Quarto de Despejo

Quarto de Despejo Carolina Maria de Jesus




Resenhas - Quarto de Despejo


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Evelyn Ruani 27/02/2011

DESAFIO LITERÁRIO 2011 - Tema: Biografia e/ou Memórias / Mês: Fevereiro (Livro 5)
Quarto de Despejo é um livro doloroso e verdadeiro. Uma história escrita na dor do dia a dia sofrido de Carolina em busca de sobrevivência em uma favela em São Paulo. Em seu diário, ela fugia dos problemas, da falta de comida e procurava aliviar as angústias. Como ela mesma disse em entrevista:

"Quando eu não tinha nada o que comer, em vez de xingar eu escrevia".

E nós, que nem ao menos sabemos como é sentir essa dor da fome, xingamos tanto e achamos que nossa dor é tão profunda. Todos deveriam ler esse livro, esses desabafos escritos em folhas de caderno. A luta diária contra a fome, sujeira, tristeza, desânimo. E ainda assim, entre dias de angustia e dor, lá estavam suas anotações:

"Achei o dia bonito e alegre. Fui catando papel".

Foram vinte cadernos contendo o dia a dia de Carolina, seus filhos e os companheiros da mesma realidade que criaram esse livro tão real e tão importante. Fiquei impressionada com o texto poético, escrito com desenvoltura e de forma tão envolvente que nos transporta para a realidade retratada. Também me impressionou a personagem principal dessa história, que inicialmente pensei ser a própria Carolina, a fome. Fiel, frequente e trágica, não arredou pé da narrativa uma vez sequer. Estava ali presente o tempo todo, sondando, angustiando, doendo em quem lê também. Nunca como em quem sentiu de verdade, é claro, mas doendo também.

"Morreu um menino aqui na favela. Tinha dois meses. Se vivesse ia passar fome".

Além de tudo isso, o livro foi lançado em agosto de 1960, e no entanto, cenários e acontecimentos são tão atuais e continuam se repetindo de forma assustadora. Agora já são muitos os Quartos de Despejos, multiplicados e transbordantes. Quantas serão as Carolinas escondidas sob tetos de papelão? Um livro forte e original, que mereceu todo o sucesso de seu lançamento e que até hoje o sustenta. Já foi traduzido para treze idiomas e é uma leitura altamente recomendada.
Li 27/02/2011minha estante
É realmente assustador como livros que falam da realidade de muita gente neste país, que foram escritos a décadas, ainda hj continuarem atuais...
Ótima resenha, Ly!!


Erika 27/02/2011minha estante
Resenha perfeita! O livro é excelente, dá uma sacudida para os problemas dos menos favorecidos!


Paulina.Silva 18/06/2017minha estante
É e quantas Carolinas existem hoje, quantos quartos de despejo? Dias atrás mesmo, pessoas foram despejadas de um terreno por força policial, pensa nas Carolinas angustiadas, que alem de enfrentar o desemprego a fome, vivem agora o drama de não ter o aconchego de uma moradia...




Juliana 28/10/2016

Também vivi o quarto de despejo
Nem se eu escolhesse as palavras com muito cuidado, poderia expressar a dor que senti ao ler esse texto. Venho de um lugar pobre. Revivi, em flashs a fome que já passei. Não pude conter as lágrimas. Lembrei das vezes que desmaiei na escola , por fraqueza, lembrei da minha mãe, que deixava de comer para nos alimentar. Três filhas, que os homens da rua olhavam com maldade. Nosso pai escolheu a liberdade ao lado de outra mulher.Divorciou-se da minha mãe, e de nós. Assim como Carolina, desejei ser homem, muitas vezes, pois em nossa sociedade eles tem suas escolhas amparadas, e nós, não. O que me salvou, foi a biblioteca da escola. Abria os livros, pra ouvir as vozes, que calavam o barulho do meu estômago. Triste, um livro publicado em 1960 trazer um texto tão atual. A fome ainda existe, a cada esquina das cidades brasileiras.
Mari 25/07/2017minha estante
Oi Juliana !!! Parabéns pela sua linda resenha, eu espero que os livros possam te dar esperança e acolhimento cada vez mais em sua vida!!!


Bruna 07/06/2018minha estante
Que relato incrível, Juliana. Fico feliz que você tenha tido a "sorte" de se refugiar nos livros e me orgulho muito de pessoas como você. Parabéns e que você cresça cada vez mais em sua vida!




MaxReinert 30/06/2009

Isto não é uma história, é uma vida!
Olhar para o livro Quarto de Despejo e desejar que ele tenha um desenvolvimento comum como qualquer outro livro é perda de tempo.

O "diário de uma favelada" - como nos informa o subtítulo - é repleto de situações massacrantes e que nos deixam de queixo caído. Dias e dias em que a rotina (evidenciada principalmente por sua repetição) se resume a busca desesperada por comida para si e para os filhos.

Situações que aconteceram em um passado que cronológicamente parece distante mas, ao mesmo tempo, é igual ao cotidiano de muitas famílias que temos notícias nos dias de hoje.

Quarto de Despejo nos oferece um espelho da miséria através das palavras de uma mulher semi-analfabeta, com uma coragem absurda perante a vida e que conseguia encontrar (e descrever) beleza dentro do inferno em que vivia.

O retrato está aí, inteiro e fiel nas páginas desse livro, mas quem quiser vê-lo pode abrir as janelas de seus apartamentos e olhar para as favelas existentes ainda hoje em nosso país.
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Bruno Gaudêncio 24/01/2010minha estante
Dois tres resenhista aqui presentes, foste o mais sensato. Os de baixo não sabem nem o que é um Diário e muito menos a pobreza, e o pior nem se esforçaram para ter um pouco de sensibilidade literária...


Senna 11/05/2010minha estante
Realmente, o mais sensato. Ousadia minha ou não, mais sensato que a própria sinopse do livro, que está extremamente superficial e fria. Agora, os outros dois ali de baixo forçaram muito! Um pouco de sensibilidade não os faria mal nenhum.




val 22/07/2013

A fome é amarela
Uma catadora de papéis, Carolina, descreve seus dias em cadernos no intuito de publicá-los um dia. A vida sofrida e miserável é contundentemente marcada pela fome, impossível disfarçar nas linhas do diário. O livro em forma de diário inicia com descrição de 15 de julho de 1955. Pobre, com pouco estudo, solteira, três filhos e residente na favela do Canidé,(hj a Av Marginal) São Paulo, Carolina movida pelo sonho de publicar o que escreve, deixa relatos puros, verdadeiros e designa favela como o quarto de despejo da cidade.Um repórter a ajuda conquistar seu sonho e sendo-lhe fiel, o livro é publicado em suas próprias palavras, com erros de português que não impedem a compreensão. A Miserável vida também tem seus momentos bons, percebe-se a alegria de viver de Carolina que romantiza as linhas sem camuflar a verdade.
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Day 19/07/2016

“Quando eu não tinha nada o que comer, em vez de xingar eu escrevia.”
É difícil até começar a escrever sobre esse livro. Carolina Maria de Jesus era uma mulher negra, favelada, de São Paulo, catadora de material reciclável, que passava fome, mãe de 3 filhos pequenos e que adorava escrever sobre seu dia-a-dia. Apaixonada por literatura e sobre influencia de uma professora, Carolina passou a escrever diários e sonhava com a publicação destes. Quarto de Despejo é um apanhado de suas histórias, com pouca edição, que finalmente foi publicado, trazendo-lhe alguns benefícios porém nunca a tirando da pobreza.
Mesmo com pouca escolaridade, o livro nos mostra a tamanha inteligencia de Carolina, em diversos aspectos, sejam eles econômicos...

“Não é preciso ser letrado para compreender que o custo de vida está nos oprimindo.”

...científicos...

“A Dona Alice deu-me uma para experimentar. Mas a lata está estufada. Já está podre.”

...social...

“...As vezes mudam algumas família para a favela, com crianças. No inicio são iducadas, amaveis. Dias depois usam o calão, são soezes e repugnantes. São diamantes que transformam em chumbo. Transformam-se em objetos que estavam na sala de visita e foram para o quarto de despejo.”

“Não trazia documentos. Foi sepultado como Zé qualquer. Ninguem procurou saber seu nome. Marginal não tem nome.”

“...De manhã o padre veio dizer missa. Ontem ele veio com carro capela e disse aos favelados que eles precisam ter filhos. Penso: Porque há de ser o pobre quem há de ter filhos – se filhos de pobre tem que ser operario?”

... e político, com grandes críticas muito bem abordadas, diretas e inteligentes:

“O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A fome também é professora.
Quem passa fome aprende a pensar no próximo, e nas crianças.”

“(...)Deixou boas impressões por aqui e quando candidatou-se a deputado venceu. Mas na Camara dos Deputados não ciou um progeto para beneficiar o favelado. Não nos visitou mais.”

“...Eu classifico São Paulo assim: O Palacio, é a sala de visita. A prefeitura é a sala de jantar e a cidade é o jardim. E a favela é o quintal onde jogam os lixos.”

“...Quem deve dirigir é quem tem capacidade. Quem tem dó e amisade ao povo. Quem governa o nosso pais é quem tem dinheiro, quem não sabe o que é fome, a dor, e a aflição do pobre. Se a maioria revoltar-se, o que pode fazer a minoria? Eu estou ao lado do pobre, que é o braço. Braço desnutrido.(...)”

O livro também chama atenção pela sua qualidade e capacidade de escrita. Não falo sobre conhecimentos da gramática normativa, isso é deficiente na autora devido sua baixa escolaridade. Contudo, sua organização e exposição de ideias é muito bonita, como com a construção de metáforas de grande qualidade:

“...O que o senhor Juscelino tem aproveitavel é a voz. Parece um sabia e a sua voz agradavel aos ouvidos. E agora, o sabiá está residindo na gaiola de ouro que é o Catete. Cuidado sabia, para não perder esta gaiola, porque os gatos quando estão com fome comtempla as aves nas gaiolas. E os favelados são os gatos. Tem fome.”

Outro tema muito bem abordado é a deficiência no envolvimento masculino. Já não é novidade como os homens bebem, nem sempre trabalham, renegam os filhos e são agressivos, enquanto as mulheres devem se preocupar com a casa, a comida, a criação das crianças e todas as responsabilidades, o tempo todo, sujeitas ao desgaste físico e emocional constante.

“10 DE AGOSTO Dia do Papai. Um dia sem graça.”

“Depois fiquei vagabundando. Depois que eu trabalho e ganho dinheiro para os meus filhos, vou descansar. É um descanço justo.”

Outro tema muito abordado, na verdade o tema mais abordado, é a fome. Como a fome destrói o físico e o psicológico das pessoas. Como a fome, que deveria ser no mínimo extinta de qualquer sociedade, é ignorada pelo governo e por qualquer pessoa que tem condições de acabar ou amenizar tal absurdo. Fome que transforma o alimento em algo quase sagrado, em elogio...

“Dona Domingas é uma preta boa igual ao pão.”

Por fim, gostaria de ressaltar a força dessa mulher incrível que foi Carolina Maria de Jesus, que com sua esperança e persistência nos dá o privilégio de conhecer um pouco da realidade das favelas brasileiras. Que esse conhecimento adquirido nos instigue a buscar por mudanças e não se torne apenas uma literatura esquecida com o tempo.

“Esquecendo eles que eu adoro a minha pele negra, e o meu cabelo rustico. Eu até acho o cabelo cabelo de negro mais iducado do que o cabelo de branco. Porque o cabelo de preto onde põe, fica. É obediente. E o cabelo de branco, é só dar um movimento na cabeça ele já sai do lugar. É indiciplinado. Se é que existe reincarnações, eu quero voltar sempre preta.”

“Ele é de ferro e eu sou de aço. Não tenho força fisica, mas as minhas palavras ferem mais do que espada. E as feridas são incicatrisaveis”
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Carol 01/11/2010

Eu não sabia o que esperar desse livro, e no fim acabei ficando com uma opinião neutra em relação a ele. A história é muito profunda, por ser um diário que foi realmente escrito, porém a leitura é cansativa, todos os dias é relatada a mesma rotina, e eu quase desisti de ler. Talvez tivesse ficado melhor se adaptassem um pouco o diário, e tirassem um pouco a monotonia. Também fiquei esperando que no fim, fosse ocorrer uma mudança na vida de Carolina, e me decepcionei. Se o leitor procura entretenimento, não é um livro indicado, porém se você procura um livro de reflexão, é indicado, mesmo que esta seja meio indireta.
Outra coisa que achei legal, foi que os erros ortográficos de Carolina foram mantidos, mostrando ainda mais a realidade da população.
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Bruna 29/06/2018

Por que o “DIÁRIO DE UMA FAVELADA” é uma lição de vida?
Como leitora assídua que sou, recentemente uma obra da lista obrigatória para o vestibular da Unicamp me chamou a atenção.
Intitulado “Quarto de Despejo” e subintitulado “Diário de uma favelada”, logo fui procurar por mais informações e então me encontrei com ela.
Carolina Maria de Jesus: um nome comum. Uma vida que parecia ter tão pouco valor. Uma força interior inexplicável.

Pois quem é essa tal de Carolina?
Carolina é uma catadora de papel e moradora na favela do Canindé na década de 50, local onde hoje é a Marginal do Rio Tietê na cidade de São Paulo.
Solteira, possui 3 filhos e os cria sozinha, sem ajuda de nenhum familiar.
Estudou somente até o segundo ano do ensino fundamental, porém é apaixonada por livros e prefere gastar seu tempo livre com leitura e escrita, ao invés de socializar com os vizinhos da favela, pois acredita ser mais útil se dedicar à essa atividade do que beber, fofocar ou namorar (três entretenimentos muito comuns em sua comunidade).
Sua rotina - e de seus filhos - é viver na incerteza se haverá comida para a próxima refeição. Suas vidas giram em torno da felicidade por ter o que comer e do desespero quando não o tem.

E do que fala esse tal de livro?
Mesmo em meio a uma triste realidade, Carolina pega cadernos que encontra no lixo e começa a escrever um diário.
É nele que ela conta a hostilidade da comunidade onde vive, dos políticos que só aparecem em época de eleição (Carolina, por sinal, entende muito de política e está apta a discutir o assunto com quem quer que seja), da sua luta diária contra a fome, da humilhação sofrida por ela e pelos filhos e da sua condição como negra, favelada e mãe solo. Se tudo isso é difícil nos dias de hoje, imagina há mais de 50 anos atrás?
O livro contém relatos fortes e muito tristes! É sobre uma realidade escrita há muitos anos, que continua tão real e mais próxima de nós do que imaginamos.
Carolina passa mais de 5 anos escrevendo esse diário e seu sonho é que um dia ele seja publicado.
Ela não busca fama, mas seu objetivo é expor o cotidiano dessas pessoas que são excluídas da sociedade e, com a venda dele, poder morar em um local melhor do que seu barracão atual e ter condições de alimentar seus filhos diariamente.
Ela é motivo de chacota entre seus vizinhos por a acharem muito sonhadora e pretensiosa.
Até que um dia, o jornalista Audálio Dantas visita a favela para fazer uma reportagem sobre a rotina dos moradores e conhece Carolina.
Quando ela mostra seu diário ao jornalista, ele fica tão deslumbrado com a riqueza daquele relato, que desiste de fazer uma matéria superficial sobre o local e passa a ajudar Carolina na publicação do seu livro.
O subtítulo “Quarto de Despejo” se dá porque Carolina faz uma analogia da sua condição.
Ela explica que SP é uma casa e as regiões luxuosas são a sala principal, enquanto a favela é o quarto de despejo da cidade, onde ficam as coisas insignificantes e sem valor.
Chocante, mas muito real, não?
O lado bom é que essa é uma história real com final feliz, pois a nossa protagonista e guerreira consegue o que queria! Seu livro foi um sucesso, sendo traduzido para 13 línguas e publicado em mais de 40 países.
Isso possibilitou que Carolina tivesse uma casa digna para seus filhos e enfim pudesse alimentá-los de forma apropriada.
Inspiração suficiente para investirmos e acreditarmos nos nossos projetos de vida assim como ela, não?

E por que você deveria ler?
Se você ainda está conferindo esse artigo, é provável que já esteja convencida de que essa obra é leitura obrigatória para seu desenvolvimento como cidadã, certo?
Caso ainda não esteja, aqui vão dois dos maiores motivos para que compre esse livro agora mesmo:
1 - Não podemos mais tapar os olhos em relação à fome e esse diário mostra que ela está mais perto de nós do que a gente imagina
Desde que li esse livro, passei a ser grata por cada refeição e por não passar pela inconsolável situação de ver meus entes queridos com fome e não poder fazer nada.
É impressionante pensar que todos os problemas diários que enfrentamos se tornam insignificantes diante da fome.
Mais impressionante é pensar que domingos e feriados, dias que normalmente mais amamos, eram os piores para Carolina, pois ela não conseguia vender papel e muitas vezes ficavam com ainda mais fome.
Além de aumentar minha gratidão, essa leitura aumentou a percepção do quanto a fome está mais perto do que a gente imagina.
Passei a guardar minhas sobras no restaurante para dar à alguém e prestar mais atenção quando vejo uma pessoa pedindo comida pelas ruas de SP - continuo não dando dinheiro, mas já não posso mais negar comprar-lhe uma comida.

2 - O poder do conhecimento e da leitura é subestimado na nossa sociedade, mas esse livro é a prova do quanto a educação pode mudar a vida das pessoas
Mesmo sem educação formal, Carolina aprendeu a ler e escrever de sua própria forma, sem se intimidar com seus erros de português.
Essa atitude é tão louvável que os editores do livro resolveram manter a sua linguagem mesmo com erros gramaticais, ajustando somente as frases que dificultavam a compreensão do leitor.

Carolina, muito mais do que inteligente, era uma mulher sábia, do tipo que está faltando por aí hoje em dia. Ela sabia que a leitura e a educação, por mais rara e “fora de moda” que fossem, tinham mais poder do que a bebida e as drogas, tão populares no meio em que vivia.
E, por esse motivo, ela relata que prefere ficar em casa com seu diário do que na rua na companhia de seus vizinhos ou namorado.
Por fim, tenho certeza de que você vai sofrer com as dores dela, mas também vai vibrar à cada pequena vitória, a cada pacote de comida comprado e à cada doação feita por pessoas do bem.
E vai se emocionar, admirar muito essa heroína e querer que o nome dela se torne ainda mais conhecido, objetivo pelo qual esse texto foi escrito.

Vida longa ao nome e à obra de Carolina Maria de Jesus!
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Lulubernardes 27/06/2016

A lutadora
É triste que eu tenha lido esse livro já tendo mais de 30 anos de idade. Gostaria de ter lido, como muitas pessoas, na época da escola. Mas, antes tarde do que nunca. O livro é escrito em forma de diário. A favelada Carolina, mulher negra e pobre, relata como faz para cuidar dos seus três filhos morando em uma favela sendo catadora de lixo. O livro é real, é tudo real, Carolina conta a história verdadeira de sua vida. O relato é cru, duro e verdadeiro. Ela relata a fome, a miséria e toda a tragédia que a pobreza trás para as pessoas. Carolina conta com maestria o cotidiano dela e dos vizinhos favelados. Mesmo o enredo sendo assombrosamente triste, a forma como ela escreve é tão fruída, tão boa que em alguns momentos nos pegamos rindo de algumas situações contadas. Esse livro é para mim a expressão do poder intelectual das mulheres negras. Veja, uma mulher que teve o mínimo de contato com a educação formal escreveu esse livro tão emocionante, se isso não mostra que ela é especial eu não sei o que mostrará. Embora o livro passe uma sensação de desespero contínuo e imutável, saibam que a filha mais nova de Carolina tornou-se professora e ensina as pessoas sobre sua mãe. Infelizmente o livro não mostra isso. Mas saibam que Carolina teve sua filhinha linda e perspicaz da qual fala com tanto amor no livro se tornando professora.

site: https://www.youtube.com/watch?v=qRjDmmWAFEo
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Juliana 14/03/2017

Maravilhoso
Carolina de Jesus autora de Quarto de despejo. É uma das autoras com as frases mais fodas que já li. Seu olha sobre a realidade é tão lúcido que chega a ser um soco no estômago do leitor.
É um livro que te ensina a ser gente. É a enxergar os excluídos do mundo como gente.
alessandragomes 06/05/2017minha estante
Concordo!




Tica 27/04/2012

Quarto de despejo – Diário de uma Favelada
Originalmente publicado no meu BLOG: http://criticaconsciente.wordpress.com/2012/03/22/quarto-de-despejo-diario-de-uma-favelada/

"28 de maio …A vida é igual um livro. Só depois de ter lido é que sabemos o que encerra. E nós quando estamos no fim da vida é que sabemos como a nossa vida decorreu. A minha, até aqui, tem sido preta. Preta é a minha pele. Preto é o lugar onde eu moro.”(Quarto de Despejo – Carolina Maria de Jesus)


Quarto de Despejo é o tipo de livro que nos choca, não pelo relato da miséria em si, mas porque ela é real.

Logo que tive conhecimento deste livro, me interessei por ele! Porém, não fazia idéia da complexidade do tema e mais, de quão perto de mim este acontecimento histórico esteve.

Ironia do destino ou não, ‘Quarto de Despejo’ é o relato de uma moradora da favela do Canindé que fica perto do antigo campus da Faculdade que curso. Passei 4 anos da minha vida olhando uma paisagem sem ao menos enxergá-la. Lógico que, hoje em dia o Canindé não é mais como era na época em que a autora relata os fatos, mas a história contida naquele lugar e ignorada por mim e tantos outros que ali passam me deixou perplexa. O historiador Eric Hobsbown, em seu livro “A Era dos Extremos”, relata exatamente esse fenômeno quando diz que vivemos num Presente Contínuo.

Carolina Maria de Jesus, favelada, mãe solteira e catadora de sucata é a protagonista da história, uma crítica social tão pura que chega a doer.

"…Eu classifico São Paulo assim: O Palácio, é a sala de visita. A Prefeitura é a sala de jantar e a cidade é o Jardim. E a favela é o quintal onde jogam os lixos.” (Quarto de Despejo – Carolina Maria de Jesus)

Em sua linguagem simples e com erros ortográficos temos conhecimento da dura vida na favela, do difícil convívio com os vizinhos, da politicagem do país e principalmente da fome e da violência. A luta diária pela sobrevivência, onde ter o que comer é a maior alegria do dia. Em seus relatos Carolina viu a cor da fome e ela era Amarela.

"E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a escravatura atual – a fome!”

Este é um livro que precisa ser lido e discutido. Carolina deu voz aos miseráveis, mais do que a rotina de uma mãe que vê seus filhos passarem fone, ‘Quarto de Despejo’ é um pedido de socorro que precisa ser ouvido. Temos que analisar através de Carolina a vida dessas pessoas que agora deixaram de ser invisíveis, pois ignorar um fato não faz com que ele deixe de existir, só torna a nossa vida mais fácil.



O diário começou a ser escrito em 1955, mas podemos ver sem dificuldade nenhuma que os problemas sociais como moradia, alimentação, atendimento médico dentre outros direitos dos cidadãos são os mesmos de hoje. Isso nos leva a pensar se realmente evoluímos, ou se alguns evoluíram e outros simplesmente foram engolidos pela metrópole que nunca para. Pelo sistema sócio-político-econômico que valoriza o individualismo. Pelo seu tempo escasso demais para ler esse post ou mudar o mundo.

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Rafaela 19/07/2014

A voz dos invisíveis
Mulher, pobre, negra, favelada, mãe solteira, catadora de lixo. Em um contexto social em que os pobres estavam quase sempre condenados ao analfabetismo, escreve um diário. Quarto de despejo é uma relato sem retoques do cotidiano de Carolina e seus filhos em uma comunidade pobre de São Paulo. Colocar comida na panela é um desafio diário. Um pedaço de pão pode ser tanto motivo de alegria como sua ausência enseja a protagonista a desejar a morte. Relato duro, angustiante, mas necessário, em um país ainda repleto de Carolinas.
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Ana 01/07/2015

“Quando estou na cidade tenho a impressão que estou na sala de visita com seus lustres de cristais, seus tapetes de viludos, almofadas de sitim. E quando estou na favela tenho a impressão que sou um objeto fora de uso, digno de estar num quarto de despejo.”

“Para mim o mundo em vez de evoluir está retornando a primitividade. Quem não conhece a fome há de dizer: “Quem escreve isto é louco”. Mas quem passa fome há de dizer:
-Muito bem, Carolina. Os generos alimenticios deve ser ao alcance de todos.”

“Como é horrível ver um filho comer e perguntar: ‘Tem mais?’. Esta palavra “tem mais” fica oscilando dentro do cerebro de uma mãe que olha as panela e não tem mais.”

“Hoje é o aniversário de minha filha Vera Eunice. Eu não posso fazer uma festinha porque isto é o mesmo que querer agarrar o sol com as mãos. Hoje não vai ter almoço. Só jantar.”

“Hoje estou mais disposta. Ontem supliquei ao Padre Donizeti para eu sarar. Graças a Deus que atualmente os santos estão protegendo. Porque não sobra dinheiro para eu ir no medico.”

“Fui na dona Nenê. Ela estava na cosinha. Que espetaculo maravilhoso! Ela estava fazendo frango, carne e macarronada. Ia ralar MEIO queijo para por na macarronada! Ela deu-me polenta com frango. E já faz uns dez anos que não sei o que é isto. Na casa de dona Nenê o cheiro de comida era tão agradavel que as lagrimas emanava-se dos meus olhos (...)”

“Eu estava pagando o sapateiro e conversando com um preto que estava lendo um jornal. Ele estava revoltado com um guarda civil que espancou um preto e amarrou numa árvore. O guarda civil é branco. E há certos brancos que transforma preto em bode expiatorio. Quem sabe se guarda civil ignora que já foi extinta a escravidão e ainda estamos no regime da chibata?” (nota: isso foi escrito em 1958. De lá pra cá, nada mudou.)

"Quarto de despejo" é um livro muito triste. Triste e necessário. Todas as pessoas deveriam lê-lo. É doloroso, intenso e impressionante. É um livro que choca. Fiquei assustada enquanto o lia, no meu mundinho confortável, e era exposta a outra realidade pelas palavras de Carolina, que luta todos os dias para sobreviver. Para mim é normal ter um prato cheio de comida de qualidade; para ela e seus filhos, isso é um "espetáculo maravilhoso", como ela mesma diz.

Carolina estudou até a segunda série primária, e, por saber ler e escrever (e gostar disso), foi a voz da favela do Canindé, às margens do Tietê, em São Paulo. Pessoas invisíveis ou desagradáveis aos olhos de muitos que moram nas casas de alvenaria finalmente tiveram voz, através desta mulher, que narrou seu suplício cotidiano, sua luta, seu desespero. Tão assustador quanto ler o que ela viveu é ter consciência de que, em mais de 50 anos, nada mudou. É exatamente como diz a música: o rico cada vez fica mais rico, e o pobre cada vez fica mais pobre. A indiferença dos políticos, o desprezo dos ricos, o custo de vida esmagador que impede a própria vida...tudo igual, tudo tristemente igual.

Recomendo a todos que leiam este livro. Foi um choque de realidade e de humanidade para mim.
Denise 14/10/2015minha estante
Que resenha linda Ana! Parabéns!
Ainda não o li, mas com certeza já está na lista de próximas leituras! Obrigada por compartilhar sua experiência de leitura e passar um pouco dos seus sentimentos e o da Carolina também!!

www.entrelinhasfantasticas.com.br




Jeanne 22/12/2016

Quarto de Despejo, diário de Carolina de Jesus, um livro que deveria ser lido por todos aqueles que não conhecem a pobreza. A autora fala dos seus dias como moradora da favela do Canindé, catadora de papel e mãe de três filhos. Cada dia por vez, não há esperança pro futuro, planos e sonhos. É preciso acordar cedo, buscar água, sair as ruas em busca de coisas que possam ser aproveitadas. A habitação é um barracão em meio a muitos outros, onde paira o medo constante do despejo. "A favela é o quarto de despejo da cidade", diz Carolina, mas ainda há quem queira tomar esse quarto. Ela nos conta a sua rotina, suas aflições; relata as cenas chocantes que uma favela presencia quase que diariamente, brigas violentas, extorsão, roubo, descaso por parte de toda sociedade, civil e autoridades. Os políticos só lá aparecem em época de eleição, os grandes negociantes preferem jogar seu produto no lixo a dar a quem necessita. É impactante, é triste. Ainda assim, em meio a miséria, Carolina consegue escrever, ela diz que as coisas que não pode mudar, seus sentimentos de tristeza, sua situação de penúria, todos são convertidos em impulsos para a escrita. Amante da leitura, por vezes faz uso de palavras rebuscadas, relatando de maneira engraçada algum episódio de seu dia, tirando um sorriso meu em diversos momentos.
O diário me fez refletir sobre o que eu tenho feito para o próximo, de como a minha vida, de certa forma, tem impactado na vida das pessoas mais necessitadas. Esses são problemas de grandes escalas, mas ainda assim, nós, cidadãs, podemos fazer algo, nem que seja para minimizar o sofrimento de outrem. E não julgar. Eu não sei o que essas pessoas viveram para chegar no ponto em que estão, eu não sei o que elas vivenciam diariamente. Pessoas passam fome, vivem do lixo, do resto das cidades, daquilo que as outras pessoas não quiseram mais; pessoas não tem onde morar, não tem água encanada, luz, sentem frio, medo, não tem a mínima chance de ascender para uma vida melhor, não tem apoio, não tem quem lhes estenda a mão.
O nosso cenário social ainda é lamentável e não vejo previsões de melhora. Os centros urbanos ainda crescem, o capital gira, e ninguém se importa.
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Flávia 25/02/2009

A intenção foi boa, mas...
Acho que a idéia do livro é ótima. Afinal, é uma história real contada por quem a viveu. Mas o livro é um tanto quanto monótono... sei lá. Talvez o fim seja melhor, mas não consegui chegar até ele. Mas acho que para quem estiver interessado vale a pena tentar lê-lo...
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Erika 17/02/2010minha estante
Li "Quarto de Despejo" há muitos anos, mas jamais o esqueci. O que me impressiona nessa obra é a sua atualidade, apesar de ter sido escrita há tanto tempo. Carolina é uma escritora nata, e traz, com muita maestria, o dia-a-dia da favela. Chegamos a nos sentir dentro daquele ambiente. Imortal!


Senna 11/05/2010minha estante
Monótono? Isso porque não acontece com vc, meu caro...Aí sim, vc diria outra coisa.




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