Modernidade Líquida

Modernidade Líquida Zygmunt Bauman




Resenhas - Modernidade Líquida


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Nepomuceno 10/07/2010

Líquido, mas não leve
É um livro pra ser lido com calma, sem pressa pra decorar conceitos. O que parece contraditório, pois fala de sociedades que consomem cultura de maneira cada vez mais voraz. Ler qualquer livro de Bauman é um experiência interessante, pois te obriga a usar sua própria sociedade como objeto de estudo do livro. É inevitável fazer a lição de casa observando as multidões nas ruas, os telespectadores de um programa de TV ou ainda um fenômeno da internet. Leitura garantida.
loro 30/09/2013minha estante
Para esse assunto de "consumo de cultura" recomento o Dialética do Esclarecimento do Adorno. Lá ele vai mostrar com mais detalhes e a origem da virada entre cultura para desenvolver o ser e para manipular as massas.




Ícaro 08/05/2014

"Tudo o que era sólido se desmancha no ar..."
OBS: não é exatamente uma resenha.

Bom, quando li o meu primeiro livro do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, 44 Cartas do Mundo Líquido Moderno, tive quase uma explosão mental, que foi muito instigante, diga-se de passagem. Depois do terceiro capítulo, o livro foi praticamente devorado, além disso, eu não conseguia deixar de observar coisas do meu cotidiano sem lembrar de alguma coisa que Bauman tinha escrito em tal obra. Para mim, o mundo atual parecia mais nítido, parecia mais tangível, parecia mais claro do que jamais foi.

Eu não conheço ninguém que tenha lido nenhum livro do Zygmunt, logo, não tinha alguém para conversar sobre o que eu estava lendo; mas, mesmo sabendo que poucas pessoas gostariam de trocar ideias sobre os temas abordados por Bauman, eu fiquei satisfeito em está tendo a oportunidade de ler suas observações sobre o mundo que vivemos; observações que eu não poderia ter feito por conta própria, graças à minha pouca idade, experiência e conhecimento. Posso dizer que o primeiro livro que li de Bauman foi um despertar de um sono profundo.

Depois da minha primeira experiência nas obras sociológicas de Bauman, acho que me comportei como um viciado, pois mal podia esperar para ler outro livro do mesmo autor. O livro que eu estava desejando ler, era: "Amor Líquido - Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos" (o link da minha resenha está no fim do texto). Sinceramente, ler esse livro foi quase um "soco no estômago".

Bom, se o "soco no estomago" foi a leitura de "Amor Líquido", o "nockout" definitivo foi a leitura de "Modernidade Líquida". A mensagem que ficou incrustrada na minha cabeça, depois da leitura, foi:

Nós precisamos de uma ética para o inverno. Não adianta pensar que a vida é uma caminhada na estação da primavera, porque as flores são todas de plástico. Nós estamos no inverno e caminhamos sobre uma fina patina de gelo (metáfora do filósofo Ralph Waldo Emerson, muito usada por Bauman), que não nos dá tempo para pensar em qual caminho devemos tomar, pois, se pararmos para pensar, tal patina de gelo racha e nós nos afogamos no lago gelado. Entretanto, nessa caminhada pelo inverno e pela patina de gelo, podemos tomar qualquer caminho que quisermos, pois qualquer caminho nos levará para qualquer lugar. Todavia, nenhum dos lugares que chegarmos é melhor ou pior do que qualquer outro lugar que poderiamos está.

Eis, portanto, o mundo da pós-modernidade, o mundo subjetivo atual, o mundo líquido, o mundo de plasma, o mundo de espuma, o mundo contemporâneo que caminha em direção à atomização do conhecimento, onde a única lei que é válida para todas as pessoas de todas as idades é a lei do mercado, que é a mais líquida e instável de todas as leis, e que, além disso, forma este ser humano de isopor, este ser humano sintético, padronizado e fútil, que está totalmente esgarçado nesta modernidade líquida que vivenciamos. Portanto, segundo Bauman, eis o mundo que vivemos, mais fácil de ser vivido, mas, em vários aspectos, mais plano e artificial do que jamais foi.

Por fim, acredito que seja certo dizer que a célebre frase de Marx: "Tudo o que era sólido se desmancha no ar...", cai como uma luva, para uma realidade em que ninguém tem mais certeza de nada e que todas as coisas perderam seu sentido objetivo. Mas, para não terminar de modo dramático e pessimista, acho que tomar a consciência que tomei – que não é lá grande coisa –, é o primeiro passo para mudar o seu cotidiano e dar sentido à vida, apartir do momento que se vive em uma realidade vazia, como a realidade contemporânea. Portanto, até o momento que o Cogumelo Atômico aparecer nas jenelas das nossas casas, vamos manter as coisas limpas, bem arrumadas e organizadas.


Boa Leitura! ;D

site: http://www.skoob.com.br/estante/livro/32247130
Jacy 28/04/2014minha estante
Excelente, Ícaro!
Meu professor passou um trecho desse livro pra leitura, mas depois de ler sua resenha fiquei com vontade de ler o livro inteiro - e também os outros livros do Zygmunt Bauman.


Ícaro 08/05/2014minha estante
Se vc ler esse livro, Jacy, garanto que não será desperdício de tempo!
;D


Dafne Oliver 16/04/2015minha estante
Tenho o modernidade líquida e 44 cartas do mundo líquido moderno, já ia ler o modernidade líquida quando vi sua resenha e fiquei em dúvida qual ler primeiro. Peguei o modernidade líquida por achar que é mais completo, já que tenho pouco tempo e por hora só vou ler um. Você que leu os dois, qual você acha que eu leio primeiro?


Ícaro 18/06/2015minha estante
dafne.lemarc, o 44 Cartas de um Mundo Líquido Moderno é uma entrada preliminar e fácil nos livros de Bauman (bom para conhecer a visão geral do autor sobre os temas da pós-modernidade).
Eu sugiro que você inicie com 44 cartas. Depois, se gostar, passe para os outros.
Boa leitura! :)




Claudia Giron 08/09/2010

Modernidade Líquida
O tempo é veloz. É fugidio e intangível, voraz. É líquido, assim como a modernidade…

As grandes propriedades dos líquidos são a flexibilidade, a leveza e a velocidade. E essas também são as propriedades da modernidade que vivemos. Uma geração sem molde, mutante.

Após o período do ferro e das máquinas, entramos no mundo das idéias, reflexos de nossa sociedade imediatista onde o valor está naquilo que não se pode tocar. Zygmunt Bauman descreve como modernidade líquida um comportamento dinâmico, que enterra tudo que é sólido e imutável. Não há mais valor no que é quadrado, pré-determinado, congelado.

“assim, para eles, o que conta é o tempo, mais do que o espaço que lhes toca ocupar; espaço que, afinal, preenchem apenas ‘por um momento’ (Modernidade Líquida – Zygmunt Bauman 2001, p. 8).

Nos tornamos individualistas e perdemos os padrões sociais. Tudo é flexível, mutável, transportável. Buscamos uma liberdade que no fim pode ser apenas mais uma prisão.
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Julio 14/03/2012

Liquide
Serve de uma metáfora, com conceitos extraídos da física, para localizar o modo de vida contemporânea: a liquidez. Atualmente, a modulação afetiva instantânea, sem inicio e fim, desfaz papeis que antes, em sua dureza, permaneciam invariáveis, sejam pessoas ou instituições. A natureza fluida que, hoje, compõe as subjetividades nômades, com prevalência de uma privatização da vida, transformam relações em pura instantaneidade que, escapam, a todo momento, da possibilidade de uma experiência d afeto que marque e permaneça.
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Biubinho 15/08/2010

Uma administradora me indicou, ela disse que depois desse livro ela ganhou uma nova visão da sociedade.
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Lucy 14/06/2014

O livro modernidade liquida é muito interessante pois o sociólogo que já é um senhor consegue ter uma visão deste mundo, que nós estamos mais em contato com as mudanças do dia dia, não conseguimos enxergar ou definir com clareza e exatidão o que acontece.
Baumam fala no livro sobre as mudanças que acontece a todo momento, sobre a tecnologia, hoje nada é feito para durar, tudo muda muito rápido, os valores são outros, a definição de amizade hoje já é muito diferente de anos atras. Baumam fala do capitalismo, do consumismo, o ser humano a todo momento deseja algo incontrolavelmente, mas, logo que consegue, perde a graça e já almeja outra coisa. O Autor é ótimo e narra exatamente o que acontece em nosso cotidiano de forma clara nos dando uma visão critica sobre tudo é muito interessante.
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Andre.Luis 21/01/2017

Resenha: Modernidade Líquida
Sólido x Líquido. Certeza x Incerteza. Espaço x Tempo. Coletivo x Individual. Rockefeller x Bill Gates.

Exatamente: Rockefeller x Bill Gates.

Esta é uma comparação interessante, que parece expressar de forma clara a ideia proposta por Bauman na obra ?Modernidade Líquida?. Afinal, Rockefeller é o ?clássico? arquétipo da ?modernidade sólida? e Bill Gates o arquétipo da ?modernidade líquida?.

Vale a transcrição do trecho em que Bauman estabelece este comparativo:

"Rockefeller pode ter desejado construir suas fábricas, estradas de ferro e torres de petróleo altas e volumosas e ser dono delas por um longo tempo (pela eternidade, se medirmos o tempo pela duração da própria vida ou pela da família). Bill Gates, no entanto, não sente remorsos quando abandona posses de que se orgulhava ontem; é a velocidade atordoante da circulação, da reciclagem, do envelhecimento, do entulho e da substituição que traz lucro hoje ? não a durabilidade e confiabilidade do produto".

Quando Bauman fala em "modernidade líquida" quer se referir ao momento histórico de estruturação de uma sociedade fluída, em oposição a uma sociedade solidificada. Esta última (a de Rockefeller) refletia certezas, ditava padrões, era praticamente estática e efetivava-se através da identidade de escolhas. Já a sociedade fluída (a de Bill) não traz certezas, muda a cada instante e vive da multiplicidade de escolhas.

Este parece ser um interessante ponto de partida para a análise da obra de Bauman, mas antes de adentrar, com maior profundidade, à ?modernidade líquida?, é necessário fazer uma ressalva em caráter confessional:

Escrever resenha por si já é uma atividade extremamente difícil e delicada, pois o escritor da resenha, dotado de percepções e verdades próprias, corre o risco de reescrever as ideias do autor resenhado, com base nas suas próprias convicções, selecionando aquilo que, subjetivamente, lhe parece mais relevante ou pinçando os fragmentos que mais se conectam com o seu próprio campo de estudo.

Desta forma, a resenha dificilmente será capaz de refletir a exatidão e a integralidade do pensamento exposto na obra resenhada. A dificuldade se amplia quando o autor resenhado é Zigmunt Bauman, vez que o sociólogo possui uma linha de raciocínio amplíssima, multifacetada e multidisciplinar, atendendo diversas demandas de estudo e atingindo leitores com percepções distintas. Esclarecendo de forma exemplificativa: um profissional do Direito lê Bauman com foco distinto da leitura que é feita por um profissional do marketing. A verdade é que cada um sempre quer encontrar a sua própria verdade naquilo que lê.

Assim, nesta resenha não necessariamente conseguirei sintetizar com precisão a totalidade das ideias de Bauman, mas apenas tentarei externar, inevitavelmente a partir de convicções próprias, pontuações relevantes do pensamento do autor.

Quando Bauman fala em ?modernidade líquida? ele parece querer ?desenhar?, metaforicamente, um cenário de fluidez, mobilidade e inconstância. O autor aborda a velocidade das mudanças, a descartabilidade de bens e pessoas e a ausência de padrões comportamentais.

Bauman reflete sobre a liquidez da modernidade, em oposição a uma sociedade anterior de estruturas sólidas, por variados aspectos: (a) crescente liberdade (emancipação); (b) individualismo exacerbado, contrapondo-se à concepção de coletividade (individualismo); (c) fluidez temporal e desvinculação espacial (tempo/espaço); (d) incerteza no trabalho e nas relações interpessoais (trabalho); (e) falsas interações no âmbito comunitário, nas denominadas ?Cloakroom communities? (comunidade). Nas palavras exatas de Bauman:

?Foram selecionados para exame cinco dos conceitos básicos em torno dos quais as narrativas ortodoxas da condição humana tendem a se desenvolver: a emancipação, a individualidade, o tempo/ espaço, o trabalho e a comunidade?.

Algumas ideias extraídas do livro ?Modernidade Líquida? merecem destaque:

A origem da ?modernidade líquida? estaria relacionada à necessidade de superação de uma sociedade estática, rígida, extremamente limitativa das liberdades individuais. De acordo com a metáfora de Bauman, ?os tempos modernos encontraram os sólidos pré-modernos em estado avançado de desintegração?, sendo que a liquidez moderna teria por objetivo o derretimento destes sólidos, mas com o fim de viabilizar o surgimento de outros sólidos, mais confiáveis, o ?que tornaria o mundo previsível e, portanto, administrável?. Ocorre que, o derretimento acabou atingindo elos importantes ?que entrelaçam as escolhas individuais em projetos e ações coletivas?.

A emancipação libertária (que não se sabe ao certo se é uma ?benção ou maldição?) não se restringiu aos aspectos econômicos, mas acabou liquefazendo limites ?políticos, éticos e culturais?. Liberdade e multiplicidade de escolhas (consumismo) acabaram por moldar indivíduos extremamente voltados para si próprios, despidos de valores coletivos.

Leandro Karnal, em palestra sobre a ?modernidade líquida? (assista), diz que temos indivíduos preocupados tão só com o ?predomínio do seu eu?. Os indivíduos estão cada vez mais voltados aos seus pequenos dissabores cotidianos do que às questões sociais. Bauman percebe esta questão de forma brilhante, ao dizer que:

?Ninguém ficaria surpreso ou intrigado pela evidente escassez de pessoas que se disporiam a ser revolucionários: do tipo de pessoas que articulam o desejo de mudar seus planos individuais como projeto para mudar a ordem da sociedade?.

O que aconteceu foi que a liquefação que estaria destinada a atingir o sistema político-social acabou atingindo, também o convívio social; como diz Bauman, passou de ?um nível macro, para um nível micro?. Neste cenário, as instituições ? aqui Bauman faz referência a Ulrich Beck ? passaram a ser ?instituições zumbis?, as quais existem e se mantêm, mas sem padrões e sem direcionamento; são instituições que vivem, mas sem essência.

Outro ponto interessante é a mudança na estruturação do poder decorrente da ?modernidade líquida?. Neste ponto Bauman aponta que a liquidez se conecta à ideia de tempo (que é fluído), enquanto que a solidez se conecta à ideia de espaço (que é invariável). Assim, em um contexto de ?modernidade líquida?, o poder é móvel, dinâmico e não ?aferrado? a um determinado ponto espacial. O poder se movimenta na ?velocidade de um sinal eletrônico?.

De acordo com o que constata Bauman, ?para que o poder tenha liberdade de fluir, o mundo deve estar livre de cercas, barreiras, fronteiras fortificadas e barricadas?. Os instrumentos de controle passam a ser outros: não se convence mais através da ordem e da força, ao contrário, se conquista e se seduz o indivíduo. Neste contexto, a propaganda acaba sendo a alma do negócio.

Nesta estruturação líquida de poder, há que se considerar a velocidade ainda maior decorrente da globalização, através da qual se busca atingir um número cada vez maior de pessoas (consumo), ao mesmo tempo em que se substitui constantemente a mão de obra (por outra mais barata), como se esta fosse descartável.

Por fim, a fluidez parece trazer um sentimento constante de insatisfação. No exato momento em que o indivíduo atinge um determinado objetivo, já passa a buscar outro, o que agrega insegurança nas relações pessoais, incluindo trabalho e família. Os objetivos são cada vez mais traçados individualmente do que coletivamente.

Este é um cenário que favorece relações superficiais, sem confiança, criando atuações ?teatrais? no ambiente comunitário. O indivíduo passa a encenar determinados ?papéis? de acordo com o que parece ser mais conveniente, em cada momento da vida.

Eis o indivíduo ?líquido? vivendo em uma sociedade ?líquida?.

Agora, sem querer ser pessimista, mas a ?revolução informática?, sobretudo na última década, parece apontar para o surgimento de uma modernidade ainda mais fluída, talvez uma ?modernidade gasosa?, já que hoje: (a) as interações são mais virtuais que reais; (b) as informações não se arquivam fisicamente, ao contrário ficam em ?nuvens?; (c) muitos produtos já não existem enquanto objetos físicos; (d) o poder começa a ser moldado no ambiente das redes sociais.

A ?modernidade líquida? está fervendo e evaporando.


André Pontarolli
Coordenador Geral do Sala de Aula Criminal
Professor de Direito Penal e Criminologia
Advogado Criminal

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Trad: Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.
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Joab 30/12/2015

Modernidade Líquida
O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em sua obra Modernidade Líquida, questiona e contextualiza os parâmetros da sociedade contemporânea. O autor revela as fragilidades, incertezas e inseguranças proporcionadas pela liquidez em cinco conceitos básicos da condição humana (emancipação; individualidade; tempo e espaço; trabalho; comunidade), em contraponto às certezas, segurança e tradição da ‘Modernidade Sólida’. Aquela em que as relações humanas estavam consolidadas por um modelo antigo pré-existente.
A Modernidade Líquida, trazida por Bauman, é associada à sociedade atual por conta da fluidez. O líquido não tem forma, por isso se molda a qualquer recipiente em que estiver inserido. Os fluidos se adaptam a qualquer realidade sem que haja esforço. Penetram nos lugares facilmente e, muitas vezes, são difíceis de serem contidos. Essa é a dinâmica da sociedade atual. Ela se transforma de maneira acelerada. O sólido, para se modificar, é preciso que haja muito esforço.
Um dos conceitos abordados por Bauman é a emancipação. O autor questiona se a liberdade seria uma benção ou maldição, já que o indivíduo é livre para agir de acordo com suas necessidades e desejos, mas também a ele recai a responsabilidade por seus atos. Na Modernidade Sólida, a emancipação se apresentou como problema, porque as pessoas não apresentavam mais o desejo de serem libertadas, de serem livres de suas limitações, de agir conforme bem entendessem, de criar o seu próprio caminho.
Na modernidade líquida, isso muda. As pessoas começam a se lançar em seus impulsos, sem ter amarras para segurá-las. O indivíduo passa de agente passivo para agente ativo, de expectador para ator.
No tocante à individualidade, o autor fala do agente consumidor, que agora sua frustração maior não é não ter o produto, mas se decidir a escolher apenas uma entre as muitas opções. A fluidez do capitalismo abre essa possibilidade. Cada indivíduo tem a chance de escolher aquilo que mais lhe agrada. Nada é imposto, ao consumidor. De diferentes formas, ele deve ser conquistado, seduzido.
Um dos efeitos mais significativos da Modernidade Líquida é a relação tempo/espaço. Com a dinâmica das relações sociais, a vida se transformou em diversas escolhas com infinitas possibilidades. As coisas se desenrolam com grande rapidez. As escolhas devem ser feitas sem perda de tempo. Os momentos devem ser vividos de forma imediata e intensa. O depois não mais existe. Só o agora é que vale. Por isso as pessoas falam com grande frequência que o ‘tempo passa cada vez mais rápido’.
Na questão relativa ao trabalho, uma mudança clara é percebida na sociedade inserida na Modernidade Líquida. A atual geração não tem mais como ideal de carreira entrar em uma empresa ainda bastante novo e lá ir subindo os degraus rumo às hierarquias superiores, até chegar ao topo e, posteriormente, gozar de sua aposentadoria. Na dinâmica líquida, o indivíduo não tem esse pensamento a longo prazo. Ele aproveita as oportunidades que têm, não fazendo uso da estabilidade que conseguiria se continuasse no mesmo emprego. Como o autor diz, o longo prazo é substituído pelo curto prazo, sendo necessários ajustes ao longo do percurso.
Por fim, Bauman entra no tema da comunidade. E ele diz que é importante que o indivíduo participe e interaja com o meio, mesmo que as regras estabelecidas colidam com a liberdade individual. O autor menciona que a figura do ‘clokroom’ é fundamental. Esse termo, ou comunidade de carnaval, refere-se ao fato de o indivíduo se vestir de acordo com a ocasião, se moldar conforme o espetáculo. Ele também fala sobre a nova relação com o capital, em que se tornou menos dependente, após as pessoas adquirirem certa liberdade de ação. No capital pesado, havia mais dependência. No entanto, em uma comunidade de capital leve o indivíduo viverá em constante conflito entre a liberdade individual e a responsabilidade coletiva.

site: http://joabferreira.blogspot.com.br/2014/10/modernidade-liquida.html
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Cadu 25/07/2018minha estante
Resenha perfeita!! Interessante essa análise de Huxley e Orwell, já li outros autores que comentaram sobre esses livros em sua obra (Dalrymple foi um deles).
Parabéns!!


Ari 08/09/2018minha estante
Parabéns, essa resenha foi um aperitivo para minha leitura!




Mauricio 19/12/2017

Bem contextualizado, porém peca na linguagem
Livro publicado em 2001, dividido em 4 capítulos: emancipação, individualidade, tempo e espaço, e trabalho e comunidade, onde o autor já descrevia aspectos da sociedade e do capital que hoje se mostram bem mais evidentes, como por exemplo a facilidade do fluxo de capitais pelo mundo, comparado a um líquido em um recipiente que se desloca com extrema facilidade, diferente do capital característico dos anos 70 e 80, sólido, focado em imobilizados, como as grandes fábricas reinantes na época.
Atualmente suas observações e previsões são bem evidentes, haja vista empresas da capital líquido como Microsoft, Google, Apple, IBM entre outras de tecnologia estarem entre as maiores do mundo. Também observamos a liquidez do capital e do trabalho nessas empresas-aplicativo como Uber e Aibnb (observações minhas não mencionadas no livro).
Achei que o autor peca na linguagem, pois traz poucos exemplos reais de suas observações e faz uso constante de linguagem genérica e metafórica por vezes de difícil compreensão. O primeiro capítulo é o mais complicado de entender, mas nos próximos o texto melhora um pouco.
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José 15/09/2017

Um cânone da moderna filosofia
É impressionante como em menos de trezentas páginas uma pessoa consegue traçar um panorama do tempo de incertezas e fugacidade em que estamos vivendo. Na verdade, já o prefácio seria um 3x4 fidedigno. O livro inteiro revela como as individualidades, o trabalho, a família, o tempo/espaço, as comunidades foram derretendo e se transformando num fluído, onde a segurança e a estabilidade são metas utópicas (quase). Um sociólogo que alçou a sua ciência a um novo patamar (o prólogo é uma declaração de amor ao seu ofício). É a obra-síntese de Z. Bauman, que me arrependo de ter demorado tanto pra ler.
Pedro Henrique 01/12/2017minha estante
Olá, José. A sinopse do livro diz que ele é a terceira publicação de uma série que fecha a análise feita pelo autor sobre o tema em ?Globalização: As consequências humanas? e ?Em Busca da Política?. É preciso ler estes dois livros antes de ler ?Modernidade Líquida? ?


José 25/12/2017minha estante
Só vi seu comentário agora, Pedro Henrique. Não li os demais. O entendimento do texto prescinde dos outros dois livros. Pode ler tranquilo.




Desenho 25/06/2017

Modernidade líquida
Os livros de Bauman são sempre lições que a gente vê acontecendo na vida real mas não presta atenção porque é muito rotineiro. Modernidade Líquida é um relato do que vem acontecendo todos os dias. Mesmo assim, quando você lê e pensa sobre tudo isso que está acontecendo na sociedade, com seus vizinhos e com você mesmo parece que a ficha cai. Economia, sociedade, cultura, identidade e, na minha opinião, principalmente, a maneira dos relacionamentos. Tudo líquido. Vivemos isso e nem percebemos direito. Sempre me pergunto se isso é a evolução. Se o que está acontecendo é o que realmente era pra estar acontecendo. Modernidade Líquida é o livro que te ajuda se perceber como uma marionete do sistema, mas agora você vê as cordas que te controlam. E isso é um ótimo começo pra pensar no que fazer a partir de agora.
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Mariana Dias 23/04/2019

[3.5] Ótimo livro para iniciar os estudos das obras deixadas por Zygmunt Bauman aos leitores que atualmente residem nesta escorregadia "modernidade líquida". O autor surpreende com sua escrita dinâmica, cheia de exemplos, mas nem sempre fácil de compreender em um primeiro momento, instando no leitor o desejo de parar por um momento e refletir sobre frases marcantes como: "Para se manter vivo e fresco, o desejo deve ser, algumas vezes, e frequentemente, satisfeito – ainda que a satisfação signifique o fim do desejo." Apesar de "Modernidade Líquida" estar recheada de paradoxos incríveis e surpreendentes da sociologia, a tradução da obra ao português brasileiro chegou repleta de estrangeirismos tanto idiomáticos quando estruturais que, se trabalhados com maior cuidado, poderiam tocar o público de maneira muito mais fluída e dar-lhe uma leitura mais inequívoca.
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Rhodolfo.Vale 17/10/2016

mais ou menos
o livro é muito bom , mas acho que falta objetividade alem de simplificar a linguagem . ha metaforas praticamente o livro todo .
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Tony Nando 04/01/2017

Comentário
É um bom, um tanto denso, mas proveitoso.
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