Evolução política do Brasil

Evolução política do Brasil Caio Prado Júnior




Resenhas - Evolução política do Brasil


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TalesVR 21/06/2019

Pequeno talvez grande ensaio
''Evolução Política do Brasil'' é a primeira obra de Caio Prado Júnior, um pequeno ensaio sobre o período colonial e imperial brasileiro de um ponto de vista do materialismo dialético. O autor se utiliza de métodos marxistas para analisar esse período da História, o que garante um teor crítico não muito visto em outros clássicos da época sobre o mesmo tema. Isso é bom, porém ele se ''embanana'' um pouco as vezes. Vejamos bem:

Sim, a história dos povos é a história da luta de classes, então pontuar a dialética da sociedade brasileira ao longo de toda a sua História foi um ponto positivo: senhores de engenho x população trabalhadora (escravos e semi-livres); depois demonstra como a Independência foi um movimento da elite e a não-participação do povo nesse processo, etc. Porém ele ''força a barra'' ao falar de uma pretensa camada popular revolucionária que atuou na derrubada de D.Pedro I. Estudos mais recentes, como da pesquisadora Fernanda Cláudia Pandolfi, demonstram que na verdade essa camada que Prado Jr diz ser popular, na verdade era forma pela pequeno-burguesia liberal, principalmente do Rio de Janeiro. O povo, o povo mesmo, continuava alheio à política nacional.

Outra coisa que me deixou profundamente incomodado é de como os valores burgueses europeus estavam entranhados na sua escrita: ''bárbaros'', essa é a forma que ele designa africanos e indígenas. No mínimo curioso um pesquisador marxista brasileiro se referir assim à esses povos, claramente caindo no conto da superioridade civilizatória do europeu.

Enfim, a ideia é boa, um clássico com certeza, mas com ressalvas a serem feitas após a leitura.
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Mayara.Souto 12/03/2018

Um belo resumão da história do Brasil
Um ótimo estudo histórico que abrange a política e a sociedade brasileira. Não é um texto pesado nem massante, a leitura é bem fluída.
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Ana Flávia 04/02/2014

Superestrutura
Partindo de uma análise materialista, este livro observa o nosso filhote Brasil em seus primeiros anos de política oficial, por assim dizer.
Terras dadas a rodo para portugueses que tinham a simples missão de colonizar um território recém invadido de grandíssimas proporções. Portugueses, dos quais poucos alcançam o objetivo proposto em vista de sua dificuldade, se transformam nos donos de grandes porções de terra, e que depois com a ajudinha - tardia - de Portugal recebem uns companheiros nas Sesmarias. Anos depois uma lei básica da lógica agrária no Brasil é empedrada - e até hoje vergonhosamente predominante -, um pequeno número de grandes latifundiários que dominam o controle sobre a terra brasileira. Mas eis que de repente surge um pequeno Bonaparte e enchota nossa tão "tradicional" família real para sua, agora, recém metrópole. A situação de poderio econômico começa a inverter. Agora os portugueses que dominavam o comércio e ficavam léguas atrás dos, já então, "brasileiros" fazendeiros/barões possuem uma ajuda quanto a sua ascensão: a sede do Império Português é aqui, nesse terra linda que tanto os deu lucros. Começa o início das disputas.
Sempre colocando a questão econômica como determinante, ou ao menos muito determinante, Prado Jr. vai pincelando superficialmente, como ele mesmo afirma, alguns dos caminhos que a política brasileira foi traçando de 1600 a 1889. Burguesia versus latifundiários. E no meio de tudo, e não menos influentes, os não abastados pelas regalias, os que tinham que lutar por algo tão nato do ser humano, a liberdade. O conjunto das revoltas, das disputas diplomáticas, das mudanças regimentais, os partidos políticos, e mais um bucado de importantes acontecimentos são lembrados de forma simples nesse breve livro, que me fez relembrar e reaproveitar muito.
Quanto aos ameríndios serem classificados como "bárbaros" para o autor, prefiro pensar que era um termo usado em 1933 para designar o que se tinha de mais pleno e sincero em termos de convívio humano na nossa mal tratada terra querida.
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