Escaping From Houdini

Escaping From Houdini Kerri Maniscalco




Resenhas - Escaping From Houdini


2 encontrados | exibindo 1 a 2


LauraaMachado 12/12/2018

Cheio de passos em falso, podia ter sido bem melhor
Não detestei esse livro tanto quanto esperava, confesso. Tinha lido já tantas críticas negativas para ele, que comecei a leitura extremamente bem preparada para notar e me incomodar com tudo que tinham apontado. Em muitas questões, eu concordo, em outras, nem tanto. Mas o que realmente me decepcionou foi o nome de Harry Houdini na capa, quando ele não foi mais do que mero personagem secundário - ou talvez nem isso. Não sei exatamente, mas acho que Audrey teve uma única interação com ele, o que faz o título ser um tanto enganoso.

Uma das críticas que vi fazerem foi sobre a criação de um triângulo amoroso nesse terceiro livro. Concordo com quem falou que Thomas Cresswell merece muito mais, mas achei mega válido a Audrey Rose ter pelo menos uma chance de se interessar por outro cara. Esse mundo dos livros é muito lindo e incrível, mas ele tem a tendência a nos fazer pensar que, uma vez que você ama alguém, nunca vai ter olhos para outra pessoa. A experiência da Audrey aqui foi, não só completamente válida para ela como pessoa, como válida para o relacionamento dela com Thomas, além de mais realista do que eu esperava.

Mas vou ter que admitir que Mephistopheles é um dos personagens mais insuportáveis que eu já tive a chance de conhecer (através de uma história, é claro). Ele é chato. Extremamente chato. Tenta ser poético, tenta ser profundo, mas só é infantil, irritante e mentiroso - pior, de um jeito tão batido, que você não terá problema nenhum em reconhecê-lo e detestá-lo também. Além do mais, ele tem tanta coisa super parecida com a personalidade do Thomas, que, quando os dois interagiam, ficava bem difícil saber quem estava falando o quê. Não vejo problema em um triângulo amoroso, mas bem que os caras dele podiam ser mais distintos entre si, não?

Por falar em personagens, a protagonista, Audrey Rose, se tornou uma incógnita muito grande nesse livro. A autora depois explica que existe quase que um fenômeno de pessoas que se infiltram em situações nas quais elas acabam perdendo noção da realidade e começando a acreditar na máscara que usam (não literalmente, apesar de que, aqui, encaixaria bem). Infelizmente, ela não chegou nem perto de passar essa ideia pelas atitudes da Audrey, o contato dela com o mundo do circo aqui foi extremamente superficial, mesmo que ela insistisse no final ter aprendido muita coisa (por mágica, só pode ser).

Em relação aos outros personagens, Liza ficou muito superficial também, igual a milhares de personagens secundárias mulheres amigas de protagonistas por vários livros por aí. E até o Thomas, que fica cada vez melhor em alguns sentidos, sofreu com passos em falso da autora. Muitas de suas brincadeiras foram forçadas, repetitivas e infantis de um jeito que ele nunca tinha feito antes.

Independentemente do resto da série, tudo que falei antes seria facilmente superado se não houvesse um problema muito maior atrás de tudo isso. A razão que move todo o enredo, que coloca Audrey na posição em que ela se encontra durante o livro inteiro (e que não tem nada a ver com os assassinatos) é extremamente falha e mal feita. Não é nem de longe forte o suficiente para tudo se desenrolar depois, muitas coisas "contra a vontade da Audrey". É tão tosca, na verdade, que, quando ela mencionava sua situação, eu tinha que parar e pensar para tentar me lembrar qual foi a desculpa completamente esfarrapada da autora para tentar nos convencer de que aquela era uma situação verdadeira.

Eu tenho uma crítica para toda a série também, para ser bem honesta. Recentemente vi a autora falando que a ideia dela era criar uma dupla meio Sherlock Holmes e John Watson com Audrey Rose e Thomas. Se ela não tivesse falado isso, eu teria achado o resto desse livro bem interessante. Mas, se sua intenção era fazê-los investigar crimes, essa foi, de longe, sua maior falha, já que eles NUNCA INVESTIGAM NADA.

Isso que me deu raiva, na verdade. Eles são ótimos em fazer autópsias, mas são péssimos detetives. Ela fica nos lembrando o livro todo que Thomas é ótimo em dedução, mas, se as provas não são jogadas na cara deles, nunca vão atrás de nada. Nem perguntas eles fazem às pessoas, só esperam o próximo cadáver. Parece até que o mistério é só um detalhe que aparece de vez em quando no meio do dia meio inútil da Audrey no navio, o que teria sido okay para médicos legistas, mas não é para quem se diz estar ativamente investigando um assassino em série. E, pela terceira vez, terceiro livro, ninguém descobre quem é o assassino. Ele é apresentado para nós por vontade própria, não porque algum outro personagem descobriu sua identidade.

Preciso tanto ler Sherlock Holmes agora! Porque essa série está longe de satisfazer minha vontade de livros de investigação, principalmente quando o culpado é extremamente previsível outra vez.

O que posso falar de bom sobre o livro, além de que apoio a Audrey ter explorado a ideia de que pode se interessar por outros caras? O final é muito bom, apesar do epílogo ter parecido coisa de quem escreve fanfic, para ser honesta. E a escrita entretém, é fato. Eu gosto desse universo da série, ainda que ache que a prosa da autora não é tão cativante e fluída quanto podia ser. Espero que o último livro seja em Nova York mesmo.

É verdade que eu não achei Escaping from Houdini tão ruim quanto esperava, mas estava mesmo esperando um livro péssimo. É bem mais fraco até que o primeiro, mas o segundo livro da série foi tão bom e me deixou tão aflita, que ainda tenho esperanças para o último. Só espero que a autora pare com essa ideia de circo, mágica e segredos, porque aqui só foram usados como um jeito de não ter que trabalhar em uma trama complexa de verdade. E isso é truque baixo, digno de livros como Caraval, que eu quero esquecer que já li, aliás.
Andréa Araújo 12/12/2018minha estante
Hahaha eu li a resenha e agora eu tambémquero muito ler Sherlock Holmes juntas!


LauraaMachado 12/12/2018minha estante
Aceito! Haha


Nati 19/12/2018minha estante
Ai, que arraso, estava tão animada com esse livro. Adoro a série, apesar de não ter gostado tanto de Hunting Prince Dracula como do primeiro, mas depois do que aconteceu no final, estava bem ansiosa para esse livro, esperando ser mais empolgante. Ainda bem que não peguei logo de cara depois do segundo, senão ia ser um balde de água fria. Acho que vou esperar sair o último pra ler tudo junto.




isa gusmão 20/09/2018

Uma fanfic mal feita do que a série realmente é
2,5 estrelas.

Eu estou estupefata com esse livro. O que prometia ser uma das minhas melhores leituras do ano se provou uma das mais decepcionantes. E eu só dei 2,5 estrelas por conta do epílogo, porque senão essa teria sido uma leitura 2 estrelas.

Eu li ambos os livros da série em janeiro e eles rapidamente viraram alguns dos meus favoritos! Afinal, continham personagens interessantes, uma mulher forte e independente no século XIX, mistérios de assassinato e um casal com uma dinâmica incrível e saudável. E ainda assim, Maniscalco conseguiu escrever esse livro, que realmente parece mais uma fanfic (ruim) dessa série. Me deixou com raiva e irritada até o último capítulo, e eu ainda estou tentando entender o que aconteceu.

Primeiro, o ritmo do livro não me agradou. Eu adorei a construção dos dois primeiros, porém esse me deixou toda descompassada, e eu não consegui me engajar com a leitura. Além do mais, pra uma premissa super interessada de circo, acabou por ser zero mágico e com os personagens e elementos circenses mal explorados. Os integrantes do circo poderiam ter sido ótimos, mas eles foram ofuscados por Mephistopheles, um personagem que eu detestei. Não entendi o propósito dele, nem porque Maniscalco assim o escreveu. Em vez de intrigante ou misterioso, ele me deu nos nervos. Achei ele o maior boy lixo e com um papinho que não engana ninguém (só Audrey Rose aparentemente). Me fez bastante desconfortável que ele foi vendido como um galã, mas na verdade manipulou Audrey Rose constantemente e tentou diversas vezes acabar com o relacionamento dela com Thomas, tudo em nome desse grande instalove. Mephistopheles é, em verdade, um personagem mal feito, pretensioso, com sonhos de ser moralmente cinzento, mas que na verdade não tem nada de interessante, uma vez que ele é apenas uma cópia “bad boy” de Thomas.

Meu maior problema com esse livro foi o romance de Mephistopheles com Audrey Rose. Não vale nem entrar no mérito do quanto ele me incomodou, especialmente por conta das atitudes de Audrey Rose com relação a ela e Thomas. Todo desenvolvimento e construção dos últimos livros foi apagado, em minha opinião. Audrey Rose, nesse livro, se mostra egoísta e irresponsável, e a suposta confusão dela em busca da liberdade não justifica machucar os outros, especialmente Thomas, que sempre foi o seu maior parceiro. A criação de um triângulo amoroso nesse livro foi completamente desnecessária e destruiu uma dinâmica incrível entre um casal maravilhoso.

Em verdade, detestei todo o comportamento de Audrey Rose nesse livro. Ela já foi uma personagem inteligente, independente e sagaz, porém neste livro ela repetidamente fez escolhas ridículas e burras. Ela se permitiu ser manipulada e suas prioridades eram uma merda. Além do mais, continuamente ela machucou Thomas, mentiu para ele e criou desculpas para um personagem que ela nem conhecia, tudo por causa dessa “intensa atração” que sentia por ele. Pra mim isso é papinho merda, que não é desculpa para a forma como ela agiu. Todo comportamento, para mim, foi mal escrito, e talvez tivesse sido interessante se tivesse sido explorado em um enredo mais bem estruturado e se com uma escrita mais competente. No todo, apenas me deixou frustrada e irritada com uma personagem que já tanto admirei. Talvez todo esse comportamento fizesse sentido se ela tivesse um grande arco de crescimento no livro, o que, no meu ver, não ocorreu, e ela terminou o livro aprendendo lições erradas. Só se salva o epílogo, na minha opinião. Por suas decisões estúpidas, não consegui simpatizar com os problemas e dilemas nos quais Audrey Rose se encontrava e passei boa parte do livro com abuso profundo dela.

Ainda por cima, todo o mistério do assassinato foi relevado para focar em Audrey Rose e Mephistopheles e eu só faltei morrer. Senti muita falta do papo médico, das autopsias e do trabalho de detetive, além de, acima de tudo, da dinâmica de Thomas e Audrey Rose. Thomas que, neste livro, continuou incrível como sempre e foi o grande ponto alto da leitura, apesar de estar tão ausente. Ele é maravilhoso e tem ideais excepcionais, e não sei como Audrey Rose sequer ficou na dúvida entre ele e Mephistopheles, o maior boy lixo de todos. Ainda estou revirando os olhos de tudo que ela fez nesse livro e, para mim, ela ainda vai ter que se provar muito para reconquistar meu apreço original.

Eu lia essa série porque havia uma independente e forte heroína, ótimos mistérios de assassinato e um casal incrível. Tudo isso foi destruído nesse livro. O mistério foi insosso e apagado, não sendo propriamente explorado; Audrey Rose estava agindo ridícula e irresponsavelmente e, ao invés de um casal f*da e saudável, temos uma dose de segredos, manipulações e tensão, além de um extra de um péssimo triângulo amoroso. Eu nunca quis essa angústia. Isso foi uma fanfic.

Essa resenha não cobre, de modo algum, tudo que me irritou no livro, e eu fiquei TÃO desapontada. Espero que o próximo da série consiga retomar a mágica história dos outros dois primeiros. O final foi o que salvou o livro para mim, e apenas por conta dele que dei 2,5 estrelas, mas não posso dizer que gostei de Escaping From Houdini. Esperava muito mais, especialmente porque sei que Kerri Maniscalco consegue fazer muito melhor que isso.
Thu 29/01/2019minha estante
eu li sua resenha e já estou nervosa sem nem ler o livro. te mandei um inbox




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