Última Hora

Última Hora José Almeida Júnior




Resenhas -


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Viviana 25/11/2018

Quanto mais as coisas mudam, mais elas continuam as mesmas.
Meu primeiro conselho para quem quiser ler este livro é: insista. Não é um livro que te conquista no início, eu mesma só prossegui com a leitura porque era indicação do canal da Leila Cardoso e eu sabia que nossos gostos combinam para este tipo de livro. Mas a insistência vale muito a pena.
O que dificultou a minha leitura inicialmente foi que o personagem principal é um escroto e, seguindo a história, um hipócrita. O autor optou por uma narrativa alternando o presente e o passado, então as justificativas para as atitudes do protagonista só aparecem no decorrer da história, e no início eu achei os personagens e situações muito caricatos. Além disso, como o livro é em primeira pessoa, todos os outros personagens são descritos a partir das percepções do Marcos, então a vontade era entrar no livro e dar uns sopapos. rsrsrs
A trama se passa no final da Era Vargas e propicia a reflexão sobre temas muito atuais. O livro me pegou mesmo quando eu comecei a perceber a crítica social que o autor fez e a entender que o Marcos representa um homem do seu tempo. Sem dúvida, o foco principal é sobre a manipulação da informação e o papel de influência da mídia nos jogos de poder. Mas eu gostei muito do modo como o autor retratou a hipocrisia social e pessoal, traçando um paralelo entre os acontecimentos políticos e a derrocada moral do protagonista. Demonstrando que quanto mais as coisas mudam, mais elas continuam as mesmas, porque nossos problemas enquanto sociedade são reflexos dos nossos valores individuais.
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50livros 04/03/2018

Livro bom para imergir na história do Brasil
Vamos falar de uma indicação que valeu muito a pena? Para quem não sabe, sou estudante de História (último período, graças ao Poder Superior) e já sou formada em Museologia, então História do Brasil sempre foi uma paixão.

Na literatura a gente ainda encontra muito mais romances ambientados na época Renascentista, Vitoriana e até mesmo na Segunda Guerra Mundial do que no Pós Guerras e menos ainda passados no Brasil. Então, imagina a minha felicidade de ver um romance histórico, ambientado no governo democrático de Getúlio Vargas (1951 a 1954), não só muito bem escrito como premiado com o Prêmio SESC de Literatura. Gente, que dádiva.

Sem quase nenhum erro histórico, o enredo se segue de maneira incrível dentro da redação do jornal Última Hora, periódico polêmico apoiado pelo presidente. Entremeando cultura e modos sociais, o livro consegue ambientar bem o leitor na época, fazendo-o ficar curioso acerca do cotidiano do carioca na década de 50. Os personagens não são anacrônicos, completamente bem inseridos em seu contexto, onde adultério era algo mais do que presente nessa sociedade.

Falando ainda em personagens, o protagonista é exageradamente bem formado, um verdadeiro homem de seu tempo. Seu envolvimento político é sintomático de sua época, tornando-se um verdadeiro estereótipo do homem hétero cis.

"Então por que ele não foi um FULL 5?" Porque existe um ser na História Nacional chamado Carlos Lacerda, uma pessoa insuportável, tanto no livro quanto na vida real. O problema real é que o meio do livro, quando acontece a CPI dos Jornais, ele torna-se uma figura muito presente, deixando de lado muito do que era narrado a partir da redação, deixando a leitura muito lenta. Um pouco da vida pessoal do protagonista é deixado de lado e o que é deixado, seu relacionamento com Isabela, a secretária, causa muito ranço, sem achar palavra melhor para definir. Causa algum dano ao livro? Não, mas enche o saco.

"Última Hora" é um livro para quem gosta de História ou quer aprender a gostar, pois o misto de ficção e não-ficção dessa obra gera uma leitura extremamente agradável, repleta de boas passagens, trazendo ainda um vislumbre da consciência política (ou ausência dela) que nos trouxe aonde estamos hoje.

site: https://www.50livros.com/single-post/2018/01/30/RESENHA-de-%C3%9Altima-Hora-de-Jos%C3%A9-Almeida-J%C3%BAnior---METALOUCADOSLIVROS2017-e-JORNADAMLV
Davi 04/04/2018minha estante
AAAAAAAAAA eu tô louco pra ler esse livro, amo história, mais ainda do Brasil, e ter um livro desse me trás felicidade e vontade de ler, pena que tenho muitos livros na frente que impossibilita a compra dessa obra prima. Não li e já considero... amor da minha vida


50livros 05/04/2018minha estante
Quando puder leia sim! É incrível!




IsrFernandes 26/05/2018

Romance histórico, escrito em prosa tradicional, de objetividade quase jornalística, apropriada para contar a história do jornal que dá nome ao livro.

É a história de Marcos, jornalista e comunista, dividido entre a ideologia que professa desde a juventude e a realidade de um mundo que cobra a conta do sustento da família. Mal remunerado no jornal onde é livre para defender suas idéias, aceita o emprego no “Última Hora”, que o empresário Samuel Wainer funda com o sonho de bater de frente com a grande mídia de Carlos Lacerda e Assis Chateaubriand.

A história pessoal de Marcos começa a se emaranhar nos eventos dos últimos dias de Getúlio Vargas, e o protagonista se transforma numa testemunha privilegiada da História. Envolve-se num triângulo amoroso com Nelson Rodrigues, seu colega de redação, e chega a se encontrar com o presidente.

Dentre as figuras históricas que aparecem no livro, a mais interessante é Samuel Wainer, cuja trajetória narrada é a de um indivíduo esmagado pela pressão entre os sonhos de uma aventura capitalista e a realidade dos empreendimentos ditos privados no Brasil, sempre regulados pela disposição que o poder político tem para usar o dinheiro público. A vantagem que o apoio financeiro do governo prometia rapidamente se transforma num problema quando esse mesmo governo balança.

Um trecho do livro que me chamou a atenção, primeiro negativamente, foi o atentado contra Carlos Lacerda. Ali, conhecendo apenas a história oficial, tive a impressão de que o autor faz de Marcos porta-voz de hipótese fantasiosa, com o mero objetivo de tornar interessante a narrativa.

Felizmente, uma pesquisa superficial após a leitura impediu que eu injustiçasse o autor. Descobri que as circunstâncias do ocorrido são no mínimo suspeitas e a versão oficial acolhe docilmente uma narrativa que Lacerda parece ter ao menos dramatizado em seu favor.

Refletindo sobre a reimaginação daquele fato, consegui tirar uma lição a respeito da ficção histórica. Não se trata de determinar o grau de veracidade do relato do escritor. Porque se o que se exige da ficção é a exploração daquilo que é possível, no caso da ficção histórica não importa a obediência à historiografia competente, nem sequer ao ocorrido de fato, e muito menos ao consenso oportunamente transformado em mito. Ou seja, o autor me levou a uma aula.

Como espelho da realidade brasileira atual, “Última Hora” também tem sucesso. Mostra a simbiose entre a grande mídia e os partidos políticos, a manipulação das regras da democracia conforme a conveniência, um sistema político aparentemente gelatinoso mas, na realidade, imutável. E, é claro, a ocultação da verdade a que as versões oficiais se prestam, com jogo de cena, retórica vazia e prostituição da mídia a serviço de ideologias de conveniência.

Se acima da vida pessoal de Marcos paira uma cena política conturbada, há ainda um plano inferior, onde se esconde um mistério que liga sua vida em família a seu passado militante.

Esse mistério fica implícito pela estranheza que causa o comportamento da esposa de Marcos. A Anita, dona de casa pequeno-burguesa, impotente diante da relação conflituosa entre filho e marido, dependente do sustento de Marcos, não tem nada a ver com a militante aguerrida, masculinizada até, que o jornalista conheceu na juventude e que é apresentada nas digressões da história.

Tamanho é o abismo entre as duas personagens que cheguei a voltar alguns capítulos para me certificar de que eram a mesma pessoa. A resposta a esse enigma, Almeida Júnior dará de um jeito que o leitor sentirá na pele.

site: https://medium.com/@israelf/%C3%BAltima-hora-de-jos%C3%A9-almeida-j%C3%BAnior-46aaa207c212
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ElisaCazorla 23/05/2019

Dinâmico. Interessante. Bom!
Que coisa boa ler um autor brasileiro com tanta qualidade! Romances históricos são perigosos. Não é todo autor que consegue fazer de fatos históricos algo interessante num livro de literatura. Fui para este livro como um desafio de um clube de leitura sem nenhuma expectativa. Na verdade, imaginava que me depararia com um amontoado de informações frias e históricas e listas de nomes que eu já teria ouvido em alguma aula na escola, visto em alguma avenida ou lido em algum viaduto. Felizmente, não foi nada disso que aconteceu!
Entrei em uma jornada viciante acompanhando a vida de um jornalista intenso com problemas pessoais, profissionais em meio a um turbilhão de coisas do cenário nacional da era Vargas. Enfim, foi viciante, foi estimulante, não conseguia parar de ler.
No início, o protagonista não me agradou, mas aos poucos vamos entendendo sua história e seus questionamentos e tudo fica muito interessante. Recomendo o autor fortemente. Já estou na fila pra comprar o próximo livro dele.
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