Por que Ler os Clássicos

Por que Ler os Clássicos Italo Calvino




Resenhas - Por que ler os clássicos


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Anica 09/07/2011

Por que ler os clássicos? (Italo Calvino)
Já deve ter acontecido em algum momento com você. Por conta de algum livro começou a tomar gosto pela leitura, e queria sempre mais e mais. No início qualquer coisa serve, mas o gosto começa a ficar refinado e aí as escolhas começam a se afunilar. Em uma metáfora tosca, é mais ou menos o mesmo processo que fez com que durante a adolescência você tomasse vinho Sangue de Boi achando ótimo, e hoje em dia não abre garrafa que tenha custado menos de 30 reais. O equivalente dessas “garrafas de mais de 30 reais” no mundo literário são os clássicos. A questão é que nem sempre é fácil definir o que é um clássico, que dirá quais livros são clássicos e quais não são.

E é para auxiliar tanto nessa definição, como também na apresentação de algum desses que Italo Calvino traz para os leitores Por que ler os clássicos?. O livro é na realidade uma coleção de artigos do autor, todos voltados aos grandes títulos literários. O charme dessa obra é que ela não é algo que só possa ser “digerida” por estudantes de literatura, mas tem tudo para encantar e auxiliar os leigos que estão justamente nesse ponto em que querem ampliar os horizontes literários mas ainda estão um pouco perdidos em uma selva com tantos livros já publicados ao longo dos séculos.

Por que ler os clássicos? abre justamente buscando responder a questão do que é um clássico. É interessante acompanhar o raciocínio de Calvino, que passo a passo formula definições, que vão evoluindo conforme são explicadas. Essa primeira parte do livro já conquista a atenção, porque mostra o que há de melhor no estilo de Calvino: abordar um assunto profundamente, mas sem para isso ser um pedante chato como acontece em textos de especialistas.

Depois de formulada a resposta para essa pergunta, e concluído que ler clássicos é melhor do que não os ler (parece óbvio, mas às vezes esquecemos disso), começa então uma série de artigos sobre obras e autores, partindo de Homero até chegarmos em Cesare Pavese, passando por autores que são figurinhas carimbadas quando se fala em clássicos, como Dickens, Tolstói, Balzac e Voltaire; além de outros nem sempre lembrados (ou pelo menos não tão óbvios) como Pasternak e o italiano Montale.

A partir disso é possível aproveitar os artigos de Calvino de duas maneiras. A primeira, caso você já conheça a obra ou o autor discutido, como uma forma de refletir a leitura que já fez. A segunda, caso ainda não conheça, é como uma lista de livros ou escritores imperdíveis. Voltando à metáfora dos vinhos, pense em Italo Calvino como um sommelier legal que indica o que há de melhor sem necessariamente te tratar como um idiota que não entende nada sobre o assunto.

Dos artigos o meu favorito foi o de Dickens, sobre Our Mutual Friend. Ainda não tive a oportunidade de ler essa obra, mas fiquei extremamente curiosa a partir da descrição e dos comentários elaborados por Calvino, especialmente a abertura do artigo. Também fiquei com vontade de reler a Odisséia de Homero, até porque algumas questões levantadas passaram batido por mim quando li a obra pela primeira vez. E acredito que são esses casos que ilustram bem o quanto Calvino pode agradar tanto quem já conhece os livros dos quais ele fala, quanto os que estão buscando indicações do que ler.

Até porque o autor fala de literatura de forma bastante apaixonada, a verdade é que Por que ler os clássicos? tem todas as qualidades para inclusive se encaixar na primeira definição de clássico que Calvino nos dá: um clássico é aquele livro sobre o qual você normalmente escuta as pessoas dizendo “estou relendo”, nunca “estou lendo”. Indispensável mesmo, para qualquer um que tenha começado a se aventurar pelo caminho da literatura.
sinha 01/05/2013minha estante
gostei muito de sua colocação.


Denise 28/10/2013minha estante
Sua resenha aumenta ainda mais minha vontade de ler o livro em questão e o meu amor pelos clássicos. Gostei muito!


Patrícia 28/08/2015minha estante
Olá, posso publicar sua resenha no blog Dose Literária? www.doseliteraria.com.br




Paulo Silas 19/03/2021

Como um livro clássico pode ser assim definido e quais os motivos que justificam a sua leitura? Há uma razão que ampare a necessidade de visitar os clássicos, conhecê-los, lê-los? É em torno dessas questões que essa obra de Italo Calvino gira, buscando estabelecer os porquês que levam à leitura dos grandes clássicos da literatura, enfrentando desde logo as diretrizes ou critérios que podem classificar determinada obra enquanto tal. Quem define o que é clássico e a partir de quais elementos o faz? É o que o autor busca, de certo modo, demonstrar.

A questão do título é especificamente dialogada no primeiro capítulo da obra, no qual o autor tece algumas propostas de definições sobre o que seriam os clássicos. "Os clássicos são aqueles livros dos quais, em geral, se ouve dizer: "Estou relendo..." e nunca "Estou lendo..."" - essa é a primeira proposta feita que definiriam os clássicos. A partir dessa, Calvino propõem ainda outras treze definições, sempre questionando e explanando a própria máxima que alude - por exemplo, na sua terceira definição, em que estabelece que "os clássicos são livros que exercem uma influência particular quando se impõem como inesquecíveis e também quando se ocultam nas dobras da memória, mimetizando-se como inconsciente coletivo ou individual", tece como comentário que "deveria existir um tempo na vida adulta dedicado a revisitar as leituras mais importantes da juventude", mantendo como padrão sempre esses comentários sobre cada máxima enunciada. Após isso, o livro segue com diversos capítulos de análises do autor sobre várias obras literárias e autores considerados como clássicos (Stendhal, Dickens, Flaubert, Tolstói...) - como que para corroborar com o sentido que os leva a serem considerado clássicos.

O livro funciona bem dentro da proposta de Calvino, mas acaba sendo meio... arrastado. Isso não usar o termo "chato" em referência a uma obra do autor. Talvez funcione melhor para quem tenha lido a maioria dos livros e autores que Calvino faz menção e aborda, pois suas análises são bastante pormenorizadas e trabalhadas, deixando a leitura um pouco cansativa. De todo modo, o primeiro capítulo vale pela obra toda, pois é justamente onde se indaga sobre a questão dos clássicos, valendo mencionar a única verdadeira razão que Italo Calvino defende sobre a necessidade da leitura dos clássicos: "ler os clássicos é melhor do que não ler os clássicos".


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Gabybadgirl 06/07/2020

Livro para estudo

E um livro que deve se fazer sempre uma releitura, super indico pra quem estuda letras e aqueles que apreciam a literatura clássica,pra mim foi uma leitura difícil,pois o autor se refere a vários livros e autores dos quais eu não conheço, possívelmente farei uma releitura,afim de compreender melhor o conteúdo!
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Israel 07/09/2012

O livro é um apanhado geral da crítica literária do autor referente aos chamados “clássicos” da literatura universal. Neste apanhado, há artigos para revistas, jornais, prefácios de livros e várias outras contribuições do autor sobre grandes autores e obras que foram reunidos nesse livro.
Crítica literária, prefácio e artigos podem ser até ruins de ser lido pelo leigo, tornando a leitura difícil, já que Calvino é um intelectual com uma considerável bagagem literária, mas tem um elo que une o leitor comum com a maioria dos leitores, seja em formação, seja os já formados: o amor pela literatura. E é esse amor que faz com que Calvino chame a atenção dos leitores e lance uma nova luz aos grandes escritores, mas o mais legal é que ele foge das obras “óbvias”.
Todos eles estão lá. Desde as obras do início do milênio até as do século passado e algumas poucas atuais, podemos ver, por exemplo, um Flaubert além de Madame Bovary, que seria sua obra mais conhecida, um Dickens além de Grandes Esperanças, um Melville além de Moby Dick, Um Tolstói além de Anna Karenina. Essa diversificação fugindo do óbvio valoriza a bibliografia dos grandes escritores criando mais alternativas para o leitor comum cair de cabeça e se aprofundar nas obras citadas.
A bagagem intelectual que Calvino carrega em linhas e mais linhas de referências e análises comparadas, torna a leitura leve por que a maioria (nem todos) os artigos aqui tratam dos livros citados como se tivessem sidos escritos no auge da empolgação por uma pessoa que tivesse acabado de ler uma grande obra e estivesse ainda extasiado, mas como o próprio autor revela, houveram casos em que algumas obras foram lidas por ele há uns bons 30 anos atrás, contando a data da publicação do artigo.
Mas é bom salientar que o livro não é uma espécie de guia de clássicos. Há algumas obras que servem sim como pilar para quem busca simplesmente ler um bom livro, outras constam do livro por aspectos literários que talvez não agradem o leitor comum. Mas de fato, é um bom livro para se ler e ter à mão na estante, e como o autor sugere logo no início dessa edição, o leitor deve ter sua própria estante de clássicos, que são para eles os livros que devem ser lidos e relidos, e outra com livros para serem conhecidos durante a vida de leitor, sendo que os da segunda estante podem migrar para os da primeira, ou seja, quem escolhe o que é clássico e o leitor, mas o autor dá uma belo direcionamento para a montagem da primeira estante.
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Cláudia - @diariodeduasleitoras 01/01/2021

Por que ler os clássicos
Calvino apresenta diversas respostas a essa pergunta, eu destaquei apenas um trecho para lhes apresentar: um cla?ssico e? um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer. Sa?o aqueles livros que chegam ate? no?s trazendo consigo as marcas das leituras que precedem a nossa e atra?s de si os trac?os que deixaram na cultura ou nas culturas que atravessaram.

.. a raza?o definitiva a essa pergunta e? ta?o simples como as grandes verdades: a u?nica justificativa que se pode apresentar e? que ler os cla?ssicos e? melhor do que na?o os ler.

Sobre essa edic?a?o em especi?fico, na?o ira? tratar do tema genericamente como eu havia imaginado. Calvino apresenta nuances de seus cla?ssicos favoritos. A grande maioria eu na?o li, ou nem mesmo tinha ouvido falar. Assim, na?o sendo uma leitura ta?o proveitosa como queria que fosse. Se voce? ficou interessado na obra, sugiro olhar o i?ndice das obras aqui tratadas antes de adquirir o exemplar.

Na e?poca do cole?gio (como a maioria de voce?s) fui induzida/obrigada a ler grandes cla?ssicos nacionais, na?o tinha maturidade para tanto, nem mesmo o ha?bito regular de leitura, e aquilo me traumatizou. Os professores (rede pu?blica) na?o conduziam a atividade com sabedoria, por vezes, nem mesmo haviam lido a obra. Mas, tinham que cumprir as exige?ncias do Mec.

Sempre que ouvia algue?m indicar livros cla?ssicos, torcia o nariz.. vencer essa barreira so? veio ha? alguns anos, po?s graduac?a?o, e por livre esponta?nea vontade. E posso afirmar com toda propriedade, meus amigos: Ler um grande grande cla?ssico na idade madura e compreende?-lo, e? um prazer extraordina?rio. Diferente se comparado a uma leitura da juventude.

Ha? excec?o?es? O?bvio, como tudo na vida. Meu filho por exemplo, desde os 11 anos le? grandes cla?ssicos. A compreensa?o e interpretac?a?o que ele possui com qualquer texto, e? algo nato. Admira?vel. Mas tambe?m tem o privile?gio de estar cercado de grandes professores e uma fami?lia de leitoras.
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Camilla 09/08/2020

O livro trás vários ensaios dos clássicos preferidos de Italo Calvino. Essa lista conta com nomes como: Dickens, Stendhal, Homero, Borges, etc. Além disso o texto de abertura "Por que ler os clássicos" é fantástico! Recomendo.
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Natalie 20/10/2016

Meu hábito de leitura foi principalmente incentivado e influenciado por meu pai e avô. Este, porque apesar de nunca ter frequentado uma escola e ter sido alfabetizado em casa pelo irmão mais velho, tem uma biblioteca relativamente grande para os padrões locais e foi autodidata em diversos assuntos, como História, Geografia e Literatura; aquele, pelo grande apreço pelos livros e por sempre inculcar em mim o dever de ler os clássicos desde que eu tinha seis anos.

Ítalo Calvino, em "Por que ler os clássicos?" trata no primeiro capítulo sobre o problema de definir quais as obras consideradas clássicas e quais os critérios de escolha. Ele fica bastante preocupado em criar um conceito ao mesmo tempo em que fala sobre a leitura na juventude e a releitura na maturidade e as impressões causadas em cada época. Como ainda estou na fase de descoberta dos grandes livros, achei bem acertada a sua colocação de que as escolas e universidades deveriam indicar o próprio livro, ao invés de livros que falam sobre outros. Chama atenção à necessidade de ler obras contemporâneas intercaladas aos consagrados para nos situarmos e, quem sabe, até percebermos características que possam torná-lo atemporal.

Ainda que somente o primeiro capítulo fale acerca da problemática de classificação, os outros, ao lidar especificamente sobre uma obra ou autor, nos mostram os motivos pelos quais são aclamados e enfatiza as principais características, inserindo-os no contexto histórico e social em que foram escritos.

É interessante perceber que o livro foi organizado de modo de os capítulos evoluem cronologicamente e que alguns autores sofreram grande influência dos predecessores. Passamos pela Grécia e Roma Antigas, Pérsia, primeiros séculos da Idade Média e as histórias de cavalaria... Já quando chega ao século XX vemos claramente a preferência pelos autores italianos, compatriotas do escritor. Porém, é perdoável, pois são aparentemente bons. A única parte que me deixou triste é saber que vários dos livros aconselhados não foram traduzidos para o português.

"Por que ler os clássicos?" é uma boa conversa sobre livros e a forma positiva que eles, de alguma forma, causaram no curso da História e na vida dos leitores.
Cy 20/10/2016minha estante
Resenha mara! =)


Natalie 20/10/2016minha estante
Obrigada :)


Márcio_MX 20/10/2016minha estante
Muito legal sua resenha.


Antonio.Neto 12/11/2016minha estante
Li recentemente este capítulo. Muito bom!


Izyta 14/01/2017minha estante
Ótima resenha.




Leandro 21/04/2013

Clássicos
“Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer.”

Eu acho que esse livro não deve ser lido por aqueles que não conhecem a obra de Calvino. Pelo simples motivo de ser muito “denso”. Não quero com isso desanimar aqueles que queiram, de algum modo, ficarem estimulados a ler os clássicos por essa obra do autor. Só quero dizer que Calvino nos proporciona uma prosa simples e fácil (mas não medíocre) e que esse livro é um pouco mais do que isso.
O primeiro artigo “Porque ler os clássicos” (que dá nome a obra) é bem a cara dele. Humor refinado, simplicidade de idéias etc.... tudo colabora para o prazer da leitura. Os outros artigos do livro cumprem (às vezes) sua missão de gerar interesse futuro por determinada obra do autor. Mas o importante é que sempre algo de bom saí de tudo isso....
sinha 01/05/2013minha estante
boa colocação




Caio.Lobo 26/06/2020

Italo Calvino mostra seu amplo conhecimento sobre clássicos da literatura com análises que somente um escritor pode realmente fazer. Muitos dos clássicos eu nem mesmo conhecia (como é grande a minha ignorância ainda!) e o livro se torna um incentivo para esse tipo de leitura que vai além de simplesmente mexer com emoções, pois um clássico mexe com a razão, atravessa a história, influencia povos, vai numa época mítica e atemporal, além de ser a chave para o próprio conhecimento do ser humano.

Não espere encontrar na obra textos que falem de Shakespeare, Dante ou Goethe, e não há textos sobre eles porque são clássicos tão necessários que imagino que Italo Calvino nem precisava falar, pois é o básico para qualquer um ler (ou ao menos deveria ser. Entretanto as jóias que apresenta são outras como Voltaire, Jorge Luis Borges, Mark Twain, Balzac, Stendhal, Diderot, Galileu Galilei, entre outros conhecidos (ou ao menos deveriam ser). Há nomes novos para mim, como Pavese, Raymond Queneau, Nezami, etc; e fiquei muito interessado em ler "História Natural" do Plínio, "De Propria Vita" de Gerolam Cardano, "História Cômica dos Estados e Impérios da Lua" de Cyrano de Bergerac, "Doutor Jivago" de Pasternak e as poesias de Francis Ponde.

Uma coisa que observei é que há muitos autores italianos e mesmo nas obras de autores de outras nacionalidades geralmente há menções de cenas na Itália. Isso é óbvio, pois Italo Calvino é italiano, e isso eum incentivo, pois ele como italiano teve como foco e fonte primária a literatura de seu próprio povo; nós brasileiros temos que ter esse mesmo foco, pois a literatura é o espírito de uma cultura nacional.

Por fim, o livro o maior acerto do livro é incentivar a leitura de clássicos que estão além da nossa zona de conforto e ir em busca desses clássicos. Nos textos de Calvino já há autores para leitura para alguns anos. Em um momento triste da literatura mundial onde parece que não irá surgir clássicos nessa época, pois só o que está nos top 10 da semana e o que agrada o público geral (que é amorfo e cheio de hedonismos), então fica difícil achar autores pequenos que talvez sejam grandes. É triste entrar numa rede social para leitores, como o Skoob, pensando que irá encontrar pessoas com gostos refinados, mas na realidade as pessoas apenas lêem leituras supérfluas, como Harry Potter, Paulo Coelho, 50 tons de Cinzas, Augusto Cury, etc; mas um livro como o "Por que Ler os Clássicos?" mostra que ainda falta muito para ler e que os Clássicos que conheço como os de Camões, Cervantes, John Milton e Dante são apenas um início de uma jornada enorme, do tamanho da humanidade.
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Rafa 10/01/2018

Antologia de textos críticos
Eu comecei este livro 4 anos atrás no meu segundo ano de faculdade no curso de letras e primeiro ano da habilitação em italiano. À época eu deixei o seguinte comentário no histórico de leitura: "Italo Calvino não peca na sua escrita e nos fala de outros clássicos além dos tão conhecidos e saturados, porém justamente este repertório diverso e a complexidade da crítica dificultam o entendimento de algumas colocações."

Até então eu não tinha compreendido o real propósito do livro. A pergunta título "Por que ler os clássicos?" é respondida logo de inicio com uma série de tópicos explicativos que dão um capítulo e o livro poderia terminar aí se a proposta da obra fosse tão somente responder a essa pergunta. O livro, no entanto, trata-se de uma antologia de textos, uma reunião de comentários que o autor fez de pontos específicos de obras e autores clássicos (muitos leitores, como eu, podem se deparar com nomes desconhecidos - é importante termos em conta que este é o ponto de vista de um escritor e estudioso italiano do século XX).

Logo após esclarecer nesses diversos tópicos o que, segundo seu ponto de vista, é uma obra clássica e por que deve ser lida, Italo Calvino arrola seus textos não segundo a cronologia em que foram escritos (dos anos 50 até os anos 80), mas na ordem cronológica dos autores comentados.

A dificuldade do livro e que eu senti desde o início é que se trata de comentários bem específicos do trabalho literário. De cada autor ele analisa um aspecto da obra, suas filosofias, técnicas, estilos, influências, fazendo sempre ligações e referências a outros autores dos quais o desconhecimento por parte do leitor causa dificuldade na compreensão. Mas a despeito disso, Calvino é bastante claro e, no geral, breve.

Como bacharel em letras (e mais especificamente em italiano) é impossível ignorar a utilidade do livro. Ele não só comenta pontos importantíssimos de obras e autores como Homero, Virgílio, mas também, é claro, dos escritores italianos e ainda mais dos franceses e dos escritores de língua inglesa. Todo esse repertório pode auxiliar muito em monografias do curso de Letras e nesse ponto eu gostaria de ter terminado de ler esse livro enquanto ainda cursava a faculdade, falha minha.

Este é um livro que deve ser relido mais e mais vezes e com propósito - atividade que pretendo fazer em seu idioma original - no sentido de irmos até aquilo que nos interessa, até porque os capítulos são completamente independentes entre si (um dos pontos em que no início da leitura eu me perdi com relação ao propósito do livro). O que Calvino faz é dizer, pondo eu palavras em sua boca: "deveríamos ler os clássicos por isso e por aquilo e aqui vai uma seleção de comentários que eu redigi sobre alguns clássicos". Devemos tomar o livro como um guia, como instruções, exemplos. Exemplos esses que, eu devo admitir, despertaram meu interesse para algumas obras clássicas de que sempre ouvi falar, mas que nunca havia me interessado antes (e digo que terminado este livro corri à biblioteca em busca de alguns títulos) e que para mim foram descobertas literárias.

Com relação à edição (Cia. das Letras, 1993, 1ª edição) devo dizer que fiquei um pouco incomodada com alguns erros de digitação e mesmo com a tradução. Eu não possuo o original para fazer as devidas comparações, mas me pareceu que a tradução em nota de rodapé de alguns trechos de obras que o autor cita não são tão precisas e me pareceu ter visto aqui ou ali um engano com falsos cognatos (e aqui peço desculpas antecipadas se eu estiver sendo "cricri" demais).
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Queli.Bastos 01/03/2020

Vamos ler clássicos?
Calvino explanou muitos clássicos nesse livro, de Homero à Pavese, desperta o desejo no leitor pra conhecer essas obras.
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Leonardo.Moura 21/09/2020

Obra de Apoio
Excelente obra de apoio para o estudo literário dos grandes clássicos!!
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Steph Mostav 15/06/2020

Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha pra dizer
Se Calvino nos parece apaixonado pela literatura em suas histórias fictícias, não poderia ser diferente em um livro de não-ficção voltado para incentivar a leitura dos clássicos. O artigo que abre o livro, de mesmo título, pode bastar para quem quer essa resposta, já que nele Calvino define o que torna um livro clássico, responde a pergunta do título da maneira mais simples possível, nos incentiva a formar uma biblioteca com nosso cânone pessoal e a alternar a leitura de clássicos com contemporâneos para valorizar mais os méritos de cada um através do contraste. É realmente um dos melhores textos do livro e um dos mais fáceis, porque nos responde de maneira mais geral. No restante dos capítulos, somos apresentados à parte do cânone pessoal do próprio Calvino, no qual a resposta para "por que ler os clássicos?" é mais específica e, talvez por isso, mais rica e interessante. Através da análise de diversos aspectos dos livros que o formaram como leitor e como escritor, ele nos apresenta motivos para ler ou reler toda a longa lista de autores, o que já é um pontapé para quem quer começar a ler clássicos e um guia excepcional para quem já os conhece, pois mesmo ao citar escritores conhecidos como Balzac, Tolstói e Dickens, sempre trata de livros mais desconhecidos de suas bibliografias.
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Edson Camara 17/01/2018

Se você deseja se aprofundar mais na literatura clássica universal, esta é a porta de entrada.
Este é um livro difícil de ler, pela erudição do autor e a riqueza do material analisado. É uma aula de literatura universal, dos clássicos desde a Grecia antiga até os anos 1980. Quase desisti varias vezes, mas quando a leitura ficava maçante, em alguns parágrafos havia uma reviravolta e o assunto tornar-se interessante novamente. Valeu muito a pena ler esta livro e conhecer obras que eu nem sabia que existiam.
Dois livros já entraram na minha lista de leitura, A cartuxa de Parma de Stendhal e Nosso amigo em comum de Dickens.
Se você deseja se aprofundar mais na literatura clássica universal, esta é a porta de entrada.
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Coruja 15/05/2019

Calvino começa seu Por que ler os clássicos? com um ensaio que possui a mais acertada descrição que já vi do que seja um clássico. Melhor ainda, pode-se fazer a lista das definições que ele propõe - do rol, uma das minhas definições favoritas é de que "um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer."

Calvino deixa muito claro que os títulos elencados no livro são ‘clássicos pessoais’, sublinhando ser o impacto que eles têm no leitor o que os torna indeléveis. Bloom defende a técnica, mas Calvino nos lembra que histórias são importantes por aquilo que elas representam na vida de seus leitores. São livros frente aos quais somos incapazes de nos manter indiferentes. Em resumo, são as histórias que lemos não por obrigação, mas por amor.

Lembro de pegar esse título num estande de livraria, folhear e depois me aboletar no chão mesmo para começar a ler. E ficar tão apaixonada que, quando deu a hora de voltar para casa, corri para o caixa porque precisava levá-lo comigo e terminá-lo.

Calvino também se tornou um volume de referência para pesquisas preliminares quando termino de ler um livro e vou escrever a resenha ou mesmo preparar um debate do clube de leitura de que participo. As análises que ele faz dos títulos que estão em sua lista de clássicos pessoais - apresentados de forma cronológica - são breves, mas muito pertinentes, concentrando-se normalmente num aspecto estrutural da obra/autor. Por essa razão, Por que ler os clássicos? tem um porém: se o leitor não está familiarizado com os títulos ou o estilo do autor comentado em cada ensaio, vai se sentir bastante perdido no caminho. Ainda assim, gostaria de poder compartilhar ad infinitum o primeiro capítulo dele, que é justamente o ensaio que dá nome ao livro.

site: https://owlsroof.blogspot.com/2019/05/dez-anos-em-dez-ensaios-biblioteca.html
howbruno 15/05/2019minha estante
Em que sentido o leitor pode se sentir perdido? Quero muito ler esse livro, então queria saber o que me espera rs


Coruja 15/05/2019minha estante
Oi, Bruno! Te respondendo, quem não for familiar com as obras que Calvino analisa pode ficar um pouco perdido com as explicações, porque não conhece a história de que ele está falando. Muitos dos autores que ele analisa são suficientemente familiares para que tenhamos uma ideia da história mesmo que não tenhamos lido o livro em si - eu, pelo menos, não tive problemas. Mas conheço algumas pessoas que deixaram o livro de lado por essa razão, decidindo voltar a ele depois de ler as obras citadas. Não é um problema de linguagem, o Calvino é delicioso de ler, é mais uma questão de familiaridade com as obras referenciadas mesmo.


howbruno 15/05/2019minha estante
Ah, sim. Melhor ainda, porque é um incentivo a mais pra ler esses livros. Obrigado por compartilhar isso




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