Sol e Sonhos Em Copacabana

Sol e Sonhos Em Copacabana Aliel Paione




Resenhas - Sol e Sonhos Em Copacabana


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CuraLeitura 05/01/2019

Resenha do blog CuraLeitura
Sol e Sonhos em Copacabana é um romance que se passa no início do século XX, entre os anos de 1901 e 1918. Ele narra a história de Jean-Jacques, um francês que vem para o Rio de Janeiro para trabalhar na embaixada econômica francesa e é um poeta, um artista, um amante da vida e das coisas belas.

Jean-Jacques é aquele tipo de pessoa simpática, simples e que encanta a todos com sua visão da vida e da forma de viver. Faz amigos facilmente e se torna muito amigo de Euzébio, um condutor de carros/charretes, que o leva aos lugares.

Em uma noite de domingo, Jean-Jacques visita o famoso cabaré Mère Louise e lá conhece Verônica, por quem se apaixona perdidamente. Verônica, apesar de corresponder à paixão, é dependente financeiramente do amante, o senador Mendonça, que dá a ela e a sua mãe uma vida de luxo e conforto.

Verônica é jovem e, apesar de apaixonada por Jean-Jacques, não sabe como proceder, pois ele a pede em casamento e a convida a ir morar na França. Entre encontros escondidos do senador e ajudados por Madame Ledoux – a francesa gerente do cabaré –, o casal decide passar uma temporada na França, longe de todo esse conflito.

Um dia antes da data da viagem, Verônica conta para Jean-Jacques que está grávida e dá a ele um anel de ouro que pertenceu a seu pai, o Barão Gomes Carvalhosa.

No dia e hora marcados para embarcarem, Verônica não aparece. Foi para São Paulo com sua mãe pela manhã. Jean-Jacques volta para a França desolado e lá permanece até 1918, quando recebe uma carta convidando-o a retornar ao Brasil e reencontrar o seu passado. A carta foi enviada por Henriette, que se diz sua filha e quer conhece-lo.

Sol e Sonhos em Copacabana é um livro repleto de reflexões sobre a política brasileira da época que se encaixa perfeitamente aos dias atuais. Na verdade, lendo o livro e estas reflexões, percebemos como chegamos neste ponto atual.

“[...] – Concordo que a maioria de nossos homens públicos de fato se assemelha a... – Procurava a palavra com visível prazer, esquadrinhando o espaço rapidamente. – Como eu poderia defini-los? Sim! – exclamou de supetão. – A um bando de putas, a um puteiro, e você sabe o que isso significa – repetiu, alteando a voz, irradiando inusitado prazer em fazê-la ouvir a metáfora, dando uma risadinha seca. – É a palavra certa pela qual vocês poderiam caracterizar a nossa classe. Cada um de nós lá tem seu preço, e um alto preço. Existem, é verdade, algumas raras exceções – interrompeu-se um segundo, pensativo – mas é o que predomina, é onde chafurdamos nós, fermentando putrefados no pântano dos vossos valores morais. Mas somos uma pequena porção de vocês – comentou, sorridente.”
p. 250

O livro é dividido em duas partes, a primeira narra a história basicamente sob o ponto de vista de Jean-Jacques, e a segunda conta o que fez Verônica tomar a decisão de abandoná-lo e o que ela fez nos anos a seguir, bem como o nascimento e vida de Henriette.

É um livro forte, tanto com relação aos aspectos políticos e ao capitalismo, como com relação aos sentimentos e a quê estamos dispostos para viver um amor. Quanto vale o amor? Quanto vale estar ao lado de quem amamos? Para Jean-Jacques vale abrir mão de seu emprego, de seu status social e talvez até de sua vida. Para a Verônica de 1901 o luxo, conforto, o status e a influência falam mais alto. Para a Verônica de 1918, mais madura, vale absolutamente tudo.

A leitura do livro foi bastante fluida, o enredo prende o leitor e as personagens nos cativam. Em meados da metade do livro eu tomei um choque com um acontecimento, que a princípio eu jamais pensei que fosse acontecer, mas a segunda parte do livro se mostrou tão interessante quanto a primeira.

Quanto vale o ódio e o desejo de vingança? Até onde uma pessoa é capaz de ir e o que ela é capaz de fazer para ver alguém sofrer?

O livro tem romance, drama, problemas familiares, lições de amizade, amor, caráter...

O autor tem uma escrita mais rebuscada, mas em momento algum incompreensível. Pelo contrário, a beleza de suas palavras incrementam a narrativa e nos transporta para a Copacabana de 1901, para o modo de vida da época. As descrições de cenários são extremamente detalhadas, tanto que às vezes esse detalhamento se torna um pouco cansativo, mas nos faz adentrar no local descrito.

A revisão do livro está muito bem feita e o material do livro é de boa qualidade. A capa é simples, mas com um toque de antiguidade, referentes à época do enredo. A diagramação também está muito bem feita e a fonte e o espaçamento em tamanho confortável. As páginas são levemente amareladas.

Foi uma leitura muito interessante, instigante e que me fez conhecer um pouco mais sobre o Brasil da velha república e ter meus valores morais reforçados. É um livro que faz o leitor repensar seu modo de vida e a forma como olhamos para as coisas.

Indico para todos, menos para menores de 16/18 anos por conter cenas de sexo e palavras um pouco pesadas.

site: www.curaleitura.com.br
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