À Cidade

À Cidade Mailson Furtado




Resenhas - à cidade


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leila.goncalves 21/11/2018

Quando O Inimaginável Fez História
Tem história que parece inventada, mas não é. Como aquela do dentista que gostava de matemática e tinha alma de poeta.

Um nordestino tinhoso que, incapaz de desistir de um sonho e sem uma boa proposta das editoras, resolveu pagar do próprio bolso a impressão de 300 exemplares de um longo poema, escrito em vinte dias, sobre a vida nas cidades do interior cearense.

O resultado foi um livro bastante peculiar, pois talentoso, ele também ilustrou a capa, revisou e diagramou o texto. Se não bastasse, também assumiu as vendas, um trabalho boca à boca que começou com as pessoas próximas e pouco a pouco foi ganhando o mundo, indo parar até na última FLIP, em Paraty.

Foi dessa maneira que o inimaginável fez história. Isto é, em 8 de novembro de 2018, ?À Cidade?, de Mailson Furtado Viana, recebeu dois Prêmios Jabutis. O livro além de vencer na categoria poesia, foi escolhido o melhor do ano, honraria máxima da nossa principal premiação literária.

Curiosamente, ele quase assistiu sua vitória pela televisão, só foi para São Paulo de última hora graças à insistência da família. Acreditava que a viagem era um gasto desnecessária, o poema já tinha ido longe demais e sua ausência não seria notada. Prova é que nem preparou discurso, mas sua emoção deu conta do recado.

Em linhas gerais, ?À Cidade? é um poema visual de 60 páginas, ambientado em novembro e dividido em quatro partes. Na temática, recebeu a influência do estilo de João Cabral de Melo Neto e na forma, seguiu o padrão neoconcreto de Ferreira Gullar. Como leitura complementar, recomendo o ensaio crítico ?A Cidade Pelo Arquivo Dos Pés?, do mestre em história Dércio Braúna, que encerra o livro.

Finalmente, transcrevo um pequeno trecho da entrevista concedida pelo autor ao G1: ?Espero que o meu prêmio ajude a provocar uma reflexão não só no mercado, mas também no leitor, para que ele faça um esforço para enxergar o pessoal independente, e nos próprios autores, inclusive eu mesmo, para que também se permitam ir atrás do novo." (16/11/2018)

Nota: Adquiri o e-book que atendeu minhas expectativas.
Bruno Oliveira 11/12/2018minha estante
É muito estranho... Têm gente por aí falando mó bem do livro e têm gente, muita gente, falando mó mal, descendo o pau e o resto. Por que será? Acho que, quem leu e não entendeu, difamou e, quem leu e entendeu, consagrou. O que tu achas? Eu ainda não o li, mas tenho quase certeza que vou gostar. :)




Chá 27/12/2018

Cidade imensurável.
Esse é um livro cheio de sentimentos, que de maneira sensível retrata os afetos pela cidade, o sentir das ruas, dos homens, das casas. Uma cidade-sertão, indizível, imensurável, simples e intensa. A cidade sentimentalmente individualizada por Mailson, entretanto capaz de ser absorvida pelo leitor, quase que como um caminhar pelos calçamentos mal nivelados, é a cidade do passado que persiste a existir, como uma fotografia que nunca se mantém igual.
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Mailson Furtado 03/01/2019

O poema-livro à cidade por Thélio Farias
Texto do escritor Thélio Farias sobre o poema-livro à cidade

site: https://revisaoarteetc.wordpress.com/2018/12/27/o-poema-livro-a-cidade-por-thelio-farias/
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Desireé (@UpLiterario) 20/03/2019

Uma ode à Cidade. (@UpLiterario)
Um livro-poema belíssimo sobre uma Cidade, além de seus asfaltos, casas e muros. Uma ode onde dançam os sentimentos mais distintos sobre uma mesma localidade. Onde seus moradores vivem, convivem e sentem o abraço e o conforto da Cidade que os acolhe e, por vezes, os repele, mas que sempre está ali presente.
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"a noite vai rasgando /as horas / com a luz do poste / a rasga / contrapondo o que a noite / sem lua quer/ a noite se adentra / dentro das casas / que não se pertencem / que não são delas [...] / são dos outros / são das ruas."
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As palavras vem e vão, dançando e galopando sobre as páginas, conduzindo o leitor pelas ruas e vielas da Cidade, com seus tons, cores e sabores reascendendo as lembranças do autor e dos leitores.
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"a rua vive / casas botam suas calçadas / de fora / postes e seus fios se enrolam / e no alto tomam a visão / ora das nuvens / ora das estrelas / mongubas sempre-verdes pés-de-oti nins-indianos / improvisam uma pitada de verde / numa rua sem cor"
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Uma leitura que encanta e aquece e nos transporta para uma Cidade e suas muitas épocas.
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"a cidade anseia / a cidade teme / o verão / pode ser uma mera pausa"
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Uma leitura para ler e reler! Adorei!
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Livro do ano pelo prêmio Jabuti 2018,

site: www.instagram.com/upliterario
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Cândido.Neto 07/01/2019

O livro fala bem.
Terminei no dia do leitor esse livro magro, poderia tê-lo devorado no transcorrer de uma hora, mas o fiz em pedaços, ele se desdobra imenso, sutil, agressivo, poético, árido. Odeio poesia, mas quando ela é bem feita é algo arrebatador. Tipo de coisa que se agradece ao escritor por haver publicado. O livro fala bem, não se consegue falar mal desse livro.
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Marker 10/01/2019

Como diz o título, este é um breve livro de poemas onde Mailson Furtado tenta render loas à sua terra natal e seus ancestrais, e o faz, a partir de um pastiche francamente risível de tudo aquilo que Drummond, Quintana e sobretudo Gullar já fizeram antes. Porque precisamos de alguém que se parece muito com Ferreira Gullar se a obra do próprio está aí para ser lida? É muito fácil ler essa aversão ao livro de Mailson como uma retaliação à sua inexplicável vitória dos Jabutis de Poesia e Livro do Ano, mas a verdade é que se trata de poesia muito pouco inspirada, quase adolescente em suas imagens e ladainhas sobre o que é a rua, no que consiste uma cidade, a importância de fincar raízes e tantos outros lugares comuns. Não me parece possível nem pensar o livro a partir de um ângulo regionalista, já que esse espaço também não é ocupado de fato pelo texto, travado no meio do caminho entre o mais contemporâneo "verso livre" e algo de musical, vaga memória de glosa sertaneja. Ruim.
https://www.osobressalto.com/2019/01/acidade.html
Lari 02/02/2019minha estante
Vai lá e faz melhor! Quem sabe você não ganha o Jabuti!




Bruno Oliveira 15/05/2019

UM TESTEMUNHO ATUAL DO NOSSO SERTÃO DE SEMPRE
Neste simpático livrinho, Mailson (ou o eu-lírico) elenca as coisas ao seu redor. Mais precisamente, tudo o que vê ao redor de si na sua querida cidade-sertão. O livro é uma carta de amor a essa cidade, que pode ser Varjota, cidade onde o poeta (ou o eu-lírico) se radica ou qualquer uma aí querida pelo leitor. Nesse exercício, apercebemos uma cidade viva, cheia de coisas, pessoas e lembranças; é uma viagem ao interior, tanto pessoal quanto geograficamente. Ganhou o Jabuti em 2018 (Livro do Ano). E tal feito se justifica pois, a temática, é algo escasso de se ler hoje em dia.
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@dropsdeleitura 24/12/2018

A cidade não se define, se vive..
Uma jornada bonita pelo interior: da cidade, do poeta, da memória. Que delícia passear e provar desse olhar de quem faz a cidade e é feito por ela. Sons, aromas, sabores, o calor do sertão na pele e o friozinho do sereno nas ruas de calçamento.. tudo está aqui.
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Ricardo Santos 20/03/2019

A consagração da simplicidade
Vencedor do prêmio Jabuti de 2018, como Livro do Ano, À Cidade é um triunfo do autor independente nacional. É o reconhecimento mais importante já recebido por um escritor autopublicado, em 60 anos do prêmio. Neste novo cenário editorial em que o autor independente é uma realidade, vemos a consagração de um livro modesto, bancado do próprio bolso e com uma pequena tiragem. Trata-se de um longo poema, em homenagem à cidade natal do autor, no interior do Ceará. São versos simples, ora mais elaborados, ora menos, evocativos da realidade do sertão, com suas belezas e mazelas. Não há nada de novo. Mas isso não significa que o livro seja irrelevante. Mostra, com muito vigor, em seus melhores momentos, que o que deveria ser passado ainda é presente, motivo de alegria e de tristeza de quem vive um cotidiano sofrido. Houve muita polêmica quanto à qualidade de obra e ao merecimento do Jabuti. Bobagem. Má-fé. Tanto livro ruim de gente importante já ganhou nossos prêmios literários.
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