E se Estivermos Errados?

E se Estivermos Errados? Chuck Klosterman




Resenhas - E se Estivermos Errados?


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Gilson.Cavalcanti 09/01/2018

E se o título estiver errado?
Em resumo: o livro não satisfaz (nem remotamente) a expectativa causada pelo título.
Este livro é o equivalente a uma grande conversa de bar com um sujeito inteligente sobre temas quase irrelevantes, com a desvantagem de que numa conversa de bar você poderia retrucar (e beber). É um livro de opinião no qual o autor deixa claro desde o início que ele não se leva muito a sério (e nisso ele está com toda razão).
O livro tem todo ?jeitão? de ser uma coleção de artigos que foram postumamente conectados para girar em torno de um tema só: especular sobre a sobrevivência de determinados produtos de entretenimento de que temos hoje num futuro próximo. Mas a linha se perde em incontáveis pontos ao longo do livro (assim como os assuntos se perdem numa mesa de bar), mas isso não é necessariamente um problema, desde que o leitor esteja consciente do que está lendo: um produto de opinião individual e muito particular do autor.
O problema maior do livro, como adiantei no início da resenha, é que o título leva a crer que o autor irá abordar questionamentos de ruptura sobre as certezas compartilhadas pela sociedade hoje. Porém o que o leitor vai encontrar são conjecturas sobre, por exemplo, se o Futebol Americano irá deixar de existir (hein!!?).
Eu ainda tenho um incômodo primordial com a premissa do autor: a de que a medida de sucesso de alguma coisa é o fato de que ela será A COISA a ser lembrada pelas gerações futuras. Este tipo de raciocínio pisoteia as culturas de nicho como coisas irrelevantes ao longo prazo (um pensamento bem subproduto típico do modo de pensar norte-americano com relação a sucesso Vs. fracasso). Se eu estivesse no bar com ele certamente o confrontaria quanto a este ponto.
O capítulo sobre ciência então é onde a conjectura do autor deixa de ser divertida e curiosa para ser completamente errada e descalçada de qualquer tipo de lastro (porém ele próprio se declara descredenciado para falar sobre o tema logo no começo do capítulo.... mas fala mesmo assim. E fala errado).
A leitura me deixou com poucas coisas relevantes: alguns fatos curiosos e um punhado de pontos de vista que irão servir de talk-starters em mesa de bar e... só.
Ahhhh e quem classificou os tipos de conjectura feitas pelo autor como dignos para, no máximo, um papo de bar não fui eu. Foi o Neil de Grasse Tyson, um dos entrevistados cujo nome o autor usou para ajudar nas vendas deste livro e que não deve ter ficado nem um pouco feliz com o resultado final.
Domynique 13/05/2019minha estante
Análise cirurgica, Gilson.




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