Mamãe & Eu & Mamãe

Mamãe & Eu & Mamãe Maya Angelou


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Resenhas - Mamãe & Eu & Mamãe


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Mariana Dal Chico 16/10/2018

“Mamãe & eu & Mamãe” da Maya Angelou foi lançado recentemente no Brasil com tradução de Ana Carolina Mesquita pela @editorarosadostempos

Nesse livro de memórias, Maya coloca seu relacionamento com a mãe como ponto central de todos os eventos narrados.

Maya morou com a avó paterna dos 3 aos 13 anos, seu relacionamento com a mãe começou baseado na desconfiança, mas o amor cresce com o passar dos anos.

Vivian Baxter foi uma figura e tanto! Mulher forte, que ensinou os filhos como enfrentar o mundo, sem dar nada de graça, a não ser seu apoio e amor.

Quando olho para esse livro, tudo o que penso é: “PQP! Essas mulheres foram fodas!”

Gostei muito da leitura, mas tenho ressalvas no que diz respeito ao estilo de narrativa.
No final de cada capítulo, Maya finaliza seu relato com uma “lição de moral” explícita demais, em alguns momentos isso me incomodou bastante.
Mas isso não diminui a grandeza dos fatos relatados.

Instagram @maridalchico

site: https://www.instagram.com/p/BkSp_6Jn1Dg/
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Maí­ra 28/09/2018

Mamãe & Eu & Mamãe
Mesmo com a resistência inicial da filha, aos poucos a mãe, dançarina e mulher de negócios, tão diferente de sua avó forte, porém bastante tradicional, ganhou o coração da jovem Maya Angelou. A relação das duas vai, assim, sendo reconstruída diante de nossos olhos, diálogo a diálogo, cena a cena, mesmo que seja, literalmente, uma relação de tapas e beijos.

“Aquela mulher, que parecia uma estrela de cinema, merecia uma estrela, merecia uma filha mais apresentável do que eu. Eu sabia disso e tinha certeza de que ela também saberia, assim que me visse”.

Senti falta na leitura, entretanto, de uma fluidez maior capítulo a capítulo. Isto porque em vários momentos os capítulos não tem propriamente uma continuidade, refletindo cada um um episódio isolado. Todos eles são importantes, tanto na vida de mãe e filha quanto na construção do relacionamento das duas, mas frequentemente parece faltar algo entre um e outro.

Ainda assim, essa questão torna-se apenas um detalhe diante do talento de Maya Angelou e da força de sua história de vida. Com uma narrativa forte, que não mede meias palavras para relatar abusos que sofreu, na infância e na vida adulta, a autora consegue colocar o leitor no seu lugar e fazer-nos sentir a dor de ser uma mulher negra em uma cultura que buscava maltratá-la de todas as formas possíveis.

Ela demonstra não só sua força e seu talento, mas a importância de sua criação e do exemplo de uma mulher marcante e ousada como foi sua mãe. Vivian Baxter a ensinou a insistir e nunca, jamais, deixar que qualquer um se colocasse entre ela e seus maiores desejos, assim como o fez a sua avó Annie Handerson. E é exatamente assim que nos sentimos ao final da leitura, diante de um exemplo tão impressionante: que, se tivermos a determinação necessária, nada pode nos parar.

“quer meus dias sejam tempestuosos ou ensolarados e minhas noites gloriosas ou solitárias, conservo uma atitude de gratidão. Se o pessimismo insistir em ocupar meus pensamentos, eu me recordo de que sempre existe amanhã. Hoje, eu sou abençoada”.

Embora fosse de se esperar que as fotos do arquivo pessoal de mãe e filha ganhassem destaque na edição, pelo tema do livro, elas estão todas agrupadas no meio de um capítulo, sem muita explicação ou referência a um período específico da vida das duas. As fotos interrompem, inclusive, um diálogo, quando seria bem melhor que elas servissem para ilustrar momentos específicos ou, pelo menos, estivessem entre capítulos.

De resto, porém, essa é uma excelente edição, com diagramação confortável e uma capa que conversa bem com o clima nostálgico e o pano de fundo amoroso da relação retratada. É uma ótima forma de introduzir ao leitor a vida e a obra de Maya Angelou, assim como nos fornece uma perspectiva interessante da vida de duas mulheres fortes, negras e que fizeram mais do que apenas sobreviver às terríveis condições que foram impostas a elas.

site: http://resenhandosonhos.com/mamae-eu-mamae-maya-angelou/
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Delirium Nerd 21/08/2018

Em sua autobiografia, Maya Angelou nos dá uma lição de amor e resistência
Infelizmente, não é todo mundo que conhece Maya Angelou. A não ser por menções em RuPaul Drag Race ou nos livros da Djamila Ribeiro, ela não é um dos nomes que ouvimos falar com frequência, apesar de ter sido uma das poucas mulheres negras a alcançarem a fama, em plena época de segregação racial nos Estados Unidos.

A história de Maya é memorável e a sua arte é pura, tocante e fortalecedora. Por tal motivo, Mamãe & Eu & Mamãe é um livro que precisa ser lido. Primeiro, porque é um dos poucos livros da autora traduzidos para o português e, segundo, porque nesta autobiografia, ela traça um panorama geral não só da sua história, mas também da história da sua mãe, Vivian Baxter.

Nascida Marguerite Annie Johnson, em 1928, Maya Angelou faleceu em 2014, deixando para nós um legado imensurável. Foi dançarina, cantora, atriz, escritora, ativista e cineasta. Sua trajetória e sua vida pessoal são contadas neste livro, de 176 páginas, que parecem ser poucas diante de sua grandeza. Lançado pelo selo Rosa dos Tempos, ele é separado em duas partes, onde em “Mamãe & Eu” ela nos traz relatos – em primeira pessoa – da sua vida, para logo em seguida, em Eu & Mamãe, nos apresentar um panorama mais voltado e nos falar mais sobre a sua querida Lady (como passou a chamar sua mãe, Vivian Baxter, após o doloroso reencontro delas).

A trajetória de Maya é marcada por fortes violências que se iniciam logo na sua infância com o racismo cotidiano; o estupro aos 7 anos de idade, que a ocasionou parar de falar por ao menos 5 anos; e o abandono dos pais. Mas a história de Maya não se resume a apenas isso. Se pudéssemos resumir a sua vida em uma palavra, ela seria: resistência. Não à toa, um de seus mais memoráveis poemas é “Still I Rise / Ainda assim eu me levanto” (tradução livre)

Em Mamãe & Eu, Maya nos abre o quão difícil foi o seu reencontro e reconciliação com Vivian Baxter. Vivenciar o abandono maternal foi algo muito doloroso para Maya, e ao se reaproximar da sua mãe fez sangrar feridas que ainda estavam abertas e sequer haviam começado a cicatrizar. Foi o amor incondicional de Vivian que lhe permitiu ser perdoada e que permitiu, a Maya, sobreviver. Quando falamos de sobrevivência, não nos referimos ao sentido poético ou metafórico do termo. Este eufemismo não é uma realidade quando se é mulher, negra e mãe solo, com 2 empregos. Sobreviver não é poético quando falamos de racismo, abuso e violência doméstica. Sobreviver, para Maya, era, literalmente, continuar viva.

Vivian Baxter apoiou Maya em tudo e, muitas vezes, foi quem a salvou de situações como a narrada acima. Quando falamos que o amor incondicional de Vivian salvou Maya, é porque foi um amor genuíno, puro e sempre presente, ainda que somente demonstrado após o reencontro de ambas. A querida Lady nunca julgou Maya, nem pela gravidez “precoce”, nem pelos relacionamentos complexos ou a vida como dançarina em uma boate de strip-tease. Assim como seu amor, seu apoio era incondicional e é isso que vemos mais fortemente em Eu & Mamãe.

Vivian Baxter foi uma mulher incrível e, assim como Maya, também era ativista. Teve lá seus defeitos, mas quem é perfeita, afinal? Fundou e dirigiu a organização Stockton Black Women for Humanity, que tinha como escopo conceder auxílios e bolsas de estudos para alunos(as) negros(as) do ensino médio. Além disso, Vivian foi integrante de várias outras organizações não só em prol da população negra, mas também dos brancos e pobres.

É difícil traduzir em palavras o quanto Mamãe & Eu & Mamãe é lindo e simbólico. O livro é uma lição de amor e resistência que nos leva a uma catarse incontrolável de sentimentos. Poderíamos escrever mais 20 mil caracteres aqui, sem, no entanto, dar as honras merecidas. Por isso, a única coisa que podemos dizer, então, é que ele merece ser lido e relido e que Maya Angelou e Vivian Baxter merecem ser conhecidas e lembradas.

Leia na íntegra:


site: http://deliriumnerd.com/2018/07/04/autobiografia-maya-angelou-resenha/
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Izabel Wagner 09/08/2018

Maya é Amor !!!
"Mamãe e Eu e Mamãe ressalta toda a força de Maya Angelou, mas consegue, em suas breves 175 páginas, ir muito além da biografia da autora que lhe deu origem, vindo a carregar consigo uma parte da vida de sua própria mãe, uma mulher tão forte quanto Maya, cuja personalidade cativante, conselhos preciosos, desafios diários e histórico peculiar não poderiam ser esquecidos por um mundo que, tantas e tantas vezes, se esquece das figuras que verdadeiramente deveriam transformar-se em seus exemplos.

A trajetória destas mulheres é delineada através de uma narrativa cativante e acessível, nunca escondendo, porém, as sombras que invadiram momentos específicos de suas vidas, as dores que marcaram sua história e os momentos de felicidade que preencheram seus corações e demonstraram que o amor é mais forte do que todo e qualquer desafio imposto pela vida ou sociedade."

Confira a resenha completa no Estante Diagonal. ;)

site: http://www.estantediagonal.com.br/2018/08/mamae-eu-mamae-maya-angelou.html
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Luciana - @minhaestantemagica 25/07/2018

Em "Carta a Minha Filha", Maya fala um pouco sobre sua mãe, Vivian Baxter, o que já foi suficiente para eu me apegar a essa dupla. Então, quando soube desse novo livro, não tive a menor dúvida e comprei. Que declaração de amor! Maya fala sobre a mãe com tanta honestidade e ternura. Na verdade, ela nos apresenta a sua família: o irmão adorado Bailey; a avó maravilhosa, Annie, que a criou até o início da adolescência; o pai completamente ausente; o filho Guy. Vivian era a primogênita de seis irmãos que aprontavam tanta confusão na rua que ficaram conhecidos como os "Malvados Baxter". Ela logo se apaixonou por um soldado chamado Bailey. Eles casaram, tiveram dois filhos, separaram e as crianças foram morar com a avó paterna. Maya e o irmão não tinham muito contato com a mãe e guardavam uma mágoa enorme por terem sido "abandonados". Vó Annie, com medo que os netos crescessem no Sul extremamente racista, pediu a Vivian para receber os filhos de volta. E, assim, os irmãos foram morar na Califórnia. Demorou um certo tempo para que Vivian ganhasse a confiança de Maya. Mas quando ganhou, elas viveram uma relação linda. Maya engravidou na adolescência e foi super apoiada pela mãe. Passou por situações de violência e Vivian estava lá para resolver. Foi dançarina, cantora, atriz, roteirista, escritora, poeta. Morou em várias cidades do mundo. Se ela precisasse da mãe, era só ligar. No dia seguinte Vivian estava em um avião para encontrar a filha. Não media esforços para ajudar "sua menina". Por isso, dou um viva a todas as mães corajosas que lutam todos os dias para educar seus filhos com amor. Deixo o desfecho com a própria Maya, "o amor cura. Cura e liberta. Eu uso a palavra amor não como sentimentalismo, mas como uma condição tão forte que pode muito bem ser o que mantém as estrelas em seus lugares no firmamento e faz o sangue fluir disciplinadamente por nossas veias".
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Poesia na Alma 30/06/2018

Maya Angelou e as lembranças de estrelas coloridas no céu da meia-noite
“Sempre dizendo ‘eu’,
que significa ‘nós’”
(Maya Angelou)

A vida de Maya Angelou não foi fácil, ela tinha algo a dizer ao mundo, até mesmo quando um estupro a silenciou por anos. Suas palavras eram sobre amor, fé, resiliência e, principalmente, resistência. Essas palavras permanecem vivas mesmo após a morte da poeta em 28 de maio de 2014, aos 86 anos.

Devido a sua luta ativismo, em 2010, recebeu das mãos de Barack Obama a Medalha presidencial da Liberdade. O que negligencia seu trabalho como uma artista multifacetada. Contadora de histórias, poeta, atriz, dançarina, cantora e diretora de cinema. Seu mais celebre poema é Ainda assim me ergo, um convite a resistência e a poesia.

Você pode me matar com seu ódio,Mas ainda assim, como o ar, eu me ergo.

Em seu livro Mamãe & Eu & Mamãe, relançado recentemente pela Rosa dos Tempos, selo feminista do Grupo Editorial Record, Maya descreve seu relacionamento com a mãe, mulher poética.

saiba mais aqui - http://www.poesianaalma.com.br/2018/06/maya-angelou-e-as-lembrancas-de.html
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Cheiro de Livro 28/06/2018

Mamãe & Eu & Mamãe
Meu amor, procure estar preparada para qualquer situação que você possa encontrar pela frente. Não faça nada que acredite ser errado. Faça simplesmente o que acha que é certo e depois esteja preparada para bancar sua decisão, ainda que seja com a sua própria vida. Tudo o que você disser deve ser dito duas vezes. Ou seja, uma vez você diz para si mesma e, em seguida,se prepara para dizê-lo nas escadarias da prefeitura e esperar vinte minutos até atrair uma multidão. Nunca faça isso para ser notícia. Faça para que todos saibam que o seu nome é sua garantia, e que você está sempre pronta para bancar o seu nome. Nem toda situação negativa pode ser resolvida com uma ameaça de violência. Confie em seu cérebro para encontrar a solução e, depois, tenha a coragem de segui-la.”

A autobiografia de Maya Angelou e a vida com sua mãe é antes de mais nada inspiradora. Eu sei, eu sei, é muito clichê, mas não há outra palavra que descreva melhor a história tão profunda e as palavras tão inspiradoras as quais nos deparamos em “Mamãe & Eu & Mamãe”. Atriz, bailarina, cantora, diretora de cinema, escritora, poeta e ativista. Maya Angelou (1928-2014) possui tantas facetas que é impossível não se inspirar em sua trajetória. Maya é um símbolo da luta pelos direitos civis, e toda a sua obra representa um enorme ato de resistência contra o preconceito racial e a segregação às mulheres nos EUA.

A vida de Maya em si é daquelas que te faz pensar e repensar a sociedade. Ainda muito nova, com apenas três anos, ela e o irmão foram deixados com a avó, após a separação dos pais. Quando tinha sete anos Maya foi levada para passar um tempo com a mãe, que à época possuía um namorado, e foi estuprada por ele. Maya contou da violência sofrida para o irmão e o estuprador foi preso e, após sua soltura, foi assassinado. Maya, traumatizada com o poder de suas palavras que foram capazes de “causar” a morte de um homem, passou cinco anos sem falar com ninguém exceto o irmão.

Nesse processo de recuperação, até voltar a falar, Maya se encontrou na arte. Entre livros clássicos, música gospel e poesias, a menina cresceu com um sentido aguçado para o mundo artístico e já ali percebia o poder curativo e a força das palavras em todos os seus formatos. Já com 13 anos, Maya e seu irmão voltaram para Califórnia, a fim de se reconciliarem com a mãe. Se na arte ela conheceu o poder das palavras, na vida com “Lady” (como chamava sua mãe) foi quem aprendeu que o racismo e machismo precisam ser enfrentados, e criou ainda mais voz e força para se tornar independente e encarar a sociedade em nome do que quer e acredita.

Lady (Vivian Baxter) é um “personagem” tão forte quanto Maya Angelou, era empresária, agente imobiliária, dona de casas de apostas, enfermeira, e nunca fugiu de uma boa briga. Corajosa e ciente de seu papel no mundo enquanto mulher negra, desafiou padrões e lutou por visibilidade e respeito. Certa vez se filiou à marinha mercante, só para provar que era capaz, ao descobrir que as mulheres eram proibidas de se filiarem ao sindicato da categoria. Quando Maya estava insegura de ser stripper em uma casa noturna, Vivian a apoiou e ainda a levou pra comprar os figurinos.

A autobiografia mãe-filha de Maya Angelou tem tantos incidentes relevantes e inspiradores que, se não estivéssemos falando de alguém com uma trajetória tão conhecida, dava até pra dizer que é ficção. Maya foi a primeira mulher negra roteirista em Hollywood, e passou de stripper a professora universitária, sem nunca perder de vista o ativismo pelos direitos dos negros e das mulheres e, é claro, sendo ainda escritora e poeta. Uma pessoa tão múltipla só poderia resultar em uma biografia rica e inspiradora de se conhecer. Agora multiplique isso por dois. A relação mãe e filha, tão frágil no início, vai se fortificando aos poucos e é muito interessante perceber como as histórias das duas se entrelaçam tão intensamente. “Mamãe & Eu & Mamãe” não é só a história da vida de alguém. É inspiração na forma de duas mulheres que tomaram em suas mãos as rédeas de seus destinos quando isso absolutamente não era permitido.

site: http://cheirodelivro.com/mamae-eu-mamae/
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Gaby 15/06/2018

Intenso. Necessário. Maravilhoso!
Esse é um livro autobiográfico da escritora e poetisa americana Maya Angelou, nascida no Missouri em 1928. Ela é autora de diversos livros, entre coleções de poesia, romances e ensaios, além de diversos volumes autobiográficos, como é o caso deste aqui. Esse foi meu primeiro contato com a Maya, apesar de já ter ouvido bastante sobre ela. Já estava na hora de conhecer sua escrita e, mais que isso, sua história. Pois, meus amigos, ela tem muito a contar!


"Vou cuidar de você e de qualquer pessoa que você disse que precisa de cuidados, da maneira como você disser. Estou aqui. Trouxe todo o meu ser até você. Eu sou a sua mãe."


Como o título sugere, é um livro dedicado as duas mulheres de sua vida. Ainda pequena Maya foi enviada junto ao irmão mais velho para morar com a avó paterna, pois seus pais estavam se separando e não tinham condições de criá-los naquela situação. Maya viveu com sua vó, por quem sempre teve muito amor, durante quase toda infância, até ser mandada de volta para morar com a Mãe, que mesmo demonstrando muito afeto, coisa que Maya não teve muito na vida até ali, não conseguia apagar na menina as memórias que Vivian Baxter deixou, ao abandoná-la. Muitos anos se passam, e muita coisa muda na vida dessa família agora composta por Vivian, Maya e seu irmão, Bailey.

Estuprada na infância, traumatizada e vivendo em um mundo cruel para mulheres negras, Angelou foi uma sobrevivente, e também suas duas mães. Maya e Vivian lutaram juntas por muitos anos, contra a violência, o machismo e o racismo. A dor nas palavras dessa mulher tocam no fundo da alma quando compartilha sua luta com o leitor.


"Mostre a eles como soletra o seu nome: M-U-L-H-E-R! Eu estarei aqui quando você voltar."


Acompanhamos Maya encontrando sua voz, sua força e seu amor pela literatura. Após encontrar esse último, ela se dedicou intensamente a ele, escrevendo de tudo e inclusive se dedicando ao teatro e ao cinema. Esse é o sétimo de seus livros autobiográficos, e já quero ler todos para conhecer mais a fundo essa mulher fantástica e inspiradora.

Um dos melhores livros que li esse ano, sem dúvidas! Recomendo a todos. Espero que a editora Rosa dos Tempos continue trazendo obras incríveis assim

site: http://umaleitoravoraz.blogspot.com/2018/06/resenha-mamae-eu-mamae-de-maya-angelou.html#more
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Karina.Agra 12/06/2018

Não me empolgou!
Tinha boas expectativas em relação a esse livro, principalmente pelo tema de amor e cura na relação entre mãe e filha, porém pra mim não tive nenhum impacto com essa história.
Achei que a autora, apesar se ser poetisa não conseguiu transmitir os sentimentos dessa relação de forma clara, contou a história de forma rápida o que fez com que não me cativasse. Me pareceu que tudo foi muito fácil, não me mostrou uma história de lutas e dificuldades, como foi na verdade.
Terminei o livro em um dia, pois ele é pequeno e fácil de ler, porém não me acrescentou... uma pena, pois histórias de mãe x filho costumam me emocionar.
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Pandora 04/06/2018

Quando um livro nos emociona muito se torna difícil escrever sobre ele, "Mamãe & Eu & Mamãe" é justamente esse tipo de livro emocionante. Maya Angelou tem uma escrita clara, assertiva, não faz drama ou usa meias palavras para falar de sentimentos inteiros quando ela conta sobre a grandeza, a ternura e a resiliência de sua relação com sua incrível mãe não existe um caminho através do qual um leitor não se sinta tocado.

Ao falar sobre sua relação com sua mãe, a brilhante e carismática Vivian Baxter, ela controe uma declaração de amor, ternura e gratidão a uma mulher que para viver uma vida plena lutou contra o racismo e o machismo com força e sem temor. A história de Vivian, a forma como ela era uma mulher de negócios, como nunca abriu mão de sua independência em prol de nenhum relacionamento, como tinha humildade de admitir seus erros, não abria mão de expor seu ponto de vista ou apoiar sua filha em todas as suas aventuras é simplesmente inspirador.

Minha mãe também é minha melhor amiga e certamente a pessoa mais inspiradora e imensa que conheço e a nossa cumplicidade é uma das forças que me empurram para o enfrentamento dos meus desafios e a busca por soluções de meus problemas. Dessa forma não existe um caminho através do qual eu não recomende a leitura desse livro no qual é constantemente reafirmado o poder do amor e da generosidade como forma de apoio, a capacidade das mulheres de enfrentarem todo tipo de situação difícil e sobreviver a ela e a verdade obvia de que quem apoia uma mulher geralmente é outra mulher.

O Príncipe Encantado, a Bússola Moral, o Socorro no momento de pressão da Maya foi sua mãe. Não é uma mãe perfeita que abdicou de sua vida pessoal em prol dos filhos, mas uma mãe com uma dignidade incrível, capaz de equilibrar suas necessidades individuais com as necessidade de seus filhos, que acertou e errou enquanto tentava viver da forma mais plena possível. E viver de forma plena não é nada senão o desejo de todas as mulheres que vivem pressionadas pelo machismo e lutam contra ele todos os dias pelo direito de simplesmente SER!

"Mamãe & Eu & Mamãe" é o tipo de livro que devia está em todas as bibliotecas escolares. As lições que Vivian Baxter ensinou a Maya Angelou, a pessoa inspiradora que ela foi e a relação entre mãe e filha aqui desenhada são uma inspiração necessária nesses tempos de luta e resistência que temos vivido.

site: http://www.pandoraesuacaixa.com.br/2018/06/mamae-e-eu-e-mamae-da-maya-angelou.html
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Alexandre Kovacs / Mundo de K 24/05/2018

Maya Angelou - Mamãe & Eu & Mamãe
Editora Record, Selo Rosa dos Tempos - 176 Páginas - Tradução de Ana Carolina Mesquita - Lançamento no Brasil: 12/03/2018.

A escritora, poeta e ativista política Maya Angelou (1928-2014) deixou um importante legado em favor da luta pelos direitos civis, fazendo da sua obra um ato de resistência contra a discriminação racial, assim como um símbolo da emancipação feminina nos Estados Unidos. Lançado originalmente em 2013, um ano antes de sua morte, esta foi a última de uma série de sete autobiografias, iniciando com I know why the caged bird sings (Eu sei por que o pássaro canta na gaiola), livro que a popularizou, publicado em 1969.

De fato, a vida de Maya Angelou é inspiradora em vários sentidos. Após a separação dos pais, quando tinha três anos, foi deixada aos cuidados da avó paterna que a criou até os treze anos. Em uma das visitas à mãe, quando tinha sete anos, ela foi estuprada. Após contar para o irmão que havia sido violentada, o agressor foi preso e, posteriormente, encontrado morto. Traumatizada e com medo da força de suas palavras, que ela acreditava terem causado a morte do agressor, ela passou os cinco anos seguintes sem falar. No processo de recuperação deste trauma, a literatura, particularmente a poesia, desempenhou um importante papel. Portanto, Maya Angelou, desde muito cedo, aprendeu a superar as adversidades com a ajuda da arte.

"Salvo uma horrível visita a St. Louis, moramos com a mãe do meu pai, Vó Annie Henderson, e seu outro filho, tio Willie, até meus treze anos. A visita a St. Louis durou pouco, mas lá fui estuprada e o estuprador acabou sendo morto. Achei que tinha sido a responsável por sua morte, porque revelei seu nome à família. Por culpa, parei de falar com todo mundo, exceto com Bailey. Decidi que, apesar de a minha voz ser tão poderosa que podia matar as pessoas, não seria capaz de machucar meu irmão, porque o amor entre nós era grande demais. (...) Minha mãe e sua família tentaram me convencer a sair do meu silêncio, mas eles não sabiam o que eu sabia: que minha voz era uma arma letal." (Pág. 16)

Neste livro Maya Angelou divide o protagonismo com sua mãe, Vivian Baxter, com quem voltou a morar após completar treze anos, período coincidente com o retorno da sua fala. No princípio, a relação entre a mãe e os dois filhos foi difícil devido à mágoa das crianças pela separação forçada. Vivian era uma mulher independente e corajosa, proprietária de casas de apostas, muito à frente do seu tempo e não tinha tempo para os filhos pequenos. No entanto, a relação entre eles foi se tornando cada vez mais forte, especialmente com Maya, à medida em que ela se transformava em uma adolescente e encontrava apoio na mãe para vencer os preconceitos da época. Foi assim, por exemplo, quando Maya passou pela gravidez não planejada de seu único filho, Guy Bailey Johnson. O trecho citado abaixo é a abertura do livro e posiciona o leitor no difícil contexto da formação de Vivian Baxter, uma mulher negra em uma sociedade machista e racista.

"A primeira década do século XX não foi uma época muito boa para se nascer negra, pobre e mulher em St. Louis, Missouri, mas Vivian Baxter nasceu negra e pobre, de pais negros e pobres. Mais tarde cresceria e seria considerada linda. Adulta, seria conhecida como a mulher cor de manteiga com o cabelo penteado para trás. Seu pai, um trinitino com forte sotaque caribenho, descera de um navio bananeiro em Tampa, na Florida, e passou a vida inteira driblando com sucesso os agentes da imigração. Falava sempre com orgulho que era um cidadão americano. Ninguém explicou a ele que o simples fato de desejar ser cidadão não era o suficiente para torná-lo um. Em contraste com a cor escura de chocolate do seu pai, sua mãe era clara o bastante para passar por branca. Ela era chamada de octoruna, o que significava que tinha um oitavo de sangue negro. Seu cabelo era comprido e liso. À mesa da cozinha, ela divertia os filhos girando as tranças como se fossem cordas e depois sentando-se sobre elas." (Pág. 11)

A biografia de Maya Angelou muitas vezes parece a mais pura ficção. Ela foi a primeira condutora de bonde negra em São Francisco, a primeira mulher negra a ser roteirista e diretora em Hollywood, dançarina, stripper, cantora e, finalmente, professora universitária de história, além de ativista política, escritora e poeta. Todas essas passagens são descritas nesta autobiografia que evidencia a importância do amor entre mãe e filha, uma relação que foi construída ao longo da vida, sempre com muita confiança. Segundo Angelou, este livro foi escrito "para examinar algumas das maneiras como o amor cura e ajuda a escalar alturas impossíveis e erguer-se de profundezas imensuráveis". Uma história emocionante sobre duas mulheres corajosas que nunca aceitaram negociar a própria liberdade.
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Queria Estar Lendo 13/05/2018

Resenha: Mamãe & Eu & Mamãe
Mamãe & eu & mamãe é a última das autobiografias de Maya Angelou, uma grande escritora, poeta e ativista social dos EUA, publicado por aqui pelo selo feminista do Grupo Editorial Record, Rosa dos Tempos - e que nos foi cedido em parceria para a resenha. O livro explora a relação de Maya com sua avó paterna e a mãe, e o impacto desses relacionamentos ao longo da sua vida.

Eu quase sinto que não tenho palavras para falar sobre Mamãe & eu & mamãe, de tão simples e extraordinário que ele é.

Eu não sou uma pessoa muito de biografias - ou de poemas - então achei que não leria Maya Angelou tão cedo na vida, e eis que me aparece Mamãe & eu & mamãe na lista de solicitação dos parceiros, então pensei "é agora".

A autora não me era desconhecida, já que assim como Charlotte Bronte, Jane Austen e Emily Dickinson, é um nome que apareceu bastante em alguns desenhos e programas que eu gostava na infância. Mas só fui atrás da história dela, do trabalho dela, quando li Fale!, da Laurie Halse Anderson. Angelou é citada no livro e quando pesquisei, descobri que ela também tinha uma história de silêncio após ter sido estuprada aos 7 anos de idade - porém, ao contrário de Melinda, Maya ficou com medo do poder de suas palavras após o ocorrido, já que o estuprador apareceu morto depois dela contar ao irmão sobre o que tinha acontecido.

"Meu amor, estive pensando e agora tenho certeza. Você é a mulher mais especial que eu já conheci."

Depois de Fale! eu li Still I Rise, o poema mais famoso de Angelou, e ele rapidamente se tornou um dos meus preferidos. Ele é cru, verdadeiro e forte, cheio de emoção, algo que eu associo muito com os poetas que conseguem me conquistar. E ler Mamãe & eu & mamãe foi como olhar nos bastidores do poema. Porque pelo livro podemos ver que, mesmo com todos os contratempos que a vida colocou no caminho da autora, de relacionamentos abusivos à tentativas de assassinato, ela se reergueu todas as vezes. E em grande parte delas, com a mãe ao lado.

Maya Angelou começa o livro dedicando-o a sua mãe, Vivian "Lady" Baxter, e é a partir dai que se dá o tom da história. Vivian mandou os dois filhos para viverem com a avó paterna após o seu divorcio, quando a autora tinha apenas 2 anos. Eles moraram com a avó até ela completar 12 anos, e então se mudaram para a Califórnia, para viver com a mãe. A época era de forte segregação racial e o sul dos Estados Unidos não era um lugar seguro, especialmente para um jovem negro como Bailey - seu irmão mais velho. Então, por necessidade, mudaram-se para a casa da mãe.

Vivian explica, quando é confrontada pelos filhos, que não tinha como ser a mãe deles quando eles eram crianças, e que os três teriam sido infelizes se ela não os tivesse mandado para viverem com a avó. Mas, quando se compromete a ser sua mãe, Vivian o faz até o fim.

O relacionamento de mãe e filha é um dos mais complexos, para mim, e gosto muitíssimo de ler sobre essa dinâmica. E isso vale para qualquer relação mãe/filha que não seja tóxica, não necessariamente por relação de sangue. Em uma sociedade sexista que mina desde cedo os interesses das garotas, que duvida constantemente de suas capacidade cognitivas, intelectuais e sociais, ter uma mãe que lhe ensine a amar e lutar por si mesma é essencial.

"E se ela tiver razão? Ela é muito inteligente e sempre diz que não tem medo o suficiente de ninguém para mentir. E se realmente fosse o meu destino me tornar alguém? Imagine só!"

Em Mamãe & eu & mamãe, Maya Angelou explora o impacto da influência de sua avó e, principalmente, da sua mãe ao longo da vida, e para mim serviu como um ponto para reforçar a minha ideia de que nós nunca, realmente, deixamos de "precisar" da nossa mãe.

Angelou mostra que, mesmo que sua mãe tenha sido uma péssima mãe de crianças pequenas, foi uma excelente mãe de adolescentes e adultos. Deixou transparecer muito bem que, mesmo depois de adultos (ou talvez porque já somos adultos), ainda temos muito a aprender com os nossos pais, e ela também faz um ponto especial em deixar claro que uma coisa não apagava outra: ter sido uma excelente mãe de adolescentes não apagava a péssima mãe de crianças que Vivian foi, e vice e versa.

Porém, em vez de falar com amargura ou culpar a mãe, todo o tom do livro é de perdão e reconciliação. Você não precisa esquecer o passado para perdoar alguém, apenas aprender a conciliar e conviver com ele.

E Vivian foi uma Mãe com letra maiúscula mesmo. Ela estava lá para aconselhar, proteger, consolar e resgatar. Ela apoiava as decisões de Angelou, desde sua decisão de tornar-se a primeira mulher negra conduzindo um bonde até dançar em um clube de strip tease após o seu divórcio - aliás, pelos relatos do livro, Vivian só não esteve ao lado da filha quando ela decidiu se casar com um homem branco, contra a aprovação da mãe. Mas eventualmente as duas fizeram as pazes e a gente não pode culpar a Vivian por ser humana e imperfeita.

"Vou cuidar de você e de qualquer pessoa que você disse que precisa de cuidados, da maneira como você disser. Estou aqui. Trouxe todo o meu ser até você. Eu sou a sua mãe."

Mesmo entrando na vida de sua filha apenas na adolescência, Vivian Baxter deixou um grande impacto, ensinou-a a ter orgulho de ser quem era - mulher e negra -, a não levar desaforo para casa, a defender a si mesma - e contar com ela para fazer isso quando estivesse incapacitada -,ir atrás dos seus sonhos e trabalhar duro. Vivian ensinou a filha a lutar, e em uma época de segregação racial e forte sexismo, ensinou Angelou a caminhar de cabeça erguida - mesmo que ela fosse negra e mãe solteira e mulher, nunca deveria deixar a sociedade ditar até onde ela poderia ir.

E o impacto de ter alguém acreditando tão fortemente em você, enxergando você de uma forma tão extraordinária que faz com que você realmente acredite que pode ser alguém na vida, foi essencial para Angelou.

"Mostre a eles como soletra o seu nome: M-U-L-H-E-R! Eu estarei aqui quando você voltar."

Mamãe & eu & mamãe é uma leitura que faz com que você sinta tudo sobre o que ela está falando. O amor, a dor, a tristeza, o perdão, o reencontro. Não é difícil acreditar que esse livro foi escrito por uma poeta, pois Maya Angelou mostra que é verdadeiramente uma pela forma como desnuda a alma aqui: direta, sem pedir desculpas, cheia de emoção verdadeira e crua.

A Rosa dos Tempos acertou em cheio ao escolher uma leitura tão significativa, poderosa e simbólica sobre o poder feminino para ser sua segunda publicação. Além da história impactante, da voz única de Maya Angelou, o livro ainda traz algumas fotos da autora com a mãe, e alguns certificados que mostram que Vivian "Lady" Baxter não foi uma mulher incrível apenas para a filha, mas também para diversas mulheres - em especial as negras.

"Você foi uma trabalhadora incansável - graças a você, mulheres brancas, negras e latinas zarpam do porto de San Francisco. Você foi chapeadora naval, enfermeira, agente imobiliária e barbeira. Muitos homens e - se não me falha a memória - algumas mulheres arriscaram a vida para amá-la. Nunca existiu pessoa mais grandiosa do que você. Você foi uma péssima mãe de crianças pequenas, mas nunca houve uma mãe de adolescentes melhor do que você."

Foi impossível não me emocionar com a leitura, olhando essas duas mulheres que resistiram, persistiram e existiram. Que criaram um relacionamento na base da tentativa e erro, mas que nunca desistiram uma da outra. Me peguei chorando com várias passagens. A força delas é tão intrínseca as suas personalidades, a resiliência é tão real.

Vivian Baxter foi uma lutadora desde o começo, tocando o terror com os irmãos mais novos na sua cidade natal, se certificando de que ninguém os achasse bobos ou fracos, carregando sua alma briguenta para o resto da vida. E, ao mesmo tempo, temos Maya, corajosa e determinada, uma sonhadora de alma gentil. Dois tipos tão distintos de força, duas mulheres que admiram e amam uma a outra de forma tão aberta.

"- Bem, nós arrancamos o poder que ela tinha sobre a gente.
- Não arrancamos, não, querida. Foi ela que o entregou a nós."

Estou apaixonada e honrada por esse livro, que com certeza vai ter um espaço cativo na minha estante a partir de agora.

site: http://www.queriaestarlendo.com.br/2018/05/resenha-mamae-e-eu-e-mamae.html
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