Agonia

Agonia Igor Quadros




Resenhas - Agonia


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C.Ney 23/02/2021

@dark_resenhas
Deixa eu confessar aqui uma coisa: São poucos os livros que me metem medo. Quem lê bastante do gênero de terror conhece muito bem alguns clichês, sabe como funciona a narrativa pra te prender em uma cena agoniante... A gente sabe, vai. Até aí, okay. Por que raios estou falando disso?

Porque vencer esses clichês e entregar uma atmosfera de horror e suspense transcende esses mecanismos. E a gente sabe quando ficou assustado de verdade, é aquele devaneio involuntário logo após terminar um conto, ou uma cena desse conto (ou livro).

E aí que tenho que bater palmas para o Igor, ele conseguiu me prender em longos devaneios em uma sensação mesmo agoniante. E ele não precisou fazer muita coisa, uma cena e outra que ele te coloca na pele do personagem bastam pra você sentir aquele medo raiz mesmo, de ficar incomodado com o silêncio súbito da própria casa.

São 5 contos, que eu lembrei dos filmes de terror da década de 80 e de livros do começo da minha adolescência, quando estava descobrindo a literatura de horror. Os dois últimos contos ?O choro? e ?Por trás das paredes? já são os meus preferidos.

O livro tem ilustrações no final de cada história, o que achei bem interessante.

?Agonia? é o nome perfeito para esse apanhado de pequenos contos. Eu realmente senti muita nostalgia durante toda a leitura, e talvez nem tenha muito a ver com as referências do escritor, mesmo assim, foi um medo bem genuíno. Recomendo fortemente!
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Fernanda 14/07/2019

Igor Quadros é um autor paraense que está construindo sua carreira em cima de nossos pesadelos. Sim, os nossos autores de terror estão com tudo aqui pelo norte e estou muito orgulhosa. E chorosa. A propósito, nem um título poderia traduzir melhor o que é esta obra de Igor Quadros: Agonia.

O livro contém cinco contos de um terror psicológico que deixa o leitor envolvido e constantemente preocupado com os personagens. É interessante como a tensão permeia em cada página. Começamos tão bem e terminamos... não tão bem assim.

No conto “Pestilência” conhecemos uma mãe e um filho pequeno. Eles moram no interior e em uma noite a criança reclama que tem um bicho no quarto. A mãe, claro, vai procurar e nada encontra mas ainda sim leva o menino para dormir com ela. Nas noites seguintes, o mesmo choro por um bicho que ela não encontra de jeito nenhum.
Talvez seja manha de criança, né. Normal. Portanto, ela decide ser firme e deixa o pequeno em seu quarto para dormir sozinho em uma noite. Ela adormece ainda ouvindo o choro alto da criança. O menino acorda diferente, quieto, soturno e claramente alguma coisa mudou. Mas o que a espera é inacreditável.

Esse primeiro conto do livro, em específico, costuma deixar os leitores bem chateados mas é um inicial condizente com o que nos aguarda no decorrer das histórias.

Os outros contos, que se chamam “Sacríficos”, “Ermo”, “O choro” e “Por trás das paredes” , também são de uma aflição que só lendo para compreender.
O autor pegou muitas referências das nossas próprias lendas do norte e as desenvolveu com um toque pessoal de crueldade. O terror contido nas páginas de “Agonia” não é aquele que nos faz gritar de susto, mas aquele sutil que nos deixa reflexivos e nos faz adiar aquela ida ao banheiro na madrugada, sabe.

Igor Quadros é um autor jovem com um talento inegável para contações de histórias. Sua narrativa é fácil e nos prende logo de cara com personagens palpáveis que poderia ser vocês ou eu.

A produção dos exemplares físicos de “Agonia” foi toda independente e teve o acompanhamento direto do autor. O livro também está disponível em e-book na Amazon com um preço bem módico.
Vocês podem conhecer esse e outros trabalhos de Igor Quadros em sua página no facebook.
Confiram essa trevosidade e bons pesadelos!

site: http://www.garotapaidegua.com.br/2017/12/eu-li-agonia-igor-quadros.html
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Mayara Albuquerque 30/08/2018

Um grande exemplo do poder do terror paraense
Primeiramente, Igor Quadros é meu conterrâneo. Para aqueles que não sabem, somos ambos de Belém, capital do Pará, onde mitologia e sobrenatural são temas com os quais já se tem familiaridade por aqui. Ele foi o primeiro autor que eu conheci da minha própria terra, e conhecer a obra dele foi uma agradável surpresa.

Agonia é uma coletânea de contos, ou antologia, como é mais comumente chamado esse tipo de obra. Os contos não têm ligação entre si, mas todos se enquadram nos gêneros suspense e terror psicológico, e todos são, aparentemente, ambientados no Pará. Para mim, as premissas das histórias são muito boas, e os personagens são convincentes e bem construídos, o que geralmente é um desafio quando se escreve um conto, onde o autor não pode gastar muitas linhas só com construção de personagem.

E uma coisa que o Igor faz muito bem é construir o suspense. Ele trabalha bem a expectativa, prende o leitor na história e o deixa ansioso para finalmente saber o que está acontecendo. A narrativa é muito fluída, a revisão do livro foi muito bem feita, assim como a diagramação, e no final de cada conto você encontra uma ilustração que representa algum momento daquela história e todas elas são lindas. Meus parabéns ao Marcos Anderson, que foi o ilustrador responsável e que fez um ótimo trabalho. As ilustrações têm um estilo de desenho "rabiscado", em preto e branco, que combinou bastante com a temática de horror psicológico do livro.

Inclusive, elas me fizeram lembrar das ilustrações de outro livro paraense, chamado Visagens e Assombrações de Belém, escrito por Walcyr Monteiro, que é um livro que eu adoro (li ele quando era bem nova, e é um dos meus livros de cabeceira até hoje), e o estilo das ilustrações é bem similar ao dele, o que eu achei bem legal, sendo proposital ou não. Pretendo fazer uma postagem falando sobre ele, no futuro.

À escrita do autor, entretanto, falta um pouco de polimento, de atenção com o uso de certas palavras, mas é algo que não chegou a me incomodar, de fato, e que pode passar despercebido pelo leitor mais casual.

Porém, algo que particularmente me incomodou foi um padrão narrativo que eu pude observar em quase todos os contos. Em certos casos, eu acho interessante quando a história termina e, ainda que o leitor tenha recebido algumas respostas, surgem outras perguntas, quando a narrativa não entrega tudo o que está acontecendo ali, e deixa você livre para imaginar e interpretar aqueles pontos em aberto como quiser. Contudo, nesse livro, esse recurso foi usado de uma maneira um tanto exagerada, ao ponto de você ler e, ao invés de entender um pouco do que houve, não entende nada do que houve. A sensação que fica é que o que acabamos de ler foi apenas uma sucessão de acontecimentos bizarros, que só estão ali com o único propósito de chocar e serem bizarros. E isso não acontece em apenas um ou dois contos. Na verdade, apenas um dos contos escapa desse padrão, que se chama O Choro. A trama dele é bem fechada e deixa bem claro o que está acontecendo, e ainda assim mantendo o suspense de uma forma satisfatória e com um bom final. Inclusive, esse conto está disponível de graça no Wattpad, no link que eu vou deixar no final dessa postagem.

No meu caso, o uso exagerado desse tipo de narrativa acabou causando mais frustração que curiosidade, na maioria das histórias. Mas há a possibilidade de que esse aspecto seja relativo para cada um.

No geral, Agonia é uma boa antologia de terror psicológico, e o Igor é um escritor com imenso potencial. Espero que eu possa ler outra obra dele em breve e falar dela para vocês. Se você é um leitor desse gênero, eu encorajo você fortemente a conhecer o trabalho dele.

> O Choro: https://www.wattpad.com/289260970-agonia-o-choro

> Instagram do ilustrador Marcos Anderson: @marcosandersonartista

site: https://justmayphantomhive.wixsite.com/misteriosempaginas/post-unico/2018/08/08/RESENHA-AGONIA-por-IGOR-QUADROS
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