O sol é para todos

O sol é para todos Harper Lee




Resenhas -


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Rafael 01/11/2020

REFLEXIVO
Mostra o que se esperar de um ser humano descente .
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Vicky Bezerra 21/11/2017

Scout >> Tom Robinson
O sol é para todos se tornou leitura obrigatória nas escolas norte-americanas como principal objeto de estudo do racismo. A maioria dos resumos que se acha pela internet, resenhas, e até mesmo o texto de orelha de algumas edições apontam esse como o tema principal. No entanto após a leitura vemos que o tema racismo recebe atenção na mesma proporção que os outros temas, porém se destaca por ser o mais chocante e catártico talvez.
As diferentes interpretações do livro levam a diferentes opiniões formadas, por isso afirmo nessa resenha que não se pode tomar todo o livro pelo tema racismo. Até porque não envolve em nenhum ponto a narradora e personagem principal Scout. Em relação a esse ocorrido ela é apenas espectadora.
A história aborda diversos temas e o racismo é sim um deles, porém não o principal. Há no livro inúmeras personalidades complexas que são muito bem desenvolvidas pela autora; praticamente a cada capítulo temos um background de um personagem sendo desvendado, ou em alguma casos e como Harper Lee bem gosta, confundido ainda mais!
A personagem principal por exemplo é muito bem construída para entrar nos moldes perfeitos para a história ficar mais leve e descontraída: é uma menina na segunda infância que se comporta da maneira mais transgressora possível para a época e para as expectativas da família e vizinhança. Arruma briga na escola, bate nos outros meninos e no próprio irmão, responde com petulância os mais velhos, xinga, usa roupas totalmente contrárias às usuais das meninas e vive brincando na rua com seu irmão Jem como se fosse menino igual a ele.
E passamos boa parte do livro com esse plano de fundo para os acontecimentos de Maycomb. Claro que os outros personagens vão tendo suas complexidades desenroladas, como o misterioso vizinho anti-social Boo Radley, o amigo Dill e a tia Alexandra, mas como tudo é narrado por Scout no alto de seus sete anos, não há um ar pesado no romance.
Podemos dizer que fica mais pesado no momento do julgamento não só pelo tema estupro mas também pelas falas mais rebuscadas que o ambiente e a situação exigem. No entanto nada que uma criança não seja capaz de entender. Provavelmente esse é o ponto principal para a autora ter colocado toda a história do ponto de vista de uma criança, para que todos pudessem entender com clareza tudo que está acontecendo.
Falando sobre o julgamento vamos a um breve resumo da história: a trama se passa em um condado ao sul dos Estados Unidos na década de 1930. Os personagens principais são os membros da família Fintch: Jean Louise, apelidada de Scout, seu irmão Jeremy, poucos anos mais velho que ela, apelidado de Jem, o pai viúvo dos dois, Atticus, o advogado, e Calpúrnia, a empregada negra.
Em meio às peripécias vivenciadas pelas crianças, vemos críticas ao regime escolar da época, preconceito racial exacerbado, formação de caráter e destruição do mesmo, luta pela sobrevivência dos moradores do lixão e da comunidade negra, até finalmente o julgamento.
O júri popular tem que decidir se absolve um condena um homem negro, deficiente de um braço, da acusação de estupro a uma menina branca de dezenove anos moradora do lixão. Ambos pobres, ambos a margem da sociedade e da credibilidade, porém o acusado é negro. Não se pode nos Estados Unidos da década de 30 levar em conta a palavra de um negro contra a de um branco. Nem mesmo se ele se declarar inocente.
Como já foi dito a trama tem seu foco principal na menina e suas aventuras pela cidade pequena. Por isso é um pouco decepcionante que o tema principal definido por meio mundo seja um que não este. A história afinal de contas explora as diferenças entre como as crianças veem o mundo e como os adultos veem o mundo. As crianças ainda estão puras, não tem muitas opiniões próprias, rejeitam o que é diferente, mas no geral veem as coisas com mais inocência. Já os adultos não, eles já tem seus preconceitos formados, suas críticas estagnadas e suas negligências conhecidas.
Outra crítica que podemos fazer é acerca do título original. Durante toda a leitura se espera uma história marcante sobre os passarinhos, porém é uma espera em vão. No português o título nos traz uma ideia de justiça, o que pode ser melhor aceito para a história.
No original, To kill a Mockingbird, a autora emprega com muita clareza o idioleto específico do sul do país assim como o da comunidade negra a qual Calpúrnia pertence. São dois idioletos diferentes, porém ambos extremamente coloquiais.
No entanto, sendo uma obra clássica da literatura essas características específicas da sociedade separatista racial norte-americana poderiam não ser assimiladas por todos os tipos de leitores, então na tradução brasileira Beatriz Horta optou por apenas deixar o livro com um discurso informal e coloquial como um todo.
Porém mesmo assim foi muito distante ver o livro a todo momento sendo narrado por uma menina sulista de sete anos. Ela não usaria ênclise numa situação real. O que nos mostra que a literatura ainda tem um certo receio em deixar os clássicos falarem uma língua menos formal.
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