. Mas havia algo em Bartleby que não apenas me desarmava estranhamente, mas também, de uma maneira maravilhosa, me comovia e desconcertava."

Herman Melville ( autor de Moby Dick) traz neste conto um personagem tão excêntrico que se torna inesquecível. Bartleby é uma figura que consegue cativar tanto o narrador quanto o leitor com sua personalidade, sua inutilidade e o vazio que é sua vida. Ele prefere não fazer, e não faz. Preferir não fazer = nada. É com o vazio que o leitor bate de frente, e Melville fala disso como ninguém, fazendo o leitor se perder nas muitas questões que surgem, nas dúvidas, nas muitas interpretações...

Essa foi uma leitura que me envolveu maravilhosamente, me divertiu e me causou estranhamento; me fez rir e me fez refletir. Quem é Bartleby? Por quê prefere o nada a qualquer coisa? Como pode se negar a mais básica das coisas? Como se tornou um homem tão vazio? O autor tenta responder algumas questões, mas fica muita coisa a cargo da imaginação do leitor, o que é realmente muito bom.

Esse foi meu primeiro contato com o Melville e já quero conferir outras de suas obras, encantada que fiquei com sua escrita e sua visão sobre a natureza humana.

O livro já foi publicado por diversas editoras, em diferentes edições, e chega mais uma vez às prateleiras pela editora José Olympio, e essa possui a apresentação do escritor Jorge Luis Borges e tradução de A. B. Pinheiro de Lemos. Uma edição simples, bonita e sem erros de revisão.

O livro entrou para minha lista de favoritos antes mesmo de ter finalizado a leitura, e isso quer dizer muita coisa. Leiam, leiam, leiam!

Para conferir mais detalhes e fotos da edição, acesse o post:

site: http://umaleitoravoraz.blogspot.com.br/2017/04/bartleby-o-escrivao-de-herman-melville.html#more
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Jéssica - Janelas Literárias 12/04/2017

Batleby

Contado por um advogado "sem ambição", o conto se passa predominantemente em um escritório de escreventes judiciais, onde encontraremos os copistas Turkey e Nippers, o primeiro impaciente e irritadiço pela manhã, o segundo pela tarde, e ainda o ajudante Ginger Nut. O ambiente já recheado de excentricidade é balançado pela presença de um novo copista: Bartleby. Ao ser solicitado a fazer qualquer outro serviço que não o de escriturar, Bartleby responde com "prefiro não fazê-lo". 

Prefiro não fazer,  "I would prefer not to". Esta expressão, ainda que destituída de todo o contexto que Mellvile nos traz, já apresenta certa estranheza. Prefeir não. Uma preferência negativa.

O conto permite interpretações simbólicas e literais. As últimas me parecem ser mais certeiras. O primeiro "prefiro não" está conectado ao último. Ainda que nem mesmo o próprio Bratleby o percebesse, a primeira vez que utiliza a expressão já anuncia a derradeira. É uma progressão inevitável, porque esta fórmula, como diria Deleuze, aniquila não somente o que é preterido, mas também o preferido. Preferir não fazer nem nega nem afirma, é o nada.

Deleuze destaca também, como "preferir não fazer" se situa em uma linguagem que suspende a comunicação. A utilização consecutiva de "prefiro não", destrói a interação comunicativa. Não há mais o que se possa dizer ou compreender, a expressão é finalista.  


A ausência identitária, o vazio existencial e a indiferença faz de Bartleby um indivíduo que não tem personalidade, não é particular. O estranhamento promovido pelo contato com este ser é capaz de provocar um desalinhamento na dinâmica do escritório, mas sobretudo arruinar a paz do advogado narrador. 

A irracionalidade é contagiante. A busca pelo sentido, pelas motivações, explicações, fruto  de uma necessidade de compreensão que é tão humana, é levada ao clímax com a resistência passiva de Bartleby. É neste suspense que ele sai vitorioso.

O advogado cai em trabalho mental intenso de justificação para demiti-lo ou não. A sua incapacidade de lidar com a situação chega ao cúmulo quando tem de mudar seu local de trabalho para se livrar do instropecto empregado.


Simples, acessível e intrigante. Melville cria uma atmosfera cômica, risível, mas também, e sobretudo, perturbadora, triste e desencantada ao fazer o leitor se confrontar com o vazio, a desporsonalização e inutilidade. Um clássico da literatura do absurdo que provoca incômodo e reflexão sem deixar de divertir. Poderia falar muito mais da obra, mas prefiro não fazê-lo.
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Torpor Niilista 26/10/2017

Bartleby e a crítica sobre o Fordismo
Escrito originalmente em 1853, Bartleby, o escrivão é um conto que nos mostra a história de uma figura misteriosa pelo ponto de vista do narrador, seu empregador num escritório de advocacia. Segundo sua concepção, Bartleby foi uma das pessoas mais curiosas e intrigantes que já conheceu. Ele o contrata a fim de ajudar no escritório conferindo cópias de documentos. Possui outros assistentes de personalidades peculiares mas nenhum deles se equipara ao jovem rapaz, que com o passar dos dias revela-se como um 'peso' que 'prefere não fazer' o que lhe foi solicitado...

Ignorando o passado do estranho rapaz, o narrador fica cada vez mais irritado pela recusa de Bartleby em realizar mesmo pequenas ações no escritório. Ele esperava que sua calma aparente servisse como exemplo para Nippers e Turkey, mas percebe que além de não obter sucesso na investida, acabou adotando um problema ainda maior para si e seu ambiente de trabalho...

leia mais em

site: https://torporniilista.blogspot.com.br/2017/06/bartleby-o-escrivao-herman-melville.html
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Suka 04/06/2017

A história é contada por um advogado que tem seu escritório localizado na Wall Street, um senhor sossegado, que não gosta de discussões em qualquer âmbito da sua vida.
Ele irá descrever seus funcionários Turkey, Nippers e Ginger Nut como forma de embasar a sua personalidade. As atividades no escritório aumentam e ele acaba tendo que contratar um novo funcionário, o então Bartleby.
Bartleby é um homem de poucas palavras ou melhor quase nenhuma. O Narrador-personagem conta que o instalou próximo a sua mesa, separados apenas por um biombo para que se fosse necessário pedir algo a ele, já estaria perto.
Até então Bartleby faz seu trabalho que é copiar e o faz sem parar, um funcionário exímio, primeiro a chegar e ultimo a sair, até que é pedido a ele que ajude os outros numa revisão do seu próprio trabalho e ele apenas responder:
- Preferia não fazê-lo.
Questionado por suas atitudes ele continua a dá a mesma resposta. Isso apenas deixa nosso narrador curioso, então ele passa a observá-lo e isso só aumenta nossa curiosidade e a curiosidade do narrador sobre o Bartleby.
Certo dia Bartleby resolver não fazer mais o seu trabalho e passa o dia sem interagi com ninguém virado para parede.
O advogado tenta buscar resposta, mas não as encontra e suas atitudes apesar das situações que surgiram são sempre passivas.
É um livro instigante e que aguça nossa curiosidade.

site: www.suka-p.blogspot.com
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