O Protegido

O Protegido Peter V. Brett


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Resenhas - O Homem Pintado


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Henrique 27/09/2014

Entra em um mundo onde a noite pertence aos demônios [SEM spoiler]
[Sobre carroças atoladas e barris de vinho]

Peter V. Brett nos transmite a sensação de que escrever é um trabalho tão árduo quanto tentar desatolar uma carroça carregada com meia dúzia de barris cheios de vinho usando apenas a força dos braços. Ou você encontra uma maneira de tirar a carroça da lama (algo como tirar uma história de toda bagunça de ideias) ou você lamentará sua vida inteira pelo vinho deixado exposto ao sol ou à chuva, pelo prazer não compartilhado.

Penso que assim se sentem esses grandes escritores, como João Ubaldo Ribeiro (O Sorriso do Lagarto) , Stephen King (A Dança da Morte), George Martin (As Crônicas de Gelo e Fogo), Tolkien (O Hobbit), Marion Zimmer Bradley (As Brumas de Avalon), Lauren Beukes (Iluminadas), Julio Verne (Vinte Mil Léguas Submarinas), entre tantos outros. Sentem-se como se, enfim, houvessem removido a carroça da lama e depositado o vinho em seu devido lugar. Eu, de minha parte tenho minhas safras inebriantes de Tolkien, Rowling, Shakespeare, e outros ainda por experimentar.

Essa sensação de estar carregando nas mãos um trabalho esmerado de uma vida inteira de dedicação (ainda que não o seja de toda uma vida, apenas pareça), contribui para enriquecer a experiência da leitura que, por si só, já é de grande valia. Ler uma história bem contada nos garante emoções tão profundas e marcantes quanto as emoções vividas por aqueles que ouviram do próprio Beethoven suas sinfonias, em primeira mão. E não é apenas pelo prazer das emoções, mas pelo poder que a leitura (especialmente de fantasia) tem de tocar as coisas antigas, ancestrais que existem em algum ponto obscuro (e maravilhoso) de nossas mentes.

E já que o Peter conseguiu desatolar a carroça, bebamos com fartura desse vinho e nos embriaguemos dessa boa safra!

[Entra em um mundo onde a noite pertence aos demônios]

Arlen, Leesha, Rojer. Através dos olhos desses três grandes personagens e seguindo-os pela infância até a vida adulta, Peter V. Brett nos lança em uma realidade onde o dia é venerado pelos homens e onde a noite é o pior de seus temores. Um mundo que (nas palavras do Stephen King) seguiu adiante. Uma imersão sobre o desejo, o medo, a coragem e os desígnios da vida. Sobre pessoas insignificantes assumindo todo o significado, pequenos tornando-se grandes. O Homem Pintado é uma história de fantasia que transborda de realidade, mas uma realidade de uma forma que os nossos olhos nunca viram até então.

No primeiro livro do Ciclo dos Demônios (que antecede A Lança do Deserto, A Guerra Diurna e O Trono de Ossos - este último a ser lançado em março de 2015) somos introduzidos no vasto e assombroso universo criado pelo autor, um mundo que é atormentado por demônios (conhecidos como corelings\nuclitas, aqueles que habitam o Núcleo) que se erguem na noite para caçar, especialmente humanos. Os demônios são bestas elementares, dividindo-se em espécies e sub-espécies, como areia, rocha, água, ar, etc., cada um com diferentes capacidades e proporções de força. A única forma de se proteger contra os demônios é por meio das "guardas", complexas runas mágicas que podem ser escritas, pintadas ou esculpidas em pedra, madeira, metal, areia etc. Uma falha mínima nas guardas pode significar a morte. Devido aos constantes ataques demoníacos, a humanidade foi reduzida de um avançado estado de tecnologia para a idade das 'trevas'.

[Entretenimento que fala de coisas grandes e subindo]

A abordagem de temas atuais, como a posição da mulher numa sociedade que supervaloriza o homem, a influência da religião para o bem ou para o mal, o estado de ignorância e suas consequências, as divergências entre as culturas, as injustiças advindas das hierarquias sociais, os horrores cometidos em nome da fé cega e questões existenciais equilibram-se em meio à aventura, drama e ação, além de servirem como uma espécie de simulação para os eventos cotidianos, alterando significativamente o modo como enxergamos as pessoas e como compreendemos a nós e aos que nos cercam. A imparcialidade com a qual Brett aborda temas controversos por meio de seus personagens cheios de humanidade é um convite à reflexões inevitáveis por parte do leitor, que encontrará extrema dificuldade em posicionar-se contra ou a favor desse ou daquele personagem.

[Leitores assassinos: nossa vontade insana de matar]

Pode parecer inocente, mas essa vontade incontrolável que muitos leitores experimentam em relação a determinados personagens que saem por aí lançando sal nas feridas alheias; estuprando, matando e destruindo vidas, não é nem um pouco inocente: é puramente assassina (e, não adianta negar, deliciosa). Acredito que isso se deve a sensação de estar fazendo o que é certo, matando aquele personagem e poupando outros de suas ações (é como dar uma de Jeová vingador e destruir os bebês de Sodoma, futuros "pecadores").

Brett constrói seus personagens com um norte e com um sul. Em outras palavras, humanos, sem maniqueísmo, bons e maus ao mesmo tempo, realistas, (ainda que falhe nesse aspecto em alguns momentos). O ódio ou a raiva que você dedica à um personagem, podem se converter nos sentimentos contrários. Sob um ponto de vista, aquele personagem pode parecer detestável e abjeto, sob outro, alguém a quem você dedicaria seu apoio se pudesse. Portanto, tire seu dragão da chuva caso esteja predisposto a sair apontando adagas aos pescoços dos 'vilões' de Brett, eles podem arrancar-lhes doces beijos no capítulo seguinte.

[Acima de tudo, um livro sobre o medo]

O autor, ao escrever sua história, tinha em mente escrever algo que retratasse a forma como o sentimento 'medo' é divisor de águas na vida do ser humano. Lidar com o medo, seja qual for a sua natureza, é o tema central da história O Home Pintado. O medo está presente o tempo inteiro em um mundo dominado por demônios (e podemos sim usar a liberdade artística e fazer uma alusão com o nosso mundo, onde a 'cultura do medo' se infiltra em cada canto do globo).

Quando pequeno, um dos personagens centrais, Arlen, ouviu falar de um povo que vivia no deserto escaldante e que lutava contra os demônios quando estes se erguiam na noite e os matavam com lanças guardadas\cobertas com runas, ao invés de esconderem-se com medo na segurança de suas casas revestidas de guardas (runas mágicas que impedem a passagem dos demônios). Ouvir essa história só serviu para fomentar cada vez mais a raiva que Arlen sentia dos demônios, a respeito dos quais ele cresceu sendo doutrinado a temer, algo natural, imutável. Mas as histórias fazem isso dentro das pessoas, destrancam portas há muito emperradas. Nos revelam muito ou pouco (mas sempre o suficiente) sobre nós, sobre os outros, sobre o mundo, sobre a vida. Nos encoraja a seguir adiante.

[De modo geral]

Acho desnecessário dizer que O Homem Pintado foi uma das minhas melhores leituras do ano em fantasia e agora configura-se como um livro 'favoritado' no skoob. E, como me disseram, o segundo (que já li) é três vezes melhor. O autor vai aperfeiçoando a história e criando novas possibilidades que só enriquecem o seu universo e a trama.

E nesse tom inacabado, finalizo dizendo que está mais que recomendado!

Por Henrique Magalhães

site: http://pilulasliterarias.blogspot.com.br/
Ricardo 25/02/2015minha estante
Esse O PROTEGIDO é o mesmo livro lançado pela 1001 mundo O HOMEM PINTADO?


Henrique 26/02/2015minha estante
Sim, Ricardo, o mesmo. O que muda é a edição e a tradução, que em O Protegido será pt-br. ;-)


Beth 12/05/2015minha estante
Maravilhosa resenha, Henrique!


Harabel 19/07/2015minha estante
Ando cada vez mais apaixonada pelos livros e pelo capricho da Dark Side! Não sei como não vi o lançamento desse mas agora, depois de ver o folheto dele dentro do Demonologista, fiquei curiosa em saber mais do livro. E a sua resenha só me deixou ainda mais com água na boca e ansiosa para comprar! rs Mais que desejado agora! =)




Café & Espadas 04/08/2015

Resenha Ciclo das Trevas - O Protegido
Ao iniciar a sua carreira, o autor Peter V Brett escolheu um caminho tortuoso que muitos outros não ousaram nem sequer passar perto: a dark fantasy. Esse gênero, que sofreu um forte processo de influência oriundo da literatura gótica, tem uma lista vasta de autores novos e outros já conhecidos de longas datas – como Mark Lawrence, Glenn Cook e Stephen King – que conseguiram compor obras fascinantes e ovacionadas pelo público e pela crítica. Mas ilude-se quem pensa que é simplesmente misturar espadas e sombras em um caldeirão distópico.

A complicação em escrever dentro dessa temática surge no momento de mesclar elementos fantásticos com suspense, sem gerar ambientes piegas e situações previsíveis – e são nesses pontos que esse primeiro volume da saga Ciclo das Trevas irá fisgar tanto o leitor novato quanto o que já é viajante experiente nesses caminhos sombrios.

A obra foi lançamento de março da editora Darkside Books, que comprou a ideia com vontade produzindo um trabalho editorial magnífico, muito detalhista e caprichada, que complementam a viagem pelo mundo criado pelo autor. Um mundo dominado por demônios que rugem e caçam na noite.

Arlen, Leesha e Rojer cresceram tendo que conviver com uma realidade: o mundo não é mais propriedade só dos homens. O dia e a sua luz é uma dádiva diária, e a noite se tornou o maior dos tormentos, pois é nela que surgem os terraítas, demônios vindos do centro da terra que assumem formas grotescas de pedra, fogo, madeira, neve e vento. No passado, eles eram poucos, mas mesmo assim assolavam a humanidade com crueldade.

Mas os homens descobriram o poder da escrita, e essa capacidade básica começou a ser usada como a principal arma contra os demônios. Runas mágicas de proteção e de ataque foram utilizadas por guerreiros que a duras penas conseguiram derrubar o poderio demoníaco e manda-los de volta para as profundezas. Mas isso não era o fim.

Logo os humanos se acomodaram em sua paz ilusória. Sem demônios para atormentá-los, a arte da escrita foi sendo deixada de lado ao mesmo tempo que as cidades voltavam a se desenvolver e prosperar. Porém, os demônios ressurgiram, pegando todos os humanos desprovidos dos conhecimentos adquiridos e de guarda baixa. Todo o progresso conquistado foi perdido e, se não fosse os registros antigos que continha ainda o conhecimento sobre as runas, a raça humana estaria perdida.

E assim, chegamos de volta ao ponto de partida, com os humanos se escondendo das bestas, tendo que voltar a um quase primitivismo, quando era mais caça do que caçador.

É neste ponto que somos apresentados ao trio de personagens supracitados. Cada um com a sua história, suas tristes experiências e seu contato com o que há de pior nas profundezas e no coração dos homens. Essas experiências irão transformá-los de forma profunda, e irão mostrar que o principal inimigo a ser combatido é o medo. Seja ele qual for. O erguido pelos monstros, pela própria sociedade, pelos estereótipos ou religião.

A obra de Peter V Brett ganha o seu brilho quando sua narrativa não se limita a falar somente de um mundo assolado e de uma luta pela sobrevivência. O Protegido aborda temas totalmente inerentes a nossa atualidade: hierarquias sociais e suas desigualdades maquiadas de benevolência, o problema da acomodação coletiva, os perigos da fé cega e as imposições sociais e religiosas que – na visão de Brett – limitam o potencial das pessoas.

Tudo está espalhado pela narrativa ágil do autor e pelo o seu mundo monocromático, mas muito rico e diverso. Talvez o único pecado seja a demora para a história engrenar definitivamente, mas nada que se sobreponha a qualidade da história criada por ele. Quando isso acontece, a leitura simplesmente entra em frenesi.

A ambientação do mundo que sobrou da guerra entre homens e terraítas é descrita com riqueza de detalhes, tornando a experiência de contato com a fantasia sombria ainda mais proveitosa. Brett não deve em nada aos outros autores citados nesta resenha, tecendo a sua narrativa com originalidade e impecavelmente instigante.

Sem dúvidas, um dos grandes lançamentos do ano, e uma saga muito promissora. A leitura de O Protegido pode ser uma ótima porta de entrada para os que ainda não conhecem a dark fantasy. Uma prova de que ainda hoje, em meio a tanta leitura genérica, temos obras que se salvam pela capacidade de criação de seus criadores.

site: http://www.skoob.com.br/estante/livros/todos/1288019
Glendinha 05/08/2015minha estante
Resenha perfeita




Vagner 18/04/2015

Desbravando O Protegido
Lançamento de março da editora DarkSide, O Protegido é uma das grandes apostas para 2015 no Brasil em termos de fantasia. O autor Peter V. Brett é aclamado lá fora como um dos grandes nomes da literatura fantástica e esperamos que aqui no Brasil também seja!

Desde o início dos tempos, na Era da Ignorância, os demônios sobem à superfície quando a noite chega e tem um único objetivo: destruir os humanos que estão em seu caminho. Os terraítas, como são chamados os demônios, podem ser de vários tipos, como água, chama, rocha, areia, etc. Apesar de estarem em menor número, seus ataques geralmente deixavam dezenas de mortes, até que um dia os humanos descobriram o poder da escrita. Com proteções defensivas, perceberam que era possível evitar o ataque dos terraítas às cidades e vilarejos e assim sobreviverem. Mas o que realmente mudou o rumo da guerra foram as proteções de combate, permitindo assim que a humanidade atacasse e mandasse os demônios de volta para as Profundas.

Com o avanço do conhecimento sobre as proteções de defesa e combate, os humanos conseguiram dizimar os terraítas no que ficou conhecida como a Primeira Guerra Demoníaca, a Era do Salvador.

Como não era mais necessário combatê-los, a humanidade estagnou. As proteções já não eram mais necessárias e foram se perdendo, ao mesmo tempo que, lá nas Profundas, os terraítas esperavam pelo seu retorno à superfície. E quando o fizeram, o baque foi tremendo. Cidades foram dizimadas, milhares de humanos morreram e os demônios tomaram conta da noite novamente.

O tempo passou e as coisas continuam iguais, sendo que agora as proteções de combate estão esquecidas desde a Primeira Guerra. Vivendo durante o dia e sobrevivendo à noite, a humanidade espera pelo retorno d'o Salvador, aquele que irá expulsar os terraítas novamente e trará paz ao mundo, segundo a religião do Criador. É neste contexto que entram os personagens principais desse primeiro livro: os jovens Arlen, Renna, Leesha e Rojer.

Arlen tem 11 anos e vive no Riacho de Tibbet, um vilarejo muito pequeno e tranquilo. Ajudando seus pais nas tarefas comuns, Arlen tem um talento natural no que se refere às proteções mágicas. Sabe desenhá-las como ninguém e entende a importância de uma proteção bem feita. Sonhando em ser mensageiro, Arlen parte para o desconhecido em busca do sonho, deixando para trás algumas pessoas que ama e outra muito próxima que o decepcionou profundamente. Desejando conhecer todos os locais do mundo (Thesa) e viver novas experiências, tudo que Arlen quer é espalhar o seu conhecimento sobre as proteções e procurar as magias antigas, aquelas capazes de matar um demônio e fazer as pessoas voltarem-se novamente contra eles.

"Tem um mundo inteiro lá fora para aqueles que desejarem desbravar a escuridão."

Renna também vive em Riacho de Tibbet e está prometida a Arlen, mas a moça não possui tanto destaque assim nesse primeiro livro. Vou deixar para falar mais na resenha do 2º, quando sair.

Leesha vive em Clareira do Lenhador e ajuda o pai no negócio da família, ao mesmo tempo que sofre com os maus tratos da mãe. Sendo uma das gurias mais populares de lá e prometida a Gared, tudo muda quando falsos boatos a seu respeito começam a se espalhar. Abalada pelos fatos, Leesha encontra refúgio com Bruna, a antiga Ervanária da cidade. Lá, aprende a arte medicinal e começa a curar os habitantes, mostrando que não são só as proteções que salvam pessoas.

Rojer Faltadedo sofreu muito com um ataque de terraítas à sua aldeia quando pequeno, ainda mais quando as proteções da sua casa não aguentaram e o pior aconteceu. Salvo por um menestrel, Rojer acabou se tornando aprendiz do mesmo e descobre ter muita facilidade em tocar rabeca, o que acaba tornando uma vantagem futuramente, quando percebe que sua mão mutilada não se permite usar todos os truques de menestrel.

Dá pra perceber tranquilamente durante a leitura o cuidado que Peter V. Brett tem com os detalhes da sua obra. Imagino que nada tenha ficado de fora. O jeito mais fácil de perceber isso é o prazer em ler sobre as proteções de defesa e combate. A importância delas é tremenda que até mesmo a chuva e a lama podem atrapalhar os seus efeitos, qualquer traço errado pode comprometer tudo.

Certos conflitos políticos também são percebidos, e imagino eu que do segundo livro em diante eles serão mais abordados. Achei interessante o modo de vida de Krasia, o único local no mundo onde eles realmente combatem os terraítas e tem um modo próprio de fazer isso, o qual deixarei para o leitor descobrir. Sem contar que quero saber mais sobre Jardir, o líder deles. Esse cara...

E os demônios? Muitíssimo bem feitos e inseridos na trama! Devido à variedade de tipos, os próprios terraítas possuem inimigos entre si e características totalmente diversas. Alguns caçam em grupo, outros estão sempre sozinhos e passam por cima de todos que aparecem, assim como outros só aparecem em determinados locais. É bastante material a ser apresentado nos próximos livros.

A narrativa melhora bastante depois dos 60%, quando a ação realmente começa e boatos sobre o Protegido começam a aparecer. Segundo as histórias, o Protegido é um homem que caminha na noite caçando demônios, possui o corpo coberto por proteções dos pés à cabeça, aventurando-se por toda Thesa no lombo de seu cavalo igualmente protegido. Ninguém sabe seu nome verdadeiro, nem se ele é uma pessoa comum, pois muitos dizem que ele é metade humano e metade terraíta.

Ao se depararem com ele, os personagens principais percebem que o medo pode ser escanteado e finalmente erradicado da humanidade. Não é necessário temer os terraítas e sua chegada à noite, assim como a certeza de que eles podem ser destruídos novamente muda a sua personalidade. Parece que tudo está destinado a mudar a partir de agora...

"Arlen sabia que a maior arma dos terraítas era o medo. O que não entendia era que o medo assumia muitas formas. Em todas as suas tentaivas de provar o contrário, Arlen ficara aterrorizado com a solidão. Queria alguém, qualquer um, que acreditasse naquilo que estava fazendo. Alguém para lutar com e por ele."

No começo eu pensava que essa obra não era tão adulta, mas após certo capítulo minha opinião mudou consideravelmente. Boa parte do livro cobre a juventude dos protagonistas, seus medos, suas atividades do dia-a-dia e quem pretendem ser no futuro. Mas é a partir da parte 3 que tudo muda, deixando tudo MUITO mais interessante e intrigante.

O Protegido é uma história sobre pessoas comuns, com vontades simples e cheias de sonhos, todas em busca daquele que finalmente irá acabar com o seu medo dos terraítas. Com uma narrativa fluida e fácil de se entender, recomendo bastante esse volume inicial da série Ciclo das Trevas para aqueles que gostam de fantasia e querem investir em algo com potencial.

Além disso, a edição da DarkSide é linda, capa dura, toda cheia de símbolos e muito bem feita.

Apenas leiam, o retorno é garantido!

site: http://desbravandolivros.blogspot.com.br/2015/04/resenha-o-protegido-peter-v-brett.html
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neo 18/09/2015

Eu tinha grandes expectativas ao começar a ler O Protegido. E, infelizmente, elas foram respondidas apenas em parte.

O mundo que Brett criou é sim extremamente interessante e bem construído. Dá para realmente sentir que estamos em lugar diferente, com regras e costumes diferentes, e isso, é claro, se deve em boa parte aos demônios e à como os humanos aprenderam a se desenvolver diante do perigo que eles representam.

Os personagens também são ótimos. Os principais, Arlen, Leesha e Rojer, são todos bem desenvolvidos e com personalidades próprias (Rojer um tanto menos do que os outros dois por aparecer pouco nesse primeiro volume, apesar de desempenhar um papel importante mais para o final). O livro os acompanha desde sua infância até a vida adulta, e eu gostei bastante da história dos três. Nessa parte eu mal conseguia desgrudar a cara das páginas de tão curiosa que estava sobre como a trama se resolveria.

Mas aí a última parte do livro fez minha satisfação tomar um tombo daqueles.

O que é bem estanho, já que pelas resenhas que li a parte final do livro foi a preferida de muitos. Mas para mim ela pareceu meio... desconectada, principalmente em relação ao Arlen. Ele se transformou em uma pessoa super diferente do nada; ou melhor, anos se passam em um piscar de olhos e puf, a personalidade dele foi praticamente substituída por outra. Foi como se uma boa parte do desenvolvimento dele tivesse acontecido nesses anos que passaram num piscar de olhos, off page, sem que o leitor acompanhasse. E bem, isso me deixou um tanto chateada.

Na verdade, fiquei com a impressão de que O Protegido teria sido um livro melhor se fosse contado meio que em in media res, aka, com a parte final sendo a inicial e o passado dos personagens sendo flashbacks. Não sei se alguém por aqui já leu As Guerras do Mundo Emerso (segunda série do Mundo Emerso, da Licia Troisi), mas a autora lá faz algo assim no primeiro volume e o resultado, pelo que me lembro, é ótimo. Aqui em O Protegido o Arlen ficou quase como duas pessoas diferentes graças a esse desenvolvimento perdido.

E infelizmente boa parte da minha simpatia por ele morreu quando ele se tornou o ~badass~ da história. O distanciamento que o autor acabou colocando entre o leitor - aka eu - e o personagem foi um tanto grande demais. Arlen se tornou mais uma caricatura do que um personagem de fato.

Outra coisa que me incomodou foi o estupro que uma personagem feminina sofreu lá no final. Não pelo estupro em si (que nem é mostrado na narrativa), mas sim pela falta de impacto que isso tem na vida dela. Veja bem, ela foi estuprada por três caras e tudo indica que foi algo terrível, mas aí dois ou três dias depois ela já está querendo fazer sexo com outro cara (que ela nem conhece, mas por qual sente uma espécie de instalove que me fez revirar os olhos demais) e depois disso o estupro não é mais mencionado. É como se ele não tivesse acontecido - ou melhor, como se ele só tivesse acontecido para prover um tanto de angst necessário naquela época e fim. Pra quê fazer uma personagem lidar com esse tipo de trauma, que na maior parte das vezes dura a vida inteira, né? Pra quê? Pff.

É por essas e outras que homens escrevendo sobre estupro fazem todos os meus alarmes dispararem. E bem, espero que no próximo livro isso seja tratado como se deve.

E sim, pretendo ler o próximo livro. O fim de O Protegido foi meio meh na minha opinião (acho que eu acabaria dando umas quatro estrelas pro livro se não fosse por ele), mas deixou em aberto algo que se bem explorado dará uma história ótima. Não vai ser minha prioridade, mas se a oportunidade surgir lerei A Lança do Deserto sem pensar duas vezes. Enfim, 3.0 estrelas para O Protegido.

site: http://chimeriane.blogspot.com.br/
Deia Guedes 09/04/2016minha estante
Concordo plenamente com você!!!
Acabei de ler O protegido e sim, a segunda parte do livro decepciona bastante! Uma pena, tinha tudo pra ser muito, muito bom...


Bruno 21/05/2016minha estante
SIM!!!
Terminei o livro agora e concordo com quase tudo. No começo temos a apresentação dos personagens, o que foi muito bem criado, a historia estava excelente, mas o final deixou muito a desejar. Fiquei sem entender, Arlen, um personagem com personalidade forte que até então não desistia por nada, mas no fim desistiu de ser ele mesmo. E Leesha, uma grande personagem, mulher forte, esperta, e temida, que do nada foi estrupada e pior, cade a mulher que andava com pó de pimenta, que intimidou o Gared, e que conseguiu manter sua virgindade por tantos anos?
Não gostei o fato desses personagem que tinham singularidade e ideias excelente mudar tudo. O protegido, é ridículo, fico extremamente confuso que uma hora esta de boas e do nada fica um chorão brigão, alem de homem careca de tanga cheio de tatuagens lutando na maioria das vezes com as mão, poxa, menosprezou até os terraítas,pra que armas?. A proteções nas mãos ficaram legais, mas no corpo todo exagerado.
Na minha opinião os acontecimentos finais não precisavam ser inserido no primeiro livro, havia muita coisa para ser explicada e desenvolvida antes, e teria fluido melhor se ele não colocasse o estrupo de Leesha, ou então acompanhasse a personagem de maneira mais profunda, é um assunto sério, que se for colocado em uma personagem principal, requer uma enorme atenção para um melhor desenvolvimento.




Drics 08/05/2015

Existe luz na escuridão!
No primeiro capítulo temos a apresentação deste mundo que, de dia é comum para os humanos, mas a noite… Quando a escuridão cai é que o bicho pega, bicho não, os demônios! São os chamados terraítas.

Em Ciclo das Trevas – O Protegido os demônios são diferentes da figura que temos em mente, eles são feitos de elementos: demônios de areia, de fogo, de vento e de pedra. E, além de destruírem tudo, eles comem carne humana.

Através da escrita, os humanos eram capazes de se proteger e de lutar contra os terraítas usando símbolos mágicos. Anos de guerra seguiram, batalhas de humanos contra demônios até que estes se resguardaram nas Profundas (centro da Terra onde habitam) e esperaram pacientemente para uma volta. O povo, por sua vez, se acostumou com uma vida sem os gigantes terraítas e não praticava mais o conhecimento das marcas de proteção. Já imaginou o caos, né?

O progresso foi destruído e muitos símbolos foram perdidos. Os humanos agora apenas sobrevivem, não lutam, eles se escondem atrás dos símbolos de proteção e de uma religião na qual seu Criador promete trazer à terra um Salvador para livra-los dessa maldição.

site: http://redatorademerda.com.br/2015/05/resenha-ciclo-das-trevas-o-protegido/
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Jemilly 18/05/2016

O Protegido
O universo de O protegido é bem interessante e cheio de detalhes, principalmente dos terraítas, o que achei muito bom. A relação dos humanos nesse mundo cheio de demônios, ou como aprendem a conviver com a morte que vem com a noite - quando a proteção falha, e, o que é mais legal é que os personagens trazem a ideia de que o medo às vezes acaba matando tanto quanto os demônios. O livro traz coisas muito interessantes também em relação a crença de que os demônios são o que são como castigo por esquecerem os ensinamento da Era do Salvador (a magia existente). Depois que os demônios foram dizimados, com um mundo em paz, a Era da Ciência se iniciava e se esquecia da magia. Com a volta dos demônios e muito da magia já esquecida, tem-se a ideia de que a culpa é dos humanos que saíram do caminho do Salvador, o que nos faz refletir sobre a época que se passa a história. Confesso que fiquei bastante filosófica sobre essa parte, mas vou poupar vocês disso. Rsrs

Mas, infelizmente, nem tudo foi tão bom. Apesar de ter gostado dos personagens principais, principalmente Arlen, achei as coisas apressadas demais. Acompanhamos os três principais personagens desde a infância até a idade adulta, e, tirando alguns momentos poucos, vemos sobre a vida deles como aprendizes, apenas. Depois de enrolarem praticamente o livro todo, quando os personagens finalmente se encontram, o que eu achei que ocorreu de uma forma um pouco forçada, Arlen, meu personagem favorito de todo o livro, aparece de uma forma completamente diferente, quase irreconhecível e nem acompanhamos essa mudança toda. Mesmo com esses problemas, pretendo ler segundo livro, não querendo criar muitas expectativas, mas espero que seja melhor.

site: http://clubedofarol.blogspot.com.br/2016/02/resenha-do-livro-o-protegido-saga-ciclo.html
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viviaalencar 21/04/2015

Bem escrito, mas mais do mesmo
Gostei muito do ritmo do desenvolvimento da história, a sina inicial dos personagens principais interessante, mas a partir da parte dois o livro ficou estremanente previsível e assim meio entediante.
A melhor parte com certeza são os demônios, que realmente me deixaram assustada em alguns momentos.
A edição da Darkside está muito muito bonita, mas com alguns erros de revisão e o fatídico parágrafo faltando, nada que atrapalhasse a leitura, mas foi o livro com mais erros que li nos últimos anos.

Raquel Moritz 18/05/2015minha estante
Olá, tudo bem? Se vc enviar uma mensagem na fanpage da DarkSide com a nota de compra e endereço completo, eles fazem a troca do seu exemplar que tem um parágrafo faltando. Foi uma falha em um lote de impressão. ;)




Clube do Farol 19/09/2016

Ciclo das Trevas. Clube do Farol.
Resenhado por: Milly

O universo de O protegido é bem interessante e cheio de detalhes, principalmente dos terraítas, o que achei muito bom. A relação dos humanos nesse mundo cheio de demônios, ou como aprendem a conviver com a morte que vem com a noite - quando a proteção falha, e, o que é mais legal é que os personagens trazem a ideia de que o medo às vezes acaba matando tanto quanto os demônios. O livro traz coisas muito interessantes também em relação a crença de que os demônios são o que são como castigo por esquecerem os ensinamento da Era do Salvador (a magia existente).

Depois que os demônios foram dizimados, com um mundo em paz, a Era da Ciência se iniciava e se esquecia da magia. Com a volta dos demônios e muito da magia já esquecida, tem-se a ideia de que a culpa é dos humanos que saíram do caminho do Salvador, o que nos faz refletir sobre a época que se passa a história. Confesso que fiquei bastante filosófica sobre essa parte, mas vou poupar vocês disso. Rsrs

Mas, infelizmente, nem tudo foi tão bom. Apesar de ter gostado dos personagens principais, principalmente Arlen, achei as coisas apressadas demais. Acompanhamos os três principais personagens desde a infância até a idade adulta, e, tirando alguns momentos, pouco vemos sobre a vida deles como aprendizes.

E depois de enrolarem praticamente o livro todo, quando os personagens finalmente se encontram, o que eu achei que ocorreu de uma forma um pouco forçada, Arlen, meu personagem favorito de todo o livro, aparece de uma forma completamente diferente, quase irreconhecível e nem acompanhamos essa mudança toda.

Mesmo com esses problemas, pretendo ler segundo livro, não querendo criar muitas expectativas, mas espero que seja melhor

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Neto 24/01/2016

Me dá uma grana que faço uma série de tv!
Fiquei impressionado com a história e a fluidez desse livro. Ótimos personagens (Arlen - O Protegido, Leesha e Rojer) compõe o trio principal dessa primeira história. É cheio de aventuras e momentos de ação que quando vc imagina ... é incrível. Não dá pra saber se o mundo que se passa é anterior ao nosso ou posterior mas prefiro pensar que é outro universo, onde os humanos pagam brutalmente pelos pecados e crimes que cometeram. Os terraítas (demônios) são elementais e ao longo do livro é desenvolvido os meios como aniquilá-los, isso foi muito bom porque prepara terreno pra muitos outros momentos épicos a vir nas sequências. Eu ouvi falarem que o livro tinha recebido críticas com relação ao tratamento das mulheres, não achei nada fora do comum ao que o autor cria... É uma sociedade em que todos devem casar cedo, terem filhos, e até uma das motivações do protagonista é essa - ir contra - bem, ao meu ver a mulheres nesse livro tão igual pra igual. Não vou me prolongar mais do que o costume, a edição da darksidebooks é linda e sem mais, são 508 páginas que fluem muito rápido devido a escrita do autor o qual não enrola ou fica "falando bonito" como outros aí que já li. Já possuo o volume 2 aqui e espero continuar em breve. Pelo estilo em achei semelhante à estrutura do Éragon (ciclo da herança), o qual tem o 1º livro fantástico mas as sequencias são uma decepção, eu espero que não aconteça o mesmo aqui nesse ciclo. Se procura uma fantasia dark de qualidade leia o ciclo das trevas sem falta!
Ah e havia um comentário que dizia que iria virar filme na mão do Paul W Anderson, espero que não seja verdade porque esse homem acabou com umas das minha séries favoritas no cinema (Resident Evil), além de que pela estrutura do livro acho que não funcionaria na forma de um longa metragem e sim numa série para tv, lógico num canal que a violência e ... tripas sejam liberadas. Me dá a chance que produzo uma série perfeita e faço acontecer! Não custa nada sonhar!
Rafa Ferrante 24/01/2016minha estante
Sua resenha atiçou minha curiosidade


Neto 24/01/2016minha estante
É bem legal se vc gostar de fantasia-dark. Eu gostei bastante mas tem que saber que ele não é uma história fechada.


Rafa Ferrante 24/01/2016minha estante
como assim?


Neto 25/01/2016minha estante
é um livro grande, o autor desenvolve bem a história dos personagens e fica logo evidente na metade que só esse livro é apenas o comecinho... não sei quantos serão, até agora saíram 4 volumes.




Acervo do Leitor 01/02/2018

O Protegido – Ciclo das Trevas #1 – de Peter V. Brett | Resenha
O Protegido é o primeiro livro da saga Ciclo das Trevas escrito pelo autor Peter V. Brett, que está sendo publicado pela Darkside, cujo terceiro volume, A Guerra da Luz, chega às livrarias neste mês. Com uma estrutura voltada à Dark Fantasy, O Protegido conta a história de uma humanidade que vive refém de demônios, sendo estes basicamente elementais, que durante as noites saem das Profundas para espalhar o caos pelo mundo. A única defesa das pessoas contra as Terraítas são as proteções, símbolos tribais, que variam suas funções de acordo com o desenho. De maneira geral, as únicas proteções ainda utilizadas, são àquelas voltadas à defesa de suas residências, ou espaços previamente delimitados. Proteções de combate que há muito, eram utilizadas para destruir os demônios, perderam-se com os tempos, histórias, e figuras de um passado que jaz nos incautos das lendas.

“Desesperada e temerosa, Leesha fez a única coisa que podia. Chorou. Chorou pelos mortos, pelos feridos e por si mesma. Em uma aldeia com pouco mais de quatrocentas pessoas, não havia ninguém cuja morte não a ferisse.”

Neste primeiro livro vamos acompanhar a trajetória, desde a infância, de três personagens: Arlen, um garoto de 11 anos que tem a ânsia de conhecer as Cidades Livres e aprender a como combater os demônios. Após um ataque dos terraitas, a mãe de Arlen sofre graves ferimentos, culminando em sua morte. O garoto revoltado com a covardia do pai, que os deixou sozinhos durante a noite no celeiro, foge em busca de uma companhia para chegar às cidades livres e iniciar sua caminhada rumo a vingança. Leesha uma garota de 13 anos que vive com a mãe Elona, uma figura autoritária e desprezível, e seu pai, Erny, que se esconde sob a ignorância e as palavras afiadas da esposa. Rojer, o mais jovem dos três, vê sua família sendo dizimada pelos demônios e foge com um menestrel que estava de passagem pela aldeia. O livro vai acompanhando e desenvolvendo cada um destes protagonistas em suas determinadas trajetórias de maneira cronológica. Todos são marcados pela fúria e ódio dos demônios, que de maneiras bastante diretas, tornaram suas vidas um turbilhão de horrores e medo.

“Estive tão ocupado pensando contra o que estava lutando que esqueci do motivo pelo qual lutava. Durante toda a vida não sonhei com nada além de matar demônios, mas do que adianta acabar com eles nas florestas e ermos, e ignorar aqueles que assombram os homens todas as noites?”

Confesso que a primeira parte do livro ficou muito aquém do esperado, com um desenvolvimento raso e pouco abrangente, com algumas passagens que soavam bastante forçadas pelo autor. Os primeiros capítulos de Leesha são no mínimo ridículos, e todo seu “romance” com Gared é de doer os olhos. Persisti, e que bom que assim o fiz. A segunda metade do livro é excepcional! Os personagens são muito mais críveis em suas ações (Leesha tem um desenvolvimento digno de aplausos), a ambientação é bem mais detalhada (ainda que não bastante), e as batalhas que circulam pelas páginas são de prender o fôlego. Arlen é aquele que está um passo à frente dos demais, e é protagonista da grande surpresa deste primeiro livro. Mas não é somente nos três protagonistas que a história se sustenta, os personagens secundários são muito bem construídos, ou pelo menos boa parte deles, com destaque para Bruna, a velha ervanária que treina Leesha em sua função.

Não sei se a impressão foi somente minha, ou mais alguém a compartilha comigo. Mas, principalmente lá pelo final do livro, me senti em um jogo de RPG eletrônico, ao melhor estilo Final Fantasy ou Breath of Fire, com cada personagem utilizando seus atributos à medida que enfrentam os Terraítas. A figura misteriosa do Protegido, um homem todo tatuado de proteções que enfrenta demônios com as próprias mãos, quando aparece subverte todas as outras. É interessante também acompanhar a “rivalidade” entre os diferentes tipos de Terraítas, e a maneira como isso pode ser sabiamente utilizada em prol da sobrevivência, demônios de madeira combatem os demônios de chama, pois estes ao causar incêndios, podem destruir seus habitats. Os demônios de rochas são até então os mais fortes e poderosos, e olham aos demais como simples insetos.

“Ergueu os olhos e viu as figuras ainda longe da estrada, mas perto o bastante para vê-lo. Ouviu um grito quando o mundo desapareceu na escuridão.”

SENTENÇA
Peter V. Brett criou um início de uma saga que tem tudo para figurar entre as melhores do gênero. Com uma primeira metade fraca e pouco convincente, o livro surpreende e muda sua figura na segunda metade, construindo de maneira emocionante os rumos dos protagonistas. Com batalhas alucinantes, e um panteão de demônios aterrorizantes. A Lança do Deserto, o segundo volume, tem tudo para alcançar a avaliação máxima, e esperamos ansiosamente por isso!



site: http://acervodoleitor.com.br/o-protegido-ciclo-das-trevas-resenha/
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Gabriela 28/04/2015

INCRÍVEL!
Não sou fã de Senhor dos Anéis, nem mesmo gosto, mas assisti aos filmes e, pelo que dizem, o autor é um mestre... pois me atrevo a dizer: Peter V. Brett chega tão perto que os dois estão separados por um fio de navalha! Que escrita leve, com descrições precisas e que nos fazem imaginar claramente o cenário. Quando li o comentário do mestre Paul Anderson(Resident Evil), fiquei pensando que ele poderia estar exagerando. Afinal, nunca se sabe, né? Mas me impressionei verdadeiramente.
Normalmente tenho certo preconceito com capítulos grandes. Tenho TOC e não consigo parar no meio, mesmo se for uma pausa. Os capítulos de O Protegido podem ser bem longos, mas uma surpresa: você nem vê as páginas passarem. Outro ponto que gosto muito, mas não afeta necessariamente a história: divisão em partes. Acho que já contei isso antes, só que não custa nada repetir.
Ah, nem preciso mencionar a capa dura!
O.k, vou acalmar meus ânimos e comentar sobre a história...

Arlen, Leesha, Rojer. Três jovens com nada e tudo em comum, ao mesmo tempo. Num mundo onde os habitantes parecem não ver outra alternativa senão permanecer dentro das proteções, à salvo dos terraítas, os três provarão o contrário.
Arlen vislumbrou a covardia do pai, que resultou em um final terrível. Leesha teve a vida arruinada por uma vã mentira, que destruiu sua honra. E Rojer recebeu um golpe irreparável, que virou seu mundo de cabeça para baixo.
Leesha é acolhida por Bruna, a ervanária de sua vila - a única que confia nela -, e a torna sua aprendiz. Arlen aventura-se sozinho pelas escuras florestas até encontrar um dos homens que mais admira: o mensageiro Ragen. Já Rojer, que em sua tragédia tinha apenas 3 anos, ganha como pai o menestrel Cantadoce.
Após anos, os três não são mais crianças indefesas. Rojer toca a rabeca com maestria, Leesha é uma das melhores ervanárias depois de Bruna, e Arlen está a poucos passos de se tornar um mensageiro. Só que nem tudo são rosas. Cada um deles enfrenta um desafio, que os separa de seus entes queridos, fazendo-os vagar sozinhos e encarar o perigo - lê-se terraítas - de frente.
Apesar das adversidades, em meio à solidão e ao medo, eles descobrirão que os monstros podem ser derrotados, mas também tomarão consciência de que o único perigo não são somente os terraítas, mas também os próprios humanos...
Com certeza um dos melhores livros que já li e vou ler em 2015. Sim, virei mãe-diná.
Entrou para os meus queridinhos. Ah, caso estejam se perguntando, é uma série composta por cinco livros. Ou seja: baby, ainda tem muita coisa boa por vir!
É um mundo, mundo, vasto mundo, que não se chama Raimundo, mas que, ao contrário do poema, tem solução. E é o que anseio ler... sabe Deus quando.
As lutas são incríveis, principalmente uma que ocorre em Krasia e que, infelizmente, eu não posso comentar aqui porque será spoiler :D Minha personagem favorita é a Bruna, com certeza. É uma velha sarcástica e sem noção, que bota todo mundo para correr, mas que, apesar do exterior cascudo, é mole, mole por dentro.

Vale muito a pena!

site: http://pratelivros.blogspot.com/2015/04/resenha-o-protegido-colecao-o-ciclo-das.html
Jesse 29/12/2017minha estante
Esse livro não chega nem perto da genialidade de o Senhor dos Anéis. Muito menos seus escritor, tem o mesmo talento que Tolkien




Luan 27/11/2015

Uma história viciante que fala, acima de tudo, do medo
Acredito que eu esteja diante da minha melhor leitura do ano e uma das "melhores da vida". Tinha certa expectativa para ler Ciclo das Trevas - O protegido, mas confesso que elas foram superadas e surpreendidas. Não era nada do que eu esperava e ao mesmo tempo tudo que eu precisava como leitor. Termino o livro uma enorme satisfação e a sensação de que demorei demais para conhecer essa história. Mais que uma fantasia épica, com demônios do melhor estilo, e mais do que a construção de um mito, o livro narra a saga do medo e do que ele pode fazer com a gente.

Em uma terra distante da nossa, em uma época diferente da nossa, existe Thesa, uma terra habitada por vários povos. Grandes cidades, algumas comunidades... algo que nos remonta ao período medieval. O único porém é que eles precisam conviver com os terraítas - ou simplesmente, demônios (que são formado de vários elementos, como fogo, ar, rocha, areia e madeira). Toda noite, eles surgem das profundas para se alimentarem de carne humana. Até que o sol não surja, eles se guiam através do cheiro até o banquete. Ao longo dos séculos a magia foi a única forma de se protegerem. As proteções, sinais mágicos desenhados em superfícies como madeira, funcionam como um escudo e não permitem que os demônios ultrapassem o espaço marcado.

É neste cenário que vamos conhecer os três protagonistas desta história: Arlen, Leesha e Rojer. Ao longo das páginas, vamos acompanhar a vida destas três crianças que não se conhecem mas guardam um desejo em comum: dar fim ao sofrimento de todos. Cada um por um motivo, tem seu futuro drasticamente mudado e se veem sendo aprendizes de pessoas sábias e importantes. E que vai fazer com que eles três, diferente de todos os demais habitantes desta terra, enfrentem o maio dos males: o medo. Depois de superá-lo, encarar os terraítas não será a tarefa mais difícil. No passado, apenas o Salvador foi capaz de combater as feras. E no futuro, que vamos conhecer, será o misterioso Protegido que terá essa função.

Essa premissa já é mais do que eu sabia sobre o livro e resumo bastante a construção detalhada da história destes três personagens. E acho que foi exatamente isso que mais me fisgou na leitura: a forma com que a história foi construída e desenvolvida. Desta forma, é impossível não comparar Ciclo das Trevas com O nome do Vento, de Patrick Rothfuss. As duas narrativas e a forma de escrita são muito parecidas. Gostei muito do livro de Rothfuss, mas a construção fantástica de Peter V. Brett me conquistou de verdade. Ele souber usar melhor as ferramentas e não enrolou ou detalhou sem necessidade como o outro. Mas as comparações param por aí.

Quero mesmo é elogiar essa história que se tornou uma de minhas preferidas para sempre. Embora tendo um início lento, o primeiro volume de uma série de cinco livros conquista logo. O desenvolvimento dos fatos - que não é narrado com uma agilidade de livros contemporâneos, mas com vários acontecimentos - chama a atenção logo de cara. O roteiro disso é muito bem cuidado e você vai sendo hipnotizado como uma coisa vai levando a outra. Vários anos serão narrados ao longo das páginas. Creio que somos levados por quase 15 anos de história. A descrição dos cenários e dos próprios demônios também é feita de forma ímpar. Praticamente perfeita.

Chama a atenção também o cuidado na construção de cada personagem, por mais que ele vá aparecer apenas por algumas páginas. Eles se tornam palpáveis. E o que dizer dos protagonistas? A gente vai conhecendo os três ao poucos sem saber qual a importância que eles terão ao decorrer da história. Mas são personagens marcantes e de grande carisma. Arlen, conhecemos com 11 verões, já Leesha se apresenta com 13 e, por fim, Rojer, o mais jovem, cerca de três verões - mas todos vivendo na mesma época. E por mais que cada um viva em uma lugar diferente, o destino fará com que eles se cruzem - muitos anos depois - para protagonizarem um final épico. E partir daí construírem uma grande relação - mas acho que, assim como a maioria, Arlen acaba sendo o preferido, até por dominar maior parte da história.

Outro fator que merece destaque é a ousadia do autor: ele aborda vários temas, de religião a sexo, sem maiores pudores. Nos deparamos com assuntos atuais como incesto, estupro, alem do próprio medo, tão onipresente em todas as páginas. Alguns problemas, claro, foram percebidos ao longo da leitura - nada é perfeito nesse mundo. Como já disse, o início é lento, desmotiva um pouco. Mas se você insistir, vai logo ser fisgado. Passado um pouco da metade, a história dá uma caída no ritmo, mas logo recupera. Alguns capítulos acabam sendo longos e deixando, em poucos momentos, a leitura um pouco arrastada. Mas nada que atrapalhe.

Já falando sobre a edição. O que falar da DarkSide Books, que mal conheço e considero pakas? Trabalho quase perfeito. Capa dura linda, com textura quase aveludada. Fita de marcar página vem junto. As primeiras páginas vem todas decoradas com as "marcas" usadas como proteção. O início de cada capítulo tem uma arte especial muito bacana, as letras têm tamanho agradável e cada fase do livro também passa por um tratamento gráfico diferenciado. O único porém mesmo é a revisão. Muuuitos erros de digitação. Fazia tempo que não lia um livro com tantos probleminhas na escrita. Mas a história incrível quase nos faz esquecer disso.

Por fim, me faltam palavras para dizer o quanto fui conquistado pela história e espero que a qualidade apresentada neste volume não caia nos próximos quatro. Aqui no Brasil, a editora já publicou o segundo - A lança do deserto - e dizem ser ainda melhor. Lá fora, Peter V. Brett já lança o quinto e último volume. Os direitos também já foram comprados para série ou filme - e sim, vai ficar incrivelmente fod* ver isso adaptado. Até porque, como disse o criador da série Resident Evil, na contra-capa, Ciclo das Trevas é "a fantasia épica mais significativa e cinematográfica desde O senhor dos anéis. Inspiradora, obrigatória e totalmente viciante". CORRAM PRA LER AGORA!!! VAMOS CONVERSAR SOBRE ELE!
Leandro 07/01/2016minha estante
Gostei bastante, fiquei bem surpreso com o livro, e ainda tenho cenas dele na minha mente como se tivesse visto um filme haha

Sobre a revisão é verdade, e ainda tive a infelicidade de comprar um livro de um lote que saiu faltando um capítulo, mas que a editora trocou prontamente assim que sinalizei o meu problema.


Luan 15/01/2016minha estante
Pois é, vi que teve uma remessa sem um capítulo, isso é péssimo hahaha a minha veio "de boa. Mas baita livro mesmo.


Gabrielle | @portrasdascapas 07/07/2016minha estante
Li esse e o segundo livro em praticamente uma semana e não aguento a espera pelo próximo! Um dos melhores que já li, sem dúvida! E a sua resenha é fantástica, parabéns!


Luan 07/07/2016minha estante
Obrigado, Gabi. Também acho uma das melhores histórias... Ansioso pelo terceiro




Rusbis 02/06/2015

Confira a resenha de "Ciclo das Trevas" no canal Ler Vicia:


site: https://www.youtube.com/watch?v=7lJhQc5mAUE
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Jefte.Senna 18/04/2015

ciclo das trevas- o protegido
Ao cair da noite, eles aparecem por todos os lados,demônios conhecidos como terraítas famintos por carne humana. Depois de seculos, a humanidade definhou e se tornou refén da escuridão. Porem Arlem, Leesha e Rojer, jovens sobreviventes, atrevem-se a lutar e encarar as trevas.
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Talita.Mantovani 22/01/2017

Vale a pena conhecer esse mundo
Em um mundo em que a vida das pessoas depende apenas de proteções mágicas para protege-las dos demônios que caminham livremente à noite, os únicos que se atrevem a enfrentar as estradas noite após noite são os mensageiros, indo de lugarejo a lugarejo, levando cartas e mantimentos, protegidos apenas por seus círculos portáteis, enquanto as pessoas permanecem amedrontadas e escondidas atrás de suas paredes protegidas.
Em um começo um tanto quanto lento, onde acompanhamos o luto e os atos funerários após um ataque dos demônios, que acredito que o autor poderia ter sido mais objetivo, conhecemos Arlen, um garoto de apenas 11 anos que ajuda seu pai com a fazenda, e desenha proteções como gente grande. Porém após um acontecimento, Arlen se revolta com a covardia das pessoas que não se atrevem a enfrentar as bestas nem para salvar seus entes queridos, e foge para as cidades livres a fim de se tornar um mensageiro, os únicos que o garoto vê como homens corajosos e livres.
Ao mesmo tempo, em outro vilarejo, Leesha, uma menina de 13 anos que sofre nas mãos da mãe que só a humilha, conhece Bruna, uma ervanária com grande conhecimento e que está treinando uma aprendiz que não tem lá muito talento para a profissão. Bruna vê grande potencial na menina e após alguns acontecimentos começa a treiná-la como sua aprendiz.
E por último Rojer, um menino de apenas 3 anos, que em outro lugarejo, sobrevive a um ataque de demônios à estalagem de seus pais e, sem família será criado pelo menestrel que havia se hospedado na estalagem e que sobreviveu ao ataque também.
Estes são os 3 personagens principais, e vamos acompanha-los enquanto estão crescendo, e enquanto descobrem mais sobre o mundo e os terraítas - os demônios que os assombram todas as noites. Porém o ponto de vista que mais nos empolga é o de Arlen. Pelo menos comigo foi assim. Os capítulos com ponto de vista dele, voam. É ele que mais questiona os demônios e que tem as dúvidas que nós temos. Não que os capítulos dos outros personagens sejam ruins. Na verdade, eles pintam um pouco mais o mundo para nós, mas eu achei difícil enxerga-los como protagonistas. Se o autor queria que tivéssemos a sensação de ter mais de um protagonista, ele falhou. Vejo um como protagonista e dois como coadjuvantes.
Gostei do background e desenvolvimento de todos, a única coisa que não gostei foi que o autor quis desenvolver um romance de forma abrupta, e “sem desenvolvimento”. Ficou forçado, e só não digo desnecessário, pois o autor usou como um gancho no final do livro, para mostrar que Arlen está cheio de dúvidas a respeito de si mesmo e de sua natureza. Mas poderia ter deixado para o próximo livro e desenvolvido melhor.
Dei 4 estrelas pois o livro me entreteve muito bem. Mesmo com esses pequenos “poréns” foi uma leitura prazerosa e instigante, e eu estou muito curiosa sobre esse mundo.

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