Caçador em Fuga

Caçador em Fuga George R. R. Martin
Daniel Abraham
Gardner Dozois




Resenhas - Caçador em Fuga


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Yeye 23/06/2020

Gostaria muito que esse tivesse continuação ou que pelo menos fosse bem maior.
Um homem, um clone, um planeta diferente, uma guerra entre raças alienígenas pela sobrevivência.
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Tchesco Marcondes 10/06/2019

Surpreendeu...
No início começou de forma sem graça, uma pessoa com vida medíocre sem nada além do cotidiano normal de qualquer pessoa. Mas do meio em diante, a coisa começou a melhorar. O final pede continuação da saga.
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Igor 11/02/2019

Tão bom quanto uma obra 100% do Martin
Apesar de ter varias mãos e mentes responsáveis pela escrita, a obra se mantém concisa e lembra bem a aventura criada por Martin em ?A morte da luz?. Conheço que confiei cegamente no nome de Martin e comprei o livro sem saber nada sobre ele além de uma sinopse básica do Google, mas com certeza um livro memorável.


Não ler esta obra é aubre.
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Bruno Venâncio 16/09/2018

É basicamente um livro dividido em dois momentos, um primeiro não tão interessante que nos apresenta o protagonista, Ramon Espejo, e um pouco da relação da humanidade com o universo, e como ela se tornou uma espécie inferior aos Enyes, formas de vida superiores que apoiam a colonização humana de determinados planetas. O segundo momento, além da metade do livro é o mais interessante e prende a leitura do leitor, uma vez que Espejo irá se aventurar nas florestas do norte atrás de riquezas para si e lá irá encontrar algo antigo e que vai mudar sua visão da relação de espécies no Universo e sobre seu próprio "eu".
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Tamirez | @resenhandosonhos 07/08/2018

Caçador em Fuga
Esse livro demorou 30 anos para ser escrito e teve 3 pessoas trabalhando em momentos diferentes. A história partiu de Gardner Dezois nos anos 70, ficou cozinhando por bastante tempo até que Martin se envolvesse para lapidar o texto e a trama e, mais tarde, veio o acréscimo de Daniel Abraham. Parece que a sina de Martin se repete ele escrevendo sozinho ou acompanhado.

Acho que a coisa que mais me chamou a atenção aqui foi o contexto da obra. Em todas as tramas de ficção científica que eu li que envolvem o homem o homem conquistar o espaço ou entrar em contato com raças alienígenas, éramos sempre nós que dominávamos a situação, tomando conta de planetas ou formando alianças com o que era encontrado lá fora. Aqui não, a humanidade se confrontou com seres mais evoluídos que nos colocaram sob a sua organização e comando, mudando um pouco a lógica.

“A humanidade planejava espalhar suas sementes por todo o universo, […] mas acabou desapontada. O universo já estava ocupado. Outras raças cheias de sonhos estelares tinham chegado primeiro.”

Os humanos são levados para planetas colonizados para trabalhar e construir uma nova vida fora da terra, mas as leis e a quem se deve responder acabam sempre pairando sobre outras criaturas que não somos nós. Achei isso muito interessante porque temos essa arrogância de achar que somos o que há de melhor no universo, quando pode haver muita coisa lá fora que desconhecemos e que pode sim nos subjugar.

Ramón é um personagem bastante complexo e como não temos todas as informações logo no começo, assim como o próprio personagem, isso parece ficar ainda mais evidente conforme vamos caminhando por sua vida. Ele está sem memória e enfiado em uma caçada que nem mesmo entende. Nessa jornada, onde será o tempo todo confrontado por uma nova raça com relação aos seus instintos e os porquês do ser humano fazer o que faz em todos os aspectos, ele será obrigado a também repensar sua existência, refletindo tudo isso para o leitor.

“‘Livre’ é viver sem restrições.”

E é sim uma jornada de descoberta, tanto do personagem quanto da própria história. O que nos parece óbvio a um primeiro olhar pode se mostrar completamente o oposto alguns passos à frente, chocando e fazendo com que venhamos a questionar mais do que aceitar simplesmente as coisas.

Outro personagem super importante aqui é Maneck. Não vou entrar em detalhes sobre quem ele é ou qual seu papel na trama, mas ele protagoniza também boas cenas ao lado de Ramón, cativando o leitor mesmo que suas intenções não sejam sempre claras ou as melhores quando expostas. Também vamos conhecer alguns lugares desse planeta que é composto por “imigrantes” do Brasil, México, Jamaica, Barbados e Porto Rico. Há uma cultura latina muito forte e o protagonista que é Mexicano, tem traços bem característicos de seu povo.

Algo que me deixou um pouco apreensiva foi o final dado a história. Ele ficou em aberto, e sabendo o tempo que essa história demorou pra ser escrita, sua publicação de 2008, e o fato de que provavelmente não veremos uma sequência, mesmo o livro precisando, me deixa um pouco chateada. O mundo é riquíssimo e realmente merecia ser explorado de alguma forma, mesmo que tenha que deixar de lado um ou outro par de mãos.

Caçador em Fuga é uma leitura super válida para qualquer bom fã de ficção científica que quer se confrontar com algo novo e inesperado. O nome de Martin vai pra dar ainda mais peso a trama já que vimos sua parceria com Dezois em outros livros, como as coletâneas de contos em que eles são os organizadores. A única dúvida que fica é se haverá um próximo passo ou se essa proposta se encerra realmente aqui de forma incompleta.

site: http://resenhandosonhos.com/cacador-em-fuga-george-r-r-martin-gardner-dozois-daniel-abraham/
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Orlando 14/04/2018

O Livro É | Caçador em Fuga
Ramón Espejo, protagonista do ótimo livro Caçador em Fuga, é um cabrón durão. Não leva desaforos pra casa de nenhum tipo. Escroto, violento, machista, boca suja, bronco, encrenqueiro, beberrão, mentiroso; tudo de ruim que um homem pode ter ou ser, Ramón Espejo tem e é.

Talvez por isso mesmo esse cabrón seja um personagem tão fascinante dentro do gênero de Sci-Fi. Ramón Espejo é humano, demasiado humano para não reconhecermos nele aspectos tão inerentes a muitos outros seres humanos reais que conhecemos.

Caçador em Fuga é uma obra escrita por seis mãos. Começou 3 décadas atrás com Gardener Dozois, ganhador de mais de 15 Hugo Awards, depois o texto ficou engavetado e o atualmente aclamadíssimo George R. R. Martin o trouxe à luz novamente, lapidou ecossistemas, criaturas e ambientes do planeta colonial São Paulo.leya brasil

Mas coube o desfecho a Daniel Abraham que guiou Ramón Espejo por florestas, rios, planície e montanhas numa narrativa tensa e imersiva.

Por mais escroto que Ramón Espejo seja como ser humano, os apertos que esse mexicano – que veio ainda muito jovem da Terra para o planeta-Colônia São Paulo – passa são um convite para conhecermos de perto esse personagem tão repulsivo e ao mesmo tempo tão instigante.

Caçador em Fuga | Uma jornada humana em um mundo estranho

Acredito que toda boa Sci-Fi precise nos tragar para dentro dela e, mesmo no universo inventado pelos autores, nos dar substâncias concretas para que aquelas “mentiras” sejam críveis, convincentes e suficientemente fantásticas para que, mesmo na semelhança com algo real, nos mantenha dentro do mundo fantasioso. Caçador em Fuga nos dá isso dentro do acordo tácito que há entre obra, autor e leitor.

Tudo começa quando Ramón Espejo, um minerador, desperta de um estranho apagão. Ao seu redor tudo está negro, Ramón até acredita que possa estar no Inferno, já que sua conduta nada invejável lhe garantiria isso facilmente.

Caçador em FugaCom movimentos restritos, sem que seus sentidos possam lhe dizer algo com precisão, o pânico toma conta do minerador. Ele não sabe se está caindo, se está mergulhado em um oceano negro, se está realmente vivo ou morto.

Um grande fluxo de consciência permeiam a mente e os pensamentos de Espejo nessa densa escuridão, e esse fluxo de consciência do personagem irá permear obra do começo ao fim, dando ao leitor duas jornadas: uma física, violenta, dolorida, cheia de embates; a outra mental, no consciente, nas lembranças e na construção do indivíduo pela memória…

Antes de se libertar da escuridão ao redor de Ramón Espejo somos levados para o que houve antes disso…

Envolto por uma pequena roda de pessoas, Ramón Espejo encarava um europeu alto, olhos e pele claros, muito falastrão. Os dois homens estavam cercados por uma pequena roda de outros homens que os incitavam à briga.

Sob efeito do álcool e da empolgação, não tardou para a briga terminar mal quando Ramón Espejo ejetou da manga da camisa sua faca de gravidade e rapidamente perfurou o abdômen do europeu.

Acabou tão rápido quanto começou e Espejo, passados os efeitos da bebida, dos incentivos da plateia e da adrenalina, percebeu o erro cometido.

Uma boa surra, pensou o minerador, teria bastado, mas cometer burrices e excessos tinha sido a tônica da vida desse homem que só conhecia a violência como forma de defesa. Precisava arrumar suas coisas e ir para bem longe até que o crime fosse esquecido.

Mas antes o minerador mexicano precisaria ir à casa de Elena, sua “namorada, ou algo assim, pois nem Ramón e nem Elena definem corretamente o que há entre ambos, já que o relacionamento entre eles é extremamente violento e problemático.

Na casa de Elena, Ramón explica para a moça brevemente a situação, pega suas coisas e se preparara para partir até que as coisas esfriem, a ocasião ao menos fará com que Ramón pegue seu furgão aéreo e vá procurar fontes de mineração nas distantes terras de Sierra Huesso ou Sierra Dentada.

Uns três meses quem sabe sejam suficientes, pensa o mexicano. E assim ele parte, para o meio do nada em busca de coisa alguma além do silêncio e do esquecimento do crime que cometeu. Mas o que ele encontra por lá é muito, muito pior.

No meio da floresta fechada procurando por locais propícios para minerar, Ramón se depara com um estranho paredão, algo quase como uma ilusão de ótica, tudo muito estranho, mas não o suficiente para afastar o minerador que prepara umas cargas explosivas naquela parede. Poderia ser algum tipo de mineral raro, pesa o mexicano…

E esse foi seu grande erro. No interior da montanha, por trás das rochas se esconde uma fortaleza e dentro dela seus estranhos habitantes consideram Ramón Espejo, seu furgão e suas cargas explosivas uma grave ameaça a ser retaliada.

Com extrema eficiência Ramón se vê perseguido e violentamente atacado; a última visão que tem é a de seu furgão explodindo. E então desperta novamente, sem saber exatamente quanto tempo se passou, submerso na escuridão sem saber se está caindo ou se afogando…

Caçador em Fuga | Inimigo Meu

Aqui o leitor mergulha com o protagonista num verdadeiro pesadelo de medo, dúvidas e incompreensão ao se deparar com os seus carcereiros: uma raça alienígena completamente estranha e extremamente lógica em seu modo de agir e pensar.
Caçador em Fuga
Capa de Shadow Twin, novela original que serviu de base para Caçador em Fuga (Hunter’s Run, no original)

Apesar de conhecer a raça dos Enye de Prata, os Turu ou dos Ciam que auxiliaram os seres humanos a ganhar as estrelas, os novos seres diante de Ramón queriam algo específico dele e só dele.

Ramón precisaria caçar outro ser humana que também conhece a localização da montanha que serve como morada para a misteriosa raça que pretende a todo custo permanecer assim.

Confuso e com lembranças indo e vindo da mente o tempo todo, Ramón começa a pensar em como sair disso tudo e quem sabe, até mesmo o humano que precisa encontrar possa ajudá-lo.

Com sua malícia de sempre, Ramón acredita que pode ludibriar seus captores durante a caçada que se aproxima e fugir.

Designado para acompanhar Espejo está o alienígena Maneck. Grande e corpulento, com a cabeça cheia de estranhas cerdas ou penas, o corpo grosso como um barril cheio de manchas e membros de articulações estranhas, Maneck estará lado a lado de Ramón na caçada para supervisionar o trabalho de seu prisioneiro.

Caçador e Fuga | Maneck, o tatecreude e o aubre de Ramón

Dono de uma lógica, de uma percepção de mundo e de uma cultura extremamente objetiva, Maneck explica qual a missão de Ramón e os motivos dele estar nela. Bem como as consequências de sua eventual falha em executá-la.

Impecavelmente lógico, Maneck é um show a parte dentro do livro, sua presença, suas ações e a maneira como Ramón reage ao alienígena guiam uma boa parte da obra e nos convidam a um confronto mental e psicológico enorme entre os dois. É a dinâmica e conflitos entre os dois personagens que sustentam mais da metade da obra.

Há momentos em que é extremamente fácil sorrir a cada vez que Maneck, fria a calculadamente, “repreende” alguma atitude violenta ou equivocada de Espejo através do sahael, um “dispositivo” vivo que se conecta ao braço de Maneck em uma extremidade e, na outra, se conecta bem na base da nuca de Ramón…

Capaz de compartilhar com o alienígenas o fluxo de pensamento do humano, o sahael também é capaz de infringir uma dor lancinante no humano e com isso Maneck o mantém, literalmente, em rédea curta, já que o sahael se alonga bem pouco, mantendo sempre os dois caçadores a pouca distância um do outro.

E assim começa a jornada floresta adentro para caçar um humano bem mais difícil de se encontrar do que Ramón e Maneck presumiram.
Tatecreude e Aubre

A raça de Maneck age segundo alguns princípios bem simples, simples porém extremamente eficientes. Dois deles ganham destaque na obra e são fundamentais para a condução de Espejo em sua tarefa.

O tatecreude é a tarefa em si, um tipo de desígnio a ser atingido não importa os obstáculos, no caso o tatecreude de Ramón Espejo é sua caçada ao outro humano que descobre a existência do alienígenas, caso falhe em executar satisfatoriamente seu tatecreude, então sua existência não tem sentido, já que caçar o outro humano é o próprio motivo de existir.

Ao evitar seu tatecreude – que é seu desígnio e motivo de existir – Ramón incorreria em aubre, uma contradição extrema em que o indivíduo vai em direção contrária ao que deve realizar e isso, para o povo de Maneck não tem nenhum sentido.

Essa dualidade é fundamental para a evolução de Ramón e sua relação com Maneck, dando dinamicidade aos conflitos entre os dois personagens e em sua relação com o humano caçado por eles.

Caçador em Fuga | Alegoria e metáfora sobre identidade, memória e consciência

A despeito de todos os defeitos de Ramón como ser humano, o personagem é fascinante como um todo. Rebelde, mal educado, encrenqueiro, valentão, boca suja… Mas Ramón acaba por se tornar uma síntese do humano na jornada empreendida no livro.

Órfão desde muito cedo, Ramón cresceu nas ruas, se juntou a uma gangue de adolescentes para cometer pequenos furtos e conseguir proteção, na idade adulta se meteu em pequenos bicos até ir para nas minas e aprender seu ofício e muitas outras coisas.

Com a chegada dos Enye de Prata que levaram muitos humanos para explorar outros mundos pelas estrelas, Ramón e muitos de seus amigos mineradores partiram sem pestanejar e deixaram para trás a Terra e o quase nada que lá tinham.

Assim se construiu o personagem vítima da sociedade, menino órfão, criado no meio da marginalidade, violência, drogas e roubo. Virou homem cuja principal arma era estar de guarda erguida e punhos em riste, olhar ferino, língua afiada e sempre pronto a entrar numa briga para provar sua virilidade e seus pontos de vista.

Demonstrar qualquer fraqueza no seu mundo era ser vítima e um alvo, era convidar as feras para se banquetear com sua carne. Estar pronto para uma luta, de qualquer tipo, se tornou sua única arma, sua única defesa. A violência é o único mecanismo de defesa que o minerador conhece e o uso até mesmo quando desnecessário…

Não houve oportunidades para ser diferente no mundo em que nasceu e cresceu e não me refiro ao mundo conhecido como Terra, mas sim ao mundo sociocultural dos excluídos, dos que vivem nas margens da sociedade. E Ramón é um personagem que não só vive nas margens da sociedade, Ramón Espejo vive nas margens de sua própria espécie.

Durante toda a leitura da obra é comum nos vermos oscilando entre admiração e repulsa para com Espejo e seus atos e decisões. Mas chega um ponto na narrativa que o fluxo de consciência do personagem se torna tão intenso e bem construído que passamos a torcer por ele e pelo êxito de sua empreitada, seja na caça ao outro humano ou seja nas tentativas de fugir do alienígena Maneck.

A luta solitária de Ramón se torna a luta de toda a nossa espécie contra um mundo e um planeta que não nos querem por lá, onde cada planta, riacho ou criatura pode ser uma ameaça fatal para nossa sobrevivência.

Cada plano construído, cada memória revivida, cada decisão tomada faz Ramón construir uma nova percepção de si mesmo à luz de fatos passados e nos planos que o humano constrói para si caso consiga sair da maior de todas as enrascadas que entrou. E Ramón se amaldiçoa por ter tomado a decisão de ir para tão longe…

O sucesso ou o fracasso de Ramón Espejo em seu tatecreude pode ser o sucesso ou o fracasso de todos nós.

Constantemente na obra somos impelidos a perceber que a caçada de Ramón ao lado de Maneck é um verdadeira luta entre razão e instinto, intelecto e força, tecnologia e natureza. Ora estamos satisfeitos com o modo como Maneck pune Ramón por seus erros e impulsos, ora torcemos para Ramón superar de algum modo o alienígena e sua frieza calculista e metódica.

Justamente através desses inúmeros conflitos entre Ramón e Maneck, entre Ramón e a floresta e entre Ramón e tudo que existe é que se dá a compreensão maior do personagem e de sua história para além da aventura.

As armadilhas da floresta e da memória, os passos a dar adiante para chegar em casa, os planos para o futuro caso sobreviva, tudo na jornada de Ramón ecoa construção e reconstrução constante o indivíduo.

Como alegoria ou metáfora, Caçador em Fuga é um grande história sobre identidade, memória e violência revestida com a cobertura elegante de uma Sci-Fi de ação. O trabalho realizado por seis mãos pode, em alguns casos, trazer certo estranhamento de ritmo para alguns leitores, é notório que há momentos de grande tensão ou de correria frenética alternando com longos momentos de reflexão por parte de Ramón e embates de ordem psicológica do personagem consigo mesmo e com o alienígena Maneck.

Mas acredito eu que essa dança em diferentes ritmos dá toda a tônica da atmosfera da obra, nos lembrando sempre que estamos num embate de frente dupla: corpo contra mente, eu contra o outro, homem contra natureza, humano contra alienígena.

Durante as quatro partes do livro é perceptível a mudança desses ritmo ao longo dessas partes, fato que se deve aos três autores agindo em momentos diferentes da obra para dar suas contribuições.

Apesar dessa perceptível variação, particularmente mergulhei sem problemas na narrativa, pois acredito que a variação entre a ação proposta pelo termo “caçador” e os fluxos de consciência e reflexão do protagonista são uma dicotomia fundamental para o funcionamento do que se propuseram os narradores.

Para além da ação da caçada, o livro trás o foco da boa Sci-Fi em desnudar o aspecto humano dentro de uma aventura e da nossa percepção diante do outro, seja esse outro uma cultura inteira ou um indivíduo que é tão diferente e distinto de nós que endossa com toda propriedade a ideia do antagonista, do alienígena/alienado, aquele que é tão diferente de nós que é outro em toda a acepção do termo.

Durante a leitura foi constante a memória que tenho do filme Inimigo Meu, cuja tônica e dinâmica me fizeram recordar a dualidade entre o humano e o alienígena em confronto, mas que também estão em comunhão e nesse processo se revelam de maneiras inusitadas um ao outro a ponto de se criar um elo quase indissolúvel entre as duas identidades rivais.

Caçador em FugaNo caso de Ramón Espejo e Maneck o elo realmente existe na narrativa e se dá intensamente através do sahael, que além da ligação física, liga a percepção sensorial, os pensamentos e em dado momento os sonhos dos dois personagens criando entre eles uma certa cumplicidade e entendimento. Sendo este compartilhamento de sonhos uma das passagens mais singelas e simbólicas da obra quando homem e alienígena compartilham a origem da estranha raça e os motivos de se ocultarem com tanto afinco.

Em suas quatro partes bem delimitadas e definidas, Caçador em Fuga é um convite para um mundo novo e perigoso, na virada da primeira metade do livro para a segunda, o leitor tem grandes surpresas e reviravoltas para Ramón Espejo, Maneck e o humano caçado.

O rico embate continua em outras esferas, mas deixo aqui o convite para o leitor fazer a viagem por conta própria porque a partir da terceira parte qualquer comentário é uma grande possibilidade de spoiler.

Recomendo a obra muitíssimo. Coeso em si mesmo, Caçador em Fuga é um livro curto (exatas 300 páginas), com uma história instigante, um protagonista realmente interessante e que tem, por assim dizer, uma jornada do herói às avessas, saindo da escrotice para a redenção de formas e modos inusitados.

A pluralidade de estilos narrativos e o mundo criado e desenvolvido pelos três autores é bonito, perigoso e criativo, uma ótima oportunidade para aqueles que querem algo ágil e ao mesmo tempo inteligente e fechado em si mesmo.

Caçador em Fuga pode não ser um grande clássico da Sci-Fi, nem precisa, pois cumpre a contento o objetivo de ser uma ótima história e, mesmo que nunca chegue a integrar as listas de “fundamentais da Sci-Fi”, o livro integra a lista das leituras inteligentes, divertidas e que trazem conteúdo instigante e com muitos convites à reflexões socioculturais embaladas na boa e velha Ficção Científica.

Boa leitura. Boa caçada.

Caçador em Fuga | Sobre os autores

GEORGE R.R. MARTIN nasceu em 1948 em Nova Jersey e é formado em jornalismo pela Northwestern University, em Chicago. Publicou sua primeira história de ficção científica, The Hero, em 1971, e logo se firmou como escritor de rara qualidade, ganhando três Hugo Awards, dois Nebula Awards e o prêmio Bram Stoker.

Passou dez anos em Hollywood como roteirista e editor de histórias nos seriados de TV The Twilight Zone (no Brasil, Além da Imaginação) e Beauty and the Beast – neste último como roteirista e produtor. Depois, iniciou sua série fantástica “As Crônicas de Gelo e Fogo”, que deu origem ao sucesso da HBO – Game of Thrones. A série conta até agora com os títulos A guerra dos tronos, A fúria dos reis, A tormenta de espadas, O festim dos corvos e A dança dos dragões, todos publicados pela LeYa.

GARDNER DOZOIS é um autor e editor altamente admirado e ganhador do Hugo Awards em algumas antologias de ficção científica. Foi editor da revista Asimov’s Science Fiction por vinte anos. Divide com George R.R. Martin a edição da coletânea Mulheres perigosas.

DANIEL ABRAHAM é ganhador do International Horror Guild Award e já foi indicado para o Nebula Award. Abraham é coautor da saga Leviatã Desperta.
George R.R. Martin
Garner Dozois
Daniel Abraham

Caçador em Fuga | Sinopse

Ao despertar num lugar escuro, Ramón Espejo não se lembra de como foi parar ali. Logo ele descobre que é refém de uma raça alienígena e que, para recuperar sua liberdade, será forçado a ajudá-los a encontrar outro humano como ele ? um fugitivo.

Quando a caçada começa, no entanto, Ramón recupera algumas lembranças: a miséria e as péssimas condições de trabalho e de vida no México; a decisão de deixar a Terra e explorar um novo planeta-colônia, São Paulo; o sonho de encontrar metais valiosos e enriquecer; o desejo de uma nova chance. Agora, envolvido numa estranha perseguição nesse mundo hostil e imprevisível, Ramón precisa encontrar uma maneira de escapar de seus captores… e depois, de alguma forma, sobreviver.

No entanto, à medida que suas memórias se fortalecem, Ramón descobre que seu pior inimigo pode ser ele mesmo. Caçador em fuga, publicação que faz parte do selo LeYa/Omelete, é uma história criada a seis mãos que levou quase trinta anos para ser escrita.

O resultado é uma aventura de ficção científica que cria mundos e espécies diferentes com detalhes fascinantes, analisando a humanidade em seus piores e melhores momentos por meio de um personagem politicamente incorreto, atrapalhado e carismático.

Caçador em Fuga | Ficha Técnica

ISBN: 978-85-441-0521-4
FORMATO: 16 x 23 cm
PÁGINAS: 304
GÊNERO: ficção científica
PREÇO: R$ 44,90
ISBN E-BOOK: 978-85-441-
PREÇO E-BOOK: R$ 30,99
Link no Skoob AQUI
Link na Editora AQUI

site: http://www.pontozero.net.br/2017/12/08/o-livro-e-cacador-em-fuga/
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Acervo do Leitor 02/02/2018

Caçador em Fuga – George R. R. Martin, Gardner Dozois e Daniel Abraham | Resenha
Caçador em Fuga é um livro que demorou um bocado para ser finalizado, nada menos que 30 anos foram necessários para o aprimoramento de suas ideias e inserções rumo ao fim do desenvolvimento, passando pelas mãos de 3 autores conceituados, sendo George R. R. Martin a figura central e de maior destaque, seguido por Daniel Abraham e Gardner Dozois.

“Ele tinha deixado de se ser um nada na terra para ser um nada na colônia.”

Sua história gira em torno de Ramon Espejo, um latino-americano de personalidade forte, prepotente, violento e instável. Uma figura controversa e de pouca confiança que vive no planeta-colônia São Paulo como minerador e autônomo, e que nas horas vagas se afoga em bebidas alcoólicas pelos bares da sua cidade. É em um destes bares aliás, o conhecido El Rey, que Espejo se envolve numa confusão, culminando na morte de uma figura importante para a administração da cidade. Perseguido por policiais a mando do próprio governador, ele vê como única saída viável viajar para as terras ermas do planeta ainda inexplorado, vivendo um pouco afastado enquanto espera todo o alvoroço de suas ações serem desvanecidas. Entretanto, todos os seus planos vão por água abaixo no momento em que ele se depara com uma nova forma alienígena, que para proteger sua raça usa Ramon como ferramenta para capturar um fugitivo.

“Em tese, todo o azar que afetara as pessoas ao longo daquele ano deveria queimar com o velho melancólico, mas, vendo o gigante se revirar e se contorcer lentamente ao sabor das chamas e ouvindo as lamúrias profundas que eram amplificadas por aparelhos eletrônicos e escoavam pelas paredes do Palácio dos Governadores. Ramón teve o pressentimento sombrio de que, na verdade, era a sorte dele que queimava ali – e que dali em diante só teria miséria e desgraça em sua vida.”

Vale ressaltar o cuidado com que os autores tiveram ao dar vida ao planeta-colônia São Paulo. A flora e fauna são muito parecidas com as da Terra, mas são nos detalhes é que vemos a genialidade da criação. Por ser em grande parte, um local inexplorado, o planeta é recheado de mistérios e interrogações, muitas das quais não são respondidas, pois acompanhamos tudo do ponto de vista de Ramon. E isto, não é de nenhuma forma degradante ao livro, afinal, estamos em um outro planeta e as informações que temos, são as informações que precisamos. As críticas sociais estão mais que presentes, são fundamentais ao decorrer do livro, principalmente quando nos são apresentadas questões que refletem o comportamento do homem.

“Homens matam por muitos motivos. Se alguém quiser matá-lo, você tem que matar a pessoa primeiro. Ou se tiver alguém comendo sua mulher. Ou, às vezes, os homens ficam tão pobres que precisam roubar dinheiro. Isso pode acabar mal. Ou se alguém declara guerra, aí os soldados ficam se matando. Ou, às vezes… às vezes, você só entra no bar errado e começa a bancar o cabrón , aí o otário errado acaba ouvindo, e você morre por causa disso.”

Um dos principais pontos e acertos de Caçador em Fuga reside na agilidade com que as coisas se desenvolvem. Por ser um livro único e teoricamente curto – apenas 300 páginas – não há espaço para prolixidade, a ação é ininterrupta e o desenvolvimento flui como a um filme. O humor é EXCELENTE, são vários os momentos em que literalmente gargalhamos com a conduta do nosso protagonista. Principalmente em suas conversas e devaneios com o alienígena Maneck. Ramon usa e abusa dos palavrões e ironias.

SENTENÇA
Caçador em Fuga é uma ótima pedida para os fãs de Ficção Científica e até mesmo para aqueles que ainda desconhecem o gênero. Sua agilidade e humor são viciantes. Os autores criaram uma obra profunda em apenas poucas páginas. O mundo é crível, os personagens são instáveis como tem de ser, e as críticas refletem nossa conduta. Um soco no estômago. Não há muito mais o que dizer além disso: Você precisa ler este livro!

site: http://acervodoleitor.com.br/cacador-em-fuga-george-r-r-martin-resenha/
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Lê | @lelendolido 06/09/2017

Caçador em Fuga - Daniel Abraham, Gardner Dozios e George R. R. Martin
Sobre o livro

Ramón Espejo, um mexicano, que vive no planeta-colônia de São Paulo, acorda boiando numa substância viscosa, num lugar completamente escuro e desconhecido. Além disso, sua memória não é das melhores, ele lembra de poucas coisas, entre elas a briga, seguida de sexo, com Elena, e uma segunda briga, que ele não lembra direito com quem nem o porquê dela ter acontecido.

Pouco tempo depois, ele descobre que está sob custódia de uma raça alienígena desconhecida. Essa raça precisa dele para caçar outro ser humano, que conseguiu fugir dali. Assim, Rámon e um desses seres partem numa busca. Sua memória vai, aos poucos, voltando, assim, lembra principalmente do motivo que vez ele sair do México e tentar uma nova vida nessa colônia. Nessa viagem, Ramón irá repensar sua vida, questionar a natureza de seus atos e lutar pela sobrevivência.

Minha opinião

Nesse universo, criado pelos autores, há três raças alienígenas comandando o universo, nenhuma delas é a raça humana. Aí que entra um aspecto importante sobre o livro: aqui o ser humano não é o dominador do universo, exercendo poder sobre outras raças. Aqui ele é usado pelos alienígenas para desbravar e colonizar outros planetas, sempre servindo e respondendo a essas raças.

Ramón Espejo é uma figura única, um homem agressivo, ambicioso e malandro. Essas suas facetas vão ser confrontadas conforme a caçada avança. Toda vez que ele tenta explicar as necessidades do seres humanos ou justificar alguns atos feitos pelas pessoas, inclusive por ele, acabou questionando suas próprias ações.

Maneck, o alienígena que acompanha Ramón na caçada, é um ser incrível. Mesmo não sendo o “mocinho”, ele foi o personagem que eu mais gostei, além de me fazer dar muitas risadas. Foram os questionamentos feitos por ele, para compreender os hábitos do homem, que fizeram eu e Ramóm refletir sobre o real significado das ações humanas.

O livro é dividido em prelúdios mais quatro partes, totalizando 29 capítulos. A escrita dos autores é muito fluida e rápida. Um jogo com palavras alienígenas é feito em algumas partes do livro, e fiquei tentando achar o significado para elas dentro do contexto em que estavam sendo usadas. Um recurso muito legal, pois demorei para achar o conceito de algumas e de outras nem consegui identificar a definição.

A cultura é fortemente latina, com imigrantes do México, como o protagonista, do Brasil, entre outros. O planeta-colônia São Paulo tem esse nome, pois os brasileiros foram os primeiros a chegar para colonizá-lo.

O livro demorou quase trinta anos para ser concluído. Gardner Dozois começou a escrever a história em 76, algum tempo depois, George Martim resgatou o livro, trabalhou principalmente no ecossistema do mundo criado pelo primeiro autor, e, depois de mais alguns anos, Daniel Abraham chega para ajudar a concluir a obra.

Mesmo con tanto tempo para terminar o livro, parece que os autores não conseguiram chegar a um final de fato, deixando-o aberto, para uma possível continuação, caso desejem fazê-la. Mas sabemos que isso nunca foi prometido.

Caçador em Fuga me surpreendeu muito. Uma verdadeira obra de ficção científica para nenhum fã do gênero colocar defeito. Com uma história bem desenvolvida, os autores questionam o que é ser humano.

site: http://www.lelendolido.com.br/2017/06/resenha-94-cacador-em-fuga-daniel.html
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Indy 25/08/2017

"- De que diabos você está falando, monstro?
- Do seu desconforto. Você está ganhando consciência de quem é.
- Eu sou Ramón Espejo!
- Não - retrucou o alienígena. - Não é."

Quando você lê uma sinopse sobre um personagem e percebe que ele pode ser o maior inimigo dele mesmo, isso talvez te cause algumas perguntas na cabeça, mas acredito que essa frase se encaixe perfeitamente nessa história! Talvez você esteja se perguntando o porquê, certo? bem, só poderá descobrir ao ler Caçador em fuga.

Uma obra que levou quase 30 anos para ser construída e é escrita com maestria pelas mãos de George R. R. Martin, Daniel Abraham e Gardner Dozois. Com um enredo que nos leva a um universo muito longe da Terra, um lugar com um ecossistema novo e diferente, em um mundo controlado por diversas raças alienígenas, onde vemos o ser humano ser usado para a colonização de novos planetas, e podemos perceber que ele está mais para um bichinho de estimação, que o topo da cadeia alimentar.
Continue lendo em: http://www.blogumlivroporfavor.com.br/2017/07/cacador-em-fuga.html?m=1
Orlando 08/12/2017minha estante
põe um alerta de spoiler no seu texto, porque esse diálogo aí pode estragar a leitura pra muita gente




Paulo 07/08/2017

Esta é uma história escrita a três mãos. Pode parecer confuso para você, caro leitor, mas vou tentar resumir tudo rapidamente. Gardner Dozois, um tradicional editor de coletâneas de ficção de gênero e amigo de George R.R. Martin tinha uma ideia para uma história lá no começo dos anos 80. Porém, após ver o manuscrito ele achava que a história não estava boa e pediu a seu amigo Martin que desse uma olhada no original e tentasse ajudá-lo a finalizar a história. Martin se debruçou sobre o projeto, deu seu toque pessoal, mas também não foi capaz de finalizar e ambos acabaram por engavetar a história. Décadas mais tarde, Martin apresenta o manuscrito a Daniel Abraham (autor que junto com Ty Franck formam o pseudônimo James S.A. Corey, autor de Leviatã Desperta) e este fica encantado com a história. Com a ajuda de Abraham eles finalmente conseguem finalizar o manuscrito e publicam Caçador em Fuga. Uma história que parece mais uma novela.

Trabalhos escritos a várias mãos são animais complexos. Representam uma roleta russa: podem dar algo incrível como Leviatã Desperta e toda a série The Expanse ou podem dar algo ruim e truncado. Caçador em Fuga se situa no meio dessas duas instâncias. Em um trabalho coletivo, é importante eliminar as individualidades para favorecer a coesão. A ideia principal é que o leitor não seja capaz de identificar a escrita dos autores. Só que neste caso aqui eu fui capaz de identificar o estilo do Martin. Está presente na maneira como o personagem fala, na descrição dos cenários e até mesmo no cinismo inerente à sua psiquê. É o melhor do livro, mas ao mesmo tempo prejudica a proposta coletiva da obra.

A escrita é um pouco pesada. Senti isso na dificuldade que eu tive para terminar o livro. Peguei o livro achando que se trataria de uma narrativa mais dinâmica devido à própria temática da obra, mas me enganei um pouco. Os autores rumaram para algo mais reflexivo e cerebral com vários trechos marcados por fluxo de pensamento. Interessante que a justificativa para esses trechos são memórias vivenciadas pelo protagonista que se fundem com outras e causam uma certa confusão mental. Esses "flashbacks" servem para compor as motivações do personagem. A narrativa é em terceira pessoa, mais aproximada de Ramón. Ou seja existe todo um trabalho de escrita para que o leitor se apegue ao protagonista e eu acho que nesse sentido os autores foram muito bem sucedidos. Apesar das minhas críticas, no geral o livro é muito bem escrito, com um bom encadeamento de palavras. Só me incomodou esses momentos mais reflexivos que acabam tomando boa parte da leitura. Entendo que estes momentos visavam trabalhar a temática da história, mas eu senti que estamos diante de um livro mais de ideias do que de ação. E não foi isso o que eu entendi em um primeiro momento.

O trabalho com os personagens, sem dúvida alguma, é o melhor do livro. Eles são muito vívidos e somos capazes de imaginar a realidade de Villa Diego com sua sujeira e podridão diante de uma exploração feita por alienígenas que possuem seus próprios objetivos. Mesmo o livro sendo focado em Ramón e Maneck, o começo da história faz uma construção muito competente sobre tudo o que cerca o personagem. Nesse sentido o leitor é capaz de ouvir toda a atmosfera de colônia, com seus bares, trabalhos cotidianos e vidas que seguem apesar da história que é contada mais para a frente. Parece que a narrativa é tão introspectiva que o mundo continua a funcionar mesmo sem o protagonista por perto. E eu adoro isso. Ramón não precisava ser O Herói, O Escolhido, O Salvador do Universo. O protagonista é tão interessante pelo simples fato de ele ser um simples minerador que está tocando a sua vida. Se mete em algumas enrascadas que podem mudar tudo naquela colônia, mas escolhe ser egoísta. Essa é a marca do Martin. Ele não constrói personagens heróicos, mas sim humanos. Cada um de nós seria capaz de se colocar no lugar de Ramón e talvez fazer as mesmas escolhas.

Já as raças alienígenas que são citadas na história (salvo uma) pouco ou nada interferem no desenvolvimento da narrativa principal. Os Enye agem como um catalisador, mas o foco mesmo é na fuga de Ramón. Isso é o que eu mais gostei também na construção de personagens e narrativa. Os autores não se dispersam demais em uma apresentação de mundo que pode levar capítulos e mais capítulos. Alguns elementos de construção de mundo até aparecem vez por outra, mas somente quando são necessários para a história. Outros personagens também só são acionados quando necessário: Elena, o interesse romântico de Ramón (sua paixão caliente), Griego e seu ferro-velho, o bar de Mikel. Até mesmo alguns personagens do passado de Ramón são explorados, mas, novamente, apenas se possuem algo para contribuir para o aprofundamento dos objetivos e motivações do protagonista.

A temática da história é o que forma a nossa personalidade. Quem somos? Somos o resultado de nossas experiências ou há algo químico por trás de nossa formação? Sem dar spoilers da trama, Ramón passa boa parte da trama questionando suas escolhas de vida. Aliás, uma das grandes dúvidas levantadas pelo protagonista e que aparece logo no começo da história é o que o levou a matar o europeu no bar e ocasionou todo o resto das mais de 290 páginas. Por que ele pegou uma faca e rasgou o pendejo? A experiência que ele tem na floresta precisando realizar uma caçada mortal faz com que ele passe a refletir sobre seus problemas e seu lugar no mundo.

A mudança que se configura no personagem é perceptível. Toda a experiência que ele passa como fugitivo e depois precisando realizar uma caçada humana transforma as concepções que ele tem sobre si mesmo. Ele passa a reavaliar as suas opções. Esse crescimento do personagem é algo impressionante que chega a interferir no final da história. Caçador em Fuga é um manual sobre como trabalhar um personagem e como essa evolução pode afetar o desenvolvimento da narrativa.

Os capítulos são bem espaçados tornando a história bem fluida. Minha reclamação ficou no peso da pena dos autores. Achei que as coisas passavam bem devagar para mim. Pelo que eu pude perceber os autores adotaram uma estrutura em três atos sendo que a apresentação é a primeira parte, depois temos dois trechos espelhados em que caçador e caça alternam lugares formando o desenvolvimento e o último trecho é a conclusão. O clímax da história eu achei também meio estranho e a passagem não me soou tão emocionante quanto deveria ser. Acabou sendo mais um encerramento de plots do que propriamente um desfecho per se.

Caçador em Fuga é um bom livro de ficção científica. Escrito de maneira competente apesar de que conseguimos identificar um dos autores, é uma história que merece a sua atenção. Em alguns momentos a ação corre em alta velocidade, em outros a gente é apresentado a momentos bastante reflexivos. A temática abordada é o de quem somos e se somos moldados pelas escolhas que fazemos. Essa temática é aprofundada através do desenvolvimento da psiquê do protagonista. Como uma das poucas obras de ficção científica lançada esse ano que é mais recente, você tem que comprar esse título.

site: www.ficcoeshumanas.com
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Debyh 28/07/2017

reviravoltas, bem impactantes diga-se de passagem
Quando li a sinopse deste livro eu realmente, de verdade verdadeira, queria muito lê-lo. Ainda mais por tratar de um sci-fi com um enredo envolvendo uma nova realidade, e isso tudo juntamente com novos planetas e um protagonista marcante. Eu tinha que ler o mais rápido possível.
Ramón, mora em uma das colônias humanas que fica fora da Terra. Quando comete um erro, e assim não resta outra alternativa senão fugir. Mas, as coisas pioram quando ele é pego por alienígenas que o obrigam a caçar outro humano.

continua: http://euinsisto.com.br/cacador-em-fuga-george-r-r-martin-gardner-dozois-e-daniel-abraham/

site: http://euinsisto.com.br/cacador-em-fuga-george-r-r-martin-gardner-dozois-e-daniel-abraham/
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Fernanda 23/06/2017

Caçador em fuga
Resenha no blog:

http://www.segredosemlivros.com/2017/06/resenha-cacador-em-fuga-george-r-r.html

site: http://www.segredosemlivros.com/2017/06/resenha-cacador-em-fuga-george-r-r.html
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Isabela | @readingwithbells 12/06/2017

Resenha
"Caçador em Fuga" é um livro dividido em quatro partes, escrito pelo George R.R. Martin, Gardner Dozois e Daniel Abraham. A obra demorou quase trinta anos para ser escrita. Todo esse trabalho levou a essa criação de um novo mundo dominado por alienígenas. Foi publicado esse ano pela Editora Leya @editoraleya
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Ramón Espejo poderia entrar bem na categoria "vilão" se tivesse um herói nessa obra. Ele tem personalidade forte. Ele é arredio, cheio de ódio e sente desprezo pelas pessoas. Mesmo sendo o tipo de personagem criado para não ser gostado, você sente a vontade de acompanhar sua jornada. "Precisava ser, não tinha como ser mais ninguém."
Após assassinar o embaixador europeu, ele decide fugir para um lugar longe de São Paulo, onde acredita ser capaz de se esconder até as coisas se acalmarem. Nesse meio tempo, ele quer encontrar um meio de sobreviver e enriquecer ao mesmo tempo. Ele planeja fazer um levantamento geológico das rochas daquele local para vender posteriormente. Acaba escolhendo uma rocha qualquer e coloca sua sonda, que explode o espaço e lhe dá amostras para pesquisa. Esse foi seu erro.
Ao detonar aquele pedaço de rocha, descobriu que tinha algo vivendo embaixo delas.
Ramón acorda em uma total escuridão, acreditando estar morto.
Esse é um local totalmente diferente da sua realidade. Ele é levado ao líder dos seres que moram por lá, os alienígenas. Maneck, o líder do grupo, lhe obriga a caçar um homem que escapou do domínio deles, sendo portador de informações preciosas. Ramón não tem escolha. O caçador se tornou a presa. Maneck coloca uma "coleira" em seu pescoço, conectando-os, que o faz andar na linha ou ele sofre uma dor imensurável ao desobedecer.
Ramón vive uma escravidão, sendo forçado a seguir tudo que Maneck ordena, enquanto sua mente volta para o seu passado, que o atormenta.
Tudo o que ele deseja é escapar.
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É cômica a interação dos dois, pois Maneck não compreende nada do ser humano, e pede para Ramon explicar cada movimento que ele faz. O simples ato de comer para o alienígena é algo de se surpreender.
"Temos a humanidade em seus piores e melhores momentos"
A obra foi muito bem escrita, além da edição ser maravilhosa.
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