A Última Rosa do Verão

A Última Rosa do Verão Letícia Copatti Dogenski




Resenhas - A Última Rosa do Verão


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Thaisa 26/12/2017

A última Rosa do Verão
Imagine morar em um lugar onde a morte pudesse ser experimentada uma vez e depois fosse possível voltar à vida. Pois é, em Saturnino isso é possível.

Os moradores da cidade de Saturnino se depararam com algo inusitado. Uma espécie de rosa, com as pétalas alaranjadas, surgiu nos jardins da cidade sem que ninguém houvesse plantado e se espalhou como uma praga. Os moradores não deram muito valor à rosa que apesar de muito bonita, exalava um odor de morte e por causa disso ninguém a queria.

Um belo dia, o prefeito da cidade faleceu. O homem era muito querido por todos e seu funeral mobilizou a cidade inteira. Cada pessoa trouxe flores para enfeitar o caixão e  a lápide, inclusive, trouxeram as tal rosas mal cheirosas. Alguém teve a brilhante ideia de enfeitar o caixão do defunto com as rosas, então as enfiaram ao redor da cabeça do morto, criando uma coroa laranja belíssima. Deixaram lá, o morto sozinho em seu velório, para passar a última noite no mundo dos vivos e no outro dia ser enterrado, e todos foram dormir.

Assim que o dia apresentou seus primeiros raios de sol, o morto voltou à vida para espanto da viúva e de toda a cidade. Assim descobriram que a rosa linda, porém fedorenta, tinha o poder de fazer os mortos ressuscitarem. A cidade de Saturnino nunca mais foi a mesma. Para evitar o uso exagerado das rosas, ficou combinado que todos os moradores da cidade tinham o direito de usá-las apenas uma vez na vida (ou na morte) se assim desejasse. O combinado durou por anos e a cada ano as rosas diminuíam sua quantidade, até que restou apenas uma rosa do verão (ela acabou ganhando esse nome).

O problema é que nesse último verão apenas uma rosa desabrochou e nesse mesmo verão, dois mortos apareceram no mesmo dia. Agora a cidade está em polvorosa, tendo que decidir qual defunto deve usar a última rosa.

A história criada por Letícia é simples, porém bastante interessante. No decorrer da narrativa a autora nos apresenta diversos personagens que nos contam as histórias da cidade e das famílias que perderam seu ente querido. A narrativa faz uma retrospectiva na vida dos casais e podemos conhecer como surgiram os enlaces de cada um deles, até os primeiros moradores da cidade.

O enredo é bem interessante, mas confesso que senti um pouco de dificuldade com a linguagem usada pela autora e na forma como estruturou o texto. No início senti um pouco de estranheza com a narrativa poética, de linguajar mais rebuscado e as idas e vindas entre presente e passado. Conforme segui com a leitura acabei acostumando com o estilo e entendi melhor o texto.

 Apesar de ser um livro de poucas folhas, a leitura precisa de um pouco mais de atenção, mas o texto é envolvente e nos prende do começo ao fim. É uma fantasia bem diferente do que estou acostumada a ler. Uma das coisas que mais gostei na leitura foi a forte influência latina na história. Claramente Saturnino é uma cidade latina e pude identificar vários elementos da cultura mexicana no texto, principalmente com a celebração do “Dia dos Mortos”.

Recomendo a leitura para quem gosta de fantasia e aprecia uma escrita mais rebuscada.

Resenha publicada no blog Minha Contracapa:

site: http://minhacontracapa.com.br/2017/12/resenha-a-ultima-rosa-do-verao-de-leticia-copatti-dogenski/
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UMA DIFÍCIL DECISÃO EM A ÚLTIMA ROSA DO VERÃO, DE LETÍCIA COPATTI DOGENSKI
Poderia ser um romance qualquer, com uma história com muitos altos e baixos, não desvalorizando os demais, mas não é o caso desta obra. Com um enredo linear, não tem um objeto animado como personagem e sim algo mais simples e subestimável, uma rosa. Essa única planta tem o poder de decidir a vida e a morte. Digo de antemão que perdoem-me por não muito falar sobre a história propriamente, mas não quero que percam esse mistério em meio minhas palavras.

ENREDO

Saturnina é a cidadezinha onde se passa nossa história. O mistério parte do funeral do bem quisto Prefeito, Sr. Flaviano Baio, onde cada atitude dos moradores é bem descrita, dando foco aos seus costumes, neste caso, a reunião dos moradores para velar o corpo do falecido, sendo que os mesmos tem o hábito de levar flores a fim de enfeitar e dar um ar alegre ao momento tão desolado. Culturalmente deixam o corpo pernoitar sozinho, retornam as suas casas e voltam no outro dia, para despedir-se e então, darem destino ao ente querido que se foi. Uma rosa, de cor alaranjada, nomeada rosa do verão é uma planta que encontra-se, até o presente momento, facilmente pela cidade, e portanto é uma das que são levadas para fins decorativos. Ao amanhecer, tamanha é a surpresa dos moradores, quando o prefeito é dado como vivo, andando e conversando perfeitamente com seus eleitores, cujos até acreditaram ser o homem em questão pactuado com algo do mal.

Dado ao misterioso fato, dois entusiastas buscaram encontrar uma resposta para o ocorrido e após alguns testes, descobriram finalmente, que a rosa mal vista por todas por seu odor fétido, era a planta milagrosa, a planta que ficara conhecida como ressuscitadora. Quando a notícia se espalhou entre os moradores de Saturnina, houveram aqueles que desacreditaram e até zombaram destas afirmações, e passaram a testar a tese. Muitas pessoas retornaram a vida, e estas ainda sim eram tidas como "não muito boas" pois achavam que o outro lado nas as quiseram. Em relação aos demais que não retornavam, os cidadãos acreditavam que os mesmos tinham cumprido seu papel na Terra e mereciam um descanso eterno. Chegou inclusive, a um ponto onde cada cidadão poderia escolher entre ter ou não a flor em seu funeral. Passou então a ser um padrão: funeral, pernoite com a flor e espera do milagre no dia seguinte. Após um tempo porém, o prefeito começou a perder a fala até que a mesma cessou para sempre, e assim se sucedeu com os outros ressuscitados.

Ano após ano, o desdém de Saturnino sobre a morte aumentava, e apenas duas pessoas realmente se preocupavam com o número de rosas ainda existentes: Benvindo Pena e Vieira Bertrand, dois antigos moradores, que viram a descoberta do flor e posteriormente, seu desaparecimento gradativo. Os saturninos foram alertados sobre a escassez da planta através dos anos e como era impossível replanta-la, já que a mesma não podia ser cultivada.

Presente. Saturnino festeja a noite dos mortos. Choros começam a alarmar a comemoração e ouve-se muito cochicho e zumbidos a respeito de quem era o novo falecido. Uma espécie de contagem começa, e cada pessoa passa a justificar seus parentes, para descobrir de onde vinha a perda. De outro lado, outro choro se inicia também. Duas mortes são confirmadas, que passam a ser um sacrilégio para a cidadezinha, que assim como a profecia previa, só possuía mais uma rosa do verão. E o que chama ainda mais a atenção: eram as netas daqueles que previram o acontecido, Benvindo e Bertrand, dois benfeitores de Saturnina.

Um sarau é montado, a cidade se comove e monta um plebiscito, que busca através da democracia, tomar a difícil decisão: qual das duas salvar. Cada família, por estar sensibilizada, não tem forças para defender seu ponto de vista, portanto um amigo e uma amiga são nomeados para falar por elas, no intuito de convencer os eleitores de qual era a maior merecedora do retorno à vida.

Gaspar Lopes, um médico, é o primeiro a subir e inicia seu discurso defendendo a família de Angelina Pena Gonçalo, como um advogado que busca provas para defender seu cliente. Faz então um enaltecimento da família da garota, iniciando por seus antecedentes, contanto suas vidas, suas conquistas, como se conheceram e o que melhoraram em relação ao crescimento da cidade.

Quando Lopes finaliza sua defesa, é a vez da família de Ema Corona Bertrand, discursado por uma amiga da família, Quintela Días, que tem a mesma atitude, e também enaltece seus chegados. A noite se estende e é quase de manhã quando finalizam seus pontos de vista e agora todos tem a decisão em suas mãos: escolher uma das garotas, arriscar tentar dividir a planta e ver se elas funcionarão ou deixarem as meninas seguirem seus cursos naturais.

OPINIÃO

Estou lisonjeado por ter lido essa obra, a Letícia merece receber meus sinceros parabéns: foi muito bem escrito para uma pessoa com pouca idade (não que a idade seja relevante) e com um vocabulário tão distinto. A história se passa num tempo antigo e se a escrita fosse fluída demais, como utilizamos na linguagem atual, não passaria a ideia de uma cidadezinha, que mais me lembrou uma vilazinha de novela de época, onde todos se conhecem, se conectam e se auxiliam de alguma forma. Alguns aspectos me chamaram muito a atenção, como o valor que dão às pessoas por seus sobrenomes e o quanto isso determinava seu caráter perante os moradores. A autora foi muito inteligente em criar essa rede de personagens com ligação familiar, pois a mesma deu características e personalidade a cada um deles, explicando como eles eram e como evoluíram, nos mínimos detalhes. Paralelamente a história destes, também conseguiu explicar a história de Saturnino, como se eles tivessem se levantado juntos, principalmente quando se menciona o comércio. Aborda questões culturais, como a comemoração do dia dos mortos, os funerais, o modo como os romances aconteciam, ou seja, o respeito familiar, bem como o tratamento dos homens para com as mulheres. As mulheres em questão, também são empoderadas, não dando margens para se pensar que a época em que se passa, as esposas ou solteiras fossem submissas, inclusive, podem ser donas de salões de festas, com bebidas e músicas e terem sua própria sexualidade. Além do mais, utiliza a planta que "ressuscita" para mostrar o quanto as pessoas são fúteis e a pouca importância que dão àquilo que têm em abundância, até o perderem e terem decisões complicadas a se tomar. Em suma, a forma temporal que o livro se passa, me encanta, pois tudo no final, se amarra e fica bem explicado. O fato de eu não expor muito mais do que está na sinopse está ligado a minha vontade em não contar o livro todo, deixando assim o leitor curioso para conhecer cada personagem individualmente, como descrito na árvore genealógica.

Como dito anteriormente, temos livros resenhados do catálogo da editora, e o que nos levou a nos inscrever para a seleção de parceiros foi a qualidade que ela tem, seja tanto pelos livros, quantos pelos autores. Especificamente falando deste livro, a Editora Moinhos fez um ótimo trabalho gráfico, com uma capa maravilhosa, criada no estilo realista, do qual sou um fã incondicional. As folhas amarelas são as que sempre acho melhores para leitura, principalmente noturna. A tipografia do corpo do livro condizem com a delicadeza que o livro possui e tem ótima legibilidade e leiturabilidade.

Agradeço sempre por conhecer novos autores, pois tenho o prazer de ler livros fantásticos como este e saber que são autores daqui, de onde nasci e que nem sempre tem o reconhecimento que merecem, mas posso dizer sem medo: recomendo!

site: https://comprepelacapa.wixsite.com/home
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