As Brumas de Avalon

As Brumas de Avalon Marion Zimmer Bradley




Resenhas - As Brumas de Avalon


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Robson.Borges 13/07/2019

As Aventuras Arturianas do ponto de vista feminino
Sempre ouvimos falar do Rei Arthur, Merlin, Lancelot, Camelot, Excalibur e outros termos das histórias Arturianas. Por outro lado, já vimos uma tal Morgana ser marcada como uma bruxa má.

E se as histórias que conhecemos fossem contadas por outras pessoas?

Esse livro traz as tais Aventuras Arturianas contadas por mulheres como Vivien, Morgana, Igraine, entre outras. Entre Cristãos e Pagãos, o mundo real e o místico, entre famílias, as histórias são contadas através das tramas femininas para interferir nos acontecimentos.
Cercado de suspense, mistérios, reviravoltas, o livro tem muitos outros aspectos que nos deixam intrigados pra saber como continua.
Morgana não é só uma bruxa, ela é muito inteligente, astuta e precisa nas suas ações. Vale a pena ler e descobrir essa abordagem sobre sobre as histórias que sempre ouvimos ser contadas por homens.
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Vanessa Vieira 31/03/2019

As Brumas de Avalon - Marion Zimmer Bradley
O livro As Brumas de Avalon, da americana Marion Zimmer Bradley, nos traz uma saga fantástica espetacular que narra as lendas arturianas sob o ponto de vista feminino, carregada de misticismo, aventura, magia e paixão. Publicado, inicialmente, em quatro volumes, nesta nova edição da Editora Planeta temos acesso a obra completa e, apesar das quase mil páginas, a trama é fluída, envolvente e extremamente contagiante.

Através dos séculos, a lenda do Rei Arthur e dos Cavaleiros da Távola Redonda permeou o imaginário de leitores de todo o mundo, além de ter sido pano de fundo para inúmeras adaptações, tanto no teatro quanto no universo cinematográfico. Marion Zimmer Bradley, por meio de uma escrita arrebatadora e rica de misticismo e magia, reconta o mito que permaneceu vivo por milhares e milhares de gerações, nos apresentando personagens fortes, destemidas e repletas de valores e tradições.


Em As Brumas de Avalon, descortinamos os míticos reinos de Camelot e Avalon e adentramos toda a magia e o espírito de aventura que os circundam, desde batalhas sangrentas, brigas ferozes em prol do poder como até mesmo o culto à Deusa e as paixões inebriantes em volta das fogueiras de Beltane. Dividido em quatro partes - A Senhora da Magia, A Grande Rainha, O Gamo Rei e O Prisioneiro da Árvore -, temos um panorama histórico primoroso e somos agraciados com um núcleo de mulheres fortes, complexas e destemidas, que acabam por tomar o primeiro plano da história. Narrado em primeira e terceira pessoa por Morgana, o livro se mostrou uma leitura monumental, tocante e incrivelmente fantástica, nos trazendo uma releitura apaixonante e talentosamente impressionante.

Morgana, sem sombra de dúvidas, é a minha personagem favorita da saga. A história se inicia em sua juventude, quando ela é separada do irmão que tanto ama, Arthur, e é encaminhada para se tornar uma sacerdotisa em Avalon, ao lado de sua tia Viviane, a Dama do Lago. Acompanhamos todas as suas descobertas, experiências, paixonites e, acima de tudo, como sua vida foi miraculosamente manipulada em prol da Deusa. O despertar da jovem para a vida adulta não foi tão doce e suave quanto ela imaginava e Morgana acaba passando por inúmeras provações e desilusões, que acentuaram ainda mais o seu caráter e a tornaram uma mulher forte, guerreira e audaciosa.

"Em meu tempo, fui chamada de muitas coisas: irmã, amante, sacerdotisa, sábia, rainha. Na verdade, eu me tornei, sim, uma sábia, e pode chegar um tempo em que estas coisas devam ser conhecidas. Mas, sinceramente, acredito que serão os cristãos a contar a última história. Cada vez mais o mundo das fadas se afasta do mundo sobre o qual o Cristo estende seus domínios. Não tenho desavenças com o Cristo, apenas com seus padres, que chamam a Grande Deusa de demônio e negam que ela tenha um dia sido poderosa neste mundo. Na melhor das hipóteses, dizem que o poder dela vinha de Satã. Ou a vestem com o manto azul da Nossa Senhora de Nazaré, que de fato teve poder, à sua maneira, e dizem até que era uma virgem. Mas o que sabe uma virgem a respeito dos sofrimentos e das labutas da humanidade?"

Viviane, a Dama do Lago, é uma mulher forte, imponente e que faz cumprir a palavra da Deusa sobre a terra, custe o que custar. Ela ama Morgana como uma filha e faz de tudo para que ela se torne sua substituta em Avalon, mesmo sabendo que chegará um dia em que a jovem a odiará com cada fibra de seu ser. Igraine, mãe de Morgana e Arthur, é uma mulher doce e forte, que herdou fortes dons de Avalon, apesar de suplantá-los em busca de uma vida mais calma e domesticada. Tal como acontece com sua filha primogênita, ela também se vê como um instrumento nas mãos da Deusa; uma hora recebendo maravilhas e presentes do destino e, em outros momentos, vendo tudo que ama sendo tomado com dor e sangue de suas mãos, o que acaba colocando em xeque-mate sua fé e, até mesmo, sua própria existência.

"As lágrimas que as mulheres derramam não deixam marcas no mundo."

Morgause, a irmã caçula de Igraine e Viviane, é uma mulher extremamente bonita, ardilosa e fogosa. Ambiciosa e sagaz, ela representa o lado escuro da Deusa e usa de todos os artifícios possíveis para se dar bem, mesmo que tenha que sacrificar a felicidade de várias pessoas para isso. Gwenhwyfar - esposa de Arthur e que forma um triângulo amoroso entre ele e seu fiel escudeiro, Lancelote - , é uma das figuras mais insossas da trama. Extremamente puritana, ela não percebe que sua cegueira religiosa está semeando a discórdia e a dor por toda a Camelot e, por conseguinte, cerceando a sua própria felicidade.

Arthur surge na trama como um rei imponente, justo e de palavra - características essas que o sagraram em uma verdadeira lenda. Entretanto, ao longo do enredo, ele acaba perdendo suas virtudes para agradar Gwenhwyfar, esquecendo-se da promessa feita à Avalon ao receber Excalibur das mãos da Deusa. Forte e correto, ele se mostrou digno de arrependimento e amor, mas confesso que eu esperava um pouco mais deste personagem. Lancelote, filho de Viviane, foi o primeiro amor de Morgana e o homem que quase a fez largar todos os seus projetos e ambições. Entretanto, ao avistar Gwenhwyfar nas leves brumas que separavam Avalon do resto do mundo, ela se tornou a paixão de sua alma. Entretanto, não demora muito para ele descobrir que a jovem foi prometida em casamento para o Rei Arthur, o que o coloca face a face entre a lealdade para com seu melhor amigo e líder e o desejo abrasador de seu coração.

"Meu amor por você é uma prece. E amor é a única prece que sei."

Em síntese, As Brumas de Avalon é um livro espetacular e leitura obrigatória para quem aprecia uma boa história de fantasia e magia. Revisitando a lenda do Rei Arthur com maestria e jogando nova luz a antigos personagens, a trama brilhantemente criada por Marion Zimmer Bradley nos traz um romance épico repleto de magia, ambição, lealdade e feitiçaria, fazendo uma verdadeira ode às antigas religiões que cultuavam a Deusa e também aos druidas e a todo o universo celta. Em 2001, foi feita a adaptação homônima da saga de Bradley, impecavelmente estrelada por Anjelica Huston, Julianna Margulies e Joan Allen, dentre outros atores. O filme, que até então foi produzido como uma minissérie pela BBC, sintetizou bem o teor do enredo com suas três horas de duração, apesar de algumas leves modificações entre a trama original. A capa do livro é belíssima e nos traz a imagem de uma sacerdotisa sob a posse da Excalibur em meio a relva de um rio e a diagramação está bem caprichada, com fonte em bom tamanho e revisão de qualidade. Recomendo, com certeza!


site: http://www.newsnessa.com/2019/03/resenha-as-brumas-de-avalon-marion.html
Bah Peruchena 01/04/2019minha estante
Muito bom, os 4 volumes são fantasticos




Bianca (@fallandfox) 24/03/2019

Eu considero esse livro uma jornada completa, digo isso pois passei um ano desfrutando do prazer de fazer essa leitura. Descobri esse livro por meio de um grupo de leitura de calhamaços do @literariafarofa
Lados positivos:
?E muito interessante observar a história de Camelot pelo ponto de vista das mulheres da vida do rei Arthur.
?A personalidade de cada uma das mulheres é refletida nos capítulos o que acabou me cativando bastante.
Lados negativos:
?Os personagens tomam decisões em vários momentos que me davam raiva por mesmo conhecendo pouco sobre a história do rei Arthur eu já conseguia prever a tragédia.
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Lethycia Dias 19/03/2019

Fascinante!
Quem daria importância para as preocupações de mulheres isoladas em castelos enquanto os homens estão na guerra? A lenda do Rei Artur, que trouxe paz à Grã-Gretanha, não considerava isso. Mas é pelos olhos das mulheres que conhecemos uma versão dessa história em "As Brumas de Avalon", com os pontos de vista de Igraine, Viviane, Morgana, Gwennhwyfar, Morgause, entre outras.
Enquanto o reino está em constantes guerras contra os saxões, há o conflito entre o cristianismo e a antiga religião tradicional, matriarcal e de culto à terra, centrada na ilha mágica de Avalon, que aos poucos vai desaparecendo. Padres se tornam cada vez mais influentes, demonizando as sacerdotisas e os druidas que antigamente tinham prestígio nessa terra.
É pelo ponto de vista das mulheres que acompanhamos esses conflitos, o estabelecimento de paz numa região ameaçada, durante um período marcado por profundos contrastes culturais. As mulheres criadas por Marion Zimmer Bradley tramam, conspiram, manipulam e influenciam, sofrem a dominação patriarcal e as consequências do próprio orgulho e ambição.
As Brumas de Avalon tem uma narrativa deliciosa, as vezes em tom de lenda, muito precisa ao abordar pequenos conflitos e como eles aos poucos causam grandes traumas. A maior causa de sofrimento para os personagens parece ser a impossibilidade de realizar os próprios desejos. É uma saga fantástica, muito bem escrita e com grandes personagens que as vezes amamos e as vezes odiamos.

site: https://www.instagram.com/p/BvK2c_0A8ON/
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Marise.Correia 17/03/2019

Cansativo, chato e raso
Contar a história das lendas de Artur pelo ponto de vista das mulheres poderia ser algo grandioso e talvez seja isso que tenha dado tanta fama ao livro. Mas é um livro longo, que não conta nada, não desenvolve nenhum personagem. Todas as mulheres são neuróticas - eu esperava mulheres fortes e não mulheres que só falam da beleza ou da falta de beleza uma das outras. Os homens são fracos e tolos. Artur é dito como o grande rei, mas é sempre descrito como fraco e seu poder se resume ao poder da espada e de Avalon. A história poderia ser contada em 300 páginas. Era só tirar os pensamentos tolos de Gwenhyfar, as elucubrações de Morgana e os questionamentos de Igraine que, pronto... ficaria menos chato. Não entendo por que é considerado esse clássico todo. Não achei nada de mais.
BG. 17/03/2019minha estante
Por isso eu disse que num ia perder tempo com isso hahahaha




Patrícia 01/03/2019

Favorito da vida.
Perdi as contas de quantas vezes reli As Brumas de Avalon ao longo dos anos, se três ou quatro vezes. A primeira vez ainda era adolescente e, apaixonada como sempre fui pelas lendas arturianas, tornou-se meu livro favorito. Ao concluir mais essa releitura, finalizo, como sempre, maravilhada, encantada, tocada, profundamente sensibilizada por todo o enredo, personagens e com a certeza de que continua sendo meu livro favorito da vida. Que fascinante ver, viver (porque a história fica tão intrincada em nós que é como se tivesse sido uma daquelas mulheres, rs...) a história do Rei Artur pelo ponto de vista de mulheres tão complexas e humanas. E triste perceber como a fé e a intolerância parecem "andar de mãos dadas" desde os primórdios. Que fantástica jornada a de Viviane, a Senhora do Lago, Igraine, Gwenhwyfar (talvez nessa releitura consegui compreendê-la melhor) Lancelot, Artur, Merlin e Morgana. Ah, Morgana das Fadas, tantos erros, tantos acertos, tão poderosa, mas tão humana... uma das minhas personagens favoritas da literatura.
Um clássico. Épico.

“As lágrimas vertidas pelas mulheres não deixam marcas no mundo.” A Grande Rainha – Livro 2
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SsCleo 16/08/2018

Simplesmente maravilhoso..
Um bom livro, sentirei saudades de Morgana..
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Ali 04/08/2018

As Brumas de Avalon
Melhor livro da vida! ?
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Gisele @abducaoliteraria 15/04/2018

Sabe aquela história que desperta a sua curiosidade há tempos, mas sempre acontece alguma coisa que te impede de ler? Como por exemplo, ser extremamente difícil encontrar as edições físicas da obra, mesmo em sebos? Durante muito tempo, foi assim com As Brumas de Avalon. Até que no final do ano passado, eu me deparei com a arte divulgada pelo artista Simonetti, falando sobre a nova edição que seria lançada aqui no Brasil. Foi o suficiente para me empolgar e me fazer parar com as buscas. Em novembro, a editora Planeta lançou uma única edição com os 4 livros (um calhamaço delicioso), em capa dura, com uma ilustração linda e a edição bem caprichada, como um clássico da fantasia merece.

As Brumas de Avalon reconta a lenda Arturiana sob o ponto de vista exclusivo das mulheres, explorando o lado mágico e mitológico da história. Uma das figuras centrais da trama é a famosa Morgana das fadas, filha de Igraine, irmã da Senhora do Lago de Avalon, e Gorlois, duque da Cornualha. Ela também é a meia irmã de Artur, que nasceu do casamento posterior de Igraine com Uther, o rei Pendragon. Morgana, na qual quase sempre é representada como uma personagem obscura e má, ganha voz e mostra a sua compreensão das coisas, sua luta para manter viva as suas crenças, e como é mal interpretada por isso. Com uma personalidade afiada e um tanto irônica, Morgana erra e acerta diversas vezes, mas nunca desiste do que acredita.

"Em meu tempo, fui chamada de muitas coisas: irmã, amante, sacerdotisa, sábia, rainha. Na verdade, eu me tornei, sim, uma sábia, e pode chegar um tempo em que essas coisas devam ser conhecidas. Mas, sinceramente, acredito que serão os cristãos a contarem a última história. Cada vez mais o mundo das fadas se afasta do mundo sobre qual o Cristo estende seus domínios".

Outras personagens que ganham bastante destaque durante a narrativa são Igraine, Viviane (A Senhora do Lago), Morgause e Gwenhwyfar. A história acompanha a perspectiva das mulheres, mas você também fica por dentro dos principais acontecimentos e feitos de Artur e seus cavaleiros da Távola Redonda. Porém, essa não é a proposta do livro, a proposta é apresentar o arco das mulheres e da magia. Algo interessante sobre os personagens é que eu amei e odiei todos eles. A autora teve a sensibilidade de apresentar tantas facetas de cada um que os tornou muito reais. Por mais que seja um personagem no qual você não gosta e não se identifica (Gwenhwyfar, cof cof), você é capaz de compreendê-lo e temer por ele em determinados momentos.

A narrativa de Marion Zimmer Bradley é simples, mas ao mesmo tempo profunda, por isso precisa ser lida com calma e dedicação para absorver a história. Me senti encantada pelos aspectos e o misticismo que cercavam Avalon. A descrição dos rituais é tão intensa que você se sente impactado e fazendo parte de tudo aquilo.

"Jamais esqueceria a primeira vez que viu Avalon, ao entardecer. Relvados verdes desciam até a beira dos juncos, ao longo do lado, e cisnes deslizavam, silenciosos como o barco, sobre as águas. Nos bosques de carvalhos e macieiras, havia uma construção baixa de pedra cinzenta, e a menina pôde ver formas vestidas de branco a caminhar lentamente, ao longo de um caminho cercado de colunas. Podia ouvir também, muito suave, a música de uma harpa".

O grande conflito da história se dá entre os choques das religiões e dogmas da época. De um lado, temos as culturas do paganismo matriarcal. Do outro, o crescente cristianismo patriarcal. Não vou negar, ouve grande relutância da minha parte em aceitar a ideia imposta pelo cristianismo, que chega para dominar e impor o seu Deus como verdade absoluta, denegrindo os deuses de outras culturas. Mas é possível enxergar os pontos positivos e negativos de cada dogma, principalmente através das palavras de Taliesin, o Merlim da Bretanha e um dos meus personagens favoritos, aliás. Ele é incrivelmente capaz de conectar e apresentar as semelhanças entre as doutrinas, sem desmerecer uma para eleger a outra.

O livro é muito bem dividido e distribuído em 4 partes, o que seriam os 4 livros nas edições anteriores. O início foi muito empolgante, apresentou um background importante para a história, mostrando que as maquinações de Avalon para salvar o seu povo eram tão importantes quanto estratégias de guerra contra os saxões. Entre o final do livro 2 e a metade do livro 3 eu li de forma frenética. Aconteceram coisas que me deixaram chocada, me fizeram vibrar pela história e também desmoronar. Para mim, a parte mais interessante da história está dentro desse meio. Depois, ela decaiu um pouco e atinge um equilíbrio, elevando-se novamente e apresentando um ótimo final, que provocou um misto de sentimentos agridoces.
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Quase no final do livro descobri algo que infelizmente apagou um pouco o brilho da obra para mim. Quase que por acaso, topei com as acusações que a filha de Marion Zimmer Bradley fez contra sua mãe em 2014. Foram acusações graves sobre abuso, denúncias que chocaram a maioria dos fãs das obras de Marion, alguns deles autores renomados que se inspiraram no clássico para criar suas histórias. Para quem não sabe, Marion morreu em 1999 aos 69 anos.

Depois que descobri isso, dei um tempo e me afastei um pouco da história, tentando assimilar como lidar com esse tipo de situação e não deixar que isso influenciasse na leitura. Após um momento, retornei e finalizei o livro, mas não vou mentir que foi a mesma coisa. Fiz o possível para avaliar a obra, mas não sou uma leitora de ferro. Foi extremamente difícil tentar separar obra e autor, e acredito que só consegui concluir a leitura porque já estava prestes a finalizar. Por esse motivo é que não poderia deixar isso passar em branco por aqui, não quando foi algo que mexeu tanto comigo. Preciso enfatizar que é importante você saber disso e que recomendo este livro com grande ressalva - porque até mesmo eu não tenho certeza se o leria se soubesse dessas acusações antes.
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Contudo, As Brumas de Avalon abriu as portas para a descoberta de uma lenda no qual eu já tinha conhecimento (afinal, quem nunca ouviu falar na lenda do Rei Artur?), mas que não era muito profundo. Agora me senti instigada a conhecer outros pontos de vistas e recontos da história. Minha próxima parada será em As Crônicas de Artur, de Bernard Cornwell.

As Brumas de Avalon é uma obra que encantou e continua encantando gerações. Um verdadeiro clássico da fantasia que inspirou várias histórias e merece toda a notoriedade que tem. Ouso dizer que ela traz uma experiência de leitura exclusiva e especial às mulheres, porque nos sentimos representadas, não só no que diz respeito à virtude e conhecimento feminino, mas também porque ela mostra a perspectiva de mulheres fortes e poderosas dentro de uma história popularmente conhecida por seus grandes heróis masculinos.

site: http://abducaoliteraria.com.br/
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Fernanda 09/04/2018

Resenha: As Brumas de Avalon
Resenha no blog:

http://www.segredosemlivros.com/2018/04/resenha-as-brumas-de-avalon-marion.html

site: http://www.segredosemlivros.com/2018/04/resenha-as-brumas-de-avalon-marion.html
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Fernando Lafaiete 31/03/2018

As Brumas de Avalon: Uma análise da obra que encantou gerações!
Avisos:

1. NÃO possui Spoiler
2. Desculpem pelo tamanho da resenha, foi impossível escrever algo menor do que isso.
3. Não julgo religiões. Apenas não concordo com a visão que muitos possuem sobre o que deve ser visto como pecado. Neste aspecto concordo com o que a autora defende no romance.
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Ao iniciar a leitura de As Brumas de Avalon, as minhas primeiras impressões foram as piores possíveis. Achei a escrita pobre e o desenvolvimento precário. Sabendo que o clássico de Bradley tem uma importância enorme na literatura, não só me forcei a terminar o primeiro volume, como ao me sentir incomodado comigo mesmo, resolvi reler o primeiro livro segundos depois de terminá-lo. É importante ressaltar para os desavisados, que a obra-prima de Marion Zimmer Bradley não é um romance focado em batalhas, sistemas de magia e descrições minuciosas. A escrita da autora não tem como principais características descrições nem dos ambientes e muito menos no que diz respeito as características dos personagens. A autora tem uma escrita simples e ela apenas entrega o básico referente a estes aspectos narrativos e sua imaginação deverá fazer o resto.

As Brumas de Avalon tem como objetivo narrar a tão conhecida jornada do Rei Artur, porém através do ponto de vista das personagens femininas. Estas que são frequentemente negligenciadas pela maioria dos autores. Aqui a autora não apenas dá voz a quem raramente a tem na propagação dos relatos deste lendário rei, como dedica boa parte da história à estas mulheres poderosas e influenciadoras.

O romance lançado em 1979, tem como personagem central a famosa Morgana, irmã de Artur e sacerdotisa da misteriosa ilha de Avalon. Acompanhamos o nascimento de Artur e toda a profecia que o acompanha. Tudo se inicia quando Morgana já tem 4 anos e logo no inicio a autora já deixa claro que o destaque será Viviane, a Senhora do Lago e suas discípulas. Os termos Senhora do Lago e Merlim, são apenas termos que designam uma posição religiosa e política e não se refere a uma única pessoa como normalmente vemos em outras obras.

Se a obra não tem como focos aspectos tão amados dos amantes do gênero, então quais são os seus principais pilares?

A autora constrói uma trama focada no psicológico dos personagens e nos relacionamentos entre eles. Estes pilares irão se desenvolver para intrigas políticas e religiosas muito bem exploradas pela autora. A famosa obra e um dos maiores clássicos da fantasia, é uma história que apresenta manipulações sociais, políticas e religiosas. Todas essas arquitetadas pelas mulheres.

As personagens femininas são de fato incríveis. Morgana tem um desenvolvimento impressionante e é uma personagem humana em todos os sentidos. Ela se destaca do início ao fim de toda a jornada apresentada nos 4 volumes. Viviane, Morgause, Nimue são personagens empoderadas de maneira espetacular. Guinevere ou Gwenhwyfar (dependerá da tradução a qual você estiver lendo), esposa de Artur, é a personificação do fanatismo religioso e da hipocrisia religiosa. Posso, acredito eu, classificá-la como a vilã da obra. Ela é arrogante, preconceituosa, pecadora e ainda assim se julga no direito de julgar e condenar os outros. É Ela que molda muitos dos acontecimentos da história e é uma pessoa extremamente manipuladora. Detestei esta personagem? Com certeza. Eu a detestei tanto que não consegui sentir pena da mesma quando desgraças acontecem com ela.

As mulheres não são sexualizadas e os personagens masculinos não são desrespeitados pela autora. Tenho apenas uma ressalva referente ao rei Artur. Ele não é um personagem ruim, longe disso. Mas considerando o peso histórico que ele possui, achei o Artur de Bradley um completo idiota. Ele é uma marionete na mão da esposa e em nenhum momento toma decisões por conta própria. Ele é facilmente manipulado e por este motivo o considerei durante toda a minha leitura um personagem sem nenhum resquício de personalidade.

Marion Zimmer Bradley apresenta críticas pesadas à religião, em especial ao cristianismo. A autora não só questiona os dogmas religiosos, como em todo o momento reforça que a religião defendida pelos homens não passa de uma visão deturpada que é defendida e disseminada por pessoas preconceituosas. Inclusive, ela levanta o seguinte questionamento: Por que as mulheres precisam se calar diante dos posicionamentos masculinos? Tudo isso porque são vistas como sendo a imagem de Eva, a pecadora. O castigo as mulheres deve ser empregado pela eternidade. Elas precisam pagar pelo pecado que cometeram no início do mundo.

"As Mulheres precisavam ter um cuidado muito especial em fazer a vontade de Deus; porque foi através da mulher que a humanidade caiu no Pecado Original e todas deviam saber que tinham de trabalhar para redimir esse pecado no Éden. Nenhuma mulher com exceção de Maria Mãe de Cristo. podia ser realmente boa: Todas as outras eram más, nunca tiveram a oportunidade de ser outra coisa." (Página não mencionada porque li no Kindle)

A autora através de fatos históricos, claramente bem pesquisados, apresenta a "extinção" do paganismo e o domínio do cristianismo. A ilha de Avalon representa as religiões pagãs e a autora, que não se considerava feminista, relata a importância das mulheres na formação da Bretanha. Existem diálogos inteligentíssimos entre pessoas de ambas as religiões exploradas pela escritora. O meu deslumbre pela obra surgiu aos poucos devido ao desenvolvimento dado pela autora e nem tanto pela escrita.

As Brumas de Avalon apresenta também uma relação homoafetiva, envolvendo dois dos principais personagens masculinos. A autora também apresenta uma relação de homossexualidade feminina. Ambas as relações e os desdobramentos das mesmas são interessantes e inseridas de maneira bem respeitosa. Aliás, a autora também explora questões de incesto e estupro.

Artur, Mordred, Lancelote, Uriens, se destacam mesmo não sendo as vozes da narrativa. Bradley me conquistou pelo equilíbrio de gênero, coisa que não encontrei em O Rei do Inverno de Bernard Cornwell.

As Brumas de Avalon são as últimas histórias escritas pela autora dentro do que ela chamava de Ciclo de Avalon. O clássico em questão é antecedido por A Queda de Atlântica composto por dois volumes, Ancestrais de Avalon, Casa da Floresta, Senhora de Avalon e Sacerdotisa de Avalon. Não se faz necessário ler a obras em ordem de lançamento.

Avalon existiu?

Muitos afirmam que Glastonbury, uma pequena cidade do condado de Somerset na Inglaterra foi a misteriosa ilha. A pequena cidade ganhou esta fama em 1133, graças a uma colina que se encontra próxima dali e onde uma misteriosa árvore cresce. Árvore esta que muitos afirmam, inclusive a autora de As Brumas de Avalon, que era uma árvore que crescia apenas em Avalon. Pra quem está se sentindo perdido, esta é a árvore que Morgana enterra ao lado de um determinado túmulo no final do quarto volume. É nesta ilha também que foi construída a igreja onde teria sido guardado o Santo Graal 30 anos após a morte de Jesus. E foi também nesta ilha que em 1191, monges alegaram ter encontrado os túmulos de Artur e de Gwenhwyfar. Túmulos esses que se perderam ao passar dos anos. Acreditar ou não que Avalon existiu e que foi um dos locais o qual Jesus caminhou, dependerá da sua fé e no que você acredita. Confesso que independente do que eu acredito, fiquei bem curioso para conhecer esta pequena e misteriosa cidade.

É POSSÍVEL SEPARAR A OBRA DA AUTORA?
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Pra quem não sabe, Marion zimmer Bradley foi acusada pela própria filha de ser cúmplice do marido, que abusava sexualmente dos próprios filhos. Ou melhor, ela também foi acusada de abusar dos mesmos. Em 1964, Walter Breen, foi acusado, julgado e condenado por abuso infantil. Neste periodo ele ainda não estava casado com a famosa autora. Pouco tempo depois, ele se casou com Bradley, que aceitou o pedido mesmo sabendo de sua conduta. Em 1990 foi preso de novo, mas fez um acordo judicial. Em 1992, foi acusado de novo de assédio e foi preso morrendo na prisão em 27 de Abril de 1993. Moira Greyland, filha do casal afirmou que ambos abusavam dela e que ela foi uma das pessoas que o acusou formalmente na época de sua última prisão. Marion Zimmer Bradley, não só afirmou saber de tais abusos (não assumiu que também abusava da filha) como testemunhou a favor do próprio marido, apoiando toda essa sem-vergonhice. A autora ainda informou que mesmo sabendo que a filha era abusada, optou por não denunciar o marido porque o amava. Como autora eu a considero e muito, mas como pessoa eu a abomino. Não tenho como defender esse tipo de comportamento. Eu sou um leitor que consigo separar a obra da autora. E vocês? Conseguem passar por cima desta conduta e ler As Brumas de Avalon? No momento em que J. K. Rowling está sendo massacrada por manter Johnny Depp no elenco de Animais Fantásticos, considero hipocrisia detonar uma e relevar outra. Eu como sei separar as coisas, li a obra de Bradley e me surpreendi. Nota 9 pra autora e 0 para a sua conduta como mulher e principalmente como mãe.

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As Brumas de Avalon é uma jornada de aceitação espiritual, religiosa e de aceitação de gênero. Uma obra que explora bem as diversas facetas do amor que tanto julgamos. Julgamos o amor alheio por não conhecermos o seu surgimento. Amar não é pecado. O pecado quem faz somos nós, que julgamos os outros sempre nos baseando em uma doutrina religiosa deturpada pelo homem. Indico As Brumas de Avalon, mas saibam que é uma obra simples, profunda e reflexiva. Comecei a leitura com implicância por esperar algo épico. Terminei a leitura bastante pensativo e cheguei a me emocionar com o final, que achei excelente. Terminei a leitura convicto de que o que precisamos é de um Deus imune e livre de qualquer preconceito.
Thay 31/03/2018minha estante
Que bom que sua experiência foi positiva! Acho que a vantagem maior do Skoob é poder ler visões diferentes da minha (terminei o primeiro livro com a brutal realização de perda de tempo - inclusive, está entre os piores que li).

Sobre a relação autor e obra, pensamos da mesma forma; sou muito fã do que o Lovecraft produz, mas terminantemente contra quem ele é (xenofóbico, racista, elitista e misógino) e acontece também com a Rowling (ególatra e se contradiz o tempo todo no Twitter com suas pseudo-militâncias). Consigo separar a pessoa da obra, mas respeito quem não o faz.

Isso dito, excelente resenha! Obrigada por compartilhar. c:


Fernando Lafaiete 31/03/2018minha estante
De nada Thay... Fico muito feliz de saber que você gostou da minha resenha. Eu também não tive uma boa experiência com o primeiro volume, por isso resolvi relê-lo. Eu gostei mas entendo quem o abandona ou quem lê até o final e não gosta. É um livro com uma escrita diferente do que encontramos hoje em dia.

Sobre a questão autor vs obra, ainda não encontrei um autor que me desperte tanto desprezo ao ponto de não querer lê-lo. Que pena que você teve uma experiência tão ruim assim com esta obra. Pretende continuar lendo ou abandonou de vez?


Thay 31/03/2018minha estante
Imagina, a leitura das suas resenhas são sempre válidas. Inclusive, fico sempre no aguardo de você criar uma conta literária no Instagram, haha~

No momento, não tenho vontade de reler e tolerar o início pelo conjunto da obra... mas caso encontre o volume único em algum sebo, com aquele preço convidativo, talvez aquele duende curioso que reside no cantinho do nosso cérebro me faça reconsiderar. Até lá, sigo com a minha lista TBR sem ele (e com o duende dormindo, feliz).


Fernando Lafaiete 31/03/2018minha estante
Ri da segunda parte do seu comentário (rsrs). Que pena, espero que um dia você leia a obra inteira.. vale a pena! :)

Sobre eu criar uma conta literária no instagram, confesso que nem usar o instagram eu sei rsrs. Mas ando pensando na ideia de criar uma conta por lá e também em criar um blog. Tenho medo de ser um fracasso. Mas quem sabe não perco esse medo e uma hora dessas não crio ambos. Obrigado pelo incentivo!


Gabrielle 31/03/2018minha estante
Uau!! Me deu até vontade de ler esse livro.


Fernando Lafaiete 31/03/2018minha estante
Leia mesmo Gabrielle. Ele não tem uma escrita esperacular, mas o desenvolvimento e os questionamentos que a autora levanta são bem pertinentes e enriquecem a obra. Tive um começo difícil, pois a escrita me incomodou. Mas me acostumei e consegui aproveitar a obra. Uma trama reflexiva que valeu a pena!




Kênia Cândido 23/03/2018

Um Clássico Encantador!
Pela primeira vez eu estou tendo a oportunidade de conhecer à tão famosa história clássica que encantou gerações. Escrito pela escritora Marion Zimmer Bradley em 1979, As Brumas de Avalon conta toda a saga e lenda do Rei Artur pelo ponto de vista das personagens femininas. Todas as mulheres estavam presentes na vida do Rei Artur e por elas terem um papel importante, a história foi proporcionada de maneira mais delicada.

A história é dividida em quatro volumes, mas a nova edição publicada pela editora Planeta Livros do Brasil está todos os volumes em um único livro. Confesso que fiquei agradecida demais da edição ter vindo dessa maneira, pois assim já conquistei a história completa e a leitura pode ser feita sem interrupções.

Quem acompanha minhas resenhas, sabe que gosto de contar um pouco da história com alguns detalhes para o leitor ter a chance de conhecer melhor a obra que foi lida. Claro que sempre tomo muito cuidado com os spoilers, para não estragar a surpresa. Acontece que dessa vez, a resenha será um pouco diferente. Vou comentar um pouco de cada volume, de maneira superficial para não estragar e não entregar numa surpresa ao leitor que ainda não leu essa maravilhosa história.

No primeiro livro, A Senhora da Magia, Igraine é uma pagã de Avalon e futura mãe do Rei Artur, mas antes disso acontecer ela conta foi obrigada a casar com o cristão fervoroso Duque Gorlois e com ele, Igraine teve uma filha chamada Morgana.

Por ser esposa e filha do Duque de Cornualha, Igraine e Morgana viviam no comodismo e muita tranquilidade. No entanto isso mudou quando Igraine recebeu a visita de sua irmã Viviane, a grande sacerdotisa da Ilha Sagrada. Durante a visita, Viviane estava acompanhada por Merlim e eles revelaram um novo destino para Igraine. Mesmo estando casada com o Duque Gorlois, Igraine estava destinada a casar novamente com o Rei Uther Pendragon e deste casamento ela iria gerar o futuro Rei Artur.

No início Igraine ficou resistente com seu novo destino, pois não desejava ser infiel ao Duque Gorlois, mesmo não amando ele profundamente. Contudo Viviane afirma para irmã que nos planos de Avalon, o reinado do futuro Rei colocaria paz entre os pagãos e cristãos. No entanto, o destino fica encarregado de pregar uma peça em Igraine e ela acaba perdidamente apaixonada pelo Uther Pendragon. Os dois passam a viver uma paixão avassaladora, se casam e Igraine dá à luz ao pequeno Artur como Viviane revelou.

Quando chegamos ao segundo livro, A Grande Rainha, alguns anos se passaram e por causa dos acontecimentos no final do primeiro livro, Morgana está grávida e alimentando um ódio enorme pela tia Viviane. Dessa maneira, ela resolve abandonar tudo que aprendeu com a Viviane e vai morar com tia Morgause que vivia com o marido na corte de Lot e com ajuda da tia, Morgana dá à luz um belo menino.

Enquanto isso, Artur tornou-se o Grande Rei da Bretanha e Gwenhwyfar, filha do Rei Leodegranz foi escolhida para casar e reinar ao lado de Artur, tornando-se a Grande Rainha. Apesar de ser casada com Artur num casamento arranjado, Gwenhwyfar era apaixonada pelo Lancelote, primo e cavaleiro do Rei Artur, mas escondia os sentimentos por ser uma mulher bastante cristã e devia ser fiel ao marido. Por causa do cristianismo, Gwenhwyfar desejava eliminar todos os rituais pagãos da Bretanha. Deste modo, Gwenhwyfar vivia criando conflitos e manipulando a mente de Artur para ele quebrar a promessa com Avalon.

Chegando ao Terceiro livro, O Gamo-Rei, o filho de Morgana que estava sendo criado pela tia Morgause mostrava que era um garoto muito inteligente e observador para sua idade. Mas foi durante a visita da irmã Viviane, que Morgause percebeu o dom especial de Gwydion e sendo assim, o garoto foi levado para Avalon para adquirir conhecimentos e receber os ensinamentos da antiga religião para tornar-se um druida.

Ao mesmo tempo na corte do Rei Artur, todos os personagens estão com a idade mais avançada, porém os conflitos e as rivalidades estão fortemente na vida de Artur, Gwenhwyfar, Morgana e Lancelote. Artur era um rei invencível em combate e os cavaleiros da Távola Redonda foram fieis ao Artur no castelo de Camelot.

O último livro, O Prisioneiro no Carvalho, apresenta o desfecho da lenda do Rei Artur, todos os conflitos de gerações e o destino de cada personagem. Todos os detalhes deste são importantes, mas quem conhece a história do Rei Artur, sabe como ela termina.

A história é simplesmente incrível!
É aquele tipo de livro que você abraça logo que terminar a leitura e agradece de coração aberto à chance de ter lido do início ao fim. Não tenho palavras para descrever como foi bom passar momentos com este calhamaço.

Mesmo que seja uma edição com muitas páginas, a história desenvolve tranquilamente. A leitura é compreendida com facilidade e a escrita não é complicada. O primeiro volume flui maravilhosamente porque apresenta os personagens. No segundo e terceiro volume, a leitura consegue arrepiar com as intrigas e o quarto volume, a leitura é carregada de emoções valiosas e uma aflição porque a história está caminhando para o final. Valeu demais!

Cada personagem foi essencial, contudo o especial dessa história é a escritora dar voz as personagens femininas como a Igraine, Morgana, Viviane e Gwenhwyfar. Mesmo elas sendo submissas aos homens, porque essa era a realidade da época, o papel da mulher é forte. Elas sabiam lidar com as situações e decisões de forma inteligente, influenciando e manipulando as decisões dos homens. Isso encantou e enriqueceu a história.

Durante a leitura, o leitor vai percebendo o amadurecimento dos personagens, principalmente da Morgana. A protagonista é sensacional. O primeiro livro também é centralizado na vida de Morgana, logo após o casamento da mãe com Uther Pendragon, Morgana passou ter a presença da tia Viviane na sua vida. O que Morgana não sabia, era que Viviane também tinha planos traçados para o futuro da sobrinha.

Da mesma forma aconteceu com a Gwenhwyfar quando ela apareceu no início do segundo livro e transformou-se em personagem principal e mesmo tendo a presença da Morgana na história, Gwenhwyfar conquistou um enorme destaque. Porém, a minha relação com a Gwenhwyfar, foi um pouco de amor e ódio por causa do fanatismo cristão e inveja da liberdade de Morgana, mas sem sombra de dúvida, Gwenhwyfar foi ótima nos momentos que manipulava Artur.

A edição possui capa dura, uma ilustração linda que corresponde perfeitamente com a história. O livro não contém imagens e nem índice informando o início de cada volume, mas a edição possui uma fita para marcar a página durante a leitura. Facilita bastante nos momentos que precisa parar a leitura.

É um livro que dá gosto de ler. Com certeza, quero reler em algum momento da minha vida para enxergar outros pontos de vista. Recomendo demais a leitura deste livro, principalmente para leitores que adoram mistério, conflitos, segredos e polêmicas.

site: http://historiasexistemparaseremcontadas.blogspot.com.br/
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Acervo do Leitor 06/02/2018

As Brumas de Avalon – Marion Zimmer Bradley | Resenha | Acervo do Leitor
Há poder nas palavras. Através delas histórias são contadas por gerações não deixando que o passado seja esquecido. Por gerações lendas e mitos são criados por aqueles que não se calaram e ousaram contar o que viram e viveram. De pai para filho. De general para soldado. De vencedores para derrotados. Poucas vidas são tão lendárias e seus feitos tão fascinantes como do rei Artur. A sombra de sua vida se estende ao longo dos séculos. Todos conhecem sua história… ou pensam conhecer. É tempo de descobrir a história real deste regente encoberta, até então, por tão densas brumas.

“As lágrimas que as mulheres derramam não deixam marcas no mundo.”

A Grã-Bretanha está destruída. Guerras e invasões assolam sua terra desde que os romanos se foram. Deixaram costumes e a imposição da fé Cristã em detrimento dos antigos cultos locais perpetuados pelos celtas e druidas que amavam a grande Deusa. Mas o Senhor dos cristãos é exclusivista, não há espaço para outros deuses e costumes, e as poucas tribos que ainda se apegam aos velhos hábitos e credos estão alarmados. Preocupados com a opressão dos cristãos e com as invasões nórdicas enquanto não há união e consenso entre os reis locais. Tudo está desmoronando. Mas existe uma profecia vindo da misteriosa Avalon, um refúgio e resquício das sacerdotisas da grande Deusa que prometeu não abandonar seu povo. A profecia do nascimento de um lendário rei que uniria todas as tribos e credos debaixo de seu estandarte trazendo a paz e a expulsão das nações estrangeiras. A profecia do nascimento de Artur.

“A sombra escura do corpo dele sobre ela obscureceu o céu e as estrelas.”

Profecias dependem de homens para ocorrerem. Personagens muitas vezes esquecidos pelo tempo ou relegados a segundo plano que a história tende a apagar. Mas não aqui. Pela primeira vez ouviremos a voz dos esquecidos. Igraine, mãe de Artur, e como ela foi “obrigada” por Viviane (a Senhora do Lago) e Merlin a cumprir sua profecia: que ela, ainda casada com outro homem, daria um filho (Artur) a Uther Pendragon um bravo guerreiro respeitado por todos os reis e generais. Conheceremos a fundo sua filha, Morgana das Fadas, e como sua vida foi forçada a trilhar um místico caminho não antes desejado. Porém entre deuses não há espaço para os desejos e devaneios dos humanos. Todos acabam cumprindo seu papel na intrincada teia chamada destino. A profecia vai se cumprir, e um rei possuidor de uma lendária e mágica espada, Excalibur, salvará e condenará muitos. Guerras, traições, sangue, heresias e uma responsabilidade esmagadora recairá sobre os largos ombros deste guerreiro, assim como sobre as vestes de sua poderosa irmã, amiga e amante, a bruxa Morgana.

“Desde que encontrei o caminho da feitiçaria, todos os homens estão aos meus pés. Mas agora parece que não me importo com nenhum…”

SENTENÇA

Essa edição é um volume único especial reunindo quatro obras em uma só com suas quase mil páginas, o que torna extremamente difícil resenha-lo sem dar spoiler e se alongar demais, o que foge da proposta e padrões do “Acervo do Leitor”. Essa saga é um grande drama envolvendo as mulheres que fizeram parte, e acontecer a lenda do rei Artur. Todos os personagens lendários também estão presentes como Merlin, Gwenhyfar, Lancelot e companhia, mas o foco não são suas vidas e feitos. Escrito de uma forma sensível você observa o nascimento, vida e morte de uma lenda e como sua vida foi proporcionada, e afetada, por tantos outros até então coadjuvantes. Vemos de perto todo o silêncio opressor de uma época sendo rompido pelos atos e palavras de uma mulher a frente do seu tempo, a “bruxa” Morgana. Não há batalhas ou cenas de ação, apenas o intrincado “jogo de peças” formado pelos reis e generais, assim como o embate constante entre a fé, e filosofia, dos celtas e dos cristãos, bem distorcida por sinal. Há uma maestria na escrita de Marion Zimmer Bradley, mas por vezes achei cansativa, desinteressante e um pouco repetitiva no que tange certos dramas pessoais. Ao término entendi porque há tanta reverência por esta saga devido a sua inquestionável qualidade. Sem dúvida “o clássico que encantou gerações” ganhou o meu respeito, mas não o meu amor.

site: http://acervodoleitor.com.br/as-brumas-de-avalon-resenha/
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