História Social da Educação no Brasil (1926-1996)

História Social da Educação no Brasil (1926-1996) Marcos Cezar de Freitas...
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Resenhas - História Social da Educação no Brasil (1926-1996)


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ChrisGally 24/08/2016

Com o conceito-chave “travessia”, os autores propõem “narrar” “a difusão e a consolidação da escola popular de massas do país” (p.11), elucidando “algumas contradições e tensões que acompanharam a construção social da educação pública no Brasil, além do processo de sua desvalorização na sociedade no período que vai de 1926, momento em que o Estado se tona responsável primeiro pela educação pública e em que está associado o tema de direito à educação, até 1996, momento em que se promulgou a Lei das Diretrizes e Bases da Educação nacional.
Entendem por história social da educação “a história de sucessivas articulações por meio das quais a sociedade, com suas muitas expressões de desigualdade e diversidade configuram o próprio Estado que, por sua vez, participa da configuração da mesma sociedade que legitima sua ação com maior ou menor abrangência” (p.106).
O foco é a construção da identidade da escola pública entre os brasileiros que enfrenta momentos de valorização e desvalorização. Os objetivos específicos, portanto, que nortearam este trabalho foram: compreender quais sujeitos promoveram essa valorização e com quais argumentos; quais situações promoveram a desvalorização da escola pública e com quais marcas de distanciamento entre pessoas no tecido da economia e compreender como o tema escolarização foi articulado em relação às desvantagens sociais do tempo de construção do desenvolvimento.
A década de 20, por se considerar a falta de escolarização como uma doença social, foi palco de várias reformas educacionais regionais, como as de Sampaio Dória (1920 em São Paulo), Lourenço filho (1922 no Ceará), Carneiro Leão (no Distrito Federal em 1922), José Augusto (em 1925, RN), Lysímaco da Costa (1927, Paraná), Francisco Campos (1927, MG), Carneiro Leão (1928, Pernambuco), Fernando de Azevedo (1928, Distrito Federal) e Anísio Teixeira (1928, BA). Duas obras coletivas, neste período são mencionados e descritos por sua importância na política educacional: o inquérito de Vicente Licínio Cardoso, em 1924, intitulado Às margens da história da república, e o inquérito financiado pelo jornal O Estado de São Paulo e coordenado por Fernando de Azevedo. Vários foram os interesses que entravam em tensão quando se tratava de educação pública: os setores agrários, os operários urbanos, as camadas médias, o patronato, a Igreja Católica, as Igrejas Reformadas e as Forças Armadas. O Manifesto dos Pioneiros da educação nova também constitui um documento importante neste período.
No decorrer da “travessia”, foi exposta a importância da criação de diversos departamentos, instituições, programas educacionais, etc., como o MOBRAL, IBGE, INEP, etc., sempre na perspectiva de como as políticas para a escola pública refletiam os interesses particulares de partidos políticos, da Igreja, etc., e quase sempre construindo uma mentalidade de que a escola pública está diretamente relacionada à diminuição das deficiências apresentada pelos pobres.
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