O Templo dos Ventos

O Templo dos Ventos Marcelo F. Zaniolo




Resenhas - O Templo dos Ventos


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Aline 02/05/2017

Escrita leve e gostosa, estória diferente e com potencial para agradar um grande público!

Conheci O Templo dos Ventos através do LivroCast, podcast literário que mais costumo ouvir e do qual aprecio muito o conteúdo. Quando soube que o host do programa, Marcelo Zaniolo, lançaria seu primeiro romance a empolgação tomou conta dos meus dias, já que sempre considerei os episódios de qualidade e acreditava que um livro escrito por ele não poderia ser diferente. A emoção foi grande ao receber sua produção em mãos e a experiência de leitura deliciosa. O jogo virou, Marcelo. Acostumado a falar sobre os livros alheios, agora está na hora de ter sua própria obra sob os holofotes.

O Templo dos Ventos é o primeiro livro da Trilogia dos Pássaros. Narrado em primeira pessoa, conta a estória de Noah e seus amigos que, após encontrarem um jovem morto na Aldeia onde vivem, suspeitam ter sido atuação de pessoas que foram expulsas dessa comunidade e partem em busca de vingança. O que eles não imaginam são as surpresas que encontrarão pelo caminho e que envolvem um mistério ainda maior e mais antigo.

Desde o início da leitura é fácil encantar-se pela escrita do Marcelo, que é limpa, clara, objetiva e sem firulas ou rodeios. Fica evidente o quanto o autor conseguiu direcionar seu talento para o público juvenil atendendo muito bem às expectativas. Além da escrita cativante e fluida, os capítulos são curtos, terminando sempre como um trampolim que leva o leitor à próxima página. Acredito que seja o livro ideal para aqueles que não possuem o hábito de ler, e, incrivelmente, também é oportuno para os leitores assíduos que queiram aventurar-se por uma estória leve e gostosa de acompanhar. O gênero literário também pode agradar uma ampla quantidade de leitores, por tratar-se de uma fantasia que não é apelativa nem clichê, apresentando aspectos mitológicos numa dose equilibrada e que provavelmente não incomodariam os leitores que preferem contos mais realistas.

O universo criado pelo autor é convidativo. Apesar de a estória suceder um evento desastroso, o ambiente originado a partir de então instiga o leitor a querer vivenciar aquele cotidiano. O trabalho em comunidade, as conversas entre os personagens, a empatia que se cria naquele mundinho é invejável para nossos dias atuais, permeados pela tecnologia e pelo individualismo. Essa estória, talvez sem a intenção, pode facilmente trazer reflexões a respeito de nossa organização social e do impacto que nossos comportamentos podem ter num complexo maior. Não estou dizendo que a sociedade retratada é perfeita. A comunidade terá seus problemas, o que é natural em todo agrupamento de pessoas; contudo, é um ambiente delicioso de transitar, independente de suas adversidades.

Os personagens são convincentes e o relacionamento entre eles mostra-se dinâmico. Particularmente, achei o narrador dotado de um carisma do qual nem ele parece ter consciência. Seus pensamentos e comportamentos conseguem transmitir benevolência e paz durante toda a leitura, facilitando a identificação do leitor com seus futuros dilemas. Através do convívio entre os personagens principais são trabalhados estereótipos muito presentes em qualquer sociedade, ajudando o leitor a questionar seus preconceitos, principalmente acerca de como o meio poderia influenciar a personalidade de seus sujeitos. É interessante notar ao longo da trama o quanto esse relacionamento do grupo se desenvolve, fortalecendo os laços e preparando os personagens para desafios maiores.

Por fim, não posso deixar de mencionar o quanto amei o final da estória. O fechamento é envolvente, de forma que o leitor é puxado para esse universo de maneira inteligente, ficando com a sensação de ter participado ativamente da narrativa. A sensação vai muito além da mera ansiedade para ler o próximo livro, ela instiga à ação, como se fosse responsabilidade do leitor auxiliar os personagens naquilo que estão vivenciando.

Essa edição apresenta alguns erros de digitação, o que é compreensível por ser uma obra independente, mas que certamente serão corrigidos num futuro próximo. A dedicação do autor é conhecida por seus ouvintes do podcast e sabemos que o livro foi reescrito inúmeras vezes, primando pela qualidade do conteúdo e possivelmente tornando difícil perceber detalhes da digitação após a estória ter sido lida tantas vezes. Mesmo assim, esses pormenores em nada comprometem o entendimento da narrativa ou o prazer durante a leitura. Todo o cuidado com o estilo da escrita, com a confecção da linda capa, os detalhes adicionais da impressão, como orelhas do livro e marcadores de páginas não podem ser desmerecidos e, desconsiderando os erros de digitação, o conjunto poderia facilmente parecer resultado do trabalho de uma grande editora. Por essa razão acredito que todos os profissionais envolvidos na elaboração desse livro merecem elogios já que o resultado supera expectativas.

É impossível finalizar essa resenha sem relatar o grande prazer que sinto ao recomendar a leitura de O Templo dos Ventos. Hoje fico emocionada ao lembrar sobre quando ouvi o primeiro episódio do LivroCast, há alguns anos, em que o Marcelo teve a nobre atitude de solicitar feedback sobre o programa no próprio episódio-piloto e eu passei a admirá-lo a partir de então. Ao longo dos demais episódios ele sempre manteve uma postura ética e pacífica ao falar sobre tantos livros, respeitando seus autores e também as divergências de opiniões que tais produções poderiam gerar. Sempre admirei o conteúdo e a qualidade dos programas e, como mencionado anteriormente, saber que desse meio sairia um livro me deixou muito empolgada. Hoje, após ter finalizado a leitura da obra, fico muito feliz ao recomendá-la sem medo. Eu já brincava dizendo ser fã do Marcelo, e agora tenho ainda mais um motivo para admirá-lo. De comentarista literário criterioso a escritor dedicado, ele só tem a crescer! Espero muito que esse livro seja um marco para a fantasia nacional e alcance o sucesso que certamente merece!
Marcelo F. Zaniolo 05/05/2017minha estante
Li, reli e li mais uma vez a sua resenha. Muito obrigado por tudo, Aline. Fico imensamente feliz em saber que você gostou do livro e que trata com tamanho carinho o meu trabalho (livro, podast...). Espero seguir melhorando e agradando, viu? Hahaha... Muito obrigado MESMO por toda a força e o apoio! o/


Aline 19/05/2017minha estante
Nossa, só agora vi esse comentário (no app não está aparecendo). Marcelo, é fácil tratar com carinho os seus trabalhos sabendo que você faz com tamanha dedicação. =) Desejo todo o sucesso que você merece!

\o




Rahmati 31/03/2017

Uma aventura refrescante e arejadora
O romance de estreia do Marcelo Zaniolo é uma aventura verdadeiramente refrescante no cenário da literatura fantástica nacional.

Não copia nada de ninguém e não é previsível; se inspira, sim, em coisas que o autor gosta, e isso se reflete totalmente no texto: é divertido, fluido e empolgante. Não deve nada a qualquer autor já estabelecido.

A aparente simplicidade da trama é, na verdade, seu ponto mais forte -- em tempos de histórias com viradas e plots freneticamente complexos, ler O Templo dos Ventos areja o cérebro e aquece o coração. Além disso, não tem como não gostar de todos os personagens... E é um dos poucos livros que me lembro de ter lido em que o narrador não é o personagem principal!

Como eu disse na retrospectiva do meu blog, O Templo dos Ventos foi uma das minhas melhores leituras do ano, que não foram poucas!
Marcelo F. Zaniolo 03/04/2017minha estante
Muito bom ler que causei essa impressão, amigo! E obrigado pela resenha! o/




Ary Félix 02/04/2017

Bom começo
Em um mundo pós apocalíptico uma história se inicia. Mas aqueles que estão pensando em Mad Max por exemplo, podem esquecer. Aqui a humanidade está mais feudal que futurística pois a tecnologia se perdeu.

Poucos humanos existem, e eles fazem uma comunidade agrícola e caçadora, isso até uma gigantesca águia aparecer.

A história tem personagens cativantes, mas não memoráveis que vão em buscas de respostas e mesmo com medo de saírem de sua aldeia, não impedem de seguirem em frente, nem mesmo os temíveis renegados. No percurso eles crescem, se fortalecem e conseguem achar algumas respostas e mais perguntas.

O texto é narrado em primeira pessoa, de quem seria o escrivão e irmão mais velho do escolhido. Mas a trama cresce e outros personagens se unem ao grupo, não sem um pouco de desconfiança.

É um bom livro para quem está iniciando, e pensar que ele irá melhorar sua escrita me faz ficar ansioso pelos próximos livros.
Marcelo F. Zaniolo 03/04/2017minha estante
Eu espero melhorar e muito como escritor ainda, claro. Mas como é bom saber que causei tal impressão com meu primeiro livro! Hehe... Fico feliz que você tenha lido e gostado, amigo! E muito obrigado pelo seu feedback! o/




Willianpm 11/04/2017

A escrita do autor nota 10
Esse livro chegou ao meu conhecimento através de podcasts literários. Fiquei ansioso por ler, mais uma obra nacional, será que eu iria gostar?

Fantasia e aventura é um gênero que me cativa muito, mas infanto juvenil é algo pelo qual eu já passei dessa fase. Porém, lendo essa sinopse, ela me convenceu demais por isso a ansiedade. O Templo dos Ventos é um livro literalmente infanto juvenil, dá para ver o cuidado que o autor teve na hora de colocar cenas como o de lutas contendo-se nas palavras, mas felizmente muito bem desenvolvidas e sem deixarem de serem realmente lutas.

A escrita usada no livro é excelente, algo que encontrei em poucos autores nacionais que já li. O autor consegue passar com facilidade ao leitor tudo aquilo que se passa na cabeça dele, na hora de escrever, deixando a gente bem situado e empolgado com o desenvolvimento da história. Aliás, falando em história, é sensacional, principalmente nos primeiros capítulos, onde é visível a preocupação que teve em fazer um gancho atrás do outro me fazendo garrar gosto desde o início. Isso funcionou muito bem. O protagonista também é muito carismático, um sujeito simples, que não tem nada de especial, fugindo de qualquer clichê.

Gostei bastante da versão para Kindle que apesar de ter lançado de forma independente tem poucos problemas de ortografia e não encontrei nenhum problema de edição.

Por fim quero recomendar a leitura desse livro que só pela escrita que o autor usa já vale a pena, e essa história cara… Não vejo a hora de puder ler a continuação.
Marcelo F. Zaniolo 11/04/2017minha estante
Amigo, que resenha mais incrível e que feliz que eu fiquei com ela. Obrigado! Fico contente em saber que você gostou tanto assim da obra, e espero continuar agradando com o restante da trilogia. Obrigado não só pelo interesse em me ler, mas pela disposição de deixar aqui seu feedback. De coração, isso é importante pra mim! Abraço! o/




Mih 29/05/2017

Cadê o segundo volume?
Após a leitura deste livro fiquei me perguntando como faria a resenha dele. Então resolvi começar de uma forma simples: "O Templo dos Ventos" é um livro de fantasia que prende o leitor do começo ao fim.

Marcelo nos apresenta um cenário pós-apocalíptico e depois de A Grande Inundação varrer o mundo, tudo muda e, obviamente, as pessoas também mudaram; voltaram a viver em comunidade, compartilhando a vida e os bens em um lugar chamado Aldeia, habitado por mais ou menos 100 pessoas. Nesse cenário novo, o homem volta a temer a Natureza e tudo o que você conhece já não é o mesmo e algumas histórias foram esquecidas, mas elas precisam ser recordadas. Então, acomode-se e prepare bem os ouvidos que essa narrativa está cheia de aventuras e perigos.

Depois da morte de um dos membros da Aldeia, provavelmente assassinado pelos Renegados (aqueles que por algum crime foram expulsos do convívio com os membros da Aldeia e lançados à própria sorte na temida montanha), lendas voltam à memória do Ancião quando uma grande Águia Branca aparece no Templo dos Ventos, um lugar construído para a reunião dos membros em ocasiões especiais. O que eles não sabem é que ela vem cobrar uma dívida muito antiga que remonta o período antes da Grande Inundação. É aí que tudo começa a tomar um rumo diferente e junto com Noah, o Escrivão da Aldeia e desta história, que sempre sonhou conhecer o Novo Mundo, Átila, o líder do Grupo de Caça e de Segurança e irmão de Noah, e o implicante Deni, filho do Ancião, o homem mais velho e sábio da Aldeia, embarcamos na jornada em busca de respostas para tudo de estranho que começou a acontecer.
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Tantas sensações me envolveram nesta história contada por Noah. Sempre tinha algum acontecimento que me abalava e Marcelo conseguiu me impressionar até o fim do livro. Achei tão interessante a forma que ele terminou este primeiro volume. Reforça a ideia que lemos pergaminhos trazidos por um Pombo-Correio. História que nos alcançou e que nos faz querer saber mais sobre o que acontecerá com Noah e seus amigos; mensagem que coloca nas mãos do leitor a responsabilidade de comunicar a alguém a atual situação dele, e aqui estou eu cumprindo minha tarefa, compartilhando com vocês esta história incrível que merece ser lida e conhecida por todos e, de novo, compartilhada. E não importa quanto tempo demore, espero que o Pombo alcance o maior número de pessoas e mais e mais leitores desenrole os pergaminhos que ele traz e embarque com nosso querido Escrivão nessa épica leitura de "O Templo dos Ventos" e que o Marcelo escute o clamor dessa leitora desesperada e agilize o segundo volume da Trilogia dos Pássaros.
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A resenha estrá completa no blog.

site: http://eusouumpoucodecadalivroqueli.blogspot.com.br/
Marcelo F. Zaniolo 30/05/2017minha estante
Nossa, que demais isso! Haha... Ver você empolgada é a melhor parte de escrever. Obrigado pela resenha e pelo apoio, Mih. De coração. Tenha certeza de que seus votos contam muito para mim, e que estou sim escrevendo o segundo livro para dar logo sequência a essa saga! Hehe... Obrigado mesmo. Espero seguir agradando! Hehe o/




Carol Vidal 31/07/2017

Experiência de leitura que flui
O livro é muito bem escrito, com uma história bem contada e amarrada. Nada está ali a toa e os pontos se conectam de forma muito eficiente. Além disso, todo o contexto de ligação da humanidade com a natureza é muito bonita. Vale a leitura!
Marcelo F. Zaniolo 15/08/2017minha estante
Poxa, Carol, MUITO obrigado pela oportunidade de ser lido e pela sua resenha. Fico feliz com sua opinião, e espero seguir assim nos próximos volumes. Um grande abraço e, mais uma vez, obrigado. De coração! o/




Nicoly Mafra - @nickmafra 13/09/2017

#ResenhaNickMafra: O Templo dos Ventos | @celo_zaniolo | Nota: 4.
Em O Templo dos Ventos, primeiro livro da Trilogia dos Pássaros, conhecemos um mundo pós-apocalíptico, onde, após a Grande Inundação, os sobreviventes passaram a viver no alto de montanhas em pequenas comunidades; e mesmo depois de tanta destruição, os poucos sobreviventes não conseguem conviver em paz.

A pequena comunidade chamada de "Aldeia" está passando por um momento tenso. Após a morte do pequeno Peri, seu irmão mais velho, Gavin, resolve sair da Aldeia para encontrar o responsável pela morte de seu irmão, e, assim, ter sua vingança. Não o bastante, a Aldeia recebe uma visita inesperada; uma grade águia branca aparece no Templo dos Ventos, e o objetivo da visita é a cobrança de uma antiga dívida que muitos acharam que era apenas uma lenda.

Preocupados com a segurança de Gavin e tentando encontrar um modo de pagar à dívida entre os humanos e os pássaros, Noah, o escrivão da Aldeia e narrador desta história, Átila, irmão mais novo de Noah e líder do Grupo e Caça e de Segurança, e Deni, filho do Ancião da Aldeia, irão sair da segurança da comunidade e irão embarcar em uma perigosa jornada; mas será que eles estão preparados para o que eles irão encontrar?
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Com uma escrita simples e fluida, Marcelo Zaniolo consegue cativar o leitor nas primeiras páginas de O Templo dos Ventos - uma fantasia muito bacana voltada para o público jovem. Este é o primeiro livro do autor, publicado de forma independente, e a leitura foi uma grande surpresa - gostei muito do universo que foi criado, do enredo da história e dos personagens.

Foi muito interessante acompanhar a jornada desses personagens e ver o desenvolvimento desta aventura; adorei os pontos fantásticos que foram adicionados à história e estou curiosa para ver como eles serão desenvolvidos nos próximos livros.

Durante a leitura senti um pouco a falta de ação, mas acredito que os próximos volumes irão saciar essa minha vontade. Estou bem empolgada para ler o segundo volume desta trilogia, já que o final deste livro deixou meu coração apertadinho.

Recomendo muito a leitura deste livro, principalmente para os fãs de fantasia!

site: www.instagram.com/nickmafra
Marcelo F. Zaniolo 27/09/2017minha estante
Nick, MUITO obrigado por tudo. Foi um prazer contar com o seu interesse na minha obra e melhor ainda agora, ao ler o resultado de sua leitura. Espero que a trilogia siga no mesmo clima, com alguma evolução, é claro, e que eu consiga continuar agradando. De coração, você fez um autor feliz! Hehe... Um grande abraço! o/




Airechu 02/10/2017

"— Pruuuu!"
Anos após uma Grande Inundação que dizimou a civilização como a conhecíamos, alguns poucos descendentes dos sobreviventes desta tragédia resistem à força devastadora da natureza numa Aldeia no topo duma montanha, onde seus antepassados se refugiaram. Tudo em volta desta montanha agora é mar e as ruínas do que outrora foram os prédios de uma grande metrópole repousam submersos como um antigo cemitério do progresso desenfreado e inconsequente da humanidade. É nesse cenário pós apocalíptico e hostil que Marcelo F. Zaniolo, escritor paranaense, host e criador do podcast LivroCast, ambienta seu primeiro romance, O Templo dos Ventos, volume inicial da sua Trilogia dos Pássaros.

Nesta aldeia de sobreviventes, a vida prossegue, sem as mesmas facilidades tecnológicas da civilização atual, mas de modo pacífico, organizado e bem estruturado. Entre sua pouco mais de uma centena de habitantes, lá residem Noah, o escrivão encarregado de registrar toda a história da aldeia em pergaminhos, seu irmão mais novo, Átila, um grande guerreiro e líder dos Grupos de Caça e da Guarda. A liderança da Aldeia é exercida por um conselho comunitário presidido por um sábio Ancião que já prepara o filho, Deni, para sucedê-lo transmitindo a ele conhecimentos que remontam aos primeiros sobreviventes do Dilúvio. Eram muitas as atividades a serem desempenhadas lá: tecer, colher, cozinhar, caçar, proteger etc e todos se envolvem e colaboram da melhor maneira possível pelo bem comum.

Mas tal harmonia é quebrada quando Peri, um jovem garoto, irmão de Gavin, o segundo guerreiro em comando ao lado de Átila, desaparece misteriosamente, sendo encontrado morto alguns dias depois e em circunstâncias assustadoras. Um grupo é então formado para investigar as causas de tamanha atrocidade e resgatar Gavin que partiu sozinho em busca de vingança contra os Renegados, um grupo de dissidentes expulsos da Aldeia. Ao mesmo tempo uma enorme e misteriosa Águia branca surge no Templo dos Ventos e clama por ajuda relembrando aos humanos da Aldeia de uma antiga Dívida que eles têm com os pássaros. Dúvidas são levantadas e logo colocam os protagonistas em movimento, quem são os responsáveis pela morte de Peri? Onde está Gavin? Como Átila consegue se comunicar com a Águia Branca? Que perigos agora rondam pássaros e humanos e por quê uma nova aliança entre eles é firmada?

Quando se fala em literatura de fantasia quase que instantaneamente formamos em nossa cabeça um cenário europeu medieval. O Templo dos Ventos desvia com muito êxito disso ao nos presentear com uma trama mais focada na exploração de uma densa floresta em terreno montanhoso, quase que uma ilha de vida, de fauna e flora e de humanidade rodeada por um extenso oceano. O modo de vida de seus personagens me remete muito às primeiras tribos humanas. Sem aço, sem armaduras, sem cavalos e sem magia prodigiosa, os sobreviventes do Grande Dilúvio precisam se virar com pouco mais que agricultura, caça e pesca, mas possuem um acampamento altamente especializado e organizado e com regras bem definidas de conduta. O autor consegue nos transportar para um cenário instigante e desafiador, e o faz com o frescor de novidade. O que há além do oceano? Há mais humanos além dos da Aldeia e dos Renegados na montanha? Em que lugar da nossa Terra atual se passa a história? São perguntas que me acompanharam durante a leitura e cujas respostas foi um prazer descobrir com os personagens e os seus aliados animais.

Aliás eles são outro aspecto positivo do livro que merece ser ressaltado. Usando um jargão típico dos RPGs, os Companheiros Animais são bem comuns em diversas outras obras, há desde os monstrinhos de bolso de Pokémon, até os temíveis dragões de Game of Thrones, passando pelas nobres montarias como o mítico Pégaso ou o Scadufax de Gandalf, até aqueles que se tornam parceiros e desenvolvem um vínculo afetivo extremamente forte com os personagens como o inesquecível Falkor de A História Sem Fim. Mas por quê tantas histórias se valem deles para serem contadas? Eu não sei! Mas o fato é que talvez precisemos dos animais justamente para lembrarmos que somos parte de algo muito maior do que nós mesmos, da natureza, e instintivamente buscamos nos reencontrar com este nosso lado um tanto negligenciado através de histórias assim.

Em O Templo dos Ventos não é diferente. Na figura alada de aves de diversas espécies, os protagonistas se reencontram com suas próprias naturezas, ser humano e as aves formam um elo e passam a se comunicar, a compartilhar as mesmas emoções e até mesmo a própria visão. Ambas as espécies são movidas por objetivos comuns e uma parceria entre elas não apenas é proveitosa, mas pode significar a vida ou a morte de todos, embora a priori ninguém, ave ou não, saiba ao certo para onde a aventura vai levá-los.

Entre os temas discutidos ao longo do livro e em seu subtexto estão também o desenvolvimento de relacionamentos pautados por confiança e sinceridade mútua, um alerta sutil, mas urgente da necessidade de desenvolvermos uma consciência ecológica mais incisiva e madura, a busca por aceitação e reconhecimento, os pequenos dramas fraternos, além de valores como o trabalho em equipe, a amizade e o respeito aos animais e a cautela ao se julgar e condenar alguém por qualquer conceito pré estabelecido que talvez tenhamos.

Quanto aos personagens eles são bem caracterizados em termos de personalidade e possuem arcos bem definidos com motivações próprias, conflitos internos e externos. Eles são transformados pela jornada, descobrem-se e redescobrem-se nela. Noah e Zoe um pouco mais, Átila, Deni e Gavin talvez um pouco menos, mas ainda assim há cenas e desenvolvimento o suficiente para que nos importemos e nos identifiquemos com eles. Acrescente-se aqui os pássaros que os acompanham e auxiliam o tempo todo, a Águia, a Coruja, o Falcão, a Gaivota e o Pombo Pruuuu!, cada um deles um reflexo da personalidade do próprio personagem ao qual se ligam.

A edição impressa do livro pode ser adquirida diretamente com o autor e foi a que li e merece menção o perceptível cuidado despendido com a diagramação, layout e impressão do mesmo. Exceto pela revisão, a versão impressa não fica devendo em nada para publicações profissionais. Destaque também para a linda arte de capa de autoria de Jean Millezzi que ilustra a primeira aparição da Águia no Templo dos Ventos, o local sagrado que empresta seu nome também ao título.

Há alguns ótimos momentos no texto, que nos é narrado por Noah através de seus pergaminhos, caracterizados por frases curtas, algumas são parágrafos inteiros de uma única palavra cujo significado reforça alguns aspectos da cena descrita ou trazem viradas inesperadas ao que vinha sendo contado. A prosa é rápida e fluida a maior parte do tempo, não há longas pausas para descrições minuciosas e os detalhes do mundo vão se revelando aos poucos, conforme os acontecimentos os exigem e uma boa parte através de muitos diálogos entre os personagens. Pruuu! Os pássaros são tão ligados aos personagens que o do escrivão até se intromete algumas vezes na narrativa com Pruuus! hilários de ler!

Me identifiquei muito mais do que gostaria com o narrador por também ter um irmão fantástico e que admiro e também pela falta de jeito para uma vida de aventuras e quase nenhuma inclinação para o heroísmo! Mas Noah evolui bastante ao longo do livro, sobretudo por influência de Zoe, minha personagem favorita pela riqueza de conflitos, pelo arco narrativo próprio, pela independência, astúcia e maturidade. O clímax é muito bom e chega a ser desesperador ver que faltam tão poucas páginas e você queria mais, o desfecho deixa muitas dúvidas no ar para serem respondidas num vindouro segundo livro, o que atiça nossa ansiedade pelo que espera Noah, Zoe e todos outros!

O Templo dos Ventos é um bom primeiro livro com uma história leve, criativa e de leitura fácil e acessível para todas as idades que já nos brinda com um cenário cativante e com um ótimo potencial dentro e para além do nicho dos livros de fantasia. Zaniolo soube se valer da criatividade para brincar com suas fontes de inspiração e transformá-las em algo novo, rico, palpável e com camadas abrindo as portas para uma trilogia promissora. Que ele continue assim e alçando vôos cada vez mais altos!

site: http://www.multiversox.com.br/2017/09/o-templo-dos-ventos-trilogia-dos.html
Marcelo F. Zaniolo 06/10/2017minha estante
Caramba, amigo! Hehehe... Deixa eu agradecer você de novo, e de coração! Repetindo o que já falei no próprio site onde você publicou a resenha, acredito que ela seja uma das melhores e mais completas sobre o meu livro! E só posso agradecer. Obrigado por falar sobre tantos pontos importantes na construção de uma história. Espero contar com você no segundo e no terceiro volume dessa trilogia! Hehe... Um abração! o/




eaht 26/11/2017

Eu gostei bastante do livro, porque quando meu pai me contou sobre o livro eu achei que era uma coisa, mas quando eu li eu vi que era uma coisa bem mais legal do que eu pensava.
Neste livro eu não tenho partes preferidas porque eu gostei de todas. Os personagens que eu mais gostei foram Deni, Zoe e Gavin.
Eu aguardo muito ansiosa os próximos livros e espero que eles me surpreendam tanto quanto o primeiro.
Marcelo F. Zaniolo 05/12/2017minha estante
Nossa, Tata, que resenha mais linda a sua! Hehe... Poxa! De coração, MUITO obrigado por ter lido e MUITO obrigado por ter vindo aqui registrar sua opinião. Fiquei todo feliz aqui! Hehe... Principalmente por saber que você gostou tanto assim da história e por ver o seu carinho com a obra. Espero que você goste do próximo volume. Estou escrevendo ele. Um beijo e boas leituras! o/




Andy 29/03/2018

De deixar o coração leve... como um pássaro.
Não costumo resenhar livros por aqui, porque no fundo acredito que o universo da leitura é sempre muito particular e o que agrada a um pode não funcionar com outro. Mas com esse livro me senti na obrigação de vir dizer o que achei...
O autor criou um universo tão completo e tão bem amarrado, cheio de significados e pequenos detalhes que fazem a diferença, que a história por si só se sustentaria. Mas ela não faz apenas isso, ela fisga a leitura. Quando você se dá conta, está lendo por horas sem que perceba, querendo saber mais sobre cada detalhe narrado, cada amigo, cada aliança, cada problema enfrentado, sem conseguir parar. [E olha que a disputa com textos (obrigatórios) de faculdade foi ferrenha, no meu caso, mas enfim...]
Cada página virada no ebook era uma agradável surpresa e não houve um único instante em que tenha me sentido abandonado ou desamparado ou tenha sido decepcionado pelo que li. Pelo contrário. Descobrir a história aos poucos, rir dos detalhes e referências, imaginar tal ou tal coisa conforme tudo se desenvolvia foi agradabilíssimo!
Minha recomendação, crítica, resenha (ou seja lá o que isso for) é: LEIA, simplesmente. Se deixe envolver. Entre nesse mundo e, principalmente, note cada coisa que você faz com o mundo ao seu redor -- para evitar que tudo isso aconteça mesmo (vai que... né?). ;)
Parabéns, Marcelo, pelo trabalho incrível! Muito sucesso com esse e com os próximos que virão (já quero o 2, já tá pronto? hahaha).
Marcelo F. Zaniolo 18/04/2018minha estante
Amigo, muito obrigado por cada palavra escrita na resenha acima, não sei nem como agradecer. Fico imensamente feliz em saber que você gostou do livro e que ele de alguma maneira te surpreendeu. E te fisgou. Como você falou, toda leitura é muito pessoal, mas saber que minhas ideias encontraram ressonância em você... me fazem ganhar o dia. Obrigado de coração pela oportunidade de ser lido e até a próxima! o/




Mozer 01/08/2018

O início de uma saga promissora
Em 2017, o podcaster Marcelo Zaniolo, host e criador do LivroCast, estreou como escritor com O Templo dos Ventos, primeiro volume da Trilogia dos Pássaros. Inspirando-se em Harry Potter e Percy Jackson, o autor criou uma fantasia repleta de aventuras em um mundo pós-apocalíptico.
Encerrando-se no momento certo, o livro nos promete reviravoltas e novos pontos de vista para sua sequência. Com uma narração fluida que faz com que viremos as páginas automaticamente, Marcelo Zaniolo mostra seu potencial como escritor de fantasia e um futuro promissor para a Trilogia dos Pássaros.

site: http://leituraverso.com.br/posts/resenha-o-templo-dos-ventos-trilogia-dos-passaros-livro-1/
Marcelo F. Zaniolo 14/09/2018minha estante
Muito obrigado por tudo hoje e sempre, amigo! Já comentei lá no site, mas não poderia deixar de agradecer por aqui também! Hehe o/




Fernando Lima 07/12/2018

Ótimo começo para a trilogia
Creio que o fato de analisar e falar sobre livros por tanto tempo no LivroCast, aprimorou a capacidade do Zaniolo em escrever da forma que a maioria do público gosta de encontrar nos livros. Acho que sempre que lia o próprio livro, ele pensava em como ele e os amigos estariam analisando e criticando o livro e a história. Uma coisa que me chamou a atenção, foi a forma como o final de cada pergaminho, me deixava com vontade de ler o próximo, e também como os últimos 20% do livro me prenderam a ponto de eu não conseguir largar o livro até terminar.
É claro que algumas coisas ainda podem evoluir. Por exemplo as batalhas que poderiam ser melhor detalhadas do que foram. Mas o caminho está aberto e espero pela sequência da trilogia.

site: https://timbatumba.wordpress.com/
Marcelo F. Zaniolo 20/12/2018minha estante
Fernando, muito obrigado por vir aqui opinar (e tão bem! Hehe) sobre o meu livro. De coração mesmo. Acho que é inevitável pra quem escreve ler pensando em como faria pra deixar a história melhor, ou o que mudaria para adequar o enredo ao seu gosto pessoal, sabe? Então sim. Todas as vezes em que li e resenhei livros, ainda mais quando o gênero era YA, eu pensava na minha obra. E uma das coisas que mais queria era dar esse senso de urgência no final e fazer o leitor sentir vontade de seguir lendo após cada capítulo. Espero ter feito um bom trabalho aqui! Hehe... Vou seguir tentando melhorar minha escrita, prometo, e tentando ser merecedor da sua atenção e carinho. Muito obrigado mais uma vez. Um grande abraço! p/




Hebert Braz 13/01/2019

Pidgeotto, eu escolho você!
Durante a leitura desse livro senti que, apesar da história estar interessante, algo me incomodava. Então assim que terminei a leitura, vim aqui no Skoob ver algumas resenhas pra ver quais eram as impressões de outros leitores e se alguém também tinha identificado os mesmos problemas que eu. Aparentemente, tudo que eu vou apontar como coisas que me desagradaram no decorrer da leitura, outras pessoas elogiaram. Por isso leiam o livro para tirar suas próprias conclusões.
Vamos lá.
Bem, vamos começar pelo prólogo. Eu amo essas histórias que começam do meio e depois voltam no tempo para contar como se deu todo o percurso até chegar ali. É um recurso muito bom para prender o leitor logo de cara, e funcionou comigo. No entanto, quando chegamos ao ponto narrado no prólogo, as coisas se esfriam com a quantidade de diálogos explicativos desnecessários.
Acho que esse foi um dos maiores problemas pra mim, porque tinha umas horas que os personagens precisavam verbalizar constatações ÓBVIAS que o leitor já tinha deduzido, e isso me deixava meio desanimado pra continuar, porque não eram frases ditas uma hora ou outra, mas a todo instante e em diálogos extensos para explicar o ÓBVIO.
(Possível spoiler: o Noah dando pití pra cima da Zoe no meio de uma treta acabou com toda a tensão do conflito. Fala sério, em que situação você começa a discutir com seu aliado, que está ARMADO, na frente do inimigo, sendo que a garota estava claramente ajudando o grupo?)
Outro aspecto do livro, e esse foi o que mais me incomodou, foi a construção de mundo. Sei que o livro é narrado em primeira pessoa, mas faltou ali um pouco do contexto e do passado da Aldeia, né? Algumas coisas não fizeram muito sentido. Quero dizer, eles estavam confinados numa montanha e nem se deram o trabalho de explorá-la por completo? E como assim eles expulsam pessoas da Aldeia estando num espaço tão reduzido? Talvez um mapa ou uma melhor ambientação ajudasse nesse aspecto.
Faltou um pouco desenvolver os personagens no começo. Tudo aconteceu muito rápido, acho que dava pra ter mais algumas páginas antes deles entrarem na missão e menos depois.

Bem, acho que é isso quanto aos aspectos negativos. Mas quem pensa que eu não gostei do livro se engana. Só comentei tudo isso porque eu realmente acredito no potencial dessa história, e estou aguardando os próximos volumes.
A escrita do autor é envolvente e bela, merecendo ser destacada. Se a história amadurecer nos próximos volumes, veremos uma grandiosa obra de fantasia nacional.
Estou torcendo por isso.
Marcelo F. Zaniolo 13/02/2019minha estante
Amigo, sou muito grato à sua postura e aos seus apontamentos. Obrigado por me ler, de coração, mas acima de tudo pela boa vontade, por vir aqui expor seus pontos, por se questionar a respeito das outras opiniões e pela forma com que você redigiu sua resenha. Tenha certeza de que isso fez com que eu valorizasse ainda mais cada argumento abordado. E vamos lá. Sobre excesso de diálogos, eu em parte culpo o fato desde ser meu primeiro livro, além do público que visei alcançar com a obra, claro. Não é justificativa, eu sei, e estou buscando corrigir isso como autor (e você me fez pensar a cena do Noah e da Zoe como eu nunca antes tinha pensado, talvez por estar preocupado demais com os conflitos dos personagens. Faz todo o sentido! Hehe). Sobre a saída abrupta da Aldeia, eu vou retornar a ela no seu devido tempo. Fico feliz que ela tenha te deixado curioso a respeito, e triste por de algum modo te decepcionar, mas eu realmente preferi focar no Noah (narrador) e na aventura em si. Espero que os próximos volumes (estou escrevendo o segundo) obtenham maior êxito! Hehe... Obrigado mesmo por ter vindo aqui deixar sua contribuição e pelos votos ao final do seu texto. Eu de verdade aprendo muito com cada leitor, e espero seguir melhorando principalmente pra agradar e retribuir todos vocês. Um abraço! o/




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