A noite da espera

A noite da espera Milton Hatoum




Resenhas - A Noite da Espera


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Raony 18/12/2017

Nove anos sem lançar um romance. Foi só eu falar que acabei os Hatoums ele foi lá e PÃ. Livro novo. Ok. Desafio aceito. Comprei. De novo fui seduzido pela capa e comprei o livro físico, não o e-book. Achei que era só rabiscos abstratos, mas é um bote e um remo. Como os do Martim, no Paranoá.

É quase um romance epistolar, dos quais não sou muito fã. Sei lá. Acho uma saída mais fácil. Deve ser só impressão de quem nunca escreveu ficção de respeito, mas prefiro meus romances contínuos mesmo. Dai ele mescla as anotações e cartas com recordações e tem várias lacunas. Lacunas temporais nos registros, lacunas na lembrança e no que o narrador sabe.

Parece que não gostei, mas é o contrário. Gostei bastante. Li em duas sentadas. Sou o Martim. Sem os dramas familiares, a disciplina de estudos e o conhecimento artístico, ou seja, praticamente tudo que define o Martim. Mas sou o Martim na indecisão e na acomodação de dar raiva. Nesse marasmo de estar à deriva. Dormindo no bote, o remo inútil.

Primeiro romance dele que não dá vontade de ir pra Manaus. Porque não tem Manaus. Só Brasília (e Paris, um pouco). Mas não dá vontade de ir pra Brasília também. Principalmente aquela. A Brasília sob a ditadura.

Então tá aí, Hatoum. Li tudo seu. Your move.
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Cheiro de Livro 29/05/2018

A Noite da Espera
Milton Hatoum conquistou meu coração de leitora com “Dois Irmãos” e desde então tento ler tudo o que ele escreve. Quando vi que ele estava lançando o primeiro volume da trilogia O Lugar Mais Sombrio corri para a livraria e comprei “A Noite da Espera”. Demorei alguns meses para conseguir chegar nele, um pouco por culpa da pilha interminável de livros e um pouco por que não estava no espirito de mergulhar nos anos de chumbo da ditadura militar, mesmo que só na ficção. É interessante como fatos de impõe e os documentos da CIA mostrando que Geisel e Figueiredo sabiam e aprovavam as mortes nos porões da ditadura me empurraram para o livro de Hatoum.

Martim é um adolescente paulistano que com a separação dos pais se muda para Brasília no final dos anos de 1960. Rodolfo, o pai, é um engenheiro que apoia o regime e quer crescer e ser respeitado. Lia, a mãe, se casa com um artista e desaparece da vida do filho, envia algumas cartas apenas. Martim passa seus anos de formação em meio a truculência do Estado e a estudantes que lutam contra uma ordem que seus pais apoiam ou servem.

Todo o livro é contado pelas anotações que Martim fez de um período que vai de 1968 até 1972. São anotações que mostram a discrepância entre o que viviam os jovens de Brasília e seus pais, muitos deles funcionários do governo, mostram também as tensões na UnB. O mais chocante do livro é ver que muita das questões debatidas são de uma atualidade aterradora. As posições políticas, o radicalismo, as duvidas sobre a crueldade do regime, todas questões que deveríamos ter superado e que ressurgem nesse ano eleitoral, infelizmente.

“A Noite da Espera” não é dos melhores livros de Hatoum e ao mesmo tempo é apenas o começo de uma trilogia sobre uma época que não deveríamos esquecer jamais e muito menos tentar apagar todo o seu terror.

site: http://cheirodelivro.com/a-noite-da-espera/
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Betinha 10/01/2018

A noite escura
A resenha de hoje é sobre o magistral “A noite de espera”, romance que abre a trilogia “O lugar mais sombrio”, de Milton Hatoum. É o meu primeiro contato com a obra do autor e estou absolutamente encantada, já querendo ler todos!

Nesse romance de formação, acompanhamos Martim desde os 16 anos, quando seus pais se separam e ele precisa mudar para a recém-inaugurada Brasília. Após vários anos, o jovem está exilado em Paris e rememora trechos de sua vida por meio de anotações, diários, bilhetes e cartas trocadas com mãe, o pai, os avós e os amigos.

“Minhas anotações são um modo de conversar com ela, de pensar nela. Coloquei dentro do caderno a folha de papel dobrada e amassada, com apenas duas palavras: Querida mãe’.
Talvez não lhe conte o que aconteceu entre sexta-feira e ontem.”

Logo no início eu me perguntava: por que esse garoto meio bobo e inocente foi parar no exílio? Não consigo encontrar um momento específico da obra em que Martim desperta para a realidade da ditadura. Ao mesmo tempo em que ele parece consciente dos abusos de poder e do perigo que correm muitos de seus amigos, fica alheio ao comportamento estranho do pai.

Considero cruciais para a evolução do personagem: o motivo da separação de seus pais, seu progressivo distanciamento deles (cada um por motivos diferentes) e a sua amizade com os jovens filhos de funcionários de diversos escalões do governo.

A primeira dica sobre a personalidade do pai é dada no começo do livro.

“Na última visita do tio Dácio à Rua Tutóia, Rodolfo interromper uma conversa sobre poetas e fotógrafos, e disse que o progresso e a civilização eram um triunfo da engenharia. Tio Dácio negou essa frase com sorriso irônico, depois disse que vários engenheiros, médicos e cientistas foram também grandes artistas.”

Os jovens amigos estão envolvidos com diversas manifestações artísticas: teatro, literatura, fotografia... É revelado aos poucos quem cada um deles é e seu papel na resistência à ditadura e às violências diárias vivenciadas pelos personagens.

"Algemou-a e enganchou no pescoço dela o polegar e o indicador, feito uma forquilha. O motorista do Dauphine foi arrastado até a frente da Veraneio, o clarão dos faróis o segava enquanto ele se defendia dos socos e pontapés; a moça magra foi arrastada até o clarão, depois o corpo amolecido e ensanguentado do motorista do Dauphine foi jogado no porta-malas da caminhonete, a moça e os policiais sentaram o banco traseiro e a Veraneio tomou o rumo do bicho do Eixo Rodoviário."

Martim passa por uma prisão, manifestações e tentativas de traição, mas nada parece afetá-lo tanto quanto a ausência de sua mãe. É essa separação o fato mais recorrente na obra. Ele sente tanto sua mãe e isso parece tão incompreensível para o garoto que, até o momento, não compreende porque ela se distanciou.

"Várias vezes me perguntou por que Lina não me dizia onde morava, e essa é a pergunta que eu tenho feito o tempo todo para mim mesmo. O sítio no mato não deve ser um lugar inacessível."

Não quero revelar muito sobre a história porque a maior parte das conclusões às quais cheguei foram construídas durante a leitura e nos dias posteriores a ela. O livro voltou ao meu pensamento diversas vezes por algum tempo. Só posso dizer que mal posso esperar pelos próximos volumes e pela continuidade da história de Martim. Adoro romances de formação e romances históricos e Milton Hatoum falou diretamente comigo em cada página desse livro.

Recomendo muito, muito. Leiam e me contem o que acharam ;)

site: http://pacoteliterario.blogspot.com.br/2018/01/resenha-noite-de-espera.html?m=1
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Jorge 04/11/2018

Decepção!
"Esta minha primeira experiência com Milton Hatoum foi insatisfatória. Peguei o livro empolgado por ele ter vencido o prêmio Jabuti do ano passado e por transcorrer durante o período militar. Infelizmente, os personagens não são desenvolvidos a contento, não me identifiquei ou criei empatia com nenhum. Não me importei com a história contada, pasmem! A leitura é simples, mas falta boa literatura."
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Pateta 16/02/2019

ESCURIDÃO
Conheci a literatura de Milton Hatoum muito recentemente, por meio do romance ‘Dois Irmãos’ - curti tanto que logo comprei outra obra do autor: ‘A noite da espera’. No primeiro livro, a narrativa destacava um drama familiar sobre um fundo sociopolítico apenas delineado. Já neste outro romance, o contexto sociopolítico da ditadura militar de 64 ganha mais relevo – e dialoga de forma surpreendente com os sombrios dias de hoje. Na minha opinião, porém, a densidade e trajetória dos personagens ficou devendo na comparação com o livro anterior. Prós e contras, ainda é um texto que se lê com grande interesse e prazer.
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Wal - Ig Amor pela Literatura 01/02/2019

Ditadura Militar
"A noite da espera" é o primeiro volume da série "O lugar mais sombrio", do Milton Hatoum.

Em plena Ditadura militar, um grupo de jovens vive dias que mesclam descobertas culturais, amorosas e a resistência contra um regime que sufocava seus direitos. Numa UnB fervilhante de ideias revolucionárias, eles enfrentam a censura, a opressão, mas não se entregam...não desistem da luta pela liberdade.

A história é narrada por Martim, um rapaz atormentado pela ausência da mãe, mas eufórico com o primeiro amor e a vontade de gritar contra a ditadura, ainda que o medo mitigue suas forças.

A narrativa se divide em dois períodos: um em Brasília e outro em Paris...leiam!, um Hatoum de primeira linha (todos os livros dele são) - fica agora a espera pelos outros dois.

site: https://www.instagram.com/amor.pela.literatura/
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Poesia na Alma 27/02/2018

fragmentos de um Brasil em transe
Nem tudo é suportável quando se está longe”

Primeiro livro da série O lugar mais sombrio, A Noite da Espera, de Milton Hatoum, Companhia das Letras, é um romance de formação sobre uma mãe ausente, um pai severo, Ditadura Militar no Brasil e Martim, narrador nostálgico e expatriado. Exilado em Paris, o narrador fragmenta sua história entre São Paulo, Brasília e Paris, nos anos de 1960 e 1970, e o golpe da separação familiar.

Um expatriado pode esquecer seu país em vários momentos do dia e da noite, ou até por um longo período. Mas o pensamento de um exilado quase nunca abandona seu lugar de origem. E não apenas por sentir saudade, mas antes por saber que o caminho tortuoso e penoso do exílio é, às vezes, um caminho sem volta

Quando os pais de Martins, Lina e Rodolfo, se separam, ele e o pai saem de são Paulo para morar em Brasília. Longe da mãe e tendo que suportar o ódio do pai “Rodolfo estava enlouquecendo, percebia sintomas de loucura nos gestos e atitudes dele, e me perguntava quem, ou o quê, ele odiava.”, o narrador entra num mar de angústia e depressão no núcleo do caos, Brasília.

http://www.poesianaalma.com.br/2018/02/resenha-noite-da-espera-fragmentos-de.html

site: http://www.poesianaalma.com.br/2018/02/resenha-noite-da-espera-fragmentos-de.html
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Alexandre Kovacs / Mundo de K 02/11/2017

Milton Hatoum - A noite da espera
Milton Hatoum - A noite da espera, volume 1 da trilogia O lugar mais sombrio - 240 Páginas - Editora Companhia das Letras - Lançamento: 27/10/2017.

Ótima notícia para a literatura nacional, Milton Hatoum voltou a publicar e com nada menos do que uma trilogia! Nove anos depois do último livro, "Órfãos do Eldorado", o escritor amazonense muda o foco para as cidades de São Paulo, Brasília e Paris em um clássico romance de formação com início nos anos sessenta, durante os Anos de Chumbo do governo militar.

Este primeiro volume apresenta uma narrativa fragmentada, alternando trechos de diários e cartas do jovem protagonista Martim que, aos dezesseis anos, deixa São Paulo juntamente com o pai para iniciar uma vida nova em Brasilia, depois de uma ruptura traumática do casamento. Martim relembra o seu passado alguns anos depois, já morando em Paris, nos anos setenta, transcrevendo trechos de suas memórias nos períodos de colégio e universidade em Brasília, o aprendizado cultural, político e amoroso, a convivência com um grupo de amigos estudantes de teatro e a criação coletiva de uma revista chamada Tribo, as impressões diante de uma cidade que parece não ter sido projetada pensando em pessoas e na qual, como escreveu Clarice Lispector, "não há por onde entrar, nem há por onde sair". O trecho abaixo demonstra bem o espanto do jovem Martim diante da nossa capital recém-inaugurada.

"A primeira pessoa que conheci na capital se chama Jorge Alegre, é dono de uma livraria e me deu um mapa de presente. Brasília é uma cidade para quem tem asas ou pode voar. O espaço é tão grandioso que diminui os edifícios (blocos) do Eixo Monumental, manchados por um pó vermelho. Escrevo e olho a fotografia que você me deu na Flor do Paraíso: 'Para que se lembre de mim todos os dias'. A viagem durou mais de quinze horas e eu dormi pouco, eu e meu pai dormimos muito pouco. Onde você vai morar? Por que não me deu seu endereço? (...) Meu pai está na Novacap, o escritório de engenharia e arquitetura; disse que vai comprar uma Rural-Willys, não pode viver sem carro em Brasília, e eu não queria viver aqui. Os bairros e avenidas têm siglas com letras e números, me perdi no primeiro passeio pelas superquadras da Asa Sul, parecia que estava no mesmo lugar, olhando os mesmos edifícios. São bonitos, cercados por um gramado que cresce no barro; essa beleza repetida também me confundiu. Tudo confunde, nada lembra lugar algum. O céu é mais baixo e luminoso, e as pessoas sumiram da cidade." - Carta de Martim para a mãe ao chegar em Brasília (Pág. 28)

Na verdade, Brasília ainda é um espaço muito pouco explorado em nossa literatura, não me ocorre agora nenhuma outra obra relevante que tenha utilizado a cidade como cenário. Neste momento político sem esperanças no qual vivemos agora, com a completa desmoralização do Congresso e a acentuada corrosão das instituições, me parece importante lembrar e entender este período histórico tão marcante em nossa formação contemporânea. O próprio Milton Hatoum, que nunca foi um militante partidário, já declarou que não se trata de um romance político e também definiu o momento de formação retratado no livro como uma passagem da ingenuidade para a maturidade nacional, mas que contém muitos elementos autobiográficos.

A desilusão do personagem com o ambiente sombrio em que convive juntamente com os jovens amigos das mais variadas origens sociais, filhos de políticos, diplomatas, funcionários públicos e também de migrantes desfavorecidos e excluídos na pobreza das cidades-satélites, é uma desilusão amplificada pelo seu drama pessoal provocado pelo misterioso afastamento da mãe, Lina, e o convívio forçado com o pai, Rodolfo, um homem amargurado pelo suposta traição e abandono da esposa, deixando a sua infelicidade e frustração criarem um muro intransponível que o separa também do filho e já deixando perceber alguns sinais de uma mente perturbada.

Numa quinta-feira de agosto, quando o campus da UnB foi invadido e ocupado, professores, alunos e deputados da oposição foram espancados e presos, os laboratórios dos cursos de medicina e biologia, destruídos, os animais na mesa de cirurgia agonizaram até a morte, um estudante de engenharia foi baleado na testa... As incursões da polícia ao campus continuaram até o fim do semestre. Nos dias de fechamento da escola, enquanto lia os livros de poesia e teatro emprestados por Jorge Alegre, uma sombra passava pela sala, perscrutava meu quarto e sumia no corredor. Só no dia 14 entendi o motivo do júbilo paterno: o Ato Institucional número 5. Nesta última semana de dezembro, Rodolfo empilhou revistas e jornais na mesa da sala e recortou fotografias do rosto de buldogue pelancudo do marechal Costa e Silva; coleciona rostos militares e civis (o ministro da Justiça que redigiu o AI-5, magistrados e políticos bajuladores) e rasga com raiva as fotos de políticos cassados. A mesa da sala ficou coberta de imagens de heróis do meu pai, e o chão repleto de rostos de papel, cortados em tiras finas, como serpentinas de uma festa macabra. Tive uma vaga consciência de que Rodolfo estava enlouquecendo, percebia sintomas de loucura nos gestos e atitudes dele, e me perguntava quem, ou o quê, ele odiava. (Pág. 55)

Neste primeiro volume da trilogia ainda não fica claro quais motivos levaram Lina, a mãe de Martim, a abandonar o filho e deixá-lo sem notícias, assim como o paradeiro de seus amigos da revista Tribo e a transição da difícil vida em Brasília, assombrada pela repressão policial, até os seus dias em Paris. Para isso, os leitores de Hatoum terão que esperar o lançamento dos outros dois volumes da série com previsão de lançamento para o segundo semestre de 2018 e 2019, respectivamente. Não será um período tão longo depois de um jejum de nove anos sem livros do autor. Ah sim! A linda capa é uma reprodução de Marcos VIlas Boas da pintura "A noite da espera nº 5" de Guilerme Ginane, óleo sobre papel de 2017, um presente do artista especialmente para esta edição.
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Caboclo do Norte 09/01/2018

"Primeiro volume da trilogia O lugar mais sombrio, A noite da espera, vem em momento que só mesmo a ficção parece capaz de jogar luzes sobre a realidade. Hatoum recorre às memórias pessoais da curta vivência em Brasília, no fim dos anos 1960, para dar à luz um drama familiar cujo pano de fundo é a repressão da ditadura militar.

O primeiro volume gira em torno das experiências culturais e amorosas de Martim, que se muda de São Paulo para Brasília com o pai, recém-separado da mãe. Em primeira pessoa, a história é contada em tempos diferentes: o vivido, na Brasília de 1968, ano de repressão, protestos e prisões de estudantes; e o revisto, na Paris de 1978, quando o paulista revisita sua própria história em rascunhos e memórias datilografadas."

RENAN DAMASCENO
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Luiz 31/12/2017

A longa espera da minha obsessão
Nunca duvidei que a alma de Brasília estaria na mistura entre arquitetura, imigração e política. E sempre acreditei que só a literatura explicaria essa alquimia.

Comecei a ler ?A Noite da Espera? com essa expectativa. Mas quando terminei vi que ainda não foi dessa vez que alguém conseguiu desvendar esse segredo.

Em entrevista que concedeu ao Estadão, Hatoum explica que o livro foi um resgate do próprio passado, a partir das lembranças de quando estudou em Brasília no final dos anos 60.

Se foi mesmo, bom pra ele. Literatura muitas vezes mesmo é voltada para dentro.

Mas eu pelo menos fiquei na mesma. O livro em nada me ajudou a responder as perguntas que me intrigam desde que cheguei por aqui. Obsessão que durante anos compartilhei com alguns amigos ? intrigados como eu. Mas que hoje parecem indiferentes a eles hoje em dia. Talvez Clarice estivesse certa quando escreveu que essa cidade pensada não passa de ?um passado esplendoroso que já não existe mais?.

De qualquer forma, achei a narrativa seca. Os personagens secos. Um visão seca do passado.

Será que era isso mesmo? Ou o autor que não teve paciência pra procurar um pouco mais de sensibilidade nos personagens e fatos daqueles tempos?

No começo de uma cidade onde tudo era possível.

Definitivamente Collor e Dilma, citados no livro, não são o espelho pra refletir a sensibilidade daqueles tempos.
vmcataldi 01/01/2018minha estante
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Jorge 04/11/2018minha estante
Concordo que faltou sensibilidade no desenvolvimento.




Sonia.Bercito 07/01/2019

A noite da espera
Esperava mais. Romance de formação que se passa em Brasília durante o endurecimento regime militar. Achei alguns personagens um pouco estereotipados e faltou um pouco mais de emoção para tempos tão turbulentos. Mas pretendo seguir com a trilogia. Talvez fique mais clara alguma passagem ou personagem.
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Thiago Barbosa Santos 18/09/2018

Parte 1
Milton Hatoum é o maior escritor brasileiro da contemporaneidade. O amazonense é autor de grandes preciosidades da nossa literatura nas últimas duas décadas: “Dois Irmãos”, “Órfãos do Eldorado”, “Relato de um Certo Oriente”, "Cinzas do Norte" entre outros. São obras em que traz um retrato minucioso do cotidiano de Manaus, cidade natal dele.

No livro mais recente publicado por Hatoum, “A Noite da Espera”, o cenário é outro. A história se passa em São Paulo, Brasília e Paris e tem como pano de fundo um dos períodos mais sombrios de nossa história, a Ditadura Militar.

“A Noite da Espera” foi publicado em outubro do ano passado e é o primeiro livro de uma trilogia chamada “O Lugar Mais Sombrio”. O segundo está previsto para ser lançado ainda no primeiro semestre de 2019. A narração é feita através das anotações de Martim, personagem principal.

Martim vive em Paris (provavelmente exilado) por conta do Regime. Ainda jovem, em São Paulo, os pais deles se separaram e ele foi viver com o pai em Brasília. Rodolfo era um engenheiro simpatizante da ditadura e tinha uma relação distante e conflituosa com o filho. Mesmo vivendo na mesma casa, os dois mal se falavam, mas brigavam constantemente. A mãe de Martim largou o marido e o filho para viver com um artista. Saiu de cena da vida do filho, de vez em quando se comunicava por cartas.

Martim ingressou na Universidade de Brasília para estudar arquitetura. Entrou no teatro e com os amigos passou a editar a revista Tribo, publicação que falava sobre artes, literatura, cultura em geral, e claro, era contra a ditadura. Logo começaram a ser perseguidos, censurados. O pai de Martim foi morar sozinho com a nova esposa em um local mais nobre da cidade e também passou a ter pouco contato com o filho.

A primeira parte da trilogia se encerra com os amigos de Martim sendo presos e ele fugindo de Brasília. Gostei muito do material. Um retrato muito bem delineado deste período nebuloso de nossa história. Nesta semana, Hatoum foi premiado com o Juca Pato 2018 pela publicação.
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Na Literatura Selvagem 19/12/2017

Minha estreia com a escrita de Hatoum
Recentemente lançado pela Companhia das Letras, o primeiro livro da trilogia O lugar mais sombrio, do escritor manauense Milton Hatoum é um romance de formação ambientado na época da Ditadura militar aqui no Brasil. A noite da espera é sobre os anos em que o personagem Martin passa a viver com o pai em Brasilia, após a separação deste com sua mãe, que havia deixado o casamento para viver um amor com um artista.

O narrador nos relata suas memórias durante esse período, seus amores, o contexto político que fervia no país naqueles anos, bem como o envolvimento de seus amigos com a revolução anti-militarista. Conhecemos a vida de Martin pelo seu ponto de vista desde os anos de escola até o momento em que ele ingressa na faculdade.

leia mais em

site: http://torporniilista.blogspot.com.br/2017/12/a-noite-da-espera-primeiro-livro-da.html
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Renato Zanotte 17/12/2017

Resenha no site O Que Tem Na Nossa Estante
http://www.oquetemnanossaestante.com.br/2017/12/a-noite-da-espera-resenha-literaria.html?m=1
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Fernando 06/01/2018

Mergulho no passado - alerta para o futuro
A conexão com o novo romance de Milton Hatoum foi imediata. Bastaram umas poucas páginas para que eu me visse transportado para um cenário muito familiar: meus anos na universidade, em tempos de ditadura militar. É verdade, meu curso de graduação coincidiu com o último dos governos militares, o período da 'abertura'. Ainda assim, testemunhei o clima de desconfiança, às vezes medo, em que transitávamos pelo campus, que se dizia infestado de dedos duros e em que até pessoas politicamente neutras e inexpressivas podiam tornar-se vítimas casuais da repressão. Ao contrário de minha vivência - em que os estudantes voltavam a sair das sombras e a enfrentar a ditadura (então, já não tão dura) e em que respirávamos alguma esperança de dias melhores - Milton Hatoum descreve o período em que o país submergia de vez na ditadura, com a edição do Ato Institucional número 5, que sequestrou, de vez, a liberdade de expressão no Brasil. Infelizmente, o romance traz também um alerta não explícito: o clima que vivemos, hoje, no Brasil será o prenúncio de um novo período ditatorial? Leitura cativante.
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