A Forma da Água

A Forma da Água Guillermo del Toro
Daniel Kraus




Resenhas -


35 encontrados | exibindo 1 a 15
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Carolina Durães 28/02/2018

"A Forma da Água" é uma ficção fascinante dividida em quatro partes: Primordium, Mulheres ignorantes, Taxidermia Criativa e Não preocupe mais seu coração. A trama é narrada em terceira pessoa e se passa durante o período da Guerra Fria. Richard Strickland recebeu uma ordem do seu superior, o general Hoyt: ir até a fronteira entre Peru, Colômbia e Brasil capturar uma criatura mística que tem sido chamada de Deus Brânquia.

Ao receber a ordem do general Hoyt, Strickland deixa sua família para trás por 17 meses e passa por um inferno inimaginável. O calor insuportável, as condições não higiênicas, o barulho constante da floresta, a umidade, o isolamento, o estresse e a dificuldade de encontrar a criatura são alguns dos motivos que vão levando esse personagem a perder a mente.

Em paralelo conhecemos Eliza, uma mulher de 33 anos de idade que vive em Baltimore. Eliza mora em cima do cinema Arcade, em um apartamento caindo aos pedaços. A personagem passou a vida toda sendo alvo de agressões e humilhações. Por ser muda, as pessoas acreditam que podem fazer o que quiser com ela e que seus atos não terão consequência. Eliza não tem muitos motivos para viver. Para ela, a vida é difícil demais, complicada ao extremo e sem momentos de felicidade. Seu único "luxo" é comprar sapatos bonitos usados em brechós. Até mesmo os amigos são poucos. Seu vizinho, Giles Gunderson, um artista idoso que está tendo dificuldade em se encaixar no cenário publicitário atual, assim como tem dificuldades de se integrar no mundo por conta de sua baixa estima.

Inicialmente vamos alternando entre a caçada de Strickland e o cotidiano de Elisa, que trabalha no turno noturno no Centro de Pesquisas da Occam Aerospace na equipe de limpeza. Lá, ela e sua outra amiga, a Zelda, precisam lidar com um chefe egocêntrico e tentar se manter invisíveis para realizar o seu trabalho. 

Após ficar mais de um ano ausente, Lainie estranha o retorno do marido e a mudança para Baltimore, para que ele trabalhe no Centro de Pesquisas da Occam Aerospace. Criada para ser a esposa e a mãe perfeita, durante a ausência de Strickland, Lainie sentiu o gostinho da liberdade e da independência. Ser capaz de tomar as próprias decisões, criar os filhos da forma que quiser e não precisar ficar impecável e com o jantar pronto na hora que o marido deseja foram uma luz brilhante no meio de uma vida cinzenta. A adaptação não é fácil. Strickland, que já era um homem sério e frio, agora tem rompantes de fúria, se mantêm ainda mais distante e evasivo.

"É melhor deixar esses pensamentos de lado. É melhor se concentrar no que pode fazer para ser uma esposa melhor... Seu trabalho é ajudar Richard a remover o caos da guerra, seja lá o que for, e limpar a sujeira, a graxa, o óleo, a pólvora, o suor, o batom, se necessário, e passar tudo muito bem outro vez, para seu marido e sua família, é claro, mas também por seu país." (p. 55)

Strickland torna-se obcecado pelo Deus Brânquia e acredita que a sua destruição irá ser o motivo de paz em sua vida. Afinal, olhar aquela criatura o faz lembrar de tudo o que aconteceu na floresta. E em uma guerra anterior... Quando Elisa e Zelda são chamadas para limpar uma sala nova, a sala F1, a vida da protagonista muda radicalmente. Elisa enxerga algo no tanque que fica na sala e cada vez mais intrigada, tentará descobrir o que escondem lá. Ao se deparar com uma criatura extraordinária, Elisa sente uma conexão que nunca sentiu com qualquer outra pessoa. Então ela começa a realizar visitas sem que ninguém saiba, mas a obsessão de Strickland irá se estender para Elisa também. 

"Palavras são inúteis. Veja as ordens do general Hoyt sobre o deus Brânquia, por exemplo. Claro, elas explicavam a missão. Mas revelavam algo sobre como a selva invade você? Como as trepadeiras entram no mosquiteiro enquanto você dorme, deslizando entre seus lábios, penetrando através de seu esôfago e estrangulando seu coração?" (p. 94)

Elisa é uma personagem singular, com suas dificuldades de se conectar com as pessoas e com o mundo, mas principalmente por conta do vazio constante que sente. A falta de motivação, o se "sentir diferente" e a necessidade de se tornar invisível diariamente faz com que o leitor tenha a impressão de que conhece a protagonista. Strickland seria o modelo perfeito de marido e homem da época, não fosse as barbaridades cometidas e vistas em nome do país. Após anos seguindo ordens, o peso de suas ações começa a surgir e ele chega a um ponto de ruptura. Zelda é uma mulher esforçada, casada com um marido malandro e que tem grandes sonhos de abrir o próprio negócio. Porém, por conta da cor da sua pele, sabe que o melhor a se fazer é manter a cabeça baixa e não chamar a atenção de ninguém. Ela tem um carinho especial por Elisa, e um sentimento de irmã mais velha que as vezes a frusta. Lainie e Giles são dois lados da moeda. Ambos, a seu modo, tentam encontrar seu lugar no mundo, lutar com suas inseguranças e sentir-se confortável consigo mesmo.

"Elisa vive em um mundo só dela, que ela mesma criou. Isso fica óbvio pelos sapatos. Zelda imagina a percepção da amiga como um desses dioramas que viu em um museu, reinos pequenos e perfeitos, quebráveis, mas não se você pisar bem devagar. Esse não é o mundo de Zelda. Ela não pode nem ligar a TV sem ter que ver pessoas negras marchando e brandindo cartazes, cheias de raiva." (p. 85)

A história é simplesmente espetacular. A forma como o autor criou uma fantasia tão elaborada e a mesclou com elegância inúmeras nuances do ser humano. A forma como o autor conseguiu ligar todos os personagens (de uma forma ou de outra todos eles se conectam) é simplesmente fantástica. Usar a guerra fria como pano de fundo, espiões, traições e conflitos políticos apenas enriqueceu ainda mais a história.

Cada personagem apresentado tem um propósito, nada é deixado ao acaso. E cada um deles representa um aspecto importante da humanidade: a solidão, a esperança, a liberdade, o medo e a perseverança. Strickland, Elisa, Giles, Laine e Zelda são personagens bem construídos, cheios de falhas e nunces. Da escolha da capa até as ilustrações internas, o trabalho gráfico é simplesmente perfeito. A Intrínseca caprichou na revisão, diagramação e layout e em todos os detalhes internos que complementaram a vivacidade da história.

"É a imagem de Deus à qual Strickland se referiu, movendo-se como um humano. Porém, se este é o caso, por que Elisa sente que a criatura é todo animal que já existiu?" (p. 106)

site: http://viajenaleitura.com.br/
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Reeiih (Estante X) 20/03/2018

Poético, belo, sensível
Quando optei por ler este livro, eu estava bem dessintonizado a respeito do que se tratava a história, apesar de todo o hype envolta do filme. Logo meu maior receio era encontrar aqui uma história que girasse em torno do romance entre a protagonista e o ser sobrenatural, o homem-peixe. Mas, havia um detalhe o qual eu tinha esquecido de levar em consideração logo de cara: Guillermo Del Toro. E foi por conta desse detalhe – mínimo, mas impactante – que fez com que eu fosse surpreendido inúmeras vezes lendo o livro.

As histórias de Del Toro nunca são “só histórias”, ou apenas focadas em uma única coisa. Ele sempre traz o místico e o improvável, o real e o possível para dentro de suas tramas. A mescla dos temas costuma funcionar bem e ao final, o que temos não é só mais uma história, mas sim, uma grande fantasia que nos convida a acreditar na beleza dos sonhos.

“Assim é a vida, Elisa. Coisas remendadas juntas, sem sentido, a partir das quais nós, em nossas mentes necessitadas, criamos mitos que nos agradam. Você compreende?”

A narrativa transita por diversos temas, e um deles – talvez o mais relevante – é o da aceitação das diferenças. Elisa Esposito era muda, órfã e com uma vida nem um pouco invejável. Servente da Occan, seus dias se resumiam em limpar a sujeira de seus superiores e, no dia seguinte, fazer tudo outra vez. Porém, a falta de comunicação verbal não era o seu maior problema. Tinha uma amizade sincera com seu vizinho de porta, Giles, um artista gay decadente que mantinha no rosto a jovialidade de quem nunca perde as esperança de um dia melhor. Além disso, no trabalho, sua única amiga é Zelda, uma mulher negra que passa pelas maiores humilhações e preconceitos por não ser branca. Elisa tinha uma vida simples, porém, com pessoas honestas e que transmitiam confiança a ela. E o melhor, ela não julgava quem eles eram. Simplesmente os aceitava, os amava.

É quando então ela faz contato com o ser sobrenatural, o recurso da Occan. Um ser tão estranho e ao mesmo tempo tão igual a ela. Espécies diferentes, locais diferentes, mas ambos viam um ao outro em sua real natureza, em sua real forma. O homem-peixe não a julga por ser muda, humilde ou mesmo desajeita. Em Elisa ele encontra o amparo e o carinho que tanto falta nos seus torturadores. Em meio ao desprezo, Elisa também encontra no ser alguém que a aceita como ela é, que gosta dela por ser quem ela mostrou ser. É por isso que o amor entre as duas criaturas soa tão poético e maravilhoso. Ele toca no fundo de nossas almas, conversa com cada um de nós e mostra que é possível sim acreditar no amor e na bondade, sem a necessidade de julgar o outro. Não é a cor da pele ou os bens materiais de uma pessoa que importam, mas sim, as ações e atitudes que essa pessoa tem.

Isso fica evidente também com o antagonista do livro. Enquanto Elisa é toda humilde e querida, Richard Strickland é o carrasco em pessoa, o homem arrogante a quem todos somente abaixam a cabeça por medo, não respeito. Ele tem uma vida invejável: é casado, tem filhos, é rico e trabalha pro governo. Mas sente-se infeliz com tudo isso, desconta a sua raiva nas pessoa próximas e percebe que cada vez mais sua vida está se tornando um lixo. O trabalho envolvendo o Devoniano (o recurso capturado) está consumindo suas energias e tudo o que ele mais deseja é acabar com tudo logo. Sua obsessão vai crescer e colocará em risco tudo o que ele já conquistou: sua família, seus amigos, seu emprego, sua vida.

“É a imagem de Deus à qual Strickland se referiu, movendo-se como um humano. Porém, se este é o caso, por que Elisa sente que a criatura é todo animal que já existiu?”

O bacana é como os autores trabalharam os temas de forma clara e precisa, usando os próprios personagens relevantes como ferramentas de contextualização. Por exemplo, Giles é gay, mas que vive “escondendo” essa realidade por medo de represálias. Imagine um homem, na idade dos 50 anos, na década de 60, se assumir como gay. Poderia ser o seu fim. Do outro lado, temos a esposa de Strickland, a sra. Elaine Strickland, que aproveita as saídas do marido para procurar emprego e ser uma mulher independente, mas ao mesmo tempo, precisa esconder a verdade do marido por medo do que as pessoas iriam dizer, por medo do que poderia acontecer à ela. A ideia que rondava os anos 60, conforme o livro nos apresenta, era a de que uma mulher não podia ser independente, devia apenas cuidar da casa e dos filhos. Qualquer uma que fosse contra isso seria considerada meretriz, traidora, e por aí vai. Mas Elaine quer seguir o caminho dela, sem quem ela é, recomeçar. Mudar de cidade se preciso fosse.

Há uma cena em particular que toca bem fundo no assunto em relação ao preconceito racial. Me refiro a um diálogo entre Zelda e seu marido, onde ele a alerta que ajudar Elisa ou mesmo se intrometer nos assuntos de interesse dos chefões da Occan só traria mais problemas para eles, já que por serem negros, enfrentavam todo o tipo de descriminação que se possa imaginar. Fora as injúrias e ofensas, seria muito ruim se ela perdesse o emprego. Como ele mesmo dá a entender, negros não tinham voz nem vez, precisavam se contentar com o que possuíam. O mais triste em relação a isso é saber que, mesmo a narrativa ilustrando os anos 60, muito do que o personagem expõem ainda acontece nos dias de hoje, em pleno 2018.

“A vida é apenas o afogamento dos nossos planos.”

Como eu disse no começo, eu fui surpreendido várias vezes pela narrativa. Eu esperava um foco maior no romance, porém, isso foi exatamente o que menos teve. O equilíbrio entre os personagens e seus dilemas pessoais, as conspirações envolvendo agentes do governo americano e russo e, principalmente, as críticas sociais expostas de formas tão claras e objetivas fizeram do livro uma das melhores tramas que já li até hoje. Há um cuidado especial dos autores em costurar os pedaços do quebra-cabeça, em dar sentido a tudo o que está ali. Nada é por acaso, nenhuma palavra é dita só por preencher lacunas. Tudo se completa, tudo toma forma e significado.

Enfim, não me surpreende que o filme tenha recebido tantas indicações ao Oscar – e ganhado como melhor filme. De fato é uma narrativa poética, melancólica e nostálgica, que nos faz voltar às essências do ser humano e de nossos sentimentos. Uma forma de mostrar que a bondade não vem do seu status social ou da cor da sua pele, ou de sua opção sexual. A bondade vem de dentro de cada um de nós, e somente nós é que podemos da-la sem querer algo em troca.

site: http://resenhandosonhos.com/a-forma-da-agua-guillermo-del-toro-daniel-kraus/#more-16455
Thamy's 21/03/2018minha estante
Muito bom sua resenha, confesso que me apaixonei pelo livro e até pelo filme. Del Toro faz um trabalho incrível. E esse livro trouxe muitos ensinamentos para mim, creio que para você também! haha obrigado por essa resenha linda!




Luyde | @cafuneliterario 15/03/2018

A Forma da Água me cativou!
Minha preferência literária é por suspense e romance, mas coloquei como meta incluir novos estilos à minha estante. Entretanto, sempre que pegava a Forma da Água, encontrava (ou inventava) algum motivo para desistir. Aparece, então, esse danado do Oscar e o filme homônimo ganha 4 estatuetas, incluindo melhor filme. Não tenho mais desculpas, concordam?
A história ocorre no ano de 1962 (época da Guerra Fria) e relata o amor entre uma mulher muda e um anfíbio capturado na Amazônia para estudo nos EUA. Os personagens são singulares e repletos de carga emocional. Elisa é muda e, no decorrer do livro, vamos nos deparando com fatos de sua infância sofrida, assim como suas dificuldades para (sobre)viver.
Os personagens secundários são apresentados de forma intercalada nos capítulos (curtos, vale ressaltar) e com uma carga reflexiva imensurável: Zelda é a amiga negra, servente do instituto de pesquisa, assim como Elisa; Giles é um pintor em decadência, gay e vizinho de Elisa; Hoffstetler é o cientista (e um pouco mais...nada de spolier) responsável pelo estudo da criatura; Strickland é o chefe de segurança que capturou a criatura, um personagem que reúne machismo, racismo e violência na mesma pessoa; Lainie é a esposa de Strickland, uma personagem que me cativou muito, que me deu vontade de pegar pela mão e dizer: "vamos ser amigas!"; e, é claro, o deus Brânquia que norteia toda a história e que oferece importantes questionamentos à nossa condição de seres humanos, racionais.
Admito que a primeira parte do livro foi bem difícil e arrastada, acredito que devido à minha grande expectativa pelo romance. Depois de algumas páginas (bem lentas), a leitura se desenvolveu de forma mais fluída. Senti falta de mais encontros da Elisa com o deus Brânquia, ainda no Instituto de pesquisa, o que justificaria de foma mais convincente os sentimentos dela e, principalmente, suas seguintes ações.
Entretanto, o que me marcou, mesmo sendo fantasia, foi a delicadeza e mensagens do livro. Isso vale por tudo! Não foi um livro que me fez chorar de emoção, mas me envolveu com mensagens que, embora sutis, foram muito profundas. O livro é o reflexo de Elisa, não são necessárias palavras para compreender a beleza do que não foi dito. É poesia a cada capítulo, situação e emoção narradas. A partir de agora a fantasia estará sempre presente em minha estante, pois descobri que sair da realidade, de vez em quando (talvez um pouco mais), pode fazer um bem enorme!

site: www.cafunedabahia.com.br
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Raffafust 06/03/2018

Comecei a ler o livro na noite em que a história da moça muda que se apaixona por uma criatura marítima levou alguns Oscars para casa, incluindo o de Melhor Filme. Como o filme estreou bem antes do lançamento do livro, acabei vendo o filme antes e já me encantando pela história, mas como toda boa leitura eu precisava do livro, eu precisava saber mais, ler nas entrelinhas uma história que eu tinha saído do cinema com uma visão e que outras pessoas tinham tido outra, o quão incrível isso é em um filme?
Agora em livro eu teria mais linhas para explicar o que era inexplicável e isso para mim foi fundamental para entender que os autores não queriam nos dar de bandeja definições sobre tudo, pelo contrário, eles nos levaram a um mundo de fantasia, o nome já diz, é permitido imaginar, fantasiar...criar algo que não é comum para nós.
Dividido em 4 partes: Primordium, Mulheres Ignorantes, Taxidermia Criativa e Não preocupe mais seu coração, a história aqui é contada sim com mais detalhes, e o maior deles é como o vilão Richard Strickland veio à Amazônia, sim, ao Brasil, para capturar a criatura conhecida como Deus Brânquias, admirada e temida ao mesmo tempo pelos nativos. Aqui temos a visão completa de como foram seus dias antes de chegar ao escritório do governo para o qual trabalha e onde pretendem estudar para depois matar o bichão que parece um peixe gigante bípede.
Da parte da protagonista, Elisa, tudo que vemos no filme está lá, a solidão, o melhor amigo Giles, a melhor amiga Zelda, seu trabalho como faxineira do escritório do governo, seus momentos se dedicando à dar prazer ao seu corpo....tudo está lá. E a maior contribuição está na segunda parte que temos ideia de quanto ela sofreu no orfanato. Com apelidos como Muda ou 22 que lhe eram designados.
Seu primeiro contato com a criatura, seu encantamento e amizade para uma paixão avassaladora também estão aqui, como não? É o que mais amamos nessa história, certo? Ah não, não poderia deixar de citar que há muito mais de Hoffstetler, o cientista que se infiltra na CIA e cuja vida é muito mais esclarecida nesse livro.
Eu achei que era impossível gostar ainda mais de uma história, mas me enganei, o livro me fez reviver a fantasia, a graça no menosprezado encontrar o diferente e se completar, é ficção mas é tão aguardado na vida real....
Devorei o livro, e fiquei com vontade de assistir ao filme novamente.
Leiam, vejam, sintam....A Forma da Água não é simples, é lindo.


site: http://www.meninaquecompravalivros.com.br/2018/03/resenha-forma-da-agua-intrinseca.html
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Valério 07/03/2018

Mistura
Comecei a leitura de "A forma da Água" sendo conquistado por Elisa e Giles, a cativante personagem principal e seu amigo e vizinho.
E imaginei que seria o tipo de leitura onde nos apegamos imediatamente à personagens que colocam nosso coração junto ao deles e assim prosseguiria a leitura.
Mas então, me foi apresentado Strikland. E percebi que o livro exploraria também a psicopatia, tornando tudo mais interessante.
Então me aparecem Zelda, a servente colega de Elisa, e Hofstetler, cientista.
E essa mistura começa a mostrar que haverá mais que um livro sentimental.
Percebi um "quê" da singeleza contida no filme "O fabuloso destino de Amelie Poulain". Não sei se pela mudez de Elisa. Ou se pelo destino fabuloso que a aguarda. Mas está lá o toque que me remete a esta outra história.
Como se não houvesse ainda histórias e personagens variados, com riquezas de caracteres, temos também a esposa de Strikland. Personagem secundária e não menos interessante.
E uma história que poderia parecer apenas de grande sensibilidade se transforma em um suspense de aventura que faz seus olhos correrem mais rápido para saber logo o que vai acontecer.
Honestamente: Duvido que o filme conseguirá reproduzir tudo que o livro transmitiu.
Embora tenha sido escrito pelo próprio cineasta responsável pelo filme.

Não assisti ao filme ainda. Mas o farei com olhos bem mais atentos que aqueles que não leram o livro, captando nuances só perceptíveis a quem antes teve acesso ao livro.
Uma boa história, com toques de delicadeza mesclados com emoção.
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Beta 01/04/2018

Muito mais do que, simplesmente, um filme, “A Forma da Água” é uma obra de arte sensível e acessível; sensível porque mistura, com os seus tons suaves, criaturas de todas as espécies; e acessível porque, mesmo erudita, sequer precisa de palavras para se fazer compreender.
A água, por definição, não possui forma; ela, a bem da verdade, molda-se com a forma do recipiente em que estiver contida, daí a primeira genialidade do título escolhido por Gillermo Del Toro, escritor do livro e diretor do filme vencedor do Oscar de 2018. O romance, que se passa na década de 1960, em Baltimore, trata de tudo um pouco e não só de uma mulher de meia-idade muda e de uma criatura. O livro – assim como o filme – tratam de questões um pouco mais densas, que emergem paulatina e gradualmente, como, de fato, ocorre com as notas das músicas utilizadas pelo Diretor para compor a sua trilha sonora.
Elisa Esposito é uma mulher muda; e, embora não tenha nascido com a restrição vocal, assim se tornou, por ocasião de possível ação de diretores de orfanato no qual vivia. O silêncio, a bem da verdade, é muito visado, sobremaneira como forma de submissão e é isso o que hipnotiza do militar Strickland. Zelda D. Fuller é a única amiga de Elisa; é uma mulher gorda e negra, como assim é descrita nas páginas finais livro, mas que muito se preocupa com Elisa, ainda que estejamos em Baltimore, que Elisa seja branca, e que estejamos na década de 1960. Giles Gunderson é melhor amigo de Elisa, um senhor homossexual que adora usar peruca. É um artista nato, mas um pouco obsoleto, o que dificulta a aquisição de um emprego formal.
O militar, Richard Strickland, foi quem capturou a tal criatura, o deus Brânquia, nas águas da Amazônia, no Brasil; é um militar severo e que visa a atender os propósitos de sua Nação, os Estados Unidos da América. Normalmente, é retratado com o seu aguilhão e não consegue se personalizar seu o objeto torturante. Já o cientista ambíguo, Robert Hoffstetler, é um russo-americano, duplo mesmo, que é o responsável pela compreensão do animal capturado por Strickland. Se, um lado, serve aos Estados Unidos, como Bob, serve, também, à União Soviética com o seu nome verdadeiro, Dmitri.
A criatura, o deus Brânquia, é um ser fantástico, maravilhoso, que, notadamente, é concebida como um animal senciente; pois, ainda que não profira uma única palavra – tal como Elisa –, este ser sente dor, sendo, ainda, capaz de se comunicar. Durante o tempo em que está no laboratório, o animal é acorrentado, massacrado e humilhado, tudo em prol dos avanços científicos militares.
O cenário é simples: Elisa e Zelda são serventes de limpeza no laboratório para onde a criatura é levada e estudada por Bob. Strickland permanece no local, mas apenas com a função de supervisionar, sem, entretanto, ter qualquer função executória quando do estudo.
No fim, há de se perceber que, muito mais do que o amor entre Elisa e a criatura, há, também, a questão das minorias: uma mulher branca deficiente, uma mulher negra, um homem homossexual e um animal. Todos esses seres são, atualmente, tidos como minorias hipossuficientes e, por isso, precisam de maior atenção na sociedade atual. De outro lado, há o onipotente Estado americano, sempre traído e boicotado pelos russos, gozando de uma força de combate expressiva. Por isso, sob alguma interpretação, há, aqui, de fato, a retratação entre os oprimidos e o próprio Estado, o que acho genial.
Se, no cinema, as pessoas saem aliviadas pelo final feliz, há muito mais para se compreender da obra do que apenas o final; há de se compreender, primordialmente, o enredo. O animal, o deus Brânquia, é um ser inteligente, e, mesmo assim, é utilizado aos propósitos de pesquisa. Desta forma, coloca-se uma questão aqui: na verdade, não é por que, supostamente, o animal é um ser não humano que é utilizado como objeto ou assim retratado, mas porque não pode se determinar, porque é gentil o bastante para ser dominado, tal como um cavalo. Os russos e os americanos, no livro, dão, à criatura, totalmente, a condição de ser pensante, de ser que sente dor e de ser que é capaz de se comunicar; entretanto, mais do que se preocupar com o outro, sobremaneira um animal, a ciência está sempre em busca de avanços, em tese em prol do ecossistema – será?
Para mim, muito mais do que um filme que retrata o amor – em todas as suas formas, o que é algo lindo –, é uma obra de arte que também impõe a renovação do pensamento: da necessidade de mudança no pensamento. É necessário, nos dias atuais, compreender que, por mais que a criatura não fale, isso não significa, de modo algum, que ela deva ser escravizada. Negros, desde sempre e até hoje, são vistos como seres inferiores, da mesma forma que as mulheres e que os homossexuais. Essas minorias – ainda bem! – têm ganhado força e espaço, mesmo que no seio da família tradicional, o que é, realmente, um avanço inenarrável.
Entretanto, não há que se olvidar que a questão do animal, atualmente concebida como objeto, também há de mudar. O bicho não foi criado para servir a dignidade humana, assim como o negro não foi feito para servir o homem branco e assim como a mulher não foi concebida para servir às vontades de seu senhor, o marido. Cada qual, com as suas particulares, foi feito, a bem da verdade, para coexistir. E coexistência pressupõe a possibilidade de se conviver, no mesmo espaço, sendo, portanto, respeitadas as diferenças.
Devo dizer mais: por que tratamos os cachorros e os gatos como filhos, mas comemos os bois e os porcos? Simplesmente porque, hoje, a indústria pet é uma das maiores do mundo, sobremaneira no Brasil. É interessante que esses seres o assim sejam e que nós continuemos na caverna, desnorteados e sem a compreensão correta do que se passa.
Por isso, o filme é genial; porque, mais uma vez, sensível e acessível, ele não se trata de um filme incompreensível ou intenso: ele apenas é. E é disso que o mundo precisa: de arte, de sensibilidade e de amor, em todas as suas formas, humanas ou não.

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Renato.Vasconcellos 14/03/2018

Belo
Belo conto de fadas. O livro conta a mesma história do filme, mas expande o conhecimento desse estranho universo e nos mostra outros pontos de vista, como o do terrível vilão e como da própria criatura. É notável como os sentimentos causados pelo filme ao expectador, aqui são ampliados e a leitura se torna intensa e emocionante. No fim, tal como o filme, o conto é uma bela história de amor.
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Vinicius 09/03/2018

Digno de Oscar
A historia mais doida de romance que encontrei, mas que vale a pena ler cada página.

A primeira coisa que gostaria de falar é que quem assistiu ao filme, eu conselho ler o livro também, pois traz alguns entendimentos que o filme às vezes passou raspando e preferiu deixar de lado, principalmente no começo, uma vez que o filme já conheça com a criatura capturada, e o livro explora mais disso.

A primícia da historia já é conhecida por quem já ouviu falar sobre o filme, mas não custa relembrar... Nesta história uma humana se apaixona por uma criatura, mas precisamente um deus aquático trazido da Amazônia. (Sim! Uma referencia ao nosso país). Tornando esse amor logicamente impossível.

A narrativa do livro é intercalada, entre a humana e algum personagem que está próxima da criatura/deus ou ponto de vista de algum personagem isolado. Tornando uma leitura dinâmica, sem falar nos capítulos pequenos, onde quando de vê, já leu mais do que devia em um dia.

Mas ainda bem que o livro não é só romance, ele traz uma vasta camada de assuntos importantes, como por exemplo, o mal trato as mulheres e preconceito dos mais diversos. A historia também é cheia de reviravoltas que me deixou querendo mais, o final se tornou previsível, mas torcer por ele foi ótimo.

“A Forma da Água” foi lançado em 2018 pela editora Intrínseca, possui 352 páginas, sua diagramação é como de costume da editora, dei 4/5 estrelas no Skoob para o livro, só não chegou a 5 estrelas, pois como disse, o final é imprevisível nada que já não tenha lido ou visto, mas deixo claro, que se aventurar pelo universo criado pelos autores é fantástico. Não foi a toa que vem ganhando vários prêmios ao redor do mundo.
@SoutoAndy 09/03/2018minha estante
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Jucila Cruz 11/03/2018

Um Conto de Fadas Moderno
Tão lindo quanto o filme, Elisa passa a descobrir outro mundo através de amizade com o deus Brânquias, e ele aprende a se comunicar e ver o mundo de forma diferente do terror do laboratório que o cerca. Um romance improvável que ultrapassa as barreiras da linguagem e espécie.
Uma releitura brilhante do "Monstro do Lago", chega a ser poético a descrição e a forma que a protagonista vive em um mundo de silêncio, pois a mesma é muda.
Gostei demais dos detalhes que o filme não descreve, que só o livro tem a capacidade de trazer ao leitor certas nuances.
O vilão nada mais é que alguém real, como aquelas pessoas que encontramos na rua todos os dias, e a mocinha apesar de doce não é daquelas ingênuas, ela sabe o que quer e vai em busca mesmo sendo impossível.
Em um mundo tão cheio de intolerância, vemos o amor florescer no dia-a-dia, primeiro na amizade e depois na paixão.
Retratado na década de 1950, em um Estados Unidos pós guerra, vemos o preconceito em alguns ângulos e o papel da mulher em se manter fiel aos seus próprios sentimentos.
Para mim essa estória é poética, quase tal como um conto de fadas moderno, onde nem sempre se transforma o sapo, no caso o peixe em príncipe, mas aceita a diversidade tal qual como ela é.
Onde dois caminhos tão diferentes se cruzam, A Forma da Água mostra que o amor não tem forma, mas sim deve ser vivido e apreciado dentro do coração.
Recomendadíssimo!!!
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@diariodosemideus 02/03/2018

A Forma Da Água
Em 1962 Elisa Esposito, uma mulher muda tem uma vida monótona e repetitiva. Trabalha como faxineira na Occam, um centro de pesquisas secretas do governo.
?
Em mais um dia normal de trabalho, ela se vê intrigada com o novo experimento do laboratório: Uma criatura marinha fantástica que vai mudar sua vida para sempre.
?
Um sentimento vai crescer entre ambos; mas será correto algo dessa magnitude? Afinal, eles são de espécies totalmente diferentes.
?
Bom, tenho que dizer que esse livro me surpreendeu ainda mais que o filme. A escrita orgânica, poética e detalhada nos levam à um período de ignorância, preconceito e conflitos insinuando, a guerra fria. Elisa é uma protagonista única; a falta de palavras a torna ainda mais interessante, e um tanto angelical. A personagem consegue transmitir medo, carinho, ternura, coragem e repulsa apenas com ações corporais.Os capítulos alternados nos apresentam muitos pontos de vista, que enriquecem ainda mais a estória. Guillermo Del Toro constrói um universo único, frio, encantador e visceral, que cresce à cada página.
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Gisele @abducaoliteraria 31/03/2018

"As criaturas mais inteligentes são as que geralmente fazem menos sons".
O interesse para ler A Forma da Água surgiu logo quando soube que o livro não era apenas uma novelização do filme, mas que ambos foram criados simultaneamente e que poderiam apresentar diferenças entre si. Depois disso, foi difícil esperar o lançamento do livro e me segurar para não conferir a história do cinema, principalmente depois que ela levou o principal prêmio na noite do Oscar. É quase uma regra entre a maioria dos leitores sempre conferir o livro antes do filme, e tenho certeza que tomei a atitude certa.

PREMISSA
Richard Strickland é resignado para encontrar um ser misterioso conhecido como Deus Brânquia, que provavelmente vive em algum lugar da Amazônia. Encontrar a criatura oferece aos Estados Unidos uma oportunidade para se sobressair perante o seu inimigo e aumentar a potência militar do país durante a Guerra Fria. Após um longo período na Amazônia, Strickland finalmente atinge o seu objetivo; ele captura o Deus Brânquia e o transporta para os Estados Unidos, levando também consigo as consequências mentais de um período perturbado e selvagem na floresta.

Occam, o centro de pesquisa para onde a criatura é levada, também é o local de trabalho de Elisa Esposito, uma faxineira muda que sente algo despertar dentro de si quando conhece o homem-peixe. A partir daí, acompanhamos as artimanhas de Strickland lidando com a criatura de forma desumana e severa, descontando nele todas as suas frustrações. Enquanto isso, Elisa tenta suportar a angústia de presenciar as maldades direcionadas ao seu mais novo amigo, que é capaz de fazê-la se sentir bem, como jamais se sentiu antes.

LIVRO
A narrativa de A Forma da Água oferece ao leitor um mergulho em águas profundas e desconhecidas, revelando as particularidades de personagens intensos. Há vários pontos de vistas de personagens diferentes, o que para mim foi uma surpresa extremamente agradável. Você acompanha o percurso de todos se desenrolarem e se entrelaçarem em algum momento da trama, e também é capaz de compreender as motivações de cada um, até mesmo do antagonista transtornado.

Os relacionamentos são retratados de forma delicada e real, desde o convívio entre família, até as ligações de amizade. Esta, aliás, demonstra com muita beleza o quão importante é você não se sentir só e ter por perto com quem contar. A relação entre Elisa e o homem-peixe acontece de forma natural, e logo você nota a empatia que um sente pelo outro. O sentimento genuíno que flui entre eles é crível e bonito.

"Muito tempo atrás, Elisa se permitia fantasiar sobre romances no ambiente de trabalho, sobre encontrar o homem que dançava pela escuridão de seus sonhos. Era o delírio de uma garotinha boba. É isto o que acontece quando se é uma servente, ou qualquer cargo do tipo: você passa despercebida, como um peixe embaixo d’água".

E mais além do que isso, a história apresenta um cenário real dos anos 60, época em que ocorria a Guerra Fria e movimentos civis contra o racismo. O contexto político está presente em diversas ocasiões da trama, oferecendo circunstâncias carregadas de ironia.

A história apresenta momentos de mistério, tensão e um toque magistral como se estivéssemos lendo a um conto de fadas. A narrativa detalhista, subjetiva e poética foi uma das características mais inesperadas e o principal motivo de ter gostado tanto do livro.

FILME
O filme tem ótimas atuações, um cenário fiel, fotografia impecável e uma trilha sonora muito bonita. Mas em termos de história, ela apresenta apenas uma pequena fração do que realmente é. Através do livro você enxerga melhor cada personagem e compreende suas intenções. No filme, você se sente distante de alguns deles e os vê apenas como mocinho e vilão. Aliás, Richard Strickland, o antagonista da história, não recebe a atenção que merece e não possui exploração no seu campo emocional; ele aparenta ser um sádico calculista apenas porque sim.

Se você ler primeiro o livro, quando for conferir o filme sentirá que falta algo - os pontos de vistas de personagens secundários, detalhes que parecem fundamentais. Lainie, a esposa de Strickland, foi uma das minhas personagens favoritas do livro, e fiquei muito triste ao perceber que ela não teria espaço no filme. Não imagino como poderia ser minha experiência com o filme se não tivesse lido o livro, mas a verdade é que a história deste último apresenta a imensidão que a trama merece.

Porém, como também compreendo que levar para o cinema uma história tão profunda e rica em detalhes é extremamente complicado, acredito que Guillermo del Toro acertou e deu o seu melhor para apresentar a trama central de forma sublime. O principal aspecto que gostei na obra foram os efeitos especiais; o homem-peixe é incrivelmente retratado, do jeitinho que imaginei - e olha que é extremamente difícil satisfazer a imaginação de um leitor. Sem sombras de dúvidas, foi uma ótima experiência apreciar uma história que gostei tanto.

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"Ela o abraça, ele a abraça, os dois se abraçam, e tudo é escuridão, tudo é luz, tudo é feio, tudo é lindo, tudo é dor, tudo é pesar, tudo é nunca, tudo é eterno".

Recomendo tanto filme quando livro - este, com muito mais clamor - para quem gosta de tramas bem contadas e amarradas, e claro, também para quem aprecia um bom romance. A Forma da Água oferece a oportunidade de você mergulhar com intensidade dentro de uma história bela e singular, capaz de emocionar e te fazer sonhar.

site: http://abducaoliteraria.com.br
Isabel 25/05/2018minha estante
Eu li o livro primeiro e depois vi o filme. Concordo com você. Lainie faz falta na trama, até por mostrar ainda mais o lado sombrio do vilão. O Hoyt do filme também me pareceu menos ameaçador. Além do deus Brânquia, me pareceu mais frágil. Os livros deixam nossa imaginação mais rica. Ambas as versões são belíssimas.




Jéssica - @cjessferreira 17/04/2018

Não existe forma para a água. Não existe forma para o amor.
Todas as vezes que eu parava para escrever uma resenha desse livro eu perdia as palavras. Não foi fácil traduzir tudo que ele me fez sentir, mas eu posso afirmar, mesmo em poucas linhas, que A forma da água transbordou pela força do amor.

"Ela o abraça, ele a abraça, os dois se abraçam, e tudo é escuridão, tudo é luz, tudo é feio, tudo é lindo, tudo é dor, tudo é pesar, tudo é nunca, tudo é eterno."

O livro de Guilhermo Del Toro e Daniel Kraus se passa nos anos 60, em Baltimore, nos EUA e conta a história de uma criatura mágica, o deus Brânquia, capturada e levada a um laboratório americano de extrema segurança para ser analisada. Lá, de forma inusitada, a criatura conhece Elisa, uma faxineira muda, e o envolvimento dos dois é tão genuíno que encanta, apaixona e seduz. Enquanto a criatura não vê "o que falta" em Elisa, enquanto a mudez não significa nada para ele, ela é a única que não o vê como um monstro, e sim como um ser encantador ser vivo.

"Muito tempo atrás, Elisa se permitia fantasiar sobre romances no ambiente de trabalho, sobre encontrar o homem que dançava pela escuridão de seus sonhos. Era o delírio de uma garotinha boba. É isto o que acontece quando se é uma servente, ou qualquer cargo do tipo: você passa despercebida, como um peixe embaixo d’água".

Imagine ser amado por quem você é,
Imagine ser visto como único no mundo,
Imagine ser grandioso para alguém independentemente de suas características físicas,
Imagine não ser definido pelo que te falta...

Elisa, devido a mudez e a posição social é vista como submissa. O deus Brânquia, por sua estranheza e pelas correntes que o prendem é tido como um monstro; e é a partir dessa união, cada um a sua maneira, que eles encontram seu lugar no mundo e descobrem a importância de se estar vivo, de ser algo, se sentir algo, de envolver-se, de lutar... de ser livre. Dois seres estranhos, à parte de uma sociedade que vive de aparências, status e poder; Elisa e o deus Brânquia rompem as barreiras daquilo que insistimos em denominar, rotular, encaixotar, formalizar... Não existe forma para a água. Não existe forma para o amor.

A Forma da Água é suave, poético, transformador, mágico e traz uma linda mensagem de amor, aceitação e respeito a si mesmo, aos outros e a tudo que é vivo.


site: www.instagram.com/cjessferreira
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Karla Lima - @seguelendo 15/06/2018

Esse livro já estava na minha lista de leitura e acabou passando na frente pois foi o livro sorteado para ser a leitura do mês de Maio do @amigosdaleituraoficial para o debate que ocorreu no dia 27/06.
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Esta foi a obra de Guillermo del Toro que deu origem ao premiado filme de mesmo nome (e que eu ainda não assisti justamente porque queria ler o livro primeiro, sou dessas). O livro nos apresenta a diversos personagens, mas a trama gira em torno de dois: Richard Strickland, um oficial do governo dos Estados Unidos enviado à Amazônia para capturar um ser mítico; e Elisa Esposito, uma das faxineiras do centro de pesquisas para onde este ser foi levado para ser estudado.
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Entre os dois, vemos uma espécie de guerra sendo travada em silêncio: para Richard, o homem-peixe é só objeto a ser dissecado, subjugado e exterminado; para Elisa, o ser é um amigo, cuja existência deve ser preservada.
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Em meio a trama principal, somos apresentados aos personagens secundários que, em vários momentos, seguram o ritmo da obra. Vemos uma mulher submissa se descobrir independente e realizada, vamos amigos leais sacrificarem tudo em nome do que acreditavam.
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Confesso que achei o começo um pouco lento. Li muito devagar mesmo, porém da metade para o final do livro - não sei se pela pressão de ter que terminá-lo a tempo para o debate - acabei lendo mais de 150 páginas em um dia.
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Durante todo o livro, intercalam-se os pontos de vista entre os personagens e isso em algumas partes é ótimo, em outras fica um pouco cansativo e acho que funcionou muito melhor no filme (quando assistir, tirarei a prova). No todo, temos uma história interessante, que é uma verdadeira mistura de conto de fadas, ficção científica e suspense, com leves pitadas de terror.
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Lisandra.Vieira 31/05/2018

A forma do amor
R E S E N H A ?A FORMA DA ÁGUA

Que livro espetacular!

Terminei a leitura agora e ainda estou um pouco perplexa com a 'profundidade' dessa história!
É incrível acompanhar TODOS esses personagens.
A narrativa é muito gostosa e fácil, com grande riquesa de detalhes e com a visão de vários personagens centrais.
Elisa, nossa mocinha, é uma mulher muito determinada. Ela trabalha na Occam, um centro de pesquisas, e lá se depara com um ser inimaginável e fantástico. Imediatamente os dois criam uma espécie de elo, uma força invisível os une.
Elisa é muda, mas isso não a impede de se comunicar com a criatura espetacular que ela encontra aprisionada dentro da piscina escondida atrás da porta F1. Os dois conseguem se entender através de gestos, olhares, música... Diversas sensações atravessam a água e une esse casal peculiar.
Essa 'criatura', chamada de deus Brânquia, ou recurso (para diminuir ser valor extraordinário), foi capturada na Floresta Amazônica e está a mercê de militares americanos e cientistas... O homem que a capturou é Richard Strickland, um homem lunático e atormentado. O verdadeiro monstro na história.
Strickland é um personagem fenomenal, apesar de todas as atrocidades e caos que ele desencadeia, não tem como a gente ignorar a grandeza desse personagem... Um dos melhores e mais bem elaborados que eu já conheci.
Outras vozes que temos o prazer de ouvir na narrativa são as de Zelda D. Fuller - melhor amiga de Elisa, uma gota de diversão e com certeza uma personagem ímpar e muito valiosa. Laine, esposa do vilão - uma mulher que vive o próprio tormento e luta ao seu modo para sair ilesa com a família. Giles, vizinho e melhor amigo de Elisa - um homem especial. Ele é a âncora da mocinha, mas tbm é o barco que a leva até seu destino. 'Bob', o cientista que se permite ser humano acima de tudo.
O nosso deus de Guelras é um personagem muito bom também, mas apesar de ser o ponto central tem pouca voz na história. Alguns capítulos temos a visão dele, mas eu queria muito mais! O final é LINDO. Apesar de forte, não imagino outro desfecho melhor.
Apaixonada por tudo.
Quero muito assistir o filme. Agora mais que nunca!
Dou todas as estrelas do mar para esse livro!
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Lua @epigraph9 23/03/2018

Belo e grandioso.
"Ela o abraça, ele a abraça, os dois se abraçam, e tudo é escuridão, tudo é luz, tudo é feio, tudo é lindo, tudo é dor, tudo é pesar, tudo é nunca, tudo é eterno."
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Um general que dá as piores ordens. Um soldado que as cumpre. Um espião longe de casa. Um artista decadente. Uma esposa que não sabe o que aconteceu com sua própria vida. Uma faxineira negra e uma faxineira muda. Uma criatura, um monstro, um deus. Essas são vidas movidas pelas mãos de um titereiro invisível. Pessoas que tiveram os fios de suas vidas conectadas há muito tempo.
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Richard Strickland foi enviado à selva amazônica atrás da lenda do deus brânquia, uma espécie de criatura em parte peixe em parte homem. A captura do deus brânquia, e pesquisas feitas através dele, podem significar avanços enormes para as forças americanas. Mas capturar uma criatura mística pode ser mais difícil e tomar mais de si, do que Strickland se quer pode imaginar.
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Elisa Esposito passou parte de sua vida num orfanato, e é muda. Desde os seus 18 anos ela trabalha como faxineira na Occam, uma base de pesquisas militares. Ocupar um cargo como esse torna as pessoas invisíveis. E se você não é notado, então você não existe, não é? Sua amizade com Zelda, a outra faxineira, é o que torna seus dias de trabalho menos extenuantes.
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Os olhos de Elisa estão sempre se voltando para a F1, uma sala mantida sobre vigilância restrita. Elisa sempre se sentiu uma ninguém, sua existência sempre pareceu não fazer sentindo. Não até que seus olhos se encontraram com os da criatura. Ele a vê como ela é, sem suas restrições e sem barreiras. Parece conhecê-la de dentro pra fora, e esse fato, sempre a traz de volta àquela sala.
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A forma da água é narrado em 3a pessoa contando os pontos de vista de vários personagens. A história se passa nos anos 60 e levanta assuntos como, a forma como os negros eram tratados nos EUA naquela época, a inserção da mulher no mercado de trabalho e o início dos movimentos feministas, além de protestos à favor dos negros e homossexuais e a corrida entre Estados Unidos e União soviética.
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Além de um romance entre espécies, os autores mostram que uma situação pode mudar não só uma vida, mas a de diversas pessoas. O livro faz um grande questionamento sobre quem é o monstro e quem é humano. Será que somos os monstros? Será que nossas atitudes e atos não nos tornam exatamente aquilo que negamos ser? Será que os monstros tem mais humanidade dentro de si do que nós mesmos?
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A forma da água é um livro incrível, onde fantasia e o real se misturam de forma que encanta o leitor, e ao meu ver, foram poucas páginas pra grandiosidade dessa obra.
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