Como se Faz uma Tese

Como se Faz uma Tese Umberto Eco




Resenhas - Como se Faz uma Tese


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Caroline 14/02/2019

Uma ótima introdução
Como se faz uma tese, de Umberto Eco, não é um manual com um passo-a-passo, mas um livro para introduzir o leitor no mundo das pesquisas científicas.

Diz muito do que já sabemos, mas ordena essas informações e nos faz refletir sobre elas, sobre a escolha de temas e a pesquisa bibliográfica a ser feita. Apesar de ser voltado para as dissertações do mundo das letras, serve também para as demais áreas.

Em alguns pontos, o livro está um pouco datado, quando, por exemplo, fala sobre datilografia e artifícios para se corrigir uma página ou nota, ou quando dá dicas de fichas de leitura e transcrições feitas à mão durante a pesquisa bibliográfica. Embora isso não atrapalhe a leitura, deixa uma certa lacuna sobre o modo e a significativa facilidade com que encontramos informação atualmente (e, principalmente, como administrá-la).

No geral, um bom pontapé inicial, que desperta a mente para a pesquisa. (Ou faz você desistir de vez) rs.

site: www.historiasdepapel.com.br
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Paulo Silas 08/07/2018

"Como se faz uma Tese" é um livro fantástico. Umberto Eco acerta em cheio no tom que utiliza para elaborar uma obra com conselhos e sugestões para todo aquele que está na fase da elaboração de uma tese. E por 'tese' aqui deve se considerar algo mais amplo do que o termo pode levar a se entender. Diz-se, conforme pontua o autor, de tese de compilação, de tese de pesquisa, de tese de licenciatura ou de tese doutoral. Enfim, por mais que algumas das abordagens sejam mais específicas para determinados trabalhos acadêmicos, tem-se que o livro pode (e deve) ser utilizado por qualquer pessoa que esteja a elaborar um trabalho de conclusão de curso. Dicas, críticas, sugestões e apontamentos fundamentais permeiam a obra, tratando-se de um livro rico em seu conteúdo. É, portanto, um livro voltado para a academia.

O tom que se adota no livro é objetivo e direto. Não se trata de uma obra revolucionária que promete fornecer todos os elementos necessários para a elaboração de uma tese. Não fala o passo a passo para a pesquisa e escrita de um trabalho acadêmico. Na realidade, o que se tem é algo que está envolto a tudo isso. É como se o autor sentasse para tomar um café com o leitor e, a partir de uma diálogo sério, mas sem deixar de se despretensioso, fornecesse ensinamentos valiosos sobre as etapas para a elaboração de uma tese. Muito é dito - e não apenas no plano abstrato, pois além das palavras de confiança e incentivo que estão presentes no livro, há diversas passagens em que o autor explica concretamente sobre como deve se proceder em determinadas etapas da pesquisa. Por exemplo, ao reconhecer que o pesquisador desprovido de um bom aporte financeiro (que em muito contribui para uma boa pesquisa) sofre muito mais para a elaboração de tua tese, Umberto Eco constrói exemplos concretos para demonstrar que mesmo o não endinheirado pode realizar uma pesquisa louvável e concluir o seu trabalho com rigor.
O livro é dividido de maneira certeira. No primeiro capítulo, "Que é uma tese e para que serve", o autor fornece os elementos mínimos para se compreender do que está a falar, direcionando-se ao seu público alvo, além de estabelecer aquilo que chama de "as quatro regras óbvias" que devem guiar a pesquisa: que o tema responda aos interesses do candidato, que as fontes de consulta sejam acessíveis, que as fontes de consulta sejam manejáveis e que o quadro metodológico da pesquisa esteja ao alcance da experiência do candidato.
No segundo capítulo, "A escolha do tema", as dificuldades que permeiam a definição do tema da pesquisa são expostas e explanadas pelo autor, abordando-se tudo aquilo que deve ser levado em conta nessa etapa do trabalho: tempo, possibilidades, o que já se sabe sobre aquilo, afinidade do orientador com o objeto da pesquisa e as questões científicas (se) presentes no tema a ser abordado.
"A pesquisa do material" é trabalhada no terceiro capítulo, apresentando-se todas as questões que se fazem presentes nessa fase: a leitura, como se usar uma biblioteca, o acesso à determinadas fontes de pesquisa, formas de citação e métodos de abordagem do material consultado.
"O plano de trabalho e o fichamento" é o tema do capítulo seguinte, no qual são explicadas as formas de se ler e fichar os objetos de pesquisa que irão compor o referencial bibliográfico da pesquisa.
O tema "A redação" recebe um capítulo próprio, trabalhando-se nesse a linguagem a ser utilizada no trabalho, ter em mente o público para o qual se volta ao escrever, as citações que compõem a escrita e as formas de se faze-las, enfim, toda a parte de se colocar no papel aquilo que se está pesquisando é abordada nessa parte do livro, a qual é seguida do capítulo "A redação definitiva", onde se abordam os critérios gráficos do trabalho (parágrafo, margens, espaçamento...).

O livro atinge com êxito notável a sua finalidade. As palavras de Eco que são dirigidas ao leitor ressoam durante toda a fase de elaboração da tese. Além dos aspectos formais que são fornecidos enquanto dicas ao leitor, há também toda uma mágica perceptível nas linhas do livro - no sentido de facilmente se perceber a paixão do autor em falar sobre como se faz uma tese. O incentivo é visível, assim como a fala aberta sobre as dificuldades inerentes da pesquisa: não é fácil, exigindo-se uma dose alta de comprometimento e responsabilidade do pesquisador em todas as fases da elaboração de seu trabalho. Algumas passagens merecem ser contextualizadas pelo leitor, tanto no fator tempo (considerando a tecnologia atual que acaba por facilitar certas fases da pesquisa) como na questão espaço (ambiente geográfico no qual se situa o leitor, uma vez que Umberto Eco, por mais que leve em conta e comente sobre as particularidades de diferentes países, escreve a partir da academia italiana), permitindo assim um aproveitamento máximo do conteúdo da obra.
"Como se faz um Tese" é uma leitura fundamental para todos aqueles que se situam na academia - seja em qual fase for. Certamente os conselhos presentes na obra auxiliarão o pesquisador no trilhar do seu projeto. Recomendo!


Jaqueline 01/05/2018

Nesta obra, Umberto Eco é de uma generosidade incrível. Recomendo para todos que desejam se aventurar pelos caminhos da pesquisa e construção do saber científico.
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Silvio.Sandro 17/03/2018

Ótimo livro de Umberto Eco
"Uma tese é igual porco, nada se desperdiça"- diz Umberto Eco, e quem já fez uma tese entende bem o que ele está falando. Apesar do livro não ser mais atual, ensinando como fazer uma pesquisa usando fichas e bibliotecas, numa época em que não havia internet, ele continua interessante porque Eco nos ensina qual deve ser o espírito do investigador, e isso não mudou, não importa se ele use um catálogo ou o Google.
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Caio Chaves 24/09/2016

Excelente livro, extremamente importante e de fácil leitura. Gostei das inúmeras dicas que o Eco passa nesses capítulos e embora tenha sido escrito em 1977 ainda é atual e pode ser perfeitamente usado na escrita de qualquer tipo de texto, não se limitando somente a tese. Repleto de exemplos, inclusive práticos, ele conseguiu passar sua mensagem de maneira bem didática e simples. Obviamente há várias citações aos mais diversos autores e obras para os exemplos.
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Filino 29/02/2016

Datado, mas também atual - isso mesmo
O livro traz boas dicas para quem está se aventurando no campo da pesquisa acadêmica - seja em que nível for: iniciação científica, trabalho de conclusão de curso, ou pós-graduação. Alguns conselhos podem parecer "lugar-comum" para muita gente; de qualquer forma, é uma leitura agradável.


Mas atenção:

- é um livro de 1977, então muitas dicas parecem "datadas". O autor, em vários momentos, trata de atividades que hoje são realizadas de um modo muito mais cômodo, a exemplo da pesquisa em bibliotecas (cujos catálogos podem ser consultados pelo computador), a redação do trabalho (que, à época, devia ser datilografado), a procura por material bibliográfico (a Internet facilitou um bocado o acesso a livros e artigos), dentre outras.

- deve-se ter cautela com as regras de citação, referências bibliográficas e outras do gênero, expostas pelo autor. Importante lembrar que no Brasil temos as (temíveis, para alguns) normas da ABNT.
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Cristian 29/06/2015

Não sabem o que falam os que falam mal
Livro muito bom, para começo de conversa. Fico impressionado com as resenhas que li aqui no skoob que desvalorizam a obra com opiniões que olham somente aspectos superficiais. Há quem diga que o livro é datado (livro de 1977), que a maior parte das orientações são inúteis porque é para um mundo onde não havia internet. Tudo bem, mas se você vai fazer uma pesquisa de verdade, sobre um tema que te interessa, pouco importa se tu tens internet ou não - os conselhos de Eco funcionam igual. Sim, porque se você acredita que só fazer uma busca pelo computador pelo tema que queres e anotar os livros para pegar naquela biblioteca, então você nunca deve ter andado em meio as prateleiras de livros de uma biblioteca procurando por livros. Ao procurar um livro, na estante (física, não na virtual) você descobre livros com assunto conexo que você nunca teria achado pelo sistema de buscas da biblioteca simplesmente porque o computador não pode adivinhar essas outras conexões. Ah, tem bibliotecas com sistema muitos bons, como o da PUC, mas ainda assim os livros que o sistema te indica como correlato deixa escapar outros (sei por experiência). Quem sabe quando os computadores tiverem inteligência artificial supere esse "detalhe"?

Quanto ao epíteto de "desatualizado" por causa dos conselhos de uso de fichas de papel - para aqueles que acreditam que o computador resolve todos os problemas. Há uma fantasia de que hoje em dia basta você ter uma biblioteca em PDF, ePUB etc de alguns gigas no notebook, possuir programas como o Endnote ou similar para fazer citações em trabalho que está tudo resolvido. Sinto muito, o conhecimento não entra na mente por dispersão (ou osmose no caso de alguns). Isso, Umberto Eco deixa muito claro e qualquer um que fez o esforço de escrever (com material autoral) uma tese ou dissertação de mestrado sabe bem disso. Sério, tente fazer um resumo bem bom de cada livro que você precisa para sua tese e deixe isso tudo em editores de texto no notebook (como word, pdf, xps, etc). Aí comece a escrever a tese... Já vai descobrir o inferno que é ficar dando alt+tab pra saltar de um resumo a outro e tentar costurar tudo que você estudou. Não dá pra ter tudo no computador, essa é a conclusão. O sistema de fichas facilita muito a vida do pesquisador. Você até pode ter uma contraparte digital, isso não é o problema (não é por tecnofobia a crítica), mas o volume de autores que você deve manusear para uma tese nas áreas humanas é imenso (sim, as orientações não se aplicam às áreas de "Hard Science"). Agora, imagine-se você, em sua mesa de trabalho com as fichas dispostas lado-a-lado organizadas de modo que você as visualize claramente e se localize nos resumos. Com seu notenook no meio disso, a tese começa a aparecer aproveitando tudo que você estudou durante uns três anos de pesquisa!

(Em um artigo de Umberto Eco, o Pós Escrito ao Nome da Rosa, ele descreve que dispunha as fichas pelo quarto inteiro dele, imagine o autor com fichas sobre indumentária medieval sobre toda a cama, com fichas sobre costumes do século XIII sobre toda a mesa, fichas sobre mosteiros em atividade naquele século em um metro quadrado do chão e outras ao redor dele... E ele no meio com sua máquina de escrever - podia ser um notebook... O volume de pesquisa que ele fez para fazer O Nome da Rosa é tal qual uma tese. Quem não leu o livro que veja o filme e verá o resultado de um bom trabalho de pesquisa.)

Outra coisa que não se sabia na época que Eco escreveu o livro, era certos fatos sobre neurociência da educação e de psicopedagogia. Nos últimos dez anos se consolidou farta bibliografia de pesquisas mostrando que o uso exclusivo do computador para estudo reduz na maioria dos casos o desempenho (sempre há os gêniozinhos que fogem da regra - o livro não é para eles). Não só por causa das óbvias distrações de facebook, google, youtube e cia, mas porque emprega menos regiões do cérebro na hora da aquisição do conhecimento. O velho copy+paste é também responsável por isso: "preciso desse parágrafo, copio e colo no word da tese e pronto". Essas práticas atuais que tornam o livro "datado" são perniciosas na verdade. Quando você se obriga a fazer uma anotação ao passo que lê, depois resume escrevendo com suas palavras em papel, você emprega várias regiões do cérebro para fazer isso. As habilidades cognitivas envolvidas para fazer você organizar na mente o que leu e depois escrever no papel são muito maiores. Mas quem se importa com isso, né? Bom, e se eu te disser que quanto mais conexões o cérebro faz ao aprender, mais apto a lembrar desse conhecimento você estará no futuro? Se você se importa com isso, então não deveria negligenciar os conselhos como "estudar bem é escrever com caneta e papel", mesmo na era digital*.

Ah! Não se engane com as ironias do autor. Há quem acredite que o autor seriamente aconselha que se você não tiver tempo que pague pra alguém fazer a tese ou copie uma pronta de outra universidade... Sério mesmo? O autor, já cancheiro de ver seus alunos pernósticos fazerem e abusarem desses expedientes faz uma ironia de que você pode fazer isso também. Mas é só ironia, galera!

Enfim, se você leu essa resenha e disse para si mesmo "mas eu consigo fazer tudo só no computador, bobagem desse cara" então ok, parabéns! Você deve ser genial, uma raridade que faz isso e faz uma boa tese (duas coisas bem difíceis de andarem juntar: fazer tudo no computador E ficar muito bom). A mediocridade é a regra, mesmo na pós graduação e o ser humano é o bicho que mais se auto-engana acerca de suas capacidades (já nos diz a psicologia há décadas!): sempre nos achamos muito bons no que fazemos, mas a real... Bom, se você, como eu, é um mero mortal e quer consolidar conhecimento do que estuda, então adotar no mínimo alguns conselhos do Umberto Eco serão de imensa ajuda. Não à toa que essa obra é um clássico.

* Haverá o dia que a tecnologia será tão barata que teremos algo que substitua integralmente o papel? Claro, por que não? E tecnologia para dispor de folhas digitais avulsas em que se escreve com caneta ótica? Por que não? Quero estar vivo quando isso for corrente. ;-)


Carina 10/09/2013

Desatualizado, mas indispensável
O livro é muito bem organizado e é uma pena que esteja bastante desatualizado (diante da internet, muitas das questões propostas por Eco perderam o valor). Entretanto, a obra se destaca por oferecer uma visão bastante crítica sobre a metodologia de trabalho na confecção de uma tese.

Em livros canônicos, jamais encontraríamos os conselhos politicamente incorretos do autor: se não tiver tempo, copie uma tese não publicada ou pague a alguém especializado no assunto. Infelizmente, mesmo essas dicas já não são necessariamente o caminho mais fácil, em face do Google e da descoberta rápida de plágios.

Eco não se furta diante da existência de muitos estudantes pobres/ trabalhadores sem tempo, contudo interessados em desenvolver seus estudos. O autor oferece as possibilidades ao alcance de cada um em vez de discutir a tese ideal.

Reconfortador é descobrir que uma tese pode suprir as lacunas da experiência universitária, acrescentando sentido à carreira acadêmica, mesmo que os anos de faculdade tenham deixado a desejar.

A parte final do texto, sobre a redação, pode ter desatualizações no que se refere à citação bibliográfica, mas ainda assim é muito boa.

Em suma: um livro que, apesar de desatualizado, consegue ser indispensável.
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Flavio 08/04/2013

O livro é de 1977, está portanto datado como orientação para tese ou qualquer trabalho científico atual. Descarte todas as instruções sobre fichas bibliográficas em papel, datilografia e mais o que só faz (ou fazia) sentido na realidade italiana. Ok, e dê graças por poder fazer todo seu fichamento no Word!

O que salva "Como se faz uma tese" são as orientações do autor sobre como pensar e desenvolver o trabalho, a abrangência e as limitações do tema, a ética e (principalmente) a necessidade de trabalhos originais e úteis. É Umberto Eco (na época um professor de 45 anos) dando conselhos úteis e diretos a jovens pesquisadores.

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Rodrigo ~BoB~ 19/07/2010

Muito bom! O cara é muto engraçado, e me deixa com vontade de estudar.
Contudo, às vezes é muito rígido e metódico, acho que não se pode ser tanto assim; não existem tantas "regras" ao ato de escrever. O que mais gostei dele é que não é preguiçoso, sabe exigir o que se pode exigir. No no chance pr'as desculpas.
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Leo Ged 15/05/2010

Como todos os livros do Umberto Eco é muito bom e aborda aspectos interessantes para qualquer pós graduando, no entanto o livro está bem desatualizado e usa um enfoque muito forte nas ciências sociais.


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