Homem no Escuro

Homem no Escuro Paul Auster




Resenhas - Homem no Escuro


5 encontrados | exibindo 1 a 5


Claire Scorzi 02/01/2010

Duas narrativas, duas visões, uma possível fuga
O livro desenvolve duas narrativas: a vida atual do protagonista, um crítico literário idoso que está morando com a filha enquanto se recupera de um acidente, usando o tempo livre para para assistir filmes antigos com a neta; e a história que o próprio protagonista conta para si mesmo durante as horas de insônia e de dores na escuridão: uma ficção futurista, depressiva, sobre uma nova guerra civil ocorrendo nos EUA.
As partes do livro que narram o cotidiano simples de August Brill, o crítico, são um prazer de ler. Já as partes dedicadas à trama inventada por ele a mim soaram chatas, cansativas, apesar da ação e da base dramática.
Debati-me com a leitura, arrastando cada linha quando tinha de ler as divagações ficcionais de Bril, e lendo com delícia e empatia a história vivida por ele.
Só bem avançada a leitura tive um insight, que foi o seguinte:
* A história narrada em 1ª pessoa por Brill, em que conta seu estado insone, recorda o passado, vê filmes com a neta - é a história "feminina" de Auster. Uma narrativa simples que fala de pessoas e suas dores, fala de famílias, erros, perdas, sofrimento, pequenos prazeres, arrependimentos. É uma visão "feminina" de Literatura, pois em geral são as mulheres que se voltam para esses temas - interação familiar, a doença, a vida diária.
* A história inventada por Brill, cheia de visões apocalípticas do futuro, política, espionagem, traição, assassinato, ação, conspirações - é a história "masculina" de Auster. O tipo de romance que em geral os homens escrevem, e que gostam de ler.
Por que August Brill inventa tal história? Porque, mergulhado numa história "feminina", emotiva, familiar, ele não sabe lidar com isso. Criar a outra história é assim mais do que fuga da insônia: é uma fuga de uma realidade emocional com a qual ele, como homem, não consegue lidar; sente dificuldade em lidar.
Se minha idéia está correta, foi uma maneira criativa de entrelaçar as duas histórias. Mas posso ter visto demais. E, se acertei, gostaria que Auster tivesse conseguido tornar sua história "masculina" mais palatável...
Gustavo Mahler 27/02/2013minha estante
Excelente resenha! Parabéns ;)


ezyksnosbor 20/06/2013minha estante
Eu gostei da história inventada, me identifiquei muitíssimo, já que faço isso e também sofro de insônia. Quando à narrada em 1ª pessoa, concordo com o seu ponto de vista, leitura deliciosa e tocante! =)




Viviane 26/06/2017

Fechei o livro sem saber dizer se amei ou se odiei a narrativa, mas eu tinha uma certeza, o livro falava de amor, porem um amor melancólico no qual não temos controle, onde a alegria de vivenciá-lo é ceifado pelas armadilhas do destino.
O protagonista, um Senhor viúvo cria em seus devaneios histórias que representam suas vivencias, receios e medos, este momento criativo representa uma fuga do sofrimento que tenta abraçá-lo durante as noites lhe causando insônia. O idoso passou sua vida entre dois caminhos, porem, ao perceber que não foi possível abarcar os dois, se vê perdendo a ambos, da mesma forma que demonstra em sua história fictícia, no qual a vida tranquila é renunciada em prol das conseqüências das armadilhas que a vida lhe impõe, digo impõe porque apesar de notar um certo arrependimento pelo rumo que sua vida tomou August Brill não assume total responsabilidade, julgando a uma causa maior o que o impulsiona a um caminho quase que inevitável.
Diante de uma saga de tragédias que se manifestam, tanto na ficção quanto na vida dos personagens reais, fiquei curiosa para saber o que levou o autor a imaginar tais problemáticas...Será que estava em uma fase ruim? No qual o destino lhe pregou uma peça?
Uma parte que gostei muito do livro é o dialogo da neta com o avô sobre os objetos inanimados que trazem contigo uma expressão de emoções nos filmes, os exemplos me deixaram encantada, e me fez lembrar de que um bom escritor também o faz em suas narrativas, e o leitor pode ou não captar sua infinidade de significados em apenas algumas linhas, e acredito que a vida também é assim, quantos significados diante de nossos olhos, e quantas vezes passamos batido sem ao menos ter tempo de fazer essa leitura.

Sabrina Freiberger 20/08/2018minha estante
Gostei da tua resenha, você desenrolou todo meu pensamento. Tive a mesma sensação ao encerrar a história, ainda não sei se amei ou odiei, mas sei que vai ficar marcado. Acredito que o fato de eu nunca ter lido uma obra do Auster e ter iniciado esse livro sem nem ver a sinopse justifica o fato de eu ter ficado chocada com algumas partes. Achei toda a narrativa dolorosa, mas não consegui parar de ler e agora não consigo iniciar outra leitura, minha cabeça não sai dessa história.




Ana Beatriz Serpeloni 28/05/2016

Sensacional
"Fugir para dentro de um filme não é como fugir para dentro de um livro. Os livros nos obrigam a lhes dar algo em troca, a exercitar a inteligência e a imaginação, ao passo que podemos ver um filme - e até gostar dele - num estado de passividade mecânica."
comentários(0)comente



Yasmin 27/08/2016

Excelente
É uma história com uma bela metáfora sobre a milenar arte de escrever e contar histórias, e sobre o espírito criativo humano, e sobre o quanto as criações se relacionam com seus criadores. Ao ler, imediatamente lembrei-me do Mundo de Sofia, que tem um tema semelhante, ainda que narrado sobre outro enfoque. A vida do personagem principal, August Brill, entrelaça-se em muitos momentos com a distopia que ele conta para si mesmo em suas noites insones: os seus pensamentos, as suas lembranças, e mesmo as pessoas com quem ele conviveu, aparecem de maneira direta ou indireta na vida do personagem que ele cria, Owen Brick. É uma historia bem construída, em que cada detalhe importa, e contribui para o sentido global como uma peça de um quebra-cabeça. Agora, é um dos meus livros favoritos. A leitura é altamente recomendada.
comentários(0)comente



Julio.Argibay 20/02/2018

Desapego
Um bom livro. Um enrredo um pouco mais complexo, mas uma leitura boa, fluida, cativante. Eu esperava uma explicação melhor, mais amarrada, ficaram alguns nos soltos, mais ou menos no meio do livro, fora isto foi bem interessante. Vale a pena.
comentários(0)comente



5 encontrados | exibindo 1 a 5