O Segundo Sexo

O Segundo Sexo Simone de Beauvoir




Resenhas - O Segundo Sexo (Vol. 2 de 2)


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Adriana Scarpin 08/02/2014

Começo já falando que considero as 800 páginas de O Segundo Sexo o livro mais importante do século XX. É óbvio que não li todos os livros do século XX, mas faço idéia do que foi revolucionário ou não e nada acompanhou mais o zeitgeist dos últimos 50 anos do que o livro da Simone de Beauvoir.

O livro está dividido da seguinte forma:

Primeira Parte - Formação, onde Beauvoir discorre sobre as seguintes orientações dentro do patriarcado divididas em quatro capítulos distintos: Infância, A Moça, A Iniciação Sexual e A Lésbica.

Segunda Parte Situação, onde se descorre as possibilidades da mulher enquanto adulta, divididos em seis capítulos: A Mulher Casada, A Mãe, A Vida Social, Prostitutas e Hetairas, Da Maturidade à velhice e Situação e caráter da Mulher.

Terceira Parte Justificações, onde dividem-se em três capítulos os tipos de personalidades que a mulher está sujeita no patriarcado: A Narcisista (que coloca a si como centro do mundo), A Amorosa (que coloca o amante como centro do mundo) e A Mística (que coloca a religião como centro do mundo).

Quarta Parte A Caminho da Libertação, no Capítulo único A Mulher Independente, Beauvoir discorre o que realmente devemos fazer para atingirmos tal resultado igualitário e muito se deve a sua simpatia por Marx.

Enfim, se eu pudesse escolher um único livro para obrigatoriamente ser lido em escolas e faculdades, eu escolheria esse, a linguagem é fácil e o conteúdo é salutar na igualdade de gêneros.
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Alcinéia 10/07/2015

O Segundo Sexo
“Vivendo sobre as leis que não criou.” (Raul Seixas). Dessa forma descrevo este clássico, conhecido como a Bíblia da Mulher. São 500 páginas dignas de serem lidas e apreciadas por todos os que buscam um aprendizado profundo sobre a história da mulher.
Neste livro Simone de Beauvoir mostra em riquíssimos detalhes que ninguém nasce mulher, torna-se mulher, sendo esta um produto elaborado pela civilização. Assim como Eva não foi criada para si mesmo e sim a partir de Adão e para ele, a autora mostra como este mito cristão se reproduz ate os dias atuais.
A mulher é ensinada desde criança a servir, enquanto empurram os adolescentes para desafiar o mundo, fecham as adolescentes em casa, prendem a mulher na cozinha por toda a vida, geração após geração, e depois se espantam de que seu horizonte seja limitado.
Este livro mostra a trajetória por que passa a mulher, sempre de maneira passiva, vendo o mundo como dado, cultuando o homem como um deus. A mulher não acredita que tem como sair deste mundo onde foi colocada e se tenta não consegue. Simone mostra como é uma desgraça ser mulher, comparando-as ao um parasita... É chocante, mas não deixa de ser real. Ela aponta como única forma de sair deste mundo que lhe foi dado pelo “sexo superior” o alcance da independência pelo trabalho, algo muito difícil de se alcançar para a mulher que não foi preparada para isso e que não é reconhecida como igual neste mundo pertencente aos homens, por isso o caminho mais fácil é sempre o da alienação, e a mulher acaba escolhendo ou sendo escolhida pelo casamento, onde é entregue das mãos do pai para as mãos do marido, sempre das mãos de homens para homens, sempre marionete deles.
Simone abomina o casamento por este pretender transformar amor em dever e fazer com que o homem não se empenhe em ser amado, se detendo apenas em não ser enganado. Segundo a autora não são os indivíduos os culpados pelo fracasso do amor no casamento, mas a própria instituição que é pervertida desde a origem, pois “declarar que um homem e uma mulher, que não se escolheram sequer, devem bastar-se de todas as maneiras ao mesmo tempo durante toda a vida é uma monstruosidade que engendra necessariamente hipocrisia, mentira, hostilidade, infelicidade”.
Neste livro eu li a história de minha avó, minha mãe, minhas tias, vizinhas, amigas e a minha própria história. Simone nos mostra a violência por qual passa a mulher desde quando nasce, sendo tratada sempre como objeto, não tendo outra opção a não ser se alienar ao pensamento masculino. O livro é um apelo para que “deixei-nos existir antes de pedir que justifiquemos nossa existência”.
Shai 19/09/2016minha estante
Eu adorei sua resenha, juro que lendo esse livro fechei diversas vezes e chorei.
Chorei pela violencia silenciosa a que somos submetidas e não enxergamos até alguém nos mostrar isso.
Simone estava muito além do seu século e esse livro ainda está muito além da nossa atualidade também.


Brenda 25/11/2016minha estante
É uma leitura fácil? Quero muitooo ler, mas tenho medo de achar a linguagem cansativa e nao conseguir concluir a leitura!


Shai 25/11/2016minha estante
Não é fácil, pra mim foi quase um estudo.. mas valeu a pena cada linha.




Juliana 12/05/2019

Enfim, acabou. O segundo volume da obra é a mais brilhante, disseca bem o que é ser mulher e como ela se sente nas mais variadas situações: infância, idade adulta, velhice... Mas não somente esse clichê cronológico, Beauvoir também se preocupa em ilustrar a mãe, a esposa, a prostituta, a narcisista, a apaixonada, a mística, entre outros capítulos especiais. E eu como mulher digo que não há uma vírgula errada no retrato que ela empenha ao escrever "a experiência vivida". Só com um pequeno parêntese especial: o período histórico que ela escreveu é diferente do atual. Acredito que ela ficaria feliz em ver as mudanças que já conquistamos, já que Beauvoir acreditava que levaria mais tempo. Mas não sosseguem, ainda há muito o que fazer. Outra coisa que deixou a leitura bem interessante para mim foi por eu trazer uma carga de literatura histórica. Você pode facilmente encontrar nos personagens de Tolstoi, por exemplo, as inúmeras formas e padrões de mulher que a Simone escreve. Sem dúvida isso enriquece a leitura porque suas antigas leituras são a prova viva de que o que essa autora escreve é verídico.
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Nana 03/04/2012

BEAUVOIR, S. O Segundo Sexo: A experiência Vivida (Primeira parte – capítulo I: Infância, Quarta parte – capítulo I: a mulher independente, Conclusão). São Paulo: Nova Fronteira, 1949.
"Segundo volume do livro que examina a condição feminina em todas as suas dimensões: a sexual, a psicológica, a social e a política. Uma proposta de caminhos que podem levar à libertação não só das mulheres como, sobretudo, dos homens. Complementação de uma obra que, em escala mundial, inaugurou o debate sobre a situação da mulher." (www.simonebeauvoir.kit.net)

A mulher sempre esteve subordinada ao homem e sempre enfrentou problemas para buscar sua independência. A ausência, ao longo dos anos de análises e coragem, partindo do ponto de vista, principalmente, do enfrentamento de uma sociedade legitimada, levaram muitas mulheres a continuarem em seu status de dependentes, que para Simone de Beauvoir, “há primeiramente, bem entendido, numerosas mulheres que aceitam a própria sociedade tal qual é.”

Entretanto, tiveram outras que lutaram contra toda desordem que bate de frente aos valores do sistema e, além disso, tentaram rever todos os conceitos e estudaram profundamente a concepção de mulher. Uma dessas pessoas, é a Simone de Beauvoir, que em seu texto “ O segundo Sexo” aborda a condição da mulher, constituindo um impulso para reflexão do que é certo, do que é aceito, natural ou simplesmente adaptado perante a sociedade. A autora demonstra como é imposto o destino das mulheres perante o conhecimento de mundo, os direitos a que são submetidas e se estão “no estado atual da educação e dos costumes”

Na primeira parte, que é a formação da mulher, começa-se com a seguinte reflexão: “Ninguém nasce mulher, torna-se mulher”. Quem impõe o que é ser uma mulher é a própria sociedade, e que de tudo mais, elabora “esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam de feminino”. A característica principal da primeira parte é a da criança desenvolver suas idéias de acordo com os princípios da nossa cultura, projetando-se, também, pelos seus educadores. As desenvolturas das análises filosóficas perduram por todo o texto de Simone de Beauvoir e, involuntariamente, segue uma linha de construção teórica proposta por filósofos e pensadores, como por exemplo: Sartre, Steke, Freud, etc. O que deixo em destaque são as teorias freudianas, que são usadas no texto como conservadoras e dominantes. Embora de início ele tenha realmente feito textos nesse aspecto, logo depois, o próprio Freud reviu suas condições, que de uma maneira ou de outra, reflete certo avanço: "Se querem saber mais sobre a feminilidade, podeis consultar a vossa própria experiência de vida, ou perguntar aos poetas, ou esperar que a ciência possa nos dar informes mais profundos e mais coerentes". Há, também, uma necessidade de se avaliar enquanto ser humano, da filosofia existencialista, cujo conjunto de teorias é a própria existência, entendida exclusivamente como existência humana. Não há de se prender ao fato da diferença entre homem e mulher, e sim, da consciência que todos são seres, em que devemos analisar o ser como existente. Ainda na primeira parte, seguindo a tradição da sociedade ocidental, a hierarquia dos sexos manifesta-se na menina primeiramente na experiência familiar. E, é a partir daí, que se diferencia o seu papel ao do menino, em que este tem todos os costumes possíveis e objeto (pênis) que o glorifica para vislumbrar o poder e a transcendência. Um ponto que talvez tenha passado despercebido por Simone Beauvoir foi que ela entra em questão do discurso erótico, mas não aponta a diferenciação da pornografia e o consumo:


Uma mulher que despende suas energias, que tem responsabilidades, que conhece a dureza da luta contra as resistências do mundo, tem necessidade – como o homem – não somente de satisfazer seus desejos físicos como ainda de conhecer o relaxamento, a diversão, que oferecem aventuras sexuais felizes. Ora, há ainda meios que essa liberdade não lhe é concretamente reconhecida; arrisca-se, usando-a, a comprometer sua reputação, sua carreira; no mínimo, exigem dela uma hipocrisia que lhe pesa. Quanto mais tiver conseguido impor-se socialmente, mais fecharão de bom grado os olhos; mas, na província principalmente, na maior parte dos casos, ela será severamente vigiada. Mesmo nas circunstâncias mais favoráveis – quando o temor da opinião não mais influi – sua situação não é neste ponto equivalente a do homem. As diferenças provêm ao mesmo tempo da tradição e dos problemas que a natureza singular do erotismo feminino coloca.

Na quarta parte, sobre a mulher independente, Beauvoir, diz que a distância qual separava a mulher e o homem conseguiu diminuir pela entrada da mulher no mercado de trabalho, mas em contrapartida, a liberdade econômica da mulher em relação ao homem não é garantia que esta vai alcançar uma situação moral, social, psicológica idêntica ao do homem. A mulher, além de sua nova tarefa de sair do lar e trabalhar o dia inteiro, acaba transformando a vida numa dupla jornada, ou seja, dobra seu “serviço”, pois quando chega em casa ela ainda cuida dos filhos, tem que se cuidar, servir o marido, etc. O tanto quanto pesado, há de se convir, que tanto em casa, como no local de trabalho, há uma diferenciação ao tratamento, remuneração e prestígio social.

Ainda hoje, há grandes desigualdades quanto à condição da mulher e que configura como os ápices para a doutrina cada vez mais fortalecida do feminismo. Salário mais baixo por um mesmo trabalho e qualificação, menor acesso aos postos que implicam poder econômico e político, subsistência da imagem da mulher-objeto no plano ideológico, patriarcalismo nas relações familiares, etc. Na prática, ainda é a maioria, as mulheres subjugadas (maus tratos, mutilações, escravidão, prostituição, etc.) no mundo.

Em 1949, há 62 anos atrás, Simone de Beauvoir escreve implantando assunto de debates, de resenhas, de artigos, de pesquisa científica, enfim, a autora escreve almejando a libertação da mulher, não no sentido de “diminuir” o homem numa esfera de competitividade; há a justificativa de que existem sexos diferentes, sim, um segundo sexo, reconhecendo como sujeito permanecendo em equilíbrio, onde é preciso que estabeleça as relações no meio social.
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Sammy 30/08/2017

Chato
O primeiro volume, apesar de cansativo, ainda vale ler. Esse segundo, é dispensável. Só tem citação de outros livros e referências (a.k.a repetições) do primeiro volume. Basta pular para a conclusão e não estará perdendo nada.
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Luana.Torres 16/09/2018

Volume 2
Simone Beauvoir escreveu uma das maiores obras do século XX. Não há dúvidas do quão importante e revolucionária foi O Segundo Sexo. A grande filosofa escreveu e publicou tal obra em 1949, e eu só fico tentando imaginar o quão chocante deve ter sido para as pessoas da época lerem. O primeiro volume é sensacional, devorei em poucos dias. Ela reúne mitos, lendas e fatos históricos acerca da mulher, o que nos faz entender uma boa parte do porquê o feminino é visto como inferior. Como o primeiro volume é espetacular fui com a mesma expectativa para o segundo e, bom, me decepcionei.
O segundo volume e maior que o primeiro, e na minha opiniao, mais cansativo. A autora da muitos exemplos, tanto de casos clínicos como de trechos da literatura. Ela explica minuciosamente diversas condições femininas, o que, para uma mulher do século XXI fica bem cansativo, então, pulei varias partes.
É uma obra essencial e, para a época que foi lançada, inovadora e revolucionária. Era necessário ter uma obra deste tamanho sobre a mulher, visto que era um assunto desconhecido para muitos e envolto de tabus, preconceitos e mitos.
Para meados do século XX, a obra é excelente. Hoje em dia, estando muitos de nós mais esclarecidos, fica um pouco cansativo, apesar de ser uma obra de referência e excelente para iniciar os estudos sobre gênero
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