Me diga quem eu sou

Me diga quem eu sou Helena Gayer




Resenhas - Me Diga Quem eu Sou


7 encontrados | exibindo 1 a 7


Patricia 28/05/2019

Sou bipolar, por isso comprei o livro. Não me identifiquei muito no início, mas, do meio para o final, gostei da leitura. Recomendo!
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Elyson Moraes 09/01/2019

Helena Gayer promove reflexões importantes acerca da reforma psiquiátrica, da relação médico-paciente, da desagregação pessoal causada pela bipolaridade. Também relata as consequências de ser uma polifarmácia psiquiátrica crônica. Achei extremamente interessante que, sem querer, acredito eu, ela aborda a etiopatogenia e os gatilhos que envolvem os transtornos psiquiátricos. Traz uma compreensão subjetiva, crua e simples do paciente bipolar diante da vida. Me fez questionar sobre o pouco investimento e valor dados à saúde mental, historicamente negligenciada. O livro também acaba passeando pelo mundo do Jornalismo e direitos humanos.
Helena procurou 7 psiquiatras em 30 anos, foi internada pelo menos 10 vezes, demorou 7 anos para terminar uma faculdade de Jornalismo, tomou mais de 40 mil comprimidos. Recomento esse livro para quem gosta de Psiquiatria; para quem não gosta, recomendo dez vezes mais.
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Coisas de Mineira 05/02/2018

Sabe quando nos deparamos com uma pessoa “de lua” que nos surpreende mudando de humor repentinamente? Em momentos assim é comum alguém dizer: “Fulano” é Bipolar. Mas será que realmente sabemos de todas as dificuldades enfrentadas pelas pessoas que de fato são diagnosticadas com esse transtorno? Em Me Diga Quem Eu Sou o leitor encontrará um relato verídico escrito por uma mulher que abrirá momentos marcantes de sua vida e te fará enxergar a pessoa por traz de um emaranhado de sentimentos conflitantes.

“Sou bipolar. Fui diagnosticada quando tinha 21 anos. Ou seja, vivo entre dois mundos. De um lado a depressão; de outro, a mania, a euforia. Nunca sei para que lado estou indo até mergulhar num dos extremos.” Pág. 9

Antes de ler o livro eu não fazia ideia de que esse distúrbio psiquiátrico podia resultar em sintomas tão graves e complexos como depressão e episódios de obsessão. Não sabia que tipo de história encontraria e me vi diante de uma mente vulnerável e inquieta resultando em uma vida conturbada, marcada por altos e baixos. Compreendi ser esse um transtorno grave e que afeta não só o bipolar, mas também a família, amigos e pessoas que convivem e presenciam a manifestação dos sintomas.

Percebi rapidamente que Helena vivia entre o fantasioso e o real. Uma leitura, por exemplo, era capaz de provocar delírios e levá-la a agir impulsivamente e correr muitos riscos, baseada em uma realidade imaginária. Uma maneira bem perigosa de se viver, tanto que a autora relata ter sofrido agressões, assédios e por diversas vezes acabou nas mãos da polícia. Sua prisão, contudo acabava sendo a solitária dos hospitais psiquiátricos. A triste trajetória de surtar e acabar sendo internada se repete varias vezes.

Narrando em primeira pessoa ela nos conta de maneira detalhada a dura realidade de suas internações. O desrespeito, o tratamento invasivo e às vezes violento. Conta do desespero naquele ambiente de loucura, da convivência com outros internos, das medicações e seus efeitos colaterais... Oscilação de humor, demência, insanidade, crises, surtos, delírios... Tudo isso faz parte do relato de Helena. É uma leitura que incomoda e ao mesmo tempo desperta curiosidade, empatia e admiração.

Tive a sensação de estar conhecendo muito intimamente a autora. Acho que todos irão se sentir assim após ler sobre trechos de sua infância, adolescência e vida adulta. Ela nos conta das viagens que fez, das amizades, dos estudos, da vida profissional... Menciona sua dificuldade para permanecer na realidade, lidando com seus transtornos em incansáveis tentativas de manter a sanidade e reassumir o controle da própria vida. Conhecemos também sua vontade de mudar o mundo, sua generosidade e envolvimento com questões sociais.

A autora me pareceu uma mulher bastante sensível. Há momentos em que o texto tem “um q” de poesia, mas também há partes compostas por um texto mais pesado. Houve situações em que ela era provocativa e acabava se expondo ao risco de ser violentada e isso me chocava. É uma obra nacional e o fato de a autora mencionar cidades e lugares que eu conheço me aproximou ainda mais da história. Achei a capa perfeita, a imagem nublada me fez pensar na confusão vivida por Helena.

Admirei muito a persistência da personagem real, sua vontade e capacidade de recomeçar. Ela também escreve sobre a necessidade de se perdoar. Abre seu coração, seus sentimentos, suas dificuldades, sonhos e frustrações. Torci e ainda torço para que cada vez mais ela consiga se superar e encontrar maneiras de manter o equilíbrio. Em minha opinião ela é um exemplo de que podemos e devemos seguir em frente sempre. Dificuldades todos temos, mas elas não irão nos parar enquanto nossa vontade de vencê-las for maior.

Gostou da resenha? Beijo da Nat.

Por: Nathalia Reis
Site: http://www.coisasdemineira.com/2017/06/resenha-me-diga-quem-eu-sou-helena-gayer.html
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Day 07/11/2017

Acredito que é uma leitura interessante principalmente para quem se interessa por transtornos mentais e gosta de não ficção. O relato de Helena nos faz pensar em como seria ter a doença (transtorno afetivo bipolar), um bom exercício de empatia! Gostei!
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Delirium Nerd 09/06/2017

Me Diga Quem Eu Sou: Sobre a importância de discutirmos saúde mental e distúrbios psicológicos
Helena Gayer vive em Pelotas, no Rio Grande do Sul. É funcionária pública na prefeitura. Foi diagnosticada como portadora do transtorno bipolar quando tinha 21 anos. Mesmo antes disso ela confessa já ter tipo alguns episódios de depressão. Chegou a cursar um ano de oceanografia, e nessa época rememora a lembrança de ter vários amigos. Sempre preocupada com as causas sociais e depois de batalhar por um longo tempo em movimentos ativistas pelo Brasil inteiro, formou-se em jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Para contar sua trajetória de dor e superação, Helena escreveu seu primeiro livro, chamado Me diga quem eu sou.

Segundo definição de Dr. Drauzio Varella:

“Transtorno afetivo bipolar é um distúrbio psiquiátrico complexo. Sua característica mais marcante é a alternância, às vezes súbita, de episódios de depressão com os de euforia (mania e hipomania) e de períodos assintomáticos entre eles. As crises podem variar de intensidade (leve, moderada e grave), frequência e duração. As flutuações de humor têm reflexos negativos sobre o comportamento e atitudes dos pacientes, e a reação que provocam é sempre desproporcional aos fatos que serviram de gatilho ou, até mesmo, independem deles. Em geral, essa perturbação do humor se manifesta tanto nos homens quanto nas mulheres, entre os 15 e os 25 anos, mas pode afetar também as crianças e pessoas mais velhas.“

É esse o distúrbio que acomete a autora e personagem principal do livro Me diga quem eu sou, Helena Gayer. Essa informação não é um spoiler, aliás é o subtítulo na capa do livro. Mas isso nem de longe nos prepara para o que vamos presenciar na leitura dele.

Todo o universo que a autora nos apresenta é, de início, absurdamente comum: ser jovem, estar numa faculdade, frequentar a praia e até mesmo ter que aprender a conviver com o divórcio dos pais. Mas toda essa semelhança se esvai em segundos em todos os cenários de Helena. Exatamente por causa da bipolaridade, situações corriqueiras e sem gravidade tornam-se armadilhas com horríveis consequências. Já seriam suficientemente ruins as situações de estar em perigo de vida, ser levada pela polícia, violentada. No caso dela, somam-se as internações que ocorriam sempre em casos de ápice da mania, um horror que não é, infelizmente, incomum e desconhecido por nós, ainda que teoricamente.

Mas o que deixa tudo muito pior é que Helena está lúcida. O transtorno está a conviver com ela sem a dominar totalmente. Enquanto lemos seu relato vemos, por um lado, a rapidez que talvez tenha a ver com um pouco da desorientação de uma mente imaginativa, que está, parece, andando sempre em seu último sopro, com medo do que possa encontrar na próxima curva; por outro lado, porém, vemos também a mente coerente, inteligente e sagaz de uma jornalista, de uma pessoa adulta.

É interessante que Helena tenha escrito um livro, ela mesma, já que em vários momentos de sua história ela aponta que foi sempre influenciada por alguma obra em específico, quase sempre com algum viés espiritual (desde a Bíblia até o Dalai Lama). Segundo ela mesma “Desde a adolescência eu pensava em interferir no mundo , e a espiritualidade sempre foi uma busca constante em minha vida.”

Entretanto, ao contrário do que se podia esperar as obras, que a princípio serviriam de inspiração para Helena tocavam em um ponto crítico de sua natureza: o quadro de mania. E era a intensificação desse quadro que residia a razão de vários problemas que ela enfrentou. Nos seus episódios de mania ela ela realmente acreditava que estava aqui por algum motivo especial, que era de algum modo enviada para grandes e inesperados atos. Um pouco por causa disso, um pouco talvez pelo risco inerente à sua situação de limite, ela esteve a vida toda atrelada às causas sociais. Trabalhou por eles, com eles e para eles no Brasil inteiro. Chegou também a fazer parte de ONGs e Movimentos sociais dos quais não só lembra com carinho, como também recorda ter deixado neles, importantes marcas. Tanto que esteve envolvida em vários deles, sendo inclusive convidada a deles participar. Tais participações, bem como todas as viagens resultantes delas, não deixaram de preocupar sua família.

Porém, outro traço que se acentuava em seus episódios de mania e que a fazia sofrer enormemente por isso, era que ela se sentia indestrutível. E isso a prejudicava de várias e tenebrosas formas. Em meios aos surtos, ela chegava a ficar muitas horas, até dias sem se alimentar. Dormia muito pouco e tinha como rotina fazer caminhadas intensas e longas, não se importando sobre seu destino ou mesmo se reconhecida os lugares por onde passava. Essa confiança de que nada poderia lhe atingir, inclusive, fazia com que ela provocasse e enfrentasse as pessoas, fossem mulheres ou homens, mais fracos ou fortes que ela. Isso, aliado às suas andanças, a colocou em lugares estranhos e com pessoas desconhecidas, deixando-a muitas vezes à mercê de abusos físicos e até sexuais.

Quer seja por ausência de auto comiseração ou quem sabe, um tipo de costume por passar por tantas coisas tão duras, o registro que Helena faz de sua vida até hoje é construído com distanciamento inquietante. Ela não se perde em lamentações, mesmo nas partes em que é evidente a fragilidade e a fatalidade da situação em que ela se encontra, coisas que justificariam completamente que nos compadecêssemos dela.

Ao fim da leitura, depois de temer por ela, chorar e até rir um pouco com Helena, entretanto, algo fica potente e incomodando dentro da cabeça, da alma. Helena lutou o tempo todo contra tudo, contra o próprio distúrbio. Lutou para ser tão sã como os que a cercavam. E ela não se eximiu de nada. É possível que a grande sacada talvez, desse tipo de atitude da autora – se ela existiu, como parece – é a de que quem realmente precisa de pena somos nós. Por que diante de uma pessoa acometida por um distúrbio que a deixa tão fragilizada e incapacitada, nós, que estamos lúcidos e no controle, tomamos a atitude de a abandonar, negligenciar e até de a agredir e machucar. Me diga quem eu sou, Helena pede. Entretanto, ao tentar se definir, é a nós que essa pergunta se dirige, no fim das contas.

É uma leitura mais do que necessária, a todos nós. É a nossa cabeça que precisa urgentemente se abrir para compreender que se a nossa vida comum já é complexa, que dirá a de quem sofre também com um distúrbio mental. E essa compreensão se faz necessária para muito além de apenas admitir que exista o distúrbio: ela é importante para que entendamos o quão despreparados estamos para conviver, com respeito e dignidade perante o outro e a diferença que ele, inexoravelmente, tem em relação a nós.

site: http://deliriumnerd.com/2017/06/05/me-diga-quem-eu-sou/
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Raffafust 07/06/2017

Esse não é um livro feliz, é sim um depoimento corajoso de quem sofre de bipolaridade, e confesso que apesar de usarmos muito a palavra até mesmo para definirmos nossas mudanças de humor repentinas, foi nessas 113 páginas que descobri que a doença é séria, que quem a tem luta com remédios fortes para agir como costumamos chamar de "normal".
Sendo assim, é por essa história que descobri com Helena, que seus dias nunca foram fáceis, que caminhar entre o real e o alucinação sempre fizeram parte de sua vida, e que sua inconstância sempre fez uma única vítima: ela mesma.
Por muitas vezes ela quis ser livre, por outras se viu presa, principalmente quando foi internada em uma hospício, a vida seria muito pior do que poderia imaginar, e nem ela se entendia. Lá conheceu e viveu um amor intenso, mais ele por ela do que da parte dela por ele. Não tinha leis, não ligou se ele era casado, tão pouco se importou quando libertos ele quis que desse certo, ela não quis nada.
A impressão que temos é que andamos com ela em terreno minado, a vontade de estar em um lugar pode virar em questão de instantes um pesadelo, a vontade que não controla, os dias que não lhe dizem quase nada.
Sabe que há algo diferente com ela, entende que sua sanidade é quase nula por muitas vezes. Não sabe que rumo tomar, nem sabe onde vai parar.
Cada vez que se descobre sofre com o que ela é, foi diagonisticada com 21 anos, na época não terminou a faculdade de jornalismo, tenta achar sua paz mas sabe que sem os médicos dificilmente sairá dessa louca vida de ser instável.
É um livro de superação, para se ler em um dia só, uma prova de que há certas coisas que não temos controle sozinhos, que é preciso reconhecer que precisamos de ajuda, é intenso e verdadeiro e por vezes perturbador.
Parabéns à autora por se abrir sobre o tema e nos fazer perceber que algumas pessoas só queriam a instabilidade emocional, e a gente tem e nem dá valor muitas vezes.

site: http://www.meninaquecompravalivros.com.br/2017/06/resenha-me-diga-quem-eu-sou-edobjetiva.html
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Leonardo.Paula 07/05/2017

Leitura esclarecedora
Ótimo aos que desejam conhecer mais sobre a bipolaridade e derrubar preconceitos. Com os olhos de uma sobrevivente, ela relata com muita propriedade a sua experiência. Em uma dinâmica semelhante a contos, onde não segue uma ordem cronológica dos fatos, a autora explica e desmistifica a mente bipolar em textos muito bem escritos por ser uma jornalista de formação.
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