A Ilha do Dr. Moreau

A Ilha do Dr. Moreau H. G. Wells




Resenhas - A Ilha do Dr. Moreau


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Anderson.Rios 15/09/2020

Essa é a lei, ninguém escapa
Um dos diferenciais do Wells é sua narrativa ilusionista e imaginária. Ele consegue fazer a narrativa aparecer despretensiosa, pura, real. Mesmo, ou principalmente, em seu absurdo. Impulsionado pelas narrativas de desbravamento marítimo o autor narra a história (a clássica narrativa em diário) de um homem naufrágado, que vai parar em um navio, salvo por Montgomery, e acontecimentos que fazem ele ir parar em uma ilha, a qual seu salvador levava animais. Esses animais servem de experimentos do Dr Moreau, a quem Montgomery segue ordens. Na ilha as coisas começam a dar errado. As coisas por isso só tinham esse caminho: a tragédia. (talvez mesmo sem o protagonista, o à história tomaria o mesmo rumo). Dr Moreau, que assim como Viktor Franksteim procura na ciência formas de ser um criador, ou melhor para esse caso, um reconstrutor. Desmembra animais, cria e recria, une, constrói e destrói. Da a eles conceitos humanos, pernas, braços... linguagem. Os torna sem imagem, e a pouca semelhança do homem que já é incompleto.

A narrativa é simples, mas o autor tem sim intenções nessa suposta despretensão. Os personagens são extremamente alegóricos, o narrador suscetível a quebra desse absurdo, sendo representante da histéria de qualquer humano ao ver as atrocidades do Dr. Moreau. Os animais, dominados pela imposição metafísica feita pelo seu mestre, são alegóricos aos humanos em inúmeros aspectos, alguns bem claros na narrativa e outros menos explícitos.



Meu ponto principal a detalhar é como a linguagem é marcada como meio do pensamento, o diferencial, o estopim para o começo e o fim da vida dos personagens (ou o começo é o fim de cada um na narrativa). O Dr Moreau, não chega a ser o foco da obra, nem a ilha, ou o protagonista, acredito que nem os animais; a despretensão do autor eleva a obra a um caracter alegórico, e a maior alegoria, é a própria alegoria, a linguagem, nosso verdadeiro mestre, essa é a lei, ninguém escapa.
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Carla 19/09/2020minha estante
tá errada a nota




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Carla 19/09/2020minha estante
tá errada a nota




Davi Busquet 08/09/2020

A ciência antiética de Moreau
Não muito distante cronologicamente da Teoria da Evolução das Espécies, de Charles Darwin, em 1859, “A Ilha do Doutor Moreau” (1896), de H.G. Wells, não só aproveitou o tema em uma narrativa tensa, instigante e cheia de reflexões, mas também traduziu o gênio visionário de Wells em uma obra que antecipou por mais de um século a tecnologia de manipulação e engenharia genética.
Na trama simples e objetiva, contudo rica em muitas das controvérsias vigentes na época (e até hoje) — os limites éticos da ciência, a fundamentação de experimentos, a prepotência e autodivinização de cientistas e a fronteira entre o humano e o animal —, o personagem principal se depara, em suas viagens, com uma ilha misteriosa e isolada, onde animais são combinados e operados pelo inescrupuloso Doutor Moreau, de modo a constituírem híbridos com características e expressões humanas, cuja visão acerca de seu criador é um misto de medo e adoração.
Ao contrário do conceito “acidental” e imprudente de Victor Frankenstein, de Mary Shelley (1823), Moreau mergulha no negligente e egocêntrico, experimentando sem pudor e punindo com torturas e mutilações os seres que, do seu ponto de vista, divergem do “normal” e humano. Através de um personagem são, contudo praticante de atos insanos, Wells mostra como o isolamento da ciência de noções morais e éticas pode levar à ineficiência — ou seja, em como ela pode se tornar uma coleção de atos vazios, despropositados e que inevitavelmente, além de não gerar frutos para a humanidade, desprezam os valores que ajudaram a erguer o mundo como ele é hoje.
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Carla 15/08/2020

Wells parece nos fazer alusão de que o homem é um animal, com os mesmos instintos de qualquer outro animal, porém se considera superior pela sua capacidade de linguagem e pensamento e nesse caso em específico pelo domínio da ciência. Esse livro retrata muito bem o complexo de Deus de alguns homens que se acham no direito de brincar com vidas apenas para satisfazer suas curiosidades. Moreau é um dos personagens mais desprezíveis que eu já li, sua arrogância e crueldade por se achar melhor que todos e se achar superior às demais vidas, torturando por puro capricho e ego me deixaram realmente incomodada. No mais, devo dizer que Wells está acabando com minha vida de leitora, pois não consigo achar nenhuma outra história, que não seja escrita por ele, interessante.
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Thamiris 25/07/2020

Bom livro
O livro é bem escrito, possui críticas bem definidas, porém não foi uma história que me prendeu logo no início. Não achei a história muito empolgante mas com o decorrer do livro ela vai criando forma e finaliza muito bem.
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Daubian 09/07/2020

Eu como biólogo fiquei impactado com a representatividade dos personagens. Queria muito que se encontrassem o Montgomery deste livro com o Montgomery Montgomery do Desventuras em série. O livro é muito surpreendente com questões bem relevante (isso q ele foi escrito no século 19). Algumas imagens são bem intensas e o ritmo é bem angustiante. Você sente a tensão. Como ficção científica não é exatamente realista, mas é absolutamente interessante e impactou diversas histórias no futuro. Excelente escritor e excelente livro
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Aline 09/07/2020

A história se passa em uma ilha, onde um cientista resgatado de um naufrágio acaba encontrando um pesquisador que pratica a vivissecção em animais com um propósito de criar algo novo. Extremamente impactante e perturbador
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Albert Lucas 03/07/2020

Um livro crítico
H.G. WELLS nasceu em 21 de setembro de 1866, em Bromley, Kent, e morreu em Londres, em 1946. Filho de um pequeno comerciante, teve de trabalhar desde cedo para ganhar a vida. Em 1883, conquistou um posto de aluno e professor-assistente na Midhurst Grammar School e, em seguida, obteve uma bolsa para estudar com o cientista e humanista Thomas Huxley. Chegou a dar aulas de biologia antes de se tornar jornalista e escritor profissional. Wells escreveu mais de uma centena de livros, entre romances, ensaios e textos educacionais. Nos últimos anos do século XIX, publicou obras que se tornariam pioneiras da ficção científica: A Máquina do Tempo (1895), A Ilha do Doutor Moureau (1896), O Homem Invisível (1897) e A Guerra dos Mundos (1898). No início do século XX tornou-se um defensor do socialismo e do progresso científico, além de um incentivador da igualdade de direito entre homens em mulheres.

De longe a ilha do Dr moreau é o melhor de todos os livros do HG Wells. E nessa história somos apresentados a vivissecção o que me deixou traumatizado. Recomendo a todos que após essa resenha pesquisem vivissecção no Google e olhem as imagens.

O enredo deste livro em si é bem fraquinho, o que torna a Ilha do Doutor moreau um livro atemporal são as discussões que ele traz sobre vários assuntos como críticas à religião, ao imperialismo inglês, a bioética e os limites onde a ciência pode ir. O livro também aborda tortura aos animais e discute sobre o que faz de fato um homem ser racional, e se dependendo das circunstâncias ele pode chegar ao seu lado animalesco. Adianto que o final é trágico e a humanidade não alcança redenção.

Não dá pra comentar muito sobre a história sem revelar algum spoiler mas a trama tem seus mistérios, não é a obra prima do terror e suspense, porém se você pescar as críticas levantadas pelo autor, sua experiência com a leitura será beeem melhor. Recomendo.
Nota:4.
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EduardoCDias 25/06/2020

Uma ilha
Um náufrago é recolhido no mar e levado à uma misteriosa ilha onde faz-se algumas experiências horripilantes com animais. Um clássico da ficção.
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Rolinzinha 17/06/2020

Aventura acelerada.
A história ganha um ritmo acelerado e a escrita dimples permite a fluidez na leitura. Um mundo fantástico empacotado numa aventura tão real, atual e humana. Leiturinha boa de fim-de-semana.
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Larissa.Carvalho 14/06/2020

Um livro que ecoa muitos outros
Curto e com uma escrita extremamente fluida, A Ilha do Dr. Moreau é um livro que pode ser devorado em poucas horas, mas que esconde muitas qualidades atrás de sua aparência despretensiosa.

O livro é, basicamente, uma narrativa em primeira pessoa de Prendick, que após ver o navio em que estava naufragar, acabou sendo salvo (duas vezes) por um homem que o conduziu a uma ilha macabra.

Embora o começo engane, por seu clima típico de romances de aventura, não demora muito para que o lado sombrio da história comece a surgir e a predominar nas páginas, aos poucos "escurecendo" a atmosfera, e dando o ar necessário a uma ficção científica desse peso.

A escrita em primeira pessoa nos permite compartilhar os sentimentos com o protagonista, que adiciona suas próprias impressões à narrativa. A estupefação e incredulidade de Prendick diante do que aos poucos descobre também cumpre o papel de nos lembrar constantemente do absurdo da história, que as vezes, por estarmos acostumados a ler esse tipo de obra, esquecemos. Também por ser um relato pessoal, o livro não se estende em grandes explicações científicas sobre o que é retratado, nem se propõe a contar além do que é necessário. Ainda assim, acredito que H. G. Wells tenha dito tudo que era necessário.

Ao ler esse livro, é impossível não lembrar de muitos outros. Em passagens diferentes, há ecos de Planeta dos Macacos, A Revolução dos Bichos, O Senhor das Moscas e os contos de robô de Asimov. Talvez porque a pergunta que me pareceu central a esse romance seja também a mesma que move a tantos outros: a final, o que diferencia os humanos de todos os outros seres vivos? O que temos de tão especial?

A existência das Leis, que apesar de severamente fiscalizadas e punidas são constantemente transgredidas, ressoa também a vida real. Podemos pensar em Deus, no Estado ou na sociedade, mas independentemente disso, o fato é que H. G. Wells se mostra um tanto Hobbesiano, ao assumir que a animalidade - aqui empregada com um juízo de valor negativo - sempre irá sobrepujar a civilidade.

De certa forma, esse romance é também um retrato de sua época. O final do século XIX era um período no qual a teoria da evolução encontrava-se difundida nos circuitos de ciência amadora, mas no qual ainda não sabia-se o que causava a "conversão" entre espécies. Enquanto mecanismos como transmutacionismo e a lei dos caracteres adquiridos eram muito populares, muito se questionava sobre a plasticidade dos seres vivos. A perda do status divino do ser humano, que acompanhou a aceitação da teoria da descendência comum universal de Darwin, torna também compreensíveis e oportunos os questionamentos de H. G. Wells.

Assim, não consigo deixar de ver A Ilha do Dr. Moreau como uma intersecção entre várias narrativas de sucesso, uma rodovia principal pela qual diversas ficções científicas acabam passando no caminho ao seu destino final. Um livro que, embora transborde coerência histórica, traz questões atemporais, e assim, merece ser lembrado e lido por séculos a fio.
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Anjos 07/06/2020

Impactante.
Li o livro há muito tempo, mas a história ficou comigo, ouvir o áudio foi tão impactante quanto. O paralelo entre bestas e homens continua.
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dmartinsc 03/06/2020

Uma experiência diferente
Finalizei a leitura do livro "A ilha do doutor Moreau" de H.G. Wells e infelizmente não tive uma boa experiência. A história se passa em uma ilha onde um cientista expulso da Inglaterra realiza suas experiências em animais. Através da dor da vivissecção o cientista tenta transformar os animais em humanos, mas acaba gerando pobres bestas que tiveram sua natureza animal arrancada e são ensinados a serem humanos. Mas a natureza sempre tenta retomar a sua forma e aos poucos as bestas voltam aos seus instintos animais.
Compreendo as diversas críticas que H.G. Wells faz ao expor a dor dos animais, o ego e insensibilidade de Moreau, e a ironia dos animais acreditando em Moreau e suas leis como este fosse Deus, seu criador e aquele que machuca, que traz a dor.
Com toda a genialidade de H.G. Wells em escrever uma história tão crítica e cruel, eu que sou apaixonada por animais me senti perturbada durante toda a leitura deste livro. Não foi uma experiência que estou acostumada quando leio um livro, mas certamente foi marcante e portanto aplauso o escritor.

"Antes, eles haviam sido animais, com instintos perfeitamente adaptados ao seu meio e tão felizes como seres vivos podem ser. Agora, tropeçavam nas correntes da humanidade, viviam num medo que nunca se dissipava, aflitos por uma lei que não podiam entender; sua paródia de existência humana, iniciada em agonia, era uma longa batalha interna, sob a ameaça de Moreau... e para quê? Era o caráter deliberado da coisa que me perturbava."

site: https://www.instagram.com/p/CA-1P0bJTKN/
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Duchesse 24/05/2020

Perturbador
O livro é perturbador; chega a ser desagradável em alguns trechos, mas é imperdível! Ele me remeteu ao filme "A carne que habito", de Pedro Almodóvar, que é o filme mais cruel que já vi.

Várias "leituras" podem ser feitas: a humanização dos animais concomitante à desumanização dos humanos; a subjugação pelo medo e pela dor ("quem desobedecer à Lei, vai para a Casa da Dor"), a inevitabilidade da nossa natureza (não se pode fugir daquilo que somos ("a carne teimosa dos bichos"); a criatura que se vira contra seu criador; a manipulação da forma, o ser humano que brinca de Deus e acaba criando seres à sua imagem e semelhança: um ser monstruoso que cria monstros (nesse sentido, o livro me fez pensar no "Frankenstein" de Mary Shelley).

No entanto, o que mais me marcou e perturbou foi a crueldade gratuita e inútil, o sadismo, a indiferença diante da dor do outro, a dor pela dor, a dor inútil, a dor racionalizada para se tornar "aceitável", a dor sem objetivo, sem porquê.

"O pior sofrimento é aquele ao qual não conseguimos dar um sentido".
Ari 26/05/2020minha estante
Será meu próximo livro de Wells.




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